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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.89 no.3 São Paulo Sept. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2007001500004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Associação entre perfil lipídico e adiposidade corporal em mulheres com mais de 60 anos de idade

 

 

Maressa Priscila Krause; Tatiane Hallage; Mirnaluci P. R. Gama; Jeffer Eidi Sasaki; Cristiane Petra Miculis; Cosme Franklin Buzzachera; Sergio Gregorio da Silva

Universidade Federal do Paraná - Faculdade Evangélica do Paraná - Curitiba, PR - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Verificar a associação entre perfil lipídico e medidas de obesidade corporal global e central em mulheres com idade superior a 60 anos.
MÉTODOS: A amostra foi composta por 388 mulheres, com mais de 60 anos de idade (média, 69,0; desvio padrão, 5,9 anos). O perfil lipídico foi determinado por meio das dosagens de colesterol total (CT), colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-colesterol), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol) e triglicerídeos (TG). A obesidade global foi mensurada pelo índice de massa corporal (IMC) e pelas dobras cutâneas (DC), e a obesidade central foi mensurada pela circunferência da cintura (CC) e pela relação cintura-quadril (RCQ). A análise estatística foi realizada por meio da correlação parcial ajustada para a idade e ANOVA one-way (p < 0,05).
RESULTADOS: Os valores médios encontrados nas variáveis de adiposidade corporal e nos componentes do perfil lipídico indicam elevado risco aterogênico. Além disso, os indicadores de obesidade tanto global como central foram diretamente associados com os níveis de TG e inversamente associados com os níveis de HDL-colesterol.
CONCLUSÃO: A análise de correlação parcial e a maior variância encontrada na CC e na RCQ com os componentes do lipidograma sugerem que ambos os métodos podem auxiliar no diagnóstico precoce da aterosclerose.

Palavras-chave: Adiposidade, fatores de risco, aterosclerose, mulheres.


 

 

Introdução

As doenças cardiovasculares, principalmente as doenças coronarianas, são as principais causas de mortalidade em todo o mundo1,2. A aterosclerose ou doença aterosclerótica atinge vasos sanguíneos periféricos e centrais, podendo ser considerada um estado inflamatório ativo, e é caracterizada por alterações em marcadores inflamatórios e em fatores de risco3,4.

Vários fatores de risco para o desenvolvimento aterogênico têm sido descritos, entre eles aumento dos níveis de triglicerídeos (TG), de colesterol total (CT) e de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol), diminuição do colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-colesterol), hipertensão, diabetes, tabagismo e inatividade física4,5. Dentre esses fatores, o perfil lipídico tem sido amplamente estudado pela sua elevada associação com a aterogênese6-9. Similarmente, a obesidade corporal também tem sido investigada como fator de risco para as doenças ateroscleróticas e cardiovasculares10-15.

A obesidade central tem demonstrado predizer todas as causas de mortalidade em mulheres idosas brasileiras, como também elevar o risco para futuros eventos cardiovasculares14,15. Esses resultados indicam a importância da investigação de como esses indicadores antropométricos podem ser utilizados como instrumento de identificação de indivíduos com elevada propensão para a aterosclerose.

A adiposidade corporal pode ser avaliada a partir de métodos antropométricos que possuem diversos benefícios, por seu caráter não-invasivo, baixo custo operacional, fácil aplicabilidade, e ampla utilização em meios clínicos e estudos epidemiológicos, sendo caracterizados como uma forma de avaliação indireta para riscos à saúde16-18.

Os métodos antropométricos mais utilizados para a avaliação do acúmulo de massa gorda são a circunferência da cintura (CC), a relação cintura-quadril (RCQ), o índice de massa corporal (IMC) e as dobras cutâneas (DC). Apesar de diversos estudos verificarem a associação entre risco aterogênico com medidas antropométricas e perfil lipídico, os resultados que explicariam de que forma as variáveis antropométricas se associam com o perfil lipídico não são completamente conclusivos10,11,19.

A associação entre fatores de risco para doença aterosclerótica diretos (perfil lipídico) e indiretos (variáveis antropométricas) para mensurar o acúmulo de massa gorda não é, portanto, totalmente clara para auxiliar o diagnóstico clínico desse quadro. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi verificar a associação entre perfil lipídico (CT, TG, LDL-colesterol, HDL-colesterol) e medidas de obesidade global (IMC e DC) e de obesidade central (CC e RCQ) em mulheres com mais de 60 anos de idade.

 

Métodos

O delineamento da pesquisa é caracterizado como Estudo Observacional Transversal, Descritivo e Correlacional. A coleta de dados foi realizada no período compreendido entre abril e julho de 2006.

População e amostra - Com o intuito de realizar uma seleção de amostra estratificada, as seguintes etapas foram realizadas: 1) Cadastro dos grupos comunitários existentes no município de Curitiba, Paraná, obtido mediante parceria com instituições que promovem atividades recreacionais para a população da respectiva regional geográfica. 2) Mapeamento de todos os grupos cadastrados nas oito regionais do município. 3) Alocação aleatória simples dos grupos que seriam convidados a participar da pesquisa, por regional. 4) Visita ao grupo, explicação dos procedimentos da pesquisa, e convite à participação voluntária no estudo para os indivíduos pertencentes ao respectivo grupo comunitário, extensivo a seus familiares e amigos próximos.

Depois de realizado o procedimento de seleção amostral, conforme descrito, foi determinado o cronograma para a coleta de dados. A amostra foi constituída de 388 mulheres (média de idade, 69,0; desvio padrão, 5,9 anos) que estivessem, na data da coleta, com idade cronológica superior ou igual a 60 anos. Entretanto, foi obtido n = 383 para a variável LDL-colesterol, em decorrência da exclusão de 5 sujeitos que apresentaram valores de TG superiores a 400,0 mg/dl.

A amostra foi constituída predominantemente de indivíduos da cor branca e de nível socioeconômico baixo (76,3%). Desses indivíduos, apenas 23,4% relataram realizar tratamento medicamentoso para dislipidemia e 13,3%, para diabetes. Quase metade da amostra (45,7%) apresentou antecedente de doença coronariana em pai, mãe ou irmão(ã), 4,4% eram tabagistas e 63,3% praticavam algum tipo de exercício físico regular (no mínimo duas horas semanais).

Após detalhado esclarecimento sobre os propósitos dessa investigação, os procedimentos utilizados, e os benefícios e os possíveis riscos atrelados, os sujeitos participantes assinaram o termo de consentimento, condicionando sua participação de modo voluntário. O protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética do Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, conforme as normas estabelecidas na Declaração de Helsinque e na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos.

Instrumentos e procedimentos - Com o objetivo de evitar a influência de variações circadianas, todas as avaliações foram realizadas no mesmo período do dia (entre 8h00 e 10h00). Além disso, os sujeitos participantes foram instruídos a não realizar atividade física vigorosa no dia anterior, como também a não ingerir alimento nas duas horas que antecederam o início da avaliação. As avaliações foram realizadas no Departamento de Educação Física – Laboratório de Fisiologia do Centro de Pesquisa em Exercício e Esporte, da Universidade Federal do Paraná.

As variáveis antropométricas foram obtidas conforme os procedimentos propostos por Lohman e cols.20.

Para a determinação da estatura corporal (Est, cm), o indivíduo avaliado deveria permanecer em posição ortostática, com os pés unidos, descalços, utilizando o mínimo possível de roupas. Além disso, deveria manter-se em apnéia inspiratória e com a cabeça orientada em 90 graus, conforme plano de Frankfort, tendo as superfícies de calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital em contato com o estadiômetro (SANNY, modelo STANDARD, precisão de 0,1 cm), fixado à parede.

A massa corporal (MC, kg) foi mensurada com o indivíduo avaliado permanecendo em posição ortostática, descalço, e trajando o mínimo possível de roupas. A MC deveria permanecer igualmente distribuída entre os membros inferiores durante a permanência na plataforma da balança (TOLEDO, modelo 2096 PP, precisão de 0,1 kg).

O IMC foi obtido mediante a utilização do quociente massa corporal/estatura2, em que o valor da MC é expresso em kg e o da Est, em cm2,21.

A CC (em cm) foi mensurada no ponto médio entre a crista ilíaca e a face externa da última costela. A circunferência do quadril foi mensurada na maior circunferência da região glútea, com o avaliador posicionado ao lado do avaliado. Como instrumento de medida foi utilizada fita antropométrica inelástica (precisão de 0,1 cm).

A RCQ foi calculada dividindo-se o valor da CC (em cm) pelo valor da circunferência do quadril (em cm)21.

As DC foram mensuradas com o compasso de DC do tipo Lange (aproximação de 0,5 mm) nos seguintes pontos anatômicos: tríceps, abdome, supra-ilíaca, coxa medial e panturrilha medial, todos avaliados no hemicorpo direito22.

Preconizando evitar as variações inter-avaliadores, a avaliação de cada variável antropométrica (MC, Est, CC e DC) foi realizada pelo mesmo avaliador, previamente treinado, em todos os sujeitos.

Para avaliação dos níveis de TG e CT, foi utilizado o método enzimático. O HDL-colesterol foi mensurado por meio do sistema de precipitação seletiva da LDL e da lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL). Após a centrifugação, o HDL-colesterol foi determinado no sobrenadante, com a utilização do método enzimático. Todas as medidas foram analisadas no espectrofotômetro COBAS MIRA PLUS (Roche Diagnostics), com calibrador e soro controle DIASYS. O kit da LABTEST foi utilizado para a realização das dosagens de CT e TG, enquanto para a dosagem do HDL-colesterol utilizou-se o kit DIASYS. O LDL-colesterol foi calculado de acordo com a fórmula de Friedewald23, em que LDL-colesterol = CT - (HDL-colesterol + TG/5). Foram excluídos 5 indivíduos da amostra total para a determinação do LDL-colesterol, pelo fato de o valor de TG ter se apresentado superior a 400,0 md/dl.

Análise estatística - A normalidade da distribuição das variáveis foi determinada a partir do teste de Kolmogorov-Smirnov. Subseqüentemente, foram aplicadas medidas de tendência central e variabilidade para a análise descritiva dos dados. A correlação parcial ajustada para a idade foi utilizada a fim de verificar o grau de associação entre as variáveis antropométricas e os componentes do perfil lipídico, enquanto a análise de variância (ANOVA) foi utilizada para verificar diferenças entre as medidas de obesidade central (CC e RCQ) de acordo com os pontos de corte do perfil lipídico.

A análise dos dados do presente estudo foi realizada mediante a utilização do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 13.0) for Windows.

 

Resultados

A Tabela 1 apresenta os valores descritivos das variáveis estudadas. A partir da média do IMC e da CC, os sujeitos foram classificados como sobrepeso. A RCQ também demonstrou valores superiores à normalidade. Na análise da média dos valores encontrados no lipidograma, o componente que demonstra alterações elevadas em relação à normalidade é o HDL-colesterol.

 

 

As análises das associações entre as variáveis antropométricas estudadas, relacionadas à obesidade corporal, e o perfil lipídico estão apresentadas na Tabela 2. A obesidade corporal foi associada diretamente com os níveis de TG, enquanto essa associação com o HDL-colesterol foi inversa, independentemente do procedimento de medida antropométrica utilizado.

 

 

As Tabelas 3, 4, 5 e 6 apresentam a média da CC e da RCQ de acordo com os pontos de referência relacionados ao aumento de risco à saúde, em cada componente do lipidograma.

 

 

 

 

 

 

 

 

A CC demonstrou maior variabilidade nos pontos de corte para os TG, enquanto a RCQ apresentou diferenças entre os pontos de referência extremos. Contudo, tanto a CC como a RCQ demonstraram variância similar em relação ao HDL-colesterol. A média da CC e da RCQ no CT e no LDL-colesterol não revelou alterações significantes.

 

Discussão

A obesidade tem sido considerada uma epidemia mundial24,25. O excesso de gordura corporal eleva os riscos para doenças por todas as causas, incluindo as doenças cardiovasculares12,14,15,17,26,27. As mulheres deste estudo apresentaram condições de sobrepeso global e central, de acordo com os pontos de corte estabelecidos para IMC > 25,0 e < 30,0 e CC > 80 cm e < 88 cm28,29. Sendo assim, parece que a maioria dessas mulheres poderia apresentar risco indireto aumentado para aterosclerose.

Essa relação entre obesidade e risco cardíaco deve ser analisada cautelosamente, pois, segundo Romero-Corral e cols.30, em recente estudo meta-analítico, a obesidade global, determinada pelos valores de IMC entre 25,0 kg/m2 e 30,0 kg/m2, indicou a diminuição do risco para a ocorrência de eventos cardiovasculares, sugerindo um efeito cardioprotetor para a condição geral de sobrepeso. Contudo, a investigação realizada por Cabrera e cols.15 demonstrou que a obesidade central, representada pela RCQ, prediz futuros eventos cardiovasculares em mulheres de 60 a 84 anos de idade, indicando risco relativo de 1,72 para valores de RCQ superiores a 0,98 (hazard ratio = 1,72; intervalo de confiança de 95% = 1,05-2,82; p = 0,03).

Os riscos aterogênicos também podem ser determinados pelas alterações em fatores de risco direto, como o lipidograma31,32. Segundo a III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias33 e Souza e cols.31, os seguintes pontos de corte elevam o risco para esse quadro clínico: TG acima de 150,0; CT acima 180,0; HDL-colesterol abaixo de 65; e LDL-colesterol acima de 100,0. Dessa forma, os valores médios encontrados nos componentes do perfil lipídico (Tab. 1) também demonstram que as mulheres apresentam esse fator de risco elevado.

A associação entre fatores de risco indireto e direto pode auxiliar o diagnóstico clínico. Hu e cols.34 examinaram a associação entre as alterações no lipidograma e a obesidade corporal, em mulheres com 45 a 74 anos de idade, demonstrando que tanto a obesidade global, representada pelo IMC, como a obesidade central, representada pela CC, apresentaram-se inversamente associadas ao HDL-colesterol (r = -0,024 e r = -0,23 [p < 0,001], respectivamente) e ao LDL-colesterol (r = -0,08 [p < 0,05] e r = -0,11 [p < 0,001], respectivamente). A CC, por sua vez, só foi associada diretamente com os níveis de TG (r = 0,14; p < 0,001).

Outro método de avaliação da obesidade global avaliada no presente estudo foi o somatório de dobras cutâneas (SDC). Contudo, parece que as alterações da distribuição da gordura corporal relacionadas ao avanço da idade podem não ser detectadas por essa avaliação. Assim, as correlações menos significantes encontradas neste estudo, em relação a TG e HDL-colesterol, quando comparadas às demais variáveis antropométricas, provavelmente seriam elucidadas pelo fato de que essa avaliação demonstra uma estimativa relativamente baixa da massa gorda em indivíduos mais velhos35,36.

O estudo de Souza e cols.31 revelou tendência, para ambos os sexos, de os indivíduos com elevadas medidas de CC apresentarem CT e TG elevados (acima de 240,0 e 200,0, respectivamente). Lakka e cols.37 examinaram a variância entre os tercis da CC e da RCQ com o perfil lipídico de homens adultos, demonstrando que quanto maior a obesidade global maiores são os valores de TG e menores os valores de HDL-colesterol. Esse estudo apresenta similaridades com os resultados encontrados nesta pesquisa, em que a obesidade corporal, avaliada por SDC, IMC, CC e RCQ, foi diretamente associada aos níveis de TG e inversamente associada aos níveis de HDL-colesterol. Contudo, a CC e a RCQ obtiveram nível de significância mais elevado (p < 0,001).

Resultados mais precisos e similares aos aqui encontrados são observados na investigação realizada por Cabrera e Jacob Filho38 em mulheres idosas brasileiras. A grande prevalência de níveis baixos de HDL-colesterol foi encontrada nas mulheres com elevados valores de massa gorda central (38,0% para a RCQ > 1,01 e 35,6% para a circunferência abdominal [CA] > 100 cm, ambos com p < 0,05), sugerindo relação inversa entre obesidade central e HDL-colesterol. Além disso, a relação direta entre obesidade central e TG também coincide com os resultados aqui apresentados. A prevalência de obesidade central foi de 28,6% quando analisada pela RCQ e de 27,9%, pela CA.

A relação mais significante entre CC e RCQ com os componentes do perfil lipídico pode ser explicada pelo fato de a obesidade central estar diretamente ligada à gordura visceral, a qual, por sua vez, é um indicador de alterações metabólicas desfavoráveis. Tais efeitos influenciam o desenvolvimento aterogênico e a hipertensão, assim como acarretam alterações na resistência à insulina, na intolerância à glicose e na hipertrigliceridemia, elevam o índice de LDL-colesterol e reduzem o índice de HDL-colesterol33,37,38.

Além disso, o grande número de mulheres com baixos valores de HDL-colesterol (91,1%), em que 62,5% apresentaram valores de risco moderado entre 40,0 mg/dl e 60,0 mg/dl e 27,6% apresentaram risco elevado abaixo de 40,0 mg/dl, sugere que esses indivíduos apresentam elevado risco aterogênico, em decorrência da associação inversa entre os níveis dessa lipoproteína e o risco para aterosclerose em indivíduos com mais de 50 anos de idade39,40. Esse efeito antiaterogênico ou ateroprotetivo apresenta-se bem definido, em que o aumento em cada 1 mg/dl do HDL-colesterol reduz em aproximadamente 2% a 3% o risco para doenças coronarianas39,41,42. De forma semelhante, o aumento de um desvio padrão no HDL-colesterol diminui a probabilidade de novos eventos cardiovasculares em 15% (p = 0,015) em homens43.

Limitações - A amostra estudada foi constituída de mulheres idosas participantes de grupos comunitários na cidade de Curitiba, Paraná. Dessa forma, este estudo não atingiu indivíduos com graus de dependência mais acentuada, os quais em geral permanecem apenas no ambiente familiar. Os resultados obtidos demonstram uma tendência a que o excesso de obesidade central acarrete alterações negativas no perfil lipídico para essa população específica, aconselhando-se, portanto, que novos estudos sejam realizados, principalmente em mulheres após os 50 anos de idade, a fim de examinar essas associações, contribuindo para um diagnóstico precoce desses fatores de risco para doenças cardiovasculares.

 

Conclusões

De acordo com os resultados do presente estudo, as mulheres que apresentaram excesso de massa gorda na região central demonstraram alterações no lipidograma, principalmente reduções do HDL-colesterol. A análise de correlação parcial e a maior variância encontrada na CC e na RCQ, quando comparada aos demais fatores de risco indireto e aos fatores de risco direto, componentes do lipidograma, sugerem que ambos os métodos podem auxiliar o diagnóstico precoce em relação aos efeitos metabólicos desfavoráveis que o acúmulo de gordura corporal pode acarretar, como o desenvolvimento da aterosclerose.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem a Dra. Mauren Isfer, bioquímica responsável pela realização das dosagens sangüíneas no laboratório de analises clínicas do Hospital de Polícia do Paraná. Ao Projeto DOCE - Diabetes Objetivando Controle e Educação - pela parceria realizada juntamente com o laboratório NOVARTIS, Farmácia DAS SETE. Às endocrinologistas do Serviço de Endocrinologia e Diabetes do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba - Dras. Sheyla Q. Alonso, Carolina F da Luz Martins, Gabriela C. de Mira e Jeanne D. Gama, pela colaboração na coleta de dados.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Hão há vinculação desse estudo a programas de pós-graduação.

 

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Correspondência:
Maressa Priscila Krause
Rua José Rodrigues Pinheiro, 949
81130-200
Curitiba, PR - Brasil
E-mail: maressakrause@hotmail.com

Artigo recebido em 26/07/06; revisado recebido em 26/03/07; aceito em 24/04/07.

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