SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.85 issue5Serial clinical and echocardiographic evaluation in children with Marfan syndromeHeart failure mortality trend in Salvador, Bahia, Brazil author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.85 no.5 São Paulo Nov. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2005001800004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Depressão e síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis: diferenças entre homens e mulheres

 

 

Glória Heloise Perez; José Carlos Nicolau; Bellkiss Wilma Romano; Ronaldo Laranjeira

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas - FMUSP - São Paulo, SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Investigar, em portadores de Síndromes Isquêmicas Miocárdicas Instáveis (SIMI) estratificados por sexo, se características sociodemográficas, diagnóstico clínico, tabagismo, consumo de álcool e ansiedade estão associados com depressão.
MÉTODOS: Foram entrevistados 345 pacientes consecutivos com SIMI (206 com infarto agudo do miocárdio e 139 com angina instável). As entrevistas incluíram questões sobre características sociodemográficas, tabagismo, avaliação de depressão (Prime MD e BDI), de ansiedade traço e ansiedade estado (IDATE), e de consumo de álcool (AUDIT).
RESULTADOS: O diagnóstico de depressão se correlacionou, significativamente, com sexo feminino, idade inferior a 50 anos e escores médios mais elevados de ansiedade traço e ansiedade estado. Os homens (245) com depressão eram freqüentemente mais jovens que 50 anos, fumantes, e apresentavam escore médio de ansiedade traço e ansiedade estado mais elevado que os não deprimidos. A análise multivariada aponta que, no sexo masculino, idade está negativamente associada (OR 0,9519, 95% IC 0,9261 - 0,9784) e escores mais altos de ansiedade traço estão positivamente associados (OR 1,0691 95% IC 1,0375 - 1,1017) com depressão. Na amostra feminina (100), mulheres com depressão diferenciam-se das sem depressão por apresentarem escore médio mais alto de ansiedade traço e de ansiedade estado. Na análise multivariada da amostra feminina, escore mais alto de ansiedade traço associou-se de forma independente à depressão (OR 1,1267 95% IC 1,0632-1,1940).
CONCLUSÃO: Conclui-se que, em pacientes hospitalizados com SIMI, as mulheres, os homens com menos de 50 anos e os ansiosos têm mais chance de apresentarem depressão.

Palavras-chave: depressão; infarto do miocárdio; angina instável; ansiedade


 

 

A doença arterial coronária (DAC) e a depressão são duas enfermidades que têm grande impacto na saúde, pois ambas apresentam alta prevalência nos dia atuais e têm seus efeitos refletidos tanto na mortalidade, como na qualidade de vida do homem contemporâneo.

A depressão tem uma complexa relação com a DAC. Evidências apontam-na como fator de risco1-4 e, também, como fator influente na morbidade1, na mortalidade3,5-7 e na qualidade de vida8 do paciente com DAC.

A depressão apresentou-se como associada à DAC e como fator psicológico de maior risco para doença cardíaca, num estudo de metanálise que incluiu dados publicados entre 1945 e 19859. A literatura, no que se refere à associação entre DAC e depressão, relata prevalências que variam de 14 a 60%1,5,7, situando-se entre 15 e 44%3,5,10,11 nos pacientes com infarto do miocárdio ou angina instável.

Como fator de risco, a depressão comporta-se como um fator isolado para o desenvolvimento da DAC, mas, freqüentemente, associa-se a outros marcadores de risco. Estudos com populações de não cardiopatas apontam que ela apresenta associação com obesidade (prevalência de depressão em 51% dos obesos com Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica e em 14% dos obesos sem este transtorno)12, diabetes (prevalência 3 vezes maior de deprimidos entre diabéticos que na população em geral)13 e tabagismo (prevalência de 18,5 a 60,6%)14.

A depressão também pode influenciar o desenvolvimento e o curso da DAC, como salientam Glassman & Shapiro2, pois além do impacto negativo do humor deprimido no tratamento da cardiopatia, as evidências apontam que os seus concomitantes físicos têm uma influência direta no funcionamento cardíaco. O desânimo, a apatia, a intolerância à frustração e a falta de flexibilidade psíquica, peculiares ao humor deprimido, criam condições desfavoráveis, levando à falta de motivação para a adesão ao tratamento medicamentoso e mudança de estilo de vida. Além disso, os fatores fisiológicos da depressão, tais como aumento da agregação plaquetária, hiperatividade do sistema simpático-adrenal, diminuição da variabilidade da freqüência cardíaca e do limiar para fibrilação ventricular, têm influência direta na evolução da DAC15. Estes mecanismos patofisiológicos e as falhas de adesão ao tratamento e à mudança de estilo de vida justificam os maiores riscos da reincidência do infarto agudo do miocárdio (IAM) e mortalidade entre os deprimidos.

Cabe salientar ainda que a depressão na DAC tende a ser pouco reconhecida pelo cardiologista, pois nem sempre se apresenta como um quadro típico, com a presença de humor deprimido, perda acentuada de interesse ou prazer nas atividades habituais, sentimentos de inutilidade ou culpa, pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida. Ao contrário, são mais freqüentes os sintomas somáticos, como cansaço, falta de energia, lentidão psicomotora, perda ou aumento de apetite, insônia ou hipersonia, que podem ser confundidos com a sintomatologia da cardiopatia15. É importante considerar, também, que a depressão pode se apresentar na sua forma atípica, por exemplo, com a presença de irritabilidade, hiperfagia e hipersonia, ao invés de perda de apetite e insônia, respectivamente. Todas essas características do quadro depressivo na DAC determinam uma tendência a falhas de diagnóstico e tratamento.

Estudos com pacientes não cardiopatas também apontam que deprimidos têm mais dificuldade de abandonar o tabagismo16 e o abuso do álcool17. Portanto, reconhecer e tratar a depressão significa diminuir os riscos de insucesso no tratamento da doença cardíaca.

As evidências sobre o amplo impacto negativo da depressão no desenvolvimento, curso, gravidade e tratamento da DAC, advertem-nos para os benefícios de se aprofundar o conhecimento das peculiaridades da depressão associada à DAC. Estudos com populações estrangeiras apontam que depressão no IAM ou na angina instável associa-se aos mesmos fatores psicossociais incidentes em não-cardiopatas: gênero feminino, estado civil solteiro, falta de amigos íntimos3,18. Mas, diferente dos não-cardiopatas, na DAC, a depressão não estaria associada ao tabagismo3,19. Ao que seja do nosso conhecimento, inexistem estudos sobre o assunto em brasileiros portadores de SIMI.

Assim, o objetivo deste estudo foi o de investigar se características sociodemográficas, diagnóstico clínico, tabagismo, consumo de álcool e ansiedade estão associados com depressão, numa população de pacientes com Síndromes Isquêmicas Miocárdicas Instáveis (SIMI), comparando homens e mulheres.

 

MÉTODOS

O protocolo do estudo foi submetido e aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa da instituição na qual foi realizado, em 10 de maio de 2000.

O estudo foi realizado com uma amostra de 345 pacientes consecutivos com diagnóstico de SIMI, sendo 206 com infarto agudo do miocárdio (IAM) comprovado por quadro clínico-eletrocardiográfico e/ou marcadores bioquímicos de necrose miocárdica, e 139, com angina instável (AI). Todos os pacientes encontravam-se hospitalizados, tendo sido contatados ainda na Unidade de Emergência ou já na Unidade Coronária de Terapia Intensiva, entre julho/2000 e julho/2001.

As entrevistas foram realizadas por uma psicóloga assistente de pesquisa, após obtenção do termo de consentimento livre e esclarecido, sempre durante a internação, a partir de 3º dia, no caso de IAM, ou a partir do 2º dia de evolução no caso de angina instável. Foram excluídos pacientes que apresentavam doença não cardiológica grave associada, prejuízo cognitivo, uso de antidepressivo e idade maior que 80 anos.

A entrevista não foi realizada no mesmo dia do estudo hemodinâmico nos pacientes submetidos a ele, evitando-se, assim, eventual viés da mobilização psicológica determinada pelo exame. As entrevistas foram realizadas, em média, 4,15 + 1,56 dias pós-IAM. Os casos de AI foram entrevistados, em média, com 2,94 + 1,30 dias de evolução. Este estudo compreende dados parciais de uma investigação sobre fatores associados e preditivos da manutenção do tabagismo em pacientes portadores de SIMI, o que explica uma amostra de 135 fumantes, 109 ex-fumantes e 104 não fumantes. Vinte e quatro pacientes recusaram-se a participar do estudo.

A entrevista compreendia a aplicação de: questionário elaborado com a finalidade de levantamento de dados sociodemográficos e histórico do tabagismo; Escala Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) para avaliação do padrão econômico16; Prime MD – Avaliação de Distúrbios Mentais para Atenção Primária (módulo Humor)17, versão traduzida para o português por Fráguas Jr e Henriques Jr. Uma escala breve (17 itens) para diagnóstico de transtornos de humor, baseada no Manual de Transtornos Mentais – 4ª edição (DSM-IV), desenvolvida para a pesquisa em atenção primária. Esta escala foi utilizada para o diagnóstico de depressão; Inventário de Depressão de Beck (BDI) 18,19. Trata-se de uma escala de 21 itens, com escores de resposta variando de 0 a 3, que avalia a presença e gravidade de sintomas depressivos, mas não é apropriada para o diagnóstico de depressão. O ponto de corte20 utilizado foi: menor que 10, sem depressão ou depressão mínima; de 10 a 18, depressão leve a moderada; de 19 a 29, depressão moderada a grave; de 30 a 63, depressão grave; Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) para avaliação de ansiedade traço e ansiedade estado21. Este inventário é composto de duas escalas com 20 itens cada. Uma delas avalia ansiedade estado, que se caracteriza pela percepção subjetiva de sentimentos de tensão e apreensão, acompanhados de reações do sistema nervoso autônomo22 em um momento particular. Ansiedade traço, avaliada pela outra escala, diz respeito a uma tendência relativamente estável de perceber as situações como ameaçadoras e de reagir a elas com estado de ansiedade22. Dadas as dificuldades dos pacientes da população estudada, detectadas em estudo anterior23, para responder segundo as alternativas em escala de tipo Likert de 5 pontos (como é o caso no IDATE), criamos cartões com representação gráfica das alternativas; AUDIT – The Alcohol Use Disorder Identification Test24, na versão traduzida por Figlie25, é um questionário de 10 itens, com escores variando de 0 a 40, que avalia consumo, abuso e dependência de álcool.

Na análise univariada, utilizou-se o teste qui-quadrado para a comparação das variáveis categóricas: gênero, faixa etária, escolaridade, classificação socioeconômica, diagnóstico clínico, tabagismo e faixas de escore de BDI. O teste t de Student foi usado para comparar médias de idade, de escore de AUDIT (consumo de álcool) e de escore do IDATE (ansiedade traço e ansiedade estado). O teste t foi revisado com o teste de Levene para igualdade de variâncias, quando as amostras apresentavam variâncias. Valor de p < 0,05 foi considerado estatisticamente significante.

Considerando depressão (Prime-MD) como variável dependente, as variáveis significantes na análise univariada foram avaliadas em 3 modelos de regressão logística: com a amostra total, com a amostra masculina e com a amostra feminina. Foi utilizado o método Stepwise, sendo que as variáveis não significantes foram removidas de acordo com o teste estatístico Wald.

As variáveis significantes para depressão na análise univariada, consideradas como variáveis independentes na análise multivariada da amostra total, foram gênero, idade, ansiedade estado e ansiedade traço. Para a amostra masculina, idade, tabagismo, ansiedade traço e ansiedade estado foram as variáveis independentes incluídas no modelo de regressão logística; para a amostra feminina, ansiedade traço e ansiedade estado foram incluídas como variáveis independentes.

O tratamento estatístico foi realizado utilizando-se o SPSS para windows, versão 8.0.

 

RESULTADOS

A população estudada apresentou idade média de 59,45 + 10,52 anos, predominância de homens, 71,0% (n = 245), com companheiro(a), 69,2% (n = 240), com baixa escolaridade, até 1º grau, 55,9% (n = 193) e de classificação socioeconômica predominantemente C, 24,4% (n = 84) e B2, 24,0% (n = 83) (tab. I).

A freqüência de depressão foi de 46,7% (n = 161). Pacientes com diagnóstico de depressão apresentaram idade média menor (p = 0,003), situavam-se mais freqüentemente na faixa etária abaixo de 50 anos (p = 0,009), eram mais mulheres e apresentaram escores médios mais altos de ansiedade traço (p < 0,001) e ansiedade estado (p < 0,001) (tab. I).

Os resultados do BDI demonstram que as mulheres apresentaram, com maior freqüência, níveis mais graves de depressão que os homens (p < 0,0001) (tab. II).

A análise multivariada aponta que gênero feminino (OR 2,4026, 95% IC 1,4424 – 4,0020), idade inferior a 50 anos (OR 1,9722 95% IC 1,1055-3,5185) e escores mais elevados de ansiedade traço (OR 1,0825 95% IC 1,0541 – 1,1117) associaram-se significativa e independentemente com depressão.

A análise univariada da amostra masculina aponta que aqueles com depressão eram freqüentemente mais jovens (p < 0,0001), com idades inferiores a 50 anos (p=0,001), fumantes (p=0,018), e apresentavam escores médios para ansiedade traço (p<0,001) e ansiedade estado (p=0,030) mais altos que aqueles que não apresentavam depressão (tab. III).

A análise multivariada aponta que idade está negativamente associada (OR 0,9519 95% IC 0,9261-0,9784) e escores mais altos de ansiedade traço (OR 1,0691 95% IC 1,0375- 1,1017) estão positivamente associados com depressão.

Na análise univariada da amostra feminina, observa-se que mulheres que apresentam depressão diferenciam-se das que não têm este diagnóstico apenas por apresentarem escore médio mais alto de ansiedade traço (p < 0,0001) e de ansiedade estado (p = 0,001) (tab. IV).

Na análise multivariada, escore mais alto de ansiedade traço se mostrou significativamente associado com depressão (OR 1,1267 95% IC 1,0632-1,1940).

 

DISCUSSÃO

Observa-se uma prevalência alta de depressão (46,7%) na população estudada, sendo mais alta que a encontrada em outros estudos com portadores de SIMI, que apontam resultados variando de 15 a 44%3,5,14,15. Esta diferença não pode ser explicada pela idade, pois, nesta amostra a mesma se apresentou bastante similar àquela encontrada em outros estudos3,5. A utilização de instrumentos ou critérios de avaliação diferentes, ou o grande número de homens fumantes (que são mais freqüentemente deprimidos que os não-fumantes), incluídos na amostra, poderia, eventualmente, justificar esta diferença. Por outro lado, pode tratar-se de uma peculiaridade de amostras brasileiras, porém a falta de estudos nacionais anteriores sobre o tema não nos permite confirmar esta hipótese.

Apesar de, para algumas variáveis, tais como escolaridade, estado civil, classificação econômica, diagnóstico clínico, consumo de álcool, ansiedade traço e ansiedade estado, haver o mesmo padrão de relação com depressão para ambos os gêneros, detectou-se, em alguns aspectos, diferenças importantes neste padrão. Por exemplo, as mulheres apresentam depressão com maior freqüência e em níveis mais graves que os homens.

A maior prevalência de quadros depressivos entre mulheres está de acordo com dados da literatura, que analisaram populações estrangeiras 6,19,21,28, sugerindo-se, inclusive, que a maior incidência de depressão entre as mulheres poderia contribuir para a maior mortalidade hospitalar encontrada no sexo feminino31,33.

As explicações para uma maior prevalência de quadros depressivos em mulheres incluem desde possíveis artefatos estatísticos, em função de apresentarem maior tendência de busca de atendimento e maior facilidade em reportar aspectos emocionais (aumentando a possibilidade de diagnóstico), até aspectos biológicos e psicossociais particulares. Entre os aspectos biológicos, postula-se a importância dos fatores hormonais, transmissão genética e diferenças de estrutura e funcionamento cerebral33. Os fatores psicossociais dizem respeito ao estilo e mecanismos psicológicos diferentes, bem como ao papel social e familiar exercido pela mulher, diante das mudanças sociais e exigências profissionais cada vez maiores34.

No sexo feminino, depressão não está associada com idade, ao contrário do que ocorre nos homens. Os homens com SIMI e idade menor de 50 anos são mais freqüentemente deprimidos que os mais idosos. Na situação de IAM ou AI, o fato da depressão ser mais freqüente entre os homens mais jovens pode ser a tradução do impacto emocional da vivência de uma doença tão grave, numa idade produtiva. Entre os homens mais jovens, o impacto psicológico, causado pela vivência do IAM ou episódio de AI, tais como a perda da condição de saudável, da capacidade produtiva e, em última análise, o medo da morte, pode ser maior que para os mais velhos, sendo a depressão uma forma de manifestação deste impacto. Por outro lado, pode-se considerar que os homens mais jovens, por questões de ordem cultural, ligadas ao estereótipo atual de masculinidade, tenham menos dificuldades de perceber e poder expressar seus sentimentos de fragilidade (conseqüentemente, reportando mais sintomas depressivos) que os mais velhos, para os quais o conceito de masculinidade internalizado está associado à não manifestação das emoções35.

Outro ponto a ser considerado, para justificar a associação de depressão com idades menores, seria o eventual impacto de um quadro depressivo que teria se instalado previamente à instabilização do quadro cardiológico do paciente. Nesta situação, sendo a depressão um fator de risco para DAC, poderia justificar o aparecimento de SIMI mais precocemente nos deprimidos, em relação aos não-deprimidos. No entanto, como depressão prévia não foi investigada neste protocolo, esta hipótese não pode ser confirmada. Considerando-se diferenças dos nossos resultados com o de populações estrangeiras, nota-se a associação com idade18,19 e a não associação com estado civil sem companheiro18,19.

Depressão está associada com ansiedade traço tanto para mulheres como para homens, neste estudo. Entende-se esta associação pelo fato da ansiedade traço ser uma característica de funcionamento psíquico, que inclui a percepção subjetiva, relativamente constante de sentimentos de tensão e apreensão, o que é sinal revelador de insuficiência de recursos psíquicos e capacidade adaptativa limitada a situações adversas, determinando, conseqüentemente, uma maior predisposição para a depressão.

Nossos dados reforçam a importância de se pesquisar sintomas depressivos em pacientes hospitalizados com SIMI, principalmente em mulheres, homens com menos de 50 anos e ansiosos. Evitar falhas de diagnóstico e tratamento de depressão pode ser importante fator de evolução mais favorável da DAC, diminuindo-se os riscos de não adesão ao tratamento, de reincidência e mortalidade por SIMI.

A inclusão de história prévia de depressão e início do quadro atual na investigação permitiria-nos uma discussão mais rica dos nossos dados, podendo confirmar algumas das hipóteses levantadas.

Conclui-se que, em pacientes com SIMI hospitalizados, as mulheres, os homens com menos de 50 anos e os ansiosos têm mais chance de apresentarem depressão.

 

REFERÊNCIAS

1. Carney RM, Rich MW, Fredland KE et tal. Major depressive disorder predicts cardiac events in patients with coronary artery disease. Psychosom Med 1988; 50: 627-33.        [ Links ]

2. Glassman AH, Shapiro PA. Depression and the course of coronary artery disease. Am J Psychiatry 1998; 155: 4-11.        [ Links ]

2. Lespérance F, Frasure-Smith N, Juneau M, Théroux P. Depression and 1-Year Prognosis in Unstable Angina. Arch Intern Med 2000; 160: 354-60.        [ Links ]

3. Ford E, Mead LA, Chang PP, Levine DM, Klag MJ. Depression predicts cardiovascular disease in men: the precursors study. Circulation 1994; 90: 614.        [ Links ]

4. Frasure-Smith N, Lesperance F, Talajic M. Major Depression following myocardial infarction: impact on 6 month survival. JAMA 1993; 270: 1819-61.        [ Links ]

5. Aromaa A, Raitasalo R, Reumanen A et al. Depression and cardiovascular diseases. Acta Psychiatr Scand 1994; 377: 77-82.        [ Links ]

6. Frasure-Smith N, Lesesperance F, Talajic M. Depression and 18-month prognosis after myocardial infarction. Circulation 1995; 91: 999-1005.        [ Links ]

7. Beck CA, Joseph L, Beslile P, Pilote L. Predictors of quality of life 6 months and 1 year after acute myocardial infarction. Am Heart J 2001; 142: 271-9.        [ Links ]

8. Booth-Kewley S, Friedman HS. Psychological predictors of heart disease: a quantitative review. Psychol Bull 1987; 101: 343-62.        [ Links ]

9. Everson AS, Goldberg DE, Kaplan GA et tal. Hopelessness and risk of mortality and incidence of myocardial infarction and cancer . Psychossom Med 1996; 58: 113-21.        [ Links ]

10. Schleifer SJ, Macari-Hinson MM, Coyle DA et al. The nature and course of depression following myocardial infarction. Arch Intern Med 1989; 149: 1775-89.        [ Links ]

11. Yanovski SZ. Binge eating disorder: Current knowledge and future directions. Obes Research 1993; 1: 306-18.        [ Links ]

12. Gavard J, Lustman P, Clouse R. Prevalence of depression in adults with diabetes. An epidemiological evaluation. Diabetes Care 1993; 16: 1167-78.        [ Links ]

13. Kahler CW, Brown RA, Strong DR, Lloyd-Richardson EE, Niaura R. History of major depressive disorder among smokers in cessation treatment: Associations with dysfunctional attitudes and coping. Addictive Behaviors 2003; 28: 1033-47.        [ Links ]

14. Telles RMS, Rays J, Ramires JAF, Wajngarten M, Scalco M, Neri A. Coronariopatia e Insuficiência Cardíaca. In: Fráguas Jr R, Figueiró, JAB. Depressões em Medicina Interna e em outras Condições Médicas Depressões Secundárias. São Paulo: Ed. Atheneu, 2000.        [ Links ]

15. Anda RF, Williamson DF, Escobedo LG, Mast EE, Giovino GA, Remington PL. Depression and the dynamics of smoking. JAMA 1990; 264: 1541-49.        [ Links ]

16. Cornelius JR, Bukstein O, Salloum I, Clark D. Alcohol and psychiatric comorbidity. Recent Dev Alcohol 2003; 16: 361-74.        [ Links ]

17. Lesperance F, Frasure-Smith N, Talaric M. Major depressive before and after myocardial infarction: its nature and consequences. Psychosom Med 1996; 58: 99-110.        [ Links ]

18. Sorensen C, Brandes A, Hendricks O et al. Psychosocial predictors of depression in patients with acute coronary syndrome. Acta Psychiatr Scand 2005; 111: 116-24        [ Links ]

19. www.anep.org.br/codigosguias/CCEB.pdf

20. Spitzer RL, Williams JBW, Kroenke K et al. Utility of a new procedure for diagnosing mental disorders in primary care the PRIME-MD 1000 Study. JAMA 1994; 272: 1749-56.        [ Links ]

21. Beck AT, Steer RA. Beck Depression Inventory Manual. Toronto, Canadá: Psychological Corp, Harcourt, Brace, Jovanovich, 1987.        [ Links ]

22. Goresnstein C, Andrade L. Inventário de Depressão de Beck: Propriedades Psicométricas da Versão em Português. Rev Psiq Clin 1998 25(5) edição especial 245-50.        [ Links ]

23. Beck AT, Steer RA, Garbin MG. Psychometric properties of the Beck Depression Inventory : twenty-five years of evaluation. Clinical Psychology Review 1988; 8: 77-100.        [ Links ]

24. Spielberger CD, Gersuch RL, Lushene RE. Inventário de Ansiedade traço-Estado (State-Trait Anxiety Inventory STAI) Trad. Ângela M.B. Biaggio e Luiz Natalício. Rio de Janeiro: Ed. CEPA, 1979.        [ Links ]

25. Spielberger CD. Anxiety: state-trait-process. In: Spielberger CD, Sarason IG, Stress and anxiety. New York: Hemisphere Publishing Corporation, 1975.        [ Links ]

26. Lamosa BWR, Martyniuk CS, Tedde MIL. Ansiedade e Coronariopatia. Arq Bras Cardiol 1983; 40; 33-5.        [ Links ]

27. Babor TF, Grant M. From clinical research to secondary prevention: International collaboration in the development of the alcohol use disorders identification test (AUDIT). Alcohol Health and Research World 1989; 13: 371-4.        [ Links ]

28. Figlie NB, Pillon SC, Laranjeira RR, Dunn J. O AUDIT identifica a necessidade de interconsulta específica para dependentes de álcool no Hospital Geral? J Bras Psiquiatr 1997; 46: 589-93.        [ Links ]

29. Frasure-Smith N, Lespérance F, Masson A, Juneau M, Talajic M, Bourasa M. Gender, depression and one-year prognosis after myocardial infarction. Psychosom Med 1999; 61: 26-37.        [ Links ]

30. Carney RM, Fredland Ke, Smith L, Lustman PJ, Jaffe AS. Relation of depression and mortality after myocardial infarction in women. Circulation 1991; 84: 1876-7.        [ Links ]

31. Vaccarino V, Krumholz HM, Berkman LF, Howitz RI. Sex differences in mortality after myocardial infarction. Is there evidence for an increased risk for women? Circulation 1995; 91: 1861-71.        [ Links ]

32. Aldrighi JM, Lima SMRR, Fráguas Jr R. Menopausa e Climatério. In: Fráguas Jr R, Figueiró JAB. Depressões em Medicina Interna e em outras Condições Médicas Depressões Secundárias. São Paulo: Ed. Atheneu, 2000.        [ Links ]

33. Lima MS. Epidemiologia e impacto social. J Bras Psiquiatr 1999; 21: 1-5.        [ Links ]

34. Ramos MS. Um olhar sobre o masculino: reflexões sobre os papéis e representações sociais do homem na atualidade. In: Goldemberg M (org). Os Novos Desejos. Rio de Janeiro: Ed Record, 2000.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Glória Heloise Perez
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 44
054030-900 - São Paulo, SP
E-mail: psigloria@incor.usp.br

Recebido em 03/11/04
Aceito em 13/04/05

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License