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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.91 no.1 São Paulo July 2008

https://doi.org/10.1590/S0066-782X2008001300009 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Avaliação diagnóstica da cardiomiopatia hipertrófica em fase clínica e pré-clínica

 

 

Beatriz Piva e Mattos; Marco Antonio Rodrigues Torres; Valéria Centeno de Freitas

Serviço de Cardiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Faculdade de Medicina - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença de origem genética e caráter familiar, causada por mutações em genes codificantes de proteínas do sarcômero. Determina hipertrofia ventricular esquerda de grau variável, geralmente difusa, com predominante acometimento do septo interventricular. A ocorrência de formas assintomáticas com hipertrofia segmentar, de grau leve ou ausente, dificulta o diagnóstico e o rastreamento de formas familiares. A penetrância elevada costuma ser incompleta, o que faz com que 20% a 30% dos adultos carreadores de mutações gênicas não expressem o fenótipo. A suscetibilidade à morte súbita e a possibilidade de expressão tardia tornam relevante o diagnóstico em fase pré-clínica. A investigação por meio do ecocardiograma Doppler e da ressonância magnética adicionada à análise detalhada do eletrocardiograma pode contribuir nesse processo. O diagnóstico genético-molecular identifica mutações em 60% a 80% dos casos. A complexidade, a demora e o elevado custo, aliados à insuficiente avaliação das relações genótipo/fenótipo restringem sua aplicação de rotina. O aprimoramento dos métodos de imagem e a introdução de técnicas moleculares mais simplificadas devem favorecer o diagnóstico clínico e pré-clínico da cardiomiopatia hipertrófica e possibilitar a futura introdução de medidas terapêuticas que possam impedir ou retardar o desenvolvimento da doença.

Palavras-chave: Hipertrofia do ventrículo esquerdo, cardiomiopatia hipertrófica familiar, cardiomiopatia hipertrófica/diagnóstico.


 

 

Introdução

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) caracteriza-se por hipertrofia ventricular esquerda (HVE), identificada na ausência de dilatação da câmara e de qualquer processo cardiovascular ou sistêmico capaz de produzir alterações semelhantes1. A presença de desarranjo celular, fibrose e hipertrofia do miócito favorece o desenvolvimento de disfunção diastólica, isquemia miocárdica e arritmias, fatores que constituem o substrato das manifestações clínicas determinadas pela doença2,3.

A CMH representa tema de intensa e profícua investigação desde sua descrição, há mais de quatro décadas4. Constitui a afecção cardiovascular de origem genética mais prevalente, acometendo um em cada 500 indivíduos5. Apresenta caráter familiar, sendo predominante a transmissão através de herança autossômica dominante6. Mais de 400 mutações envolvendo genes que codificam proteínas do sarcômero já foram individualizadas6,7 (tab. 1). Os genes mutantes da cadeia pesada da β miosina cardíaca e proteína C de ligação à miosina são aparentemente responsáveis por 60% a 80% dos casos6.

 

 

A marcada heterogeneidade molecular, patológica e clínica confere complexidade ao diagnóstico da CMH. Esse fundamenta-se na demonstração por meio do ecocardiograma Doppler bidimensional ou da ressonância magnética de HVE predominantemente assimétrica, associada à cavidade normal ou reduzida1-3. Formas atípicas com HVE leve, localizada ou não-detectável, costumam representar desafio, dificultando o rastreamento dos indivíduos acometidos em famílias com a doença.

A CMH constitui a principal causa de morte súbita entre jovens e atletas, vitimando, entre outros, pacientes assintomáticos, sem diagnóstico prévio ou sinais de HVE2,3. A suscetibilidade a complicações de caráter devastador, como a morte súbita, e a possibilidade de progressão a estados incapacitantes, como a insuficiência cardíaca, têm motivado a busca por indicadores capazes de identificar a doença em estágios evolutivos iniciais. A introdução do diagnóstico genético-molecular trouxe decisiva contribuição ao possibilitar a detecção de carreadores de mutações gênicas sem doença aparente. Por ser a penetrância do fenótipo incompleta, a HVE deixa de ser documentada por meio do ecocardiograma Doppler em 20% a 30% dos indivíduos adultos geneticamente acometidos6,8,9. Esses poderão evidenciar predisposição prematura à morte súbita ou exteriorizar o fenótipo em etapas tardias, como sucede, respectivamente, nas mutações da troponina T e proteína C de ligação à miosina10,11. O aprimoramento dos métodos de imagem para avaliação da função ventricular esquerda e a aplicação do diagnóstico genético-molecular em maior escala deverão contribuir sensivelmente para a identificação da doença em fase clínica e pré-clínica.

 

Características clínicas

A CMH afeta ambos os sexos, ocorrendo em distintos grupos raciais e múltiplas áreas geográficas3. Expressa-se comumente na adolescência, embora a exteriorização clínica possa ser mais precoce ou tardia, após a quinta década12. A HVE desenvolve-se habitualmente entre os 13 e os 17 anos, em carreadores de mutações gênicas para a doença. O quadro morfológico costuma completar-se aos 18 anos, não ocorrendo geralmente progressão da hipertrofia após essa idade13. Idosos representam 25% dos casos, dos quais 40% a 50% exibem formas obstrutivas14.

A HVE pode, ocasionalmente, ser evidenciada em neonatos e durante a infância. Em lactentes, associa-se a insuficiência cardíaca e mortalidade elevada14. O diagnóstico diferencial deve ser estabelecido em relação a síndromes neuromusculares e metabólicas que podem simular a CMH, como a ataxia de Friedreich, as miopatias mitocondriais, as expressões incompletas das síndromes de Noonan e LEOPARD e os recém-nascidos de mães diabéticas3. Em famílias com a doença, é possível identificar crianças com idade entre quatro e 12 anos com espessuras parietais do ventrículo esquerdo (VE) aumentadas. Podem corresponder ou não a formas malignas, com maior potencial evolutivo e propensão precoce a morte súbita12.

Na CMH, a penetrância do fenótipo costuma ser elevada, mas é idade e gene-dependente6. O desenvolvimento de HVE pode ser observado em adultos carreadores do gene mutante, entre 30 e 60 anos11,15. A ocorrência de sintomas e de obstrução da via de saída do VE não é freqüente entre esses indivíduos12. O significado prognóstico dessas condições não é ainda bem conhecido, embora assinalada a suscetibilidade a morte súbita e evolução para insuficiência cardíaca11,12.

O diagnóstico da CMH é suspeitado pelo surgimento de sintomas, detecção de sopros cardíacos e anomalias eletrocardiográficas ou, ainda, mediante avaliação de famílias acometidas. O caráter familiar é identificado em ao menos 50% dos casos2,6. Os critérios aplicados para o diagnóstico em fase clínica das formas com e sem componente familiar são superponíveis. A ausência de história familiar não exclui processo genético. É atribuída à penetrância incompleta do fenótipo e à ocorrência de mutações de novo, as quais poderão ser transmitidas a descendentes12,16. Alterações mínimas registradas ao eletrocardiograma e em métodos de imagem são adotadas como critério para o diagnóstico pré-clínico de adultos com formas familiares (tab. 2)8.

 

 

A maior parte dos pacientes exibe poucos sintomas ou é verdadeiramente assintomática. Outros apresentam grave limitação e evoluem para insuficiência cardíaca ou desenvolvem morte prematura. A morte súbita constitui a forma de óbito em 50% a 70% dos casos. Acomete predominantemente adolescentes e adultos com menos de 35 anos, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária17. A incidência anual é de aproximadamente 1% em adultos18 e 4% em crianças19. O desarranjo celular e a fibrose reparativa adicionados à presença de obstrução da via de saída do VE, doença da microcirculação e exercício físico produzem instabilidade eletrofisiológica e favorecem a gênese de arritmias fatais, de caráter primário ou secundário à isquemia miocárdica2,14,20. Em jovens e nas mutações do gene da troponina T, com maior predisposição à morte súbita prematura, o desarranjo celular e a isquemia miocárdica são postulados como fatores determinantes do desenvolvimento de arritmias10. Em mutações de outros genes, o grau de fibrose é relacionado ao registro de taquicardia ventricular não-sustentada e constitui importante substrato arritmogênico10,21.

 

Eletrocardiograma

O eletrocardiograma é anormal em 75% a 95% dos casos14. Altera-se precocemente, antes mesmo da adolescência, fase em que o ecocardiograma Doppler costuma ser normal22. Anomalias eletrocardiográficas também são evidenciáveis, antecedendo o surgimento de HVE nas formas tardias do adulto15. São considerados critérios eletrocardiográficos maiores para o diagnóstico: sobrecarga ventricular esquerda, registro de ondas Q profundas > 40 ms na parede ínfero-lateral do VE e inversão da onda T > 3 mm em V3 a V6, D1 e AVL e > 5 mm em D2, D3 e AVF8. Ondas T negativas gigantes em derivações precordiais são típicas de formas apicais. Sobrecarga ventricular esquerda incide em cerca de 50% dos casos22. Não é observada relação entre a localização e a distribuição da hipertrofia e o padrão eletrocardiográfico, assim como a presença de ondas Q patológicas não expressa a espessura septal22. Empastamento inicial do QRS associado a PR curto pode não indicar síndrome de Wolff-Parkinson-White3.

O eletrocardiograma é considerado de valia para o rastreamento de portadores assintomáticos da doença com ecocardiograma normal em famílias acometidas15. Alterações eletrocardiográficas são evidenciáveis em 20% a 50% desses casos e devem ser convenientemente valorizadas, sobretudo na pré-adolescência8,15. A avaliação de carreadores de mutações gênicas para a CMH, os quais não apresentam HVE no ecocardiograma Doppler convencional, demonstra que o registro de uma única manifestação eletrocardiográfica considerada critério maior deve ser interpretada como diagnóstica, em razão de sua reduzida prevalência na população normal8. Ao contrário, critérios eletrocardiográficos menores, tais como distúrbio de condução intraventricular, alterações mínimas da repolarização ventricular e ondas S profundas em V2, devem ser valorizados com a ressalva de que podem, ocasionalmente, incidir na ausência de cardiopatia8.

A avaliação por Holter revela distúrbios do ritmo em aproximadamente 90% dos adultos portadores da doença2. Extra-sístoles ventriculares e taquicardia ventricular não-sustentada são observadas em 20% a 30% dos casos23,24. Bradiarritmias, taquicardias supraventriculares e fibrilação atrial podem preceder o registro de taquicardia ventricular2. Episódios de caráter mais repetitivo e prolongado de taquicardia ventricular não-sustentada predispõem à fibrilação ventricular, particularmente antes dos 30 anos25. Arritmias ventriculares são raras na infância, adolescência e entre adultos jovens, mas quando presentes, teriam valor preditivo positivo mais elevado para o desenvolvimento de morte súbita26. Taquicardia ventricular sustentada pode indicar associação com aneurismas apicais do VE ou cardiopatia isquêmica3.

 

Ecocardiograma Doppler

O ecocardiograma Doppler tem papel decisivo no diagnóstico da CMH ao possibilitar a identificação das principais anomalias estruturais e funcionais características da doença e a marcada diversidade fenotípica. A HVE varia de leve a grave e de localizada a difusa. Não há padrão morfológico verdadeiramente típico, embora as formas assimétricas com predominante envolvimento do septo interventricular e hipertrofia difusa sejam as mais freqüentes14. Formas concêntricas representariam 1% a 5% dos casos27,28. Em casos menos típicos, a hipertrofia assume outras localizações, restringindo-se a um só segmento ventricular, tal como a face posterior do septo, a parede livre ântero-lateral e posterior, ou ainda, às regiões apicais do VE27.

O padrão e a extensão da HVE guardam relação inversa com a faixa etária, mas não se associam a gênero e classe funcional14. Adolescentes e adultos jovens costumam demonstrar extrema hipertrofia, com espessuras parietais máximas do VE > 30 mm, característica a qual predisporia à morte súbita29. Medidas entre 15 e 30 mm são habituais, configurando distintos graus de acometimento miocárdico14. Espessuras limítrofes < 15 mm denotam processo incipiente e devem ser distinguidas de estados fisiológicos, como a hipertrofia do atleta2,9,14.

Admite-se que qualquer medida possa ser identificada na presença do gene mutante, incluindo aquelas consideradas normais1,8,12. Em conseqüência, o rastreamento da doença em famílias acometidas, baseado na determinação das espessuras parietais máximas do VE, evidencia indubitável limitação, particularmente na infância e na pré-adolescência. Em investigação recente, escore ecocardiográfico calculado pela soma das espessuras parietais em quatro segmentos distintos do VE demonstrou maior acurácia diagnóstica, sobretudo entre os mais jovens30. Espessuras parietais do VE de 12 mm no septo anterior ou parede posterior ou de 14 mm no septo posterior ou parede livre são consideradas critério para o diagnóstico pré-clínico das formas familiares do adulto, quando associadas a moderado movimento anterior sistólico da valva mitral ou redundância de folhetos8.

Há potencial relação entre o grau de HVE e o gene responsável. Mutações da cadeia pesada da β miosina cardíaca associam-se à doença grave e difusa31. Nas mutações da troponina T, a hipertrofia costuma ser leve ou ausente10. As formas causadas pelo gene codificante da proteína C de ligação à miosina expressam-se por espessuras parietais normais do VE em faixa etária mais precoce11.

O ecocardiograma Doppler propicia a distinção entre formas obstrutivas e não-obstrutivas. A obstrução envolve com maior freqüência a via de saída do VE, resultando do contato do folheto anterior ou posterior da valva mitral com as porções basais do septo interventricular3,14. Deformidades associadas da valva mitral podem contribuir para a geração de gradiente subaórtico. Em 45% dos casos com obstrução, o folheto anterior da valva mitral mostra-se alongado ou com inserção anômala, diretamente no músculo papilar27. O movimento anterior sistólico da valva mitral, em parte atribuído ao efeito Venturi, pode determinar insuficiência valvular com jato regurgitante posterior14. Em menor número de casos, há obstrução médio-ventricular por excessiva hipertrofia e mal-alinhamento de músculos papilares27.

O grau de obstrução, avaliado por meio do Doppler contínuo, tem caráter dinâmico, mostrando-se lábil e variável ante diversos estímulos e em verificações seriadas. O gradiente sofre alterações espontâneas num mesmo indivíduo e é influenciado pelo volume intravascular, contratilidade e pós-carga2,32. As manobras provocativas carecem de normatização e incluem Valsalva, inalação de nitrito de amilo, potencialização pós-extra-sistólica, infusão de dobutamina e exercício2,28. Estudo recente, em que pacientes sem obstrução subaórtica em repouso foram avaliados por meio de ecocardiograma Doppler com exercício, demonstrou que formas obstrutivas são predominantes e correspondem a 70% dos casos33. A presença de obstrução da via de saída do VE é considerada preditor independente de evolução à insuficiência cardíaca. A probabilidade de morte por CMH, insuficiência cardíaca ou acidente vascular encefálico é maior nesses casos32. Embora a obstrução da via de saída do VE tenha sido associada a elevado risco de morte súbita34, sua identificação como fator predisponente não se encontra plenamente definida32.

A avaliação convencional da função sistólica global do VE, baseada na estimativa da fração de ejeção, revela valores normais ou elevados3,28. Não exclui disfunção contrátil, mais bem documentada pelo Doppler tissular e strain/strain rate. Aumento dos diâmetros ventriculares com decréscimo da fração de ejeção e redução das espessuras parietais é evidenciado em 5% a 10% dos pacientes que atingem a maturidade13,35. O enchimento diastólico, analisado pelo Doppler transmitral, demonstra relaxamento anormal do VE, embora quadros restritivos ou padrão pseudonormal sejam também registrados3.

 

Doppler tissular

O ecocardiograma com Doppler tissular é capaz de evidenciar alterações mínimas da função ventricular esquerda que transcendem as informações disponibilizadas pela ecocardiografia Doppler convencional28,36. Em pacientes com doença manifesta, é possível identificar comprometimento da função ventricular esquerda, com velocidades sistólicas (S) inferiores as obtidas em controles normais37. Disfunção diastólica longitudinal é observada por meio de retardo e diminuição das velocidades precoces (E') e tardias (A'), prolongamento da desaceleração regional e de relaxamento isovolumétrico38. A relação E mitral/E' anular, capaz de expressar a elevação das pressões de enchimento do VE, é preditora do grau de tolerância ao exercício39. É verificada correlação entre o E' septal, classe funcional e níveis plasmáticos de peptídeo natriurético tipo B40.

O Doppler tissular possibilita detectar alterações indicativas de assincronia intraventricular esquerda. O índice que avalia o retardo sistólico intraventricular, quando prolongado, denotaria predisposição à taquicardia ventricular41.

O Doppler tissular pode ser aplicado no diagnóstico diferencial com a hipertrofia do atleta. Velocidades sistólicas e diastólicas heterogêneas e reduzidas com assincronia de contração não são evidenciadas em estados fisiológicos, nos quais a função do VE é normal ou supranormal36.

O método contribui, igualmente, para a identificação de formas pré-clínicas42-44. Foi demonstrada redução das velocidades sistólica (S) e diastólica precoce (E') em carreadores de mutações gênicas sem HVE em relação a controles normais pareados por idade42. O subseqüente desenvolvimento de HVE em ecocardiogramas seriados demonstra a capacidade do Doppler tissular em identificar indivíduos geneticamente acometidos com maior propensão a expressar o fenótipo45. Ainda que os resultados obtidos sejam promissores, o verdadeiro papel do Doppler tissular como preditor do desenvolvimento de HVE somente será possível definir por meio de análises sistemáticas abrangendo maior número de famílias. Assim como a doença pode não se exteriorizar tardiamente em razão da penetrância incompleta, alterações mínimas da função ventricular esquerda podem não ser detectadas pelo Doppler tissular28.

 

Strain e strain rate

Técnicas ecocardiográficas mais sensíveis para caracterização da estrutura e função do VE compreendem a medida da extensão e da velocidade de deformação segmentar do miocárdio, por meio do strain e do strain rate46. A medida do strain médio-septal longitudinal mostra redução em portadores de CMH, o mesmo sucedendo nas porções basais do septo e na parede médio-lateral em relação a controles normais47. A análise do strain por meio de imagens bidimensionais demonstra decréscimo de todos os seus componentes, longitudinal, radial, circunferencial e transversal48.

A determinação do strain/strain rate teria potencial aplicação no diagnóstico de disfunção ventricular esquerda em portadores da doença e em carreadores de mutações gênicas, fenótipo-negativos46. Sua contribuição para a detecção da CMH em fase pré-clínica requer avaliação complementar em maior escala.

 

Ressonância magnética

A ressonância magnética possibilita avaliar a morfologia e o desempenho do VE, incluindo a determinação da massa e dos volumes ventriculares e a análise da função diastólica e sistólica global e regional. A dinâmica de fluxo na via de saída do VE e o grau de insuficiência mitral podem ser, igualmente, aferidos por meio do método28,49.

A ressonância magnética contribui para a análise do padrão e extensão da hipertrofia miocárdica, especialmente em casos com envolvimento restrito a um só segmento do VE50-52. Nas formas com hipertrofia apical do VE, mostra nítida superioridade em relação ao ecocardiograma Doppler53. O mesmo acontece em casos com hipertrofia localizada da parede livre ântero-lateral do VE, em que o ultra-som costuma revelar menor acurácia diagnóstica51. Na avaliação de portadores de HVE maciça, observa-se maior resolução da ressonância magnética na determinação das espessuras parietais máximas em confronto com o ecocardiograma Doppler51. Embora apresente inequívoca contribuição na identificação das variantes fenotípicas da CMH, a ressonância magnética não substitui o ecocardiograma Doppler na avaliação morfológica de todos os pacientes com CMH49,51.

A ressonância magnética permite estabelecer o diagnóstico diferencial com a hipertrofia do atleta mediante a determinação de índice geométrico calculado pela relação entre a espessura parietal máxima do VE e o respectivo índice do volume diastólico final54. Mostra-se também útil na diferenciação de formas concêntricas com doenças infiltrativas do miocárdio, como a amiloidose cardíaca, a qual comparativamente evidencia maior espessamento do septo interatrial e da parede livre do átrio direito e ventrículo direito55.

A ressonância magnética avalia a função segmentar do VE pela determinação do espessamento sistólico e do strain circunferencial. Redução do encurtamento circunferencial associada a padrão anormal de strain é observada em segmentos hipertróficos28. A função diastólica do VE analisada pela ressonância magnética de contraste poderá ser aplicada na avaliação da CMH, mas requer estudos adicionais.

A ressonância magnética com gadolíneo possibilita a análise do substrato histopatológico característico da doença. Evidencia realce tardio em aproximadamente 80% dos casos, envolvendo de 0 a 48% da massa miocárdica com distintos padrões de distribuição56,57. Guarda relação direta com áreas de fibrose reparativa, em que o colágeno é componente predominante58. São descritos dois padrões de distribuição: difuso e confluente56. O registro de realce tardio tem valor prognóstico na CMH. Sua extensão relaciona-se a maior predisposição a morte súbita e dilatação ventricular esquerda progressiva. O padrão difuso, mais do que o confluente, associa-se à presença de dois ou mais fatores de risco para morte súbita56. Quando multifocal, correlaciona-se com maior grau de fibrose e fração de ejeção mais reduzida59. Áreas de realce tardio não são detectadas em carreadores de mutações gênicas sem o fenótipo, sugerindo que a fibrose somente se estabeleça após o surgimento de HVE57. Na avaliação de indivíduos fenótipo negativos, evidencia-se em 81% dos casos, imagens compatíveis com anomalias estruturais, de aspecto triangular, caráter profundo e aspecto brilhante, localizadas nos segmentos basal e médio da parede ínfero-septal do VE60. Foi observada redução na profundidade dessas imagens, com o aumento das espessuras parietais, o que poderia explicar a ausência de descrição correspondente em estudos histopatológicos, usualmente restritos a formas com expressão fenotípica completa. A ressonância magnética com gadolíneo facilitaria o diagnóstico diferencial com a doença de Fabry, equivalente a 4% dos casos diagnosticados como CMH61.

A ressonância magnética nuclear com espectroscopia utilizando 31P seria potencialmente aplicável no diagnóstico pré-clínico da CMH. A relação fosfocreatina cardíaca/ATP, capaz de expressar anomalias do metabolismo miocárdico, mostra redução de 30% em pacientes com CMH, sendo também documentada na ausência de HVE, ainda que com superposição de resultados em relação a grupo controle normal62.

 

Biópsia endomiocárdica

A biópsia endomiocárdica é aplicável com o objetivo de identificar o substrato histopatológico cujo caráter menos específico e a distribuição focal limitam a utilização do método na investigação de rotina da CMH. Mais recentemente, estudos baseados em necrópsia ou em corações explantados analisaram a inter-relação entre os diversos componentes histopatológicos e a sua respectiva associação com desfechos clínicos10,21,63,64.

A biópsia endomiocárdica evidencia por meio da microscopia óptica hipertrofia celular e fibrose em grau variável. À microscopia eletrônica, as alterações são geralmente inespecíficas65. O desarranjo celular, por sua mais profunda localização no septo interventricular, com freqüência situa-se em área fora do alcance do bióptomo65. Ocupa em média 30% da parede ventricular esquerda14. Não é patognomônico, incidindo de forma localizada em corações normais ou em cardiopatias congênitas. Sua extensão é inversamente proporcional à idade63. Não se associa a padrões específicos de HVE, mas é mais difuso na vigência de espessuras parietais máximas < 20 mm, função sistólica preservada e em jovens com morte súbita prematura21,63.

A fibrose intersticial ou reparativa pode ser focal ou ocupar áreas extensas do miocárdio. Apresenta relação direta com a faixa etária, espessuras parietais máximas do VE e presença de dilatação da câmara63. É evidenciada em maior grau em pacientes que evoluem para morte súbita em faixa etária mais avançada21.

O comprometimento da microcirculação caracteriza-se por espessamento parietal por hiperplasia miointimal e conseqüente redução do lúmen das pequenas artérias intramurais, sendo mais acentuado no septo interventricular65. Estaria implicado no desenvolvimento de fibrose reparativa e na evolução à forma dilatada14. É achado precoce, incidindo mesmo nos muito jovens63.

A biópsia endomiocárdica pode ser aplicada para o diagnóstico diferencial com HVE de outra etiologia, tumores do septo interventricular e afecções infiltrativas, como a amiloidose cardíaca. Processos infiltrativos do miocárdio podem ser clinicamente indistinguíveis da CMH, como a doença de Pompe, que afeta crianças1. Na doença de Fabry, distúrbio recessivo lisossômico ligado ao cromossoma X, potencialmente curável, a deficiência de α-galactosidase A associa-se à deposição miocárdica de glicoesfingolípides em homens em faixa etária tardia66. Mutações em genes relacionados ao metabolismo celular, recentemente descritas, mimetizam as formas familiares da CMH. O gene mutante da subunidade reguladora y2 da proteinoquinase AMP-ativada (PRKAG2) dá origem à doença de armazenamento em que a síndrome de Wolff-Parkinson-White e a doença precoce do sistema de condução aliam-se à pseudo-hipertrofia ventricular esquerda em grau variável67. Mutações da proteína-2 associada à membrana lisossômica (LAMP-2) resultam na doença de Danon com pseudo-hipertrofia miocárdica maciça acompanhada por síndrome de Wolff-Parkinson-White68. Em ambas, a análise histopatológica revela ausência de desarranjo celular e presença de vacúolos contendo glicogênio.

 

Avaliação eletrofisiológica

A contribuição do estudo eletrofisiológico com estimulação ventricular programada para avaliação do substrato arritmogênico da CMH não se encontra ainda definida. Embora alguma relação entre indutibilidade e prognóstico tenha sido demonstrada, a acurácia preditiva é discutível2,14,20. Seria aplicável em pacientes com síncope inexplicada2. O eletrocardiograma de alta resolução apresenta igualmente reduzida acurácia preditiva20. A alternância da onda T tem sido considerada preditora do desenvolvimento de arritmias ventriculares e morte súbita. Sua contribuição para estratificação de risco na CMH é possivelmente limitada, necessitando avaliação complementar69.

 

Diagnóstico genético-molecular

A análise do DNA constitui o método mais definitivo para a identificação da CMH em fase clínica e pré-clínica. O substrato molecular heterogêneo, representado por centenas de mutações em múltiplos genes, confere complexidade ao diagnóstico genético e limita sua aplicação clínica de rotina. A marcada heterogeneidade alélica aliada à baixa prevalência individual das mutações dificulta a avaliação das relações genótipo/fenótipo. Há considerável variação da expressão fenotípica inter e intrafamiliar, atribuída à ação de agentes modificantes, ambientais ou genéticos, e à possibilidade de incidir mais de uma mutação em um ou mais genes6,16.

O diagnóstico genético-molecular tem aplicação decisiva na avaliação de formas familiares, particularmente naquelas com história de morte súbita ou expressão clínica tardia2,6,7. Possibilita a precoce liberação dos membros verdadeiramente normais e o seguimento clínico dos carreadores de mutações sem doença aparente. Estudos prospectivos fazem-se ainda necessários com o objetivo de elucidar se esses indivíduos irão necessariamente expressar o fenótipo. O diagnóstico pré-clínico pode apresentar conseqüências psicológicas adversas, particularmente em crianças e adolescentes. Nesse contexto, o aconselhamento genético multidisciplinar é considerado essencial.

O diagnóstico genético-molecular permite diferenciar outras formas de HVE e fenocópias, constituídas por doenças metabólicas de armazenamento clinicamente indistinguíveis da verdadeira CMH66-68.

A descrição de mutações malignas fundamenta a aplicação da análise gênica na estratificação de risco para morte súbita. Estudos iniciais baseados na avaliação de grandes pedigrees, relacionam aos genes mutantes, determinados fenótipos e individualizam mutações de bom e mau prognóstico7,10,11. Investigações mais recentes estabeleceram novas observações sobre o perfil clínico-genético da CMH, revelando fenótipos menos específicos e menor prevalência de mutações malignas31,70,71. Para fins de avaliação prognóstica, é ainda necessário ampliar a análise das relações genótipo/fenótipo, incluindo famílias mais numerosas, não-relacionadas e com maior número de indivíduos acometidos7,20.

O custo elevado e a demora na obtenção de resultados têm restringido o diagnóstico genético-molecular a centros de pesquisa. Por meio de SSCP, é possível o mapeamento de mutações em 60% a 80% dos casos6. A introdução de testes automatizados com seqüenciamento direto do DNA favorece a sua utilização em escala clínica, ao possibilitar o rastreamento de até oito genes sarcoméricos de forma mais rápida, mas ainda onerosa7,12. Há possibilidade de falso-negativos pela ocorrência de mutações em genes não avaliados.

O diagnóstico genético-molecular deverá favorecer a implementação de medidas que possam impedir ou retardar a evolução da doença, entre as quais a terapia gênica. A pluralidade dos distúrbios estruturais e funcionais envolvendo as proteínas contráteis tem dificultado a introdução de terapêutica efetiva com esse objetivo.

 

Conclusão

A CMH constitui doença cujo substrato genético-molecular heterogêneo e marcada diversidade fenotípica conferem complexidade ao diagnóstico em fase clínica e pré-clínica. Métodos de imagem mais resolutivos e a assimilação à prática clínica de técnicas moleculares acessíveis deverão favorecer o diagnóstico precoce e a futura adoção de medidas capazes de interferir com o desenvolvimento de HVE e a evolução a morte súbita.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

 

Referências

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Correspondência:
Beatriz Piva e Mattos
Rua Ramiro Barcelos, 2350/2060
90035-903 - Porto Alegre, RS - Brasil
E-mail: bpmattos@cardiol.br

Artigo recebido em 26/04/07; revisado recebido em 23/11/07; aceito em 10/01/08.

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