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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. v.86 n.3 São Paulo set. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2006001600022 

ATUALIZAÇÃO

 

Tratamento atual da insuficiência cardíaca descompensada

 

 

Fábio Vilas-Boas, MD, PhDI; Ferenc Follath, MD, FESCII

IHospital Espanhol – Serviço de Cardiologia
IIHospital Universitário de Zürich – Grupo Diretivo de Tratamento Farmacológico Salvador, BA, Brasil - Zürich, Suíça

Correspondência

 

 


RESUMO

O tratamento de ICD representa um desafio até mesmo para o médico experiente. Os avanços alcançados nas pesquisas propiciaram novas opções de tratamento que estão ajudando a mudar paradigmas. As evidências indicam que novos fármacos como a levosimendana e nesiritida representarão importantes alternativas ou complementos ao tratamento com medicamentos inotrópicos tradicionais, como a dobutamina. O médico responsável pelo tratamento desses pacientes deve aprender a usar as melhores evidências disponíveis para individualizar o tratamento com segurança e eficácia.

Palavras-chave: Insuficiência cardíaca, aguda, descompensada, tratamento.


 

 

A insuficiência cardíaca descompensada (ICD) é uma das principais causas de internações hospitalares em todo o mundo, sendo responsável por grande parte dos gastos com saúde pública1. Dados epidemiológicos indicam que a incidência de insuficiência cardíaca (IC) está aumentando progressivamente, sobretudo em idosos.

ICD é uma síndrome clínica que requer mais investimentos em recursos físicos e humanos. Além disso, as novas opções de tratamento devem ter como objetivo melhorar a qualidade de vida, reduzir o tempo de internação e aumentar a sobrevida dos pacientes.

Até recentemente, havia poucos estudos sobre ICD, e essa síndrome clínica não estava claramente caracterizada. Um dos primeiros documentos a enfocar essa entidade foi a I Diretriz Latino-Americana para Insuficiência Cardíaca Descompensada3. Neste documento, ICD é definida como uma síndrome clínica na qual anomalias cardíacas estruturais ou funcionais fazem com que o coração seja incapaz de ejetar e/ou acomodar o sangue dentro de valores pressóricos fisiológicos, causando, assim, limitação funcional e exigindo intervenção terapêutica imediata. Essa definição ampla abrange três pontos principais: uma explicação fisiopatológica, um quadro clínico de apresentação e a necessidade de intervenção terapêutica em caráter de urgência.

A ICD pode ser dividida em três categorias: 1) insuficiência cardíaca aguda (sem diagnóstico prévio): corresponde ao quadro em que a síndrome clínica de insuficiência cardíaca ocorre em portadores de IC sem sinais e sintomas prévios de IC. 2) Insuficiência cardíaca crônica agudizada (exacerbação aguda de um quadro crônico): corresponde ao quadro clínico em que ocorre exacerbação aguda ou gradual dos sinais e sintomas de IC, em repouso, em pacientes com diagnóstico prévio de IC, exigindo terapia adicional imediata. 3) Insuficiência cardíaca crônica refratária (baixo débito cardíaco crônico e/ou vários graus de congestão): corresponde ao quadro clínico em que pacientes com diagnóstico prévio de IC apresentam baixo débito cardíaco e/ou congestão sistêmica e/ou limitação funcional persistente refratária ao melhor tratamento medicamentoso possível.

Duas importantes apresentações clínicas também precisam ser definidas, uma vez que merecem atenção especial: 1) edema agudo de pulmão: caracterizado por rápido aumento da pressão capilar pulmonar, levando a um aumento de líquido nos espaços intersticiais e alveolares dos pulmões, causando dispnéia intensa e repentina em repouso. 2) Choque cardiogênico: caracterizado por grave hipotensão arterial (pressão sistólica < 90 mmHg ou 30% abaixo dos níveis basais) durante pelo menos 30 minutos, com sinais de hipoperfusão tecidual e disfunção orgânica (taquicardia, palidez, extremidades frias, confusão mental, oligúria e acidose metabólica) de fundo cardíaco.

Muitos estudos internacionais tentaram identificar os fatores associados a internações hospitalares por ICD. Em aproximadamente 30% dos casos, entretanto, não é possível identificar as razões das descompensações4. As causas mais comuns de descompensação estão relacionadas na tabela 1.

 

 

O primeiro passo na abordagem de um episódio de descompensação consiste em decidir se o paciente precisa ser internado ou se pode ser tratado no pronto-socorro. Os principais motivos para internação de insuficiência cardíaca aguda descompensada (ICAD) se enquadram em três categorias: 1) hospitalização imediata, quando há risco de vida iminente; 2) hospitalização em caráter de urgência: quando não há risco de vida iminente, mas esse risco pode surgir se não forem realizadas intervenções urgentes; 3) opcional: a necessidade de internação depende da interação das variáveis clínicas e laboratoriais, bem como do prognóstico do paciente:

Os critérios para internação hospitalar estão relacionados na Tabela 2.

 

 

TRATAMENTO

O tratamento de IC crônica está bem estabelecido em diretrizes nacionais e internacionais, com base em evidências provenientes de diversos estudos clínicos randomizados5-7. No caso de ICD, existem pouquíssimos dados de ensaios clínicos. Recentemente, diretrizes internacionais foram publicadas, esclarecendo alguns pontos nessa área3,8.

O principal objetivo do tratamento da insuficiência cardíaca descompensada deve ser promover uma rápida melhora dos sintomas, sem agravar a função renal. No paciente com descompensação aguda, não há razão para limitar as intervenções àquelas que possam ter um efeito positivo sobre a mortalidade no médio ou longo prazo. Em contrapartida, mortalidade e segurança a curto prazo constituem questões importantes na ICD. Portanto, qualquer intervenção nova deve melhorar os sintomas e ser no mínimo neutra com relação ao prognóstico, comparada com as opções de tratamento existentes atualmente9.

 

OBJETIVOS DO TRATAMENTO

O tratamento da ICD deve ser voltado para três importantes objetivos:

1) Oxigenação dos tecidos

O primeiro objetivo é melhorar a oxigenação tecidual. Todos os pacientes devem receber oxigênio, para atingir saturação de oxigênio superior a 95%. O papel da pressão positiva contínua das vias aéreas (CPAP) e de outras formas de ventilação não-invasiva está consagrado no tratamento de edema pulmonar10, e devem ser instituídas em todos os pacientes que não respondem à oxigenação com máscara. Entubação endotraqueal e ventilação mecânica não devem ser postergadas até que o paciente se torne resistente ao tratamento, pois algumas vezes pode ser tarde demais.

2) Estabilização hemodinâmica

O segundo objetivo consiste em melhorar a hemodinâmica e a perfusão tecidual. Em muitos pacientes com episódios graves de ICD, é difícil identificar clinicamente a presença de hipoperfusão tecidual. Baixo débito cardíaco não-identificadado pode causar lesão de órgão-alvo e agravar o quadro de insuficiência cardíaca, piorando o prognóstico. Em particular, a administração concomitante de diuréticos em um paciente com baixo débito cardíaco pode diminuir ainda mais o débito efetivo, levando a uma espiral de deterioração progressiva. A estabilização hemodinâmica pode ser obtida por meio da administração intravenosa de vasodilatadores, agentes inotrópicos ou ambos. Alguns pacientes precisarão de assistência hemodinâmica com dispositivos de suporte circulatório11.

3) Alívio da congestão

O terceiro objetivo é reduzir a sobrecarga hídrica por meio de diuréticos e agentes inotrópicos intravenosos, para aumentar a perfusão renal.

 

MEDIDAS TERAPÊUTICAS GERAIS

Existem vários tipos de intervenção que devem ser iniciadas em pacientes com ICD (Tabela 3):

Dieta

Todos os pacientes devem fazer uso de dieta hipossódica. No caso de pacientes com resistência a diuréticos, a ingestão de água deve ser restringida ao mínimo tolerado (geralmente 800 a 1.000 ml por dia).

Exercício

Para o paciente com descompensação aguda, o exercício deve ser restrito a fisioterapia. Após estabilização inicial, a atividade física pode ser aumentada progressivamente, permitindo-se que o paciente vá ao banheiro e caminhe pelo quarto. Após a alta hospitalar, deve ser instituído um programa de reabilitação12.

Inibidores da ECA

Todos os pacientes com disfunção sistólica devem receber inibidores da ECA, e a dose alvo deve ser a empregada nos ensaios clínicos13,14. Durante episódios de descompensação aguda, a administração de inibidores da ECA não deve ser suspensa, mas a dose inicial deve ser ajustada de acordo com a pressão arterial, função renal e níveis de potássio15. Uma vez que esses parâmetros estejam estabilizados, a dose deve ser aumentada novamente para o máximo tolerado16. É importante salientar que alguns pacientes podem não tolerar inibidores da ECA (hipotensão e disfunção renal) se tiverem sido submetidos a uma diurese excessiva.

Bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA)

Os bloqueadores dos receptores da angiotensina são reservados para pacientes intolerantes aos IECAs. Entretanto, em pacientes descompensados, refratários à terapia convencional, mas que ainda mantêm pressão arterial adequada, a associação rigorosamente monitorada de BRA e inibidor da ECA pode melhorar os sintomas e diminuir o número de reinternações17,18.

Antagonistas da aldosterona

Espironolactona ou eplerenona devem fazer parte do tratamento de todos os pacientes com IC avançada, a menos que haja contra-indicação19,20. Durante episódios de descompensação, esses fármacos podem ajudar a aumentar a diurese e reduzir o risco de hipocalemia induzida pela furosemida.

Betabloqueadores

Existem fortes evidências favorecendo o uso de betabloqueadores (BB) em todos os estágios da IC21-23. É cada vez mais comum portadores de IC grave, em tratamento com BB, serem atendidos no pronto-socorro com ICD. Os BBs aprovados para IC sistólica são carvedilol, succinato de metoprolol e bisoprolol. Não devem ser usados outros agentes para esse quadro24.

A questão de se a administração de BB deve ou não ser suspensa durante um episódio de descompensação é objeto de intensa discussão. Análises retrospectivas de ensaios clínicos randomizados indicam que a suspensão ou redução da dose de BB enquanto o paciente está descompensado pode estar associada com maior mortalidade25. Portanto, deve-se envidar todos os esforços no sentido de manter a dose de BB que o paciente estava recebendo ou de reduzir a dose caso seja constatada hipotensão. Em caso de choque cardiogênico ou de pacientes com grave quadro hipotensivo, a administração de BB deve ser suspensa. É preciso lembrar também que muitos pacientes que precisam de medicamento inotrópico estão em tratamento crônico com BB, e não responderão adequadamente aos agonistas b-adrenérgicos26,27.

Digoxina

O papel da digoxina em pacientes com ICD é objeto de controvérsia. É provável que esse medicamento não tenha vez no tratamento agudo, exceto para fibrilação atrial com alta resposta. Após a estabilização clínica, a digoxina pode ser reiniciada, contanto que os níveis séricos estejam normais e os pacientes continuem sintomáticos mesmo com tratamento de IECA, betabloqueadores e diuréticos28.

 

TRATAMENTO INTRAVENOSO

A maior parte dos fármacos tradicionalmentes utilizados no tratamento intravenoso de ICD foi aprovada com base em seus efeitos hemodinâmicos. Até recentemente, não havia estudos clínicos randomizados com desfechos sólidos (como melhora sintomática, mortalidade, tempo de internação e reinternações) para guiar o tratamento de forma eficaz.

As opções terapêuticas são semelhantes na maior parte do mundo, com exceção de alguns fármacos mais novos. A levosimendana, um agente sensibilizante ao cálcio, é vendida em muitos países da Europa, América Latina e Ásia. O uso de milrinona na América Latina não é tão comum como nos Estados Unidos e em outras partes do mundo. O peptídeo natriurético sintético nesiritida é disponível nos Estados Unidos e alguns países da América Latina. Além disso, a questão do preço dos medicamentos mais novos pode constituir uma grande limitação ao seu uso pelo sistema de saúde de países em desenvolvimento.

Diuréticos

Todos os pacientes com indícios de sobrecarga hídrica devem receber diuréticos intravenosos. É preciso estabelecer a dose mínima eficaz para cada paciente. Como a maior parte dos pacientes com IC faz uso crônico de diuréticos orais, espera-se encontrar níveis crescentes de resistência diurética. Nesses casos, a dose deve ser aumentada para permitir um fluxo urinário contínuo e eficaz. Uma forma fácil de iniciar a administração de diuréticos intravenosos consiste em aplicar um "bolus" de metade da dose diária que o paciente estava recebendo nos dias anteriores à internação. A escolha entre infusão contínua ou intermitente deve basear-se na gravidade da congestão e na disponibilidade dos recursos hospitalares29. Um paciente com congestão branda pode ser adequadamente tratado com injeções IV intermitentes, ao passo que um paciente com sobrecarga hídrica significativa deve receber infusão contínua. A combinação de diuréticos com diferentes mecanismos e locais de ação deve ser levada em consideração quando o paciente demonstra menor resposta a um único agente diurético (resistência diurética)30. É preciso reconhecer que, embora os diuréticos melhorem os sintomas e o quadro de congestão, o seu uso pode levar a agravamento da função renal e a distúrbios eletrolíticos potencialmente fatais31,32. A dose deve ser reduzida assim que desaparecem os sinais de hipervolemia.

Vasodilatadores intravenosos

Terapias com medicamentos vasodilatadores não são muito comuns na prática cotidiana, embora haja uma clara base fisiológica para o seu uso33,34. No entanto, existem algumas limitações a esse tipo de terapia:

a) geralmente o paciente precisa ser internado na UTI para monitoramento da pressão arterial;

b) muitas vezes é necessário usar cateter de artéria pulmonar (CAP) para ajustar a terapia aos parâmetros hemodinâmicos de pacientes gravemente enfermos;

c) a utilização de recursos hospitalares, inclusive custos da UTI, é maior com essa abordagem.

Dados retrospectivos indicam que a inserção de CAP está associada com maior taxa de mortalidade; por esse motivo, determinou-se a suspensão temporária desse procedimento35. O papel do CAP no tratamento de ICD foi esclarecido recentemente em um estudo clínico randomizado. Comparado com o tratamento convencional, baseado em exame físico e alguns critérios não-invasivos, o tratamento guiado por CAP não mostrou qualquer benefício36.

Nitroglicerina

A nitroglicerina é um vasodilatador arterial e venoso que atua aumentando a concentração de GMPc. É útil no tratamento de ICD de etiologia isquêmica, como pacientes pós-infartados37. A dose inicial é de 0,5 µg/Kg/min-1 e pode ser ajustada de acordo com os sintomas e a pressão arterial. A nitroglicerina não deve ser usada em pacientes hipotensos ou com infarto do ventrículo direito38. Não há dados sobre a sua eficácia em desfechos sólidos.

Nitroprussiato de sódio

O nitroprussiato de sódio é um vasodilatador mais potente que a nitroglicerina. Os dados sobre a sua segurança e eficácia no tratamento de ICD baseiam-se apenas em desfechos substitutos e praticamente não existem dados sobre melhora da taxa de mortalidade e dos sintomas. É útil em pacientes com hipertensão sistêmica ou pulmonar, insuficiência mitral ou aórtica aguda e, naqueles com evidências objetivas de resistência vascular sistêmica. Deve ser usado com cautela em pacientes com insuficiência renal em virtude do risco de intoxicação por cianeto. A dose inicial é de 0,2 µg/Kg/min-1 e deve ser ajustada a cada cinco minutos39.

Nesiritida

A forma sintética do peptídeo natriurético endógeno tipo B tem sido usada nos Estados Unidos nos últimos cinco anos e, recentemente, passou a ser disponibilizada em alguns países da América Latina e Europa. Diversos estudos clínicos de pequeno porte com desfechos substitutos indicam que a nesiritida é provavelmente segura e eficaz em relação a vários parâmetros importantes do tratamento de ICD40-42. No entanto, esse fármaco nunca foi testado em um grande estudo clínico randomizado voltado para desfechos sólidos. Em um pequeno estudo randomizado, a nesiritida foi superior ao placebo em relação à melhora sintomática em três horas, porém semelhante à nitroglicerina; a pressão capilar pulmonar diminuiu mais significativamente com nesiritida do que com nitroglicerina, à custa de hipotensão mais prolongada43. Há pouco tempo surgiram dúvidas quanto à sua segurança. Dados retrospectivos indicam possíveis efeitos adversos da nesiritida sobre a função renal e a mortalidade44,45. Anunciou-se recentemente que, em 2007, será iniciado um estudo clínico randomizado e controlado sobre mortalidade com esse fármaco46. A nesiritida é um agente novo promissor, mas o seu perfil de segurança precisa ser mais bem demonstrado antes do seu emprego ser disseminado amplamente.

 

VASOPRESSORES

Os fármacos vasoativos mais encontrados na maior parte do mundo são a dopamina e norepinefrina. São indicados para portadores de ICD com hipotensão sintomática com ou sem choque refratário à correção volêmica. Nesse caso, o tratamento inicial pode consistir de dopamina ou norepinefrina, dependendo da gravidade da hipotensão.

a) Dopamina

A dopamina pode ser empregada em doses de 2 a 20 µg/kg.min-1, mas suas ações a-adrenérgicas são mais pronunciadas acima de >10 µg/kg.min-1 47. Ela também tem efeitos b-adrenérgicos, que ocorrem à custa de um aumento no influxo de cálcio para o citoplasma. A dopamina está associada a aumento da freqüência cardíaca, do consumo de oxigênio pelo miocárdio, de isquemia miocárdica e de arritmias ventriculares48. Existem controvérsias em relação aos seus efeitos vasodilatadores renais, que justificariam o uso de baixas doses de dopamina em portadores de ICD com disfunção renal. As evidências indicam que esse efeito não existe e, conseqüentemente, essa prática deve ser abandonada49.

b) Norepinefrina

A norepinefrina tem alta afinidade pelos receptores a-adrenérgicos e afinidade moderada pelos receptores b7?-adrenérgicos, causando maior vasoconstrição, aumento da freqüência cardíaca, maior inotropismo e maior captação de oxigênio miocárdico. A vasoconstrição induzida pela norepinefrina pode acarretar redução na perfusão tecidual periférica ou até mesmo déficits microcirculatórios. Existem evidências de que as catecolaminas podem induzir uma resposta inflamatória sistêmica. Em vista desses efeitos potencialmente negativos, a norepinefrina só deve ser usada no tratamento de choque cardiogênico refratário a outras medidas de suporte circulatório, inclusive restauração da volemia e uso de medicamentros inotrópicos50. Na ICD, deve ser associada com outros agentes inotrópicos.

 

AGENTES INOTRÓPICOS

Para pacientes com síndromes de baixo débito cardíaco, os agentes inotrópicos são os mais usados51. Muitos portadores de ICD podem sofrer de baixo débito cardíaco, com hipoperfusão tecidual não-detectada52. Esse quadro é mais comum em pacientes com ICD crônica do que com ICD aguda e talvez seja resultado de uma adaptação crônica ao baixo débito com ativação de mecanismos compensatórios que dificultam a identificação. As conseqüências desse estado de baixo débito "adaptado" costumam ser devastadoras para o organismo, inclusive com piora da função renal e hepática e aumento da ativação pró-inflamatória devido à hipoperfusão mesentérica e periférica.

A maior parte dos agentes inotrópicos aumenta os níveis intracelulares de cálcio53. Por esse motivo, geralmente são associados a efeitos colaterais significativos, como maior consumo de oxigênio miocárdico, arritmias e maior mortalidade a longo prazo54,55. A disponibilidade de novos agentes inotrópicos exige uma reconsideração do seu papel no tratamento de ICD56.

Dobutamina

Embora muitos dados apontem para a existência de possíveis efeitos adversos sobre a mortalidade, a dobutamina ainda é o agente inotrópico mais usado. Algumas das possíveis razões para o uso disseminado de um agente com perfil de segurança questionável são: 1) Eficácia hemodinâmica com aumento do débito cardíaco dose-dependente, embora não existam dados que correlacionem melhora hemodinâmica e desfechos sólidos (mortalidade, reinternações hospitalares)57; 2) Os médicos ficam tentados a adotar uma estratégia que garante uma rápida obtenção de "parâmetros hemodinâmicos ideais", sem levar em consideração o fato de que essa estratégia não está associada com melhora de nenhum tipo de desfecho sólido, clinicalmente relevante58; 3) Uma posologia cômoda, com doses facilmente ajustáveis que não causam hipotensão, passa uma sensação de segurança ao médico e à equipe de enfermagem. Todos esses aspectos não parecem suficientes para justificar o uso disseminado de uma estratégia que só traz benefícios a curtíssimo prazo, mas com possíveis efeitos adversos a longo prazo59,60. Como mencionado anteriormente, a administração de dobutamina a pacientes em tratamento com BB representa uma opção equivocada26,27.

Por essa razão, acreditamos que a dobutamina deva ser reservada ao tratamento de ICD com hipotensão ou a pacientes com choque cardiogênico. Esse fármaco freqüentemente precisa ser associado a um agente vasoativo (dopamina ou norepinefrina). Assim que o paciente estiver estabilizado, a dose de dobutamina deverá ser reduzida lentamente. A dose inicial é de 5 µ7g/kg.min-1, podendo ser aumentada para 20 µg/kg.min-1. Os principais efeitos colaterais da dobutamina são taquicardia, arritmias ventriculares e atriais e isquemia miocárdica.

Milrinona

A milrinona é um inibidor da fosfodiesterase com propriedades inotrópicas e vasodilatadoras (inodilatador). Esse fármaco nunca foi muito popular na América Latina, possivelmente em razão do preço e de dados recentes que indicam possíveis efeitos adversos sobre a mortalidade61,62. A milrinona parece útil em portadores de ICD com hipertensão pulmonar e pacientes previamente tratados com betabloqueadores63. Em virtude de seus efeitos vasodilatadores, não deve ser usada em pacientes hipotensos. As doses usuais oscilam entre 12,5 e 25 µ7g/kg.min-1, com ou sem doses em bolus.

Levosimendana

A levosimendana é um novo agente que exerce efeito inotrópico ao aumentar a sensibilidade da troponina C ao cálcio64. Esse fármaco tem também propriedades vasodilatadoras, devido à ativação dos canais de potássio dependentes do ATP na parede arterial. Seus mecanismos de ação podem melhorar as condições clínicas e hemodinâmicas a custos metabólicos e celulares modestos65,66. A levosimendana aumenta a contratilidade miocárdica a um nível comparável ao de outros agonistas b-adrenérgicos e inibidores da fosfodiesterase, e seus efeitos duradouros podem trazer algumas vantagens no tratamento inicial após a hospitalização67.

Estudos clínicos randomizados indicaram que a levosimendana é segura e eficaz em diversas etiologias de ICD, principalmente em pacientes que já tomam betabloqueadores68-70. Seus principais efeitos colaterais estão relacionados aos seus efeitos vasodilatadoes, particularmente hipotensão. É interessante observar, entretanto, que em muitos estudos publicados, a incidência de hipotensão foi comparável à da dobutamina68.

Dois grandes estudos clínicos randomizados realizados com a levosimendana para tratamento de ICD foram apresentados recentemente e merecem considerações especiais. O estudo REVIVE71 comparou levosimendana com placebo em pacientes considerados refratários ao tratamento inicial com diuréticos intravenosos. A porcentagem de pacientes que atingiram o desfecho primário de melhora sintomática durante a internação foi 33% maior no grupo de levosimendana do que no grupo de placebo. De forma semelhante, uma porcentagem 29% inferior de pacientes piorou no mesmo período. Os níveis de peptídeo natriurético tipo B diminuíram significativamente mais no grupo levosimendana e o tempo de internação hospitalar desses pacientes foi quase duas vezes mais curto. Em contrapartida, episódios de hipotensão, bem como de arritmias ventriculares e atriais foram mais freqüentes no grupo levosimendana. Observou-se uma tendência para maior número de mortes, porém sem significância estatística. Esses dados devem ser analisados levando-se em consideração o bolus inicial e as altas doses de manutenção empregadas nesse estudo, diferentemente do que ocorre na prática clínica. Além disso, a levosimendana foi usada junto com outros vasodilatadores e inibidores da fosfodiesterase após intensa diurese, o que pode ter feito com que a hipovolemia e vasodilatação maciça passassem despercebidas. O outro estudo, o SURVIVE72, comparou a levosimendana com dobutamina em pacientes considerados candidatos a suporte inotrópico. O desfecho primário de mortalidade em 180 dias não foi alcançado, mas houve uma tendência para menor taxa de mortalidade hospitalar. Reiterando, é preciso levar em consideração a baixa dose de dobutamina empregada nesse estudo (6 µ7g/kg.min-1) e a alta dose de manutenção da levosimendana (0,2 µ7g/kg.min-1), o que contrasta com as doses de levosimendana empregadas em países com experiência diária com esse fármaco. Nos dois estudos, não foi efetuado monitoramento hemodinâmico, apesar da inclusão de pacientes gravemente enfermos, o que não reflete a prática clínica no "mundo real", onde o composto foi aprovado e tem sido usado clinicamente.

As evidências acumuladas sobre a levosimendana indicam que sua dose de manutenção deve ser reduzida para 0,1 µ7g/kg.min-1 e que deve ser evitada em pacientes hipotensos. A dose de ataque também deve ser reduzida para 6 a 12 µ7g/kg, infundida durante 10 minutos, restringida a pacientes com pressão sistólica acima de 110 mmHg e que precisam apresentar uma resposta imediata. É necessário que sejam realizados outros estudos para validar essa prática.

 

COMBINAÇÃO DE AGENTES

A eficácia e segurança de todos os agentes comercializados dependem da dose, ou seja, doses maiores produzem melhoras mais acentuadas no débito cardíaco, mas podem causar mais arritmias e outros efeitos colaterais. A combinação de diferentes agentes inotrópicos pode potencializar os efeitos hemodinâmicos benéficos, mas causa também toxicidade sinérgica. Isso se aplica particularmente à associação de dobutamina e milrinona, agentes que aumentam a concentração de cálcio intracelular. A associação de dobutamina e levosimendana, porém, parece mais atraente, pois permite a redução das doses de dobutamina73.

 

COMO ESCOLHER UM TRATAMENTO INTRAVENOSO COM BASE EM PARÂMETROS CLÍNICOS E HEMODINÂMICOS

O fluxograma apresentado na figura 1 permite uma racionalização do tratamento de ICD com base em parâmetros clínicos e hemodinâmicos.

 

 

Pacientes que se apresentam com extremidades quentes e congestão pulmonar ou sistêmica, mas sem hipotensão, são tratados inicialmente com diuréticos intravenosos e otimização da terapia oral. O uso de vasodilatadores intravenosos ou levosimendana é opcional. Se a resposta ao tratamento inicial for considerada insuficiente após um período de 24 a 48 horas (piora da função renal, congestão persistente e dispnéia), a levosimendana, se estiver disponível e ainda não tiver sido usada, deve ser a opção seguinte.

Em pacientes com extremidades frias, com ou sem hipotensão, primeiro é preciso verificar a condição volêmica. Se a presença de congestão não for óbvia, deve-se verificar a existência de hipovolemia e a necessidade de reposição volêmica. No caso de pacientes com congestão sistêmica ou pulmonar, sem hipotensão, a melhor opção parece ser a levosimendana ou um vasodilatador intravenoso. Entretanto, se houver hipotensão, a opção inicial deve recair sobre uma combinação de dobutamina com dopamina ou norepinefrina. Após a estabilização inicial, a levosimendana pode ser adicionada para retirada gradual da dobutamina. Em pacientes que já estão recebendo dobutamina, costumamos iniciar a administração de levosimendana com uma dose de 0,05 a 0,1 µg/kg.min-1 e, depois de 6 horas de infusão simultânea, começamos a retirada gradual da dobutamina, de modo que, depois de 24 horas, ela possa ser suspensa. Se ocorrer hipotensão, a velocidade de infusão pode ser reduzida ou então, como preferimos, a dose de dopamina ou norepinefrina pode ser acrescentada ou aumentada.

No caso de pacientes que estão em tratamento oral crônico com betabloqueador e precisam de terapia inotrópica, a opção deve recair sobre a levosimendana ou milrinona (porque seus mecanismos de ação são pós-receptores e, portanto, não são atenuados pelos bloqueadores). Os custos hospitalares da levosimendana são semelhantes aos da dobutamina, apesar de ser um medicamento mais caro, o que indica que o preço do medicamento não deve ser o único fator a pesar na escolha do agente utilizado74,75.

Potencial Conflito de Interesses

- F. Vilas-Boas participa do Conselho Científico Internacional e tem recebido honorários por palestras para a Abbott; participa também de reuniões de Conselho Científico da Janssen-Cilag América Latina;

- F. Follath tem participado do Conselho Científico e recebido honorário para palestras do Laboratório Abbott.

 

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Correspondência:
Fábio Vilas-Boas
Hospital Espanhol – Serviço de Cardiologia
Av. Sete de Setembro, 2152/2002
40080-002 - Salvador – BA
Email: fabiovboas@cardiol.br

Recebido em 07/08/06
Aceito em 30/08/06

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