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Jornal Brasileiro de Psiquiatria

Print version ISSN 0047-2085On-line version ISSN 1982-0208

J. bras. psiquiatr. vol.64 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000072 

Revisão de Literatura

As terapias cognitivo-comportamentais no tratamento da bulimia nervosa: uma revisão

The cognitive-behavior therapies in the treatment of bulimia nervosa: a review

Tatiana A. Bertulino da Silva 1  

Flávia Maria de Nassar de Vasconcelos 1  

Rosana Christine Cavalcanti Ximenes 1   2  

Thiago Pacheco de Almeida Sampaio 3   4  

Everton Botelho Sougey 1  

1Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Pós-graduação em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento.

2UFPE, Departamento de Enfermagem, Centro Acadêmico de Vitória.

3Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Medicina, Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

4Episteme Psicologia, São Paulo.

RESUMO

Objetivo

Realizar uma revisão na literatura sobre a utilização da terapia cognitivo-comportamental (TCC) no tratamento da bulimia nervosa entre 2009 e 2013.

Métodos

Três bases de dados eletrônicas foram pesquisadas, considerando artigos em língua inglesa, espanhola e portuguesa.

Resultados

Após as análises e exclusão dos artigos, seguindo o método PRISMA, foram selecionados 20 artigos. Os artigos selecionados foram produzidos ou na Europa ou nos Estados Unidos, em língua inglesa. Os diagnósticos da amostra variaram de exclusivamente bulimia nervosa (60%) aos que incluíram pessoas com transtorno de compulsão alimentar (35%), além de diagnósticos mistos (5%). Os estudos foram, em sua maioria, realizados em mulheres adultas. A TCC, em sua abordagem clássica no consultório, foi utilizada em todos os artigos, ora utilizada individualmente, ora comparada com outras intervenções (internet, CD-ROM e autoajuda). Encontrou-se como resultado que a TCC diminui os sintomas de compulsão alimentar e de purgação, além de oferecer ganhos secundários aos participantes, como melhora de sintomas depressivos, de ansiedade e até mudanças na personalidade. As outras intervenções pesquisadas obtiveram bons resultados na modificação dos sintomas, demonstrando que há um novo caminho a ser galgado com essas novas formas de tratamento.

Conclusão

O tratamento da bulimia nervosa possui evidências suficientes para que seja realizado com a terapia cognitivo-comportamental. Além dela, intervenções psicoterápicas inovadoras baseadas na TCC clássica apresentam bons indicativos de eficácia. Futuras pesquisas sobre essas diferentes intervenções são necessárias.

Palavras-Chave: Bulimia nervosa; terapia cognitiva; terapia comportamental

ABSTRACT

Objective

To review the literature about the use of cognitive-behavior therapy in bulimia nervosa treatment, between 2009 and 2013.

Methods

Three electronic databases were researched, and articles in English, Portuguese and Spanish were selected.

Results

After the analysis and exclusion of the articles, followed the PRISMA methods, were chosen 20 articles. Selected articles were produced in Europe or in United States of America, in English. The diagnosis of the sample ranged from only bulimia nervosa (60%) that included the people with binge eating disorders (35%), and mixed eating disorders diagnoses (5%). The researches were conducted mostly with women. The cognitive-behavior therapy in your classic form in office were used all of articles, sometimes used singly, sometimes used with other intervention (internet, CD-ROM, self-help). The cognitive behavior therapy decreases binge eating and purgation symptoms. It provides secondary benefits to participants like: decreases depressive and anxiety symptoms and change the participant’s personality. The other interventions studied have been successful in modifying symptoms, demonstrating that there is a new way forward climbed with these news forms of treatment.

Conclusion

Treatment of bulimia nervosa have enough evidences to be performed with the cognitive-behavioral therapy. Beyond, innovative psychotherapeutic interventions based on classical CBT have good indicators of effectiveness. Future research on these different interventions are needed.

Key words: Bulimia nervosa; cognitive therapy; behavioral therapy

INTRODUÇÃO

A bulimia nervosa (BN) é o transtorno alimentar mais comum entre a população1, estando presente de 1% a 4,2% da população. Em mulheres, a BN corresponde a 90% a 95% do total de casos, sendo o subgrupo de mulheres universitárias o mais atingido. A taxa de mortalidade nesse transtorno é de 0,3%2.

Nessa psicopatologia há intensa compulsão alimentar, além de preocupação excessiva com o peso e a forma corporal (medo de engordar), levando os pacientes a utilizarem métodos compensatórios inapropriados para alcançar o corpo idealizado. Tais pacientes costumam julgar-se baseando-se quase exclusivamente em sua aparência física, com a qual se mostram sempre insatisfeitos3 - 5.

Para receber o diagnóstico, a pessoa deve apresentar: compulsão alimentar periódica, comportamentos compensatórios e cognições relacionadas com insatisfação com a imagem corporal. Diferentemente do ocorrido com outros transtornos, não houve muitas mudanças nos critérios diagnósticos da BN no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais V (DSM-V), em relação à versão anterior (DSM-IV). A redução das frequências da compulsão alimentar e dos comportamentos compensatórios de duas vezes por semana para uma vez por semana nos últimos três meses foi a única modificação encontrada na versão atual6.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é reconhecida como uma das psicoterapias mais eficientes no tratamento dos transtornos alimentares7 - 9, sendo considerada o padrão-ouro de tratamento para a bulimia nervosa10.

A alcunha “TCC” engloba vários tipos de terapias que utilizam bases teóricas e modelos clínicos da terapia cognitiva e da terapia comportamental, com protocolos estruturados, de caráter breve e focado nos sintomas11. Esses protocolos específicos para o tratamento de transtornos mentais foram criados abordando aspectos cognitivos e comportamentais que seriam os mantenedores do transtorno mental. Por mais que esses protocolos tragam diferenças nas técnicas aplicadas, todos eles mantêm as características próprias da TCC12.

Uma tentativa de busca de artigos em português sobre o tratamento psicoterapêutico cognitivo-comportamental da BN revela a precariedade da literatura e a necessidade de produção e divulgação científica sobre esse tema. Justifica-se, dessa forma, o objetivo do presente estudo: revisar e analisar as publicações nas línguas portuguesa, espanhola e inglesa sobre as intervenções em TCC utilizadas no tratamento da bulimia nervosa.

MÉTODOS

O presente estudo foi desenvolvido a partir da busca de artigos nas bases de dados eletrônicas SciELO, PubMed e PsycInfo, utilizando como palavras-chave “CBT” X “bulimia nervosa”. Foram considerados os artigos publicados nos últimos cinco anos até o dia 3 de novembro de 2013, escritos em língua inglesa, espanhola ou portuguesa. No total, foram encontrados 161 artigos.

Os artigos foram selecionados utilizando uma metodologia de revisão bem estruturada, baseada nos princípios do PRISMA (Preference Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses).

Para a análise dos artigos, foram considerados alguns critérios de inclusão e de exclusão:

  • – Critérios de inclusão: artigos que pesquisaram a intervenção em bulimia nervosa utilizando algum tipo de terapia cognitivo-comportamental.

  • – Critérios de exclusão: foram excluídos artigos em que o foco não era o tratamento da bulimia nervosa com a terapia cognitivo-comportamental, bem como artigos teóricos ou de revisão e artigos que não deixavam claro qual transtorno alimentar estava sendo tratado.

Seguindo os critérios acima, os artigos passavam pelos seguintes passos:

  1. Leitura dos títulos dos artigos encontrados na busca.

  2. Leitura dos resumos dos artigos selecionados pelo título, para verificar se eram relacionados ao objetivo.

  3. Leitura crítica do artigo completo daqueles que preencheram todos os critérios de inclusão.

  4. Busca, nas referências dos artigos selecionados, por novas bibliografias.

Após esses passos, consideraram-se 20 artigos, os quais foram selecionados como demonstrado na figura 1.

Figura 1 Seleção dos artigos. 

RESULTADOS

Variáveis consideradas

Os 20 artigos selecionados (Tabela 1) foram avaliados seguindo algumas categorias de análise estabelecidas a priori, antes da leitura deles.

Tabela 1 Estudos selecionados com suas características e achados 

Autores, ano e país Medida primária de eficácia Intervenção
Resultados
Abordagem/psicofármacos Seguimento (follow-up) Grupo/individual/família
Agüera et al. (2012)13, Espanha P < 0.0005 no EDI-2 22 sessões de TCC ocorridas semanalmente Sem informações sobre psicofármaco Não houve Grupo Diminuição dos comportamentos de compulsão alimentar e psicopatologia de TA
Bulik et al. (2012)10, EUA Não relatado 16 sessões de 1h30 durante 20 semanas, sendo 12 sessões semanalmente e 4 quinzenalmente. Duas formas de intervenção: 1) CBT4BN (TCC na versão internet) e 2) CBTF2F (TCC em grupo face a face para BN. Medicação: Sim, porém não foi especificado quais Nos meses seguintes: 3, 6 e 12 após o fim do experimento Grupo A TCC do tipo: CBT4BN (internet) oferece aos participantes psicoterapia sem custos (tempo e financeiro) para deslocamento Porém, a pesquisa ainda estava em andamento
Crow et al. (2009)26, EUA Abstinência por um ano, acompanhado pelos resultados do EDE 20 sessões de TCC em 16 semanas, tanto face a face quanto por telemedicina Após 1 ano Individual Telemedicina custa menos ($ 7030,40) que o face a face ($ 9324,68), com efetividade similar
Delinsky e Wilson (2010)27, EUA Resultados no EDE-Q 20 sessões de TCC e exposição ao espelho (em 4 sessões) Não Individual Diminuição dos episódios de compulsão alimentar e de indução de vômito pelo EDE-Q. Sem alteração no IMC
Ertelt et al. (2011)28, EUA Não relatado 20 sessões de TCC por 16 semanas, tanto face a face como via telemedicina Não Individual Os autores perceberam diferença na técnica utilizada entre telemedicina e face a face, sendo esta última com melhores avaliações dos pacientes. Os terapeutas também diferenciaram significativamente os objetivos atingidos na terapia, sendo a face a face mais positiva para este grupo. O mesmo ocorreu em relação ao vínculo. Enquanto os pacientes classificam os fatores terapêuticos como mais importantes do que os terapeutas fazem. Não perceberam diferença na utilização da técnica, nos objetivos atingidos nem no vínculo. Os pacientes aceitam melhor a terapia do tele do que os terapeutas
Graham e Walton (2011)15, Reino Unido Redução de sintomas (vômitos, dieta, compulsão alimentar) 40 sessões no total da equipe multidisciplinar, sendo 8 sessões realizadas com CD-ROM utilizando a abordagem TCC, 1 sessão por semana, totalizando 8 semanas, 51% utilizavam antidepressivos 2 semanas depois e 1 ano após o término (este último com somente 12 pessoas) Individual Diminuição significativa de vômitos e dietas. Houve melhoras clínicas no funcionamento, bem-estar e na escala de resolução de problemas. Porém, não é tão efetivo para pacientes com sintomas graves, medidos pelo EDI-3
Hardy e Thiels (2009)21, Alemanha Severidade e diminuição de sintomas de TA, utilizando o BITE, de depressão utilizando o BDI e aumento do autoconceito positivo no SCQ Grupo 1; Autoguia (baseado em TCC) – 8 sessões no total, ocorrendo a cada 2 semanas (quinzenalmente) Grupo 2: TCC tradicional – 16 sessões, 1 vez por semana Nenhum paciente utilizava medicação. Uma paciente realizava psicoterapia psicodinâmica 3 e 6 meses após o término da intervenção Individual Os sujeitos em TCC melhoraram mais rápido que os do autoguia. Os dois grupos obtiveram melhoras dos sintomas. Os dois grupos obtiveram menores sintomas de depressão. Porém, somente no autoguia essa diferença foi significativa e continuando a diminuir os sintomas no pós-tratamento. Aparentemente, no autoguia as melhoras continuam mesmo após o tratamento
Haslam et al. (2011)16, Reino Unido Comer compulsivo e purgação (vômito, laxantes) TCC tradicional para bulimia nervosa Não houve Individual Diminuição de compulsão alimentar e da quantidade de vômitos, significante da sessão 1 para a sessão 6. Há forte associação entre a diminuição dos escores no EDE-Q e a diminuição do comer compulsivo. Mudança precoce de comportamento alimentar na TCC é um preditor de prognóstico positivo no tratamento de BN
Jones e Clausen (2013)22, Dinamarca Sintomas bulímicos (compulsão alimentar, vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, exercícios físicos extenuantes, restrição alimentar) e angústia em relação à BN (preocupação com a forma corporal, com o peso e com a alimentação) Oito sessões de TCC baseadas no Manual de Toronto, semanais com 1h30 de duração, além de intervenção com fisioterapeuta para consciência corporal Não Grupo Em todos os sintomas escolhidos (bulímicos e de angústia) foram encontradas diferenças significativas no pré e pós-tratamento, além de aumento significativo no IMC
Katzman et al. (2010)17, Reino Unido IMC, comer compulsivo, uso de laxantes/diuréticos e vômitos A abordagem foi realizada de 3 formas. Grupo 1 (MET-I) recebeu 4 sessões individuais de MET (encontros motivacionais) + 8 sessões individuais de TCC. Grupo 2 (MET-G) recebeu 4 sessões individuais de MET + 8 sessões em grupo de TCC. Grupo 3 (CBT-G) recebeu 4 sessões individuais de TCC + 4 sessões em grupo de TCC. Alguns pacientes faziam uso de antidepressivo, mas esse dado não foi avaliado Um ano e 2,5 anos após o término da intervenção Individual e em grupo Foi encontrado alto nível de comorbidade da BN com o uso de álcool e drogas ilícitas. Não houve diferença entre os grupos em relação ao abandono, à aderência e à manutenção do tratamento
Marrone et al. (2009)29, EUA Percentual de diminuição de comer compulsivo e de purgação (vômito, abuso de laxantes e abuso de diuréticos) 20 sessões individuais de TCC em 16 semanas em 2 grupos: face a face e telemedicina 3 meses e 1 ano após o tratamento Individual Os resultados sugerem que a diminuição do comer compulsivo, da purgação e da compulsão alimentar na semana 6 é preditor da resposta ao tratamento no follow-up tanto face a face como via telemedicina. No grupo de telemedicina a diminuição do comer compulsivo na semana 6 foi representativa para predizer a diminuição de sintomas no follow-up
McClay et al. (2013)18, Reino Unido Pensamentos, sentimentos e comportamentos em relação à comida gravados em uma entrevista semiestruturada Oito sessões de TCC pela internet e interativa, com o apoio de profissional não especialista em TCC e de e-mails semanais Não houve Individual Os pacientes possuem sentimentos negativos em reação aos TA. Questões práticas (como tempo de viagem para a terapia e faltas ao trabalho) e a prontidão para a mudança foram apontadas como importantes para o tratamento online. Com a terapia online, passaram a entender melhor o TA. Sobre o método, afirmaram que a parte negativa foi o programa não ser específico para elas. O trabalho do profissional de apoio foi valorizado; ele foi responsável por aumentar a motivação, mesmo não sendo especialista em TA
McIntosh et al. (2011)24, Nova Zelândia Comer compulsivo, autoindução de vômito e purgação nas últimas 2 semanas Oito sessões em 6 semanas de TCC individual para todos. E posteriormente divididas em 3 grupos (com 8 sessões em 6 semanas): RELAX, B-ERP (pré - compulsão) e P-ERP (pré-purgação). Com o mesmo terapeuta acompanhando todas as fases Seis meses, 1, 2, 3, 4 e 5 anos após o término da intervenção Individual Os efeitos da B-ERP foram melhores que os das outras intervenções, mesmo sendo modestos. Ao fim, essas pacientes tiveram menor restrição alimentar e melhor funcionamento global, que desapareceu em 3 anos de seguimento. Após 5 anos, não houve diferença entre os três grupos de intervenção
Mitchell et al. (2011)30, EUA Frequência de compulsão alimentar e de comportamentos compensatórios (purgação) nos últimos 28 dias Dois grupos: 1) TCC individual com 20 sessões em 18 semanas. 2) Stepped Care – (cuidados de autoajuda ajustados por etapas de intervenções de baixa intensidade) por 18 semanas. Nos dois tratamentos a fluoxetina foi adicionada quando após 6ª sessão não havia melhoras. Para os pacientes do grupo 2 que não alcançaram abstinência, foi adicionada a TCC posteriormente Um ano após o término da intervenção Individual Não houve diferença entre os dois tratamentos em relação à indução da recuperação (compulsão e purgação nos últimos 28 dias) ou remissão. Após 1 ano de seguimento o grupo 2 (Stepped Care) foi superior à TCC
Peñas-Lledó et al (2013)14, Espanha Não relatado Foi composta de 22 sessões em grupo (com 8 a 10 pacientes) de TCC por 1h30, durante 20 semanas. Sendo 2 vezes por semana, nas 2 primeiras semanas; as primeiras 6 sessões foram de psicoeducação e as restantes, de TCC Não Grupo (8 a 10 pessoas) O abandono da terapia foi maior nos pacientes com BN do tipo depressiva do que nos pacientes de direcionamento puramente para emagrecimento
Pretorius et al. (2009)19, Reino Unido Diminuição do comer compulsivo, dos vômitos, do uso de laxantes e no escore global no EDE e medida do IMC Todos os participantes: advindos das clínicas ou dos grupos de apoio (beat) receberam o mesmo tratamento. Oito sessões de TCC por internet. Cada sessão durando em média de 30 a 40 minutos. Livro de atividades: “Anxiety Control Training – ACT”; mensagens eletrônicas para os participantes e seus pais, atuando como boletins e possibilidade de contato por e-mail com um terapeuta experiente em TA Três meses e 6 meses após o término da intervenção por telefone. Individual Família (opcional) As melhoras ocorreram no comer compulsivo, nos episódios de vômito e no escore geral do EDE e esses resultados se mantiveram no follow-up de 3 e 6 meses. A percepção dos usuários em relação ao programa foi positiva. Não houve diferença nos resultados de tratamentos entre os adolescentes oriundos das clínicas especializadas e os pacientes oriundos dos grupos de apoio
Ruwaard et al. (2013)23, Holanda Diminuição no escore no EDE-Q, da frequência do comer compulsivo e da purgação Foram 3 grupos: Grupo 1: TCC pela internet, programa de 20 semanas; Grupo 2: biblioterapia; este grupo recebeu uma cópia do livro: “Overcoming Bulimia and Binge Eating”, de Johan Vanderlinden, 2002, sem nenhum apoio de algum terapeuta; Grupo 3: lista de espera, por 20 semanas 1 ano após a intervenção Individual A diminuição dos escores no EDE e no BAT foi significativa no grupo 1, tanto no pós-tratamento quanto no follow-up. No grupo 2 a diminuição dos sintomas no EDE foi significativa no follow-up. Na fila de espera a diminuição de sintomas foi mínima tanto no EDE como no BAT. Os participantes do grupo 1 avaliaram positivamente a experiência e a indicariam a outra pessoa (94%)
Wagner et al. (2013)25, Áustria Diminuição do comer compulsivo e métodos de compensação (vômitos, uso de laxantes, jejuns e exercícios), chegando até a abstinência no follow-up Foram em 2 grupos. Grupo 1: guia de TCC pela internet, como autoajuda, com suporte de e-mail semanal durante 16 a 28 semanas; Grupo 2: biblioterapia convencional, sendo utilizado o livro “Getting Better Bit(e) by Bit(e)”, que é um manual de autoajuda baseado em TCC, com 7 capítulos, com suporte por e-mail semanal, durante 28 semanas Um ano e 6 meses (18 meses) após o término da intervenção Individual Nos 2 grupos houve diminuição da purgação e do comer compulsivo, durante e após o tratamento. Não houve diferença significativa entre eles
Waller et al. (2013)20, Reino Unido Não relatado TCC durante 20 sessões de 1 hora semanal. Somente 9 pacientes estavam medicadas com antidepressivos Três semanas após o término da intervenção Individual Aproximadamente, 56% dos pacientes ficaram abstinentes tanto da compulsão alimentar como da purgação ao final do tratamento. Houve melhoras significativas no humor, atitudes e comportamentos alimentares. A desistência do tratamento foi baixa (10,3%)
Wonderlich et al. (2013)31, EUA Frequência de comer compulsivo e de purgação, severidade da desordem da alimentação global Foram 2 grupos: Grupo 1: terapia integrativa cognitivo-afetiva (ICAT), que é uma terapia em 4 fases que enfatiza a promoção e a exposição ao comer adaptativo. Grupo 2: TCC para BN, também dividida em 4 estágios. Ambas em 21 sessões de 50 minutos por 19 semanas 4 meses Individual Os 2 tratamentos (ICAT e TCC) obtiveram significante diminuição dos sintomas de BN, na dissonância cognitiva, na regulação emocional e nos sintomas das comorbidades, não se diferenciando

Foram consideradas 12 categorias de análise: o local onde o estudo foi realizado, o ano de publicação, o tipo de transtorno alimentar, a medida primária de eficácia, a metodologia utilizada, os instrumentos de medida utilizados, se houve seguimento da amostra e quais as comorbidades pesquisadas. Em relação à população, foram pontuados: o grupo etário participante da pesquisa e o gênero dos participantes. Em relação às intervenções, foram levantadas informações sobre: a abordagem psicoterápica adotada e o tipo de intervenção (grupo, individual, família), além do uso ou não de medicamento psiquiátrico.

A maioria dos estudos – 70% (n = 12) – foi realizada na Europa13 - 25, principalmente no Reino Unido, com 50% deles (n = 6). Os Estados Unidos da América (EUA) também obtiveram alta representatividade, com 35% (n = 7) dos estudos10 , 26 - 31. Somente um estudo ocorreu fora do eixo Europa-Estados Unidos, tendo sido realizado na Oceania, especificamente na Nova Zelândia24. No ano de 2013, observou-se o maior número de publicações (n = 7), contabilizando 35% dos artigos (Tabela 1).

Em relação aos participantes das amostras, em nove estudos (45%) houve inclusão de homens na amostra15 , 16 , 19 , 23 , 26 , 28 - 31. Porém, quando incluídos, os homens chegavam a ser no máximo 10% da amostra31, e em alguns trabalhos não chegaram a 2% da amostra23 , 26 , 28.

Os estudos foram conduzidos principalmente com adultos (14 estudos, 70%)10 , 13 , 14 , 16 - 18 , 20 , 21 , 26 - 31. Os estudos conduzidos com adolescentes foram, em sua maioria, mistos, com a presença também de adultos em sua amostra15 , 19 , 22 - 25. Somente um dos artigos declarou a sua amostra como composta exclusivamente por adolescentes, mesmo assim considerando a idade entre 10 e 24 anos19.

Todos os estudos selecionados foram realizados com pessoas diagnosticadas com bulimia nervosa. Em 40% dos casos, houve também a inclusão de pessoas com outros transtornos, como os transtornos alimentares sem outra especificação (TASOE) e o transtorno da compulsão alimentar periódica (binge eating disorder – BED)15 , 17 - 20 , 25 , 26 , 28.

A TCC tradicional, baseada no Manual de Fairburn8 , 32 , 33 ou em adaptações dele, foi utilizada em 75% dos estudos selecionados (n = 15)13 - 17 , 20 - 22 , 24 , 26 - 31. A TCC demonstrou ter bons resultados no tratamento de bulimia nervosa, havendo redução de sintomas de compulsão alimentar, dos comportamentos de purgação e da insatisfação com a imagem corporal. Porém, um ensaio clínico conduzido por Graham e Walton, realizado com equipe multidisciplinar em amostra de 66 pessoas, ressaltou que os pacientes com sintomas graves de BN não obtiveram melhoras significativas com a intervenção cognitivo-comportamental15.

Dois estudos, além de confirmarem a eficiência da TCC na BN, demonstraram que a diminuição da compulsão alimentar e da purgação agem como preditores de sucesso da terapia. Quando a intervenção é realizada pela internet, há diminuição da compulsão alimentar e da purgação até a sexta sessão e quando a intervenção é realizada face a face a diminuição desses comportamentos devem ocorrer até a oitava sessão, assim a terapia obterá sucesso16 , 29.

Em pesquisa realizada na Inglaterra entre 1997 e 2002, Katzman et al. estudaram outras intervenções complementares à TCC, introduzindo um tipo de terapia motivacional (Motivational Enhancement Therapy – MET) na intervenção em conjunto com a TCC. Entretanto, essa mudança não resultou em diferenças significativas nos sintomas da amostra em comparação com o grupo que recebeu somente TCC17. Em pesquisa realizada na Nova Zelândia, foi introduzido o tratamento de prevenção de respostas (tanto para a purgação como para a compulsão alimentar), além da TCC individual. O grupo tratado também com tratamento de prevenção a respostas à compulsão alimentar (B-ERP) obteve resposta significativamente maior do que o tratado somente com TCC, porém essa diferença desapareceu durante o seguimento por cinco anos24.

Além da psicoterapia em formato tradicional, de consultório, também foram pesquisadas as intervenções autoguiadas (internet, CD-ROM, livros, mensagens de texto pelo celular), relaxamento corporal, orientações para o autocuidado, terapia do tipo integrativa cognitivo-afetiva, terapia motivacional, sempre utilizando os princípios da TCC como base. Em ensaio clínico randomizado, realizado em duas clínicas americanas com 80 pessoas, comparou-se um tipo de terapia integrativa (Integrative Cognitive-Affective Therapy – ICAT) com a TCC, e as duas terapias se mostraram igualmente efetivas31.

Nos Estados Unidos, Mitchell et al. realizaram um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, comparando 20 sessões de TCC individual com o Stepped Care (Programa de Cuidados de Autoajuda). Esta última intervenção foi significantemente superior à TCC, permanecendo essa diferença no seguimento após um ano. Tal resultado levantou questões sobre a possibilidade de outros tratamentos de base cognitivo-comportamental serem tão ou mais eficazes que a TCC tradicional no tratamento da BN30.

A biblioterapia, quando comparada com a TCC, possui bons resultados nos sintomas registrados pelo EDE (Eating Disorder Examination), porém observou-se menor abstinência de compulsão alimentar quando comparada à TCC online. No seguimento de um ano, percebeu-se que a TCC manteve a diminuição da compulsão alimentar e dos sintomas de insatisfação com o corpo, enquanto a biblioterapia manteve os resultados em relação à compulsão alimentar, mas não em relação à diminuição da insatisfação com o corpo23. Por outro lado, em estudo austríaco publicado no mesmo ano, quando comparada à TCC, os resultados da biblioterapia não se diferenciam entre os grupos, mesmo com seguimento de 18 meses25.

Os estudos que utilizam a internet e a TCC chegaram a 30% (n = 6) da amostra10 , 18 , 19 , 23 , 25 , 29, caracterizando-se como a segunda intervenção mais comum nos artigos selecionados, ficando atrás somente da TCC utilizada de forma clássica. Dados sobre o tempo de duração da terapia, seguimento, medida primária de eficácia e principais resultados estão descritos na tabela 1.

Ganhos secundários com a TCC foram constatados nos pacientes com BN em dois estudos. O ensaio clínico conduzido por Agüera et al. na Espanha, em 2012, chamou atenção para as mudanças de personalidade que ocorreram nos pacientes de BN tratados com a TCC. Foram percebidas mudanças nas dimensões da personalidade como: diminuição da esquiva ao dano e da autotranscedência e aumento do autodirecionamento e dependência de recompensa13. Em outro estudo, realizado em um ambulatório de psicologia do serviço público inglês, um ensaio clínico realizado com 78 mulheres produziu melhora de sintomas depressivos20. Nos Estados Unidos, em ensaio clínico randomizado conduzido em duas clínicas, observaram-se diminuição da dissonância cognitiva e melhora na regulação emocional16.

As comorbidades foram estudadas em 40% dos estudos (n = 8)17 , 20 , 21 , 23 , 24 , 27 , 30 , 31, sendo a depressão, pesquisada em seis artigos20 , 21 , 24 , 27 , 30 , 31, a mais frequente. A pesquisa espanhola conduzida por Penãs-Lledó et al. sugere que, quando a depressão está presente na BN, a taxa de abandono do tratamento é maior, chegando a 60,5%, enquanto nos pacientes com BN do tipo “dirigido à magreza” sem depressão essa taxa baixa para 18,5%14. Em outro estudo, conduzido na Inglaterra, pesquisou-se a comorbidade da BN com uso e abuso de álcool em mulheres, resultando em até 51,5% dos pesquisados com relação positiva entre BN e álcool; com outras drogas essa relação foi de 42,1%17. A anorexia nervosa foi estudada como comorbidade da bulimia nervosa em apenas um estudo, observando que até 27% dos participantes possuíam histórico de anorexia nervosa30.

A maioria dos artigos (75%, n = 14) não abordou em sua descrição se os participantes da amostra estavam fazendo uso de psicofármacos ou não13 , 14 , 16 , 18 , 19 , 22 - 29 , 31. Somente 25% dos estudos afirmaram que os participantes estavam em uso de medicamento psiquiátrico, principalmente antidepressivos15 , 17 , 20 , 30.

DISCUSSÃO

O presente artigo teve como objetivo realizar uma revisão de literatura sobre o tratamento psicoterápico em bulimia nervosa na perspectiva da TCC. Na revisão, ratificou-se a TCC como o tratamento padrão-ouro para a bulimia nervosa nos vários centros de pesquisa e atendimento do mundo, chamando atenção a utilização da internet como meio de tratamento e a necessidade de mais estudos com a população masculina e com adolescentes, além da escassa produção de artigos brasileiros na área.

Nas pesquisas em que houve a tentativa da inclusão do gênero masculino, a quantidade de participantes não foi expressiva. Melin e Araújo, em 2002, afirmaram que a exclusão de homens das pesquisas é um dos fatores que possivelmente dificulta o maior entendimento do prognóstico da doença nessa população. Os homens, diferentemente do que se observa em mulheres, costumam relatar que a necessidade da perda de peso decorre de uma doença prévia ou de casos de doenças ligadas à obesidade na família34. Esses sintomas acabam por confundir especialistas em transtornos alimentares, pois não enfatizam a insatisfação com a imagem corporal, principalmente o medo mórbido de engordar.

Os adolescentes foram também pouco explorados nos estudos revisados; em alguns artigos houve a junção de adolescentes com adultos na amostra. Os guidelines atuais para o tratamento da BN indicam a TCC como padrão-ouro no tratamento de adultos com BN, porém são necessários mais estudos para se estabelecer a TCC como o tratamento-padrão para adolescentes. Apesar disso, é recomendável que os adolescentes sejam tratados com a TCC35 - 37.

Em grande parte dos estudos selecionados, a TCC clássica baseada no modelo de Fairburn foi comparada a outras formas de intervenção, e essas novas intervenções eram, em sua maioria, baseadas na estrutura da TCC clássica. Possivelmente, a TCC clássica foi mantida como base de novas abordagens por sua capacidade de reduzir os sintomas de compulsão alimentar e comportamentos purgativos, sendo avaliada com sucesso em diferentes ensaios clínicos32 , 33 , 38 - 40.

O principal resultado propiciado pela TCC no tratamento da BN foi a diminuição dos comportamentos de compulsão alimentar e de comportamentos de purgação, que são os principais sintomas de BN. A TCC possui como característica justamente diminuir esses sintomas, além de prover mudanças na insatisfação corporal e sintomas depressivos9 , 32 , 37 , 38 , 41.

Porém, os dados trouxeram à tona a utilização de outras abordagens no tratamento da BN, com resultados muito bons e alguns até superiores aos da TCC tradicional, como o método Stepped Care (programa em que cuidados de autoajuda são inseridos no tratamento), utilizado no trabalho conduzido em quatro centros de tratamento nos Estados Unidos. No final do processo, os pacientes tratados com o Stepped Care tiveram os mesmos resultados que os tratados com a TCC, porém, após um ano de seguimento, esse grupo obteve maior melhora em relação à diminuição dos episódios de compulsão alimentar e de purgação30.

A intervenção psicoterápica realizada pela internet, encontrada em aproximadamente um terço dos estudos selecionados, demonstra a necessidade dos terapeutas em se aproximarem das possibilidades ofertadas pela tecnologia. A telemedicina possuiu resultados positivos quanto à efetividade no tratamento da BN, além de pontos positivos intrínsecos à modalidade, como: diminuição do deslocamento (ganho econômico e de tempo), diminuição das filas de espera e menor exposição do indivíduo por não necessitar frequentar um centro de saúde mental18 , 19.

Os resultados encontrados nesta revisão corroboram os estudos anteriores realizados na área de TCC e bulimia nervosa. Como a utilização da TCC é recomendada pelos guias internacionais, como o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) e a American Psychiatric Association (APA), para o tratamento da BN, há uma efervescência de artigos científicos nessa área35 , 36.

O estudo realizado possui alguns pontos a serem melhorados. A revisão da literatura foi realizada somente com estudos dos últimos cinco anos. Uma revisão que abarcasse um período de tempo maior poderia ter incluído estudos mais antigos com dados importantes. Para minimizar esse efeito, os estudos clássicos foram alocados na introdução e na discussão, quando possível. Uma das palavras utilizadas para a busca por artigos foi a sigla de cognitive behavioral therapy (CBT). Essa estratégia tinha como objetivo buscar artigos que considerassem a TCC como um meio de intervenção, porém, em decorrência disso, há a probabilidade de exclusão de artigos com intervenção estritamente comportamentais ou cognitivas. Outro ponto a ser considerado foi a inclusão de ensaios clínicos não randomizados e a não realização de revisão sistemática sobre o tema. Essa escolha deveu-se à necessidade observada na literatura de um artigo que trouxesse também estudos inovadores ainda não realizados de forma randomizada.

Com base nos resultados encontrados, percebe-se que a TCC é eficaz para os principais sintomas de bulimia nervosa (compulsão alimentar e purgação), além de auxiliar na diminuição de insatisfação corporal e de sintomas depressivos. Outro ponto a ser considerado foi o número de estudos em que a intervenção psicoterápica foi realizada fora do consultório, valendo-se da internet, de CD-ROM e de livros, com resultados positivos na diminuição dos sintomas de BN. Esse achado demonstra a necessidade de maior oferta de tratamentos alternativos à TCC tradicional, pois isso reduziria custos da intervenção, podendo aumentar o seu alcance. Outra necessidade observada foi a da realização de mais estudos com os públicos adolescente e masculino.

CONCLUSÕES

As evidências da utilização da TCC em adolescentes com bulimia nervosa ainda soam incipientes, sendo necessários novos estudos. Aparentemente, os adolescentes também se beneficiam do tratamento realizado com a TCC, sendo assim, pode-se sugerir que sejam tratados como os adultos.

Os homens com transtornos alimentares são tratados com os mesmos instrumentos e com as mesmas práticas psicoterápicas que as mulheres. Provavelmente, dessa forma, há homens que não são acompanhados por profissionais e continuam a sofrer silenciosamente com o transtorno. Novas formas de identificação e tratamento de pacientes masculinos com transtornos alimentares precisam ser pesquisadas.

O tratamento da bulimia nervosa possui evidências suficientes para que seja realizado com a terapia cognitivo-comportamental. Além dela, intervenções psicoterápicas inovadoras baseadas na TCC clássica apresentam bons indicativos de eficácia. Futuras pesquisas sobre essas diferentes intervenções são necessárias.

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Received: December 10, 2014; Accepted: April 13, 2015

Endereço para correspondência: Tatiana A. Bertulino. Universidade Federal de Pernambuco. Rua Ildefonso Araújo do Rego, 72, Várzea. 50810-210 – Recife, PE, Brasil. E-mail: tatiana_bertulino@yahoo.com.br

CONTRIBUIÇÕES INDIVIDUAIS

Tatiana A. Bertulino da Silva – Contribuiu na concepção do estudo, coleta dos dados, confecção do manuscrito, analisando e interpretando os dados, além de revisar e aprovar a versão final do manuscrito.

Thiago Pacheco de Almeida Sampaio – Contribuiu na concepção do estudo e confecção do manuscrito, analisando e interpretando os dados, revisando criticamente a aprovando a versão final do manuscrito.

Flávia Maria de Nassar de Vasconcelos, Rosana Christine Cavalcanti Ximenes e Everton Botelho Sougey – Contribuíram na concepção do estudo, interpretação dos dados, revisão crítica do manuscrito e aprovação da versão final do manuscrito.

CONFLITOS DE INTERESSE

Os autores Everton Botelho Sougey, Flávia Maria Nassar de Vasconcelos, Rosana Christine Cavalcanti Ximenes, Tatiana Araújo Bertulino da Silva e Thiago Pacheco de Almeida Sampaio declaram não possuir conflitos de interesse.

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