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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.88 no.4 São Paulo Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000400015 

ARTIGO ORIGINAL

 

Hipertensão arterial e alguns fatores de risco em uma capital brasileira

 

Paulo César B. Veiga Jardim; Maria do Rosário Peixoto Gondim; Estelamaris Tronco Monego; Humberto Graner Moreira; Priscila Valverde de Oliveira Vitorino; Weimar Kunz Sebba Barroso Souza; Luiz César Nazário Scala

Liga de Hipertensão das Faculdades de Medicina / Enfermagem / Nutrição e Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás - Goiânia, GO

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Estimar a prevalência da hipertensão arterial (HA) e de alguns fatores de risco cardiovasculares na população adulta de uma capital brasileira.
MÉTODOS: Estudo descritivo, observacional e transversal, de base populacional, fundamentado em inquérito domiciliar de amostra aleatória simples (>18a). Questionários padronizados, colhidas informações sociodemográficas, realizadas medidas de PA (duas tomadas), peso, altura, circunferência abdominal. Dados armazenados (programa Microsoft Access) e analisados através do programa Epi Info 6. Foi considerada última medida da PA (critério de HA ±140x90 mmHg).
RESULTADOS: Avaliamos 1.739 pessoas (87% do previsto). Predomínio do sexo feminino (65,4%), média de idade de 39,7 anos (±15,6). A prevalência de HA foi de 36,4%, sendo maior entre homens (41,8%) que entre mulheres (31,8%). Encontrada correlação positiva da HA com IMC, circunferência da cintura (CC) e faixa etária, enquanto o sexo feminino representou fator de proteção para o risco de hipertensão. Prevalência de sobrepeso 30,0% e de obesidade 13,6%. Sobrepeso maior entre as mulheres e obesidade entre os homens. Tabagismo teve prevalência de 20,1%, mais freqüente entre homens (27,1%) que entre mulheres (16,4%). Sedentarismo presente em 62,3% da população, sem diferenças entre os sexos. Hábito da ingestão regular de bebidas alcoólicas em 44,4% dos indivíduos, mais freqüente entre homens.
CONCLUSÃO: Indicadores de HA e de outros fatores de risco cardiovascular (em particular sobrepeso/obesidade) mostram-se elevados. Esses dados reforçam a necessidade da implementação de medidas objetivas em âmbito nacional, visando combater esses agravos à saúde, com vistas à redução da morbidade e mortalidade por DCV.

Palavras-chave: Epidemiologia da hipertensão, hipertensão arterial, pressão arterial, fatores de risco.


 

 

Introdução

A relevância da hipertensão arterial (HA) como importante fator de risco cardiovascular (FRCV), sua alta prevalência mundial e o aumento da probabilidade de desfechos circulatórios fatais ou não-fatais quando a ela estão associados outros fatores de risco tornam muito importante o conhecimento de sua ocorrência nacional e regional, assim como a correlação com outros possíveis fatores potencialmente desencadeantes de eventos cardiocirculatórios1-6.

Os dados epidemiológicos brasileiros relativos a risco cardiovascular, apesar de já se mostrarem consistentes pela existência de estudos bem delineados e representativos, ainda estão restritos a algumas regiões, o que acaba deixando algumas dúvidas se as informações existentes representam o país como um todo6-12.

Outro aspecto que merece consideração é a modificação no perfil da população brasileira com relação aos hábitos alimentares e de vida, que indica uma exposição cada vez mais intensa a riscos cardiovasculares. A mudança nas quantidades de alimentos ingeridos e na própria composição da dieta provocou alterações significativas do peso corporal e distribuição da gordura, com o aumento progressivo da prevalência de sobrepeso ou obesidade da população. Adicione-se a isso a baixa freqüência à prática de atividade física, que também contribui no delineamento desse quadro13-14.

No Estado de Goiás, assim como no restante do país, as doenças cardiovasculares representam a maior causa de morbidade e mortalidade, sendo fundamental conhecer a magnitude dos FRCV com a finalidade de efetuar um planejamento de saúde capaz de intervir de forma eficaz nessa realidade15.

O reconhecimento de que a modificação dos hábitos de vida com a prevenção do aparecimento dos fatores de risco (FR) e o tratamento adequado de desvios da normalidade quando estabelecidos (HA, obesidade, sedentarismo, dislipidemias, dentre outros) modificam a história evolutiva desses agravos torna ainda mais estratégico o conhecimento de sua prevalência11,16-19.

Com o objetivo de determinar a prevalência da hipertensão arterial e de alguns outros fatores de risco cardiovasculares, bem como suas correlações em uma região do Brasil desenhou-se um estudo denominado "Projeto Centro-Oeste de Pesquisa", que abrange os Estados de Goiás e Mato Grosso, e teve o financiamento do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq).

 

Métodos

Trata-se de estudo com delineamento transversal, de base populacional, por meio de inquérito domiciliar, com processo de amostragem aleatória por conglomerados.

Para o desenvolvimento deste estudo, foram utilizados dados do estudo da prevalência e do conhecimento da hipertensão arterial e alguns fatores de risco em uma região do Brasil, projeto aprovado e financiado pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e realizado pela equipe da Liga de Hipertensão Arterial da Universidade Federal de Goiás, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso.

O tamanho da amostra para o município de Goiânia foi calculado considerando-se uma população de 1.004.098 habitantes, uma prevalência estimada de HA de 20% (brasileiros adultos), intervalo de confiança de 95% e erro de estimação de 10% 7, 20. À amostra obtida (n=1.534) foram acrescidos 30% para cobrir as perdas (n=1.994), e foram investigados 1.739 indivíduos, representando 87% da amostra prevista.

Os domicílios foram selecionados por amostragem probabilística, por conglomerados, em duas etapas. A primeira consistiu na identificação, junto ao IBGE, dos setores censitários utilizados na Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) de 1998 na zona urbana do município de Goiânia, tendo sido selecionados 115 desses setores. A partir do cálculo do tamanho da amostra, foram sorteados, de forma aleatória e sistemática, os domicílios de cada setor.

Nos domicílios selecionados, foi entrevistado apenas um morador sorteado dentre aqueles maiores de 18 anos, com a finalidade de evitar a interdependência de informação entre entrevistados. Foram excluídas do sorteio gestantes e mães de crianças menores de seis meses e moradores que estivessem hospitalizados. No caso de recusa ou de o indivíduo sorteado não ter sido encontrado após duas visitas, o domicilio era excluído da amostra, sendo substituído pela primeira residência à esquerda.

Cada entrevista era conduzida por uma dupla de pesquisadores, devidamente treinados para aplicação do questionário e realização das medidas objetivas, incluindo pressão arterial (PA), peso, altura e circunferência da cintura. Um manual detalhado de instruções orientava o treinamento e a condução das entrevistas. Todos os entrevistadores utilizavam camiseta e crachá de identificação do estudo, assim como carta de apresentação personalizada. As entrevistas foram realizadas no período de junho a dezembro de 2002.

O questionário utilizado foi avaliado previamente em um estudo piloto, sendo corrigidas as falhas na compreensão das perguntas. As informações eram referentes a sexo, idade, dados socioeconômicos (escolaridade, número de moradores na residência, renda per capita mensal), hábitos de vida (alimentação, tabagismo, etilismo, prática de atividade física); conhecimento sobre a pressão arterial e tratamento de hipertensão porventura existente. Foram também obtidos os valores das medidas objetivas da PA, peso, altura e circunferência da cintura.

As variáveis incluídas no presente estudo foram:

• Socioeconômicas e demográficas: sexo; idade (em anos completos, categorizados nas faixas etárias: 18-29, 30-39, 40-49, 50-59, >74); escolaridade (em anos de estudo: 0-3 anos, 4-8 anos e >9 anos); renda familiar mensal (até ½, entre ½ e 1, entre 1 e 3 e > 3 salários mínimos).

• Hábitos de vida: tabagismo, consumo de bebida alcoólica e atividade física foram avaliados, tendo como base um grupo de questões padronizadas pela Organización Panamericana de la Salud (1997), no protocolo do estudo CARMEN (Conjunto de Ações para a Redução Multifatorial de Enfermidades Não-Transmissíveis)21. Com relação ao tabagismo, os participantes foram categorizados em três grupos: os que nunca fumaram, os ex-fumantes (aqueles que pararam de fumar há mais de seis meses) e os fumantes (fumam atualmente ou pararam de fumar há menos de seis meses). O consumo de álcool foi avaliado a partir de questões sobre o consumo de bebidas alcoólicas (sim/não), o tipo de bebida, a freqüência e a quantidade (doses, garrafas, taças ou copos) consumida durante a semana anterior, sendo então determinada a quantidade de gramas de etanol por dia1,3,22.

• Atividade física: a atividade física ocupacional foi avaliada em quatro categorias de intensidade de esforço: 1) sedentário – fica sentado a maior parte do tempo ou executa apenas atividades do lar de pouco esforço físico; 2) leve – caminha bastante enquanto trabalha, porém sem levantar ou carregar objetos pesados; 3) moderado – movimenta-se freqüentemente e carrega algum peso; 4) intenso – exerce trabalho extenuante, que requer carregar objetos pesados. A atividade física nos momentos de lazer foi categorizada em: 1) sedentário – nenhuma atividade física, apenas atividades como ler e assistir televisão; 2) leve – atividades físicas ocasionais, tais como caminhar, andar de bicicleta e fazer exercícios leves; 3) moderado – atividade física regular (correr, ginástica, natação, jogos de equipe); 4) intensa – treinar várias vezes por semana pesadamente ou participar de competições esportivas regularmente. Neste estudo, as categorias 3 e 4 foram agrupadas em razão do pequeno número de indivíduos na categoria 4.

• Pressão arterial: por se tratar de pesquisa de campo, com grande número de pesquisadores e, portanto, sujeita a uma grande margem de erro, utilizou-se aparelhos semi-automáticos OMRON – HEM 705 CP para a medida da pressão arterial. Cada entrevistado teve sua pressão aferida duas vezes: uma no início da entrevista e outra ao final, com intervalo mínimo de cinco minutos entre elas. Para fins de análise, foi considerada a segunda medida da pressão arterial. Foi definido como hipertenso, segundo critérios estabelecidos pelas IV Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial, o indivíduo que apresentou pressão sistólica >140 mmHg (PAS>140 mmHg) e/ou pressão diastólica >90 mmHg (PAD>90 mmHg), ou indivíduos sabidamente hipertensos que estivessem em uso regular de medicação anti-hipertensiva cujos níveis pressóricos estivessem elevados ou não no momento da entrevista1,23,24.

• Antropometria: todas as medidas antropométricas foram realizadas de forma padronizada. Para o peso, utilizou-se balança eletrônica marca Plenna, modelo Giant Lithium, com capacidade para 150 kg e precisão de 100 g. Os indivíduos foram pesados descalços e com roupas leves. Para medir a altura, utilizou-se estadiômetro portátil marca Seca, com precisão de 0,1 cm. A medida da circunferência da cintura (CC) foi realizada com fita métrica inextensível no ponto médio entre a crista ilíaca anterior superior e a última costela. Uma CC<80 cm, 80 cm a 88 cm e >88 cm para as mulheres e <94 cm, 94 cm a 102 cm e >102 para os homens foi classificada em adequada, aumentada e muito aumentada, respectivamente1. O índice de massa corpórea (IMC) foi obtido dividindo-se o peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Os valores de IMC foram classificados em: IMC<18,5 kg/m² (baixo peso); IMC de 18,5-24,9 kg/m² (normal); IMC de 25-29,9 (sobrepeso) e IMC>30 kg/m² (obesidade).

Os dados das entrevistas foram armazenados no gerenciador de banco de dados Microsoft Access® 2000. Todos os questionários foram revisados e os dados foram duplamente digitados e posteriormente validados.

Inicialmente, foram feitas estimativas de prevalências, calculadas médias e as razões de odds ratio brutas com intervalos de confiança (IC 95%). Foi testada a associação entre as diversas variáveis e a presença de hipertensão arterial usando-se o teste x2 com nível de significância de 5%. Para estimar o efeito independente das variáveis de controle sobre o desfecho (hipertensão arterial) foi utilizada análise de regressão logística múltipla, e foram testadas no modelo as variáveis que apresentaram p <0,20 na análise bivariada. Para análise utilizou-se o STATA (versão 7.0)17. As análises estatísticas foram corrigidas pelo delineamento complexo da amostra, por meio da utilização do conjunto de comandos svy, que consideram a estrutura complexa da amostra, incorporando nas análises os pesos amostrais associados a cada conglomerado da amostra. Foi utilizado o nível de significância de 5%.

O projeto deste estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás.

 

Resultados

Dos 1.739 indivíduos entrevistados, 64,9% eram do sexo feminino. A média de idade foi de 39,7 anos (DP=15,6 anos), sendo a mediana de 38 anos.

Foram detectados 551 indivíduos com pressão arterial maior ou igual a 140 e/ou 90 mmHg (PAs>140 mmHg e/ou PAd>90 mmHg) e 82 indivíduos em uso de medicamentos anti-hipertensivos, totalizando 633 pessoas (36,4%) classificadas como hipertensas (fig.1). A prevalência de HA foi de 41,8% (IC95%: 38,0% - 45,7%) nos homens e 31,8% (IC95%: 28,1% - 35,7%) nas mulheres.

 

 

A prevalência de HA foi maior entre os homens e aumentou com a idade (p<0,001), sendo de 16,7% na faixa etária de 18 a 29 anos, aumentando progressivamente até 73,9% naqueles acima de 60 anos. A escolaridade apresentou associação inversa com a HA, com prevalência de 47,5% entre aqueles com menos anos de estudo, e 28,0% naqueles com mais de nove anos de estudo (p<0,001). A renda per capita e a situação conjugal dos entrevistados não apresentaram associação com a HA (tab.1).

Quanto ao estilo de vida e variáveis relacionadas à saúde, apresentaram maior prevalência de HA: os ex-fumantes, os que referiam consumo regular de bebidas alcoólicas, os que realizavam atividade física moderada ou intensa no trabalho, os que apresentavam algum grau de excesso de peso e aqueles que tinham a circunferência da cintura aumentada ou muito aumentada (tab.2).

Na análise bivariada, os odds ratio brutos mostram que o sexo masculino, a idade, a escolaridade, o abandono do tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de peso e a circunferência da cintura aumentada ou muito aumentada apresentaram associação positiva (p<0,05) com a HA; ao passo que a atividade física moderada ou intensa nos momentos de lazer e a atividade física leve no trabalho apresentaram associação negativa (p<0,05).

A tabela 3 mostra a análise de regressão logística múltipla que explicita a influência independente das variáveis sociodemográficas, estilo de vida e adiposidade sobre a HA. Os odds ratio ajustados mostram que a prevalência de HA se associa positivamente ao sexo masculino e aumenta de forma progressiva e acentuada com o avanço da idade. Foram também mantidas as associações positivas da HA com o excesso de peso (sobrepeso e obesidade) e com a CC aumentada e muito aumentada, e o odds ratio para a hipertensão foi cerca de duas vezes maior com valores elevados de CC, em comparação com a categoria de referência (<80 para as mulheres, e menor que 94 cm para os homens).

 

 

Discussão

Este estudo encontrou uma prevalência de hipertensão arterial na cidade de Goiânia maior que 30%. Vale a pena ressaltar que desde a década de 1990, em diversos estudos regionais usando como ponto de corte os valores de 140/90 mmHg, a prevalência da hipertensão vem se mantendo em torno desse porcentual9-12. Esses porcentuais também têm sido encontrados em levantamentos realizados nos Estados Unidos6.

As razões desse quadro que se delineia a partir dos resultados podem ser encontradas nos próprios números evidenciados no estudo. A questão que se coloca é como trabalhar com as possíveis causas associadas e agravantes que podem ajudar a estabelecer uma direção para as políticas públicas e de toda a sociedade civil organizada, capaz de promover uma modificação nessa realidade.

A exemplo de inúmeros estudos populacionais6,9,10, verificou-se que existe uma associação importante entre a HA e a idade, evidenciando que na sociedade em desenvolvimento ao lado do aumento da longevidade da população ocorre uma agregação de outros riscos que terminam por comprometer a qualidade de vida dos idosos, além de causar sérios prejuízos ao país e ao sistema de saúde como um todo25.

A epidemia mundial do excesso de peso (seja sobrepeso ou obesidade) foi também evidenciada neste estudo1,3,26,27. Em Goiânia, 43,6% de pessoas estão com excesso de peso, dos quais 13,6% já obesos. A forte associação entre o excesso de peso e a ocorrência de HA indica a urgência de medidas capazes de atuar sobre os fatores de risco que podem interferir decisivamente sobre a determinação da prevalência de hipertensão arterial em um grupo populacional.

O estudo de Goiânia encontrou, a exemplo de outros estudos, uma correlação positiva entre a circunferência da cintura e a HA. Esse achado identifica uma medida simples, de baixo custo e fácil aplicabilidade, como importante marcador para a HA, e indica mais um caminho a seguir, com o incentivo para a adoção da medida da CC como rotina em todos os atendimentos à saúde e a adoção de atitudes preventivas precoces nos casos em que valores discrepantes sejam encontrados. Esse poderá ser também fator primordial para um melhor controle de fatores de risco, inclusive evitando o aparecimento da HA e facilitando o seu controle nas situações em que já estiver estabelecida28,29.

Não se detectou uma associação da HA com a classe social, ao contrário do relatado em outros estudos9,30,31. Com relação à escolaridade também não encontramos associação estatisticamente significante com a hipertensão na análise ajustada.

Por fim, não se encontrou correlação entre tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas ou sedentarismo e a ocorrência de hipertensão arterial. Entretanto, o sedentarismo, apesar de muito observado em todos os investigados, foi mais freqüente nas classes sociais mais baixas, exatamente naquelas em que o risco da HA foi mais significante, o que acaba podendo ser fator complicador para a prevenção e o tratamento.

Na análise de regressão logística, idade, IMC e CC mantiveram correlação positiva com a HA, enquanto o sexo feminino representou fatores de proteção.

Vale destacar que, na amostra estudada, o número de mulheres foi maior que o de homens ao acaso e optou-se por não utilizar estratégias para a correção dessa diferença. Os valores obtidos, entretanto, guardaram significância estatística mesmo após correção para essa diferença amostral.

Essas informações, agrupadas às demais já existentes no país, evidenciam dados suficientemente consistentes a respeito da magnitude da hipertensão arterial e alguns importantes fatores de risco cardiovasculares no Brasil e permitem a realização de planejamentos objetivos de políticas públicas visando a um melhor enfrentamento desses agravos.

As ações devem buscar melhor controle dos hipertensos já conhecidos, estabelecer metas para ampliar o grau de conhecimento desses fatores pela população diretamente interessada e, ainda, e principalmente, fornecer à população em geral mais informações para a prevenção do aparecimento dos fatores de risco e, com isso, evitar o aparecimento das doenças cardiovasculares.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

 

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Correspondência:
Paulo César B. Veiga Jardim
Rua 115 – F n.135 – Setor Sul
740785-300 - Goiânia, GO
E-mail: fvjardim@terra.com.br

Artigo recebido em 10/10/05; revisado recebido em 21/08/06; aceito em 05/10/06.