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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.88 no.1 São Paulo Jan. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000100006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Dieta vegetariana e níveis de colesterol e triglicérides

 

 

Simone Grigoletto De Biase; Sabrina Francine Carrocha Fernandes; Reinaldo José Gianini; João Luiz Garcia Duarte

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Comparar os valores de triglicérides (TG), colesterol total (CT), lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína de alta densidade (HDL) entre indivíduos vegetarianos e onívoros.
MÉTODOS: Foram coletadas amostras sangüíneas de 76 indivíduos, de ambos os sexos, que foram separados em quatro grupos de dieta: onívoro, ovolacto, lacto e vegetariano restrito (ou "vegan"). Foram dosados: CT, LDL, HDL e TG.
RESULTADOS: Para as taxas de CT, LDL e TG, observa-se diferença significante entre as amostras, sendo o maior valor nos onívoros, havendo decréscimo nos vegetarianos, de acordo com o grau de restrição de produtos de origem animal, sendo a menor taxa observada nos "vegans". A média e o desvio padrão do CT foram de 208,09 ± 49,09 mg/dl no grupo de onívoros, e 141,06 ± 30,56 mg/dl no de vegan (p < 0,001). Os valores de LDL foram, para onívoros e "vegans", respectivamente, 123,43 ± 42,67 mg/dl e 69,28 ± 29,53 mg/dl (p < 0,001). Para o TG, esses valores foram 155,68 ± 119,84 mg/dl e 81,67 ± 81,90 mg/dl (p < 0,01). Com relação à taxa de HDL, não houve diferença entre as amostras, mas a proporção HDL/CT foi significantemente maior nos "vegans" (p = 0,01).
CONCLUSÃO: A dieta vegetariana associou-se a menores valores de TG, CT e LDL em comparação com a dieta onívora.

Palavras-chave: Dieta vegetariana, colesterol, triglicérides.


 

 

A literatura existente afirma ocorrer associação entre os altos níveis de colesterol sérico e a incidência de doenças arteriais, especialmente a aterosclerose, que pode levar, dentre outros problemas, ao infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais1-6. Evidências recentes sugerem que o aumento do colesterol está também implicado como fator de risco para o mal de Alzheimer7,8.

O colesterol é transportado no sangue por meio de lipoproteínas. Entre elas estão: a lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL), a lipoproteína de baixa densidade (LDL), e a lipoproteína de alta densidade (HDL). Diferentemente da VLDL e LDL, a HDL não possui a apolipoproteína B-100, que é reconhecida pelos tecidos, tendo, portanto, comportamento e função totalmente diferentes dessas outras. Ela é responsável pelo transporte reverso, que leva principalmente o colesterol dos tecidos para o fígado3, e, dessa forma, ajuda a proteger o indivíduo contra o desenvolvimento da aterosclerose. Assim, se a pessoa apresenta uma relação elevada entre lipoproteínas de alta densidade e de baixa densidade, a probabilidade de desenvolver aterosclerose fica consideravelmente diminuída4. Segundo o estudo Vahit9 (Veterans Affairs High Density Lipoprotein Cholesterol Intervention Trial), uma redução de 1 mg/dl no HDL resulta em aumento de 3%-4% na incidência de doença arterial coronariana. Níveis elevados de triglicérides também têm sido associados à maior incidência de doenças coronarianas por aterosclerose3.

Cliffton e Nestel10 sugerem que o tipo de dieta teria pouca influência nos níveis de colesterol sérico; eles seriam determinados, quase que exclusivamente, pela atividade metabólica, a qual seria expressão da carga genética, e pela idade e sexo do indivíduo. Há, no entanto, evidências de que o consumo moderado de álcool provoca um aumento na fração HDL e estimula o transporte reverso de lípides11,12.

Pesquisas mostram também que determinadas dietas, como a Mediterrânea, colaboram para um melhor perfil colesterolêmico13. Da mesma forma, outros estudos concluíram que indivíduos com dieta vegetariana têm menores níveis de lipídios sangüíneos, principalmente LDL e triglicérides, em relação aos que comem carne14-18, 19, 20-22.

No Brasil, os estudos sobre o perfil lipídico em pessoas vegetarianas ainda são escassos. Temos conhecimento de três estudos: o trabalho de Mancilha-Carvalho e Crews14, que avalia os lipídios sangüíneos em índios yanomamis; o estudo de Navarro e cols.15, que estuda pressão sangüínea, perfil lipídico e outros parâmetros bioquímicos entre peruanos vegetarianos, semivegetarianos e onívoros; e a tese de doutorado de Navarro16, que compara achados eletroencefalográficos, pressão arterial, índice de massa corpórea (IMC) e perfil lipídico, dentre outras variáveis, em indivíduos adventistas do sétimo dia de São Paulo.

Há três tipos de dieta vegetariana: a pura, ou restrita, ou total, que não utiliza nenhum produto de origem animal como alimento (esse tipo é também denominado de vegan); a lactovegetariana, que tem como produtos de origem animal somente o leite e seus derivados; e a ovolacto, que permite também a ingestão de ovos23.

O presente estudo tem como objetivo verificar a relação entre os valores de triglicérides (TG), colesterol total (CT) e suas frações (LDL e HDL), em indivíduos vegetarianos, comparando-os aos onívoros.

 

Métodos

Foi realizado um estudo transversal. Participaram 76 indivíduos, todos voluntários, sendo a maior parte deles residente na região da pesquisa. Desses, 22 eram onívoros e 54 vegetarianos que foram subdivididos em três grupos, sendo dezenove ovolactos, dezessete lactos e dezoito vegetarianos restritos. O recrutamento de indivíduos vegetarianos foi feito em restaurantes vegetarianos, igrejas adventistas do sétimo dia, seitas de religiosos Hare-Khrisna e centros espíritas, além de ter sido divulgada chamada por meio do Centro de Imprensa da Universidade, em rádios, TV e jornais, solicitando que possíveis participantes entrassem em contato.

Todos os participantes receberam previamente uma carta de esclarecimento com explicações acerca dos procedimentos, riscos e benefícios dessa pesquisa e assinaram termo de consentimento, tendo o estudo sido iniciado após a sua aprovação pelo Comitê de Ética da Instituição.

Foi aplicado um questionário sobre dados pessoais: nome, sexo, idade, tipo de dieta, prática de atividade física, ingestão de álcool, tabagismo, peso e altura, e uso de estatinas, a todas as pessoas. Em seguida, foi realizada a coleta sangüínea, após confirmação de jejum pelo período mínimo de doze horas, a qual foi feita seguindo os procedimentos padrões de obtenção de amostra de sangue.

As análises das amostras foram feitas no Laboratório Central do Conjunto Hospitalar (CHS) com o qual a Universidade mantém convênio. O equipamento utilizado para a dosagem dos TG, CT e HDL foi o Dade Behring-Dimension AR e o reagente do Kit Flex Cartriabe da Dade Behring-Dimension® IVD (2 ºC a 5 ºC).

As medidas da concentração de CT, TG e HDL foram obtidas por meio de método bioquímico enzimático; as concentrações de LDL foram calculadas a partir desses valores, utilizando-se a Fórmula de Friedwald.

Com relação à análise estatística, para decidir sobre o emprego de ANOVA foram utilizados dois critérios: dados com distribuição NORMAL e variâncias entre as amostras homogêneas. Caso não preenchessem esses dois critérios, era utilizado o Kruskal-Wallis. O teste exato de Fischer foi usado na análise de tabagismo porque a tabela de contingência tinha célula com valor esperado menor que 5, o que contra-indica a utilização do c2.

Na análise multivariada, o procedimento foi o seguinte: eram colocados no modelo inicial a variável desfecho (lipídio), a variável dieta e todos os fatores investigados, mostrados na tabela 1. Retiravam-se dos modelos subseqüentes os fatores com p > 0,05, um por vez, e seguindo a ordem decrescente de p (nível de significância). No modelo final, portanto, ficavam retidos o desfecho em estudo, a variável dieta e os fatores com p < 0,05. Assim, os resultados encontrados para a regressão lipídios e dieta independem dos outros fatores.

 

 

Resultados

Na tabela 1 encontram-se os dados sobre as características das amostras segundo os fatores investigados. Observa-se que as amostras são semelhantes quanto a sexo, idade, prática de atividade física e IMC. Entretanto, existem diferenças significantes no consumo de álcool (p < 0,001) com maior proporção entre os onívoros (4 em 22) que entre os vegetarianos (9 em 54, sendo seis nos lactovegetarianos, três nos ovolactos e nenhum nos restritos) O mesmo ocorre com o uso de tabaco, mas apenas cinco indivíduos referiram esse uso, sendo quatro do grupo de onívoros e um do de lactovegetariano. Não houve referência ao uso de estatina em nenhum grupo.

Na tabela 2 descrevem-se os níveis séricos dos lipídios das amostras segundo a dieta. Para as taxas de CT, LDL e TG, observam-se diferenças significantes entre as amostras, sendo o maior valor nos onívoros e decréscimo de acordo com o grau de restrição de produtos de origem animal, com menor taxa observada nos vegans. A média e o desvio padrão do CT foram de 208,09 ± 49,09 mg/dl no grupo de onívoros e 141,06 ± 30,56 mg/dl no de vegan (p < 0,001). Os valores de LDL foram, para onívoros e vegans, respectivamente, 123,43 ± 42,67 mg/dl e 69,28 ± 29,53 mg/dl (p < 0,001). Para o TG, esses valores foram 155,68 ± 119,84 mg/dl e 81,67 ± 81,90 mg/dl (p < 0,01).

 

 

Com relação ao de HDL, observa-se que não há diferença significante entre as amostras, mas a proporção HDL/CT foi significantemente maior nos vegans (p = 0,01).

Na tabela 3 são apresentados os resultados da análise de regressão entre níveis séricos de lipídios, fatores associados e tipo de dieta. Observa-se, mesmo após o ajuste por diferentes variáveis de confusão (indicados em cada modelo), que os três grupos de vegetarianos apresentam taxas significantemente menor de CT, LDL e TG, e que os "vegans", além disso, apresentam proporção significantemente maior de HDL/CT. Assim, as variáveis consumo de álcool, atividade física e IMC não foram incluídas, pois não mostraram associação estatisticamente significante com os valores nas tabelas 1 e 2.

 

 

Discussão

A literatura indica que a dieta vegetariana parece ter papel protetor vascular. Os resultados por nós obtidos foram semelhantes aos de vários estudos, que, no entanto, não fizeram a subdivisão por grupo de vegetarianos.

Melby e cols.17, em estudo com americanos de descendência africana, pesquisaram o perfil lipídico de 66 vegetarianos, 56 semivegetarianos e 45 onívoros, e constataram que os vegetarianos apresentaram os menores valores para CT, LDL e TG. Navarro e cols.15, em estudo com indivíduos peruanos, encontraram menor concentração sérica de CT e LDL entre os vegetarianos. O mesmo autor, em sua tese de doutorado16, realizada com pessoas adventistas de São Paulo, novamente verificou que os indivíduos vegetarianos possuíram menores níveis de CT e LDL.

Já Harman e Parnell18, estudando pessoas adventistas do sétimo dia na Nova Zelândia, não encontraram diferença entre o perfil lipídico de vegetarianos e onívoros, mas os níveis lipídicos para os dois grupos mostraram-se menores do que os observados para a população geral daquele país. Para os autores, a influência do estilo de vida conseqüente à religião, com menores níveis de estresse, ausência de consumo de álcool e cafeína, bem como a proibição ao tabagismo, poderia explicar os níveis lipídicos baixos obtidos nesses grupos.

West e Haies21, estudando 233 vegetarianos pareados com 233 não-vegetarianos, em relação ao local de residência, sexo, idade, estado civil, peso, altura e ocupação, observaram que o CT foi significantemente menor no primeiro grupo e que, no segundo, o nível de colesterol aumentava à medida que a freqüência do consumo de carne aumentava.

Cooper e cols.22 fizeram um estudo interessante sobre a influência da dieta vegetariana sobre os níveis lipídicos, pois dividiram quinze indivíduos em dois grupos: um com a dieta americana habitual (em que os indivíduos deveriam comer pelo menos um assado e uma porção de carne vermelha por dia e não poderiam ultrapassar a quantidade de um ovo por semana) e outro com dieta vegetariana. Essas pessoas seguiam uma dessas duas dietas por três semanas e depois havia a troca da dieta entre os grupos, que a seguiam por mais três semanas. Detectou-se que durante a ingesta da dieta vegetariana houve diminuição significante do CT e do LDL independentemente do grupo, e que durante o período vegetariano cerca de 30% a menos de calorias eram consumidas. Portanto, a redução do colesterol poderia ter sido conseqüência não da abstenção da carne em si, mas da menor ingestão calórica. Esse estudo, porém, tem bastante importância já que exclui a influência de variáveis genéticas e estilo de vida.

Mancilha-Carvalho e Crews14 fizeram um estudo com índios yanomamis. Esses índios possuem estilo de vida bastante diferente dos indivíduos que vivem no mundo industrializado. Sua dieta é baseada numa agricultura local com raízes, batata doce, cana-de-açúcar, complementada com frutas selvagens e insetos. Os yanomamis não criam animais, e a carne que entra em sua dieta provém da caça, sendo relativamente rara. Possuem pouco acesso a açúcar processado, sal, álcool, leite e derivados e ovos. Nesse estudo, compara-se o perfil lipídico dos índios yanomamis brasileiros com os perfis de homens americanos de estudos como o NHANES (Nathional Health and Nutrition Examination Survey-1976-80) e o LRC (Lipid Research Clinics Population). Quando foram comparados os americanos do estudo NHANES com os índios yanomamis, verificou-se que os índios apresentaram menores taxas séricas de CT em relação aos americanos para ambos os sexos, e quando foram comparados os americanos do estudo LRC com os yanomamis verificou-se que esses apresentaram taxas menores de CT, LDL e HDL para os dois sexos. Um dado interessante é que a coleta sangüínea dos índios yanomamis foi feita sem o conhecimento do tempo decorrido desde a última alimentação até a hora da colheita.

Em nossa amostra, os vegetarianos restritos apresentaram taxas significantemente menores que os onívoros, no que se refere a CT, LDL e TG, e proporção HDL/CT significantemente maior (tab. 2), mesmo após ajuste para idade, sexo e tabagismo (tab. 3). Para os lactovegetarianos e ovolactovegetarianos, as taxas de CT, LDL e TG são significantemente menores (tabs. 2 e 3). Dessa forma, nossos resultados sinalizam para a relação entre baixos níveis lipídicos e dieta vegetariana, estando em concordância com os autores citados acima. No entanto, discordam de Cliffton e Nestel10, que consideram o componente metabólico como fator determinante dos níveis de colesterol sérico.

A partir dessas observações pode-se especular a respeito do uso da dieta vegetariana, especialmente da vegan, como medida coadjuvante na prevenção do aparecimento e mesmo no tratamento das dislipidemias. É importante ressaltar, no entanto, que nosso estudo analisa apenas a dieta vegetariana com um único foco, o dos lipídios, numa amostra da população geral. Há, em relação a essa dieta, alguns contrapontos relatados; entre eles, o mais comum e mais estudado é a deficiência da cobalamina, levando a anemia megaloblástica24,25. Pode haver também a deficiência de ferro associada, mascarando o quadro da anemia megaloblástica24. Ainda, existem relatos de uma maior freqüência de hipospádia26 e valores mais altos de homocisteína entre pessoas vegetarianas em comparação com as onívoras27. Além disso, foram descritos casos de hipotireoidismo congênito em crianças amamentadas exclusivamente com leite de mãe vegan (em região onde nem todos os sais eram iodados)28, e neuropatia ótica bilateral, diminuição acentuada da visão e outros problemas visuais em paciente vegan (houve melhora significante no quadro após suplementação multivitamínica)29. Levando-se em conta todos esses dados, mais estudos são necessários para que a indicação da utilização da dieta vegetariana para fins preventivos e/ou terapêuticos seja feita.

Concluindo, a dieta vegetariana associou-se a menores valores de TG, CT e LDL em comparação com a dieta onívora.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem à Dra. Sílvia Pierre Irazusta e a Patrícia Marconi Patto Pinho o auxílio nas análises laboratoriais; às empresas Syslab Ltda., Beckinton e Dickison (BD) e RCL Ltda. a ajuda com equipamentos; ao nutricionista George Guimarães; à Dra. Noemi Grigoletto De Biase; à Sra. Maria José Carrocha; ao Parque Ecológico Visão Futuro de Porangaba e a todos os voluntários.

 

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Correspondência:
João Luiz Garcia Duarte
Rua Araçatuba, 64
18060-480 – Sorocaba, SP
E-mail: jolubel@uol.com.br

Artigo recebido em 14/10/05; revisado recebido em 26/12/05; aceito em 28/12/05.