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Jornal Brasileiro de Psiquiatria

Print version ISSN 0047-2085

J. bras. psiquiatr. vol.62 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852013000200004 

jbpsiq

ARTIGO ORIGINAL

 

Fatores de risco cardiovascular em alcoolistas em tratamento

 

Cardiovascular risk factors in alcoholics in treatment

 

 

Mayla Cardoso Fernandes ToffoloI; Cláudia Aparecida MarliéreII; Aline Silva de Aguiar NemerI,III

IUniversidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Escola de Nutrição (ENUT), Programa de Pós-Graduação em Saúde e Nutrição
IIUFOP, ENUT, Departamento de Nutrição Clínica e Social, Curso de Nutrição
IIIUniversidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Nutrição. UFOP, ENUT, Programa de Pós- -Graduação em Saúde e Nutrição

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a presença de fatores de risco cardiovascular, com ênfase na hipertensão e na adiposidade corporal, em alcoolistas abstinentes ou não abstinentes em tratamento.
MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal com 65 pacientes alcoolistas em tratamento no CAP-Sad. O grau de dependência do álcool foi avaliado pelo SADD (Short Alcohol Dependence Data) e o uso de outras drogas, pelo ASSIST (Alcohol Smoking and Substance Involvement Screening Test). Foram avaliados o perfil bioquímico e o antropométrico dos usuários.
RESULTADOS: Participaram do estudo 42 homens e 23 mulheres. A maioria dos participantes (67,74%) apresentou dependência alcoólica grave, com uso de álcool associado principalmente a cigarro (66,15%). A média da circunferência da cintura (CC) foi significativamente maior entre os abstinentes, em comparação aos não abstinentes (AB: 88,15 ± 15,95 x NA: 81,04 ± 9,86; p = 0,03). Pacientes abstinentes há mais tempo tiveram maior sobrepeso/obesidade e adiposidade abdominal (CC) do que os não abstinentes e abstinentes recentes, com razão de chances de 5,25. Os abstinentes apresentaram razão de chances de 3,38 para %GC acima da média, independente do tempo de abstinência.
CONCLUSÃO: Pacientes alcoolistas abstinentes apresentam mais sobrepeso/ obesidade, adiposidade corporal (%GC) e abdominal (CC) do que os não abstinentes. É importante o acompanhamento multiprofissional no tratamento de alcoolistas com abordagem para fatores de risco cardiovasculares, principalmente evitando o ganho de peso.

Palavras-chave: Alcoolismo, dependência, colesterol, avaliação nutricional, risco cardiovascular.


ABSTRACT

OBJECTIVE: Evaluate cardiovascular risk factors, with emphasis on hypertension and adiposity, present in alcoholics abstinent or not abstinent.
METHOD: This was a cross-sectional study with 65 alcoholic patients in treatment in CAPSad. The degree of alcohol dependence was assessed by SADD (Short Alcohol Dependence Data) and the use of other drugs by ASSIST (Alcohol Smoking and Substance Involvement Screening Test). We evaluated the biochemical and anthropometric profile users.
RESULTS: The study included 42 men and 23 women. The majority of the participants (67.74%) presented severe alcohol dependence with alcohol use mainly associated with smoking (66.15%). The average waist circumference (WC) was significantly higher among abstinent compared to non-abstinent (AB: 88.15 ± 15.95 x NA: 81.04 ± 9.86, p = 0.03). Patients longer abstinent had higher overweight/obesity and abdominal adiposity (WC) than non-abstinent and recent abstinent with odds ratio of 5.25. The abstainers had odds ratios of 3.38 for% BF above average, regardless of time of abstinence.
CONCLUSION: Abstinent alcoholic patients have more overweight/obesity, body (% BF) and abdominal (WC) adiposity than non-abstinent. Multidisciplinary care is important in the treatment of alcoholics with approach for cardiovascular risk factors, especially avoiding weight gain.

Keywords: Alcoholism, addiction, cholesterol, nutrition assessment, cardiovascular risk.


 

 

INTRODUÇÃO

O álcool, consumido nas bebidas alcoólicas, pode causar dependência, com consequentes transtornos mentais orgânicos e físicos1. A prevalência de mortes atribuíveis ao consumo de álcool, como acidentes, doenças cardiovasculares e cirrose hepática, vem aumentando no Brasil, atingindo a prevalência de 5% a 10%2.

Por ser fonte de energia (7,1 kcal/g)3,4, dependendo da quantidade ingerida, seu consumo pode levar a desnutrição ou sobrepeso, devido ao aumento das calorias ingeridas3,5,6. Entre os dependentes, as calorias provenientes do álcool podem representar 50% das suas necessidades calóricas diárias, substituindo o consumo de alimentos como fonte de energia e de nutrientes, ocorrendo emagrecimento e desnutrição7.

É conhecido que o consumo crônico de bebidas altera a pressão arterial8 e aumenta os níveis de triglicerídeos9. Durante o tratamento para abstinência, a alteração na ingestão alimentar favorece o ganho de peso, podendo ser mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

A abordagem nutricional de alcoolistas em tratamento juntamente com os esquemas terapêuticos medicamentosos e cognitivo-comportamentais pode ser incentivada como ferramenta de tratamento para manutenção da abstinência e prevenção do desenvolvimento ou agravo de doenças cardiovasculares. Diante disso, o objetivo do estudo foi avaliar a presença de fatores de risco cardiovascular, com ênfase na hipertensão e adiposidade corporal, em alcoolistas abstinentes ou não abstinentes em tratamento.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Desenho do estudo e população

Trata-se de um estudo epidemiológico transversal com amostra de conveniência. Foram avaliados todos os usuários que tinham o álcool como a droga principal para o acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas (CAPSad) de Ouro Preto, Minas Gerais, no período de julho de 2009 a dezembro de 2010. Todos os avaliados foram diagnosticados alcoolistas pelo psiquiatra do CAPSad e registrados em prontuário, seguindo anamnese clínica semiestruturada para preenchimento dos critérios de dependência segundo a 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

O CAPSad é ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e destinado para atendimento diário à população com transtornos decorrentes do uso e dependência de álcool e outras drogas. Todos os participantes que aceitaram participar da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade Federal de Ouro Preto, CEP/UFOP (CAAE: 0031.0.238.000-09).

Os participantes preencheram os seguintes critérios de inclusão: idade maior que 18 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de dependência alcoólica de acordo com o CID10, que tinham o álcool como droga principal para o tratamento no CAPSad, com condições cognitivas satisfatórias para responder aos questionários de acordo com avaliação feita pelo psicólogo da instituição e que concordaram em participar de todas as etapas da pesquisa. Foram excluídos do estudo os usuários de drogas ilícitas que não relataram uso de álcool, mulheres grávidas e aqueles com frequência no CAPSad menor que duas vezes ao mês.

Dependência alcoólica

Para avaliar a gravidade da dependência alcoólica, utilizou-se a escala Short Alcohol Dependence Data (SADD), validada para o Brasil por Jorge e Masur10. Essa escala classifica a dependência no momento atual. Possui 15 itens que investigam a gravidade da dependência alcoólica, classificando-a em dependência leve (1 a 9 pontos), dependência moderada (10 a 19 pontos) e dependência grave (20 a 45 pontos).

Poliuso de drogas

O questionário Teste de Triagem do Envolvimento com Álcool, Tabaco e Outras Substâncias (ASSIST - Alcohol Smoking and Substance Involvement Screening Test) foi utilizado para a avaliação da dependência simultânea de várias substâncias, condição muito comum entre usuários de drogas. Validado para o Brasil por Henrique et al.11, o teste permite a classificação do consumo das drogas utilizadas em uso ocasional (0 a 3 pontos), sugestivo de abuso (4 a 15 pontos) e sugestivo de dependência (16 a 20 pontos).

Variáveis antropométricas

Peso corporal, altura e circunferência da cintura foram aferidos durante a avaliação nutricional de todos os participantes do estudo. As medidas foram realizadas individualmente, em sala da instituição, por avaliador devidamente treinado. Para aferir o peso corporal, utilizou-se balança digital TANI-TA Iroman®, ajustada a cada medição, com capacidade de 150 kg, com precisão de 0,1 kg, com indivíduos descalços e usando roupas leves. Para a medida da altura, utilizou o antropômetro portátil Alturaexata®, com escala em centímetros e campo de uso de 0,35 até 2,13 m. As circunferências foram aferidas por meio de fita métrica flexível, com escala em centímetros. A circunferência da cintura foi aferida no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca com o indivíduo na posição supina.

O ponto de corte para classificação de obesidade abdominal de acordo com a circunferência da cintura foi de > 90 cm para homens e > 80 cm para mulheres12.

A partir dos dados do peso corporal e altura, foi calculado o IMC e classificado de acordo com critério para adultos e de idosos da Organização Mundial de Saúde em baixo peso (< 18,5 kg/m2), eutrófico (18,5-24,99 kg/m2), sobrepeso (2529,99 kg/m2) e obesidade ( > 30 kg/m2)13.

O percentual de gordura corporal foi calculado a partir do IMC, usando as fórmulas propostas por Black et al.14, já empregadas anteriormente em estudo com pacientes alcoolistas15: homens [% de gordura = 1,218 (IMC) - 10,13] e nas mulheres [% de gordura = 1,48 (IMC) - 7]. Os valores obtidos foram classificados de acordo com proposto por Lohman em 199116, sendo considerados como média de normalidade (ponto de corte) 15% de gordura corporal para homens e 23% de gordura corporal para mulheres. O porcentual de gordura corporal encontrado acima desses valores foi classificado como acima da média para cada sexo.

Pressão arterial

A aferição da pressão arterial (PA) foi realizada no local do estudo, com técnica padronizada e equipamento calibrado. Utilizou-se o monitor de pressão arterial automático com manguito ComfitTM, modelo HEM-781 INT, marca Omron®. Antes da primeira aferição, os participantes fizeram repouso de 5 minutos em local calmo e tranquilo. Os voluntários se sentaram, mantendo as pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e relaxado. O braço foi posicionado ao nível do coração, apoiado com a palma da mão voltada para cima e o cotovelo ligeiramente fletido17. Durante 15 minutos, a pressão arterial foi medida três vezes, com intervalos de 5 minutos. A média das três aferições da PA sistólica e diastólica foi utilizada para obtenção do valor final.

Variáveis sociodemográficas

Foram coletadas informações sociodemográficas e de história de consumo do álcool por meio de questionário estruturado. A escolaridade foi agrupada em: com estudo < 4ª série e estudo > 4ª série. A renda familiar foi classificada de acordo com valores em salários-mínimos entre < 1 salário-mínimo e > 1 salário-mínimo. A etnia autorrelatada foi disposta em dois grupos: branco e não brancos (nos quais se incluíram todos os outros grupos étnicos). A idade de início do consumo de álcool foi classificada em faixas de idade de < 15 anos, entre 16 e 20 anos e > que 20 anos. Foi identificado também o poliuso de drogas.

O padrão de uso do álcool foi classificado em abstinente ou não abstinente (redução de uso e uso não alterado). Para os abstinentes, conheceu-se o tempo de abstinência, sendo classificados em abstinentes recentes aqueles com uma semana até três meses de abstinência (AR - abstinência recente) e abstinentes há mais tempo, com quatro meses ou mais de abstinência (AT – abstinência há mais tempo).

Amostras biológicas e dosagens bioquímicas

A amostra biológica utilizada foi o sangue, com o paciente em jejum de 12 horas. As coletas e dosagens foram realizadas pela equipe do Laboratório Piloto de Análises Clínicas (LAPAC/UFOP), de acordo com as práticas desse laboratório, normatizadas por Procedimento Operacional Padrão (POP) e Controle Interno e Externo.

Foram realizados os seguintes exames bioquímicos: hemograma completo, colesterol total e frações, triglicérides, glicose de jejum, ureia, creatinina, ácido úrico, albumina, transaminase glutâmico oxalacética (AST), transaminase glutâmico pirúvica (ALT), gamaglutamiltransferase (GGT).

Análise estatística

A análise estatística foi realizada no software PASW 17.0. Para a descrição das variáveis, utilizaram-se médias, desvios-padrão, valores mínimos e máximos. Após avaliação da normalidade dos dados pelo teste de Kolmogorov-Smirnov, utilizamos o teste ANOVA one-way para as variáveis com distribuição normal (hemácia, hemoglobina, hematócrito, VCM, plaqueta, ácido úrico, colesterol total, LDL-c, HDL-c, albumina, IMC, CC, CQ, %GC) e Kruskal-Wallis para as variáveis sem distribuição normal (ureia, creatinina, glicose, triglicerídeos, AST, ALT, GGT), respectivamente. O teste do qui-quadrado foi utilizado para a comparação entre as variáveis categóricas. Para a análise, o padrão de uso de álcool foi considerado como variável independente (grupos NA, AR e AT). Parâmetros antropométricos, bioquímicos e de pressão arterial foram considerados como variável dependente. Assumiu-se com nível de significância estatística o valor p < 0,05.

 

RESULTADOS

Dos 216 alcoolistas frequentadores do CAPSad no período avaliado, 151 foram excluídos do estudo por não apresentarem frequência no CAPSad maior que duas vezes ao mês (n = 143), por não realizarem os exames bioquímicos (n = 3) e por se recusarem a participar da pesquisa (n = 5). Assim, participaram da pesquisa 65 alcoolistas (42 homens e 23 mulheres).

A maioria dos participantes iniciou o consumo de álcool com idade menor ou igual a 15 anos (50,8%) e relatou ser dependente do álcool por mais de seis anos (77,3%). Apenas 13,6% relataram ter entre dois e três anos de dependência alcoólica.

A tabela 1 descreve as variáveis sociodemográficas dos pacientes atendidos no CAPSad. A maioria dos participantes era de homens (n = 42/64,6%), brancos, casados ou comcompanheiros, com renda familiar menor do que um salário-mínimo e escolaridade maior que a 4 série do ensino fundamental. Dos atendidos no CAPSad, 35 relataram estar abstinentes do álcool e 30 não abstinentes.

 

 

Quanto ao uso de outras drogas associadas à dependência alcoólica, houve consumo abusivo, entre homens e mulheres, de: tabaco (57,1%), maconha (11,1%) e cocaína/crack (7,9%). As demais drogas avaliadas foram classificadas em uso ocasional. A maioria dos participantes (67,7%) apresentou dependência alcoólica grave, avaliada pelo questionário SADD. As respostas à pergunta 2 do questionário SADD revelaram que a grande maioria deixou, muitas vezes ou sempre, de consumir alimentos quando ingeriam bebidas alcoólicas(69,4%) (Tabela 2).

 

 

Quanto à avaliação nutricional, os valores médios de CC oram significativamente maiores entre os abstinentes em comparação aos não abstinentes. Entretanto, IMC e %GC não apresentaram diferença entre os grupos. Os abstinentes por mais tempo (AT) apresentaram maior valor médio de CC do que os não abstinentes (NA). Independente do sexo, o valor médio de CC para os abstinentes AT ultrapassou o ponto de corte estabelecido, indicando obesidade abdominal e risco cardiovascular (Tabela 3).

Houve diferença significativa apenas para a CC entre Pacientes abstinentes há mais tempo tiveram maior sohomens NA e AT, com maiores valores entre os abstinentes. brepeso/obesidade e obesidade abdominal (CC) do que os Embora sem diferença significativa, as mulheres de todos os não abstinentes e abstinentes recentes com razão de changrupos apresentaram valores de CC indicativo de risco car-ces de 5,25 para as categorias. Os abstinentes apresentaram diovascular (Tabela 4).

 

 

Pacientes abstinentes há mais tempo tiveram maior sobrepeso/ obesidade e obesidade abdominal (CC) do que os não abstinentes e abstinentes recentes com razão de chances de 5,25 para as categorias. Os abstinentes apresentaram razão de chances de 3,38 para %GC acima da média, independente do tempo de abstinência (Tabela 5).

Quanto aos resultados dos exames bioquímicos (Tabela 6), os biomarcadores VCM, ALT, AST e GGT apresentaram diferenças significativas de acordo com o padrão de uso do álcool. O VCM foi maior entre os não abstinentes em relação aos dois padrões de abstinência. Ao se compararem os valores de ALT, AST e GGT, os abstinentes há mais tempo (AT) apresentaram níveis significativamente menores do que os abstinentes recentes (AR).

Para todas as categorias de padrão de uso alcoólico, o ácido úrico manteve-se dentro dos padrões de referência (2,5 a 7 mg/dl). Os abstinentes recentes apresentaram menor valor médio do que os não abstinentes. Quanto ao perfil lipídico, houve diferença apenas no valor médio de HDL-c, que foi maior entre os não abstinentes em relação aos diferentes padrões de abstinência.

 

DISCUSSÃO

O perfil nutricional e clínico de alcoolistas em tratamento mostrou que pacientes abstinentes tiveram maior presença de sobrepeso/obesidade, maior acúmulo de gordura corporal, principalmente na região abdominal, em relação aos ainda não abstinentes. O processo de abstinência parece acarretar alterações antropométricas, com maior chance de ganho de peso e aumento de adiposidade corporal. Mais do que outras formas de distribuição da gordura corporal, o aumento da gordura abdominal é considerado um fator de risco importante para doenças crônicas não transmissíveis18. Além disso, a circunferência da cintura pode ser considerada o melhor indicador de adiposidade abdominal e está fortemente relacionada com as doenças cardiovasculares19.

O sistema microssomal de oxidação do etanol, do inglês Microssomal Ethanol Oxidation System (MEOS), é a principal via hepática para a oxidação do etanol em alcoolistas à custa de gasto de energia20. Entretanto, a sua indução é reversível após a abstinência alcoólica21. A normalização do gasto energético, aumento do IMC e da relação cintura-quadril (RCQ) em alcoolistas em abstinência por três meses foi evidenciada por Addolorato et al.22. Os autores sugeriram que a melhora do estado nutricional na abstinência pode ter sido pela menor ação do MEOS, diminuindo o gasto calórico.

O ganho de peso foi relatado no estudo de Krahn et al.23 como um problema em pacientes que tentaram manter a abstinência ao longo de seis meses. Abstinentes ganharam quase o dobro de peso do que os não abstinentes, embora os resultados não tenham sido significativos.

Alterações no padrão alimentar e sobrepeso foram observados em estudos que avaliaram pacientes em tratamento para dependência química. Cowan e Devine24 observaram aumento do consumo de alimentos ricos em gorduras e açúcares e excessivo ganho de peso entre homens durante a recuperação da dependência alcoólica.

A prevalência de participantes que responderam deixar de comer em detrimento do consumo alcoólico foi elevado (69,4%). Esse resultado pode explicar o menor peso evidenciado entre os alcoolistas em razão do menor consumo de alimentos.

A dependência de álcool acomete cerca de 10% a 12% da população mundial25 e 12,3% dos brasileiros que vivem nas maiores cidades do país, com maior incidência entre os homens26.

Nosso estudo teve predominância do sexo masculino. As mulheres procuram menos os serviços de tratamento para usuários de álcool e drogas do que os homens em razão do preconceito e do estigma social em relação ao papel da mulher27.

A idade precoce para o início do uso do álcool tem-se mostrado como um fator de influência para o padrão de beber exagerado na idade adulta. O estudo que investigou os padrões de consumo de álcool da população brasileira afirma que o consumo de álcool tem acontecido cada vez mais precocemente, com a primeira vez de uso com 13,9 anos, enquanto o consumo regular é realizado aos 14,6 anos28. No presente estudo, a maior parte dos participantes iniciou o uso do álcool com menos de 15 anos e apresentava mais de seis anos de dependência. Além disso, mais de 65% dos frequentadores do CAPSad tinham dependência alcoólica grave.

O consumo crônico de álcool leva a danos orgânicos que podem ser detectados por meio de exames bioquímicos. Os biomarcadores de consumo de álcool mais utilizados são as enzimas hepáticas gamaglutamiltransferase (GGT), aspartato aminotransferase (AST) e alanino aminotransferase (ALT) e o volume corpuscular médio (VCM)29. Após a retirada do consumo alcoólico, os níveis séricos de GGT reduzem-se progressivamente, podendo voltar a valores normais dentro de dois meses de abstinência30.

No presente estudo, os resultados de GGT se comportaram conforme descrito na literatura, com concentrações aumentadas entre os não abstinentes e nos abstinentes recentes, restabelecendo valores normais (< 50 UI/l) entre aqueles com mais de três meses de abstinência (AT). O consumo de álcool pouco alterou os padrões de normalidade das aminotransferases AST e ALT, embora tenham apresentado valores menores entre os abstinentes há mais tempo. O autorrelato de abstinência pelos participantes do estudo foi confirmado com o resultado da GGT.

O VCM pode aumentar com o beber pesado e se manter elevado após vários meses de redução ou cessação do consumo alcoólico31. A causa da macrocitose ocasionada pelo etanol é complexa. O etanol parece ter efeito tóxico direto na medula óssea, causando redução da celularidade (quantidade e qualidade) da medula e vacuolização dos precursores das células vermelhas32. O ponto de corte de 92 fl é indicado para indivíduos abstinentes. Em nosso estudo, os pacientes que mantiveram o consumo alcoólico tiveram uma discreta elevação em relação aos abstinentes recentes (AR) e maior elevação em comparação aos abstinentes há mais tempo (AT).

O aumento do ácido úrico tem sido evidenciado em pacientes etilistas. Nishimura et al.33 demonstraram que o consumo regular de 60 g de etanol/dia aumenta os níveis séricos de ácido úrico. O produto da degradação das purinas, como a hipoxantina e xantina (plasma e urina), é maior em consumidores regulares de álcool do que nos não consumidores e aqueles que o consomem de forma ocasional. O aumento da oxidação do etanol acelera a degradação da adenina nucleotídeo (NAD+). A maior demanda de NAD+ para a oxidação do etanol via álcool desidrogenase leva à maior formação de lactato. O aumento de lactato sanguíneo diminui a excreção renal de ácido úrico, aumentando, assim, sua concentração sérica, favorecendo a hiperuricemia com o consumo de bebidas alcoólicas34.

Estima-se que o efeito cardioprotetor do álcool pode ser atribuído em 50% pelo aumento de HDL-c35. O consumo moderado de álcool resulta em um aumento dose-dependente de componentes do HDL-c no plasma (apolipproteína A-I e II), sem mudanças no tamanho das suas partículas36. Enquanto o consumo diário de álcool pode elevar o HDL-c em 5% a 10%, ele contribui para minimizar esse efeito benéfico, aumentando os níveis de triglicérides37. Além de afetar o perfil lipídico, o álcool altera a PA, de acordo com a quantidade ingerida. Maiores quantidades de álcool estão associadas a maior morbidade e mortalidade cardiovasculares17.

Stranges et al.38 investigaram a associação do consumo de álcool e aspectos atuais do padrão de beber com o risco de hipertensão em homens e mulheres saudáveis sem outras doenças cardiovasculares. Quando comparados com os abstêmios, os que relataram consumir bebida alcoólica tiveram maior risco de desenvolver hipertensão, independente da quantidade consumida. A redução do consumo alcoólico deve ser recomendada como componente da modificação do estilo de vida para a prevenção e tratamento da hipertensão entre alcoolistas pesados.

No presente estudo, os alcoolistas apresentaram níveis mais elevados de HDL-c do que os abstinentes, independente do tempo de abstinência. Em contraste com esses melhores valores de HDL-c em alcoolistas, encontramos também valores limítrofes de triglicerídeos, colesterol total e glicose de jejum. Consumir bebidas alcoólicas com objetivo de obter efeitos benéficos à saúde não deve ser encorajado, uma vez que pode acarretar alterações metabólicas e aumentar o risco de doenças cardiovasculares39. Adicionalmente, há aumento progressivo de doenças atribuídas ao maior consumo de álcool como diabetes mellitus, hipertensão, doença cardíaca isquêmica, arritmias, acidente vascular cerebral hemorrágico e isquêmico, entre outras40.

Em comparação com indivíduos que não bebem, os que consomem de 40 a 50 g de etanol/dia também podem apresentar aumento da circunferência abdominal, dos níveis de triglicérides, da pressão arterial e dos níveis de glicose de jejum e pós-prandial41,42, que são fatores de risco para o desenvolvimento de eventos coronarianos.

Nosso estudo contém algumas limitações. A avaliação do conteúdo de gordura corporal por meio de fórmulas validadas não é o método mais preciso de avaliação de gordura corporal. Técnicas mais precisas, como a bioimpedância elétrica, exigem um protocolo rigoroso a ser seguido, como a abstinência alcoólica de 24 horas, o que inviabilizaria a utilização dessa técnica nos pacientes não abstinentes. A absormetria radiológica de dupla energia (DEXA) é um equipamento considerado padrão-ouro para avaliação da composição corporal. Entretanto, por não haver um aparelho desse tipo disponível, tornou-se inviável a sua utilização.

Nosso estudo concorda com dados da literatura que apontam para ganho de peso e de medidas de adiposidade, que são fatores de risco para doenças cardiovasculares em pacientes abstinentes. O consumo de alimentos calóricos, fonte de carboidratos, mostra-se evidente entre os pacientes abstinentes, que relatam redução da fissura e sensação de bem-estar ao consumi-los43.

 

CONCLUSÃO

Os resultados do presente estudo indicam que pacientes alcoolistas abstinentes apresentam mais excesso de peso e adiposidade corporal (%GC) e abdominal (CC) do que os não abstinentes. Apesar dos níveis aumentados do HDL-c, foram encontrados valores limítrofes de triglicerídeos, colesterol total e glicemia de jejum em alcoolistas não abstinentes.

No cuidado de pacientes alcoolistas em tratamento para a abstinência, devem ser abordados a prevenção e o tratamento de fatores de risco para doenças cardiovasculares, com acompanhamento multiprofissional que atenda às necessidades exigidas durante o processo de desintoxicação e evite o ganho de peso.

 

CONTRIBUIÇÕES INDIVIDUAIS

Mayla Cardoso Fernandes Toffolo - Contribuiu na execução do estudo, na análise estatística dos dados e na elaboração do artigo.

Cláudia Aparecida Marliére - Contribuiu na concepção e desenho do estudo, na revisão crítica do texto e na análise estatística dos dados.

Aline Silva de Aguiar Nemer - Contribuiu na concepção, desenho e coordenação do estudo, na análise estatística e na revisão crítica do texto.

 

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

 

AGRADECIMENTOS

À Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação/UFOP, à Escola de Nutrição/UFOP, ao PET-Saúde/UFOP e a todos os funcionários e usuários do CAPSad, por contribuírem com a realização deste trabalho.

 

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Endereço para correspondência:
Aline Silva de Aguiar Nemer
Universidade Federal de Juiz de Fora, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Nutrição, Cidade Universitária
36036-900 – Juiz de Fora, MG, Brasil
Telefone: (+55 32) 2102-3234
E-mail: aline.nemer@ufjf.edu.br

Recebido em 18/1/2013
Aprovado em 2/5/2013

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