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Jornal Brasileiro de Psiquiatria

versão impressa ISSN 0047-2085versão On-line ISSN 1982-0208

J. bras. psiquiatr. vol.69 no.2 Rio de Janeiro abr,/jun. 2020  Epub 01-Jun-2020

http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000266 

ORIGINAL ARTICLE

Ortorexia nervosa e imagem corporal em adolescentes e adultos

Orthorexia nervosa and body image in adolescents and adults

Luís Felipe Lopes Lorenzon1 
http://orcid.org/0000-0002-4533-005X

Patrícia Beatriz Pedroso Minossi1 
http://orcid.org/0000-0003-0614-661X

Giovana Eliza Pegolo1 
http://orcid.org/0000-0003-2636-2547

1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil.


RESUMO

Objetivo

Identificar a frequência do comportamento de risco para ortorexia nervosa em uma amostra de indivíduos com idades entre 18 e 60 anos e associar com o estado nutricional (classificação do peso corporal) variáveis sociodemográficas e imagem corporal.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal constituído por indivíduos de ambos os sexos. Utilizou-se o questionário ORTO-15 (com pontos de corte < 40 e < 35) para a identificação de comportamentos de risco para ortorexia e a Escala de Silhuetas para a imagem corporal. O estado nutricional foi avaliado por meio do índice de massa corporal, com peso e altura autorreferidos. Para a análise dos dados, aplicou-se o teste qui-quadrado, com nível de significância de 5%.

Resultados

Participaram 430 indivíduos, sendo 56,7% (n = 244) mulheres, com idade para ambos os sexos entre 18,1 e 59,9 anos. Constatou-se maior número de participantes com risco para ortorexia ao utilizar o ponto de corte < 40 (91,4%, n = 393) quando comparado ao ponto de corte < 35 (54,4%, n = 234) (p < 0,0001). O estado nutricional não esteve associado ao comportamento ortoréxico (< 35, p = 0,68; < 40, p = 0,69), bem como à imagem corporal, em ambos os sexos (< 40 e < 35). A idade entre 40 e 60 anos associou-se com a presença de ortorexia (< 35) (p = 0,0005), enquanto não houve associação com as variáveis sexo, escolaridade, estado civil e renda (< 40 e < 35).

Conclusão

Os resultados do presente estudo indicam alta frequência de comportamento de risco para ortorexia. Sugerimos a investigação da frequência nos diversos segmentos populacionais e dos fatores associados ao desenvolvimento de atitudes ortoréxicas.

Palavras-Chave: Autoimagem; comportamento alimentar; peso corporal

ABSTRACT

Objective

To identify the frequency of risky behavior for orthorexia nervosa in a sample of individuals aged between 18 and 60 years and associate it with nutritional status (classification of body weight), sociodemographic variables and body image.

Methods

This is a cross-sectional study of individuals of both sexes. The ORTO-15 questionnaire (with cutoff points < 40 and < 35) was used to identify risk behaviors for orthorexia and the Silhouette Scale for body image perception. Nutritional status was assessed by body mass index, with self-reported weight and height. For data analysis, the chi-square test was applied, with a significance level of 5%.

Results

430 individuals participated, being 56.7% (n = 244) women, aged between 18.1 and 59.9 years for both sexes. There was a higher number of participants at risk for orthorexia when using the cutoff < 40 (91.4%, n = 393) when compared to the cutoff < 35 (54.4%, n = 234) (p < 0.0001). Nutritional status was not associated with orthorexic behavior (< 35, p = 0.68; < 40, p = 0.69), as well as body image in both sexes (< 40 and < 35). Age between 40 and 60 years was associated with the presence of Orthorexia (< 35) (p = 0.0005), while there was no association with gender, education, marital status and income (< 40 and < 35).

Conclusion

The results of the present study indicate a high frequency of risk behavior for Orthorexia. We suggest investigating the frequency in the various population segments and the factors associated with the development of orthorexic attitudes.

Key words: Self concept; eating behavior; body weight

INTRODUÇÃO

Ortorexia nervosa é o termo que designa indivíduos excessivamente preocupados com o consumo de alimentos saudáveis1 . Esse quadro inicia-se de maneira sutil, a partir do desejo de corrigir hábitos alimentares entendidos como ruins ou de melhorar a saúde como um todo2 , mas acaba por conduzir a pessoa a desenvolver características comportamentais associadas à obsessão pela pureza da alimentação, lutando repetidamente contra o consumo de alimentos com substâncias consideradas impuras3 .

Essas práticas requerem considerável força de vontade e disciplina, que são reforçadas pelo senso de superioridade em relação àqueles que consomem alimentos tidos como não saudáveis4 , 5 . O indivíduo também tem a crença persistente de que tais práticas alimentares são promotoras de saúde, apesar das significativas complicações médicas e evidências de má nutrição6 , mesmo assim manifestam tendência de encorajar familiares e amigos a seguirem suas "dietas supostamente saudáveis"7 .

Nesse contexto, sugere-se que a ortorexia apresente como característica a prática de uma alimentação perfeita e com rigorosas regras dietéticas. Esse perfeccionismo ultrapassa a esfera comportamental e adentra no âmbito emocional, alterando o modo que o indivíduo enxerga o tamanho, a forma, a estrutura de seu corpo, além dos sentimentos em relação a essas características, podendo estar associado com a aparência e o medo do excesso de peso8 , 9 .

Estudo realizado com adultos italianos, em 2011, provenientes da população em geral, detectou 57,6% de indivíduos em risco para ortorexia10 . Em 2019, entre adultos libaneses, 75,2% apresentaram comportamentos indicativos de ortorexia11 . No Brasil, para segmentos específicos, estudos realizados com estudantes do curso de Nutrição, reconhecidos como grupo de risco, constataram percentuais de 88,7%12 e 87,2%13 de universitários com comportamento alimentar indicativo do referido quadro.

Cabe registrar que até o momento a ortorexia não está incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 14 . A fim de compreender e melhor categorizar a ortorexia destaca-se a sobreposição de sintomas incluídos nos quadros de transtorno obsessivo-compulsivo, na anorexia nervosa e na bulimia nervosa, sendo os principais sintomas comuns a ansiedade, a restrição de determinados alimentos, o perfeccionismo e a adoção de comportamentos ritualísticos. Por outro lado, são elencados sintomas exclusivos da ortorexia, especialmente a obsessão por ser saudável ou mais saudável e o sentimento de superioridade e aumento do senso de retidão, sintoma não associado a outros distúrbios alimentares15 . Destaca-se a ausência de um critério diagnóstico formal para a ortorexia nervosa como fator limitante, e alguns autores indicam como critérios diagnósticos primários: a preocupação obsessiva ou patológica com a alimentação saudável; a presença de consequências emocionais, como angústia e ansiedade, originadas pela não adesão às regras alimentares autoimpostas; prejuízos psicossociais em relação à vida cotidiana, desnutrição e perda de peso16 .

Este estudo objetivou identificar a frequência do comportamento de risco para ortorexia nervosa em uma amostra de indivíduos com idades entre 18 e 60 anos e associar com o estado nutricional (classificação do peso corporal), imagem corporal e variáveis sociodemográficas.

MÉTODOS

Amostra

Trata-se de um estudo transversal, com abordagem quantitativa e amostra por conveniência, constituída por indivíduos, de ambos os sexos, que frequentaram um parque urbano de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) durante o período de coleta de dados, realizada em 2018.

Os critérios de inclusão foram: idade igual ou superior a 18 anos e inferior a 60 anos completos. Foram excluídos indivíduos com deficiência física ou gestação, por representarem situações que podem interferir na construção da imagem corporal, e presença de dificuldade intelectual que pudesse comprometer a compreensão do questionário.

Este estudo atende aos princípios éticos para pesquisas envolvendo seres humanos, conforme a Resolução nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde17 , e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Parecer nº 2.355.567). Todos os participantes integraram a pesquisa voluntariamente e registraram sua concordância ao assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, apresentado na forma impressa.

Procedimentos

Para a obtenção dos dados, foram utilizados três instrumentos: o ORTO-1518 , a Escala de Silhuetas, adaptada e validada para a população brasileira19 e um questionário com informações sociodemográficas e nutricionais contemplando data de nascimento, sexo, escolaridade, estado civil, renda familiar mensal e medidas antropométricas autorreferidas. O estado nutricional foi avaliado por meio da classificação do índice de massa corporal (IMC), de acordo com os pontos de corte propostos pela Organização Mundial da Saúde e adotados, no Brasil, pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, sendo que para os adolescentes foi utilizado o IMC/idade20 . O cálculo do IMC foi realizado a partir do peso e altura autorreferidos.

Instrumentos

ORTO-15

Para identificar comportamentos indicativos de risco de ortorexia, adotou-se o questionário ORTO-1521 com tradução e adaptação cultural à realidade brasileira, a fim de aplicá-lo como instrumento de análise do comportamento ortoréxico em estudos populacionais18 . Esse instrumento é constituído por 15 perguntas, pontuadas por uma escala Likert com quatro opções de respostas com escores de 1 a 4 (Sempre, Frequentemente, Às vezes e Nunca). A pontuação total do questionário, com variação de 15 a 60, é obtida somando a pontuação de cada item22 .

Segundo Donini et al. 21 , a partir da pontuação das respostas do referido questionário, originalmente se indica o ponto de corte < 40 como sensível para identificar indivíduos em risco. Contudo, estudos mais recentes demonstraram preocupações com a pontuação < 40 por resultar em falso-positivos e altas porcentagens de indivíduos com comportamento de risco para ortorexia7 , 10 . Portanto, sugere-se que a pontuação < 35 apresente maior sensibilidade para a detecção dos sintomas do quadro22 . No presente trabalho, foram analisados os dois pontos de corte: < 3522 e < 4021 .

Escala de Silhuetas

Para identificar os diversos componentes da percepção da imagem corporal, adotou-se o instrumento psicométrico Escala de Silhuetas, adaptada e validada para a população brasileira19 . A partir de análises específicas entre teste e reteste positivos e significativos, a referida escala mostrou-se adequada, tendo em vista a correlação entre o IMC real e o percebido como atual por indivíduos de 18 a 60 anos23 .

A aplicação da escala citada consiste em apresentar uma série ascendente de silhuetas e pedir que o participante indique a que melhor represente sua silhueta atualmente e, em seguida, que indique a silhueta que gostaria de ter24 . Cabe registrar que os cartões com as silhuetas foram reproduzidos exatamente nas medidas e cores indicadas no processo de validação do instrumento, a fim de garantir a dimensão adequada para o reconhecimento da forma corporal19 . Por fim, classifica-se a satisfação ou a insatisfação com a imagem corporal e, para a insatisfação, considera-se o desejo de perder ou ganhar peso25 .

Análise de dados

Os valores foram expressos em frequências absoluta (n) e relativa (%). A associação para análise de variáveis com duas categorias foi realizada pelo teste exato de Fisher. Para análise de variáveis com três ou mais categorias simultaneamente, foi utilizado o teste qui-quadrado e, na presença de significativa associação, foi aplicado o teste exato de Fisher como pós-teste. As análises foram realizadas pelo software estatístico Bioestat 5.0, com nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Participaram deste estudo 430 indivíduos, sendo 56,7% (n = 244) do sexo feminino. A idade média foi de 35,3 ([desvio-padrão (DP)= 10,8] anos para os homens e de 36,4 (DP = 11,4) anos para as mulheres, com variação de 18,1 a 59,9 anos.

Para as características sociodemográficas, destacaram-se as seguintes distribuições: entre os homens, idade entre 20 e 30 anos (34,9%), ensino superior completo ou pós-graduação (60,2%), estado civil casado/união estável (51,6%) e renda mensal familiar > 7 salários mínimos (40,9%). Entre as mulheres, idade entre 20 e 30 anos (31,6%), ensino superior completo ou pós-graduação (63,5%), estado civil casado/união estável (48,8%) e renda mensal familiar > 7 salários mínimos (34,4%).

As proporções de indivíduos com pontuação indicativa de risco para ortorexia foram: 91,4% (n = 393) para o ponto de corte < 40 e 54,4% (n = 234) para o ponto de corte < 35 ( Figura 1 , p < 0,0001). Ao considerar a distribuição por sexo, com o ponto de corte < 40, 93% dos homens e 90,2% das mulheres foram classificados em risco e com o ponto de corte < 35, as frequências foram de 50,5% entre os homens e 57,4% entre as mulheres.

Figura 1 Distribuição dos participantes (n = 430) de acordo com o risco para ortorexia pelos pontos de corte < 40 e < 35 – Campo Grande (MS), 2018.* Associação signicativa pelo teste exato de Fisher. 

Em relação ao risco de ortorexia, não foi identificada associação entre o sexo e a presença do quadro quando avaliados pelos dois pontos de corte: < 40 (p = 39) e < 35 (p = 0,17).

Os indivíduos pertencentes à faixa etária maior que 40 até 60 anos estão significativamente associados com a presença do risco de ortorexia, ao passo que os indivíduos entre 20 e 40 anos apresentaram uma significativa associação com ausência de risco (< 35) (p = 0,0005). Quando utilizado o ponto de corte < 40, nenhuma faixa etária apresentou associação estatística com o risco de ortorexia (p = 0,30).

A escolaridade não se mostrou associada ao comportamento ortoréxico, tendo em vista os dois pontos de corte. Do mesmo modo, não houve associação do risco em relação às variáveis estado civil e renda mensal familiar ( Tabela 1 ).

Tabela 1 Descrição das frequências relativas (%) e absolutas (n) dos 430 participantes de acordo com a presença de risco para ortorexia com a utilização dos pontos de corte < 40 e < 35 – Campo Grande (MS), 2018 

Variáveis sociodemográficas Ortorexia (< 40) % (n) Valor de p Ortorexia (< 35) % (n) Valor de p


Sem risco n = 37 Com risco n = 393 Sem risco n = 196 Com risco n = 234
Sexo
Masculino 34,1 (13) 44,0 (173) 0,39* 46,9 (92) 40,2 (94) 0,17*
Feminino 64,9 (24) 56,0 (220) 53,1 (104) 59,8 (140)
Faixa etária
≤ 20 8,1 (3) 3,8 (15) 0,30 6,1 (12)a 2,6 (6)a 0,0005*
> 20 a ≤ 40 64,9 (24) 60,1 (236) 67,9 (133)a 54,3 (127)b
> 40 a ≤ 60 27,0 (10) 36,1 (142) 26,0 (51)b 43,2 (101)a
Escolaridade
Analfabeto/Fundamental I Incompleto 0,0 (0) 3,1 (12) 0,45 2,0 (4) 3,4 (8) 0,31
Fundamental 2 Completo/Médio Incompleto 8,0 (3) 3,1 (12) 4,0 (8) 3,0 (7)
Médio Completo/Superior Incompleto/Técnico 30,0 (11) 31,8 (125) 31,0 (60) 32,5 (76)
Superior Completo 35,0 (13) 36,4 (143) 41,0 (80) 32,5 (76)
Pós-graduação 27,0 (10) 25,7 (101) 22,0 (44) 29,6 (67)
Estado civil
Solteiro 48,6 (18) 41,2 (162) 0,66 48,0 (94) 36,8 (86) 0,22
Casado/União estável 43,2 (16) 50,6 (199) 45,0 (88) 54,3 (127)
Separado/Divorciado 8,1 (3) 8,1 (32) 7,0 (14) 9,0 (21)
Renda familiar mensal (em Salários Mínimos)
≤ 1 até ≤ 3 24,3 (9) 21,4 (84) 0,40 26,0 (51) 17,0 (42) 0,12
> 3 até ≤ 7 48,6 (18) 40,5 (159) 40,0 (78) 42,3 (99)
> 7 27,0 (10) 38,2 (150) 34,0 (67) 39,7 (93)

Nota: Foi utilizado o teste exato de Fisher para análise de duas categorias da variável e o teste qui-quadrado para análise de 3 ou mais categorias simultaneamente, com pós-teste pelo teste exato de Fisher.

* Associação significativa entre os grupos com e sem risco. As letras nas linhas indicam a classificação do estado nutricional associadas ao risco de ortorexia.

Em relação ao estado nutricional autorreferido (IMC), não houve associação entre as diferentes classificações (baixo peso, eutrofia, sobrepeso ou obesidade) e a presença do risco de ortorexia quando utilizados os dois pontos de corte (< 35, p = 0,68, e < 40, p = 0,69, respectivamente) ( Tabela 2 ).

Tabela 2 Distribuição do número de participantes (n = 430) de acordo com o índice de massa corporal (IMC), a partir de medidas antropométricas autorreferidas, e o risco para ortorexia segundo os pontos de corte < 40 e < 35 – Campo Grande (MS), 2018 

Estado nutricional autorreferido (IMC) Ortorexia (< 40) % (n) Valor de p* Ortorexia (< 35) % (n) Valor de p*


Sem risco n = 37 Com risco n = 393 Sem risco n = 196 Com risco n = 234
Baixo peso 0,0% (0) 2,0% (7) 0,68 1,0% (2) 2,1% (5) 0,69
Eutrofia 54,1% (20) 45,5% (179) 45,9% (90) 46,6% (109)
Sobrepeso 35,1% (13) 40,2% (158) 39,3% (77) 40,2% (94)
Obesidade 10,8% (4) 12,5% (49) 13,8%(27) 11,1% (26)

* Teste qui-quadrado.

Quando analisado isoladamente por sexo, o estado nutricional autorreferido (IMC) também não apontou associação entre as diferentes classificações (baixo peso, eutrofia, sobrepeso ou obesidade) e o risco de ortorexia (< 35 ou < 40).

Ao considerar apenas os indivíduos classificados como ortoréxicos, foi identificada associação entre a classificação em eutrofia e o sexo feminino, assim como entre o sobrepeso e o sexo masculino (< 40) (p < 0,0001). Para o ponto de corte < 35, também considerando apenas os indivíduos em risco, foi identificada associação entre a classificação de sobrepeso e o sexo masculino (p = 0,004).

Ao analisar o risco de ortorexia com a imagem corporal, expressa pela satisfação ou pelo desejo de perder ou ganhar peso, nos participantes do sexo masculino e feminino não foi constatada associação em ambos os pontos de corte (< 40 e < 35) ( Tabela 3 ).

Tabela 3 Distribuição do número de participantes (n = 430) de acordo com a avaliação da imagem corporal e o risco para ortorexia segundo os pontos de corte < 40 e < 35 – Campo Grande (MS), 2018 

Risco de ortorexia Imagem corporal Valor de p*

Satisfeito % (n) Insatisfeito

Desejo de perder peso % (n) Desejo de ganhar peso % (n)
Ponto de corte < 40

Sexo masculino
Sem risco 7,5% (3) 8,1% (10) 0,0% (0) 0,37
Com risco 92,5% (37) 91,9% (113) 100,0% (23)
Sexo feminino
Sem risco 18,8% (6) 8,8% (17) 5,3% (1) 0,17
Com risco 81,2% (26) 91,2% (176) 94,7% (18)

Ponto de corte < 35

Sexo masculino
Sem risco 47,5% (19) 49,6% (61) 52,2% (12) 0,93
Com risco 52,5% (21) 50,4% (62) 47,8% (11)
Sexo feminino
Sem risco 59,4% (19) 38,9% (75) 52,6% (10) 0,06
Com risco 40,6% (13) 61,1% (118) 47,4% (9)

*Teste exato de Fisher.

DISCUSSÃO

Neste estudo, as frequências indicativas de risco de ortorexia mostraram-se substanciais para ambos os pontos de corte (< 35, 54,4%, e < 40, 91,4%). Tais proporções são superiores às observadas em outras pesquisas, também considerando amostra da população geral10 , 21 , 26 , ou seja, sem grupos considerados de risco, como, por exemplo, atletas27 , nutricionistas28 , estudantes de Nutrição29 e de Medicina30 , artistas performáticos31 e praticantes de yoga32 . Cabe registrar que no presente estudo se considerou para a coleta de dados local destinado para atividades de lazer, entretenimento e prática de atividade física, aberto ao público de forma gratuita, a fim de possibilitar participantes com características diversas.

A utilização dos dois pontos de corte fundamentou-se em divergências observadas na literatura. Durante a validação do questionário ORTO-15, os autores testaram a eficácia, a sensibilidade, a especificidade e o valor preditivo negativo e positivo e confirmaram a validade do teste para o ponto de corte < 40, considerando-o apropriado para distinguir indivíduos com e sem ortorexia21 . Entretanto, outros autores manifestaram preocupação com essa pontuação, por resultarem em falso-positivos, sugerindo que o ponto de corte < 35 evitaria a classificação errônea de indivíduos sem as características do quadro1 .

Outros pesquisadores, ao avaliarem as prevalências de acordo com os dois pontos de corte, também notaram diferenças importantes. Com amostra de 92 universitários australianos, ocorreu redução da prevalência de 66% (< 40) para 21% (< 35)33 , bem como em uma amostra de 275 estudantes norte-americanos, na qual se observou redução da prevalência de 71,2% (< 40) para 22,1% (< 35). Os autores destacaram maior sensibilidade do instrumento com a pontuação < 35 para a detecção das características ortoréxicas34 .

Em trabalho realizado com amostra proveniente da população geral, com 404 italianos, identificou-se a prevalência de 6,9% de comportamento ortoréxico (< 40)5 , proporção extremamente inferior à constatada na presente pesquisa. Contudo, o estudo citado anteriormente foi realizado em outro contexto histórico em relação aos hábitos alimentares, considerando que se vivencia na atualidade a possibilidade de informações disseminadas por diversas formas de mídia sobre comportamentos de valorização à alimentação, denominada de saudável, o que poderia impactar no risco de desenvolvimento da ortorexia.

Também com italianos e não pertencentes a grupos de risco, com o mesmo questionário e com amostra de 177 participantes, foram encontrados sintomas ortoréxicos em 57,6% dos participantes (< 40) e, ao se realizar o ajuste do ponto de corte, a prevalência foi de 11,9% (< 35)10 .

Em nossa amostra, foi possível observar também uma redução na frequência de indivíduos em risco de ortorexia de 91,4% (n = 393) com o ponto de corte < 40 para 54,4% (n = 234) com o ponto de corte < 35. Contudo, a proporção ainda se mantém expressiva. Dunn e Bratman1 apontam, ao considerar outros transtornos alimentares, que a anorexia nervosa e a bulimia nervosa apresentam prevalência relativamente rara (cerca de 2% para ambas) e que a ortorexia pode retratar possíveis semelhanças com esses transtornos alimentares, dessa forma sugerem que sua prevalência apresente proporções próximas.

Diversos fatores podem contribuir para as diferenças entre os resultados. Para Barrada e Roncero35 , o ORTO-15 apresenta inconsistências em relação às características psicométricas, como na estrutura interna, nas dúvidas sobre a interpretação das pontuações do questionário e nas limitações da validade do conteúdo. Ainda, é sugerido tratar-se de um instrumento inadequado para distinguir entre alimentação saudável e o comer saudável patológico34 . Contudo, até o momento, para amostras brasileiras, trata-se do único instrumento disponível para identificar o risco de comportamento ortoréxico.

Outro fator para a divergência de resultados é a falta de critérios diagnósticos bem definidos. Segundo Varga et al. 7 , a ortorexia não é reconhecida como um transtorno alimentar formal. Porém, de acordo com o sistema de classificação da quinta edição do Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais , a motivação para seguir uma dieta obsessivamente rígida, como algo indispensável, e projetada para promover a boa saúde provavelmente pode ser classificada como transtorno alimentar restritivo/evitativo36 . Entretanto, como a preocupação com as consequências aversivas da alimentação é tipicamente interpretada como uma reação a um evento traumático prévio, de asfixia ou experiência aversiva como vômitos subsequentes, e não devido à alimentação saudável, é possível que a ortorexia não esteja adequadamente descrita1 .

Quanto à influência do sexo, não foi constatada associação entre sexo e comportamento de risco para ortorexia. Esse resultado é similar ao encontrado em uma amostra de alemães, não classificados em grupos de risco para o quadro26 , e corrobora com o resultado encontrado entre estudantes de Ciências do Exercício e de Negócios37 .

Contudo, em italianos, foi identificada maior frequência entre homens (11,3%) do que em mulheres (3,9%)5 , assim como em uma amostra de 878 estudantes de Medicina turcos30 e de 459 estudantes universitários norte-americanos38 . É possível que, com o interesse dos homens quanto à valorização do corpo, da estética e da saúde, se destaquem motivos para seguir uma dieta saudável. Mas, diferentemente das mulheres, por serem novatos nessa situação, tornam-se mais ansiosos e suscetíveis às mensagens de alimentos, de diversas fontes5 , e acabam apresentando maior risco de desenvolver ortorexia39 .

Por outro lado, entre 2.130 estudantes universitários italianos, a frequência foi maior entre o sexo feminino (37,8%) do que no sexo masculino (30,7%) (< 35)22 . Esses achados podem sugerir diferença pouco significativa entre os sexos no quadro de ortorexia, fato que se mostra diferente nos transtornos alimentares, tendo em vista a prevalência de anorexia nervosa com proporção de nove mulheres para cada homem38 .

Quanto à idade, neste estudo houve associação significativa com a faixa etária de 40 a 60 anos. Outros estudos também encontraram a mesma associação, mas as faixas etárias variaram de acordo com os trabalhos. Estudantes menores de 21 anos estão associados ao quadro quando comparados aos indivíduos de idade superior30 , assim como mulheres e homens com média de idade de, respectivamente, 33,2 ± 2,14 e de 36 ± 17 anos21 . Asil e Sürücüoglü40 constataram associação com a faixa etária de 34 ± 11,2 anos e ainda apontaram que a tendência à ortorexia pode aumentar com a idade. Já, em contrapartida, um estudo com participantes com idade média de 50,6 anos não encontrou diferença entre a faixa etária e a ortorexia26 .

Portanto, sugerimos que a discordância entre a associação das idades e o risco de ortorexia pode ser cultural para as diferentes nacionalidades e ainda regionalizada no próprio país. Além disso, é possível considerar que os mais jovens, especialmente os adolescentes, não demonstram preocupação com a alimentação saudável, o que pode ocorrer entre brasileiros. De acordo com Assis et al. 41 , entre os mais jovens a comida está associada com diferentes contextos e emoções, e os vegetais e alimentos tidos como saudáveis são vinculados às refeições com os pais e ao maior autocontrole, ao passo que a comida não saudável é associada à independência e à integração com outros adolescentes.

No que diz respeito à escolaridade, em nosso estudo não foi detectada associação com as características da ortorexia. Outros estudos apontam que indivíduos com o quadro apresentaram menor número de anos de escolaridade5 , 26 . Ramacciotti et al. 10 constataram prevalência sensivelmente menor em participantes com graduação e pós-graduação (em ambos os pontos de corte do ORTO-15).

Também não houve associação entre estado civil e ortorexia, corroborando outro estudo que observou não existir diferença5 . Nos trabalhos com amostra classificada nos grupos de risco para ortorexia, os achados diferem. Estudo realizado com 62 indivíduos vegetarianos e não vegetarianos turcos não encontrou associação entre o comportamento ortoréxico e o estado civil42 . Já entre 1.240 profissionais de saúde italianos e envolvidos em educação nutricional a pontuação total do ORTO-15 foi significativamente menor (indicativo de risco) em indivíduos divorciados43 .

Não foi encontrada associação entre o risco de ortorexia e a renda familiar no presente estudo, achado também verificado por outro trabalho no qual se constatou que ter maior ou menor nível socioeconômico não foi fundamental para o desenvolvimento de características da ortorexia30 . Porém, em contradição, outro estudo demonstrou que o nível socioeconômico mais baixo está associado à ortorexia5 .

Quanto ao estado nutricional, não foi identificada associação com o risco de ortorexia. Contudo, houve associação ao considerar o sexo feminino e eutrofia (< 40) e o sexo masculino e sobrepeso (< 40 e < 35).

Por outro lado, Donini et al .5 não encontraram relação entre os indivíduos em risco para comportamento ortoréxico e IMC. Outros estudos identificaram que, conforme o valor de IMC aumenta, o risco de desenvolver ortorexia também aumenta30 , 38 , 40 . Ressalta-se, segundo a literatura, que a ortorexia se desenvolva a partir de uma tentativa de emagrecimento de indivíduos com excesso de peso, de modo que esses indivíduos tenham uma imagem corporal precisa e não distorcida, voltando-se para a alimentação saudável como forma de alcançar e manter um peso ideal para a saúde física adequada38 .

Dell’Osso et al. 22 identificaram que, nos indivíduos em risco para ortorexia, 42,8% estavam com o IMC indicativo de baixo peso, enquanto 34,3% estavam com IMC indicativo de excesso de peso. Os autores ainda complementam que esses achados podem sugerir um tipo de continuidade de ortorexia para anorexia nervosa, induzindo a um peso mais leve enraizado na alimentação saudável e impulsionado por um ideal de magreza, resultando em um baixo peso mais grave.

Outra vertente importante relaciona-se à imagem corporal. Neste trabalho não foi observada associação entre o comportamento ortoréxico e a imagem corporal, em ambos os sexos. Entretanto, na literatura constatou-se uma associação positiva entre a preocupação com alimentação saudável e a satisfação com a imagem corporal de mulheres39 . Sabe-se que as características da ortorexia estão correlacionadas com a distorção da imagem corporal44 ou com a baixa satisfação corporal33 , sendo esses indivíduos capazes de se avaliarem maiores ou menores do que realmente são45 . Ainda, há a possibilidade de que a ortorexia divida similaridades com a anorexia e a bulimia nervosa no que se refere às atitudes em relação à imagem corporal e ao medo de estar acima do peso8 .

Entretanto, em discordância, é possível que não ocorra distúrbio de imagem corporal associado à ortorexia, pois esse quadro não se relaciona com a perda de peso, mas com ser saudável. Por esse motivo, foi proposto que a ausência do distúrbio de imagem corporal seja um dos critérios para o diagnóstico de ortorexia46 .

Tendo em vista tratar-se de um estudo com delineamento transversal, norteado para identificar a frequência de risco de ortorexia, cabe destacar também a importância do levantamento de características de natureza sociodemográfica relacionadas ao referido quadro. Assim, além da investigação da frequência, sugerimos o estudo dos fatores associados ao desenvolvimento de atitudes ortoréxicas para melhor compreensão do quadro em diferentes culturas e influências ambientais. Para o presente estudo, as proporções de indivíduos em risco de ortorexia, independentemente do ponto de corte adotado, representam valores expressivos e, assim, requerem cautela, especialmente no que diz respeito à análise dos resultados e repercussões à saúde física e psíquica individual. Tais proporções nos conduzem a instigar pesquisas direcionadas para o aprimoramento de instrumentos para o diagnóstico da ortorexia, que, por sua vez, poderá ser fortalecido pelo futuro reconhecimento do quadro. Quanto ao instrumento adotado, a literatura retrata que a pontuação dos itens do ORTO-15 indica fragilidades47 , entretanto, como já mencionado, trata-se do único instrumento adaptado para a população brasileira. Ainda como limitações, embora outros estudos também apontem proporções expressivas de indivíduos com comportamentos indicativos de risco de ortorexia, tais resultados podem considerar diferentes instrumentos, o que também indica prudência em análises comparativas. Trata-se de um quadro que requer estudos para categorização exata dos comportamentos envolvidos e respectivo diagnóstico, contudo sabemos que envolve comportamentos cada vez mais frequentes entre indivíduos de todas as idades, o que, mais uma vez, incita estudos específicos. De qualquer forma, este estudo promove avanços ao abordar a ortorexia em amostra não pertencente aos grupos de risco.

CONCLUSÃO

Os resultados do presente estudo indicam alta frequência de comportamento de risco para ortorexia, porém sem associação com o sexo, escolaridade, estado civil e renda familiar mensal para os pontos de corte adotados. A idade entre 40 e 60 anos associou-se com o risco de ortorexia. Nos indivíduos classificados em risco, foi identificada associação entre eutrofia e sexo feminino (< 40) e sobrepeso e sexo masculino (< 40 e < 35). Sobre a imagem corporal e o risco de ortorexia, não foi encontrada associação. Contudo, diante das frequências constatadas, independentemente dos pontos de corte adotados, ressalta-se a importância de estudos direcionados para o desenvolvimento/refinamento de instrumentos e para a identificação do risco de ortorexia, especialmente para a população brasileira, nos diversos estágios de vida e em segmentos não pertencentes aos grupos de risco, com o intuito de conscientização e prevenção de possíveis malefícios à saúde.

AGRADECIMENTOS

O presente trabalho foi realizado com o apoio da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)/MEC – Brasil.

Agradecemos a todos os participantes da pesquisa e aos colegas do curso de Nutrição, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição (FACFAN), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que auxiliaram na coleta de dados.

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Recebido: 11 de Fevereiro de 2020; Aceito: 04 de Abril de 2020

Address for correspondence: Giovana Pegolo. Avenida Costa e Silva, s/n, Cidade Universitária 79070-900 – Campo Grande, MS, Brasil. E-mail: giovana.pegolo@ufms.br

CONTRIBUIÇÕES INDIVIDUAIS

Luís Felipe Lopes Lorenzon e Patrícia Beatriz Pedroso Minossi – Participaram da concepção e desenho do estudo, revisão de literatura, coleta de dados, organização, análise e interpretação dos dados, escrita do artigo e aprovação da versão final do artigo.

Giovana Eliza Pegolo – Participou da concepção e desenho do estudo, revisão de literatura, instruções para a coleta de dados, organização, análise e interpretação dos dados, escrita do artigo e aprovação da versão final do artigo.

CONFLITO DE INTERESSES

Os autores declaram não existir conflito de interesses.

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