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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.88 no.2 São Paulo Feb. 2007

https://doi.org/10.1590/S0066-782X2007000200011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Mortalidade por doenças cardiovasculares e níveis socioeconômicos na população de São José do Rio Preto, estado de São Paulo, Brasil

 

 

Moacir Fernandes de Godoy; Juliana Miranda de Lucena; André Rodrigo Miquelin; Flávia Ferreira Paiva; Débora Luísa de Queiroz Oliveira; Jorge Luiz Augustin Junior; Francisco Chiaravalloti Neto

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - São José do Rio Preto, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar os indicadores de mortalidade para doenças cardiovasculares em São José do Rio Preto, no estado de São Paulo e no Brasil e avaliar os coeficientes de mortalidade segundo níveis socioeconômicos da população do município.
MÉTODOS: Utilizaram-se informações sobre mortalidade por doenças cardiovasculares e de população do Sistema de Informações de Mortalidade e do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde. Calcularam-se coeficientes padronizados de mortalidade e mortalidade proporcional por doenças cardiovasculares. Gerou-se mapa temático dos setores censitários da área urbana do município agrupados segundo níveis socioeconômicos, apresentado com os respectivos coeficientes.
RESULTADOS: Os coeficientes de mortalidade para o município, o estado e o país decresceram de 1980 a 2002. Em 2003, o coeficiente do município foi de 195,9 óbitos por 100.000 habitantes, a mortalidade proporcional foi de 31,3% e as três principais causas de morte foram a doença cerebrovascular, o infarto e a doença hipertensiva. O coeficiente de mortalidade da população correspondente ao grupo de setores censitários com o pior nível socioeconômico foi 40% superior ao com o melhor nível.
CONCLUSÃO: O coeficiente de mortalidade por doenças cardiovasculares decresceu nas três áreas geográficas analisadas. Do total de óbitos ocorridos em São José do Rio Preto em 2003, aproximadamente um terço foi por este grupo de doenças. A área com nível socioeconômico menos favorecido apresentou o maior coeficiente de mortalidade.

Palavras-chave: Doenças cardiovasculares / mortalidade / economia / etnologia.


 

 

Introdução

As doenças cardiovasculares aparecem em primeiro lugar entre as causas de morte no Brasil e representam quase um terço dos óbitos totais e 65% do total de mortes na faixa etária de 30 a 69 anos de idade, atingindo a população adulta em plena fase produtiva 1-3. No Sistema Único de Saúde (SUS), essas doenças foram responsáveis, em 2002, por mais de 1,2 milhão de internações, representaram 10,3% do total de internações e 17% dos gastos financeiros 4.

A lógica assistencial para a promoção da saúde e prevenção de doenças se baseia no conhecimento de agravos prioritários à saúde de determinada população que ocupa determinado espaço geográfico 5. Desta maneira, é importante que se conheça e analise a realidade epidemiológica das doenças cardiovasculares no sentido de dimensionar o problema e caracterizá-lo segundo tempo, espaço e atributos das pessoas.

O estudo da distribuição de uma determinada doença no tempo, que quando envolve longos períodos é denominada de tendência secular, é uma importante estratégia de saúde pública que tem permitido tanto acompanhar a evolução de um agravo no tempo como a criação de horizontes normativos, isto é, o estabelecimento de situações de saúde desejáveis6. A análise espacial é um importante instrumento de gestão de saúde que permite estabelecer relações entre um determinado agravo e o ambiente, fornece subsídios para estabelecimento de medidas de controle e possibilita o planejamento de intervenções junto às áreas e populações mais expostas ao risco7,8. A análise relativa às características das pessoas permite identificar, por exemplo, diferenças de risco entre grupos etários e sexos.

Desse modo, este trabalho tem como objetivos, no tocante às doenças cardiovasculares, analisar a série histórica de seus coeficientes de mortalidade no município de São José do Rio Preto entre 1980 a 2002 e compará-la com as do estado de São Paulo e Brasil; analisar, para 2003, seus indicadores de mortalidade para o município; e avaliar, para 2002 e 2003, a distribuição geográfica de seus coeficientes de mortalidade entre áreas com diferentes níveis socioeconômicos do município.

 

Métodos

O estudo foi realizado para o município de São José do Rio Preto, que se localiza na região noroeste do estado de São Paulo e tinha, em 2005, população de 406.827 habitantes1. Utilizaram-se as informações sobre óbitos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) da Secretaria Municipal de Saúde e Higiene de São José do Rio Preto e do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) do Ministério da Saúde1. As populações das localidades para os vários anos estudados também foram obtidas do DATASUS1. As informações referentes aos 432 setores censitários da área urbana do município de São José do Rio Preto foram disponibilizadas pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)9, que os define como áreas contínuas e homogêneas compostas por aproximadamente 300 imóveis.

Foram calculados coeficientes de mortalidade por doenças cardiovasculares (número de óbitos por este grupo de doenças por 100.000 habitantes) para o município de São José do Rio Preto, estado de São Paulo e Brasil entre 1980 e 2002. Estes foram padronizados pela população de São José do Rio Preto de 2003. Para o município no ano de 2003 foram calculados: coeficientes de mortalidade por doenças cardiovasculares total, segundo sexo, faixa etária e causas específicas de óbito; e mortalidade proporcional.

Os óbitos por doenças cardiovasculares ocorridos em 2002 e 2003 na área urbana do município foram geoprocessados através de ferramentas do programa MapInfo 7.010 e do mapa vetorial com eixos de ruas disponibilizado pela prefeitura municipal. O geoprocessamento é um conjunto de técnicas de coleta, tratamento e exibição de informações georreferenciadas que permitem a identificação de variáveis que revelam quais estruturas sociais, econômicas e ambientais podem oferecer risco à saúde7,8.

Esses óbitos foram agrupados segundo os 432 setores censitários e a caracterização do nível socioeconômico desses setores foi realizada com base nas variáveis: renda e anos de instrução médios das pessoas responsáveis pelos domicílios; renda e anos de instrução médios das mulheres responsáveis pelos domicílios; proporção de pessoas e de mulheres analfabetas; e proporção de domicílios com cinco ou mais moradores. Essas variáveis foram analisadas por meio do programa STATA11 através da técnica estatística de análise de componentes principais que produz fatores não correlacionados entre si e que representam aspectos importantes caracterizados pelas correlações entre as variáveis12.

Entre os vários fatores obtidos, foi escolhido o responsável pela maior proporção da variação total que foi identificado como o fator socioeconômico. Esse fator caracterizou os setores censitários segundo o seu nível socioeconômico, de tal forma que quanto maior seu valor, melhor o nível socioeconômico dos moradores de um determinado setor censitário do município. Os 432 setores foram ordenados pelos respectivos valores do fator socioeconômico e agrupados segundo quartis. O agrupamento de setores correspondentes ao primeiro quartil foi classificado como de nível socioeconômico I (mais baixo), os do segundo e terceiro como de níveis socioeconômicos II e III (intermediários) e o do quarto quartil como de nível socioeconômico IV (mais alto). Os coeficientes de mortalidade foram calculados para o período de dois anos (2002 e 2003) e segundo as várias áreas analisadas e padronizados para a população total do município de São José do Rio Preto de 2003.

 

Resultados

Na figura 1, apresentamos a série histórica de coeficientes de mortalidade por doenças cardiovasculares (CMDCV) para São José do Rio Preto, estado de São Paulo e Brasil entre 1980 e 2002, notando-se grande decréscimo em seus valores. No período, o CMDCV apresentou uma queda de 39,1% em São José do Rio Preto, de 45,3% no estado de São Paulo e de 34,1% no Brasil. Em comparação com o estado de São Paulo o município sempre apresentou valores menores de CMDCV, no entanto, em relação ao Brasil, o município de São José do Rio Preto apresentou, nos primeiros anos da série histórica, valores maiores. Esses valores, a partir de 1985, passaram a oscilar de maneira semelhante aos valores do Brasil.

 

 

No ano de 2003, em São José do Rio Preto, a mortalidade proporcional por doenças cardiovasculares, considerando-se apenas as causas definidas, foi igual a 31,7% e o coeficiente de mortalidade por estas doenças atingiu o valor de 195,9 óbitos por 100.000 habitantes. Para os sexos masculino e feminino, os coeficientes de mortalidade foram respectivamente iguais a 225,4 e 168,3 óbitos por 100.000 habitantes, notando-se um coeficiente de mortalidade 33,9% maior para os homens. As três principais causas dentro desse grupo foram, para o ano de 2003, a doença cerebrovascular, o infarto agudo do miocárdio e a doença hipertensiva. A primeira apresentou coeficiente de 53,6 óbitos por 100.000 habitantes no total e, respectivamente para os sexos masculino e feminino, coeficientes de 57,3 e 50,2 óbitos por 100.000 habitantes. Ao infarto agudo do miocárdio correspondeu um coeficiente total de 48,4 óbitos por 100.000 habitantes e, respectivamente para os sexos masculino e feminino, coeficientes de 59,5 e 38,1 óbitos por 100.000 habitantes. O coeficiente total para a doença hipertensiva foi de 11,8 óbitos por 100.000 habitantes e, respectivamente para os sexos masculino e feminino, os coeficientes foram iguais a 10,3 e 13,2 óbitos por 100.000 habitantes.

Nas figuras 2, 3 e 4 são apresentados os coeficientes de mortalidade por essas três causas para o ano de 2003 segundo faixas etárias e sexo. Em relação às faixas etárias verifica-se que os coeficientes de mortalidade por esses três agravos apresentaram grande aumento a partir dos 50 anos de idade. Para a doença cerebrovascular e o infarto agudo do miocárdio os coeficientes foram sempre maiores para os homens e no caso da doença hipertensiva ocorreu uma inversão a partir dos 70 anos, verificando-se maiores valores para as mulheres.

 

 

 

 

 

 

O fator socioeconômico, identificado na análise de componentes principais, foi responsável por 87% da variação total e corresponde a um escore que foi calculado para cada um dos setores censitários através da fórmula: 0,97 x (anos de instrução médios das pessoas responsáveis pelos domicílios) + 0,94 x (anos de instrução médios das mulheres responsáveis pelos domicílios) + 0,85 x (renda média das pessoas responsáveis pelos domicílios) + 0,85 x (renda média das mulheres responsáveis pelos domicílios) + (-)0,89 x (proporções de pessoas analfabetas) + (-)0,89 x (proporção de mulheres analfabetas) + (-)0,56 x (proporção de domicílios com cinco ou mais moradores). A Tabela 1 apresenta a caracterização de cada um dos quatro agrupamentos de setores censitários obtidos a partir do fator socioeconômico.

 

 

Os valores dos CMDCV obtidos segundo os níveis socioeconômicos para os anos de 2002 e 2003 são apresentados na Figura 5. Verificou-se um coeficiente de mortalidade por essas doenças 40% maior na área correspondente ao agrupamento de setores com os piores níveis socioeconômicos (I) em relação ao agrupamento com os melhores níveis (IV). Nos agrupamentos correspondentes aos níveis II, III e IV as taxas de mortalidade foram semelhantes entre si.

 

 

A Tabela 2 faz uma comparação entre CMDCV segundo faixas etárias e níveis socioeconômicos. O maior valor do coeficiente para o nível I explica-se pelos maiores coeficientes apresentados segundo as várias faixas etárias nessa classe, principalmente a partir dos 40 anos. É importante notar que os valores não padronizados apresentaram-se de maneira inversa aos valores padronizados, o que é reflexo das estruturas etárias das populações de cada um dos agrupamentos analisados. Enquanto que no agrupamento correspondente ao nível I havia, no período de 2002-2003, 14% de pessoas com 50 anos ou mais, no agrupamento correspondente ao nível IV havia 25% nessa faixa de idade.

 

 

Discussão

Os objetivos desta pesquisa foram atingidos através da utilização das três formas básicas de análise epidemiológica descritiva, isto é, o tempo, o espaço e a pessoa, cada uma delas com características e resultados específicos. Um ponto a ser destacado é que este estudo foi produzido apenas com informações disponibilizadas pelo SIM, DATASUS1 e IBGE9, que, segundo Lotufo13, são suficientes para realizar estudos epidemiológicos e planejamento de saúde abrangentes.

A diminuição do coeficiente de mortalidade por doenças cardiovasculares entre 1980 e 2002, identificada neste estudo, é coincidente com os resultados obtidos por Lotufo e Lolio14 para o estado de São Paulo, que analisaram a tendência secular dos CMDCV entre 1970 e 1992 e identificaram declínio nas taxas de mortalidade iguais a 33,6% para homens e 40,6% para mulheres e levantaram como hipóteses explicativas o aumento do consumo de gorduras polinsaturadas, a queda de ingestão de colesterol e a diminuição da prevalência do hábito de fumar. Estudo realizado pelo Ministério da Saúde3, avaliando tendência do coeficiente de mortalidade por doenças cardiovasculares entre 1980 e 2001, identificou declínio na maioria das regiões, para ambos os sexos e faixas etárias.

Simões15, ao analisar os perfis de saúde e de mortalidade no Brasil, verificou que o número de anos de vida perdidos associados às doenças cardiovasculares tem diminuído e que este tem reflexo no aumento da esperança de vida do brasileiro, apesar de relacionar a maior parte desse aumento à queda da mortalidade infantil. O autor aponta que, apesar de as doenças cardiovasculares ocuparem o primeiro lugar como causa de morte na faixa etária de 60 anos ou mais, elas estão em declínio em função da melhoria relativa das condições socioeconômicas e do avanço de novos procedimentos de tecnologia médica, principalmente nas áreas mais desenvolvidas do país.

A mortalidade proporcional por doenças cardiovasculares em São José do Rio Preto foi bastante próxima aos valores obtidos em 2002 para o Brasil (31,5%), para a região sudeste (32,4%) e para o estado de São Paulo (31,9%), consideradas apenas as causas definidas2. Os maiores valores do coeficiente de mortalidade para os homens em relação às mulheres e seu aumento a partir dos 50 anos para ambos os sexos para este grupo de doenças no município coincidem com o comportamento desses indicadores para o país como um todo3. O encontro da doença cerebrovascular e do infarto agudo do miocárdio entre as principais causas de morte no grupo das doenças cardiovasculares no município coincide com resultados do país e da região sudeste1.

A observação de um maior coeficiente de mortalidade por doenças cardiovasculares na área com os piores níveis socioeconômicos pode ser avaliada de dois pontos de vista: o do risco individual e o ambiental. Como estes níveis foram estabelecidos principalmente em função da renda e da escolaridade, este encontro aponta para a consideração dessas variáveis como fatores de risco individuais para a mortalidade por essas doenças. Por outro lado, deve ser considerado também o risco ambiental de residir em uma área onde é menor a oferta de infra-estrutura de saúde e educação.

Estudo indiano detectou associação semelhante: as doenças cardiovasculares apresentaram associação com a condição social e sua prevalência pareceu estar fortemente relacionada às condições sociais e culturais da sociedade16. Estudo realizado em Botucatu, estado de São Paulo, concluiu que indicadores socioeconômicos deveriam ser considerados na seleção de grupos de risco para participação em programa de prevenção para redução de mortalidade por doenças cardiovasculares17.

Silva18 aponta para a tendência de maiores taxas de adoecimento e mortalidade por doenças potencialmente preveníveis na população de baixa escolaridade e de baixa renda e, portanto, com menor acesso aos benefícios da prevenção e tratamento. Essa tendência é confirmada por estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde que revelaram que os países em desenvolvimento, locais com os piores níveis socioeconômicos, concentram grande parte da carga das doenças cardiovasculares19.

Alguns estudos realizados no Brasil têm investigado essa questão e parecerem confirmar a hipótese acima. Pesquisa realizada em Salvador, na Bahia, mostrou elevada proporção de múltiplos fatores de risco cardiovascular e que estes ocorriam com maior intensidade na população de menor escolaridade e da raça negra20. Estudo desenvolvido em Bambuí, MG, encontrou associação entre escolaridade menor que quatro anos e um pior perfil de risco para doenças cardiovasculares em adultos21. Molina e cols.22 mostraram, em Vitória, no Espírito Santo, que a ingestão de sal foi maior em indivíduos com menores níveis socioeconômicos e que isso poderia explicar em parte a maior prevalência de hipertensão arterial nessas populações.

Com base nos resultados deste estudo e dos demais citados, é sensato afirmar que a população menos favorecida também deve apresentar uma maior prevalência de fatores de risco já estabelecidos e considerados como modificáveis (dislipidemia, hipertensão arterial, Diabetes Mellitus, tabagismo, obesidade, sedentarismo e estresse), uma vez que os não-modificáveis não se correlacionam com situação social ou econômica.

Por basear-se em dados secundários, este estudo tem limitações decorrentes de problemas de preenchimento das declarações de óbitos, e os principais estão relacionados às causas básicas de morte: causas mal definidas ou preenchimento incorreto. Exemplos disso são a necessidade do cálculo das mortalidades proporcionais apenas levando-se em conta as causas definidas e o fato de estar relacionada no DATASUS, entre as doenças cardiovasculares, a doença hipertensiva, onde se incluem: hipertensão arterial essencial, doença cardíaca hipertensiva, doença renal hipertensiva e hipertensão secundária1.

É importante reparar o fato de que a hipertensão arterial aparecer no DATASUS como uma causa de morte cardiovascular, em contraste com o que se observa na literatura, onde ela é encontrada como fator de risco para a doença cardiovascular, seja na forma de doença isquêmica, insuficiência cardíaca ou doença cerebrovascular23,24. A forma como têm sido preenchidas as declarações de óbito ou como estão agrupadas as causas de óbito no DATASUS talvez estejam inadequadas, o que pode levar a um prejuízo da análise estatística das mortes por doenças cardiovasculares.

Concluindo, este estudo mostrou, para o município de São José do Rio Preto, que o coeficiente de mortalidade por doenças cardiovasculares tem decrescido ao longo dos anos, apresenta grandes valores para a população acima de 50 anos e é maior para os residentes na área com os piores níveis socioeconômicos. Apesar de a primeira conclusão poder ser considerada uma boa notícia, a segunda implica que políticas de saúde dirigidas especificamente para essas doenças devam ser implementadas junto a esse grupo etário no sentido de aumentar continuamente a sua esperança de vida e melhorar a sua qualidade de vida.15 A última conclusão revela o potencial do geoprocessamento como importante ferramenta para análise epidemiológica. Assim, o planejamento de ações específicas para o controle das doenças cardiovasculares não pode ser pensado para o município como um todo indivisível. Ao contrário, devem ser priorizadas as áreas com os maiores riscos, coincidentemente as de piores níveis socioeconômicos.

 

Agradecimentos

A Giovana Signorini pelo georreferenciamento das informações e a Fátima Grisi Kuyumjian pelo auxílio com os bancos de dados.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

 

Referências

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Correspondência:
Francisco Chiaravalloti Neto
Rua Benjamin Constant, 3741/77
15015-600 São José do Rio Preto, SP
E-mail: fcneto@famerp.br

Artigo recebido em 27/01/06; revisado recebido em 25/03/06; aceito em 09/05/06.

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