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Jornal Brasileiro de Psiquiatria

Print version ISSN 0047-2085

J. bras. psiquiatr. vol.62 no.1 Rio de Janeiro  2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852013000100004 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Uso de álcool e tabaco entre estudantes de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo

 

Alcohol and tobacco use among Psychology students at the Federal University of Espírito Santo

 

 

Marcos Vinícius Ferreira dos SantosI; Denis Soprani PereiraI; Marluce Miguel de SiqueiraII

IUniversidade Federal do Espírito Santo (UFES), Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPGSC); Centro de Estudos e Pesquisas sobre Álcool e outras Drogas (CEPAD), UFES, Vitória, ES, Brasil
IIUFES, PPGSC-UFES, Departamento de Enfermagem; CEPAD-UFES, Vitória, ES, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Traçar o perfil do uso de álcool e tabaco entre universitários do curso de graduação em Psicologia do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo de corte transversal, com abordagem quantitativa. A população estudada foi de alunos matriculados no referido curso no segundo semestre do ano de 2010, constituindo uma amostra de 221 estudantes. O questionário utilizado foi o mesmo utilizado no I Levantamento Nacional entre Universitários, proposto pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.
RESULTADOS: A maioria dos estudantes era solteira (90,1%), do sexo feminino (81%), estava na faixa etária de 18 a 24 anos (81%), era da raça/cor caucasoide/branca (57,5%) e 55% referiram pertencer às classes econômicas B1 e B2. Encontrou-se maior prevalência de álcool (85,07%) e tabaco (33,07%) na frequência uso na vida, sendo o uso de álcool maior que na população geral. As substâncias associadas ao uso de álcool na vida foram a maconha (p-valor = 0,007), os tranquilizantes (p = 0,011) e os anfetamínicos (p = 0,045). Já para o uso de tabaco na vida, as substâncias mais associadas foram a maconha (p = 0,0001), os inalantes (p = 0,0001), os alucinógenos (p = 0,0001) e os anfetamínicos (p = 0,001).
CONCLUSÃO: É necessária maior abordagem nos currículos de graduação, especialmente da Psicologia, sobre o consumo de substâncias psicoativas e seus impactos para o indivíduo, a família e a sociedade, bem como a criação de programas preventivos específicos para estudantes universitários.

Descritores: Estudantes universitários, detecção do abuso de substâncias, substâncias psicoativas.


ABSTRACT

OBJECTIVE: Profiling the use of alcohol and tobacco among the undergraduate students of Psychology at the Center for Human and Natural Sciences of Federal University of Espírito Santo.
METHODS: The study population were students enrolled in the second semester of 2010 in the psychology undergraduate, comprising a sample of 221 students. The questionnaire used was the same used in the National Survey of College I, proposed by the National Drug Policy Secretariat.
RESULTS: Most students were single (90.1%), female (81%) were in 18-24 years (81%), were the white/Caucasian race (57.5%) and 55% reported belonging to social classes B1 and B2. We found a higher prevalence of alcohol (85.07%) and tobacco (33.07%) in the frequency lifetime use, with alcohol consumption greater than in the general population. The substances associated with the use of alcohol in his life were marijuana (p-value = 0.007), tranquilizers (p = 0.011) and amphetamines (p = 0,045). As for tobacco use in life, the more substances were marijuana related (p = 0.0001), inhalants (p = 0.0001), hallucinogens (p = 0.0001) and amphetamines (p = 0.001).
CONCLUSION: We need a better approach in undergraduate curricula, especially in psychology course, on the consumption of psychoactive substances and their impacts on the individual, family and society as well as the creation of specific prevention programs for college students.

Keywords: Undergraduate students, substance abuse detection, psychoactive substance.


 

 

INTRODUÇÃO

Substâncias psicoativas (SPA) são substâncias que alteram o comportamento, a consciência, o humor e a cognição, atuando no sistema nervoso central1. Seus efeitos negativos são responsáveis por afetar a estabilidade das estruturas dos Estados e sociedades. As SPA afetam homens e mulheres, independentemente de grupos étnicos, sociais, faixa etária e instrução2.

O consumo de álcool, produtos de tabaco e outras drogas é um fenômeno mundial que tem transcendido a categoria de problema de saúde3. O uso de produtos de tabaco afeta 25% da população mundial adulta. Quando comparado às drogas ilícitas, as estimativas apontam que 200 mil mortes por ano são decorrentes do consumo de substâncias ilícitas, enquanto 5 milhões são atribuídas ao uso de tabaco. Em relação ao consumo de álcool, quase 2 bilhões de pessoas no mundo fazem uso dele4. O álcool é responsável por 4% de todas as mortes no mundo; cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência do consumo de álcool, número maior que as mortes causadas pela AIDS/HIV, tuberculose ou violência física5.

Conforme o II Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil – estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país2 –, o álcool e os produtos de tabaco, em comparação às demais substâncias psicoativas, foram as de maior prevalência de uso. E a prevalência de uso na vida de tabaco e álcool foi relatada por 44% e 74,6% das pessoas entrevistadas, respectivamente.

Existe na atualidade uma atenção especial a esse uso entre os universitários. O maior uso de álcool e tabaco por essa população específica está relacionado a determinados fatores já identificados, como não possuir religião ou não frequentar celebrações religiosas, morar longe dos pais e apresentar mais horas livres nos dias úteis e alta renda familiar6,7. O ingresso na universidade pode se tornar um período crítico, pois a autonomia que se insere na vida de muitos estudantes é fator gerador de insegurança e de maior vulnerabilidade para o início e a manutenção do uso SPA8.

Portanto, conhecer o padrão do uso de SPA dessa população é primordial e deve anteceder à implementação de estratégias de prevenção ao consumo de drogas, pois possibilita o desenvolvimento de políticas públicas, incluindo prevenção e tratamento, com resultados potencialmente mais proveitosos9.

O uso de SPA por universitários já foi objeto de diversos estudos envolvendo várias universidades do país. Em uma pesquisa de revisão acerca do uso de SPA entre estudantes do ensino superior entre 1997 e 200710, encontram-se os estudos de prevalência realizados na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), na Universidade de Alfenas (Unifenas), na Universidade Federal de Alfenas (Unifal), na Universidade Federal do Ceará (UFC) e nas Faculdades de Medicina da Bahia (FM-UFBA). A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) também foi cenário de pesquisas semelhantes com universitários dos cursos de Odontologia11, Enfermagem12 e Farmácia13 e Medicina14, onde o álcool foi a substância com maior prevalência de uso seguida pelo tabaco, um resultado relevante e comum a todos os estudos mencionados.

No I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras3, observou-se que, em relação ao uso na vida, as drogas relatadas com maior frequência foram: álcool (86,2%) e tabaco (46,7%); enquanto nos últimos 12 meses antecedendo a aplicação do questionário as substâncias mais frequentemente usadas foram: álcool (72,0%) e tabaco (27,8%). Nos últimos 30 dias, as drogas mais frequentemente consumidas foram: álcool (60,5%), tabaco (21,6%), maconha (9,1%), anfetamínicos (8,7%), tranquilizantes (5,8%), inalantes (2,9%) e alucinógenos (2,8%).

Os universitários da área da saúde constituem alvo de especial atenção no que se refere ao consumo de SPA. Isso pelo fato de que estarão envolvidos na promoção da saúde e prevenção de diversas morbidades, entre elas a dependência por substâncias psicoativas. Nesse contexto, os universitários do curso de Psicologia, que se insere entre as áreas da saúde e das ciências humanas, devem ter atenção privilegiada, pois, ao exercerem sua profissão, estarão diretamente envolvidos na identificação, prevenção e tratamento de indivíduos com problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas.

De acordo com o exposto, objetiva-se com este estudo traçar o perfil do uso de álcool e tabaco entre os estudantes universitários do curso de Psicologia da UFES.

 

MÉTODOS

Trata-se de um estudo quantitativo, de corte transversal, realizado no Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN) da UFES, no segundo semestre do ano de 2010 (2010/2). A população estudada foi constituída dos 300 alunos que estavam devidamente matriculados no curso de Psicologia, no período de 2010/2. A amostra foi calculada no software Epi-Info 6.04, com intervalo de confiança de 95%, erro de 5% e prevalência esperada de 30% relativa ao fenômeno que ocorre com menor frequência nesse estudo, que seria o consumo na vida de tabaco, resultando numa amostra de 156 universitários. Como a pesquisa foi realizada com os que estavam presentes em sala de aula no momento da aplicação do instrumento, a amostra foi constituída por 221 estudantes.

Inicialmente, enviou-se uma carta à chefia do colegiado de Psicologia solicitando a colaboração dos professores na concessão de 40 minutos de suas respectivas aulas para a aplicação dos questionários. Realizou-se um estudo piloto, a fim de calibrar os aplicadores e identificar possíveis adaptações necessárias ao questionário. A aplicação do questionário foi realizada em sala de aula, por bolsistas de iniciação científica devidamente treinados, com anuência prévia dos professores, após breve explicação dos objetivos do trabalho pelos pesquisadores. Todos que aceitaram participar da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, de acordo com a Resolução nº 196/1996, do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

O instrumento utilizado foi o proposto pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) para o I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras3. Esse instrumento é um questionário constituído por 98 questões fechadas, contendo breve explicação sobre a pesquisa. Por meio dele é possível identificar o perfil e o estilo de vida do universitário brasileiro, com ênfase sobre o uso de drogas e seus transtornos, comportamentos de risco e existência de comorbidades psiquiátricas, como sintomas depressivos, persecutórios e de sofrimento psicológico, como também informações acadêmicas, atividades gerais, satisfação e desempenho acadêmico, comportamentos gerais e políticas institucionais. Por meio desse instrumento, o consumo de substâncias psicoativas é identificado de acordo com a classificação da Organização Mundial de Saúde15:

  • Uso na vida: quando a pessoa fez uso de qualquer droga psicotrópica pelo menos uma vez na vida;
  • Uso no ano: quando a pessoa utilizou droga psicotrópica pelo menos uma vez nos 12 meses que antecederam a pesquisa;
  • Uso no mês: quando a pessoa utilizou droga psicotrópica pelo menos uma vez nos 30 dias que antecederam a pesquisa.

Objetivando alcançar a finalidade desta pesquisa, utilizaram-se apenas os dados relativos ao perfil socioeconômico, consumo de substâncias psicoativas e os dados referentes ao Alcohol, Smoking and Substance Involving Screening Test (ASSIST). O ASSIST é um questionário estruturado que contém questões sobre o uso de substâncias psicoativas. As questões abordam: frequência de uso das substâncias (na vida e nos últimos três meses); problemas relacionados ao uso; preocupação a respeito do uso por parte de pessoas próximas ao usuário; prejuízo na execução de tarefas esperadas; tentativas malsucedidas de cessar ou reduzir o uso; sentimento de compulsão e uso por via injetável. A pontuação varia de 0 a 39, sendo para o álcool considerada a faixa de pontuação de 0 a 10 como indicadora do uso sem risco; de 11 a 26 como indicadora do uso de risco moderado; e quando superior a 27 pontos, indicadora de uso de alto risco para o desenvolvimento de dependência, com necessidade de encaminhamento para tratamento intensivo. Para outras substâncias psicoativas, as pontuações respectivamente necessárias para uso sem risco, uso de risco moderado e uso de alto risco são: 0-3 pontos; 4-26 pontos e superior a 27 pontos16.

Os dados foram analisados com o auxílio do programa Statistical Package for the Social Science (SPSS 17). Foram utilizadas a análise univariada para a descrição das variáveis quantitativas relacionadas ao perfil socioeconômico e a análise bivariada para verificar a associação entre o uso de SPA lícitas (álcool e tabaco) e as variáveis independentes (sexo, idade, religião e nível socioeconômico) por meio do teste Qui-quadrado com nível de significância de 5%.

Este estudo integra o projeto de pesquisa intitulado "Uso de Substâncias Psicoativas entre Universitários do Curso de Psicologia", que foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFES, de acordo com os dispositivos da Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde sobre Pesquisa com Seres Humanos.

 

RESULTADOS

Participaram deste estudo 221 estudantes, o que corresponde a 73,66% de todos os alunos matriculados no período. Conforme a tabela 1, a maioria dos estudantes era solteira (90,1%), do sexo feminino (81%), estava na faixa etária de 18 a 24 anos (81%), era da raça/cor caucasoide/branca (57,5%). Acerca do nível socioeconômico, 55% referiram pertencer às classes econômicas B1 e B2. Quanto à religião, houve predomínio de católicos (41,18%) e evangélicos/protestantes (24,9%), e os que não possuem religião (21,27%). Quando se tratou de atividade remunerada, 53,15% referiram exercer atividade remunerada, no mínimo 20 horas semanais, no período de aplicação da pesquisa.

 

 

Na tabela 2 podem ser observados os dados de prevalência de uso de diversas substâncias psicoativas, nos quais se nota que as mais consumidas foram as substâncias lícitas. Na vida, as substâncias mais usadas foram, respectivamente, álcool (85,07%), tabaco (33,03%), tranquilizantes (20,81%), maconha (17,19%) e os inalantes (10,41%); no ano, álcool (63,80%), tabaco (19,91%), maconha (12,22%), tranquilizantes (8,6%), inalantes (1,81%) e anfetamínicos (1,81%); no mês, álcool (52,49%), tabaco (13,12%), maconha (9,05%), tranquilizantes (3,62%) e posteriormente anfetamínicos, alucinógenos e analgésicos opiáceos, com 1,36% de prevalência cada.

 

 

Quanto ao uso de SPA lícitas segundo a idade de experimentação, a faixa etária de maior prevalência para o álcool foi a de 15 a 17 anos (48,6%), seguida pela de 12 a 14 anos (32,6%), com idade média de experimentação de 14,84 anos, com idade mínima de 5 e máxima de 21 anos. Para o tabaco, a faixa etária de maior prevalência foi a de 18 anos ou mais (37,9%) seguida pela faixa de 15 a 17 anos (33,3%), e a média foi de 16,55 anos, com mínima de 9 e máxima de 24 anos.

A tabela 3 mostra o padrão do uso de risco (de moderado a alto) de álcool e tabaco, conforme a classificação obtida pela pontuação do ASSIST. O valor percentual apresentado na tabela é relativo ao total de indivíduos pertinentes a cada categoria analisada. Foi detectado que 16,3% dos estudantes usaram álcool com esse padrão e que 4,07% usaram tabaco dessa forma. Quanto ao uso com risco, moderado ou alto, para álcool pode-se observar que 16,2% das mulheres, 15,8% dos homens, 23,4% dos que não têm religião, 21% dos espíritas e 19,5% dos incluídos na faixa etária de 18 a 24 anos fizeram esse tipo de uso; já para o tabaco, 3,9% das mulheres, 5,3% dos homens, 8,5% dos que não têm religião, 5,3% dos espíritas. Dos que exerciam algum tipo de atividade remunerada, 5,88% usaram tabaco com padrão de risco e 1,96 dos que não exerciam usaram tabaco dessa forma.

 

 

A tabela 4 apresenta a associação entre o uso na vida de SPA lícitas e uso na vida de SPA ilícitas. Observou-se que as substâncias associadas ao uso de álcool na vida foram a maconha (p = 0,007), os tranquilizantes (p = 0,011) e os anfetamínicos (p = 0,045). Já para o uso de tabaco na vida, as substâncias mais associadas foram a maconha (p = 0,0001), os inalantes (p = 0,0001), os alucinógenos (p = 0,0001) e os anfetamínicos (p = 0,001). As SPA ilícitas associadas ao uso na vida de tabaco (maconha, inalantes, alucinógenos e anfetamínicos) foram também associadas ao uso na vida de álcool e tabaco, possuindo o mesmo resultado do teste Qui-Quadrado.

Na tabela 5, é possível verificar o uso na vida de álcool e tabaco relacionado às variáveis: sexo, idade, religião e nível socioeconômico. O percentual discriminado na tabela refere-se ao total de indivíduos pertinentes a cada categoria analisada. O uso de álcool não apresentou relação com as  variáveis sexo (p = 0,119), religião (p = 0,561) e nível socioeconômico (p = 0,189), mas apresentou relação a variável idade (p = 0,001). Já para uso na vida de tabaco, assim como o uso de álcool e de tabaco associado, observou-se associação com religião (p = 0,022) e idade (p = 0,001).

 

DISCUSSÃO

Notou-se a prevalência de universitários do sexo feminino (81%), corroborando outros estudos12,23-25, que também encontraram prevalência de estudantes do sexo feminino.

Encontrou-se também predomínio da faixa etária de 18 a 24 anos (81%), da raça/cor caucasoide/branca (57,5%) e pertencentes às classes socioeconômicas B1 e B2 (55%). Acerca da religião, houve predomínio de católicos (41,18%) e evangélicos/protestantes (24,9%) e os que não possuem religião (21,27%). Resultados semelhantes foram encontrados no I Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras3, no qual foi encontrado predomínio da faixa etária de 18 a 24 anos (58%), da raça/cor caucasoide/branca (61,6%) e pertencentes às classes econômicas B1 e B2 (49,1%), da religião católica (50,0%), seguida da evangélica (17,4%) e espírita (8,9%), e 14,9% dos universitários respondentes relataram não seguir nenhuma religião. Quanto à faixa etária, os dados concordam com Kerr-Correa et al.17, que encontraram em seu trabalho predomínio de faixas etárias jovens. Alguns estudos realizados na UFES11-14 também se aproximam dos resultados desta pesquisa, já que a maioria dos estudantes pertencia à faixa etária de 18 a 24 anos e à classe socioeconômica B.

Em relação ao uso de SPA, as lícitas foram as mais prevalentes. Dessa forma, esta pesquisa corrobora estudos realizados entre a população geral2, entre universitários brasileiros3,17-19 e com universitários da UFES11-14. Na vida, as substâncias mais usadas foram, respectivamente, álcool (85,07%), tabaco (33,03%), tranquilizantes (20,81%) e maconha (17,19%); no ano, álcool (63,80%), tabaco (19,91%), maconha (12,22%) e tranquilizantes (8,6%); no mês, álcool (52,49%), tabaco (13,12%), maconha (9,05%) e tranquilizantes (3,62%). Observou-se a prevalência de uso na vida de álcool de 85,07%, dado semelhante ao encontrado por Kerr-Côrrea et al.17, que detectaram prevalência de 84% para o uso na vida dessa substância entre estudantes de Medicina da Unesp, como também por Mardegan et al.12, que constataram prevalência de 82,1% para o uso na vida de álcool entre estudantes de enfermagem da UFES.

As prevalências de uso de álcool obtidas em nossa pesquisa são superiores às da população geral. Carlini et al. encontraram no II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil2 as prevalências de 74,6% (vida), 49,8% (ano) e 38,3% (mês). Laranjeira et al., em um levantamento sobre uso de álcool na população geral, constataram que 52% dos brasileiros acima de 18 anos beberam pelo menos uma vez ao ano, sendo essa prevalência menor do que a constatada pelo presente estudo (63,80%), em que a maioria possui 18 anos ou mais (93,2%). Contudo, o uso de álcool foi inferior ao constatado em universitários brasileiros3. Já em outra pesquisa19 realizada com 538 estudantes, em que 48,9% da amostra era de universitários do curso de Psicologia, as prevalências de uso do álcool foi de 96,7% (vida), 67,6% (ano) e 76,6% (mês) e para o tabaco foi de 65,1% (vida), 37,9% (ano) e 45,5% (mês), dados superiores aos que encontramos nos universitários de psicologia da UFES.

A prevalência do uso do tabaco obtida se diferencia das prevalências detectadas por outras pesquisas. Em estudos realizados entre a população geral2 e entre universitários brasileiros3,13,17-19,23,25, as prevalências de uso (vida, ano e mês) são superiores, como exemplificado pelo trabalho de Chiapetti e Serbena19 com universitários do curso de Psicologia, que detectou altas prevalências de uso de tabaco de 65,1% (vida), 37,9% (ano) e 45,5% (mês). Pesquisas realizadas com estudantes de Odontologia11, Medicina14 e Enfermagem12 da UFES detectaram que o uso na vida para o tabaco foi inferior a 33,03%, valor encontrado no presente estudo.

Em relação ao uso de SPA ilícitas no ano e no mês, corroboramos os dados obtidos pelo II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil2, pelo I Levantamento Nacional entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras3, como também por Chiapetti e Serbena19, que detectaram a maconha como SPA ilícita mais prevalente. Todavia, quanto ao uso na vida, nosso estudo se diferencia dos anteriormente citados por encontrar maior uso de tranquilizantes (20,81%), explicado por ser a maioria dos universitários pesquisados do sexo feminino, pois, conforme Wagner et al.26, as mulheres usam mais medicações com potencial de abuso que os homens.

Em estudos com estudantes de enfermagem, assim como este de maioria feminina, obtiveram-se achados discordantes no que diz respeito às SPA mais usadas (exceto álcool e tabaco). Como exemplo, há a pesquisa realizada na Universidade Federal de Passo Fundo23, na qual as substâncias mais prevalentes na vida, no ano e no mês (exceto álcool e tabaco) foram os estimulantes e os benzodiazepínicos, e o estudo conduzido na Universidade Federal do Espírito Santo12, que encontrou os ansiolíticos e anfetamínicos como as substâncias mais consumidas na vida, no ano e no mês após as SPA lícitas. A Universidade Católica de Minas Gerais24 também foi cenário de estudo semelhante, sendo os ansiolíticos e inalantes após álcool e tabaco as substâncias mais usadas na vida.

Sobre o uso de SPA lícitas segundo a idade de experimentação, observou-se que houve predomínio de experimentação antes dos 18 anos, tendo 81% dos universitários experimentado álcool e 62% experimentado tabaco com idade inferior a 18 anos. Os achados deste estudo se relacionam à posição de autores como Baus et al.20, Kerr-Corrêa et al.17 e Tavares et al.21, pois afirmam que a introdução no consumo de substâncias tem ocorrido cada vez mais precocemente. Mesmo que legalmente a idade mínima para compra de bebidas alcoólicas no Brasil seja de 18 anos, 80,8% dos respondentes já haviam experimentado alguma bebida alcoólica antes dos 18 anos de idade (48,6% entre 15 e 17 anos e 32,6% entre 12 e 14 anos), semelhante ao que se notou no I Levantamento Nacional entre Universitários3, em que 54% dos entrevistados já haviam experimentado alguma bebida alcoólica antes dos 16 anos de idade. Corroborando esses dados, Laranjeira et al.9 encontraram que a população brasileira entre 18 e 25 anos teve média de 15,3 anos para idade de experimentação e de 17,3 anos para início de consumo regular de álcool. Enquanto isso, os menores de 18 anos tiveram idade média de 13,9 anos para idade de experimentação e de 14,6 anos para início de uso regular.

Detectou-se que 16,2% das mulheres, 15,8% dos homens e 19,5% dos incluídos na faixa etária de 18 a 24 anos têm risco, de moderado a alto, de desenvolver dependência do álcool. Então, em nossa pesquisa, o sexo feminino teve maior uso com padrão de risco (no mínimo moderado) e o sexo masculino e os pertencentes à faixa etária de 18 a 24 anos tiverem um uso menor, em relação ao que se observou no I Levantamento Nacional entre Universitários3, em que 13,62% das mulheres, 26,9% dos homens e 25,3% incluídos na faixa etária de 18 a 24 anos obtiveram pontuação indicativa de risco moderado a alto.

Evidenciou-se a relação do uso na vida de álcool, tabaco e ambas as drogas ao uso na vida de SPA ilícitas (maconha, inalantes, cocaína, alucinógenos, anfetamínicos e tranquilizantes) com significância estatística. O uso de álcool na vida associou-se estatisticamente com o uso na vida de maconha, tranquilizantes e anfetamínicos. Nota-se que o uso de tabaco, em relação ao do álcool, manteve maior associação com o uso na vida de SPA ilícitas. Maconha, inalantes, cocaína, alucinógenos e anfetamínicos estiveram associados ao uso na vida de tabaco e mantiveram a associação com experimentação de álcool e tabaco. As frequências de uso na vida (de tabaco e outra SPA ilícita) são iguais às de uso na vida (de álcool e tabaco e outra SPA ilícita), evidenciando que todos os que usaram tabaco na vida também fizeram uso de álcool na vida. A maconha esteve mais associada ao uso na vida de álcool (p = 0,007), tabaco (p = 0,0001) e álcool e tabaco (p = 0,0001); esse resultado pode estar relacionado ao fato de a maconha ser uma das SPA ilícitas mais prevalentes2-4,11-14,17-20 e também aos achados de Ortega-Perez et al.22, que encontraram a maconha como terceira droga com maior uso e a primeira ilícita a ser usada na vida, quando questionaram estudantes universitários sobre a ordem do uso e experimentação de SPA.

Verificou-se a associação da variável experimentação do álcool com a variável idade (p = 0,001). Contudo, não esteve associada a religião (p = 0,119) e sexo (p = 0,561), dessa forma, em relação à variável sexo, concorda-se com Silva et al.6. O tabaco esteve associado às variáveis religião (p = 0,022) e idade (p = 0,001). Mais da metade (53,2%) dos que não possuíam religião usou pelo menos uma vez na vida essa substância, seguida pelos católicos, dos quais 26,7% usaram tabaco ao menos uma vez na vida, e por último os protestantes, com 16,4%. Esses dados divergem do estudo de Silva et al.6, no qual o uso de álcool apresentou relação com o tipo de religião praticada (p < 0,001), mas não com o uso de tabaco. Pesquisas apontam a religião como fator de proteção em relação ao uso de substâncias psicoativas27-30. Funai e Pillon30 afirmam que o consumo de álcool entre estudantes universitários e o comportamento religioso são temas complexos, importantes, ainda pouco explorados e de difícil mensuração. Segundo Dalgalarrondo et al.27, os protestantes históricos e os pentecostais apresentam relativamente menor uso das SPA do que os católicos e os espíritas.

As pesquisas que envolvem religião e saúde, em sua maioria, não têm a religião como foco do estudo31. Contudo, ao longo dos últimos anos, dados quantitativos vêm apontando íntima relação da religião com a prevenção do consumo de drogas, evidenciando a existência de uma associação positiva entre o não consumo de drogas e a prática de alguma religião27. Mais de 80% dos estudos publicados antes de 2000 que investigaram a relação entre religiosidade e uso de SPA encontraram correlação inversa entre essas variáveis32.

 

CONCLUSÃO

Atualmente, o consumo de substâncias psicoativas (SPA) entre universitários recebe atenção de vários pesquisadores, principalmente porque as consequências negativas decorrentes do uso de SPA no percurso acadêmico poderão influenciar o exercício profissional desses estudantes.

Os resultados obtidos subsidiarão a elaboração de medidas de prevenção do uso de substâncias psicoativas nessa população, sendo essas mais eficazes quando paralelas à identificação dos estudantes mais expostos, vulneráveis ou em potencial risco para abuso ou dependência de substâncias psicoativas. Dessa forma, espera-se uma maior abordagem nos currículos de graduação sobre o consumo (uso, abuso e dependência) de substâncias psicoativas e seus impactos para o indivíduo, a família e a sociedade, bem como sobre a criação de programas preventivos específicos para estudantes universitários.

 

Contribuições individuais

Marcos Vinícius Ferreira dos Santos – Contribuiu na análise e interpretação dos dados, na elaboração do artigo e na aprovação da versão final a ser publicada.

Denis Soprani Pereira – Contribuiu na concepção e no desenho do estudo, na elaboração do artigo, na análise dos dados e na aprovação da versão final a ser publicada.

Marluce Miguel de Siqueira – Contribuiu na concepção e no desenho do estudo, na revisão crítica do conteúdo intelectual e na aprovação da versão final a ser publicada.

 

CONFLITOS DE INTERESSE

Declaramos que não existem conflitos de interesses pessoais, comerciais, acadêmicos, políticos e/ou financeiros neste manuscrito.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Profa. Ms. Kellen Dettmann Wandekoken e a Profa. Dra. Luziane Zacché Avellar, que contribuíram de forma significativa para a melhoria da versão final deste trabalho, e também aos membros da equipe CEPAD-UFES, que forneceram apoio técnico-administrativo para execução dele.

 

REFERÊNCIAS

1. World Health Organization. Nomenclature and classification of drug and alcohol-related problems: a WHO memorandum. Bull World Health Org. 1981;59:225-45.         [ Links ]

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Endereço para correspondência:
Marcos Vinícius Ferreira dos Santos

Rua dos Navegantes, 73, São Pedro – 29030-270 –  Vitória, ES, Brasil
Email: mvsantos@hotmail.com

Recebido em 9/6/2012
Aprovado em 20/2/2013

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