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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.93 no.1 São Paulo July 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2009000700006 

ARTIGO ORIGINAL
DISLIPIDEMIAS

 

Lipoproteína (a) está associada com níveis basais de insulina em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2

 

 

Syed Shahid Habib; Muhammad Aslam; Syed Fayaz Ahmad Shah; Abdul Khaliq Naveed

IKing Khalid University Hospital, King Saud University, Riyadh, Saudi Arabia
IIArmy Medical College, Rawalpindi, Pakistan

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: Ainda não foi claramente estabelecido se a resistência/deficiência insulínica leva diretamente à aterogênese ou através de sua associação com outros fatores de risco como os níveis de lipoproteína (a)[Lp(a)].
OBJETIVO: O objetivo do estudo foi estabelecer a relação entre os níveis basais de insulina, lípides e lipoproteína (a) em pacientes com diabetes mellitus (DM) tipo 2.
MÉTODOS: Amostras de sangue foram colhidas em jejum e os níveis de insulina, lipoproteína (a), colesterol total (CT), triglicérides (TG), lipoproteína de baixa densidade (LDL-C), lipoproteína de alta densidade (LDL-C), glicose e hemoglobina glicada (HbA1c) foram medidos em 60 pacientes com DM tipo 2 e 28 indivíduos saudáveis. Nós dividimos os pacientes em dois grupos baseados nos níveis basais de insulina: > 10 µIU/ml e < 10 µIU/ml.
RESULTADOS: Os níveis de insulina eram mais altos nos indivíduos diabéticos do que nos controles [p < 0,05]. Os níveis de CT (p< 0,01), LDL-C (p< 0,05), razão CT/HDL (p< 0,01), e TG (p< 0,05) eram mais altos e os níveis de HDL- C eram significantemente mais baixos em ambos os grupos de diabéticos, quando comparados aos controles. Os níveis de Lp(a) eram significantemente mais baixos em diabéticos com insulina basal > 10 µIU/ml comparados com aqueles que apresentavam insulina basal < 10 µIU/ml (p < 0.05). A análise de regressão mostrou uma relação significante da Lp(a) com os níveis de insulina (r = 0,262, p < 0,05) e razão Insulina/Glicose(r = 0,257, p < 0,05).
CONCLUSÃO: Os níveis de Lp(a) se correlacionam inversamente com os níveis de insulina em pacientes com DM tipo 2. Os níveis de Lp(a) podem ser um dos fatores de risco cardiovascular em pacientes com DM tipo 2 com maior duração da doença.

Palavras-chave: Diabetes mellitus, dislipidemias, lipoproteína(a), insulina basal.


 

 

Introdução

Entre as doenças crônicas mais comuns da atualidade, o Diabetes Mellitus (DM) permanece singular, devido às suas ramificações multi-sistêmicas. A combinação de hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina, hiperinsulinemia, intolerância à glicose e obesidade, particularmente obesidade central, tem sido denominada "síndrome metabólica"1,2, a qual é um importante determinante da DM e doença cardiovascular3. Pacientes com DM tipo 2 apresentam defeitos na secreção de insulina em resposta à carga de glicose e resistência à ação da insulina4,5. Três fases podem ser reconhecidas na patogênese do DM tipo 24,6,7. Na primeira fase, a glicose plasmática permanece normal apesar da resistência à insulina, por que os níveis de insulina estão elevados. Na segunda fase, a resistência à insulina piora, apesar das concentrações elevadas de insulina e a intolerância à glicose manifesta-se sob a forma de hiperglicemia pós-prandial. Na terceira fase, a secreção de insulina diminui, com perda progressiva das células beta8. As concentrações de insulina no plasma são determinadas pela resistência à insulina e pela secreção de insulina.

A resistência à insulina se correlaciona melhor com anormalidades metabólicas e está ligada ao desenvolvimento de doença cardiovascular em pacientes com DM tipo 29. A hiperinsulinemia e a resistência à insulina têm sido associadas com doença arterial coronariana (DAC), DM tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Tem sido proposto que a resistência à insulina é um fator de risco independente para DAC10.

A lipoproteína (a) -Lp(a)- tem sido descrita como um fator de risco independente para DAC prematura e outros distúrbios tromboembólicos11. Muitos estudos relataram que a Lp(a) estava aumentada na DM tipo 2. Além disso, tem sido reportado que a frequência dos níveis de alto risco era muito maior em pacientes com DM tipo 212,13.

O objetivo do presente estudo foi estudar a associação entre os níveis basais de insulina, as concentrações de lípides e lipoproteína (a) - Lp(a) - em pacientes com diabetes mellitus tipo 2.

 

Métodos

O presente estudo foi realizado no Departamento de Fisiologia, Army Medical College, Rawalpindi. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Army Medical College. Sessenta pacientes com DM tipo 2 foram selecionados de acordo com os critérios de seleção e 28 indivíduos saudáveis não-diabéticos, pareados por sexo e idade foram selecionados como grupo controle. Os pacientes participantes do estudo haviam sido diagnosticados como tendo diabetes mellitus tipo 2; 32 pacientes eram do sexo masculino e 28 eram do sexo feminino. A altura foi medida em centímetros com os pés descalços e o peso foi medido em quilogramas com os pacientes usando roupas leves. As informações clínicas, data do diagnóstico e histórico médico foram obtidos através da revisão de prontuários e entrevistas com os pacientes. Todos os pacientes apresentavam condições metabólicas estáveis. Os pacientes que apresentavam qualquer doença que pudesse afetar o seu estado metabólico e os parâmetros estudados, tais como síndrome nefrótica, insuficiência renal aguda ou crônica, distúrbios da tireóide, infecções agudas, AVC, cetoacidose diabética e síndrome hiperosmolar não cetótica, foram excluídos do estudo11,14. Também foram excluídos do estudo pacientes com histórico familiar de hipercolesterolemia ou infarto agudo do miocárdio15,16. O histórico do uso de medicação foi registrado e os pacientes que recebiam insulina, agentes hipolipemiantes, contraceptivos orais e esteróides também foram excluídos17,18.

Os pacientes diabéticos foram alocados em dois grupos, com base nas concentrações de insulina basal (em jejum): Níveis de Insulina > 10 µIU/ml e Níveis de Insulina < 10 µIU/ml7,19,20. Os indivíduos incluídos no grupo controle eram indivíduos saudáveis e pareados por idade e sexo, funcionários do AFIP (Armed forces Institute of Pathology) e do Army Medical College. Esses indivíduos não apresentavam infecção aguda ou qualquer distúrbio metabólico ou psicológico e não tinham histórico familiar de hipercolesterolemia ou DM. Os perfis lipídicos e níveis de glicose sérica em jejum foram medidos, mostrando que esses indivíduos apresentavam perfil lipídico normal e níveis de glicose sérica de jejum (GSJ) < 6,1 mmol/l (110 mg/dl).

As amostras de sangue em jejum foram colhidas por meio da punção da veia antecubital, o soro foi separado, separado em alíquotas e então congelado a -70 ºC. Os níveis de glicose foram mensurados através do método GOD-PAP (Glucose Oxidase Phenyl Ampyrone), um método colorimétrico enzimático, com o kit fornecido (Linear Chemicals, Barcelona, Espanha). O colesterol total foi medido através do método CHOD-PAP (Cholesterol Oxidase Phenol Ampyrone), um kit colorimétrico enzimático (Linear Chemicals). O método GPO-PAP (Glycerol Phosphate Oxidase), um kit colorimétrico enzimático, foi utilizado para mensurar os níveis de triglicérides no soro (Linear Chemicals). O método CHOD-PAP foi usado para mensurar os níveis de HDL-c e LDL-c (Merck Systems, San Antonio, TX, EUA). O níveis de Lp(a) no soro foram mensurados através de método imunoquímico, o ELISA sanduíche, o qual utiliza o anticorpo monoclonal de camundongo anti-apo(a) como o anticorpo de fase sólida e um anticorpo anti-apo B-100 policlonal de ovelha (anticorpo contra B-100) como o anticorpo de detecção. Os anticorpos usados nesse ensaio identificam todas as isoformas conhecidas de apo(a). Não houve reatividade cruzada com plasminogênio e LDL. Os kits utilizados foram fornecidos por Innogenetics Biotechnology for Health Care, Gent, Bélgica. O método de separação da resina de troca de íons foi utilizado para mensurar a hemoglobina glicada (Stanbio Glycohemoglobin, Boerne, TX, EUA), para o qual foi utilizado sangue inteiro adicionado de EDTA - Ácido etilenodiaminotetracético. A insulina foi mensurada por quimiluminescência, o qual é um método sanduíche. O kit foi fornecido por Diagnostic Products Corporation, EUA e o equipamento utilizado foi o Immulite 2000. O sistema Immulite utiliza ensaios específicos, contas de poliestireno recobertas com anticorpo específico como a fase sólida, em uma unidade de teste especialmente projetada. Esta Unidade Teste serve como o vaso reacional para a reação imune, a incubação, a lavagem e o desenvolvimento do sinal. A emissão de luz do substrato quimiluminescente, que reage com o conjugado enzimático ligado à conta plástica é proporcional à quantidade de substâncias a serem analisadas, originalmente presentes na amostra. Entretanto, os níveis de peptídeo-C não foram mensurados nesse estudo.

 

Análise estatística

Os dados foram analisados pelo programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS, Versão 10). Os dados foram expressos como médias e erro padrão da média (EPM). Os testes aplicados para a análise estatística foram a análise de variância (ANOVA) e o teste de Bonferroni (comparações múltiplas). Valores de p < 0,05 foram considerados estatisticamente significantes. Os coeficientes de correlação de Spearman também foram determinados entre os níveis basais de insulina, razão insulina/glicose e as características clínicas. Os niveis de Lp(a), insulina e razão insulina/glicose também foram analisados através da análise de regressão logística com intervalos de confiança de 95% após transformação log da insulina e da razão insulina/glicose.

 

Resultados

Características clínicas

As características clínicas dos grupos controle e pacientes diabéticos são mostradas na Tabela 1. PAS (Pressão arterial sistólica), PAD (Pressão arterial diastólica), glicose sérica de jejum e níveis de HbA1c eram significantemente mais altos em ambos os grupos de pacientes diabéticos (p < 0,0001), quando comparados com os indivíduos saudáveis não-diabéticos. Não havia diferença significante em relação à idade e IMC entre os pacientes diabéticos e o grupo controle (p > 0,05). Os pacientes diabéticos com insulina < 10 µIU/ml eram significantemente mais velhos e apresentavam maior duração da DM quando comparados com os pacientes que apresentavam níveis de insulina > 10 µIU/ml (p < 0,05).

 

 

Níveis de insulina

Os níveis séricos de insulina estavam significantemente mais altos nos pacientes diabéticos (16,94 ± 3,21) quando comparados com os indivíduos não-diabéticos do grupo controle (7,88 ±1,01) [p < 0,05]. A razão insulina sérica/glicose sérica, a qual é um marcador de resistência insulínica, estava significantemente mais alta nos pacientes diabéticos com níveis de insulina > 10 µIU/ml (p < 0,0001), quando comparados com os pacientes com níveis de insulina < 10 µIU/ml. Além disso, os valores de HOMA-IR estavam significantemente mais altos no grupo com nível mais elevado de insulina, quando comparados com o grupo controle (p < 0,0001) e com o grupo que apresentava nível menos elevado de insulina (p < 0,01).

Perfil lipídico e da Lp(a)

Os níveis de colesterol total (p< 0,01), LDL-C (p< 0,05), a razão colesterol total /HDL (p< 0,01), e os níveis de TG (p< 0,05) estavam significantemente mais altos e os níveis de HDL- C estavam significantemente mais baixos (p < 0,001) em ambos os grupos de pacientes diabéticos quando comparados com o grupo controle. Os níveis de Lp(a) estavam significantemente mais altos em pacientes diabéticos com insulina basal < 10 µIU/ml (p < 0.01) e naqueles com insulina basal > 10 µIU/ml (p < 0,05), quando comparados com o grupo controle [Tabela 2]. Os níveis de Lp(a) estavam significantemente mais baixos nos pacientes diabéticos com insulina basal > 10 µIU/ml quando comparados com os pacientes diabéticos com níveis de insulina < 10 µIU/ml ( p < 0,05). A razão insulina/glicose apresentou uma correlação negativa com a glicose sérica de jejum (r = - 0,49, p < 0,001) e HbA1c (r = - 0,343, p < 0,01). Os níveis séricos de insulina apresentaram uma correlação negativa com idade (r = - 0,300, p < 0,05) e uma correlação positiva com HDL (r = 0,306, p < 0,05). A análise de regressão logística mostrou uma associação significante entre a Lp(a), como variável dependente e os níveis de insulina como variável independente (r = 0,262, p < 0,05) (Figura 1). A associação com a razão insulina/glicose também foi significante (r = 0,257, p < 0,05) (Figura 2).

 

 

 

 

 

 

Discussão

Foi observado que pacientes com diabetes mellitus tipo 2 apresentam um aumento de morbidade e mortalidade devido ao risco de eventos coronários. Foi demonstrado que esse risco aumentado é independente dos fatores de risco convencionais21. Diferentes fatores têm sido apontados como responsáveis pelo aumento da prevalência de DAC em DM. Um desses fatores é o nível elevado de Lp(a) no soro11. O presente estudo revelou que os níveis de Lp(a) estavam significantemente aumentados em pacientes com DM. Pacientes com DM tipo 2 com hipoinsulinemia apresentavam maior duração da diabetes e concentrações mais altas de Lp(a), quando comparados com os pacientes com hiperinsulinemia. O presente estudo também mostrou uma significante correlação inversa entre a insulina sérica, a razão insulina/glicose e os níveis de Lp(a). Um estudo realizado com pacientes idosos também mostrou que a insulina de jejum estava inversamente correlacionada com os níveis de Lp(a). Os níveis de Lp(a) estavam significantemente correlacionados com os níveis de CT e LDL-C, TG e apo B. Esses resultados sugerem que os níveis de insulina de jejum significantemente influenciam o metabolismo do LDL-C em idosos. Embora os níveis de Lp(a) pareçam ser, em sua maioria, herdados geneticamente, uma relação indireta com a insulina através da adiposidade e/ou outras anormalidades lipídicas associadas não pode ser descartada22. Foi também demonstrado que a insulina de jejum está inversamente correlacionada com os níveis de Lp(a) em ambos os sexos. Entretanto, os coeficientes relatados foram baixos23. Nos últimos estágios da DM tipo 2, a secreção de insulina diminui, com perda progressiva de células beta e piora do controle glicêmico12. O risco de mortalidade e morbidade cardiovascular também aumenta com a maior duração da DM24. No estudo "United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS)", 9 anos de seguimento mostraram que, a despeito da terapia indicada, os niveis glicêmicos de jejum e de HbA1c aumentaram com/ o aumento/ da duração/ da DM e que a manutenção dos níveis quase normais de glicemia foi difícil. Mesmo a terapia insulínica não alcançou o objetivo terapêutico de atingir níveis quase normais de glicemia, devido à dificuldade no tratamento da hiperglicemia acentuada e o risco de episódios hipoglicêmicos25.

A concentração de Lp(a) glicosilada está aumentada em pacientes diabéticos. É evidente que a glicosilação prolonga a meia-vida das lipoproteínas e o mesmo ocorreria com a Lp(a). Isto pode levar a níveis aumentados de Lp(a) em pacientes diabéticos26.

Um estudo de Alagozlu e cols.27 avaliou pacientes não-obesos com DM tipo 2. Eles foram divididos em 3 grupos de acordo com o tipo de tratamento administrado - por exemplo, insulina, sulfoniluréias e um grupo não-tratado. Não houve diferença significante nos níveis de Apo A I, Apo B e triglicérides entre os diferentes grupos de indivíduos diabéticos. Os níveis de HDL estavam significantemente mais baixos, enquanto os níveis de Lp(a) estavam significantemente mais altos no grupo não tratado. Foi concluído que o ganho do controle metabólico também pode exercer um efeito favorável sobre os níveis de Lp(a)27.

As concentrações de Lp(a) no plasma são principalmente controladas ao nível do gene que codifica Apo(a) e uma correlação inversa foi demonstrada entre a concentração de Lp(a) no plasma e o tamanho da Apo(a), que pode, em parte, ser devida à relativamente ineficiente secreção das isoformas maiores de Apo(a) dos hepatócitos. Além disso, o nível de Lp(a) no plasma humano é muito pouco afetado pela dieta, atividade física e terapia hipolipidêmica convencional28.

Em um estudo de Haffner e colegas, nenhuma associação foi observada entre as concentrações de Lp(a) e os níveis de insulina29. Na maioria dos casos, a dislipidemia diabética é precedida por hiperinsulinemia, resultante de resistência à insulina. Devido ao fato de pacientes com DM tipo 2 e resistência à insulina terem um aumento de risco de desenvolver aterosclerose e por que o controle rígido da glicemia se mostrou benéfico na redução da microangiopatia, mas não da macroangiopatia, o tratamento da dislipidemia diabética deveria ser agressivo30.

A síndrome de resistência à insulina (SRI), a qual é muito comum em indivíduos com DM tipo 2, tem sido sugerida como um dos fatores que aumentam o risco cardiovascular em homens com DM tipo 2, capaz de predizer eventos de doença crônica cardíaca em homens idosos diabéticos31. Os mecanismos através dos quais a SRI aumenta a aterotrombose são grandemente desconhecidos, mas mudanças adversas, indiretamente através de risco cardiovascular ou diretamente através da hiperinsulinemia, podem acelerar a aterotrombose32.

Foi descoberto que a Lp(a) é metabolizada de forma diferente de lipoproteínas ricas em triglicérides. A hiperinsulinemia induzida pela hiperglicemia aguda tem um efeito diferente nos níveis plasmáticos de Apo B e Lp(a) em indivíduos saudáveis33. Em um estudo de Klaus G. Parhofer e cols.34, foi observado que, diferentemente dos níveis de LDL, a produção de Lp(a) e não o catabolismo, determinavam as concentrações no plasma e a associação inversa das concentrações de Lp(a) com as isoformas da Apo(a) era devida à diferenças na produção, e não ao catabolismo. Um dos fatores de risco na DM de longa duração pode ser a elevação dos níveis de Lp(a). A associação dos níveis de Lp(a) na DM tem sido objeto de debate.

As principais razões para os resultados discrepantes dos estudos prospectivos foram atribuídas às variações no desenho do estudo, coleta e armazenagem de amostras, métodos usados para a análise estatística e as diferenças populacionais que refletem a conhecida variabilidade étnica na distribuição dos níveis de Lp(a) e no tamanho das isoformas de Apo(a)35.

 

Conclusões

A DM tipo 2 está associada à distúrbio lipídico aterogênico e à alta razão insulina/glicose de jejum. Os níveis de Lp(a) mostram uma correlação inversa com os níveis de insulina em pacientes com DM tipo 2. A Lp(a) pode ser um dos fatores de risco cardiovasculares em pacientes com DM tipo 2 com uma maior duração da doença. O presente estudo pode explicar em parte a incidência mais alta de problemas cardiovasculares com o aumento da duração da DM. Entretanto, estudos prospectivos de longo prazo em pacientes diabéticos são necessários para revelar os verdadeiros mecanismos de associação com problemas cardiovasculares.

 

Agradecimentos

Os autores desejam agradecer ao Sr. Tahseen pela ajuda técnica.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

 

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Correspondência:
Syed Shahid Habib
King Saud University, 11461, Riyadh, Saudi Arabia
E-mail: shahidhabib44@hotmail.com

Artigo recebido em 08/12/2007; revisado recebido em 08/02/2008; aceito em 03/03/2008.

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