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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. v.88 n.5 São Paulo maio 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007000500008 

ARTIGO ORIGINAL

 

Efeitos do uso da adrenalina na anestesia local odontológica em portador de coronariopatia

 

 

Ricardo Simões Neves; Itamara Lucia Itagiba Neves; Dante Marcelo Artigas Giorgi; Cesar José Grupi; Luís Antonio Machado César; Whady Hueb; Max Grinberg

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas – FMUSP – São Paulo, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: A literatura é controversa no que se refere ao uso de vasoconstritores para anestesia local em cardiopatas, havendo preocupação com a indução de descompensação cardíaca.
OBJETIVO: Avaliar parâmetros eletrocardiográficos e de pressão arterial durante procedimento odontológico restaurador sob anestesia local com e sem vasoconstritor em portadores de doença arterial coronária.
MÉTODOS: Neste estudo foram avaliados 62 pacientes. As idades variaram de 39 a 80 anos (média de 58,7 + 8,8) anos, sendo 51 pacientes (82,3%) do sexo masculino. Do total de pacientes, 30 foram randomizados para receber anestesia com lidocaína 2% com adrenalina (grupo LCA) e os demais para lidocaína 2% sem vasoconstritor (grupo LSA). Todos foram submetidos a monitorização ambulatorial da pressão arterial e eletrocardiografia dinâmica por 24 horas. Foram considerados três períodos: 1) basal (registros obtidos durante os 60 minutos que antecederam o procedimento); 2) procedimento (registros obtidos desde o início da anestesia até o final do procedimento) e 3) das 24 horas.
RESULTADOS: Houve elevação da pressão arterial do período basal para o procedimento nos dois grupos quando analisados separadamente; quando confrontados, não apresentaram diferença entre si. A freqüência cardíaca não se alterou nos dois grupos. Depressão do segmento ST > 1 mm não ocorreu durante os períodos basal e procedimento. Arritmias em número superior a 10 por hora estiveram presentes durante o procedimento em sete pacientes (12,5%), sendo quatro (13,8%) do grupo que recebeu anestesia sem adrenalina e três (11,1%) do grupo com adrenalina.
CONCLUSÃO: Não houve diferença em relação a comportamento da pressão arterial, freqüência cardíaca, evidência de isquemia e arritmias entre os grupos. O uso de vasoconstritor mostrou-se seguro dentro dos limites do estudo.

Palavras-chave: Adrenalina/efeitos adversos, anestesia local, restauração dentária permanente, arterosclerose coronária.


 

 

Introdução

A literatura é controversa em relação ao uso de vasoconstritores em anestesia local odontológica para cardiopatas. A maioria dos trabalhos foi realizada com pacientes saudáveis1-10 ou com grupos de portadores de cardiopatias de diversas etiologias11,12. Além disso, muitos autores13-15 não se valeram de um grupo controle na comparação dos efeitos do anestésico com e sem vasoconstritor, o que dificulta a transferência desses resultados para pacientes com doença arterial coronária.

Neste estudo foi investigado o comportamento da pressão arterial sistêmica e da eletrocardiografia de 24 horas (sistema Holter) em pacientes com manifestação clínica de angina estável sob controle farmacológico, teste ergométrico positivo e cinecoronariografia demonstrando obstrução coronária > 70% em pelo menos uma das principais artérias coronárias, submetidos a procedimentos odontológicos restauradores, sob uso de agente anestésico com e sem vasoconstritor.

 

Métodos

Este estudo incluiu 62 pacientes acompanhados no ambulatório da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, sendo 51 (82,3%) do sexo masculino. A faixa etária variou de 39 a 80 anos (média de 58,7 ± 8,8 anos). O índice de massa corporal (IMC) variou de 18,8 a 39,4 kg/m2 (média de 27,4 kg/m2).

Diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica foi atribuído a 24 (38,7%) pacientes e foi constatado diabetes em 24 (38,7%) pacientes. Todos os pacientes mantiveram-se sob uso de seus medicamentos para doença arterial coronária e eventuais co-morbidades, com destaque para betabloqueadores adrenérgicos (87,1%), hipolipemiantes (87,1%), antiagregantes plaquetários (83,9%) e nitratos (54,8%).

Os pacientes, selecionados após aprovação pela Comissão de Ética da instituição, receberam orientações verbais quanto ao estudo e seus riscos e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido depois da leitura do documento.

Os critérios de inclusão dos pacientes foram:

- Pessoais: pacientes de ambos os sexos, com idade variando entre 30 e 80 anos;

- Clínicos: portadores de doença arterial coronária com obstrução da luz do vaso > 70% e teste ergométrico positivo comprovando isquemia do miocárdio, e ausência de infarto agudo do miocárdio recente (menos de três meses);

- Odontológicos: dentado total ou parcial necessitando de restauração em dente canino, pré-molar ou molar inferior.

Os critérios de não-inclusão foram:

- Clínicos: portadores de neoplasias, septicemia, angina instável e hipertensão arterial maligna, e gestantes.

Por meio da cinecoronariografia, foram identificados sete (11,3%) pacientes com lesão uniarterial, 18 (29%) com lesão biarterial e 37 (59,7%) com lesão triarterial.

Do total de pacientes, 30 foram randomizados para receber anestesia com solução de lidocaína a 2% com adrenalina 1:100.000, que compuseram o grupo LCA, e 32 foram randomizados para lidocaína a 2% sem vasoconstritor, que compuseram o grupo LSA. Desses pacientes, 15 receberam um cartucho (1,8 ml) de solução de lidocaína a 2% com adrenalina 1:100.000 e 15 receberam dois cartuchos (3,6 ml). Outros 15 pacientes receberam um cartucho (1,8 ml) de solução de lidocaína a 2% sem vasoconstritor e 17 receberam dois cartuchos (3,6 ml).

Todos os pacientes foram monitorizados com eletrocardiografia (sistema Holter) e pressão arterial ambulatorial (MAPA) por 24 horas segundo a rotina institucional.

Os pacientes foram orientados a informar sobre a ocorrência de episódios de dor ou desconforto torácico, registrando o horário do evento no diário fornecido pelo Serviço de Holter.

Os períodos de registro foram considerados como se segue:

- Período basal: uma hora antes do início da anestesia;

- Período do procedimento: início da anestesia até a saída do paciente da cadeira odontológica;

- Período pós-procedimento: completação das 24 horas.

Para avaliação da pressão arterial sistólica, da pressão arterial diastólica e da freqüência cardíaca, foram consideradas as médias dos registros obtidos durante o período basal, o período do procedimento e o período pós-procedimento (das 24 horas).

Para diagnóstico de evento isquêmico foi considerada elevação > 1 mm ou depressão horizontal ou descendente > 1 mm do segmento ST a partir da linha de base, persistindo por pelo menos um minuto e revertendo à linha de base por pelo menos um minuto, durante o período basal, o período do procedimento e o período pós-procedimento (das 24 horas).

Para avaliação de arritmias cardíacas, foi considerado o número de extra-sístoles ventriculares e de extra-sístoles supraventriculares superior a 10 por hora16, durante os períodos estudados.

Procedimento odontológico - Foi realizado um procedimento restaurador por paciente (30 no grupo LCA e 32 no grupo LSA), utilizando-se a técnica anestésica do bloqueio do nervo alveolar inferior17 para todos os pacientes.

Análise estatística - As variáveis quantitativas foram analisadas pela observação dos valores mínimos e máximos e pelo cálculo de médias, desvios padrão e medianas, enquanto para as variáveis qualitativas foram calculadas as freqüências absolutas e relativas.

O teste t de Student18 foi usado para comparação entre dois grupos em relação a médias e a análise de variância19 em relação a um fator, com comparações múltiplas realizadas por meio do teste de Bonferroni18, para comparação entre quatro grupos. O teste exato de Fisher18 foi utilizado para testar a homogeneidade dos grupos em relação às proporções.

A análise de variância com medidas repetidas19 foi aplicada para averiguar o comportamento dos grupos, considerando as condições estudadas. Os testes não-paramétrico de Friedman18 e não-paramétrico de Mann-Whitney18 foram utilizados quando a suposição de normalidade dos dados foi rejeitada.

O nível de significância utilizado para os testes foi de 5% (p = 0,05).

 

Resultados

Quanto à duração dos procedimentos, a faixa do grupo LCA foi mais ampla (12 a 94 minutos, média de 35 ± 15 minutos), enquanto a faixa de duração do grupo LSA foi mais curta (22 a 69 minutos, média de 40 ± 2 minutos). No entanto, as médias nos dois grupos foram iguais (p = 0,200), não tendo sido registrados eventos clínicos.

Comportamento da pressão arterial - Houve elevação tanto da pressão arterial sistólica como da pressão arterial diastólica do período basal para o perído do procedimento nos dois grupos quando avaliados separadamente (14 mmHg e 5-7 mmHg, respectivamente), porém não houve diferença entre os grupos LCA e LSA em relação à comparação das médias da pressão arterial entre período basal e procedimento (tabs. 1 e 2).

 

 

 

 

Não foi observada diferença na comparação das médias entre os períodos basal, procedimento, vigília e sono em relação à pressão arterial sistólica (p = 0,2076) e à pressão arterial diastólica (p = 0,5936) (fig. 1).

 

 

O número de cartuchos da solução anestésica aplicada (um ou dois cartuchos), com ou sem adrenalina, não mostrou diferença entre os grupos LCA e LSA em relação à comparação das médias da pressão arterial sistólica (p = 0,2083) e da pressão arterial diastólica (p = 0,1183) (fig. 2). Não foi registrada influência do uso ou não de medicação betabloqueadora adrenérgica.

 

 

Eletrocardiografia ambulatorial de 24 horas - A análise eletrocardiográfica de 24 horas foi possível em 56 pacientes. Em decorrência de problemas técnicos no registro (artefatos e ruídos > 2%), seis pacientes foram excluídos, três do grupo LSA e três do grupo LCA.

Os grupos LCA e LSA não apresentaram diferença quanto à comparação das médias da freqüência cardíaca entre os períodos basal e procedimento (p = 0,1967), nas 24 horas (p = 0,8417) (tabs. 3 e 4), e quanto à avaliação em função do número de cartuchos da solução anestésica aplicada (um ou dois cartuchos com ou sem adrenalina).

 

 

 

 

Desnível do segmento ST - Depressão do segmento ST foi observada em 10 (17,9%) pacientes, todas acima de 1 mm a partir da linha de base, e desses pacientes seis (20,7%) pertenciam ao grupo LSA e quatro (14,8%), ao LCA. Não foi observada diferença entre os grupos (p = 0,731). Não ocorreram eventos durante os períodos basal e procedimento e todos os episódios não incidiram antes de completadas duas horas do término do procedimento odontológico.

Arritmias cardíacas - Durante a monitorização de 24 horas, o ritmo predominante foi o sinusal. Extra-sístoles supraventriculares e/ou extra-sístoles ventriculares durante as 24 horas estiveram presentes em 17 (30,4%) pacientes, sendo 10 (34,5%) do grupo LSA e sete (25,9%) do LCA, porém durante o período do procedimento apenas sete (12,5%) pacientes apresentaram arritmias, quatro (13,8%) do grupo LSA e três (11,1%) do LCA, mas não houve diferença entre os grupos (p = 1,00).

 

Discussão

Este estudo foi aplicado a pacientes que apresentavam doença arterial coronária com obstrução da luz do vaso > 70%, a maioria (59,7%) com lesão triarterial. Houve prevalência de homens (82,3%), o que se mostrou concordante com a literatura20,21.

Fatores de risco clássicos para doença arterial coronária foram freqüentes, especialmente o distúrbio metabólico, como diabetes melito (38,7% vs 7,5% da média populacional), e a condição circulatória, como hipertensão arterial sistêmica (38,7% vs 20% da média populacional)22.

A prevalente utilização de betabloqueadores adrenérgicos, ácido acetilsalicílico, hipolipemiantes e nitratos mostrou-se igualmente de acordo com a observada em séries de portadores de doença arterial coronária20,23,24. Neste estudo, 87,1% dos pacientes que faziam uso de betabloqueadores adrenérgicos e 54,8% dos que usavam nitratos assemelharam-se aos 60% e 85%, respectivamente, encontrados por Leviner e cols.25; todavia, foram mais elevados que os índices reportados por Cintron e cols.13 (27,5% e 32,5%), encontrados em uma amostra de 40 pacientes com recente infarto agudo do miocárdio.

A seleção dos pacientes em função da necessidade de dentística objetivou a homogeneização das fases do estudo. Isso proporcionou a uniformização do tempo de procedimento às doses de anestésico, o que habitualmente não acontece em procedimentos endodônticos e cirúrgicos, contribuindo, dessa forma, para reduzir a sempre cogitada influência do estresse.

Além disso, visando ao aspecto prático, o tratamento de cáries é o procedimento prevalente no cotidiano do consultório odontológico. Cumpre salientar, contudo, que, apesar dessa habitualidade, poucos pesquisadores, dentre eles Leviner e cols.25, Cioffi e cols.26, Corah27 e Oliver e Hirschman28, estudaram os efeitos do vasoconstritor em pacientes submetidos a anestesia odontológica para tratamento restaurador.

Os resultados deste estudo demonstraram aumento significativo da pressão arterial sistólica e da pressão arterial diastólica nos dois grupos de pacientes, tanto no período basal como no período do procedimento, quando analisados separadamente. Contudo, não foi observada diferença de comportamento quando comparados os dois grupos (LCA e LSA) nos períodos basal, procedimento, vigília e sono.

Ocorreu o mesmo quando os grupos foram comparados em relação à dose da solução anestésica recebida: 1,8 ml (um cartucho) e 3,6 ml (dois cartuchos). Assim, a elevação da pressão arterial sistêmica ocorreu independentemente da presença ou da ausência do vasoconstritor na solução anestésica, devendo ser creditada ao ato do procedimento odontológico em geral.

Os índices deste estudo se contrapõem aos encontrados por Cintron e cols.13, que, ao utilizarem o mesmo tipo de anestésico usado nesta pesquisa, não observaram alterações na pressão arterial antes, durante e após o procedimento. Esses autores, porém, injetaram volume menor de anestésico e, conseqüentemente, menor quantidade de vasoconstritor (10 µg vs 18 µg ou 36 µg neste estudo).

Vaderheyden e cols.15 e Findler e cols.29 encontraram índices menores que os deste estudo, embora em amostras menores (20 e 26 pacientes, respectivamente) e sem um grupo controle comparando os efeitos de anestésicos com e sem vasoconstritor.

Outros autores11,12 avaliaram grupos heterogêneos, portadores de cardiopatias de diversas etiologias, o que tornou difícil a comparação com os achados deste estudo pela disparidade da amostra.

A possibilidade de interações adversas entre betabloqueadores adrenérgicos não-específicos tem sido sugerida30,31 como fator de indução de aumento exagerado da pressão arterial; contudo, esse comportamento não ocorreu com os pacientes deste estudo, a maioria (54,8%) em uso de betabloqueadores adrenérgicos não-seletivos.

A avaliação da freqüência cardíaca não mostrou diferença entre os períodos basal e do procedimento nos dois grupos estudados, mesmo considerando a aplicação de um ou dois cartuchos da solução anestésica, porém a interferência da medicação betabloqueadora adrenérgica deve ser considerada. Os resultados deste estudo são semelhantes aos índices encontrados por Cintron e cols.13 e também confirmados por Findler29, porém se contrapõem aos dados de Leviner e cols.25, autores que também estudaram portadores de doença arterial coronária.

A avaliação do segmento ST não mostrou sinais de isquemia miocárdica durante os períodos basal e procedimento. Episódios isquêmicos foram observados em 10 pacientes deste estudo, todos ocorrendo pelo menos duas horas após o término do procedimento. Não houve critério para associar esses resultados ao uso do vasoconstritor, uma vez que seis dos pacientes que apresentaram isquemia pertenciam ao grupo LSA, ou seja, isentos do efeito vasoconstritor da adrenalina.

Ao se analisar as informações do diário em que os pacientes faziam anotações, não foi possível correlacionar o horário das isquemias com os relatos dos pacientes.

Os dados obtidos sugerem que os episódios isquêmicos registrados decorreram da própria doença do paciente. No entanto, todos os pacientes eram medicados, o que pode ter contribuído, pois outros pesquisadores32 constataram que o uso de medicações pode diminuir a incidência e a duração de episódios de isquemia durante as atividades diárias.

Os resultados desta pesquisa se superpõem aos dados encontrados por Vanderheyden e cols15. Hasse e cols.12 observaram que a incidência de desnível do segmento ST foi significativamente maior em pacientes cardiopatas em comparação com o grupo de não-cardiopatas, embora esses autores tenham estabelecido o critério de 0,5 mm ao invés de 1 mm, conforme o que é aceito pelos cardiologistas como padrão33,34 de indicador de depressão ou elevação do segmento ST, observando, dessa forma, a incidência de falsos positivos.

Diversos autores12,35 têm observado a presença de arritmias em pacientes normais durante tratamento odontológico, exacerbadas principalmente em pacientes com doença cardiovascular. Arritmias cardíacas em número superior a 10 por hora16 ocorreram em 12,5% dos pacientes deste estudo durante o procedimento odontológico, porém apresentaram número proporcionalmente maior durante as 24 horas e não houve diferença entre os grupos LSA e LCA.

Este estudo evidenciou que o uso de 0,018 mg ou de 0,036 mg de adrenalina no anestésico local foi seguro e bem tolerado pelos pacientes. Mais observações nessa linha de pesquisa, com outros grupos específicos de portadores de cardiopatias, são desejáveis para a beneficência da relação dentista-médico-paciente.

 

Conclusão

Não houve diferença de comportamento da pressão arterial com o uso de anestésico local com vasoconstritor em relação ao sem vasoconstritor. A freqüência cardíaca não se alterou com o uso de anestésico com ou sem vasoconstritor. Não houve evidência de isquemia miocárdica e de indução de arritmia cardíaca quando da utilização dos dois tipos de anestésico durante o procedimento odontológico em pacientes sob controle farmacológico, a maioria em uso de betabloqueadores adrenérgicos.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

 

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Correspondência:
Ricardo Simões Neves
Rua Alves Guimarães 689/11
05410-001 – São Paulo, SP
E-mail: ricardo.neves@incor.usp.br

Artigo recebido em 04/10/06, revisado recebido em 28/12/06, aceito em 13/02/07.