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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.93 no.2 São Paulo Aug. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2009000800016 

ARTIGOS ORIGINAIS
MARCAPASSO

 

Efeitos da estimulação ventricular convencional em pacientes com função ventricular normal

 

 

Luiz Antonio Batista de Sá; Salvador Rassi; Márcia Andery Ludovico Batista

Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: A estimulação de ventrículo direito pode ser deletéria em pacientes com disfunção ventricular, entretanto há poucas evidências sobre o impacto dessa estimulação em pacientes com função normal.
OBJETIVO: Avaliar a evolução clínica e laboratorial de pacientes com função ventricular normal submetidos a implante de marcapasso cardíaco artificial.
MÉTODOS: Foram estudados de forma prospectiva 16 pacientes com os seguintes critérios de inclusão: função ventricular normal definida pelo ecocardiograma e presença de estimulação ventricular superior 90% (avaliação por telemetria do gerador). Parâmetros analisados: classe funcional (CF), teste de caminhada, dosagem de BNP, ecocardiograma (convencional e parâmetros de dessincronia intraventricular e teste de qualidade de vida (SF36). Essas medidas fora feitas com 10 dias(d) (t1), 120d(t2) e 240 d(t3). Os dados foram comparados ao longo do tempo segundo método ANOVA. Comparações múltiplas de médias foram efetuadas utilizando-se o método de Tukey.
RESULTADOS: Dos dados avaliados os seguintes não apresentaram variação estatística significante (p>0,05): classe funcional, dosagem de BNP, parâmetros ecocardiográficos convencionais, dessincronia intraventricular (Doppler tecidual). Apresentaram piora (p<0,05) o teste de caminhada (entre t2 e t3) e o tempo entre a contração septal e a parede posterior do ventrículo esquerdo, porém sem preencher critérios de dessincronia. Avaliação de qualidade de vida (SF36) mostrou melhora na capacidade funcional, nos aspectos sociais e estado geral de saúde.
CONCLUSÃO: Após oito meses, em pacientes com função normal não foram evidenciadas alterações clínicas (CF e SF 36) e laboratoriais (ecocardiografia convencional, parâmetros de dessincronia e dosagem de BNP); entretanto, houve piora no teste de caminhada.

Palavras-chave: Disfunção ventricular, marca-passo artificial, estimulação cardíaca artificial, ecocardiografia.


 

 

Introdução

Após sua introdução no final da década de 19501, a estimulação cardíaca artificial teve enormes transformações até os dias atuais. A evolução dos dispositivos associada a novas evidências clínicas ampliaram as indicações de forma significativa, não somente na área de bradiarritmias2, como na de taquiarritmias (cardioversores desfibriladores implantáveis)3-5 e, mais recentemente, insuficiência cardíaca (terapia de ressincronização cardíaca). Esta última incorporou os novos conceitos sobre os mecanismos da insuficiência cardíaca (IC) como um fenômeno não puramente muscular, mas também com o envolvimento do sistema elétrico do coração6-8.

Aproximadamente 15% do total de pacientes com IC apresentam distúrbio da condução intraventricular, e pacientes com sintomas mais severos atingem 30%9. A duração prolongada dos complexos QRS é fator prognóstico negativo sobre a mortalidade e está associada à presença do dessincronismo ventricular que gera uma contração descoordenada acarretando redução do volume de ejeção, do débito cardíaco, da pressão arterial média, da dP/dt, ineficiência mecano-energética e disfunção valvar mitral10,11.

O implante do eletrodo do marcapasso cardíaco convencional é realizado em ventrículo direito, e como a estimulação é feita diretamente sobre o endocárdio, o resultado eletrocardiográfico produzido é um complexo QRS alargado. Existem evidências clínicas e laboratoriais dos efeitos deletérios da estimulação ventricular em pacientes com disfunção ventricular12,13, porém em pacientes com função normal o impacto dessa estimulação como fator de dessincronia e desencadeando disfunção ventricular clinicamente relevante não é completamente estabelecido.

O papel da estimulação ventricular direita provocando dessincronismo iniciou-se com a reavaliação dos estudos de comparação da estimulação unicameral (VVI) x bicameral (DDD). A estimulação DDD preserva o sincronismo atrioventricular e apresenta melhores dados hemodinâmicos14. Entretanto, os estudos prospectivos desenhados com finalidade de analisar seu impacto sobre a mortalidade foram desapontadores. Os estudos PASE15, CTOPP16, MOST17 e UKPACE18 demonstraram apenas benefícios secundários, como a diminuição da incidência de fibrilação atrial e melhora da qualidade de vida e nenhum efeito sobre a mortalidade. Tem sido proposto que os prováveis efeitos deletérios da estimulação ventricular direita levando a dessincronia possam anular os benefícios obtidos com o sincronismo atrioventricular19. Entretanto, essa análise tem limitações, pois esses estudos não foram desenhados para testar essa hipótese.

O objetivo deste estudo é avaliar os efeitos da estimulação cardíaca convencional em pacientes com indicação de marcapasso e função ventricular normal.

 

Métodos

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás sob o registro n.062/06. Todos os pacientes participantes deste estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

No período de março de 2006 a julho de 2007, entre os 142 pacientes encaminhados para implante de marcapasso, foram selecionados 19 pacientes que preencheram os seguintes critérios:

1) Idade > 18 anos e < 75 anos

2) As indicações de marcapasso cardíaco convencional seguiram as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia20 e foram aceitas aquelas com alta probabilidade de estimulação ventricular direita:

2.1) Bloqueio atrioventricular total

2.2) Bloqueio atrioventricular do segundo grau tipo II

2.3) Doença do nó sinusal com bloqueio AV de primeiro grau com intervalo PR > 200 ms

2.4) Função ventricular normal, definida pelo ecocardiograma, realizado após implante do marcapasso cardíaco artificial (diâmetros de ventriculares normais e fração de ejeção normal pelo método de Teicholz).

Os critérios de exclusão foram:

1) Doença grave com probabilidade de sobrevida reduzida

2) Incapacidade de realizar os testes propostos na pesquisa

3) Após implante, foi realizada periodicamente (10 dias(d), 120d e 240d) a verificação do porcentual de estimulação ventricular direita por meio da análise dos dados do gerador, sendo excluídos os pacientes que apresentassem valores menores que 90%.

Os pacientes após implante foram seguidos por um período de oito meses, assim definidos: avaliação pós implante - 10 dias(t1), 4 meses(t2) e 8 meses(t3). Foram analisados os seguintes parâmetros:

1) Clínicos

1.1) Classe funcional da New York Heart Association

1.2) Questionário de Qualidade de Vida (versão brasileira) - SF36

1.3) Teste de caminhada 6 minutos

2) Parâmetros laboratoriais

2.1) Avaliação por telemetria do gerador

2.2) Eletrocardiograma - Largura dos complexos QRS estimulado.

2.3) Dosagem de peptídeo natriurético tipo B (BNP)

2.4) Ecocardiograma

a. Diâmetros e volumes cavitários

b. Fração de ejeção

c. Parâmetros de dessincronia intraventricular

Os exames de ecocardiograma foram realizados em equipamento da marca Toshiba modelo Xario com modo bidimensional harmônica e transdutor setorial de 2.5 MHz. Todos os exames foram realizados por um único observador. Os pacientes foram colocados em decúbito lateral esquerdo e monitorados com eletrocardiograma. Todas as medidas foram adquiridas com paciente em apneia expiratória. As medidas dos ventrículo esquerdo, ventrículo direito, diâmetros de aorta e átrio esquerdo foram feitas pelo modo unidimensional de acordo com as recomendações da American Society of Echocardiography. A avaliação da dessincronia intraventricular foi utilizada os seguintes critérios: Modo M: diferença entre o início do QRS até o pico de contração da parede septal, e em seguida a medida do tempo entre o início do complexo QRS até o pico da contração da parede posterior, sendo considerada dessincronia valor maior de 130 ms. Doppler pulsado: medida do início do complexo QRS ao início do fluxo aórtico sendo considerado dessincronia valor maior de 140 ms. Doppler tecidual: diferença entre o início do complexo QRS e o pico da onda S da região basal das paredes lateral, anterior, septal e inferior, sendo considerado dessincronia valor maior de 65 ms21,22.

As médias de variáveis de distribuição normal (ou aproximadamente normal) foram comparadas ao longo do tempo segundo método ANOVA medidas repetidas (rmANOVA). O teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov e o teste de esfericidade de Mauchly foram aplicados para verificar suposições do modelo rmANOVA. Quando a suposição de esfericidade não foi satisfeita, determinou-se valor-p segundo correção de Huyn-Feldt nas análises rmANOVA. Comparações múltiplas de médias foram efetuadas pelo método de Tukey, quando se observou diferença significativa no teste rmANOVA.

Em caso de variáveis de distribuição assimétrica, medianas foram comparadas ao longo do tempo segundo método de Friedman, alternativa não-paramétrica ao método paramétrico rmANOVA. O teste de Conover-Inman foi utilizado em comparações múltiplas de medianas ao longo do tempo.

Todas as probabilidades de significância (valores de p) apresentadas são do tipo bilateral e valores menores que 0,05 considerados estatisticamente significantes. O software SAS 9.1 (Statistical Analysis System, Cary, NC, USA) foi utilizado na análise estatística de dados.

 

Resultados

Na amostra inicial de 19 pacientes, três foram excluídos por apresentarem estimulação ventricular menor que 90%. Dos 16 pacientes analisados, 56% foram do sexo masculino, a idade média foi de 60 anos (DP+/- 11). A etiologia mais frequente foi a chagásica (75%). Bloqueio AV total ou Bloqueio AV do segundo Mobitz 2 corresponderam a 62,5% da amostra. O eletrodo foi implantado na região septal em 75%. As características clínicas estão dispostas na tabela 1. Foi possível realizar seguimento previsto de oito meses em todos os pacientes.

Todos os pacientes iniciaram o protocolo em classe funcional I, durante a evolução apenas um paciente evoluiu para classe funcional II aos oito meses (p>0,05). Por meio do sistema de telemetria foi possível obter o porcentual de estimulação ventricular em cada paciente. O porcentual médio de estimulação foi de 99%%. Não se observou diferença estatisticamente significante entre as medianas ao longo dos tempos t1, t2 e t3 (p>0,05) (fig. 1).

 

 

A largura dos complexos QRS estimulados manteve uma média de 134 ms durante todo estudo, não apresentando diferença estatística durante os oito meses (p>0,05).

No teste de caminhada observou-se diferença significativa entre as médias ao longo do tempo (p=0,0021), sendo observada diferença entre as médias nos valores entre quatro e oito meses ( p=0,0014), não sendo observada entre o tempo inicial e quatro meses (p>0,05) e entre 10 dias e oito meses (p>0,05) (fig. 2).

 

 

Nas dosagens de BNP não foi observada diferença significativa entre as médias de dosagem ao longo do tempo (p>0,05). A média das dosagens foi de 29,75 no t1, de 28,26 no t2, e de 51,34 no t3 (fig. 3).

 

 

Na tabela 2 estão os dados relativos aos parâmetros ecocardiográficos convencionais: diâmetro diastólico de ventrículo esquerdo, diâmetro sistólico de ventrículo esquerdo, volume diastólico final de ventrículo esquerdo, volume sistólico final de ventrículo esquerdo, átrio esquerdo, fração de ejeção e delta D. Não apresentaram diferenças estatísticas ao longo do tempo (p>0,05).

Na tabela 3 observam-se os dados referentes à avaliação ecocardiográfica da dessincronia ventricular. Pelo modo M foi observado um valor médio no início de 39,68 ms e ao final dos oito meses de 52,06 ms. Não foi observada diferença significativa entre as médias do tempo entre a ativação septal e a parede posterior ao longo do tempo (p=0,1252). Pelo método Doppler pulsado foi observado um valor médio de 106 ms no t1 e de 117 ms no t3. Observou-se diferença significativa entre as médias ao longo do tempo (p=0,0302). Constatou-se piora entre t1 e t2 (p=0,047), porém não entre t1 e t3 e t2 e t3 (p>0,05). Pelo Doppler tecidual foi observado um valor médio no t1 de 43 ms e em t3 de 45 ms. Não foi observada diferença significativa entre as médias ao longo do tempo entre a ativação septal e a parede posterior (p=0,9305).

 

 

Na tabela 4 estão os dados relativos ao teste de qualidade de vida (SF 36); não foi observada diferença estatística ao longo do tempo nos subitens: aspectos físicos, dor, vitalidade, aspectos emocionais e saúde mental. No subitem capacidade funcional observou-se uma melhora (p=0,003), sendo essa diferença observada entre t1 e t2 (p=0,0002) e entre t1 e t3 (p=0,0298). Entre t2 e t3 não foi observada diferença (p>0,05). No subitem estado geral de saúde observou-se melhora apenas entre t1 e t3 (p=0,0172). No item aspectos sociais observou-se uma melhora (p=0,190), sendo essa melhora observada entre t1 e t2 (p=0,0084).

 

Discussão

Este estudo aborda um subgrupo especifico de pacientes: aqueles com função ventricular preservada e que apresentam alto grau de estimulação ventricular em razão do tipo de bloqueio.

Observamos que, no prazo de oito meses, a estimulação ventricular direita não foi capaz de produzir efeitos deletérios significativos avaliados do ponto de vista clínico e laboratorial.

A doença de Chagas foi a principal etiologia neste estudo. A definição de se a etiologia do bloqueio pode determinar evolução diferente é incerta e necessita ser pesquisada. A complexidade do paciente chagásico pode dificultar essa análise, pois o bloqueio pode ser um marcador de reação inflamatória e o paciente evoluir para IC independentemente do marcapasso, além de outros marcadores de risco23.

Foi observada mudança estatisticamente significante no teste de caminhada. Esse é um método que avalia objetivamente o grau de limitação funcional e tem valor prognóstico na insuficiência cardíaca24. Neste estudo os pacientes não desenvolveram insuficiência cardíaca e ao final dos oito meses ocorreu uma diminuição em 17 metros no teste de caminhada. Apesar de ter ocorrido diferença estatisticamente significativa, esse dado, do ponto de vista clínico, parece apresentar pouca importância, pois não ocorreram modificações significativas na classe funcional.

Fração de ejeção, volumes e diâmetros ventriculares não apresentaram alterações significativas ao longo dos oito meses correlacionando com a classe funcional: dos 16 pacientes, apenas um evoluiu para classe funcional II ao final dos oito meses. A fração de ejeção é reconhecida como um fator independente de mortalidade e seu uso tem ampla aplicação no manejo de pacientes com insuficiência cardíaca25. A estabilidade da fração de ejeção, neste estudo, indica que a estimulação ventricular em oito meses não foi capaz de deteriorar a função ventricular.

Dentre os parâmetros ecocardiográficos para avaliação do dessincronismo, os principais são os que avaliam a dessincronia intraventricular. Dos três parâmetros avaliados neste estudo, apenas o que mede a dessincronia intraventricular pelo Doppler pulsado apresentou alteração estatística ao longo do tempo, com piora do parâmetro, de 106 ms no inicio para 117 ms ao final do estudo. Entretanto, esses dados devem ser analisados com cautela, visto que o valor aceito para diagnóstico de dessincronismo é de 140 ms. Assim, não se pode afirmar que ocorreu dessincronia na população estudada. A avaliação de dessincronia intraventricular através do Doppler tecidual tem sido considerada um importante parâmetro no estudo do dessincronismo26,27. Em nossa amostra não foi observada diferença estatística. No estudo de Thambo e cols.28 foram selecionados 23 pacientes com bloqueio atrioventricular total congênito e função ventricular esquerda previamente normal, com pelo menos cinco anos de estimulação cardíaca. Analisaram-se os seguintes parâmetros: tempo de enchimento ventricular, débito cardíaco, severidade da insuficiência mitral, dessincronia interventricular, dessincronia intraventricular e teste ergométrico. Os resultados indicam que a estimulação ventricular prolongada foi associada com remodelamento ventricular, dilatação de ventrículo esquerdo, hipertrofia assimétrica de VE e baixa capacidade física, porém o impacto dessas alterações do ponto de vista clínico não foi avaliado.

Em nosso estudo houve predomínio da estimulação septal. Isso pode ter contribuído para um melhor resultado, visto que a estimulação apical parecer mais deletéria29, porém o melhor local dentro do VD ainda tem sido investigado30,31. Atualmente o objetivo tem sido minimizar a estimulação ventricular por meio de novos algoritmos de estimulação. Estudos em andamento (SAVEPACe, DAVID II, INTRINSIC, MVPtrial) investigam o papel da estimulação ventricular mínima. Entretanto, os pacientes que necessitam da estimulação ventricular de forma permanente não se beneficiam dessa estratégia, assim novos locais de estimulação têm sido pesquisados32.

No grupo analisado não foi observado aumento significativo da dosagem de BNP ao longo dos oito meses de avaliação, indicando função ventricular preservada33. Resultados similares foram obtidos no estudo de Albertsen e cols.34 que comparou a estimulação DDD vs biventricular e também não evidenciou piora dos níveis pró-BNP com estimulação DDD. Observou-se apenas queda da fração de ejeção de 2% no grupo DDD, sem repercussão sobre classe funcional ou teste de caminhada. Esse estudo, entretanto, incluiu pacientes com e sem disfunção ventricular.

Por meio do questionário SF 36 foi observada uma melhora nos subitens: capacidade funcional, aspectos sociais e estado geral de saúde. Essa melhora pode ser atribuída aos efeitos da terapia de estimulação cardíaca artificial no grupo de pacientes severamente limitados anteriormente pela bradicardia. Dados semelhantes foram obtidos no estudo MOST35 que avaliou 2.015 pacientes, comparando estimulação unicameral vs bicameral. Os autores observaram melhora expressiva da qualidade de vida após implante do marcapasso nos dois grupos,porém com menor benefício nos pacientes acima de 75 anos.

As limitações deste estudo referem-se ao tempo analisado, não podendo afastar efeitos clínicos significativos a longo prazo.

 

Conclusão

Após oito meses, a estimulação ventricular direita em pacientes com função normal não alterou de forma significativa a função ventricular avaliada clinicamente (classe funcional e teste de qualidade de vida) e laboratorialmente (ecocardiograma convencional, parâmetros de dessincronia e dosagem de BNP), porém os pacientes apresentaram piora do teste de caminhada. Novos estudos com seguimento em longo prazo e maior número de pacientes serão necessários para descobrir eventuais marcadores de risco, ajudando a identificar aqueles pacientes que terão evolução desfavorável com o marcapasso cardíaco artificial.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de dissertação de mestrado de Luiz Antonio Batista de Sá pela Universidade Federal de Goiás.

 

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Correspondência:
Luiz Antonio Batista de Sá
Ambulatório de Marcapasso do Hospital das Clínicas, Primeira Avenida s/n
76.610-030, Goiânia, GO - Brasil
E-mail: luiz.sa@cardiol.br

Artigo recebido em 15/06/08; revisado recebido em 03/10/08; aceito em 24/10/08.

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