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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.93 no.6 supl.2 São Paulo  2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2009001400001 

DIRETRIZES

 

IV Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre
Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST

 

 

1. Atendimento Inicial

1.1 - Atendimento pré-hospitalar

O interesse no atendimento pré-hospitalar do infarto agudo do miocárdio (IAM) teve início na década de 1960, devido ao grande número de óbitos que ocorriam antes que os paciente chegassem ao hospital.

A maioria das mortes por IAM ocorre nas primeiras horas de manifestação da doença, sendo 40%-65% dos casos na primeira hora e, aproximadamente, 80% nas primeiras 24 horas1-3. Assim, a maior parte das mortes por IAM acontece fora do ambiente hospitalar, geralmente desassistidas pelos médicos4. A modalidade mais frequente de parada cardiorrespiratória nas primeirashoras do IAM é a fibrilação ventricular3.

1.1.1 - Período pré-hospitalar.

O período pré-hospitalar compreende dois momentos: a) do início dos sintomas (geralmente dor torácica aguda) até a decisão de procurar atendimento; b) da decisão de procurar atendimento até a chegada ao hospital.

No infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (IAMCST), o tempo desde o início dos sintomas (oclusão da artéria coronária) até a instituição do tratamento (reperfusão química ou mecânica) é diretamente proporcional à ocorrência de eventos clinicamente relevantes. Esse tempo é fator fundamental para o benefício do tratamento, tanto imediato quanto tardio5.

No entanto, sabe-se que a fase pré-hospitalar (em ambos os momentos descritos) é caracterizada por ser demorada, especialmente em pacientes idosos, do sexo feminino e com baixa condição socioeconômica4. Alguns fatores estão relacionados ao aumento desse tempo tão precioso (Quadro 1.1.1.1)6.

 

 

O componente pré-hospitalar no atraso do atendimento ao paciente com dor torácica é de tal magnitude que, na prática clínica, apenas cerca de 20% destes pacientes chegam ao setor de emergência com até duas horas após o início dos sintomas7.

1.1.2 - Medidas na fase pré-hospitalar

Apesar da significativa redução da mortalidade hospitalar do IAM nas últimas décadas8,9, houve pouco avanço no conhecimento sobre a epidemiologia e o tratamento na fase pré-hospitalar. É notória a necessidade de mudanças nesse cenário, embora poucas sejam as evidências geradas para este fim.

A abordagem do paciente com suspeita de síndrome coronária aguda em ambiente extra-hospitalar deve, idealmente, ser feita por profissional de saúde, com realização de uma história clínica direcionada, investigando as características dos sintomas atuais (momento do início, tempo de duração, qualidade, intensidade, relação com o esforço e repouso) e a presença de doença coronária estabelecida (angina prévia). Algumas características são reconhecidamente determinantes para a manifestação atípica de um evento coronariano e devem ser lembradas quando um indivíduo for abordado na fase pré-hospitalar, por mascararem o quadro de IAM (Tabela 1.1.2.1)10-12.

 

 

O eletrocardiograma executado no local de atendimento e interpretado por um médico habilitado (na ambulância ou em local remoto) mostrou ser um método que reduz em 34% o tempo porta-agulha e em 18% o tempo porta-balão, além de proporcionar maiores taxas de tempo porta-balão ideal (menor do que 90 minutos - 82,3% quando o ECG pré-hospitalar foi realizado versus 70% quando o ECG não foi realizado, p < 0,0001) e uma tendência à redução da mortalidade intra-hospitalar em pacientes com IAMCST13.

Apesar da importância da abordagem mais precoce no IAM, não há evidências disponíveis no cenário pré-hospitalar para uso de fármacos, como aspirina, clopidogrel, heparina, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina ou estatinas. Em circunstância apropriada, ou seja, quando o atendimento do paciente for realizado por equipe capacitada (com médico), em ambulância equipada, após o diagnóstico clínico e eletrocardiográfico, o uso dos medicamentos segue as mesmas recomendações para o atendimento hospitalar do IAM e estão listadas na Seção 4. A fibrinólise pré-hospitalar, por suas peculiaridades, será discutida mais adiante (tópico 1.1.3).

No entanto, para os que apresentam parada cardíaca antes de receber qualquer abordagem, a medida mais importante e de maior impacto seria a difusão global do conhecimento sobre atendimento básico da parada cardíaca (no formato BLS - Basic Life Support) por indivíduos leigos na população em geral. Assim, o conhecimento mínimo para atendimento de situações de emergência estaria disponível de forma capilarizada para quase toda a população. O reconhecimento e o tratamento da fibrilação ventricular por profissional da saúde (médico ou enfermeiro com treinamento em ACLS - Advanced Cardiac Life Support) são seguramente excelentes instrumentos para melhorar os resultados pré-hospitalares no IAM, mas apenas na possibilidade de haver uma aplicabilidade difusa, por meio de programas de atendimento de urgência em unidades móveis que estejam equipadas e disponíveis para cobertura global da população.

A importância da fibrilação ventricular como mecanismo de óbito precoce e a habilidade na ressuscitação e na desfibrilação foram os fatores que propiciaram o desenvolvimento de programas de tratamento pré-hospitalar do IAM. Estima-se que a desfibrilação salve cerca de 6 vezes mais vidas que o tratamento trombolítico, mas depende da sua rápida aplicação ao paciente. O impacto potencial, em termos de benefício, ao se intervir na fase pré-hospitalar no IAM reforça a necessidade de programas que permitam:

a) identificar o perfil dos casos de IAM que não chegam aos hospitais, qualificando o estado atual de atendimento e quantificando o impacto de uma nova estratégia, de grande difusão na população;

b) estruturação de unidades de atendimento (móveis e fixas), equipadas, qualificadas e de ampla abrangência no atendimento à população;

c) fornecer maior informação à população quanto aos sintomas de IAM e a importância de uma busca rápida por auxílio médico;

d) treinamento difuso da população para atendimento de urgência nos moldes de suporte básico de vida (BLS - Basic Life Support);

e) disponibilização de desfibriladores automáticos externos em locais públicos de grande circulação.

1.1.3 - Fibrinólise pré-hospitalar

A utilização da terapêutica fibrinolítica pré-hospitalar baseia-se no conceito clássico experimental de que, ao se abreviar o tempo de isquemia miocárdica aguda, se reduz o tamanho do infarto do miocárdio14. Isso resulta em menor mortalidade - não só hospitalar como pré-hospitalar -, bem como diminui suas complicações imediatas e tardias. Quanto mais precoce é administrada a terapêutica fibrinolítica, menor a mortalidade e o grau de disfunção ventricular15-20. Por outro lado, não há vantagem em se administrar fibrinolíticos após 12 horas do início dos sintomas18.

O retardo pré-hospitalar - intervalo entre o início dos sintomas isquêmicos e a chegada ao hospital - é um dos determinantes do tamanho do infarto e da mortalidade pré e intra-hospitalar. Esse tempo é de 3-4 horas, em média18,21. A utilização pré-hospitalar da terapêutica fibrinolítica visa a reduzir tal retardo22.

É importante reconhecer que em todos os estudos que utilizaram fibrinolíticos fora do ambiente hospitalar havia condições operacionais apropriadas para seu uso, para a monitorização, tanto clínica como eletrocardiográfica, pré-hospitalar dos pacientes e para o tratamento das taquiarritmias. Além disso, estavam programados os meios facilitadores para o correto diagnóstico do infarto agudo do miocárdio, para o rápido transporte e para a imediata hospitalização dos pacientes23-29.

Apesar de existirem evidências claras provenientes da comparação entre fibrinolítico intra-hospitalar e angioplastia primária, as quais favorecem esta última estratégia em relação à redução do desfecho composto de morte, reinfarto, acidente vascular cerebral e melhora da contratilidade ventricular30-33, são poucas as informações sobre sua vantagem em relação à fibrinólise pré-hospitalar. O estudo CAPTIM(Comparison of Primary Angioplasty and Prehospital Thrombolysis in the Acute Phase of Myocardial Infarction)34, apesar do seu baixo poder em demonstrar diferença entre as duas estratégias, não revelou desvantagem da fibrinólise pré-hospitalar sobre a angioplastia primária no desfecho composto de óbito, reinfarto e acidente vascular cerebral em 30 dias.

Estudos de fibrinólise pré-hospitalar realizados em diferentes países demonstraram que esse procedimento é factível e capaz de reduzir o tempo para administração do fibrinolítico21,23-24,27-29.

A metanálise dos principais estudos randomizados entre trombólise pré e intra-hospitalar apresentou resultados significativamente favoráveis ao uso da primeira estratégia. Observou-se redução média do tempo para uso do fibrinolítico em uma hora, resultando numa queda de 17% na mortalidade ou 21 vidas salvas por 1.000 pacientes tratados35. Nessa mesma linha, recente estudo observacional controlado sueco, com mais de 5.000 pacientes, mostrou redução de tempo para uso de fibrinolítico de 50 minutos e da mortalidade em um ano de 30% a favor do uso pré-hospitalar, com um número necessário para tratar (NNT) de 22 pacientes36.

De acordo com as evidências disponíveis, nas situações de atendimento pré-hospitalar, o retardo máximo aceitável para a realização da estratégia invasiva de angioplastia primária é de 90 minutos, considerando-se para estes casos o tempo "ambulância-balão" (tempo desde o início do atendimento pelo resgate móvel até a insuflação do balão e abertura da artéria coronária). Na impossibilidade de angioplastia ou expectativa de transporte/transferência (tempo "ambulância-balão") maior do que 90 minutos para hospital com angioplastia, a opção deve ser pelo uso de fibrinolítico, desde que não haja contraindicação e que o tempo "atendimento-agulha" (tempo desde o início do atendimento pelo resgate móvel até o início da infusão do fibrinolítico) seja de até 30 minutos. Em quaisquer das indicações para uso do fibrinolítico pré-hospitalar, necessariamente um médico capacitado deve estar presente, acompanhado de uma ambulância equipada com eletrocardiograma, para diagnóstico e monitorização contínua, além de material para prover cardioversão elétrica e equipamentos e medicamentos recomendados em casos de parada cardíaca37.

Os medicamentos fibrinolíticos utilizados no cenário pré-hospitalar são os mesmos usados dentro do hospital, inclusive as doses, dando-se natural preferência àquelas de mais fácil administração endovenosa, como é o caso dos fibrinolíticos utilizados em bolo, como o tecnecteplase (TNK-tPA), único disponível em nosso meio e utilizado em dose única. Quando disponível, a reteplase (rPA), administrada na forma de duplo-bolo, também poderá ser empregada.

A implantação de um modelo de atendimento emergencial com a possibilidade de realizar fibrinólise pré-hospitalar deve levar em conta os seguintes conhecimentos: a) é baixa a taxa de IAM entre os pacientes atendidos por dor torácica pelas ambulâncias ou nas salas de emergência gerais (5%-10%)24,38; b) a taxa de pacientes atendidos em domicílio com IAM e que são elegíveis para o tratamento fibrinolítico gira em torno de 30%23,39; e c) é elevado o valor monetário calculado para cada vida salva com a utilização da fibrinólise pré-hospitalar (US$ 70 mil)40.

1.1.4 - Recomendações

As terapias recomendadas na fase pré-hospitalar são quase todas empíricas, baseadas em estudos realizados em pacientes hospitalizados. Embora o cenário seja diferente, a circunstância clínica é a mesma: infarto agudo do miocárdio. Portanto, trata-se de uma extrapolação coerente, que naturalmente deve ser feita por equipe capacitada e treinada.

- Administração de oxigênio (3 l/min a 100%, por meio de cateter nasal): É indicada sua administração rotineira em todos os pacientes com infarto agudo do miocárdio, não complicado, nas primeiras 3-6 horas, ou por mais tempo, de acordo com indicações específicas, como: saturação de oxigênio abaixo de 90%, verificada pela oximetria de pulso, e presença de congestão pulmonar. Não há evidências de benefícios, no IAM não complicado, passadas as primeiras horas de uso. Quando utilizada de forma desnecessária, a administração de oxigênio por tempo prolongado pode causar vasoconstrição sistêmica e aumento da resistência vascular sistêmica e da pressão arterial, reduzindo o débito cardíaco, sendo, portanto, prejudicial4.

- Tratamento da dor: Diminui o consumo de oxigênio pelo miocárdio isquêmico, provocado pela ativação do sistema nervoso simpático. A analgesia deve ser feita de preferência com sulfato de morfina endovenosa - exceto para pacientes alérgicos a este fármaco - na dose inicial de 2,0-8,0 mg (geralmente suficiente para aliviar a dor e a ansiedade). Com a monitorização da pressão arterial, essas doses podem ser repetidas em intervalos de 5-15 minutos. Em caso de não disponibilidade ou hipersensibilidade ao fármaco, o sulfato de morfina pode ser substituído pelo sulfato de meperidina, em doses fracionadas de 20-50 mg. Os anti-inflamatórios não esteroides (AINES) não devem ser utilizados na vigência de IAM e, se o paciente que apresentar este diagnóstico fizer uso crônico de AINES, o medicamento deve ser suspenso.

- Nitratos: Devem ser utilizados na formulação sublingual (nitroglicerina, mononitrato de isossorbida ou dinitrato de isossorbida) para reversão de eventual espasmo e/ou para alívio da dor anginosa. Também são recomendados para controle da hipertensão arterial ou alívio da congestão pulmonar, se presentes. Estão contraindicados na presença de hipotensão arterial (pressão arterial sistólica < 100 mmHg), uso prévio de sildenafil ou similares nas últimas 24 horas e quando houver suspeita de comprometimento do ventrículo direito. A dose sublingual preconizada é de: nitroglicerina, 0,4 mg; mononitrato de isossorbida, 5,0 mg; ou dinitrato de isossorbida, 5,0 mg. Devem ser administradas no máximo três doses, separadas por intervalos de 5 minutos.

 

 

- Ácido acetilsalicílico (AAS): Único anti-inflamatório não esteroide indicado rotineiramente para todos os pacientes com suspeita de IAM, eventualmente como automedicação, exceto nos casos de contraindicação (alergia ou intolerância ao medicamento, sangramento ativo, hemofilia, úlcera péptica ativa). Pacientes com maior risco de doença coronária devem ser instruídos por seus médicos assistentes a tomar ácido acetilsalicílico não tamponado em situações emergenciais4. É o antiplaquetário de eleição a ser utilizado no infarto agudo do miocárdio, tendo sido demonstrado pelo estudo ISIS-2 (Second International Study of Infarct Survival) que reduz a mortalidade em 20%, isoladamente, quase tanto quanto a estreptoquinase. Além disso, tem ação sinérgica com o próprio fibrinolítico, levando à associação de ambos os medicamentos a um decréscimo de 42% na mortalidade41. A dose recomendada é de 160-325 mg/dia a ser utilizada de forma mastigável quando da chegada do paciente ao hospital ou ao ser atendido por emergência móvel, ainda antes da realização do eletrocardiograma.

- Clopidogrel: As evidências para o uso do clopidogrel no IAMCST se referem ao seu uso combinado ao AAS em pacientes que receberam terapia trombolítica inicial, demonstrando o seu benefício em reduzir eventos cardiovasculares maiores. O benefício foi maior quanto mais precoce foi administrado o medicamento e quando uma dose de ataque foi utilizada (300 mg). Uma dose de ataque maior (600 mg) vem sendo citada como provavelmente mais eficaz em reduzir desfechos, especialmente em pacientes submetidos à estratégia invasiva; no entanto, resposta mais precisa e de maior robustez estará disponível apenas com a publicação do Estudo OASIS - 7, atualmente em andamento42.

Até que novas evidências estejam disponíveis, a dose de ataque de 300 mg deve ser aplicada em pacientes com menos de 75 anos. A manutenção recomendada é de 75 mg/dia.

- Anticoagulantes: A enoxaparina deve ser administrada quando do diagnóstico do IAMCST nas seguintes doses: em pacientes com idade < 75 anos: 30 mg IV em bolo e após 1,0 mg/kg de peso subcutâneo de 12/12 horas até a alta hospitalar; em pacientes com idade > 75 anos: não administrar o bolo e iniciar com 0,75 mg/kg subcutâneo de 12/12 horas43. Embora a enoxaparina não tenha demonstrado redução de mortalidade, houve redução do desfecho primário de morte ou infarto do miocárdio não fatal, sem um aumento importante de sangramento. Para cada 1.000 pacientes tratados com enoxaparina, houve uma redução de 15 reinfartos não fatais, 7 episódios de revascularização urgente e 6 mortes, com 4 episódios adicionais de sangramento maior não fatais.

 

 

- Betabloqueadores: na ausência de contraindicações, essa classe de medicamentos deve ser iniciada imediatamente, de preferência por via oral, após a admissão do paciente. Não existem, até o momento, dados sobre a avaliação sistemática de seu emprego na fase pré-hospitalar. O estudo clínico TEAHAT (Thrombolysis Early in Heart Attack)44 avaliou o uso de metoprolol na fase pré-hospitalar do IAM, em associação com fibrinolítico ou placebo. Seus achados demonstraram menores taxas de IAM com onda Q, insuficiência cardíaca congestiva e fibrilação ventricular, sem aumento acentuado dos efeitos colaterais. As indicações e contraindicações são as mesmas da utilização intra-hospitalar.

A efetividade do uso do betabloqueador na fase aguda do infarto do miocárdio passou a ser reavaliada pelos resultados de estudos que não confirmaram todo o benefício descrito previamente. Além de provocar hipotensão mais prolongada e maior número de casos de bradicardia e choque cardiogênico, não houve redução na mortalidade. Hoje devemos utilizá-lo com mais critério na administração venosa45.

Primeiro devemos identificar os pacientes com maior risco para choque cardiogênico nas primeiras 24 horas e que são: aqueles com idade acima de 70 anos, pressão sistólica abaixo de 120 mmHg, frequência cardíaca maior do que 110 bpm ou insuficiência cardíaca maior que 1, pela classificação de Killip, além de outras contraindicações aos betabloquadores (intervalo PR maior que 240 mseg, bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro graus, asma ativa ou doença pulmonar reativa), evidência de baixo débito ou sinais de insuficiência cardíaca.

Atualmente, prefer-se usar o betabloqueador por via oral nas primeiras 24 horas, reservando-se a via endovenosa para casos selecionados. A administração oral com metoprolol é de 50 mg de 6/6 horas no primeiro dia e 200 mg a partir do segundo dia. No caso de se usar a via endovenosa, a dose de metoprolol é 5,0 mg IV de 5 em 5 minutos por até três doses nos pacientes hipertensos, sem os fatores de risco descritos e sem contraindicações usuais aos betabloqueadores. Caso sejam usados outros betabloqueadores, deve-se utilizar doses equivalentes.

Pacientes com contraindicação para o uso precoce dos betabloqueadores devem ser reavaliados como candidatos a esta terapia na prevenção secundária.

- Antiarrítmicos: no final da década de 1970 e início dos anos 1980, o uso profilático de lidocaína foi comum, com o objetivo de reduzir a incidência de fibrilação ventricular. Apesar de ter diminuído a incidência dessa arritmia, foi observada uma elevação nos índices de mortalidade hospitalar, possivelmente decorrente do aumento de assistolia. Sua utilização no atendimento, tanto pré-hospitalar como hospitalar, portanto, não tem indicação rotineira46.

 

2. Atendimento na unidade de emergência: diagnóstico e estratificação de risco

2.1 - Clínico e eletrocardiográfico

2.1.1 - Avaliação inicial

Inúmeras terapias comprovadamente modificam a evolução de pacientes que se apresentam com IAM. Entretanto, a efetividade da maioria dessas medidas é tempo-dependente. Cada vez mais tem sido salientada a importância da identificação rápida e eficiente de pacientes com isquemia miocárdica aguda nos serviços de emergência47.

Embora a apresentação clínica de pacientes com isquemia miocárdica aguda possa ser muito diversa, cerca de 75%-85% dos pacientes apresentam dor torácica como sintoma predominante. A dor, usualmente prolongada (> 20 minutos) e desencadeada por exercício ou por estresse, pode ocorrer em repouso. A dor é geralmente intensa, podendo ser aliviada com repouso ou uso de nitratos e estar associada a alguns sintomas, como dispneia, náuseas e vômitos40,48. Em pacientes com angina prévia, a mudança do caráter da dor é um indicador de instabilização. A obtenção de história detalhada das características da dor auxilia muito no diagnóstico, sendo de grande importância a avaliação da presença de fatores de risco para doença arterial coronária, infarto prévio e doença aterosclerótica já documentada.

O exame físico é frequentemente pobre e inespecífico. Menos de 20% dos pacientes apresentam alterações significativas na avaliação inicial. Entretanto, a presença de estertores pulmonares, hipotensão arterial sistêmica (pressão arterial sistólica < 110 mmHg) e taquicardia sinusal coloca o paciente em maior risco de desenvolver eventos cardíacos nas 72 horas seguintes48,49. O exame físico deve auxiliar no diagnóstico diferencial de dissecção da aorta e no de complicações pulmonares ou cardíacas, como pericardite e estenose aórtica.

2.1.2 - Eletrocardiografia

O exame eletrocardiográfico deve ser realizado idealmente em menos de 10 minutos da apresentação à emergência e é o centro do processo decisório inicial em pacientes com suspeita de infarto agudo do miocárdio. Em pacientes com sintomas sugestivos, a elevação do segmento ST tem especificidade de 91% e sensibilidade de 46% para diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. A mortalidade aumenta com o número de derivações no eletrocardiograma (ECG) com supradesnível de ST48-50. Como o ECG pode ser inespecífico nas primeiras horas, é importante avaliar traçados seriados em curto período de tempo (5-10 min), se o paciente permanecer sintomático.

O resultado do ECG é a chave da estratégica terapêutica. O reconhecimento de supradesnivelamento do segmento ST > 1,0 mm em derivações contíguas no plano frontal, o bloqueio de ramo esquerdo novo ou o supradesnivelamento do segmento ST > 2,0 mm em derivações precordiais sugere alta probabilidade de IAM. Em caso de supradesnivelamento do segmento ST em derivações da parede inferior (DII, DIII e AVF), recomenda-se a obtenção de derivações direitas e V7,V8). A realização de ECGs seriados nas primeiras horas do atendimento inicial aumenta intensamente a sensibilidade do método. Após o atendimento inicial, o ECG deve ser repetido 12 horas após a internação e diariamente até a alta da unidade coronária.

2.1.3 - Estratificação de risco

Na avaliação dos pacientes com suspeita de infarto agudo do miocárdio, é importante que seja feita a estratificação de risco inicial de acordo com a probabilidade de os mesmos desenvolverem eventos e complicações cardíacas isquêmicas no futuro. Por definição, pacientes com síndrome coronária aguda e supradesnível do segmento ST são classificados como de alto risco para eventos, embora exista ainda muita heterogeneidade neste grupo.

Nos últimos anos, foram desenvolvidos e validados escores de estratificação de risco provenientes de análises multivariadas. Os mais utilizados e que têm demonstrado impacto na tomada de decisão clínica são os escores TIMI (Thrombolysis in Myocardial Infarction) para pacientes com supradesnível e sem supradesnível do segmento ST no eletrocardiograma. O escore de TIMI com supra-ST tem maior validade em pacientes submetidos à terapia de reperfusão. Naqueles com escore inferior a dois, a mortalidade hospitalar é inferior a 2%; escore 5, o risco é intermediário, com mortalidade de 10%; escores acima de 8 estão associados com mortalidade maior que 20%51-53. Na tabela a seguir, estão apresentados os escores de risco TIMI para síndrome coronária aguda com supradesnível do segmento ST51,53.

2.1.4 - Diagnóstico

A definição clínica de IAM passou por importantes modificações desde a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS)54,55. Em 2007, uma revisão universal dessa definição foi sugerida, com algumas mudanças nos critérios originais, especialmente nas elevações dos marcadores consideradas anormais durante procedimentos de revascularização miocárdica (Quadro 2.1.4.1)56. Conforme a redefinição de critérios para o diagnóstico de IAM, recente ou em evolução, pode-se estabelecer o diagnóstico de IAM se houver aumento característico e diminuição gradual da troponina ou aumento e diminuição mais rápidos para creatinaquinase CK fração MB (CK-MB), com pelo menos um dos seguintes critérios: a) sintomas isquêmicos; b) alterações eletrocardiográficas indicativas de isquemia (elevação, depressão do segmento ST ou BCRE novo); c) desenvolvimento de ondas Q patológicas no eletrocardiograma; ou d) evidência, em exames de imagem, de perda de viabilidade miocárdica ou contratilidade segmentar anormal56,57. A classificação clínica dos diferentes tipos de infarto envolve: tipo 1 - IAM espontâneo; tipo 2 - IAM por causas secundárias; tipo 3 - morte cardíaca súbita, com clínica compatível; tipo 4a - IAM associado à intervenção percutânea; Tipo 4b - IAM associado à trombose comprovada de stent; tipo 5 - IAM associado à cirurgia de revascularização (Quadro 2.1.4.2).

 

 

 

 

 

 

 

 

O impacto dessa redefinição para o paciente e para o sistema de saúde será considerável. É esperado aumento da incidência de casos de IAM na ordem de 30%-70%, dependendo do nível de marcador aceito como elevado, e incremento dos faturamentos hospitalares com a nova definição58,59.

2.2 - Marcadores bioquímicos de lesão miocárdica

O IAM reflete a morte celular secundária à isquemia miocárdica decorrente do desbalanço entre a oferta e a demanda de oxigênio. A necrose miocárdica é acompanhada pela liberação de macromoléculas intracelulares e proteínas estruturais no interstício cardíaco.

A creatinaquinase (CK-total) é uma importante enzima reguladora da produção e da utilização do fosfato de alta energia nos tecidos contráteis. Embora seja um sensível indicador de lesão muscular, não é específica para o diagnóstico de lesão miocárdica60. Com o desenvolvimento de novos marcadores mais sensíveis e específicos para o diagnóstico de lesão miocárdica, a utilização de CK-total é uma medida de exceção, reservada para o caso de indisponibilidade de marcadores mais modernos.

A medida da CK-MB atividade eleva-se em 4-6 horas após o início dos sintomas, com pico em torno de 18 horas, e normaliza-se entre 48-72 horas. Possui uma sensibilidade diagnóstica de 93% após 12 horas do início dos sintomas, porém é pouco sensível para o diagnóstico nas primeiras 6 horas de evolução61.

Com o surgimento de testes mais modernos que dosam a concentração de CK-MB, a dosagem de CK-MB massa aumentou a sensibilidade clínica e especificidade analítica. A CK-MB massa eleva-se entre 3-6 horas após o início dos sintomas, com pico entre 16-24 horas, normalizando-se entre 48-72 horas. Apresenta sensibilidade diagnóstica de 50% após três horas do início dos sintomas e de 80% em 6 horas de evolução. É o melhor teste para dosagem de CK-MB disponível atualmente62.

A mioglobina é uma hemoproteína citoplasmática transportadora de oxigênio de baixo peso molecular, encontrada tanto no músculo esquelético como no músculo cardíaco. Liberada rapidamente, começa a elevar-se entre 1-2 horas após o início dos sintomas, com pico entre 6-9 horas e normalização entre 12-24 horas63,64. Devido a seu elevado valor preditivo negativo, que varia entre 83%-98%, é considerada excelente para afastar o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio63, principalmente em pacientes que apresentam alterações eletrocardiográficas que dificultam o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio.

As troponinas são proteínas presentes nos filamentos finos dos músculos estriados, formando um complexo com três polipeptídeos: a troponina C (TnC), a troponina I (cTnI) e a troponina T (cTnT)65,66. Elevam-se entre 4-8 horas após o início dos sintomas, com pico entre 36-72 horas e normalização entre 5-14 dias. Apresentam a mesma sensibilidade diagnóstica do que a CK-MB entre 12-48 horas de evolução, mas em portadores de doenças que diminuem a especificidade da CK-MB elas são indispensáveis65,66. Embora consideradas específicas para o miocárdio, resultados falso-positivos de troponina foram publicados por causa da presença de fibrina no soro, da presença de anticorpos heterofílicos e da reação cruzada com anticorpos humanos67.

Em pacientes admitidos com dor precordial prolongada e apresentando supradesnível do segmento ST ao eletrocardiograma, são dosados os marcadores bioquímicos de lesão miocárdica. Os marcadores atualmente disponíveis começam a se elevar na circulação sanguínea após o tempo ideal de reperfusão arterial coronária e não são essenciais para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio19. Nesses casos, deve-se iniciar rapidamente uma estratégia de reperfusão coronária sem aguardar seus resultados.

Os marcadores de lesão miocárdica em pacientes com IAM são úteis para estimar a extensão do infarto, prognóstico, diagnóstico de reperfusão coronária à beira do leito e para o diagnóstico de reinfarto.

Os marcadores bioquímicos de lesão miocárdica são úteis para o diagnóstico de reperfusão coronária após tratamento com terapia fibrinolítica. Sua liberação pelo miocárdio lesado depende da perfusão na área de infarto e a reperfusão coronária causa a elevação precoce e pico mais elevado desses marcadores por causa do maior fluxo sanguíneo na área lesada após o restabelecimento do fluxo arterial (washout).

O diagnóstico de reinfarto em pacientes com IAM é muitas vezes difícil. Tradicionalmente, a CK-MB tem sido utilizada para esse diagnóstico devido à normalização de seus valores após 72 horas do início do evento. Uma nova elevação (20% acima do resutado prévio) antes da normalização de seus valores (72 horas) ou uma nova elevação acima do valor de referência, mesmo após a sua normalização prévia, associada a quadro clínico sugestivo, permite o diagnóstico de reinfarto.

Atualmente, sugere-se a utilização das troponinas T e I e da CK-MB massa como marcadores de lesão miocárdica. A dosagem de CK-MB atividade deve ser substituída o mais precocemente possível68.

 

 

2.3 - Monitorização eletrocardiográfica na fase aguda

2.3.1 - Detecção de arritmias cardíacas

A possibilidade de surgimento de arritmias ventriculares súbitas e fatais no IAM recomenda que todos os pacientes sejam monitorizados com ECG contínuo na admissão hospitalar, a qual deve ser mantida durante o período de investigação diagnóstica, sendo suspensa entre 12-24 horas após a estabilização clínica.

2.3.2 - Confirmação diagnóstica, avaliação e acompanhamento prognóstico

O eletrocardiograma (ECG), de baixo custo e com ampla disponibilidade, é fundamental na avaliação de pacientes com dor torácica compatível com isquemia miocárdica, tanto para a confirmação diagnóstica como para estratificação prognóstica50,69.Entretanto, o supradesnivelamento de ST apresenta sensibilidade de apenas 45%-60% para diagnóstico de IAM e cerca de 50% dos pacientes apresentam-se com eletrocardiograma normal ou não diagnóstico. A baixa sensibilidade do ECG admissional e a natureza dinâmica do processo trombo oclusivo coronariano presente nas síndromes agudas podem ser mais bem avaliados por ECGs seriados e pela monitorização contínua do segmento ST, o que permite a identificação de novos episódios de isquemia, tanto sintomáticos como assintomáticos. A presença de flutuações do segmento ST é um fator prognóstico de eventos adversos, como óbito, infarto do miocárdio não fatal e necessidade de revascularização urgente70,71.

 

3. Procedimentos especiais para estratificação de risco e avaliação

3.1 - Eletrocardiografia de alta resolução

A eletrocardiografia de alta resolução (ECG-Ar) é um método propedêutico não invasivo, baseado na promediação de centenas de complexos QRS, captados na superfície corpórea, ampliados e filtrados. A ampliação dos QRS permite a identificação de potenciais elétricos de baixa amplitude e alta frequência, oriundos de zonas lesadas do miocárdio ventricular (zonas de isquemia ou cicatriz)72. Tais potenciais, não registráveis pela eletrocardiografia convencional, ocorrem como consequência de um desarranjo na estrutura do miocárdio isquêmico ou infartado. A separação e a perda de orientação das fibras miocárdicas comprometem a condução tecidual, produzindo condução lenta regional, expressa pelo aparecimento desses potenciais de baixa amplitude, registráveis no final dos complexos QRS ampliados73. A presença da condução lenta e fragmentada favorece os mecanismos de reentrada, que constituem a base eletrofisiológica para o desencadeamento de arritmias ventriculares. O ECG-Ar, juntamente com outras formas de avaliação da função ventricular e da isquemia, permitem-nos a estratificação de risco para os pacientes pós-infarto do miocárdio.

 

 

 

 

A posição desse método propedêutico na estratificação de risco pós-IAM é baseada no seu poder preditivo negativo (superior a 95%). Isso significa que, num paciente individual, a ausência de potenciais tardios torna muito improvável o desencadeamento de uma taquicardia ventricular sustentada, quando levado à estimulação ventricular programada no laboratório de eletrofisiologia, configurando um bom prognóstico para este indivíduo. As diretrizes internacionais estabelecem que o ECG-AR pode ajudar na estratificação do risco pós-IAM para pacientes com pré-síncope ou síncope de origem indeterminada74.

3.2 - Eletrocardiografia dinâmica

3.2.1 - Sistema Holter

A eletrocardiografia ambulatorial pelo sistema Holter, graças à evolução tecnológica na última década, permite a avaliação prolongada dos padrões eletrocardiográficos de pacientes, com a possibilidade da detecção, classificação e quantificação dos vários tipos de arritmias - especialmente as ventriculares -; da detecção e quantificação das elevações e depressões do segmento ST - fornecendo dados sobre a existência de isquemia espontânea e carga isquêmica total -; e, finalmente, a obtenção dos cálculos e dos parâmetros da variabilidade da frequência cardíaca (VFC), informando sobre o estado da modulação autonômica do coração.

Assim, o Holter, exame não invasivo, de fácil execução e de baixo custo, permite uma avaliação da existência de isquemia residual e informa sobre o substrato arritmogênico, duas das condições que, associadas ao grau de disfunção ventricular esquerda, representam os pilares determinantes do prognóstico futuro para os pacientes pós-infarto75.

3.2.2 - Arritmias ventriculares

Os pacientes sobreviventes, após um infarto do miocárdio, apresentam um risco aumentado de morte súbita, com incidência maior no primeiro ano após o evento76. As principais causas de morte súbita nesses pacientes são a taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular77. A presença de arritmias ventriculares complexas, detectadas pelo Holter após a fase aguda do infarto do miocárdio, é indicativa de mau prognóstico para a evolução em médio prazo 78-88.

Ruberman e cols.80 e Moss e cols.87 concluíram que as arritmias ventriculares e a disfunção ventricular eram fatores de risco que se somavam à morte após infarto do miocárdio. Bigger e cols.81 também mostraram forte associação entre morte, frequência dos ectópicos maior que três por hora, presença de formas repetitivas e baixa fração de ejeção. Assim, a presença de arritmias ventriculares complexas, associadas à disfunção ventricular (fração de ejeção < 40%), identifica pacientes de maior risco, saltando de 5%-15% para 15%-34% de seu valor preditivo positivo para eventos arrítmicos graves ou morte súbita, respectivamente. Por essa razão, os conhecimentos do estado da função ventricular associados às informações do Holter elevam o valor preditivo positivo destes exames complementares mais do que a informação fornecida por qualquer um deles isoladamente.

De um modo geral, na literatura, há concordância de que a ocorrência de 10 ou mais extrassístoles ventriculares por hora, durante a monitorização ambulatorial, identifica um subgrupo com mortalidade 2,5-4 maior que naqueles indivíduos com ausência ou baixa ocorrência destas arritmias. A taquicardia ventricular não sustentada, que ocorre em cerca de 12% dos pacientes convalescentes de um infarto do miocárdio, está relacionada a uma mortalidade 4,2 vezes maior comparada ao subgrupo sem esta arritmia. Entretanto, embora a especificidade e o valor preditivo negativo de tais achados sejam elevados, ultrapassando 90%, a sensibilidade e o valor preditivo positivo permanecem baixos, sendo de 5%-15% para morte súbita e entre 11%-32% para morte total83.

Devido à especial capacidade da eletrocardiografia dinâmica na avaliação de pacientes com arritmias ventriculares complexas e o crescente interesse na detecção de pacientes no pós-infarto do miocárdio que poderão se beneficiar com o implante do cardioversor-desfibrilador, o Holter deve ser utilizado como método de investigação obrigatório. Caso a possível indicação do exame esteja relacionada à investigação de sintomas possíveis de serem relacionados às arritmias, a realização do Holter é também obrigatória. Incluem-se nesses sintomas a síncope no pós-infarto, quase sempre provocada por taquiarritmias ventriculares graves, os equivalentes sincopais e as palpitações. É preciso salientar que os resultados devem sempre ser analisados e considerados num contexto mais amplo, correlacionando-os com outros métodos de investigação89.

3.2.3 - Alterações isquêmicas

Em pacientes pós-infarto, a ocorrência de isquemia durante a monitorização ambulatorial oscila entre 15%-30%, sendo inferior aos números observados na angina instável e em outras síndromes isquêmicas agudas90.

A presença de isquemia pós-infarto é reconhecida há muito tempo como fator de pior prognóstico, mesmo quando identificada apenas pela presença de sintomas de angina91-96. As alterações de ST, quando o Holter é realizado na fase precoce, identificarão isquemia na região peri-infarto, isquemia dependente de recanalização parcial da artéria ocluída e também das variações do tônus coronário97. A presença de isquemia na monitorização ambulatorial precoce é indicativa de risco três vezes maior97, quando considerada a morte cardíaca, e 4 vezes quando considerado qualquer evento cardíaco adverso98. A presença de alterações isquêmicas no Holter e a carga isquêmica total se correlacionaram com eventos adversos, como reoclusão coronária, novo infarto e fenômenos isquêmicos recorrentes. O valor preditivo positivo da isquemia do Holter foi apenas 11%, porém o valor preditivo negativo (ausência de isquemia) alcançou 99%, permitindo afirmar que um exame de Holter negativo para isquemia é fortemente indicativo de baixo risco, propiciando um seguimento clínico com indicação eletiva do estudo cinecoronariográfico.

O estudo mais amplo99, desenhado para sistematicamente investigar a incidência e o significado da isquemia silenciosa, detectada pelo Holter no pós-infarto, foi feito com 406 pacientes estudados entre o quinto e o sétimo dia de evolução. A isquemia espontânea detectada na monitorização eletrocardiográfica ambulatorial foi o mais poderoso fator prognóstico de eventos adversos, o que não aconteceu com a isquemia provocada no teste de esforço. Entre variáveis clínicas, fração de ejeção, dados do teste de esforço e variáveis extraídas do Holter, a isquemia na monitorização ambulatorial apresentou o mais significante valor prognóstico, com apenas 12%, quando considerada a morte cardíaca, alcançando, porém, 44% de valor preditivo positivo, quando agregados infarto não fatal e angina instável como desfechos finais.

No entanto, a realização precoce do Holter no período pós-infarto, indicado, por exemplo, para a avaliação do ritmo ou de um sintoma, deve incluir uma criteriosa e cuidadosa análise do segmento ST que, certamente, fornecerá subsídios muito úteis para a tomada de condutas e planejamento terapêutico.

3.2.4 - Variabilidade da frequência cardíaca

Os ciclos sinusais não têm todos a mesma duração, ainda que em condições de repouso. Essas variações ocorrem devido a modificações no equilíbrio autonômico, como aquelas provocadas pelos movimentos respiratórios, alterando o tônus vagal ou mudanças na atividade simpática global. O coração é rico em fibras simpáticas e parassimpáticas e a estabilidade elétrica do miocárdio depende do sinergismo entre estes dois componentes. Está demonstrada a importância da atividade vagal como protetora contra a indução de arritmias ventriculares em sobreviventes de infarto do miocárdio100. Mais recentemente, ampliaram-se os estudos da variabilidade da frequência cardíaca dentro da cardiologia clínica, graças ao desenvolvimento de programas para a medida automática e precisa de cada intervalo RR normal de eletrocardiogramas em períodos de curta duração ou em gravações de 24 horas pelo sistema Holter.

Nos últimos anos, vários estudos clínicos e experimentais pós-infarto do miocárdio têm mostrado que um risco maior de morte súbita está associado estreitamente aos sinais de depressão parassimpática100-102, o mesmo ocorrendo nos miocardiopatas dilatados103.

A baixa variabilidade de RR tem se mostrado um índice independente para a estratificação do risco em pacientes sobreviventes de infarto do miocárdio. Farrel e cols.104 mostraram recentemente que a variabilidade de RR no pós-infarto do miocárdio, seguida pela presença de potenciais tardios e formas ectópicas ventriculares repetitivas, foram as únicas variáveis que isoladamente tiveram valor prognóstico positivo para eventos arrítmicos graves futuros. Isoladamente, a baixa variabilidade de RR mostrou-se o melhor indicador de mortalidade futura em um seguimento de três anos. Em combinação com as outras variáveis, também foi de grande valor. Nos casos com fração de ejeção menor que 30%, a associação da baixa variabilidade de RR dobrou o risco para mortalidade. Entre os pacientes com ectópicos ventriculares pareados ou em salvas, a mortalidade total foi de 25%, subindo para 50% em três anos, em associação às arritmias de baixa variabilidade de RR.

Lombardi e cols.105 confirmaram nos pacientes do sexo masculino que, duas semanas após um infarto do miocárdio, existe uma nítida depressão da atividade vagal e um aumento da atividade simpática, comparativamente a controles normais. Reestudados 6 meses e um ano após o evento, os dados tendem a se normalizar, coincidindo com o período de decréscimo dramático na ocorrência de eventos adversos, fatais ou não, na história natural do IAM. O paciente pós-infarto do miocárdio pode também ser avaliado tardiamente em relação à variabilidade da frequência cardíaca (FC) e Bigger e cols.106 demonstraram, medindo a variabilidade de RR um ano após o infarto agudo, que a relação entre baixa variabilidade e subsequente morte por todas as causas permaneceu forte e estatisticamente significante, com valor preditivo independente dos outros elementos estratificadores, como por exemplo disfunção ventricular e arritmias ventriculares.

 

 

As diretrizes da European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology (ESC/NASPE)107 recomendam a medida da variabilidade de RR em torno de uma semana após o episódio agudo, com o objetivo de estratificação de risco. Sendo inequívocos os valores preditivos dos dados referentes à variabilidade da frequência cardíaca, pode-se afirmar ser de grande valia a complementação de um exame convencional de Holter, ainda mais levando em conta ser nulo o acréscimo de tempo e desprezível o aumento no custo do procedimento.

3.3 - Estudo eletrofisiológico

3.3.1 - Avaliação eletrofisiológica invasiva após infarto agudo do miocárdio

Estima-se que, na presença de doença cardíaca estrutural, a morte súbita cardíaca seja decorrente de doença arterial coronariana em 80% dos casos108,109. Nos sobreviventes de IAM, a incidência desse evento é maior no primeiro mês (1,4/100/mês), principalmente naqueles com disfunção ventricular sistólica. Contudo, após dois anos, esse risco diminui de maneira substancial (0,14/100/ mês)109.

Recentemente, com a publicação do estudo MADIT-II110, evidenciou-se que, mesmo sem estratificação com estudo eletrofisiológico invasivo (EEF), aqueles pacientes com miocardiopatia de origem isquêmica e com disfunção ventricular severa (FE < 30%) têm redução de mortalidade com implante profilático de cardioversor-desfibrilador automático (CDI). Mesmo sendo maior o risco no primeiro mês após o IAM, o estudo DINAMIT111, entretanto, não demonstrou redução de mortalidade com o implante profilático neste período após o IAM.

 

 

No estudo MUSTT112, pacientes sobreviventes de IAM com FE < 40% e taquicardia ventricular não sustentada foram submetidos a EEF. Houve maior mortalidade naqueles em que a taquicardia ventricular sustentada foi induzida. Assim, a estimulação elétrica programada é útil na estratificação de risco de morte súbita nos pacientes com taquicardia ventricular não sustentada e cardiopatia estrutural decorrente de coronariopatia que apresentem FE entre 30%-40%.

O EEF também está indicado nos pacientes com cardiopatia isquêmica já portadores de CDI, para guiar terapia de ablação com radiofrequência a fim de diminuir o número de choques aplicados pelo dispositivo113.

Nos pacientes que apresentam história de IAM, mas sem disfunção ventricular esquerda, o EEF pode ser útil na avaliação de sintomas sugestivos de taquiarritmias ventriculares, tais como palpitações, pré-síncope e síncope114. Vale lembrar que o EEF auxilia na elucidação diagnóstica das taquiarritmias de complexo largo.

3.4 - Ecocardiografia Doppler

A ecocardiografia constitui importante subsídio, tanto para a elucidação diagnóstica como para a avaliação do prognóstico após infarto agudo do miocárdio115,116.

A ecocardiografia transtorácica é um excelente método de triagem em pacientes com dor precordial, pois as alterações da motilidade segmentar ocorrem em segundos após a oclusão coronária117. Apesar das alterações da motilidade segmentar poderem significar isquemia ou infarto antigo em vez de agudo, elas nos ajudam a afastar outras causas de dor precordial, como dissecção de aorta, pericardite e embolia pulmonar maciça. Por outro lado, sua ausência praticamente exclui infartos extensos.

A ecocardiografia em repouso e durante estresse fornecem uma série de informações sobre função ventricular esquerda, viabilidade miocárdica e presença de isquemia, com importantes implicações terapêuticas e prognósticas após o infarto agudo do miocárdio. Um dos principais fatores prognósticos de mortalidade cardíaca após infarto é a função ventricular esquerda118, com maiores incrementos da mortalidade associados à redução progressiva da fração de ejeção ventricular, considerando-se pacientes de alto risco aqueles com fração de ejeção ventricular esquerda menor que 35%119.

3.4.1 - Complicações mecânicas do infarto agudo do miocárdio

3.4.1.1 - Ruptura aguda de parede livre

Essa complicação é caracterizada por colapso hemodinâmico e dissociação eletromecânica. A ecocardiografia é o exame de eleição, devendo ser realizada em muito pouco tempo, a fim de enviar o paciente para a cirurgia. Em geral, pelo aumento súbito da pressão intrapericárdica, não há sinais de muito líquido no pericárdio ou há sinais de fina camada de substância, com ecogenicidade semelhante às dos tecidos. Sinais de tamponamento cardíaco são evidentes, como colapso de ventrículo direito e variação respiratória importante (mais de 40% da velocidade de pico) do Doppler de cavidades esquerdas.

3.4.1.2 - Ruptura subaguda de parede livre

Quadro clínico precedido de hipotensão progressiva, dor precordial e alterações eletrocardiográficas do segmento ST. A ecocardiografia transtorácica pode também demonstrar sinais, como pouco líquido denso e achados clássicos de tamponamento cardíaco. O ponto da ruptura em geral não é localizado, pois ocorre por mecanismo de divulsão do miocárdio, e habitualmente não produz orifícios de tamanho suficiente para ser diagnosticados pela ecocardiografia. Deve-se lembrar que a presença de líquido pericárdico, sem sinais de tamponamento cardíaco, não faz o diagnóstico de ruptura de parede livre, visto que em infartos transmurais comumente se observa derrame pericárdico120,121.

3.4.1.3 - Comunicação interventricular

O achado clínico de maior relevância em pacientes com suspeita de comunicação interventricular é a presença de deterioração hemodinâmica e de novo sopro cardíaco. Mais comum nas porções basal e média do septo inferior, é relacionada ao IAM extenso de parede inferior, porém pode ocorrer na porção apical do septo, relacionada a extensos infartos de parede anterior. Indícios ecocardiográficos dessa complicação podem ser percebidos horas antes por afinamento excessivo e abaulamento do septo ventricular. O estudo Doppler e o mapeamento de fluxo em cores demonstram a localização da comunicação interventricular e sua magnitude122.

3.4.1.4 - Insuficiência mitral

A insuficiência mitral é comum após IAM e pode ser dividida em três mecanismos fisiopatológicos: dilatação do anel mitralsecundária à dilatação ventricular; disfunção de musculatura papilar em pacientes com IAM inferior; e ruptura de musculatura papilar. Esta última apresenta-se por súbita deterioração hemodinâmica e está relacionada à mortalidade em 75% dos casos nas primeiras 24 horas se o tratamento cirúrgico não for instituído. Pelo fato de haver intensa dispneia, por vezes é necessária a realização de ecocardiografia transesofágica, a fim de esclarecer o diagnóstico123,124.

3.4.2 - Diagnóstico de viabilidade (atordoamento e hibernação)

Até 1/3 dos pacientes com importante disfunção ventricular pode melhorar a função após revascularização125. A busca de viabilidade miocárdica deve ser realizada naqueles pacientes com graus consideráveis de disfunção ventricular, a fim de reduzir sua mortalidade. Após o insulto isquêmico, o atordoamento miocárdico deve desaparecer em no máximo duas semanas; caso persista, episódios repetitivos de isquemia podem causar atordoamento crônico do miocárdio ou hibernação126. Esses pacientes, portanto, podem apresentar necrose extensa ou significativas áreas de atordoamento e hibernação ou, ainda, a mistura das três condições descritas, em geral.

A ecocardiografia sob estresse pode auxiliar essa diferenciação após o quinto dia do infarto agudo do miocárdio. Baixas doses de dobutamina ou de dipiridamol podem induzir melhora da motilidade nas regiões com disfunção em repouso que tenham viabilidade miocárdica. A acurácia de ambos os métodos é similar na previsão de recuperação funcional espontânea após o infarto agudo do miocárdio, embora a dobutamina tenha maior sensibilidade e o dipiridamol, maior especificidade127,128.

3.4.3 - Avaliação de risco após infarto agudo do miocárdio

Quando a função ventricular é preservada, a presença de viabilidade miocárdica detectada pela ecocardiografia sob estresse pela dobutamina está associada a maior risco de angina instável e reinfarto, provavelmente indicando a presença de substrato miocárdico para eventos isquêmicos129.

Há grande número de estudos na literatura, demonstrando a eficácia da estratificação prognóstica, com a ecocardiografia sob estresse pelo dipiridamol e pela dobutamina nos vários subgrupos de pacientes após infarto agudo do miocárdio129-131.

 

 

Para propósitos de análise prognóstica, a resposta ao ecocardiograma sob estresse deve ser avaliada quanto ao tempo para indução de isquemia e quanto a sua gravidade e extensão. O risco de eventos cardíacos aumenta à medida que o tempo necessário para que o estresse induza isquemia diminui119,129,132,133.

A função ventricular em repouso é um excelente fator prognóstico de morte cardíaca, enquanto a isquemia induzida prediz efetivamente a recorrência de angina e de morte, de forma adicional à simples avaliação da função ventricular em repouso. Um teste negativo, associado à função ventricular esquerda normal ou levemente deprimida, tem excelente valor preditivo negativo para morte e IAM, porém um teste positivo em pacientes com disfunção em repouso confere risco de morte superior a 10% em um ano134.

3.5 - Teste ergométrico

3.5.1 - Estratificação de risco pós-IAM

O teste ergométrico realizado após o IAM em uma população selecionada é útil para determinar: a estratificação de risco, a capacidade funcional, o prognóstico, selecionar adequadamente a terapêutica médica e a necessidade de opções suplementares para o tratamento, bem como orientar a prescrição para atividade física visando à reabilitação cardiovascular. Portanto, nos pacientes estáveis após IAM, o teste tem como objetivo avaliar a reserva coronária e a quantificação de seu comprometimento, fatores determinantes do prognóstico. Os resultados obtidos interferem de forma significativa no processo de decisão clínica, visto que identificam os pacientes que apresentam maior ou menor probabilidade de desenvolver novos eventos isquêmicos. A procura da isquemia residual e do comprometimento funcional torna-se obrigatória para o bom exercício da cardiologia, pois é um fator determinante na evolução dos distintos grupos de pacientes que sobrevivem ao infarto agudo do miocárdio. Com essa finalidade, o teste é a principal ferramenta não invasiva e mais utilizada, graças a sua eficácia e positiva relação custo-benefício135-138.

 

 

O teste ergométrico está indicado nos pacientes que apresentam completa estabilização, tanto clínica como hemodinâmica, ausência de isquemia eletrocardiográfica ativa, ausência de sinais sugestivos de disfunção ventricular e normalização dos marcadores de necrose que se encontram aptos a fazer o exercício.

Os protocolos variam, sendo mais utilizados os preconizados por Naughton, os de Bruce modificados ou o protocolo individualizado, adequado às condições clínicas e biomecânicas dos pacientes.

As variáveis derivadas do TE após IAM são julgadas quanto à sua capacidade de predizer a ocorrência, principalmente de morte ou infarto não fatal. As mais importantes são: carga máxima alcançada abaixo de 5 METs, resposta inadequada da pressão arterial sistólica, depressão do segmento ST em carga baixa, sinais de congestão pulmonar durante ou imediatamente após o exercício e a presença de angina limitante.

Baixa tolerância ao esforço tem-se apresentado como o maior marcador prognóstico, permitindo identificar grupos de pacientes com risco 4 vezes maior para eventos139.

Pacientes com testes negativos para isquemia e boa tolerância ao esforço (acima de 9 METs) apresentam mortalidade anual inferior a 1%140. Pacientes com testes isquêmicos em baixa carga apresentam mortalidade anual elevada (acima de 5%), permanecendo o grupo intermediário com mortalidade anual em torno de 3%.

Os investigadores do DANAMI (Danish Acute Myocardial) relataram importantes informações prognósticas quando utilizaram o TE após IAM antes da alta hospitalar, mesmo na terapia de reperfusão contemporânea. Foi demonstrado que a capacidade de exercício revelou-se um forte medidor prognóstico de morte e reinfarto, independente do tipo de reperfusão (angioplastia ou fibrinólise). Para cada MET alcançado, houve redução de 20% na mortalidade e no reinfarto e 27% apenas na redução da mortalidade. A diferença relacionada à mortalidade e reinfarto é superior a três vezes entre os pacientes com capacidade de exercício inferior a 6 METS, quando comparados àqueles com capacidade superior a 8 METS141. Em uma metanálise incluindo 20.000 pacientes, a mortalidade em 6 meses foi 5 vezes maior nos indivíduos inábeis, comparados com os que tinham habilidades para realizar o exame, também demonstrando a importância prognóstica da capacidade funcional139.

3.6 - Medicina nuclear: cintilografia miocárdica de perfusão

A cintilografia miocárdica de perfusão (CMP), utilizando radiofármacos (tálio-201, sestamibi, tetrofosmin e outros) aplicados, no exercício, com dobutamina ou agentes vasodilatadores (dipiridamol ou adenosina), acumulou, ao longo dos últimos 35 anos, grande quantidade de estudos clínicos em milhares de pacientes, adquirindo ampla evidência científica no estudo do diagnóstico e do prognóstico da doença arterial coronária142.

Para a leitura do exame, é utilizado o método convencional, que compara a perfusão nas fases de estresse e repouso, e ainda pela escala de cores ou em preto e branco. Nos últimos anos, a evolução tecnológica permitiu associar técnicas específicas que possibilitam o melhor detalhamento das imagens, tais como o SPECT (Single-Photon Computed Tomography) e o Gated-SPECT.

A CMP tem um papel importante na estratificação de risco nas SCA e na tomada de decisão frente a casos selecionados, devido ao seu alto valor preditivo negativo. Também exerce grande utilidade na estratificação de risco para futuros eventos143,144.

Os principais fatores prognósticos de risco pela CMP são: detecção da isquemia induzida e localização da isquemia, correlacionando-a com a coronária acometida; análise da extensão; concomitância com outras paredes comprometidas; e identificação da associação de isquemia e necrose. Outras variáveis importantes na estratificação de risco são a presença de captação pulmonar na cintilografia miocárdica de perfusão e o aumento transitório do ventrículo esquerdo145.

O exame eletrocardiográfico apresenta certa limitação no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio, pois muitos pacientes com dor torácica apresentam-se com padrões normais ou inconclusivos e somente 15%-17% têm resultados definidos a tempo de o miocárdio ser salvo. Por essa razão, a CMP é importante no diagnóstico e na estratificação de risco no infarto agudo do miocárdio146,147.

3.6.1 - Utilização nas primeiras horas do atendimento: diagnóstico e estratificação de risco - avaliação do tratamento do infarto agudo do miocárdio

Com o advento das novas técnicas de abordagem do IAM, a CMP com tálio-201 ficou em segundo plano pela limitação da disponibilidade específica deste radioisótopo e por sua redistribuição, que não permite a realização de imagens tardias em decorrência do decaimento rápido da atividade. Tal limitação foi resolvida com a utilização de radiotraçadores, que utilizam o tecnécio-99m (99mTc), sendo os mais usados o sestamibi e o tetrofosmin. A distribuição desses agentes é proporcional ao fluxo coronário, possuindo o mínimo de redistribuição e possibilitando sua aplicação durante a dor anginosa e a obtenção tardia da imagem (entre 1-6 horas)148,149. Com essa técnica, é possível a verificação do tamanho do infarto e no diagnóstico do IAM frente a situações específicas, tais como apresentação clínica atípica e eletrocardiograma normal ou inconclusivo. Essas são as principais indicações na fase aguda, com o valor preditivo negativo da CMP alcançando 99%-100% para os pacientes com dor na fase aguda, excluindo o comprometimento ventricular. Ensaios clínicos demonstraram uma efetiva relação custo-benefício nessa conduta, principalmente nos pacientes diabéticos150.

Após o tratamento da fase aguda, a CMP pode ser utilizada na avaliação da recuperação da isquemia ou de revascularização (cirurgia ou angioplastia), com melhor avaliação caso o paciente tenha uma imagem prévia. Também nos pacientes com IAM, com ou sem supradesnível do segmento ST, o radiofármaco marcado com 99mTc pode ser aplicado no momento da dor torácica, após o que o paciente deve ser encaminhado para tratamento de revascularização (por angioplastia primária ou fibrinolíticos). Posteriormente, entre 4-6 horas, deve ser realizada imagem tardia e, com isso, quantificar-se o miocárdio que foi preservado, isto é, que seria acometido caso o tratamento não fosse feito151,152.

 

 

Em resumo, as principais indicações da cintilografia na fase das 12 horas da chegada ao hospital são:

a) Aplicação do radiofármaco em repouso, com a realização de imagens imediatas durante a dor torácica típica e com eletrocardiograma normal ou inespecífico para a definição diagnóstica.

b) Aplicação do radiofármaco (sestamibi ou tetrofosmin) durante a dor torácica, com a realização tardia das imagens para a quantificação do miocárdio de risco e do miocárdio salvo após a recanalização da coronária.

c) Realização da cintilografia, com aplicação do radiofármaco no estresse físico ou farmacológico após a estabilização clínica em pacientes com síndrome coronária aguda de baixo risco ou de risco intermediário.

3.7 - Cinecoronariografia

A cinecoronariografia pode ser realizada não só pelo benefício possível da revascularização, mas também pelo conhecimento da função ventricular e do padrão arterial. O número de vasos e a extensão do acometimento aterosclerótico podem ajudar na classificação de risco, alocando-se recursos de forma mais adequada para esforços clínicos agressivos em pacientes de alto risco153,155.

Por outro lado, grupos de pacientes considerados de alto risco, como os idosos, frequentemente têm a indicação de coronariografia retardada ou evitada, em evidente contradição à literatura156,157. Essa estratégia priva da possibilidade de tratamento pacientes de alto risco, os quais também são inadequados para a avaliação funcional, pois teriam maior benefício na revascularização precoce. Pacientes idosos são habitualmente multiarteriais, recebem tratamento trombolítico em menor frequência e apresentam maior mortalidade158 do que os não idosos durante infarto agudo. A possibilidade da utilização de stents nessa população aumentou a segurança e a efetividade da angioplastia159,160, podendo-se supor que estratégias voltadas para revascularização talvez demonstrem benefício nas taxas de mortalidade e/ou reinfarto161-163.

Da mesma forma, diversas análises multivariadas de grandes bancos de dados revelaram que a presença de diabetes melito ou de doença arterial periférica identifica subgrupo de alto risco. Nesses pacientes, a frequente dificuldade de realização de exames não invasivos tem favorecido a coronariografia como opção mais viável.

Sendo reconhecida a relação linear entre estágio de doença renal e risco cardiovascular ou mortalidade por infarto do miocárdio164-166, é importante pesar o risco/benefício da coronariografia como avaliação de risco nos pacientes com falência renal, qualificando-os conforme a severidade da disfunção.

Cerca de 40% dos pacientes pós-IAMCST são submetidos à angioplastia durante a internação inicial, embora apenas 18% o façam nas primeiras horas (angioplastia primária)167. Dos pacientes transferidos para hospitais terciários para realização de cateterismo, cerca de 79% são removidos após as primeiras 48 horas de evolução, excluindo, portanto, os casos instáveis, o que evidencia clara preferência pela estratificação invasiva168. O fato de 40% dos pacientes admitidos para hospitais sem laboratório de cateterismo serem transferidos para realização de coronariografia durante a internação inicial também é significante. A decisão sobre realizar a cinecoronariografia como estratificação de risco para pacientes estáveis é diretamente dependente da comprovação de benefício do tratamento por revascularização.

Uma metanálise169 e uma análise retrospectiva de mais de 20 mil pacientes170 que participaram de 4 diferentes estudos de tratamento trombolítico demonstraram que a revascularização miocárdica precoce, pós-trombólise, foi capaz de reduzir as elevadas taxas de morte ou reinfarto. O OAT Trial (Occluded Artery Trial) estabeleceu que não há benefício na recanalização de uma artéria totalmente ocluída quando a angioplastia é realizada em até 28 dias após o infarto em pacientes estáveis sem isquemia residual (mediana de tratamento de 8 dias pós-infarto)171.

 

 

4. Tratamento

4.1 - Alívio da hipoxemia, da dor e da ansiedade

Portadores de infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (IAMCST) podem apresentar hipoxemia, geralmente decorrente do acúmulo de líquido intersticial e/ou alveolar pulmonar e também de alterações da relação ventilação-perfusão, causadas por shunt arteriovenoso pulmonar consequente ao aumento da pressão diastólica final do ventrículo esquerdo172.

Tornou-se rotineira a utilização de oxigênio na fase aguda dessa patologia, a despeito de não haver evidências definitivas de que tal procedimento resulte em proteção para o miocárdio isquêmico173. Por outro lado, vale ressaltar que o aumento da fração de oxigênio no ar inspirado não se traduz em benefícios significativos em pacientes não hipoxêmicos, podendo ainda resultar em incremento da resistência vascular periférica e da pressão arterial sistêmica, comprometendo a custo-efetividade deste método174. É recomendável a monitorização da saturação sanguínea de oxigênio (pela oximetria de pulso), devendo receber suplementação de O2 a 100% por meio de máscara ou cateter nasal (2,0-4,0 l/min) aqueles com hipoxemia arterial clinicamente evidente ou documentada (saturação de O2 < 90%). Nesses pacientes, a determinação seriada da gasometria arterial pode ser necessária para acompanhar a eficácia da terapêutica175. Na ausência de hipoxemia, a oxigenioterapia não deve ultrapassar 2-3 horas, podendo até ser omitida176. Em pacientes com falência ventricular aguda acentuada e edema pulmonar ou com doenças pulmonares associadas que produzem hipoxemia grave, a oferta de oxigênio por si só pode não ser suficiente para o controle clínico. Nessas condições, preconiza-se a utilização de pressão positiva ou intubação orotraqueal com ventilação mecânica. O suporte ventilatório precoce é essencial nessas condições177.

A analgesia constitui outro ponto essencial da terapêutica precoce do IAM. O controle da dor, no entanto, é muitas vezes menosprezado por não ter grande impacto sobre o prognóstico dos pacientes. A observação do rápido e completo alívio da dor após a reperfusão miocárdica reforça o conceito de que a dor anginosa é secundária à isquemia do músculo cardíaco. Assim, intervenções que visem ao restabelecimento do fluxo miocárdico ou medidas anti-isquêmicas, como o uso de nitratos e betabloqueadores, costumam ser bastante eficientes no controle do fenômeno doloroso. A despeito disso, uma analgesia eficiente deve ser oferecida prontamente ao paciente com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. O alívio da dor por medicações analgésicas não pode ser protelado sob a alegação de que isso poderia obscurecer a eficácia das terapêuticas de reperfusão e/ou anti-isquêmicas.

Pacientes com IAM exibem hiperatividade do sistema nervoso simpático. Essa descarga adrenérgica incrementa a necessidade de oxigênio pelo miocárdio, justificando a indicação de medicações analgésicas que possam aliviar tanto a dor como a ansiedade em que o paciente se encontra. O analgésico de escolha é o sulfato de morfina, que deve ser administrado por via intravenosa na dose diluída de 2,0-4,0 mg, podendo ser repetida em intervalos de 5-15 min. Alguns pacientes requerem doses totais bastante elevadas (de até 25-30 mg) para o controle da dor178. Na circunstância específica de IAM de parede inferior, não deve ser feita analgesia com morfina e seus derivados pelo grande potencial de ocasionar hipotensão arterial grave e refratária.

Tem sido demonstrado o aumento do risco de eventos cardiovasculares em usuários de inibidores da ciclo-oxigenase-2 (COX-2) e de outros anti-inflamatórios utilizados em pacientes acometidos de IAMCST179-181.

O uso rotineiro de ansiolíticos não é recomendado. Alguns dados encontrados na literatura indicam que a administração de diazepam não produz efeitos sobre a ansiedade, a pressão arterial, a frequência cardíaca ou a dor torácica em pacientes com infarto agudo do miocárdio182.

4.2 - Antiplaquetários: aspirina e derivados tienopiridínicos

Os antiplaquetários têm benefício comprovado quanto à utilização no tratamento de infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST. Considerando-se a eficácia e a segurança, como também a relação custo-efetividade, os antiplaquetários, particularmente o ácido acetilsalicílico, estão entre os medicamentos mais utilizados no mundo183.

4.2.1 - Ácido acetilsalicílico

As evidências científicas quanto à eficácia e à segurança da utilização do ácido acetilsalicílico (AAS) em pacientes com IAM são relevantes, podendo ser consideradas definitivas41,184,185.

Existem poucas contraindicações à utilização do ácido acetilsalicílico no cenário do infarto agudo do miocárdio, destacando-se as seguintes condições: hipersensibilidade conhecida, úlcera péptica ativa, discrasia sanguínea ou hepatopatia grave. O ácido acetilsalicílico deve ser administrado a todos os pacientes com IAM, tão rápido quanto possível, após o diagnóstico ser considerado provável, na dose de 160-325 mg/dia (o AAS deve ser mastigado para facilitar sua absorção). No Brasil, recomenda-se o uso da dose de 200 mg, a formulação mais encontrada no país. A terapia deve ser mantida sem interrupção, na dose diária de 100 mg por dia186.

4.2.2 - Clopidogrel

Dois ensaios clínicos randomizados (ECR) recentes, com clopidogrel adicionado à aspirina e a outras terapias-padrão para infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST, demonstraram importantes benefícios da terapia antiplaquetária dupla (AAS com clopidogrel) em pacientes com IAMCST elegíveis para terapia fibrinolítica. O primeiro deles, publicado em 2005, foi o estudo CLARITY - Clopidogrel as Adjunctive Reperfusion Therapy (n = 3.491), que incluiu pacientes com sintomas iniciados em até 12 horas, sendo randomizados de forma duplo-cega para placebo ou clopidogrel (dose inicial de 300 mg e dose de manutenção de 75 mg/dia) até o dia da angiografia (realizada, neste estudo, entre 48-192 horas)187. Dos pacientes examinados neste estudo, 99,7% dos casos receberam terapia fibrinolítica. O tratamento com clopidogrel promoveu uma redução de 36% do desfecho combinado de revascularização do vaso-alvo, morte ou IAM recorrente (p < 0,001), com baixa taxa de sangramento em ambos os grupos. O clopidogrel não se associou com maior taxa de sangramento nem mesmo quando seu uso foi suspenso com menos de 5 dias da cirurgia de revascularização miocárdica (9,1% versus 7,9%; p = 1,0). No estudo COMMIT/CCS-2 - ClOpidogrel and Metoprolol in Myocardial Infarction Trial (n = 45.852) -, realizado apenas na China, foram incluídos pacientes com suspeita de IAM e sintomas iniciados nas 24 horas antecedentes à inclusão, e que apresentavam pelo menos uma das alterações: 1) supradesnivelamento do segmento ST (87%); 2) bloqueio de ramo no ECG (6%); 3) infradesnivelamento do segmento ST (7%)188. Nesses estudos, apenas 5% dos pacientes foram submetidos à intervenção coronária percutânea (ICP) e 50% receberam terapia fibrinolítica. Os pacientes incluídos foram randomizados para clopidogrel 75 mg por dia (sem dose de ataque) ou placebo. O tratamento com clopidogrel reduziu em 9% o desfecho primário combinado de morte, IAM ou AVC. Os desfechos de segurança (sangramento intracraniano, sangramento com necessidade de transfusão e sangramento fatal) não diferiram de forma significativa entre os grupos (clopidogrel 0,58% versus placebo 0,55%; p = 0,59). O tempo de tratamento com clopidogrel foi de 28 dias. Apesar dos benefícios demonstrados a longo prazo (12 meses) se originarem do estudo CURE189, com o uso de clopidogrel 75 mg/dia no tratamento, existe uma plausibilidade para a extrapolação desta evidência para o IAMCST no cenário da síndrome coronária aguda sem elevação do segmento ST (SCASEST) e em pacientes submetidos à ICP.

 

 

 

 

4.3 - Antiplaquetários: inibidores da glicoproteína IIb/IIIa

Com a intenção de avaliar o papel complementar de inibidores da glicoproteína (GP) IIb/IIIa na intervenção coronária percutânea (ICP) primária, o estudo ADMIRAL (Abciximab before Direct Angioplasty and Stenting in Myocardial Infarction Regarding Acute and Long-term Follow-up)190 testou o efeito do abciximab, administrado imediatamente antes do procedimento de implante de stent, em pacientes com IAMCST. Após 30 dias, o desfecho composto (óbito, infarto do miocárdio ou necessidade de revascularização) foi reduzido com o uso de abciximab. Esse benefício sustentou-se por 6 meses. Além disso, os investigadores correlacionaram o fluxo TIMI 3 com a evolução clínica favorável nos pacientes submetidos a esta estratégia, ou seja, com o uso de abciximab antes da realização do stent primário.

Por outro lado, o estudo CADILLAC (Controlled Abciximab and Device Investigation to Lower Late Angioplasty Complications)191 revelou não haver vantagens no emprego de abciximab nos pacientes submetidos à ICP primária, especificamente com implante de stent.

Com dados controversos e estudos com pouco poder, foi realizada uma metanálise192 que envolveu um total de 3.919 pacientes tratados com ICP primária, demonstrando que abciximab reduz a mortalidade em 30 dias (2,4% versus 3,4%; OR 0,68; IC 95%: 0,47-0,99; p = 0,047) e em 6-12 meses (4,4% versus 6,2%; OR 0,69; IC 95% 0,52-0,92; p = 0,01) após o IAM. Mesmo com limitações importantes (todos os estudos com esse fármaco têm pouco poder e pequena amostra; as terapias-padrão instituídas para o IAMCST são variáveis entre os estudos incluídos; os estudos foram realizados antes do uso mais difundido de stent e clopidogrel), tal metanálise representa a melhor evidência para o uso desse medicamento no cenário do IAMCST, associado à heparina não fracionada (HNF) e ao AAS.

 

 

4.4 - Heparina

A heparina tem sido utilizada e estudada em síndromes coronarianas agudas há vários anos. Está disponível nas formas: a) heparina não fracionada (HNF) e b) heparinas de baixo peso molecular (HBPM), que são frações da HNF que possuem uma maior afinidade para inibição do fator Xa e menor para a trombina.

4.4.1 - Heparina não fracionada (HNF)

Apesar de ser um medicamento utilizado há muito tempo na prática clínica, controvérsias persistem quanto à sua importância e aplicabilidade no contexto do IAMCST. Os primeiros estudos realizados com esse medicamento demonstravam benefícios significativos na redução da mortalidade em pacientes com suspeita de IAM (RRR 25%, IC 95%: 10%-38%, p = 0,002)193. No entanto, tais estudos foram realizados em um contexto terapêutico no qual não eram utilizados aspirina nem fibrinolítico. Em análises de estudos com o uso dessas duas intervenções, a eficácia da HNF foi atenuada de maneira significativa, sem benefícios clínicos aparentes em 35 dias e em 6 meses194. Como essas evidências, relativas à terapia concomitante de antiplaquetários e fibrinolíticos, tinham como base principal os estudos GISSI-2195 e ISIS-3194, que utilizaram a HNF de forma subcutânea (12.500 UI 12/12h por cerca de uma semana) e com atraso para o seu início após o início da terapia fibrinolítica (média de tempo: 12 horas para o estudo GISSI-2 e 4 horas para o estudo ISIS-3), foi elaborado o estudo GUSTO-I196, com aplicação intravenosa da HNF (bolus de 5.000 UI seguida de infusão contínua de 1.000 UI/h, ajustando o TTPa para 60-85 segundos) comparada à dose subcutânea utilizada nos estudos anteriores. Com validade questionável em função de um elevado crossover (36%) para o grupo de tratamento intravenoso, não houve demonstração de benefício em desfechos clinicamente relevantes com aumento das taxas de reinfarto. Em três estudos clínicos subsequentes, a HNF em administração venosa associada ao uso de fibrinolítico aumentou as taxas de sangramento maior197-199. Estudos observacionais já sugeriam doses menores como estratégia eficaz na obtenção de maior segurança, ajustadas ao peso do paciente (bolus de 60 UI/Kg até 4.000 UI com infusão contínua subsequente de 12 UI/Kg/h até 1.000 UI, com o objetivo de se obter um TTPa entre 50-70 segundos). Tal estratégia foi avaliada no estudo ASSENT-3200 e realmente apresenta menor taxa de sangramento global.

4.4.2 - Heparina de baixo peso molecular (HBPM)

Existem algumas vantagens farmacológicas em se utilizar uma HBPM: pode ser utilizada por via subcutânea; não é necessário o controle do TTPa; potencial para prevenir a geração de trombina; farmacocinética mais previsível; menor ligação a proteínas; menor ativação plaquetária; e menor incidência de plaquetopenia.

Os dois principais estudos que forneceram dados de eficácia e segurança para o uso da HBPM são o CREATE201 (The Clinical Trial of Reviparin and metabolic Modulation in Acute Myocardial Infarction Treatment Evaluation) e o ExTRACT-TIMI 2543 (Enoxaparin and Thrombolysis Reperfusion for Acute Myocardial Infarction Treatment - Thrombolisys in Myocardial Infarction 25). Uma metanálise subsequente reforça as evidências geradas por esses dois estudos. Outras HBPMs foram analisadas em ECR, sem, no entanto, terem obtido benefício clínico significativo, sendo somente a enoxaparina e a reviparina as duas HBPMs com demonstração de validade e aplicabilidade no IAMCST.

No estudo CREATE201, pacientes com IAMCST com 12 horas do início dos sintomas foram randomizados para reviparina ou placebo e analisados de forma duplo-cega. A reviparina estava associada a uma redução de 13% no objetivo primário composto de óbito/infarto recorrente/AVC em relação ao placebo.

Após o estudo ASSENT-3 PLUS ter demonstrado resultados de segurança desfavoráveis, com doses de enoxaparina não ajustadas para o peso e em pacientes idosos (acima de 65 anos), foi planejado e executado o estudo ExTRACT TIMI 2543, com 20.506 pacientes com IAMCST tratados com fibrinolíticos, randomizados para enoxaparina durante o período de internamento ou heparina não fracionada por 48 horas. O regime de enoxaparina foi de 30 mg em bolus EV seguido por 1,0 mg/Kg SC a cada 12 horas (máximo de 100 mg para as duas primeiras doses). Essa dose foi ajustada para pacientes com idade > 75 anos, para os quais foi omitida a dose em bolus, com dose SC de 0,75 mg/Kg (máximo de 75 mg para as duas doses iniciais) e para pacientes com clearance de creatinina estimado menor que 30 ml/min (dose de 1,0 mg/Kg a cada 24 horas). O desfecho primário foi óbito ou reinfarto não fatal em 30 dias. Os resultados mostram uma redução significativa de 17% no desfecho primário (9,9% versus 12,0%, RR 0,83, IC 95%: 0,77-0,90), que se deve principalmente a uma redução de reinfarto (3,0% versus 4,5%). A análise de segurança mostra que houve um aumento significativo de sangramentos maiores com a enoxaparina (2,1% versus 1,4%), porém sem diferença em sangramento intracraniano43. Na análise de desfecho combinado englobando o desfecho de segurança (morte, IAM, sangramento maior), em 30 dias houve benefício do uso da enoxaparina (11% versus 12,8%; RR 0,86; IC 95%: 0,80-0,93; p < 0,001). Esse benefício ocorreu independentemente do tipo de fibrinolítico utilizado202, e subanálise recentemente publicada sugere que estreptoquinase + enoxaparina possa ser tão eficaz quanto fibrinolítico fibrino-específico + heparina não fracionada ou enoxaparina203.

Uma metanálise publicada em 2007 analisou estudos que compararam enoxaparina com heparina não fracionada em mais de 27.000 pacientes com infarto do miocárdio tratados com fibrinolíticos. O desfecho primário de morte, infarto do miocárdio ou sangramento maior em 30 dias foi 16% menor no grupo tratado com enoxaparina (OR 0,84, IC 95%: 0,73-0,97)204.

 

 

Em pacientes não elegíveis para a reperfusão (química ou mecânica), apenas um estudo foi realizado comparando a enoxaparina com a HNF, não havendo diferença significativa nos desfechos clínicos entre os dois grupos205.

4.2.3 - Medicações e doses a serem utilizadas:

Heparina não fracionada: Bolus de 60 U/kg, com máximo de 4.000 U, seguido de uma infusão de 12 U/kg por 48 horas, com dose máxima inicial de 1.000 U/h; ajustar a dose para manter o KPTT de 50-70 segundos. Caso a terapia seja prolongada além das 48 horas por indicação clínica, aumentará o risco de plaquetopenia induzida por heparina.

Enoxaparina: Para pacientes com menos de 75 anos de idade, 30 mg EV em bolus seguido por 1,0 mg/Kg SC a cada 12 horas; para pacientes com mais de 75 anos, não utilizar o bolus inicial e reduzir a dose para 0,75 mg/Kg SC a cada 12 horas. Caso o clearance da creatinina estimado seja menor que 30 ml/min, utilizar a dose de 1,0 mg/Kg a cada 24 horas. Manter o tratamento durante o período de internamento ou até 8 dias.

4.5 - Anticoagulantes orais

A eficácia dos anticoagulantes orais foi estabelecida por estudos clínicos bem desenhados para prevenção de tromboembolismo venoso, IAM, acidente vascular cerebral (AVC), reinfarto e/ou morte em pacientes pós-IAM206.

As evidências iniciais sobre o uso dos anticoagulantes orais em pacientes com IAM datam dos anos 1960 e 1970, quando o warfarin administrado em doses moderadas (RNI 1,5-2,5) foi efetivo na prevenção de AVC e embolia pulmonar207. A eficácia dos anticoagulantes orais em pacientes com IAM foi analisada inicialmente em três estudos clínicos randomizados. Em dois desses estudos observou-se redução significativa do risco de AVC, sem impacto na mortalidade; entretanto, no estudo restante, houve redução da mortalidade208-210.

Mais tarde, a efetividade dos anticoagulantes orais no manejo de pacientes com IAM foi sustentada pelos resultados de uma metanálise211 envolvendo 7 estudos randomizados, publicados entre 1964 e 1980, que evidenciaram redução em aproximadamente 20% na mortalidade combinada com risco de reinfarto durante o período de 1-6 anos de tratamento210,212,213.

Em pacientes idosos, o estudo europeu Sixty Plus Reinfarction Study214 avaliou pacientes com mais de 60 anos de idade que receberam terapia anticoagulante oral no pós-IAM por mais de 6 meses. Os indivíduos foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos, de maneira duplo-cega, sendo o primeiro tratado com anticoagulante oral (RNI 2,7-4,5) e o segundo com placebo. As menores taxas de reinfarto e AVC foram observadas nos pacientes que receberam terapia anticoagulante oral.

Devido à fácil administração e perfil de segurança favorável, o ácido acetil salicílico (AAS) tem se tornado o agente antitrombótico de escolha206. No entanto, a anticoagulação oral, isolada ou em associação ao AAS, foi testada em diferentes estudos214 como alternativa efetiva na prevenção secundária para pacientes no período pós-IAM.

O papel do uso de rotina dos anticoagulantes orais precocemente versus AAS pós-IAM foi avaliado no estudo AFTER215, no qual não houve superioridade dos anticoagulantes orais em relação ao AAS. Possivelmente, subgrupos de pacientes poderiam se beneficiar da anticoagulação oral, como pacientes com acinesia extensa da parede anterior, fibrilação atrial ou trombo no ventrículo esquerdo comprovado pelo ecocardiograma, mas estudos randomizados para estas indicações são escassos.

O estudo-piloto OASIS216 comparou a dose fixa de 3,0 mg por dia de coumadin ou a dose titulada para manter RNI, entre 2,0-2,5, em 197 pacientes durante 7 meses após a fase aguda do IAM. A administração do warfarin em baixas doses não teve benefício, enquanto o regime de doses moderadas reduziu o risco de morte, IAM ou angina refratária, bem como a necessidade de re-hospitalização por AI ambos, em 58%. Contudo, esses resultados não foram reproduzidos no estudo maior, o OASIS-2217, com 3.712 pacientes randomizados com regime de warfarin de moderada intensidade ou terapia-padrão, com todos os pacientes recebendo AAS. A taxa de morte cardiovascular, IAM ou AVC após 5 meses foi de 7,65% e 8,4%, com e sem anticoagulante oral, respectivamente, sendo este resultado sem significância estatística. Dessa forma, o papel do warfarin nos pacientes com AI e/ou IAM sem supra de ST ainda precisa de definição.

 

 

O CARS185 (The Coumadin Aspirin Reinfarction Study), conduzido nos pacientes no pós-IAM, foi descontinuado prematuramente pela falta da evidência da superioridade da redução da dose do AAS (80 mg por dia), com 1,0-3,0 mg de warfarin diariamente, comparado com 160 mg por dia de AAS.

O estudo CHAMP218 (The Combination Hemotherapy and Mortality Prevention) não encontrou nenhum benefício do uso do warfarin (RNI de 1,5-2,5) associado a 81 mg por dia de AAS versus 162 mg por dia de AAS quanto à mortalidade total, mortalidade cardiovascular, AVC, e IAM não fatal (média de seguimento de 2,7 anos pós-IAM).

4.6 - Nitratos

Na presença de isquemia persistente e/ou falência de bomba e/ou IAM extenso e/ou hipertensão arterial sistêmica, é indicado o emprego de nitratos por via venosa. Em pacientes com disfunção ventricular esquerda, deve-se substituir a formulação intravenosa pela oral ou tópica após 48 horas.

Sua indicação rotineira nas primeiras 24-48 horas é menos consistente. A utilização rotineira do produto foi testada nos estudos ISIS-4219 (Fourth International Study of Infarct Survival) e GISSI-3220 (Gruppo Italiano per lo Studio della Sopravvivenza nell'Infarto Miocardico III), sem que fosse demonstrada vantagem nesta utilização.

Infarto agudo do miocárdio, com comprometimento clínico e/ou eletrocardiográfico de ventrículo direito, hipotensão e bradicardia constituem contraindicações ao emprego de nitrato venoso.

Por outro lado, em pacientes com disfunção ventricular esquerda após 48 horas, seu emprego intravenoso é menos consistente.

A nitroglicerina deve ser utilizada diluída em 250 ml ou 500 ml de soro glicosado a 5%, ou soro fisiológico a 0,9%, acondicionada necessariamente em frasco de vidro e administrada em infusão contínua, com doses progressivas a cada 5-10 minutos, até a dose anterior àquela que reduziu a pressão arterial do paciente em > 20 mmHg ou para < 100 mmHg e/ou aumentou a frequência cardíaca para > 10% do basal. No caso de se optar pelo mononitrato de isossorbida, deve ser utilizado de forma intravenosa e também diluído (não há necessidade do frasco de vidro) na dose de 2,5 mg/kg/dia em infusão contínua.

 

 

4.7 - Betabloqueadores

Os betabloqueadores são fármacos que reduzem a frequência cardíaca, a pressão arterial e o inotropismo, atuando sinergicamente na diminuição do consumo de oxigênio no miocárdio. Ao lado dessas ações, melhoram a perfusão miocárdica (aumentam o fluxo subendocárdico e o fluxo das colaterais). Tais ações são responsáveis por reduzir as taxas de ruptura miocárdica, limitar o tamanho do infarto, melhorar a função cardíaca e diminuir a mortalidade, tanto precoce como tardia. As ações antiarrítmicas são importantes na fase aguda do infarto do miocárdio.

O benefício do bloqueio beta-adrenérgico em prevenir a morte súbita e em reduzir a mortalidade cardíaca total foi inicialmente observado em ensaio clínico norueguês utilizando o timolol221. Resultados semelhantes foram observados em outros grandes ensaios clínicos controlados com propranolol e metropolol: BHAT (Beta Blocker Heart Attack Trial)222 e Göteborg (MIAMI Trial - Metoprolol in Acute Myocardial Infarction Trial)223. No estudo ISIS-1224, o benefício do betabloqueador atenolol (administração intravenosa inicial seguida por via oral) também foi significativo (RRR 15%; RAR 0,6%; p = 0,05). No entanto, é importante salientar que esses estudos foram desenvolvidos antes das atuais estratégias de reperfusão. E nessas condições, tais estudos sugerem uma redução de mortalidade, reinfarto e parada cardíaca225.

Evidências posteriores, com uso concomitante de terapia de reperfusão, são controversas. No estudo TIMI II, o uso precoce do metoprolol (intravenoso nas primeiras duas horas seguido por administração oral) foi superior ao início mais tardio da utilização deste medicamento (6 dias após o IAM), administrado por via oral, com redução de reinfarto e isquemia recorrente226. Porém, nos estudos TIMI IIB227 e GUSTO-I228, a utilização de betabloqueador precoce intravenoso não demonstrou benefício.

Em uma metanálise229, demonstrou-se, com fortes evidências, que os betabloqueadores reduzem a morbidade e a mortalidade após o infarto, mesmo nos pacientes submetidos à trombólise e que usavam inibidores da enzima conversora da angiotensina em associação. No estudo CAPRICORN (Carvedilol Post-Infarct Survival Control in LV Dysfunction)230, os pacientes com disfunção ventricular em classe funcional I no pós-infarto do miocárdio tratados com carvedilol tiveram redução significativa de reinfarto e morte súbita.

Mais recentemente, um grande estudo envolvendo 45.852 pacientes (COMMIT/CCS-2) testou o uso do betabloqueador metoprolol comparado com placebo em pacientes com IAM de menos de 24 horas de evolução, recebendo dose intravenosa (15 mg) seguida de oral (200 mg/dia). Não houve diferença no desfecho composto de morte, reinfarto ou parada cardíaca em comparação ao placebo (9,4% metoprolol versus 9,9% placebo). Essa não comprovação de benefício foi interpretada pela seleção inadequada de pacientes que recebiam bolus do metoprolol na fase aguda, incluindo pacientes com hipotensão arterial ou mesmo insuficiência ventricular esquerda manifesta, resultando no aumento de choque cardiogênico no grupo metoprolol, quando comparado com placebo231. Assim, ficou claro que o risco de desenvolvimento de choque cardiogênico nos pacientes que utilizam betabloqueador na fase aguda do infarto do miocárdio é maior entre os pacientes que se apresentam com disfunção ventricular esquerda (Killip II a III) de moderada a grave, constituindo uma contraindicação para o seu uso.

No entanto, fazendo-se uma análise de todos os estudos prévios com betabloqueadores na era pré-estratégia de reperfusão, associada aos pacientes de baixo risco do COMMIT, nos quais foram usados precocemente betabloqueadores venosos seguidos de administração oral, foi observado um percentual de 13% de redução de mortalidade (7 vidas salvas por 1.000 tratados), 22% de redução de reinfarto (5 menos eventos por 1.000 pacientes tratados) e 15% de redução de fibrilação ventricular ou parada cardíaca (5 menos eventos por 1.000 pacientes tratados).

Portanto, os estudos atuais disponíveis sugerem o uso dos betabloqueadores em todos os pacientes com IAM, independentemente da administração concomitante de fibrinolíticos ou da realização de intervenção percutânea primária, considerando as contraindicações40,232-235. Outras indicações adicionais são a persistência ou recorrência dos sintomas isquêmicos após a terapia antianginosa e a presença de taquiarritmias, como fibrilação atrial com alta resposta ventricular232, após a exclusão de disfunção de VE moderada a grave, por meio de um método de imagem (ecocardiograma, por exemplo). As principais contraindicações ao uso de betabloqueadores estão relacionadas, de forma resumida, na Tabela 4.7.1232.

 

 

De uma maneira geral, podemos dividir a administração dos betabloqueadores no IAM em imediata e tardia. O uso imediato relaciona-se à administração do fármaco na fase precoce do infarto e o tardio quando ocorre após 24 horas do início dos sintomas e com vistas à prevenção secundária.

Podemos sumarizar esses dados (Figura 4.7.1), demonstrando os benefícios do betabloqueador nas fases agudas e na fase de convalescência (prevenção secundária).

 

 

Como usar o betabloqueador

Na ausência de contraindicações, essa classe de medicamentos deve ser iniciada imediatamente (primeiras 24 horas), de preferência por via oral, após a admissão do paciente.

A efetividade do uso do betabloqueador na fase aguda do infarto do miocárdio passou a ser reavaliada pelos resultados de estudos que não confirmaram todo o benefício descrito previamente. Não se demonstrou uma redução na mortalidade, além de provocar hipotensão mais prolongada e maior número de casos de bradicardia e choque cardiogênico. Hoje, os betabloqueadores endovenosos devem ser utilizados com mais critério no IAM45.

 

 

Primeiro devemos identificar os pacientes com maior risco para choque cardiogênico nas primeiras 24 horas: são aqueles com idade acima de 70 anos, pressão sistólica abaixo de 120 mmHg, frequência cardíaca maior do que 110 bpm ou insuficiência cardíaca pela classificação de Killip maior que 1, além de outras contraindicações aos betabloquadores (intervalo PR maior que 240 mseg, bloqueio atrioventricular de segundo ou terceiro graus, asma ativa ou doença pulmonar reativa), evidência de baixo débito ou sinais de insuficiência cardíaca.

Atualmente, prefer-se usar o betabloqueador por via oral nas primeiras 24 horas, reservando-se a via endovenosa para casos selecionados. A administração oral com metoprolol é de 50 mg de 6/6 horas no primeiro dia e 200 mg a partir do segundo dia. No caso de se usar a via endovenosa, a dose de metoprolol é 5,0 mg IV de 5 em 5 minutos por até três doses nos pacientes hipertensos, sem os fatores de risco descritos e sem contraindicações usuais aos betabloqueadores. Caso sejam usados outros betabloqueadores, deve-se utilizar as doses equivalentes.

Pacientes com contraindicação para o uso precoce dos betabloqueadores devem ser reavaliados como candidatos a esta terapia na prevenção secundária.

Em seguida, qualquer um dos betabloqueadores orais disponíveis pode ser empregado para manter a frequência cardíaca entre 50-60 bpm236. A seguir, estão apresentados os betabloqueadores mais utilizados e suas doses habituais (Tabela 4,7,2).

 

 

É importante notar que a presença de disfunção ventricular (moderada a grave) na fase aguda do infarto pode contraindicar o uso precoce de betabloqueadores venosos, porém é uma forte indicação para o uso da droga na formulação oral antes da alta hospitalar do paciente.

O tempo de manutenção da terapia com betabloqueadores após um IAM ainda não foi definitivamente estabelecido. Apesar de estar comprovado seu benefício na fase aguda, não há tal unanimidade em relação ao tempo de utilização na prevenção secundária. De uma forma geral, recomenda-se seu uso por pelo menos um ano, na ausência de outras indicações específicas (disfunção de VE com ou sem insuficiência cardíaca e após recuperação de um choque cardiogênico), quando deverá ser utilizado indefinidamente.

4.8 - Magnésio

Estudos histoquímicos em pacientes que tiveram morte súbita durante a evolução de IAM demonstraram que havia redução do magnésio intracelular miocárdico. Diversas evidências originadas de ECR e metanálises não demonstraram benefício da terapia com magnésio219,237-239.

4.9 - Bloqueadores dos canais de cálcio

Existem três subgrupos de antagonistas dos canais de cálcio, quimicamente distintos e com efeitos farmacológicos diferentes: os derivados diidropiridínicos (o protótipo é a nifedipina e, como derivado de terceira geração, a amlodipina), as fenilalquilaminas (verapamil) e os benzotiazepínicos (diltiazem), que agem bloqueando os canais de cálcio tipo L.

Esses agentes diferenciam-se em relação a sua capacidade de produzir vasodilatação, reduzir a contratilidade miocárdica e retardar a condução atrioventricular. Os efeitos benéficos no IAMCST devem-se à combinação de suas ações, diminuindo o consumo de oxigênio pelo coração, a pós-carga, a contratilidade e a frequência cardíaca, ao lado de melhora da oferta de oxigênio pelo aumento do fluxo coronário provocado pela dilatação das artérias coronárias. A vasodilatação coronária originada é semelhante e independe do agente utilizado. A nifedipina e a amlodipina ocasionam mais vasodilatação arterial periférica; o verapamil pode induzir bloqueio atrioventricular; e o diltiazem retarda a condução atrioventricular.

No controle de sintomas anginosos, esses medicamentos são tão eficientes quanto os betabloqueadores240,241; porém, não reduzem a incidência de angina refratária, infarto ou óbito. Uma metanálise dos efeitos dos antagonistas dos canais de cálcio na angina instável sugere que esses fármacos não previnem o aparecimento de IAM nem reduzem a mortalidade242; ao contrário, parece acentuá-los. Até o momento, foram avaliados na angina instável apenas os representantes de primeira geração. Tais ações deletérias foram observadas com todas as classes de antagonistas do cálcio testadas com essa indicação243-245. Por outro lado, existem evidências de que, em casos de infarto do miocárdio sem supradesnível do segmento ST, o diltiazem e o verapamil podem ter efeito protetor246,247.

Por causa dessas características, não é recomendado o emprego rotineiro de antagonistas dos canais de cálcio, sendo em particular contraindicado o uso isolado da nifedipina. Os demais têm seu uso reservado para situações especiais. Podem ser utilizados para tentar controlar sintomas isquêmicos refratários em pacientes que já estão recebendo nitratos e betabloqueadores em doses plenas e adequadas, ou em pacientes que não toleram o uso de nitratos ou betabloqueadores (principalmente nos casos de contraindicação), ou ainda nos casos de angina variante.

A dose padrão da nifedipina é de 10 mg três vezes por dia; de verapamil, 80-120 mg três vezes por dia; e de diltiazem, 60 mg de 3-4 vezes por dia.

Em pacientes com comprometimento significativo da função ventricular esquerda ou com alterações da condução atrioventricular, os antagonistas dos canais de cálcio devem ser evitados, mesmo quando usados isoladamente. Em portadores de disfunção ventricular esquerda, deve ser evitada sua associação a um agente betabloqueador, por sua ação comum e sinérgica na redução da contratilidade miocárdica.

4.10 - Bloqueadores do sitema renina-angiotensina-aldosterona

4.10.1 - Utilização dos inibidores da enzima conversora da angiotensina na prática clínica

Os primeiros estudos que analisaram o papel dos inibidores da enzima conversora da angiotensina no infarto do miocárdio selecionaram pacientes com características indicativas de alto risco cardiovascular, tais como redução da fração de ejeção ventricular esquerda e/ou sinais clínicos de insuficiência cardíaca248-251. Com uma única exceção251, todos iniciaram o uso dos inibidores da enzima conversora da angiotensina entre 3-6 dias após o IAM e mantiveram o tratamento por 2-4 anos. O número de vidas salvas por mil pacientes tratados variou entre 40-76 durante esse período. Posteriormente, três grandes estudos tiveram como objetivo avaliar pacientes com IAM de baixo a alto risco, com ou sem disfunção ventricular. Nesses estudos não seletivos, os inibidores da enzima conversora da angiotensina foram introduzidos mais precocemente (< 24 horas de evolução) e mantidos por um período mais curto de 4-6 semanas. Ficou demonstrado que o uso precoce dos inibidores da enzima conversora da angiotensina por via oral foi seguro e efetivo252,253, resultando em 5 vidas salvas por mil pacientes tratados.

 

 

Os inibidores da enzima conversora da angiotensina foram mais efetivos nos subgrupos de maior risco, como disfunção ventricular sintomática, infarto de parede anterior, taquicardia e antecedente de infarto prévio. Entretanto, os pacientes de menor risco também se beneficiaram dessa forma de tratamento.

Existem fortes evidências de que os inibidores da enzima conversora da angiotensina devam ser mantidos indefinidamente após o IAM nos casos em que houver disfunção ventricular esquerda, com ou sem sintomas248-251,253. Dois grandes estudos - HOPE (Heart Outcomes Prevention Evaluation)254 e EUROPA (The European trial On reduction of cardiac events with Perindopril in stable coronary Artery)255 -avaliaramo uso dos inibidores da enzima conversora da angiotensina (ramipril e perindopril, respectivamente) em pacientes com doença arterial coronária sem evidência de insuficiência cardíaca ou disfunção ventricular esquerda. No estudo HOPE, foram selecionados pacientes com idade > 55 anos, com alto risco de eventos cardiovasculares adversos, por apresentarem doença aterosclerótica vascular (doença arterial coronária, doença vascular periférica, acidente vascular cerebral) ou diabetes, com pelo menos mais um fator de risco. No estudo EUROPA, os pacientes incluídos eram portadores de doença coronária estável documentada. Nos dois estudos, o uso dos inibidores da enzima conversora da angiotensina proporcionou significativa redução dos eventos cardiovasculares e, como consequência, tais agentes passaram a ser fortemente recomendados em todas as formas de doença arterial coronária37. Em 2004, um novo estudo (PEACE - Prevention of Events with Angiotensin Converting Enzyme Inhibition)256não conseguiu demonstrar benefício adicional do uso do trandolapril em pacientes com doença arterial coronária estável sem insuficiência cardíaca. Os autores atribuíram esse resultado ao tratamento intensivo a que foram submetidos os pacientes, com altas taxas de utilização de estatina, aspirina e procedimentos de revascularização miocárdica. Proeminentes pesquisadores questionaram essas explicações e sugeriram que a inclusão de um número de pacientes substancialmente menor do que o recomendado pelo cálculo amostral, a baixa utilização da dose-alvo e o baixo risco da população analisada poderiam explicar os resultados encontrados. A seguir, três metanálises, combinando os resultados de estudos com inibidores da enzima conversora da angiotensina em pacientes com doença arterial coronária e função ventricular preservada - incluindo os estudos HOPE, EUROPA e PEACE -, confirmaram o benefício do uso de tais agentes e demonstraram que a proteção oferecida foi proporcional ao risco dos pacientes257-259.

Existe uma série de diferenças entre os inibidores da enzima conversora da angiotensina, no que se refere à duração da ação, metabolismo, excreção e capacidade de inibição da enzima conversora da angiotensina tecidual, que podem ser importantes na efetividade e na dosagem desses fármacos260. Não se sabe se essas diferenças farmacológicas promovem a superioridade de um sobre o outro no tratamento do infarto do miocárdio, uma vez que não há estudos comparando os agentes entre si. Assim, na escolha de um inibidor da enzima conversora da angiotensina, é recomendável que se dê preferência aos que tenham demonstrado reduzir a morbidade e a mortalidade nos grandes estudos clínicos, ou seja, captopril, enalapril, ramipril, lisinopril e tandolapril 220,248-253,261.

Conforme demonstrado nos estudos GISSI-3 e ISIS-4, o uso precoce de um inibidor da enzima conversora da angiotensina por via oral é seguro e eficaz. Recomenda-se que seja iniciado dentro das primeiras 24 horas de evolução, normalmente após o término da terapia de recanalização miocárdica (química ou mecânica), tão logo a pressão arterial esteja estabilizada.

O tratamento deve ser iniciado com uma dose pequena, ajustada a cada 24 horas, desde que a condição clínica do paciente assim o permita. A dose deve ser aumentada até que se atinja a dose-alvo ou a maior dose tolerada (Tabela 4.10.1.1). É recomendável que se estabeleça como dose-alvo a mesma que se mostrou efetiva nos grandes estudos. A tabela apresentada a seguir relaciona os principais estudos que utilizaram inibidores da enzima conversora da angiotensina no infarto do miocárdio, a dose inicial e a dose-alvo dos fármacos que podem ser utilizadas no tratamento do infarto do miocárdio, aguda ou cronicamente.

 

 

As contraindicações absolutas para o uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina são estenose bilateral da artéria renal, gravidez e antecedente de angioedema durante uso prévio desse agente.

Os efeitos adversos mais importantes associados ao uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina são:

Hipotensão arterial sintomática, incluindo hipotensão da primeira dose e hipotensão persistente. Os pacientes que apresentam maior risco são os idosos, os previamente hipotensos (pressão arterial sistólica < 90 mmHg) e os portadores de insuficiência cardíaca grave. A hipotensão de primeira dose pode ser evitada com o uso de baixas doses iniciais, aumentadas progressivamente. Se o paciente apresentar hipotensão sintomática no decorrer do tratamento, deve-se avaliar a possibilidade de outros fármacos estarem promovendo e/ou agravando o quadro. Se a causa da hipotensão for o inibidor da enzima conversora da angiotensina, deve-se tentar, inicialmente, a redução progressiva da dose e, em último caso, a suspensão permanente do medicamento;

Disfunção renal: após a introdução do inibidor da enzima conversora da angiotensina, pode ocorrer discreto aumento da creatinina sérica, principalmente em pacientes idosos e/ou com insuficiência cardíaca grave, insuficiência renal prévia e hiponatremia. Esse efeito é transitório e os níveis de creatinina tendem a estabilizar ou voltar ao valor basal após algumas semanas. A suspensão do agente só está indicada se o paciente evoluir com hiperpotassemia acentuada (potássio sérico > 5,5 mEq/l);

Tosse seca, de caráter persistente, ocasionalmente paroxística, surgindo entre uma semana e 6 meses após o início da terapia e desaparecendo em até uma semana após a interrupção. Se a tosse for muito frequente, será necessária a suspensão definitiva do inibidor da enzima conversora da angiotensina e a sua substituição por um bloqueador seletivo dos receptores tipo I da angiotensina II;

Angioedema é raro, mas muito grave, ocorrendo geralmente na primeira semana de terapia, frequentemente poucas horas após a ingestão da primeira dose do inibidor da enzima conversora da angiotensina. O edema é de rápida evolução, localizado no nariz e/ou na orofaringe;

 

 

Outros efeitos adversos descritos com os inibidores da enzima conversora da angiotensina são rash cutâneo, tontura, hipercalemia e redução ou perversão do apetite220,248-253,261,263.

4.10.2 - Uso dos bloqueadores AT1 na prática clínica

Dois grandes estudos avaliaram os bloqueadores AT1 no IAM: em um deles o losartan foi inferior ao captopril264; no outro, foi demonstrada a não inferioridade do valsartan em pacientes após o IAM com insuficiência cardíaca e/ou disfunção ventricular265. Sendo assim, os inibidores da ECA permanecem como primeira opção no infarto agudo do miocárdio, ficando o valsartan como alternativa para os pacientes intolerantes a esses agentes, nos casos de disfunção ventricular com ou sem sintomas e nos pacientes portadores de hipertensão arterial 266,267.

O tratamento com valsartan deve ser iniciado com uma dose de 40 mg/dia, aumentada até que se atinja a dose-alvo (160 mg/dia) ou a maior dose tolerada. É recomendável que se estabeleça a mesma dose-alvo que se mostrou efetiva nos grandes estudos.

4.10.2.1 - Novos dados sobre os bloqueadores AT1

Recentemente foi publicado o estudo ONTARGET (The Ongoing Telmisartan Alone and in Combination with Ramipril Global Endpoint Trial268,269, cujo objetivo foi avaliar se pacientes sem disfunção ventricular, com alto risco de eventos cardiovasculares por apresentarem idade > 55 anos, doença arterial coronária ou diabetes mais um fator de risco adicional poderiam se beneficiar do tratamento com telmisartan isolado ou associado ao ramipril. Foram incluídos 25.620 pacientes randomizados em três grupos: 1) telmisartan 80 mg; 2) ramipril 10 mg; ou 3) ambos, prescritos durante 4,5 anos. O objetivo primário composto do estudo (morte cardiovascular, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou hospitalização por insuficiência cardíaca) ocorreu com frequência similar nos três grupos. O grupo telmisartan teve menor incidência de tosse, angioedema e maior incidência de hipotensão sintomática, quando comparado ao grupo ramipril. O grupo que utilizou a associação teve a maior incidência de síncope, disfunção renal, hiperpotassemia e hipotensão sintomática. A conclusão dos autores foi que nessa população o telmisartan foi igualmente eficaz ao ramipril e a associação dos dois agentes não trouxe vantagens adicionais, além de alguns malefícios. A escolha entre os dois agentes dependerá da suscetibilidade do paciente aos eventos adversos observados no estudo, da escolha do médico e do paciente.

O tratamento com telmisartan deve ser iniciado com uma dose de 40 mg/dia, aumentada até que se atinja a dose-alvo (80 mg/dia) ou a maior dose tolerada.

4.10.3 - Bloqueadores da aldosterona

Dois estudos clínicos randomizados avaliaram o bloqueio da aldosterona associado ao uso de inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) em pacientes com insuficiência cardíaca (IC). No estudo RALES (Randomized Aldactone Evaluation Study)270, pacientes com insuficiência cardíaca crônica (ICC) em classe funcional III e IV (conforme classificação da NYHA - New York Heart Association) foram randomizados para espironolactona (25-50 mg/dia) ou placebo. A causa mais frequente para a IC foi isquêmica (55%) e 95% dos pacientes foram tratados com IECA, embora apenas 10% tenham recebido betabloqueador. Em 24 meses, a espironolactona se correlacionou de forma significativa, com uma redução absoluta de risco de 11% e uma redução relativa de 24% na mortalidade total. Já no cenário do IAMCST, o estudo EPHESUS (EplerenonePost-Acute Myocardial Infarction Heart Failure Efficacy and Survival Study)271 randomizou 6.632 pacientes com FE < 40% no período pós-IAM (do terceiro ao décimo quarto dia) para eplerenona ou placebo. Os pacientes nesse estudo receberam terapia medicamentosa otimizada, com altas taxas de uso de IECA, aspirina, betabloqueador e estatina. Com um seguimento médio de 16 semanas, observou-se uma redução de mortalidade favorável à eplerenona (RR 0,83; IC 95% 0,75-0,96 ; p = 0,008).

 

 

 

 

4.11 - Terapias em avaliação: novos antitrombínicos

4.11.1 - Fondaparinux

O fondaparinux é um pentassacarídeo sintético, inibe indiretamente o fator Xa (depende da antitrombina) e bloqueia a geração de trombina. O fondaparinux é totalmente sintético, não interage com as plaquetas e não adere ao fator 4 plaquetário, portanto tem menor probabilidade de induzir trombocitopenia. Sua vida média é mais longa que a da heparina não fracionada (HNF) e não necessita de controle do tempo de tromboplastina parcial ativada (KPTT). Esse fármaco foi comparado com a HNF no estudo PENTALYSE, no qual 326 pacientes com IAMCST e menos que 6 horas de evolução foram tratados com alteplase (r-tPA). Os pacientes receberam doses diferenciadas da droga: 4,0 mg, 8,0 mg e 12 mg, sendo EV no primeiro dia e SC do segundo ao quinto dia. A HNF foi administrada por até 72 horas. No estudo angiográfico de 90 minutos, observou-se fluxo TIMI 2 ou 3 em 79% dos pacientes tratados com fondaparinux e em 82% com HNF. O cateterismo foi repetido no sexto dia e observou-se reoclusão coronariana em 0,9% (1/112) dos pacientes do grupo fondaparinux e em 7% (3/43) do grupo HNF (p = 0,065). Não se observou diferença significativa para eventos hemorrágicos graves. Sangramento grave (TIMI) ocorreu em 6,6% no grupo fondaparinux e em 4,7% no grupo HNF (p = NS)272. A eficácia do fondaparinux no IAM foi avaliada no estudo OASIS-6, com 12.092 pacientes. O grupo tratamento foi de 6.036 pacientes, que receberam fondaparinux 2,5 mg SC ao dia por até 8 dias, e 6.056 pacientes no grupo controle (placebo ou HNF). O desfecho primário foi o composto de óbito e reinfarto em 30 dias, que foi 16% menor no grupo fondaparinux (fondaparinux 9,7% versus 11,2% controle; HR: 0,86, p = 0,008). Esse estudo teve dois estratos de tratamento: estrato 1 para pacientes que não tinham indicação para receber heparina, e estrato 2 para pacientes que tinham indicação para receber heparina. O benefício foi observado apenas no estrato 1, com desfecho primário ocorrendo em 11,2% dos pacientes que receberam fondaparinux versus 14,0% para os pacientes do grupo placebo (HR: 0,79, p < 0,05). No estrato 2 os pacientes foram tratados com angioplastia primária, trombolíticos fibrino-específicos ou tratamento conservador. A medicação do estudo foi dividida nos grupos fondaparinux 2,5 mg/dia por até 8 dias ou heparina não fracionada por 48 horas. Nesse estrato não houve diferença significativa do desfecho primário entre os dois grupos: 8,3% no grupo fondaparinux e 8,7% no grupo controle (HR: 0,96, p = NS). No grupo de pacientes submetidos à angioplastia primária ocorreu um excesso de trombose de cateter-guia e de complicações coronarianas relacionadas ao procedimento273.

4.11.2 - Antitrombínicos diretos

Os seguintes inibidores diretos da trombina foram estudados como adjuvantes à terapia fibrinolítica: hirudina, bivalirudina e argatroban. São úteis no tratamento da trombocitopenia induzida por heparina. Na síndrome coronariana aguda os estudos iniciais mostraram melhores índices de patência coronariana quando comparados com heparina não fracionada, sem excesso de sangramento (TIMI 5, MINT, HERO, GUSTO IIb)274-277, porém sem evidência de superioridade em desfechos clínicos nos estudos TIMI 9B, HIT-4 e HERO-2278-280. O argatroban é um antitrombínico reversível de vida média curta e deve ser administrado por infusão contínua. O estudo MINT275 comparou o efeito do argatroban com heparina após o uso de tPA no IAM e teve fluxo coronariano TIMI 3 em 90 minutos como desfecho primário. O estudo sugere que para pacientes chegando após três horas de evolução, o argatroban é superior à heparina para aumentar o fluxo coronariano, sem aumento de sangramento; porém, apenas 125 pacientes foram incluídos neste ensaio. A hirudina é um anticoagulante específico antitrombina. Atua inibindo trombina na fase fluida e também na trombina ligada à fibrina (ao passo que a heparina atua apenas na fase fluida). Dessa maneira, a hirudina tem uma vantagem teórica sobre a heparina não fracionada como adjuvante ao tratamento trombolítico. No estudo HIT-4 foram analisados 1.205 pacientes com IAM e supradesnivelamento do ST. Os desfechos clínicos estudados foram angiografia em 90 minutos, eventos clínicos em 30 dias e mortalidade em um ano. A lepirudina foi administrada na dose de 0,2 mg/kg em bolus EV, seguido por 0,5 mg/kg SC ou heparina não fracionada 12.500 U SC a cada 12 horas durante 5-7 dias. Os resultados mostram uma tendência não significativa para fluxo TIMI 3 a favor da hirudina, porém sem diferença significativa na mortalidade em um ano: 9,8% para hirudina e 8,9% para heparina278. O estudo HERO-2 randomizou 17.073 pacientes com IAM e supradesnivelamento do ST com menos de 6 horas de evolução para bivalirudina e heparina não fracionada após streptoquinase. O desfecho primário foi mortalidade em 30 dias, e os desfechos secundários eram: reinfarto em 96 horas e sangramento. A mortalidade em 30 dias foi de 10,8% para o grupo bivalirudina e 10,9% para heparina (p = 0,85). Bivalirudina esteve associada com uma menor incidência de reinfarto, dentro de 96 horas, do que a heparina: 1,6% versus 2,3%, p = 0,001. Não houve aumento significativo de hemorragia intracraniana, porém os índices de sangramentos leves e moderados foram significativamente maiores com a bivalirudina280,281.

4.12 - Agentes hipolipemiantes

As alterações lipídicas mais frequentemente observadas nos pacientes com SCA são: aumento dos TG e diminuição do LDL-C e do HDL-C. Nas primeiras 24 horas após o início dos sintomas, entretanto, o perfil lipídico corresponde aos valores usuais dos pacientes. Além de aumentar a aderência ao tratamento, evidências científicas indicam benefício no uso precoce das estatinas nessa população282.

A internação hospitalar por um evento coronariano agudo é uma importante e valiosa oportunidade para se iniciar a terapia hipolipemiante. Todos os pacientes internados por um evento coronariano agudo, assim como com IAM, devem ter seu perfil lipídico mensurado ainda na internação. As primeiras 24 horas após a admissão são consideradas o período ideal para obtenção do perfil lipídico, pois é esperada queda de cerca de 10% no colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol) durante o primeiro dia do evento agudo (secundária à heparinização, estresse, dieta e outros fatores).

A mensuração do LDL-colesterol deve ocorrer de preferência na admissão do paciente ou até 24 horas após a internação e deve ser usada para guiar a introdução de terapia hipolipemiante283.

Nos pacientes com LDL-colesterol > 100 mg/dl, deve-se iniciar terapia hipolipemiante ainda na. Nos pacientes com LDL-colesterol > 100 mg/dl em tratamento, a dose da medicação deve ser aumentada e, se necessário, uma combinação de medicamentos deve ser utilizada - grau de recomendação I, nível de evidência A. Nos pacientes com LDL-colesterol entre 70-100 mg/dl é razoável reduzir o LDL-colesterol a níveis mais281.

O LDL-colesterol obtido na hospitalização, normalmente, é o menor valor obtido pelo paciente.

A introdução da terapia hipolipemiante durante a internação apresenta diversas vantagens. Normalmente, nesse período, os pacientes mostram-se mais motivados e sujeitos a maior aderência ao tratamento. Estudos recentes têm apresentado dados favoráveis à terapia redutora de colesterol na fase aguda de evento coronariano agudo, particularmente no que se refere às estatinas. O estudo MIRACL (Myocardial Ischemia Reduction with Aggressive CholesterolLowering), com pacientes com IAM não Q ou angina instável, com níveis médios de LDL-colesterol de 124 mg/dl durante a hospitalização, demonstrou redução do risco relativo de subsequente evento coronariano com a introdução de estatina precoce284. Os únicos dados com relação ao uso de hipolipemiantes na fase aguda do IAM vêm do registro sueco, que mostrou redução de 25% na mortalidade em um ano pós-IAM nos pacientes que iniciaram terapia precocemente285.

O estudo PROVE-IT (Pravastatin or Atorvastatin Evaluation and Infection Therapy - TIMI 22)286 demonstrou que em pacientes com síndrome coronária aguda a terapia intensiva de redução lipídica com estatinas promoveu maior proteção contra morte ou eventos cardiovasculares maiores que o regime padrão. Portanto, o uso de estatinas está indicado para os indivíduos com síndromes coronárias agudas, tendo como meta terapêutica LDL-C < 70 mg/287.

4.13 - Terapia com células-tronco

Estudos pré-clínicos demonstraram que células derivadas da medula óssea (MO) são capazes de induzir miogênese e angiogênese e, portanto, regenerar o miocárdio infartado. Com base nesses achados em modelos pré-clínicos, uma ampla linha de pesquisas em humanos vem sendo desenvolvida em pacientes sobreviventes de infarto agudo do miocárdio (IAM). A via intracoronariana tem sido a estratégia de intervenção mais largamente utilizada para liberação de diferentes tipos de células.

A terapia celular é uma modalidade terapêutica promissora, com potencial para modificar a história natural do infarto agudo do miocárdio, principalmente no que diz respeito à evolução para insuficiência cardíaca numa subpopulação de pacientes mais graves.

Embora os achados dos estudos concluídos sugiram potencial efeito biológico das CMMO no remodelamento do infarto, levantam algumas considerações: primeiro, a população de pacientes incluída na maioria dos estudos foi de baixo risco para desenvolvimento de insuficiência cardíaca pós-infarto, com uma média de FE acima de 50% e, portanto, com uma janela muito estreita para que qualquer benefício na função global do VE pudesse ser demonstrado. Segundo, os pacientes foram tratados com terapia celular em momentos que variaram de 24 horas após a terapia de reperfusão até 13 dias após o IAM, quando os estudos experimentais demonstram que o pico de citoquinas ocorre por volta do sétimo dia após o infarto288. Terceiro, as três metanálises publicadas até o momento demonstram apenas uma discreta melhora na FE do VE. Embora tenha sido verificado que o procedimento é seguro e não aumenta o risco de eventos clínicos adversos, como reestenose intrastent ou eventos pró-arrítmicos, os resultados de eficácia não estão claros. Portanto, muitas questões ainda precisam ser resolvidas antes da sua incorporação à prática clínica.

 

5. Terapias de reperfusão

A oclusão coronária por um trombo é a principal causa de IAMCST289. A recanalização precoce da artéria responsável pelo infarto limita a necrose miocárdica e reduz a mortalidade nesses pacientes290.

A reperfusão pode ser realizada com a utilização de agentes fibrinolíticos ou com angioplastia primária com balão, com ou sem implante de stents. Cada método tem vantagens e limitações. Os hospitais que tratam pacientes com IAM podem ser divididos em intervencionistas e não intervencionistas, a depender da disponibilidade de um serviço de hemodinâmica capaz de realizar intervenção coronária percutânea (ICP) de emergência281.

 

 

 

 

A indicação da terapia de reperfusão apóia-se no quadro clínico e nas alterações eletrocardiográficas.

5.1 - Fibrinolíticos

A utilização de agentes fibrinolíticos para a recanalização da artéria relacionada ao infarto em pacientes com IAM foi incorporada à prática clínica há mais de 25 anos.

5.1.1 - Implicações clínicas

Os fibrinolíticos têm indicação clara nos pacientes com sintomas sugestivos de IAM associado à presença, no eletrocardiograma, de supradesnível persistente do segmento ST em pelo menos duas derivações contíguas ou de um novo ou presumivelmente novo bloqueio de ramo esquerdo, desde que não haja contraindicações40.

5.1.2 - Evidência de benefício

Até o presente momento, mais de 150 mil pacientes já foram randomizados em estudos clínicos com fibrinolíticos em comparação a placebo ou a outros regimes de fibrinolíticos. A análise do grupo de estudos do FTT (Fibrinolytic Therapy Trialists)18 demonstrou que, entre os pacientes que apresentaram dor com até 6 horas do início dos sintomas e elevação do segmento ST ou bloqueio de ramo no eletrocardiograma, aproximadamente 30 mortes eram evitadas por mil pacientes tratados; se a dor, no entanto, se manifestasse entre 7-12 horas, tal número era de 20 mortes evitadas por mil pacientes tratados. Além de 12 horas, não foram demonstradas evidências convincentes de benefício. Nos pacientes com mais de 75 anos de idade e tratados até 24 horas do início dos sintomas, o FTT demonstrou pequeno benefício na sobrevida, porém não estatisticamente significativo. Dois estudos recentes291,292 questionam o benefício da terapia fibrinolítica em idosos, e um inclusive sugere que sua utilização causaria malefício7. Em recente reanálise do FTT, porém, os pacientes com mais de 75 anos e com sintomas até 12 horas de seu início apresentaram taxas de mortalidade significantemente menores quando tratados com fibrinolíticos293.

5.1.3 - Tempo de tratamento

O maior benefício do uso dos fibrinolíticos é visto nos pacientes tratados nas primeiras horas do IAMCST. Portanto, quanto mais precoce o início do fibrinolítico, maior o benefício em relação à preservação da função ventricular e redução da mortalidade. Comparando-se o tratamento fibrinolítico na primeira hora, em que 65 vidas são salvas por mil pacientes tratados, com os pacientes tratados entre 6-12 horas, em que apenas 10 vidas são salvas por mil pacientes tratados, verifica-se a necessidade de estratégias específicas para o início precoce do fibrinolítico19.

5.1.4 - Segurança

Uma lista detalhada das contraindicações e precauções para o uso dos fibrinolíticos estão listadas na Tabela 5.4.1.

5.1.5 - Complicações com o uso de fibrinolíticos

Os fibrinolíticos podem causar algumas complicações, como excesso de 3,9 acidentes vasculares cerebrais (AVC) por mil pacientes tratados. São considerados preditores independentes para AVC pós-fibrinolíticos: idosos, baixo peso, sexo feminino, antecedente de doença cerebrovascular e hipertensão arterial tanto sistólica como diastólica na admissão. Sangramentos maiores não cerebrais (complicações hemorrágicas que necessitam de transfusão) podem ocorrer entre 4%-13%, sendo que os preditores independentes são: idosos, baixo peso e sexo feminino18. A utilização de SK pode estar associada à hipotensão, que deve ser tratada com interrupção de sua administração e, se necessário, com a reposição de volume ou atropina. As reações alérgicas são raras e a administração de rotina de corticoides não é indicada.

5.1.6 - Comparação entre os fibrinolíticos

Os estudos GISSI-2 (Gruppo Italiano per lo Studio della Sopravvivenza nell'Infarto Miocardico II)295 e o ISIS-3 (Third International Study of Infarct Survival)296 não encontraram diferenças na mortalidade entre o uso de SK e tPA. Entretanto, o estudo GUSTO297, que empregou um regime acelerado de tPA em 90 minutos associado ao uso concomitante de heparina não fracionada (HNF), resultou na redução de 10 mortes adicionais por mil pacientes tratados, comparativamente à SK. O risco de AVC é maior com o tPA do que com a SK14. A rPA, uma das variantes mutantes do tPA, não oferece vantagens sobre o tPA298. A TNK-tPA, único fibrinolítico disponível para uso em bolo único, é equivalente, em termos de mortalidade, ao tPA e está associada a menor taxa de sangramentos não cerebrais e menor necessidade de transfusão sanguínea299. A comparação entre os fibrinolíticos disponíveis no Brasil está na Tabela 5.1.6.

 

 

5.1.7 - Regimes de tratamento dos fibrinolíticos

A escolha do fibrinolítico depende da análise individual dos riscos e benefícios, da disponibilidade e do custo. Os regimes de administração para o tratamento do IAMCST e a necessidade de terapia coadjuvante estão listados a seguir (Tabela 5.7.1).

 

 

5.1.8 - Readministração dos fibrinolíticos

Se existir evidência de reoclusão ou de reinfarto com nova elevação do segmento ST ou bloqueio de ramo ao eletrocardiograma, nova administração de fibrinolíticos poderá ser realizada se a reperfusão mecânica não estiver disponível. No entanto, a estreptoquinase não deve ser repetida (após 5 dias), pois anticorpos para a SK persistem por até 10 anos300. O tPA e suas variantes não produzem anticorpos. A readministração do fibrinolítico pode aumentar as complicações hemorrágicas.

5.1.9 - Terapias antiplaquetária e anticogulante

Com base nas evidências acumuladas ao longo dos anos, existe um benefício inequívoco em termos de redução de morbidade e mortalidade com a associação da aspirina aos fibrinolíticos, sendo seus efeitos considerados sinérgicos. Mais recentemente, dois grandes estudos demonstraram benefícios adicionais com o uso de clopidogrel em associação à combinação de aspirina e fibrinolíticos45,301.

Após estudos inicias, o benefício clínico e a segurança com o uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa foram testados em dois grandes ensaios clínicos302,303. Embora não tenha havido redução da mortalidade em 30 dias, foram registradas menores taxas de reinfarto intra-hospitalar, mas às custas do aumento das complicações hemorrágicas não cerebrais, principalmente nos idosos. Portanto, o uso de rotina de doses reduzidas de fibrinolíticos com inibidores da glicoproteína IIb/IIIa não é recomendado no momento.

 

 

A utilização de HNF após tPA deve ser interrompida após 24-48 horas, realizando-se cuidadosa monitorização do TTPa. Valores acima de 70 segundos estão associados à maior probabilidade de morte, sangramento e reinfarto304. Não existe diferença na patência da artéria relacionada ao IAM em pacientes tratados com HNF ou heparina subcutânea associada à SK.

O estudo ASSENT-3303, com o uso de enoxaparina associada à TNK-tPA por um máximo de 7 dias, demonstrou redução do risco de reinfarto hospitalar ou isquemia refratária quando comparada à HNF. Houve tendência a menor mortalidade em 30 dias para o grupo da enoxaparina, sem aumento do sangramento intracraniano, porém com aumento modesto do sangramento não cerebral. No seguimento tardio de um ano, os resultados na mortalidade foram similares entre enoxaparina e HNF305. O achado de aumento de sangramento intracraniano com a enoxaparina no estudo ASSENT 3 PLUS306 em pacientes com > 75 anos levaram a omissão do bolus da enoxaparina e no ajuste de dose para 0,75 mg/Kg nos pacientes acima de 75 anos no estudo ExTRACT-TIMI24. No estudo, o objetivo primário composto de 30 dias (mortalidade por todas as causas e reinfarto não fatal) foi significativamente menor no grupo enoxaparina. Em uma metanálise publicada em 2007307, comparando HNF com enoxaparina em mais de 27.000 pacientes com IAMCST, os quais receberam terapia fibrinolítica, foi demonstrado que o objetivo primário composto (óbito, infarto ou sangramentos maiores com 30 dias) ocorreu significativamente menos nos pacientes com enoxaparina, sendo o maior benefício atribuído à redução de infarto; sangramentos maiores ocorreram mais em pacientes com enoxaparina. Os autores calcularam que para cada 1.000 pacientes tratados com enoxaparina, 21 óbitos ou infartos são prevenidos ao custo de um aumento de 4 sangramentos maiores não fatais.

A bivalirudina, um inibidor direto da trombina de ação curta, usado em conjunto com SK, não mostrou redução na mortalidade em 30 dias280.

O fondaparinux, um inibidor do fator Xa sintético, reduziu a mortalidade ou infarto em 30 dias em pacientes que receberam fibrinolítico e naqueles que não receberam fibrinolíticos, quando comparados com HNF ou placebo no estudo OASIS-6; em pacientes submetidos à ICP, primária não houve benefício273.

Até o momento, a bivalirudina e o fondaparinux ainda não são comercializados no Brasil.

5.2 - Intervenção coronária percutânea

A ICP no infarto agudo do miocárdio pode ser dividida em primária (sem o uso prévio de fibrinolíticos), facilitada (relacionada à utilização de farmacologia prévia), de salvamento ou resgate (decorrente do insucesso da fibrinólise) e naquela praticada de maneira eletiva após a fibrinólise.

5.2.1 - Intervenção coronária percutânea primária

A ICP primária é a utilização do cateter balão com ou sem implante do stent coronário e sem o uso prévio de fibrinolítico, com o objetivo de restabelecer o fluxo coronário anterógrado de maneira mecânica. Essa técnica, quando disponível, constitui-se na melhor opção para a obtenção da reperfusão coronária, se iniciada até 90 minutos após o diagnóstico do IAM. Para os pacientes com uma contraindicação para fibrinólise ou na vigência de choque cardiogênico, a ICP primária é também uma opção preferencial308,309.

Os critérios de inclusão para a realização de uma ICP primária são amplos, favorecendo quase todos os pacientes acometidos pelo IAM. A cinecoronariografia realizada imediatamente antes do procedimento terapêutico determina os critérios de exclusão:

• Impossibilidade de identificar com clareza o vaso coronário responsável pelo infarto;

• Infarto relacionado à oclusão de ramos secundários responsáveis pela irrigação de pequenas áreas do miocárdio;

• Presença de doença coronária multiarterial severa, em paciente assintomático, com o vaso-alvo com fluxo coronário TIMI grau 3, evidenciando uma indicação para revascularização cirúrgica do miocárdio;

• Constatação de fluxo coronário normal (TIMI grau 3) associado à estenose coronária < 70% no vaso-alvo.

5.2.1.1 - Comparação com os fibrinolíticos

Inúmeras séries consecutivas, registros e ensaios randomizados comprovaram as vantagens da ICP primária em comparação com a fibrinólise. Esse método é capaz de restabelecer o fluxo coronário epicárdico normal (TIMI grau 3) em mais de 90% dos pacientes, associado a reduzidas taxas de isquemia recorrente e reinfarto, com menor risco de complicações hemorrágicas graves, tais como o AVC281,308,309.

Até o momento, 23 ensaios clínicos compararam os dois métodos, utilizados em 7.739 indivíduos agregados em uma revisão sistemática, sendo que 76% dos pacientes submetidos à fibrinólise receberam o tPA308. Ao final dos primeiros 30 dias, a ICP primária reduziu a mortalidade (7% versus 9%; p = 0,0002), o reinfarto (2,5% versus 6,8%; p < 0,0001) e o AVC (1% versus 2%; p = 0,0004). A SK foi utilizada em 1.837 pacientes, cujo gradiente favorável à redução da mortalidade foi ainda maior, comparado com aqueles submetidos a ICP primária (10% versus 5%; p < 0,0001)308,309.

5.2.1.2 - ICP Primária com implante de stent coronário

O implante de stents coronários pode ser efetivado com segurança, de acordo com o perfil angiográfico. A sua utilização reduziu significativamente as taxas tardias de uma nova revascularização do vaso-alvo, porém sem reduzir mortalidade ou reinfarto, quando comparado com a aplicação do cateter balão, que tenha proporcionado um resultado com estenose residual < 30%, ausência de linhas de dissecção residuais e fluxo coronário grau 3 TIMI310.

Não é recomendado implantar um stent coronário na vigência do IAM na evidência de:

• Estenose em ramo secundário calibroso (> 3,0 mm), não passível de tratamento percutâneo;

• Alto risco de fenômeno de no reflow em vasos com grande quantidade de trombo não tratado adequadamente (defeito de enchimento globular duas vezes maior que o diâmetro de referência do vaso-alvo);

• Tortuosidade ou calcificação de grau severo que impeça a progressão da endoprótese até a lesão-alvo.

Mais recentemente, a aplicação dos stents farmacológicos foi também estendida aos pacientes com IAMCST. Essa nova geração de endopróteses impede ou reduz a divisão celular no local do implante (lesão-alvo), promovendo taxas menores de reestenose clínica e angiográfica. As recomendações dedicadas especificamente a esses dispositivos percutâneos, sejam stents farmacológicos ou não, estão relatadas em diretriz da área de atuação em cardiologia intervencionista311.

5.2.1.3 - Suporte de equipe de cirurgia cardíaca

Diretrizes anteriores recomendavam a realização da ICP primária em centros terciários, com equipes treinadas e disponíveis 24 horas por dia, associado à presença de equipe de cirurgia cardíaca312. Algumas dessas premissas foram revisadas e, na vigência de IAMCST, a recomendação formal de equipe de cirurgia cardíaca presencial foi modificada32-34.

Uma única série randomizada, norte-americana, comparou a ICP primária realizada em um centro primário, sem suporte cirúrgico presencial (n = 225), com a alteplase (n = 226). Os resultados imediatos foram bons - óbito: 5,3% versus 7,1% (p = 0,44); reinfarto: 4,9% versus 8,8% (p = 0,09); e AVC: 1,3% versus 3,5% (p = 0,13) para ICP e alteplase, respectivamente313.

Na vigência do IAM, a ICP primária pode ser realizada sem suporte cirúrgico presencial, desde que exista um sistema de suporte à distância, funcionante e ativo, com retardo inferior a 60 minutos312-314.

5.2.1.4 - Experiência do centro e do operador

Em relação à experiência do operador, um registro norte-americano evidenciou que os centros que realizaram mais de 33 intervenções coronárias percutâneas primárias ao ano exibem menores taxas de mortalidade, quando comparados com hospitais cuja experiência anual menor314.

O número de casos realizados na vigência do IAM por um centro, anualmente, não preconiza uma contraindicação. Centros com maior experiência proporcionaram uma tendência a resultados melhores. É recomendação desta Diretriz que cada centro verifique, periodicamente, o desempenho obtido em seu centro em relação à ocorrência dos desfechos adversos maiores35.

5.2.1.5 - Indicações de transferência para realização da ICP primária

Para os pacientes admitidos em hospitais sem a facilidade para a realização de uma ICP primária, uma seleção pode ser feita no sentido de tratá-los imediatamente com fibrinolítico ou providenciar uma transferência para um centro que realize a ICP primária.

Uma revisão sistemática englobando 3.750 pacientes incluídos em ensaios randomizados dedicados à análise da transferência para ICP primária ou o tratamento imediato com fibrinolíticos demonstrou benefícios favoráveis à estratégia de transferência - mortalidade: 7,8% versus 10,0% (p = 0,086); reinfarto: 1,5% versus 5,1% (p < 0,0001); e AVC: 0,6% versus 1,9% (p = 0,015). O retardo para transferência variou de 70 minutos até três horas315. Nessa metanálise, está incluso um estudo controlado francês que utilizou a fibrinólise pré-hospitalar. Quando esses pacientes são retirados da análise (n = 840), a mortalidade da ICP primária é significativamente menor (6,7%), mesmo com o tempo gasto para a transferência, quando comparada à fibrinólise hospitalar (8,9%; p = 0,035)315.

A transferência para ICP primária enfrenta dificuldades e restrições logísticas para sua universalização, haja vista o perfil heterogêneo das mais diversas comunidades e de um país para outro. No entanto, cresce progressivamente a sua organização e ordenamento no âmbito mundial316-318.

Apenas um dos estudos de transferência estratificou os resultados de acordo com o risco prévio dos pacientes. Dos 1.527 pacientes recrutados, 1.134 (73,8%) foram classificados como de baixo risco classificação TIMI (0-4 pontos), enquanto os demais, como de alto risco (> 5 pontos). Nesse estudo, houve redução significativa das taxas de mortalidade nos pacientes classificados como de alto risco (25,1% versus 36,2%; p = 0,0002). Nos demais, de baixo risco, a redução da mortalidade foi limítrofe (5,6% versus 8,0%; p = 0,11)319.

Os pacientes preferenciais para a transferência são aqueles com:

• Início dos sintomas de IAM > 3 horas e < 12 horas;

• Contraindicação para fibrinólise;

• Expectativa de transferência, do diagnóstico até o início da ICP primária, inferior a 90 minutos;

• Transporte rodoviário ou aéreo em ambiente de terapia intensiva com monitoramento médico treinado;

 

 

5.2.2 - Intervenção coronária percutânea de salvamento

A ICP de salvamento ou resgate320,321 é definida como a estratégia de recanalização mecânica realizada precocemente quando a terapia fibrinolítica falha em atingir a reperfusão miocárdica. A falha da terapia fibrinolítica é definida pela oclusão persistente da artéria relacionada ao infarto (ARI) pela angiografia (TIMI 0-1) em até 90 minutos. Entretanto, como a angiografia não é realizada de rotina após a trombólise, não há critérios definitivos para detectar a falha primária da fibrinólise, devendo esta basear-se em alta suspeição clínica, sendo os seguintes aspectos importantes322:

1) Clínico: Dor torácica persistente importante, especialmente associada à sudorese e dispneia, e instabilidade hemodinâmica;

2) Eletrocardiográfico: Supra de ST persistente ou que aumenta (normalmente visto em 60-90 minutos após a trombólise).

Não existindo recanalização adequada da ARI, deve ser realizada a ICP de salvamento em tempo < 180 minutos após o fibrinolítico. É importante ressaltar que a segurança da transferência para um hospital terciário habilitado para ICP de urgência já foi verificada por alguns estudos323-325.

Os esquemas terapêuticos atuais com fibrinolíticos fibrino-específicos administrados rapidamente ou de associações com inibidores da glicoproteína IIb/IIIa ainda não conseguiram fornecer resultados ótimos; portanto, a estratégia de ICP de resgate continua necessária.

Os estudos que avaliaram ICP de resgaste incluíram pacientes com grandes infartos. No estudo RESCUE I (Randomized Evaluation of Salvage Angioplasty with Combined Utilization of Endpoints)321, foram randomizados apenas infartos de parede anterior. Até o presente momento, a utilidade da ICP de salvamento nos pacientes com infarto inferior não complicado e infartos pequenos não está completamente definida.

Em análise recente da Central Nacional de Intervenções Cardiovasculares (CENIC), a ICP de resgate foi comparada à ICP primária. Ao final da fase hospitalar, a ICP de resgate exibiu menor sucesso e maior mortalidade. Na análise multivariada, a ICP de resgate foi identificada como preditor independente de maior mortalidade326. Portanto, a ICP de resgate ainda requer atenção especial, haja vista os resultados mais adversos observados em diversas séries.

 

 

Recentemente foi publicado o estudo MERLIN327, que randomizou 307 pacientes com IAM para ICP de resgate versus tratamento conservador. Foi evidenciada mortalidade semelhante ao final de 30 dias entre os grupos, mas com menor chance de subsequente revascularização para o grupo ICP (6,5% versus 20,1%; p < 0,01), porém com maiores chances de AVC (4,6% versus 0,6%; p = 0,03) e transfusões (11,1% versus 1,3%; p < 0,001). A função ventricular com 30 dias foi semelhante nos dois grupos. Apesar dos resultados não tão favoráveis à ICP de resgate, quando avaliamos a metodologia do estudo observamos alguns aspectos: 1) o objetivo primário do estudo foi mortalidade e o número de pacientes foi pequeno para tal fim; além disso, a mortalidade foi elevada, bem maior que a inicialmente esperada; 2) maior proporção de pacientes com IAM inferior; 3) baixa utilização de stent (50,3%); 4) baixa utilização de inibidores de glicoproteína IIb/IIIa (3,3%); 5) inclusão de pacientes com supra de ST persistente e com a ARI com fluxo TIMI 3. Essas limitações, portanto, não devem reduzir a importância da ICP de salvamento.

Os estudos anteriores não trouxeram informações definitivas sobre se os stents poderiam otimizar os resultados da ICP de resgate. Dois trabalhos tentaram elucidar essa questão. Um deles foi o REACT328, com 427 pacientes, que evidenciou significativa redução dos eventos combinados de mortalidade, reinfarto, ICC e AVC ao final de 6 meses, favorecendo a estratégia de ICP de resgate (p < 0,01) em relação aos pacientes tratados de maneira conservadora ou com trombólise repetida. O uso de stents foi de 68,5%. Outro estudo foi o STOPAMI-4329, que randomizou 181 pacientes para angioplastia com balão X stent, dentro do cenário da ICP de salvamento. O objetivo primário era a recuperação do ventrículo esquerdo por meio da cintilografia miocárdica. Os resultados favoreceram o uso do stent e reforçaram o conceito da ICP de salvamento.

A análise em conjunto de todos esses estudos randomizados foi recentemente publicada por Wijeysundera e cols.330, com 908 pacientes, evidenciando o benefício dessa estratégia. Os resultados demonstram redução de 10,4% para 7,3% de mortalidade (RR 0,69; p = 0,09), redução de reinfarto de 10,7% para 6,1% (RR 0,58; p = 0,04) e também diminuição da incidência de insuficiência cardíaca de 17,8% para 12,7% (RR 0,73; p = 0,05).

Concluindo, frente a critérios clínicos e/ou eletrocardiográficos que sugiram insucesso do fibrinolítico, principalmente no infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST de parede anterior, ou em que o ECG indique grande área em risco, é recomendável a realização precoce da ICP de resgate, idealmente com 90 minutos após a terapia fibrinolítica281,314.

5.2.3 - Intervenção coronária percutânea eletiva após a fibrinólise

A ICP eletiva, de rotina, em pacientes submetidos à fibrinólise e sem evidência de isquemia miocárdica já foi contraindicada, principalmente quando apenas os balões eram empregados no tratamento intervencionista169. Mais recentemente, novos estudos, já com stents coronários sendo utilizados, evidenciaram resultados favoráveis para a ICP eletiva após a fibrinólise. Em metanálise recente, demonstrou-se que, em três estudos, a aplicação rotineira e precoce (< 72 horas após a fibrinólise) cursou com tendência a menor mortalidade (3,8% versus 6,7%; p = 0,07; RR, 56%), quando comparada ao tratamento conservador (indicação de ICP guiada por isquemia aguda). A redução da recorrência do IAM foi menor naqueles selecionados para estratégia de rotina (7,4% versus 13,2%; p = 0,0067; RR, 53%)169.

As controvérsias ainda persistem quanto à indicação eletiva e sistemática da ICP após a fibrinólise. Evidências mais consistentes ainda são necessárias para contemplar essa indicação, principalmente nos pacientes assintomáticos após o IAM e sem uma clara demonstração de isquemia. As evidências obtidas até este momento demonstram a eficácia e a segurança da ICP aplicada rotineira e precocemente (< 24 horas) após a fibrinólise, com redução significativa dos desfechos adversos tardios (morte e reinfarto), quando comparadas a uma estratégia conservadora. A comparação com retardos maiores (> 72 horas) ainda não está estabelecida, não sendo incorreto afirmar que a cinecoronariografia e uma possível ICP possam ser realizadas após este período (três dias)169,331.

5.2.4 - Intervenção coronária percutânea facilitada

A ICP facilitada é uma intervenção planejada, efetivada nas primeiras 12 horas após o início dos sintomas, logo após a administração de fibrinolíticos e ou inibidores da glicoproteína IIb/IIIa, reduzindo o retardo entre o contato médico e a efetivação da ICP332.

Com o advento do fibrinolítico em bolus e dos inibidores do complexo IIb/IIIa intravenosos associados aos stents, retomou-se o conceito de tratamento conjunto, isto é, a associação planejada de estratégias farmacológicas e intervencionistas para ampliar e refinar a reperfusão no IAM332.

Diversos estudos já foram realizados, utilizando-se inibidores do complexo IIb/IIIa, fibrinolíticos ou inibidores com metade da dose de fibrinolítico, prévio à realização da ICP. Todos os estudos planejados, desde aqueles exploratórios das vantagens dessa estratégia (amostra menor de pacientes) até dois estudos pivôs, com mais de três mil pacientes, já foram apresentados. Até o momento, os resultados foram similares ou mesmo inferiores, quando comparados à ICP primária332,333.

Os resultados da grande maioria desses ensaios foram reunidos em metanálise publicada em 2006, com 4.504 pacientes, dos quais 1.148 foram randomizados para facilitação apenas com inibidores do complexo IIb/IIIa (abciximab e peptídeos de cadeia pequena). Os desfechos maiores não foram modificados com o uso de IGP IIb/IIIa antes da ICP primária, quando comparada à ICP primária sem facilitação, seja a mortalidade (3,0% versus 3,0%; p = 0,94), o reinfarto (1,0% versus 1,0%; p = 0,53), uma nova revascularização de emergência (2,0% versus 2,0%; p = 0,99) e os sangramento maiores (7,0% versus 5,0%; p = 0,30). Portanto, a administração sistemática de inibidores do complexo IIb/IIIa previamente à ICP não fornece benefícios adicionais, mantendo inalteradas as taxas de ocorrência de eventos adversos maiores332. Nessa mesma metanálise, 2.963 pacientes receberam fibrinolíticos em dose plena (tenecteplase) ou metade da dose (tenecteplase ou reteplase). Os desfechos adversos maiores contabilizaram um efeito deletério, isto é, aqueles selecionados para fibrinolíticos apresentam uma maior mortalidade (6,0% versus 4,0%; p = 0,042), reinfarto (4,0% versus 2,0%; p = 0,006), necessidade de reintervenção emergencial (5,0% versus 1,0%; p < 0,0001) e ocorrência de acidente vascular cerebral (1,6% versus 0,3%; p = 0,002)332.

 

 

 

 

O mais recente ensaio dedicado à avaliação dessa estratégia apresentou seus resultados em 2.452 pacientes infartados, alocados randomicamente em três grupos. Os pacientes submetidos à combinação de fibrinolítico e inibidores do complexo IIb/IIIa prévia à ICP exibiram uma maior taxa de resolução da elevação do segmento ST (43,9%), comparados àqueles tratados somente com abciximab e ICP (33,1%) ou da ICP primária (31,0%; p = 0,01 e p = 0,003, respectivamente). Contudo, o objetivo primário (óbito de qualquer causa, fibrilação ventricular > 48 horas após a randomização, choque cardiogênico e insuficiência cardíaca diagnosticados < 90 dias da inclusão) foi similar entre as duas estratégias facilitadoras e a ICP primária (9,8%, 10,5% e 10,7%; p = 0,55; combinação fibrinolítico e abciximab, abciximab e ICP primária, respectivamente). A mortalidade aos 90 dias foi de 5,2%, 5,5% e 4,5% (p = 0,49), respectivamente333.

5.3 - Revascularização cirúrgica

No tratamento do IAM, as situações com indicação de revascularização cirúrgica do miocárdio têm sido cada vez menos frequentes. De maneira geral, a revascularização cirúrgica de urgência é indicada em pacientes com anatomia coronária favorável, quando houver contraindicação ou falhas das terapêuticas trombolítica e de revascularização percutânea na presença de complicações, tais como isquemia recorrente, choque cardiogênico e complicações mecânicas do infarto37,232. Paralelamente, a cirurgia de revascularização tem sido indicada de forma eletiva, de acordo com critérios clássicos, a partir de 3-7 dias após o episódio do infarto334,335.

5.3.1 - Revascularização cirúrgica de urgência

As indicações de revascularização cirúrgica de urgência incluem: revascularização primária na vigência de IAM; após ICP sem sucesso; angina recorrente; e revascularização associada à correção das complicações mecânicas do infarto.

5.3.1.1 - Revascularização primária

Durante a evolução do IAM, a opinião predominante é a de que a revascularização cirúrgica deva se limitar a pacientes que tenham anatomia coronária favorável, com contraindicação ou falha da terapêutica intervencionista, e que estejam nas primeiras horas após o início da alteração isquêmica. Nesses casos, a revascularização cirúrgica pode limitar a área de necrose miocárdica, desde que seja idealmente realizada em um intervalo de 2-3 horas.

A eficácia da revascularização cirúrgica de emergência no tratamento de pacientes com choque cardiogênico, complicando a evolução do IAM, foi comprovada pelo estudo SHOCK (Should We Emergently Revascularize Occluded Coronaries for Cardiogenic Shock)336,337. Esse estudo demonstrou que a cirurgia de emergência apresenta resultados positivos, semelhantes aos da revascularização percutânea, sendo normalmente realizada em pacientes de maior gravidade. Assim, a revascularização cirúrgica deve ser considerada, na presença de choque cardiogênico, como uma opção terapêutica aos outros tipos de intervenção337,338. O período ideal para a revascularização cirúrgica de emergência deve ser inferior a 4-6 horas após o início do infarto, podendo se estender até 18 horas após a instalação do choque cardiogênico, quando a anatomia coronária for totalmente desfavorável para a ICP.

5.3.1.2 - Revascularização após ICP sem sucesso

A revascularização cirúrgica de emergência está indicada em pacientes com IAM em evolução que apresentam angina persistente ou instabilidade hemodinâmica após ICP sem sucesso339. No entanto, esses casos apresentam alta mortalidade, cujo risco se eleva na presença de choque cardiogênico, tempo de isquemia superior a 4 horas, doença multiarterial e revascularização cirúrgica prévia340,341.

 

 

5.3.1.3 - Revascularização por isquemia recorrente

A indicação de revascularização cirúrgica de urgência também deve ser considerada quando houver recorrência de episódios de isquemia após IAM, refratários à terapêutica farmacológica342. Essa indicação também é realizada apenas quando a anatomia coronária não for passível de abordagem por ICP. A mortalidade nesse tipo de pacientes está intimamente relacionada à função ventricular, mas o benefício em relação à sobrevivência em longo prazo suporta o emprego da revascularização cirúrgica, mesmo em casos com grave comprometimento da fração de ejeção343.

5.3.1.4 - Revascularização associada ao tratamento das complicações mecânicas do infarto

A revascularização cirúrgica do miocárdio deve ser sempre considerada na presença de complicações mecânicas do infarto, como ruptura de parede livre, comunicação interventricular344 e ruptura ou disfunção de músculo papilar com grave repercussão hemodinâmica345, embora a cirurgia continue a ser realizada com elevado risco de mortalidade345,346. Nessas situações, o tratamento cirúrgico da complicação mecânica, associado ou não à revascularização do miocárdio, deve ser sempre indicado e desencadeado com urgência. O preparo pré-operatório, nesses casos, é fundamental, sendo de vital importância a melhor estabilização possível do paciente, inclusive com a colocação de balão intra-aórtico.

5.3.2 - Revascularização cirúrgica eletiva

A revascularização cirúrgica eletiva em pacientes que apresentaram IAM é geralmente considerada em pacientes com: lesão de tronco de coronária esquerda, doença triarterial, doença biarterial com estenose proximal do ramo interventricular anterior, ou doença biarterial não passível de tratamento por ICP e comprometimento importante da função ventricular. Essa estratégia deve ser particularmente avaliada em pacientes que apresentaram choque cardiogênico, resultando em um impacto positivo em sua sobrevivência tardia337. O período de 3-7 dias após o episódio de IAM tem sido considerado adequado para a indicação da revascularização cirúrgica eletiva, embora não existam estudos randomizados a respeito347,348. Esse fato baseia-se na observação de índices de mortalidade nesse período semelhantes aos encontrados com o tratamento da insuficiência coronária crônica348 e os resultados análogos ao emprego de ICP 335. Mesmo quando a revascularização cirúrgica é indicada depois de três dias do emprego de trombolíticos, os índices de mortalidade mantêm-se em níveis aceitáveis, como observado nos principais estudos clínicos com trombólise coronária. No estudo GUSTO, a revascularização cirúrgica do miocárdio foi empregada em 8,6% dos casos submetidos à trombólise, em um período médio de 8,5 dias após o procedimento inicial349. Já no estudo TIMI 2, a revascularização cirúrgica foi indicada como de urgência em 1,6% dos pacientes e de modo eletivo em 10%350.

5.3.3 - Considerações técnicas

Do ponto de vista técnico, a revascularização cirúrgica do miocárdio pode ser realizada com ou sem o uso da circulação extracorpórea. Não existem estudos comparativos randomizados relacionados a essas opções na presença de IAM, e os estudos observacionais publicados apresentam resultados controversos351,352. Por esse motivo, o tipo de abordagem deve seguir a preferência da equipe cirúrgica. No entanto, pacientes em uso de aspirina ou clopidogrel tendem a apresentar um maior risco de sangramento e de uso de hemoderivados, quando a intervenção cirúrgica é realizada sob circulação extracorpórea353.

O tipo de proteção miocárdica escolhida também deve seguir a preferência da equipe cirúrgica. Nesse sentido, no entanto, resultados melhores têm sido observados quando a revascularização do miocárdio é realizada com o coração batendo, em comparação ao emprego de soluções cardioplégicas352. O enxerto da artéria torácica interna para a artéria interventricular anterior, na presença de estenose significante daquele vaso, deve ser utilizado sempre que possível, sendo também importante o uso rotineiro do balão intra-aórtico no pré-operatório.

 

6. Tratamento das complicações

6.1 - Complicações hemorrágicas associadas ao uso de agentes anticoagulantes

Ao longo das últimas décadas, o uso de agentes anticoagulantes foi definitivamente incorporado à terapêutica do IAMCST, principalmente por prevenir a reoclusão coronária pós-reperfusão.

O primeiro desses agentes anticoagulantes, a heparina não fracionada (HNF), age predominantemente por meio de um bloqueio à trombina ou fator II ativado. Apesar dos benefícios da terapêutica com HNF em portadores de IAMCST, a dificuldade de manutenção de uma anticoagulação estável, a manutenção de taxas ainda elevadas de retrombose coronária pós-reperfusão e a redução da contagem de plaquetas associadas à sua infusão endovenosa precipitaram a busca por novos anticoagulantes mais eficientes. O primeiro deles foi a heparina de baixo peso molecular (HBPM), um subproduto da decomposição da HNF que, além de uma ação antitrombínica direta similar à molécula-mãe, também bloqueia a síntese de trombina ao inibir a formação do fator X ativado. A administração facilitada por via subcutânea, a potência superior à HNF e sua ação mais previsível sobre o sistema de coagulação sem a necessidade de se realizar coletas seriadas de coagulograma transformaram a HBPM no agente anticoagulante de escolha para o tratamento das síndromes coronárias agudas.

Apesar das evidentes vantagens farmacológicas das HBPM sobre a HNF, os estudos clínicos evidenciaram alguns resultados conflitantes. O principal estudo que comparou a HNF à enoxaparina foi o ExTRACT-TIMI 25, realizado em portadores de IMST submetidos à terapêutica fibrinolítica1. Os resultados demonstram uma redução da meta primária de morte ou infarto do miocárdio não fatal e secundária de morte, reinfarto e revascularização de urgência aos 30 dias de seguimento, principalmente às custas da redução das taxas de reinfarto e reintervenção. A despeito da redução da dose de enoxaparina em pacientes idosos e portadores de insuficiência renal, a redução dos eventos isquêmicos associou-se a um aumento significativo das taxas de sangramentos maiores pelo critério TIMI (RR 1,53; 95% IC 1,23-1,89; p< 0,001), a despeito de não ser observado incremento de hemorragia intracraniana. A combinação dos efeitos anti-isquêmicos e hemorrágicos em uma única meta (benefício clínico líquido) mostra vantagens do uso da enoxaparina sobre a HNF. Resultados muito similares foram obtidos no estudo CREATE, que comparou a reviparina, uma HBPM não disponível em nosso país, ao placebo/HNF em portadores de IMST submetidos à reperfusão com SK ou angioplastia primária201. Hemorragias maiores foram significativamente mais frequentes em pacientes tratados com reviparina (HR 2,49; 95% IC 1,61-3,87; p < 0,001).

Os estudos ExTRACT-TIMI 25 e CREATE mostram claramente que agentes anticoagulantes mais potentes, ao mesmo tempo que reduzem os eventos isquêmicos, promovem incremento das complicações hemorrágicas. Essa observação assume extrema importância em um momento em que novos agentes plaquetários mais potentes (clopidogrel) e mais procedimentos invasivos são incorporados ao tratamento de portadores de IMST, potencializando o potencial hemorrágico. Estudos recentes têm demonstrado um efeito especialmente nocivo das complicações hemorrágicas no prognóstico de curto e médio prazo de portadores de síndromes coronárias agudas, inclusive sobre a mortalidade. O sangramento maior mostrou-se um importante preditor da mortalidade aos 30 dias, isquemia tardia e trombose de stents354. Os dados combinados de diversos estudos sugerem uma relação direta e proporcional entre sangramento e eventos adversos4.

Dessa forma, as complicações hemorrágicas assumiram papel importante para o prognóstico de portadores de IAMST, independente do método de reperfusão empregado. Essa observação resultou na busca por agentes anticoagulantes associados à eficácia clínica equivalente, porém, a menores índices de sangramento. O fondaparinux e a bivalirudina foram testados em portadores de IMST indicando resultados bastante favoráveis, mas ainda não disponíveis em nosso meio273,355.

Em conclusão, a enoxaparina é um agente que demonstra vantagem clínica em relação à HNF, principalmente quando combinada à terapêutica fibrinolítica. Apesar da redução dos eventos isquêmicos, o sangramento costuma ser maior nesses pacientes e a dose precisa ser corrigida em indivíduos idosos e portadores de disfunção renal. Estudos demonstram que doses inadequadas de HBPM estão associadas a sangramentos importantes356.

6.2 - Angina pós-infarto

A presença de isquemia miocárdica poucas semanas após IAM piora de forma significativa o prognóstico grave do paciente357-359 pelo alto risco de eventos cardiovasculares subsequentes, incluindo morte, reinfarto e isquemia grave recorrente11. As diversas manifestações clínicas da isquemia passíveis de tratamento, como angina, reinfarto, isquemia silenciosa exteriorizada espontaneamente em exames complementares ou isquemia indutível em testes de estresse devem ser bem caracterizadas para conduta adequada.

Na avaliação dessas manifestações clínicas, alguns aspectos merecem ser considerados. O desconforto isquêmico pode ou não estar associado a outros sintomas e sinais, como reelevação de CK-MB, depressão ou elevação do segmento ST ou pseudonormalização de ondas T invertidas232. É importante o diagnóstico diferencial com pericardite pós-infarto pelas diferentes orientações terapêuticas e conotações prognósticas11.

Angina, significando novos episódios isquêmicos, pode ocorrer durante o período de hospitalização pós-infarto agudo em cerca de 20%-30% dos casos, mas tem sido relatada depois de reperfusão com sucesso em até 58% dos indivíduos11,12. Esses novos eventos isquêmicos traduzem potenciais reoclusões, com graves consequências aos pacientes. Dos 30% de potenciais reoclusões,15% apresentam oclusões trombóticas das artérias coronárias, com consequente 5% de reinfarto na fase intra-hospitalar281. A estratificação de risco precoce pode ser feita com base em sintomas anginosos, achados físicos e eletrocardiográficos, além de nova elevação de CK-MB e avaliação ecocardiográfica da função ventricular.

De acordo com a classificação clínica de Braunwald359, a angina pós-infarto é uma das modalidades de angina instável. Dessa forma, os indicadores considerados de alto risco são: progressão dos sintomas isquêmicos nas últimas 48 horas, dor em repouso prolongada (> 20 minutos), achados clínicos de edema pulmonar, aparecimento ou agravamento de sopro de insuficiência mitral, presença de B3, hipotensão, bradicardia, taquicardia, idade superior a 75 anos, desvios transitórios de ST > 0,05 mV durante dor em repouso, bloqueio de ramo novo ou presuntivamente novo, taquicardia ventricular sustentada e elevação dos marcadores de necrose miocárdica49. O diagnóstico de reinfarto baseia-se na recorrência da dor isquêmica, embora não seja imprescindível, na elevação do segmento ST > 0,1 mV, em pelo menos duas derivações contíguas do eletrocardiograma e em nova elevação de CK-MB acima do limite superior considerado normal ou pelo menos 50% acima do valor prévio. Não se deve utilizar a troponina para diagnóstico de reinfarto devido a sua meia-vida longa. Mais frequentemente, ocorre na mesma área do infarto prévio. Incide em cerca de 10% dos pacientes durante os primeiros dez dias pós-infarto, mas só em 3%-4% dos pacientes que recebem fibrinolítico e aspirina232.

 

 

Na avaliação de risco da isquemia não sintomática, deve-se ter em mente que a isquemia à distância é mais grave que a manifesta na área de infarto, pois implica a soma de áreas lesadas do miocárdio, embora ambas indiquem a ocorrência de estenose arterial grave e miocárdio viável distal a esse vaso360.

No manuseio do desconforto isquêmico, recomenda-se inicialmente a otimização farmacológica por meio da administração intravenosa de betabloqueador, seguida da oral, e a readministração de fibrinolítico (de preferência alteplase ou tenecteplase, se previamente tratado com SK) para os pacientes com elevação de ST recorrente, onde não haja disponibilidade de cateterismo de emergência. Não se recomenda a administração de SK devido a suas propriedades antigênicas e o grande risco de sangramento com sua reutilização281. Pode-se, também, associar nitroglicerina intravenosa por 24 horas, seguida da administração tópica ou oral.

Qualquer que seja a expressão da isquemia, justifica-se investigação acurada, pela potencial gravidade do quadro.

A cinecoronariografia tem importante papel na investigação dos quadros isquêmicos pós-infarto agudo, particularmente nos casos considerados de maior risco, pois permite esclarecer o substrato anatomofuncional e o consequente planejamento da terapêutica adequada. Tal terapêutica inclui reperfusão imediata, com utilização de intervenção percutânea, se possível trombólise, se apropriada (isto é, na presença de trombo), ou de cirurgia de revascularização miocárdica, em casos específicos40,232,361. Não foi demonstrado benefício da intervenção percutânea na ausência de isquemia espontânea ou indutível, mas a revascularização percutânea ou cirúrgica tem papel bem definido na presença de isquemia pós-infarto10. A revascularização miocárdica cirúrgica é recomendada para alívio dos sintomas, se não controlados por outros meios, e para aumento da sobrevida, na ocorrência de lesões no tronco da coronária esquerda ou triarteriais, principalmente na presença de disfunção ventrícular esquerda361.

Em pacientes submetidos à fibrinólise, nos quais o sucesso não foi atingido por falha de reperfusão, a angioplastia de resgate pode e deve ser realizada quando se dispõe de laboratório de hemodinâmica. Dados recentes suportam observações iniciais de que a angioplastia de resgate reduz eventos clínicos adversos, como reinfarto e insuficiência cardíaca, sem alteração de mortalidade. A metanálise de Wijeysundera e cols. mostrou tendência a redução de mortalidade de 10,4% para 7,3% (p = 0,09), redução de reinfarto de 10,7% para 6,1% (p = 0,04) e redução de insuficiência cardíaca de 17,8% para 12,7% (p = 0,05) (Figura 6.2.1)281,330. Esse tipo de procedimento deve ser realizado em pacientes considerados de moderado e alto risco, isto é, aqueles que desenvolvem grave insuficiência cardíaca, choque cardiogênico ou que apresentam grave arritmia ventricular levando à instabilidade hemodinâmica330.

6.3 - Infarto de ventrículo direito

O infarto de ventrículo direito compreende um espectro de situações clínicas que variam desde a disfunção de ventrículo direito assintomática até o choque cardiogênico. Na maioria dos pacientes, o ventrículo direito retorna à função normal em um período de semanas a meses, sugerindo atordoamento isquêmico em vez de necrose irreversível. Dessa forma, a isquemia ventricular direita pode ser demonstrada em até 50% de todos os infartos do miocárdio de região inferior, embora em somente 10%-15% dos pacientes possam ser observadas alterações hemodinâmicas clássicas362,363.

O infarto de ventrículo direito, quando acompanha o infarto inferior, apresenta elevada mortalidade (25%-30%). Sua presença identifica um subgrupo de pacientes com infarto inferior de alto risco (6%), os quais deveriam ser considerados como de alta prioridade para a reperfusão precoce362. Evidências recentes sugerem mortalidade de 6% para pacientes com infarto inferior isolado e de 31% para pacientes com infarto inferior complicado, com infarto de ventrículo direito362. O tratamento de pacientes com isquemia do ventrículo direito é diferente e em algumas situações diametralmente oposto ao manuseio da disfunção ventricular esquerda.

6.3.1 - Considerações anatômicas e fisiopatológicas

A artéria coronária direita geralmente é responsável pelo suprimento sanguíneo de grande parte do ventrículo direito. Dessa forma, a oclusão da artéria coronária direita antes de seus ramos leva à isquemia do ventrículo direito364. O infarto do ventrículo direito hemodinamicamente significante ocorre quase exclusivamente na presença de infarto inferior365. Pelo fato de o ventrículo direito ter massa muscular muito menor que o ventrículo esquerdo (principalmente pela menor resistência vascular do circuito pulmonar), sua demanda de oxigênio miocárdica é significativamente menor que a do ventrículo esquerdo366. A perfusão coronária do ventrículo direito ocorre tanto na sístole como na diástole366. Além do mais, o ventrículo direito apresenta relação mais favorável entre oferta/demanda de oxigênio que o ventrículo esquerdo, pelo maior fluxo colateral proveniente do sistema esquerdo367,368. Esses fatores podem explicar a ausência de isquemia do ventrículo direito hemodinamicamente significante em pacientes com oclusão proximal da artéria coronária direita, assim como a melhora da função do ventrículo direito observada na maioria dos pacientes após episódio de isquemia ventricular direita369.

A gravidade das alterações hemodinâmicas relacionadas à isquemia ventricular direita está associada a: a) extensão da isquemia e consequente disfunção do ventrículo direito; b) efeito de contenção do pericárdio adjacente; e c) interdependência interventricular decorrente do septo interventricular. O resultado imediato da isquemia do ventrículo direito é a dilatação ventricular, que resulta no aumento da pressão intrapericárdica ocasionada pela força de contenção que o pericárdio adjacente exerce. Como consequência, há redução da pressão sistólica e do débito do ventrículo direito, e redução da pré-carga, do volume de ejeção e da dimensão diastólica final do ventrículo esquerdo, ocasionando desvio do septo interventricular em direção ao ventrículo esquerdo370. Em decorrência da disfunção tanto sistólica como diastólica do ventrículo direito, o gradiente de pressão entre os átrios direito e esquerdo torna-se um fator determinante da perfusão pulmonar. Assim, fatores que reduzem a pré-carga, como depleção de volume, diuréticos e nitratos, redução da contração atrial (infarto atrial concomitante, perda da sincronia atrioventricular, fibrilação atrial), assim como fatores que aumentam a pós-carga do ventrículo direito (disfunção do ventrículo esquerdo concomitante) podem acarretar graves efeitos hemodinâmicos adversos371-373. A movimentação do septo interventricular em direção ao ventrículo direito na sístole é um efeito fisiológico que contribui significativamente para a força sistólica do ventrículo direito e consequentemente para a perfusão pulmonar. A perda desse mecanismo compensatório (como, por exemplo, infarto septal) pode resultar em deterioração adicional em pacientes com isquemia do ventrículo direito373.

6.3.2 - Diagnóstico clínico

A avaliação sistemática da isquemia ventricular direita deve ser realizada em todo paciente com IAM em região inferior. A tríade clínica de hipotensão, campos pulmonares limpos e elevação da pressão venosa jugular na presença de infarto inferior são características da isquemia do ventrículo direito. Embora muito específica, essa tríade apresenta sensibilidade inferior a 25%374. A distensão de veias do pescoço isolada ou a presença do sinal de Kussmaul (distensão da veia jugular durante inspiração) são sensíveis e específicas para a isquemia do ventrículo direito em pacientes com infarto inferior375. Esses achados podem estar mascarados na presença de depleção de volume e podem tornar-se evidentes somente após teste volêmico adequado. Uma pressão de átrio direito de no mínimo 10 mmHg ou maior que 80% da pressão encunhada de artéria pulmonar é um achado relativamente sensível e específico de isquemia do ventrículo direito376.

A demonstração de elevação do segmento ST de pelo menos 1,0 mm na derivação precordial direita V4R é o achado eletrocardiográfico de maior valor preditivo em pacientes com isquemia do ventrículo direito377. Esse achado pode ser transitório: em 50% dos pacientes, desaparece após dez horas do início dos sintomas378. É fundamental que a equipe multidisciplinar envolvida no atendimento esteja treinada para o registro dessa derivação, que deve ser realizado em todos os pacientes com infarto inferior na admissão hospitalar. A ecocardiografia Doppler pode ser útil em pacientes com suspeita clínica de isquemia do ventrículo direito e achados não diagnósticos379. Dilatação ventricular direita, assinergia da contração ventricular e movimentação anômala dos septos interventricular e interatrial são os achados mais comuns380-382.

6.3.3 - Manuseio do paciente com isquemia/infarto do ventrículo direito

O tratamento do infarto do ventrículo direito inclui manutenção precoce da pré-carga, redução da pós-carga do ventrículo direito, suporte inotrópico para o ventrículo direito e reperfusão precoce383.

Pela sua influência na pré-carga, as drogas utilizadas rotineiramente no manuseio de infarto do ventrículo esquerdo, tais como nitratos e diuréticos, podem reduzir o débito cardíaco e provocar hipotensão grave se o ventrículo direito estiver isquêmico. Na verdade, a hipotensão arterial grave após o uso de nitratos sublinguais é uma manifestação comum do infarto de ventrículo direito, sendo o grau da hipotensão geralmente desproporcional à gravidade eletrocardiográfica do infarto. Nessas situações, geralmente uma carga volêmica com solução salina fisiológica normaliza a hipotensão e melhora o débito cardíaco384. Em outros casos, porém, a sobrecarga de volume pode ocasionar elevação acentuada da pressão de enchimento do ventrículo direito e o consequente agravamento da dilatação ventricular, com redução do débito cardíaco385. Embora a carga volêmica seja o primeiro passo no manuseio da hipotensão associada à isquemia ventricular direita, o suporte inotrópico (dobutamina) deve ser iniciado imediatamente caso o débito cardíaco não melhore após a administração de 500-1.000 ml de carga volêmica.

Outro fator importante para a manutenção de pré-carga adequada é a sincronia atrioventricular. Bloqueio atrioventricular é um achado comum, podendo ocorrer em até 50% desses pacientes386. Nessas situações, o marca-passo sequencial pode levar ao aumento significativo do débito cardíaco e à reversão do choque, mesmo nas situações em que o marca-passo ventricular isolado não contribui para a melhora do quadro clínico387. Fibrilação atrial pode ocorrer em até 35% dos pacientes com isquemia de ventrículo direito388 e também pode provocar alterações hemodinâmicas graves. A cardioversão imediata da fibrilação atrial deve sempre ser considerada quando houver evidências de repercussão hemodinâmica. Quando a disfunção do ventrículo esquerdo acompanha a isquemia de ventrículo direito, o ventrículo direito fica mais comprometido pela pós-carga ventricular aumentada e pela redução do volume de ejeção389. Nessas circunstâncias, o uso de estratégias que reduzem a pós-carga (nitroprussiato de sódio, balão intra-aórtico) pode ser necessário para reduzir a pós-carga do ventrículo esquerdo e, consequentemente, do ventrículo direito, como pode ser observado no quadro apresentado a seguir. A terapia fibrinolítica e a angioplastia primária com reperfusão subsequente têm demonstrado aumentar a fração de ejeção do ventrículo direito390 e reduzir a incidência de bloqueio atrioventricular completo390-392.

6.4 - Pericardite

O processo inflamatório que atinge o pericárdio no pós-infarto do miocárdio depende de sua transmuralidade. É uma complicação relativamente comum, porém sua frequência tem sido reduzida com o uso de terapias de recanalização coronária393. Pode aparecer tanto na sua forma aguda como na subaguda, e seu diagnóstico frequentemente se confunde com os achados álgicos e alterações eletrocardiográficas evolutivos do infarto agudo do miocárdio394.

6.4.1 - Pericardite pós-IAM precoce

Constitui-se na forma mais frequente e costuma se manifestar em torno de 24 horas após o início do evento agudo. Clinicamente, a pericardite deve ser suspeitada quando for detectada dor torácica ventilatório-dependente, agravada por inspiração profunda, tosse e deglutição, e aliviada quando o paciente flete o tórax anteriormente. Pode ser acompanhada de febrícula, sem alterações hematológicas compatíveis com infecção. A ausculta de atrito pericárdico é comum e facilita o diagnóstico definitivo394.

O exame eletrocardiográfico pode levar à suspeita de pericardite quando apresenta elevação do segmento ST em precordiais esquerdas, com concavidade superior preservada. Presença de taquicardia sinusal sem manifestações de insuficiência cardíaca pode ser outro achado, bem como concomitância com outras taquiarritmais supraventriculares, principalmente fibrilação atrial394.

A ecocardiografia é muito útil na detecção de derrame pericárdico, porém não deve ser utilizada como critério para o diagnóstico de pericardite. A necessidade da presença de atrito pericárdico pode levar à redução significativa de sua incidência394,395.

O tratamento da pericardite clássica precoce inclui40,396-398:

• Dose de aspirina (tratamento de escolha) recomendada: 500 mg a cada 4 horas; reduzir as doses quando da melhora dos sintomas.

• Os anti-inflamatórios não esteroides (AINES) devem ser evitados por reduzirem o efeito antiplaquetário da aspirina e aumentar o risco de complicações cardíacas na fase aguda do IAMCST.

• Os corticosteroides também devem ser evitados, fundamentalmente por aumentar o risco de ruptura cardíaca e de recorrência dos sintomas após sua suspensão.

• Deve ser mantida a anticoagulação, avaliando-se a relação risco-benefício.

6.4.2 - Pericardite tardia: síndrome de Dressler

Ocorre tardiamente após o evento agudo (2-12 semanas). Modificações dinâmicas de segmento ST poderão ser detectadas, como elevação ou depressão inespecíficas. Atualmente ocorre com muita raridade. É considerada uma polisserosite. Acompanha-se de dor pleurítica e febre. Atrito pericárdico à ausculta costuma estar presente, podendo ser detectado também derrame pleural, tipicamente hemorrágico399.

 

 

O tratamento pode ser farmacológico ou cirúrgico399:

Farmacológico:

a) Similar ao da pericardite precoce do pós-infarto;

b) Corticoides poderão ser necessários para o adequado controle dos sintomas (prednisona deve ser utilizada em doses iniciais de 20 mg/dia, devendo ser reduzida de acordo com a resposta do paciente); o tempo médio de tratamento é de cerca de 1-4 semanas.

Cirúrgico:

a) Quando for detectado derrame pericárdio volumoso que comprometa a dinâmica cardiopulmonar.

b) Quanto ao prognóstico:

• Processo autolimitado.

• Baixa prevalência de complicações.

• Tratamento sintomático e de suporte (previne complicações).

• Derrames pericárdicos volumosos são raros, mas quando presentes necessitam de intervenção precoce.

• Bom prognóstico a longo prazo.

6.5 - Falência miocárdica e choque cardiogênico

6.5.1 - Insuficiência cardíaca

Durante a fase aguda do infarto do miocárdio, pode ocorrer o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, que é associado a pior prognóstico a curto e longo prazos.

Os sinais clínicos de insuficiência cardíaca usualmente envolvem presença de taquicardia, desconforto respiratório, pulsos finos, diminuição da perfusão periférica com extremidades frias e oligúria, podendo aparecer uma 3ª bulha e estertores pulmonares. Os estertores podem atingir campos médios e ápices pulmonares.

A pressão arterial pode inicialmente ser normal, com diminuição e convergência de pressão à medida que o quadro progride. Avaliações repetidas da ausculta nos campos pulmonares são necessárias na fase aguda do infarto. O aparecimento de sopro transitório de insuficiência mitral (disfunção de músculo papilar) ou de comunicação interventricular deve sempre ser procurado, especialmente durante dor precordial recidivante40,232.

 

 

Atrito pericárdico pode aparecer transitoriamente nas primeiras 72 horas, especialmente em infartos extensos. Em pessoas idosas, o aparecimento de agitação ou confusão mental pode estar associado a desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva, assim como, muitas vezes, bradiarritmias importantes, ou mesmo ritmo sinusal, podem provocar alterações confusionais. A avaliação repetida da pressão, da frequência cardíaca e da saturação é essencial para se diagnosticar o desenvolvimento de fase precoce de insuficiência cardíaca congestiva. É importante e prático classificar o estado atual e o prognóstico do paciente usando a classificação de Killip: classe I, sem estertores pulmonares ou 3ª bulha; classe II, estertores basais ou 3ª bulha; classe III, estertores até campo médio; e classe IV, choque cardiogênico400.

A classificação do grupo TIMI utilizando parâmetros clínicos e eletrocardiográficos permite boa estimativa do grau de risco envolvido na evolução do paciente. Indivíduos com infarto prévio, diabetes, disfunção ventricular e infarto em áreas revascularizadas têm maior chance de complicações e constituem um grupo especial de risco53.

O indivíduo com graus mais avançados de disfunção ventricular esquerda, além dos sinais de congestão venosa já mencionados, pode desenvolver pressão arterial inferior a 90 mmHg (ou até pressão aparentemente normal - 100-110 mmHg - em indivíduo previamente bastante hipertenso) e que não responde às medidas tomadas. Habitualmente, esse indivíduo está desenvolvendo choque cardiogênico; se este quadro estiver associado à piora de perfusão, saturação ou congestão pulmonar, medidas mais agressivas devem ser tomadas rapidamente.

Vários tipos de estados hemodinâmicos podem ocorrer após o infarto agudo do miocárdio, os quais estão listados na tabela apresentada a seguir. Segundo resultados recentes do registro GRACE629 sobre a importância do desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva no espectro das síndromes coronárias agudas, a ocorrência de insuficiência cardíaca congestiva está associada à mortalidade mais elevada em todas as faixas etárias, embora seja particularmente pior nos indivíduos mais idosos.

A incidência de choque cardiogênico como complicação do IAM tem diminuído nas últimas décadas401. Informações recentes sobre a evolução mais tardia de pacientes com choque cardiogênico na fase aguda do infarto e que sobreviveram demonstram que na fase mais tardia, após um ano do quadro agudo, a maioria apresenta-se em classe funcional I ou II (NYHA), mantendo uma qualidade de vida bastante adequada402.

6.5.2 - Medidas gerais

Entre as medidas gerais, incluem-se a monitorização contínua para avaliação de variações do segmento ST e o controle de arritmias. A pesquisa de distúrbios eletrolíticos, acidose metabólica, disfunção renal ou anemia faz parte da avaliação de rotina nesses pacientes. Monitorização para avaliação de saturação arterial com oxímetro de pulso também é obrigatória. A presença de congestão pulmonar pode ser avaliada por meio de radiografia de tórax, podendo haver congestão importante mesmo sem ausculta, o que torna obrigatória em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva a avaliação repetida das condições de congestão venosa pulmonar40,232,403. Em pacientes com diabetes, o controle rigoroso do nível de glicemia com bomba de infusão e a eliminação do uso de hipoglicemiantes orais contribuem para a manutenção de melhores condições hemodinâmicas404. No estudo DIGAMI, o controle rigoroso do nível de glicemia e o controle metabólico atingido com bomba de infusão contínua talvez tenham melhorado o prognóstico desses pacientes404. Entretanto, estudos posteriores, como o DIGAMI 2 e o HI-5, parecem ter chegado a resultados não conclusivos ou não da forma que o DIGAMI inicial parecia sugerir405,406. Assim, a maneira ideal para a realização desse controle inicial, bem como os níveis glicêmicos ideais, permanecem não completamente definidos no momento atual406. Uma conduta que parece adequada e aceitável é manter a glicemia em níveis menores que 150 mg/dL nos primeiros três dias pós-infarto e, após este período, objetivar normoglicemia (80-110 mg/dL)407, visando manter a longo prazo níveis de hemoglobina glicosilada em torno de 6,5, nível que o recente estudo ADVANCE mostrou diminuir eventos cardiovasculares tardios408. A ecocardiografia com Doppler a cores é hoje elemento essencial na avaliação precoce da extensão de dano miocárdico em indivíduos com desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva. Defeitos mecânicos, como insuficiência mitral e comunicação interventricular, e presença de derrame pericárdico devem ser repetidamente procurados para permitir condições de tratamento o mais precocemente possível e nas melhores condições hemodinâmicas40,232.

6.5.3 - Insuficiência cardíaca congestiva leve - leve/moderada

O desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva, mesmo que não seja grave, implica habitualmente grande extensão de área isquêmica ou de área de perda. Atenção especial deve ser dada a indivíduos com grandes hipertrofias e infartos pregressos, que implicam disfunção ventricular prévia. O oxigênio deve ser administrado com cateter nasal ou máscara. Diuréticos são o primeiro medicamento a ser utilizado, usualmente furosemida 20-40 mg por via endovenosa; caso seja necessário, o medicamento deve ser repetido em intervalos precoces. A nitroglicerina endovenosa está habitualmente indicada, tomando-se cuidado para se evitar hipotensão arterial. Inibidores da enzima conversora da angiotensina devem ser iniciados na dosagem de 6,25 mg ou 12,5 mg a cada 12 horas ou a cada 8 horas, na ausência de hipotensão, hipovolemia ou insuficiência renal significativa. O betabloqueador via oral deve ser iniciado nas primeiras 24 horas pós-infarto, a não ser que haja contraindicação, como crise de asma recente, hiperreatividade brônquica ou bloqueios atrioventriculares avançados. O uso de betabloqueadores endovenosos, especialmente nos dois primeiros dias pós-infarto, deve ser restrito a pacientes hipertensos e na ausência de perfusão periférica ruim ou risco aumentado de choque cardiogênico (mais que 70 anos, PAS menor que 120 mmHg, FC > 110 bpm e apresentação tardia), pois está associado a maior risco de progressão para choque cardiogênico nestes pacientes231,281.

Em indivíduos com disfunção ventricular e sem congestão pulmonar, o uso de betabloqueadores (orais) é indicado, a não ser que haja contraindicação grave, como crise de asma recente, doença pulmonar obstrutiva crônica ou doença vascular periférica graves40,53,232.

6.5.4 - Disfunção ventricular grave

Deve ser utilizado oxigênio suplementar em todos os pacientes, especialmente nas primeiras 6 horas do infarto, além de diuréticos de alça409. Além da saturação arterial, que deve permanecer acima de 90%, deve ser feita a medição da gasometria e a acidose deve ser corrigida. Podem ser utilizadas, se necessário, máscara, medidas de apoio tipo BiPAP (Bilevel Positive Airway Pressure) ou até ventilação mecânica. A abordagem terapêutica dos pacientes com disfunção ventricular moderada a grave pode ser guiada pelo estado hemodinâmico da apresentação clínica410. Em situações de instabilidade progressiva ou de ausência de resposta às medidas tomadas, a passagem de cateter tipo Swan-Ganz pode ser útil para guiar o manejo inicial desses pacientes, apesar do seu uso não estar relacionado com diminuição na mortalidade410. Se não houver hipotensão, pode ser considerado o uso de nitroglicerina endovenosa na dose de 0,25 µg/kg/min, procurando-se manter a pressão arterial sistólica na faixa de 90-100 mmHg. A apresentação inicial de IAM com Killip III é indicação formal de angioplastia primária. Caso não haja condições a curto prazo de realização do procedimento, a utilização de trombolíticos deve ser feita sem maiores delongas, devendo ser considerada a transferência para centros terciários40,232,392,411,412.

Agentes inotrópicos podem ser utilizados no caso de hipotensão. Dobutamina na dose inicial de 2,5-5,0 mcg/kg/min deve ser administrada precocemente. Após controle da hipotensão arterial, devem ser administrados inibidores da enzima conversora da angiotensina ou inibidores AT1. No estudo VALIANT (Valsartan in Acute Myocardial Infarction)265, o inibidor AT1 valsartan apresentou resultados equivalentes aos do captopril em pacientes com infarto moderado a grave. Após os estudos EPHESUS (Eplerenone in Heart Failure Post Acute Myocardial Infarction) e COPERNICUS (Carvedilol Prospective Randomized Cumulative Survival), inibidores da aldosterona e betabloqueadores também devem ser empregados413,414.

 

 

6.5.5 - Choque cardiogênico

Choque cardiogênico é um estado de hipoperfusão tecidual, caracterizado por pressão arterial sistólica < 90 mmHg, índice cardíaco < 1,8 l/min/m2 e pressões de enchimento elevadas. Em geral, embora esteja relacionado ao dano ventricular extenso, pode acontecer em outras situações, tais como na ocorrência de infarto associado de ventrículo direito, defeitos mecânicos tipo insuficiência mitral ou comunicação interventricular, derrame pericárdico ou tamponamento cardíaco, ou quando há complicações na evolução do IAM tipo tromboembolismo pulmonar ou sépsis, especialmente em diabéticos e idosos40,232,400,415,416.

O paciente em choque cardiogênico necessita monitorização mais agressiva, utilizando controle intra-arterial de pressão, sondagem vesical, usualmente ventilação mecânica, cateter de Swan-Ganz e instalação precoce do balão intra-aórtico232. Especialmente para os pacientes que já apresentam Killip IV na instalação do infarto agudo do miocárdio, o estudo hemodinâmico imediato é imperativo para consideração de angioplastia de emergência ou de cirurgia de revascularização miocárdica, especialmente em situações de lesões multiarteriais, proximais, com bons vasos distais ou em casos de lesão de tronco de artéria coronária336. Se o paciente estiver em um centro que não dispõe dessas opções, a terapêutica fibrinolítica deve ser utilizada sem demora e a transferência para um centro de maiores recursos deve ser providenciada imediatamente.

 

 

A utilização seriada da ecocardiografia é imprescindível, assim como reavaliações periódicas das medidas hemodinâmicas proporcionadas pelo cateter de Swan-Ganz. Gasometria por meio do cateter, tanto arterial como venosa, possibilita a obtenção de medidas que orientam a correção de distúrbios gasométricos pulmonares. A utilização de drogas vasoativas se faz necessária, com frequência, para a estabilização desses pacientes. A dobutamina, em doses de 5-15mcg/kg/min, geralmente é utilizada e, em algumas situações, pode ser associada à dopamina. Caso o paciente se encontre acentuadamente hipotenso, deve ser utilizada a norepinefrina endovenosa a fim de manter a pressão sistólica arterial no mínimo entre 70-90 mmHg. Se houver possibilidade de utilização de nitroglicerina endovenosa na tentativa de melhorar eventuais áreas isquêmicas, sua administração deve ser levada em consideração, embora na situação de choque cardiogênico dificilmente consiga ser implementada. A tentativa de desmame do balão intra-aórtico pode ocorrer em um período de 24-72 horas, com o intuito de minimizar danos vasculares periféricos, devendo ocorrer antes do desmame considerável das drogas vasoativas. Existem relatos iniciais de melhora nos parâmetros hemodinâmicos em pacientes tratados com vasopressina e levosimendam, porém não existem estudos clínicos que demonstrem diminuição de mortalidade ou outros desfechos maiores com o uso dessas drogas417,418. O uso da tilarginina, um inibidor do óxido nítrico sintetase, também demonstrou melhora no padrão hemodinâmico em trabalhos preliminares com pacientes em choque cardiogênico, porém o seu benefício clínico não foi reproduzido nos estudos SHOCK-2 e TRIUMPH419-421. Novos mecanismos de assistência ventricular esquerda também vêm sendo desenvolvidos e aprimorados para suporte de pacientes que são refratários às medidas citadas422.

Diurético endovenoso deve ser largamente utilizado, eventualmente até em forma de infusão contínua. Digital endovenoso pode ser utilizado em situações de frequência cardíaca elevada ou de fibrilação atrial, relativamente comuns. Medicamentos por via oral, como inibidores da enzima conversora da angiotensina, inibidor de aldosterona ou AT1 e betabloqueadores devem ser utilizados quando houver estabilização adequada do quadro, já que a absorção intestinal de drogas utilizadas por via oral, em situações de choque, é inadequada.

Com tratamento clínico, o choque cardiogênico plenamente estabelecido é associado à mortalidade na faixa de 60%-70%. Com revascularização precoce, percutânea ou cirúrgica, a mortalidade diminui para a faixa de 20%-40%. Para que isso ocorra, porém, é essencial a precocidade de tratamento agressivo, a identificação de pacientes com distúrbios passíveis de serem corrigidos - quer se trate de lesões coronárias ou distúrbios mecânicos - e a obtenção de índices de perfusão TIMI adequados232. O escore de perfusão TIMI é o alvo a ser procurado e não apenas o escore de fluxo TIMI, pois o TIMI fluxo III não necessariamente significa perfusão tecidual adequada. Mesmo com o melhor dos tratamentos, o choque cardiogênico é uma situação que evolui com mortalidade elevada40,232,415,416,423).

6.5.6 - Evolução e prognóstico

Como já mencionado, o desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva e de choque cardiogênico está associado com maior mortalidade, não só na fase aguda, hospitalar, mas também na fase tardia, crônica. É essencial que nos indivíduos complicados haja maior número de estudos hemodinâmicos e de intervenções terapêuticas, pelo fato desses pacientes apresentarem maior risco e de se beneficiarem com a revascularização percutânea ou cirúrgica, seja na fase aguda seja na evolução posterior40,232,416,423,424. Tem causado alguma perplexidade a constatação, como nos registros OASIS425 e GRACE426, de que os indivíduos de maior risco acabam sendo submetidos a menor taxa de intervenções terapêuticas em comparação aos indivíduos mais estáveis. A pronta transferência desses pacientes com Killip III ou IV para centros terciários deve também ser continuamente incentivada, pois certamente nestes subgrupos de alto risco as intervenções precoces são fundamentais para se obter bons resultados.

6.6 - Complicações mecânicas: tratamentos clínico e cirúrgico

Complicações mecânicas podem aparecer durante a evolução de um paciente com IAM, e os tipos de defeitos responsáveis por tais complicações são os seguintes: a) regurgitação da valva mitral com ou sem ruptura de músculo papilar; b) ruptura do septo ventricular; c) ruptura da parede livre do ventrículo; e d) aneurisma do ventrículo esquerdo.

Caracteristicamente, os defeitos mecânicos aparecem com maior frequência após IAM com supradesnível do segmento ST. Considerando-se todos os tipos, seja de septo, parede livre ou músculo papilar como um grupo único, as rupturas ventriculares pós-IAM são responsáveis por aproximadamente 15% de todas as mortes ocorridas no infarto agudo do miocárdio398. Em relação ao tempo de aparecimento, as rupturas geralmente ocorrem nos primeiros 14 dias de evolução do infarto, com dois picos maiores de incidência: nas primeiras 24 horas e entre o terceiro e quinto dias de evolução37.

Desde a segunda metade dos anos 1980, uma série de grandes estudos randomizados tem demonstrado diminuição da mortalidade de pacientes com IAM tratados com terapia de reperfusão41,427,428. No entanto, a instabilidade hemodinâmica continua sendo responsável por significativa parte das complicações apresentadas por pacientes submetidos à terapia fibrinolítica429,430. A principal causa da instabilidade grave e rapidamente progressiva no IAM é a presença de defeito mecânico, e o mais dramático é a ruptura miocárdica, associada a altos índices de morbidade e mortalidade. São vários os fatores que podem estar envolvidos com o aparecimento da ruptura. Embora o mecanismo exato seja desconhecido, muitos acreditam que a ruptura esteja relacionada, fundamentalmente, a extensas áreas de necrose miocárdica com hemorragia local. Estudos foram dirigidos para avaliar as complicações mecânicas presentes no IAM terapia de reperfusão, e parece que a trombólise precoce reduz a incidência de ruptura. Por outro lado, se for implementada tardiamente, com mais de 14 horas, ou se for ineficaz, o risco de ruptura é maior232. Constatou-se, também, que o método de reperfusão tem influência importante, pois a reperfusão por fibrinolítico leva à maior hemorragia no local do infarto, maior injúria de reperfusão e menor patência do vaso envolvido. Esses fatos poderiam explicar a maior incidência de ruptura encontrada com terapia fibrinolítica, em relação à angioplastia primária431,432.

 

 

 

 

De modo geral, quando o paciente com IAM apresenta súbita ou progressiva deterioração hemodinâmica, com baixo débito cardíaco ou edema pulmonar, é preciso levantar a hipótese de presença de defeito mecânico, pois o rápido diagnóstico e a correta orientação terapêutica são elementos básicos para melhor evolução e sobrevida desses pacientes.

6.6.1 - Regurgitação da valva mitral com ou sem ruptura do músculo papilar

A regurgitação mitral é uma complicação relativamente comum do IAM e, quando presente, pode exibir diferentes graus de importância, partindo de claros estados clínicos evidentes e hemodinâmicos até se apresentar clinicamente silenciosa. Sua detecção apenas se dá acidentalmente durante cateterismo cardíaco ou por exame ecocardiográfico com Doppler.

A regurgitação mitral é mais encontrada nos pacientes acometidos de IAM inferior e o grau máximo de gravidade é encontrado naqueles portadores de ruptura parcial ou total do músculo papilar. O músculo papilar que se rompe com mais frequência é o póstero-medial, que tem suplência única feita pela artéria coronária direita ou pela artéria circunflexa433. Paradoxalmente, apesar de ser uma complicação grave do infarto agudo do miocárdio, as rupturas do músculo papilar geralmente estão associadas a infartos não extensos e à doença coronária moderada.

 

Quadro 3

 

 

Quadro 4

 

O surgimento de sopro sistólico em região mitral sugere a presença de regurgitação mitral. A presença de edema pulmonar ou choque cardiogênico em paciente com IAM de parede inferior deve alertar para a possibilidade de ocorrência de regurgitação mitral aguda importante ou ruptura do músculo papilar. À beira do leito, o diagnóstico pode ser feito com o auxílio de cateter de Swan-Ganz que, ao demonstrar a ausência de salto oximétrico no ventrículo direito e a presença de onda V significativa da pressão capilar pulmonar, confirma a insuficiência mitral e exclui a presença de comunicação interventricular. O ecocardiograma com Doppler colorido transtorácico ou transesofágico permite o diagnóstico de certeza, com quantificação do grau de insuficiência valvar e identificação ou não de ruptura do músculo papilar.

A eletrocardiografia não é característica nessa complicação e a cineangiocoronariografia e o estudo hemodinâmico têm por objetivo auxiliar a elucidação diagnóstica das lesões coronárias e do defeito valvar para programação cirúrgica completa.

Após o diagnóstico, o tratamento está diretamente relacionado ao grau de comprometimento hemodinâmico presente. Nas insuficiências mitrais discretas, geralmente a conduta clínica é convencional, por meio de medicações orais. Nos casos mais avançados, está indicado o uso de cateter de Swan-Ganz associado ao balão intra-aórtico, além da utilização de inotrópicos e vasodilatadores periféricos, com o objetivo de diminuir a pós-carga do ventrículo esquerdo e reduzir a regurgitação mitral. Os casos de regurgitação mitral grave sem ruptura do músculo papilar em geral indicam infarto extenso com disfunção ventricular severa.

Na ruptura total do músculo papilar, o tratamento clínico isolado está associado a 75% de mortalidade nas primeiras 24 horas. A cirurgia de troca da valva mitral de urgência tem mortalidade que varia entre 22%-55%232. Todos os pacientes com ruptura do músculo papilar devem ser considerados para cirurgia de urgência37.

A elevada mortalidade hospitalar no tratamento cirúrgico da ruptura do músculo papilar no IAM está relacionada ao significativo comprometimento hemodinâmico com choque cardiogênico no pré-operatório. Nos casos de substituição valvar, está relacionada à ressecção do músculo papilar434,435, sendo relatados os benefícios da preservação do músculo papilar nestes casos436-439. Se houver possibilidade de preservação valvar, o reforço do músculo papilar deve ser feito com tiras de teflon ou pericárdio suturadas visando a sua reconstrução440. Geralmente, nos casos de ruptura do músculo papilar com insuficiência mitral aguda, o átrio esquerdo é pequeno e não há dilatação do anel mitral441.A utilização da ecocardiografia transesofágica transoperatória melhorou os resultados cirúrgicos, evitando defeitos residuais442.

6.6.2 - Ruptura do septo ventricular

Antes da era da reperfusão, a incidência de ruptura do septo ventricular era de 1,0%-3,0%, baixando para 0,2%-0,3% na era da recanalização coronária344. Ocorre com maior frequência entre o terceiro e o quinto dia pós-infarto sem terapia de reperfusão, sendo seu aparecimento mais precoce, nas primeiras 24 horas, nos pacientes que receberam terapia fibrinolítica.

A ruptura do septo interventricular pode ser anunciada pelo aparecimento de sopro alto, pansistólico, audível com mais nitidez em região do bordo esternal esquerdo baixo, geralmente associado a abrupto declínio do estado clínico do paciente, com sinais de insuficiência cardíaca congestiva e choque cardiogênico. A eletrocardiografia não é específica e o diagnóstico pode ser feito pelo ecocardiograma transesofágico ou transtorácico à beira do leito. Está indicada a passagem do cateter de Swan-Ganz para orientação terapêutica e comprovação do salto oximétrico por meio da análise da saturação de oxigênio de amostras colhidas no átrio direito e na artéria pulmonar, o que caracteriza a presença de shunt ventricular443.

A cineangiocoronariografia e o estudo hemodinâmico confirmam o defeito septal e as lesões coronárias, possibilitando a programação cirúrgica.

Anteriormente, a cirurgia era indicada apenas para pacientes com edema agudo de pulmão e choque cardiogênico. Hoje é reconhecida a importância da cirurgia, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis e com função ventricular esquerda preservada, pela possibilidade de expansão abrupta da ruptura local, resultando em colapso hemodinâmico súbito. Por essa razão, o tratamento atual está baseado no controle clínico inicial com inotrópicos, vasodilatadores e antiarrítmicos, quando necessário, utilização de balão intra-aórtico para os casos instáveis, e realização de cirurgia o mais precocemente possível, para todos os pacientes com ruptura septal aguda232.

A mortalidade hospitalar dos pacientes submetidos a tratamento cirúrgico é estimada entre 25%-60%122,444 e a evolução tardia costuma ser favorável, principalmente nos pacientes que receberam tratamento cirúrgico precoce445-447. Embora elevada, a mortalidade cirúrgica é significativamente menor que a de pacientes tratados clinicamente. No estudo GUSTO-I, a mortalidade cirúrgica foi de 47%, contra 94% dos pacientes submetidos à terapêutica clínica448.

Um número limitado de pacientes com ruptura do septo ventricular pós-infarto agudo do miocárdio tem sido tratado pela técnica percutânea de fechamento por dispositivos de oclusão. Muitos desses casos têm sido manuseados várias semanas pós-infarto, ou pós-intervenção cirúrgica prévia, com presença de defeito septal residual. Portanto, o fechamento cirúrgico permanece como procedimento de escolha, embora a técnica de fechamento percutâneo possa oferecer uma esperança para o futuro(449).

6.6.3 - Ruptura da parede livre do ventrículo

A ruptura da parede livre do ventrículo tem incidência de 0,8%-6,2% dos infartos e está presente em cerca de 10% dos pacientes que morrem de IAM na fase hospitalar. É observada com mais frequência em idosos, nas mulheres, em pacientes que cursam com hipertensão arterial sistêmica durante a fase aguda inical do infarto, naqueles com circulação colateral ausente e quando se usa a terapia fibrinolítica com mais de 14 horas de evolução do início dos sintomas450,451. A ruptura é 7 vezes mais frequente no ventrículo esquerdo que no ventrículo direito e, na maioria dos casos, está associada a infarto transmural extenso, com envolvimento da parede anterior ou da lateral, cuja área de irrigação vem da artéria coronária descendente anterior398.

A ruptura da parede livre do ventrículo pode ser total, completa, levando geralmente a hemopericárdio acentuado e suas consequências, podendo culminar na morte por tamponamento cardíaco. De outra forma, pode ser incompleta, quando um trombo ou hematoma sela a laceração da parede livre do ventrículo, juntamente com o pericárdio, evitando o hemopericárdio, progredindo para um pseudoaneurisma.

A evolução clínica da ruptura é variável. Pode ser aguda, grave e inesperada, levando à morte súbita ou subaguda, com manifestações clínicas inespecíficas. Alguns achados clínicos, tais como jugulares túrgidas, pulso paradoxal, dissociação eletromecânica e choque cardiogênico podem estar presentes.

Sinais eletrocardiográficos, como manutenção ou aumento da elevação do segmento ST em mais de uma derivação, variações súbitas da onda T ou presença de elevação do segmento ST em aVL podem preceder a ruptura452,453. Mais recentemente, foi descrito que o aparecimento de taquicardia sinusal, elevação do segmento ST em V5 ou de ambos pode ser preditor de ruptura após infarto de parede inferior454. A ecocardiografia realizada à beira do leito pode identificar o local da ruptura ou a presença de derrame pericárdico, com ou sem tamponamento.

O tratamento é cirúrgico de emergência, quando indicado. Drenagem pericárdica pode ser realizada para alívio do tamponamento cardíaco, antes da correção cirúrgica455.

6.6.4 - Aneurisma do ventrículo esquerdo

Vários fatores estão envolvidos na formação do aneurisma do ventrículo esquerdo pós-infarto agudo do miocárdio, como extensão da área necrótica, ausência de circulação colateral e mecanismos fisiopatológicos de remodelamento ventricular.

O aneurisma do ventrículo esquerdo é encontrado em 10%-15% dos sobreviventes de IAM, sendo 4 vezes mais frequente em infartos de parede anterior que de inferior, relacionado geralmente à oclusão de artéria descendente anterior, com pobreza de circulação colateral. A mortalidade é 6 vezes mais frequente nos pacientes com aneurisma do ventrículo esquerdo que naqueles sem aneurisma e a causa de óbito está relacionada à insuficiência cardíaca congestiva progressiva, sendo a causa mais frequente a morte súbita por arritmia ventricular grave.

O diagnóstico clínico é feito pela presença de sinais de insuficiência cardíaca e/ou de arritmia ventricular acentuada, e com o auxílio de exames complementares. O eletrocardiograma costuma apresentar persistência do supradesnível do segmento ST. A ecocardiografia é um ótimo exame para identificar a presença do aneurisma e detectar ou não trombo cavitário. A cineangiocoronariografia e o estudo hemodinâmico têm indicação para o diagnóstico e auxiliam a programação cirúrgica quando indicada.

 

 

Inicialmente, o tratamento é clínico, com o uso de medicações inotrópicas, vasodilatadoras e utilização de balão intra-aórtico, com o objetivo de se conseguir estabilização do quadro.

O tratamento cirúrgico do aneurisma do ventrículo esquerdo dentro do primeiro mês do infarto do miocárdio só é indicado nos pacientes que se apresentam em choque cardiogênico refratário à terapêutica clínica, com progressivo comprometimento da função ventricular, pois a área infartada apresenta-se friável e o risco cirúrgico é elevado. São também de indicação cirúrgica aqueles pacientes que evoluem com taquicardia ventricular refratária ao tratamento clínico.

6.7 - Taquiarritmias supraventriculares

6.7.1 - Taquicardia sinusal

É comumente causada por ansiedade, dor persistente, disfunção ventricular, febre, pericardite, hipovolemia, tromboembolismo pulmonar e ação de agentes farmacológicos, como atropina, epinefrina ou dopamina. Raramente é ocasionada por infarto atrial. Muito frequente no infarto de parede anterior, associada à disfunção ventricular. A taquicardia sinusal é indesejável por prejudicar a perfusão coronária e aumentar o consumo de oxigênio. A persistência da taquicardia confere pior prognóstico ao IAM podendo significar evolução para insuficiência cardíaca. O tratamento deve ser dirigido para correção da causa desencadeante e, se apropriado, a administração de um betabloqueador, lembrando que este fármaco é contraindicado nos pacientes que estão hipovolêmicos ou apresentam disfunção de bomba456.

6.7.2 - Taquicardia paroxística supraventricular

Embora seja uma arritmia pouco frequente no IAM (menos de 10% dos casos), a taquicardia paroxística supraventricular, quando presente e não autolimitada, pode levar a grave comprometimento hemodinâmico.

O tratamento inicial deve sempre ser a manobra vagal: massagem do seio carotídeo457,458.

Em pacientes que não apresentam instabilidade hemodinâmica, hipotensão ou disfunção do ventrículo esquerdo pode ser realizado tratamento farmacológico (Tabela 6.7.2.1). Caso haja acentuada repercussão hemodinâmica, está indicada a cardioversão elétrica.

 

 

6.7.3 - Fibrilação ou flutter atrial

Esse tipo de arritmia tem incidência que varia de 10%-22% entre os pacientes na evolução do infarto agudo do miocárdio, sendo muito mais comum entre os idosos459 e aqueles com disfunção ventricular460.

Ocorre mais frequentemente nos grandes infartos, quando a localização é na parede anterior e quando o IAM é complicado por insuficiência cardíaca congestiva, arritmia ventricular, bloqueios atrioventriculares avançados, infarto atrial ou pericardite. No IAM inferior está associada à oclusão proximal da coronária direita, prejudicando o fluxo da artéria do nó sinusal que irriga o átrio direito. Na era fibrinolítica, a incidência da fibrilação atrial tem sido reduzida e, segundo o estudo GUSTO, o uso de tPA e heparina reduziu a ocorrência desta arritmia em relação aos outros fibrinolíticos461.

A presença de fibrilação atrial é considerada um fator de risco independente para mortalidade hospitalar, na evolução aos 30 dias e ao final de um ano462. Pacientes que desenvolvem fibrilação atrial durante a hospitalização têm pior prognóstico que aqueles que a apresentam na admissão.

A embolização sistêmica é quase três vezes maior entre os pacientes com fibrilação atrial, com metade dos eventos embólicos ocorrendo nas primeiras 24 horas, e 90% deles até o quarto dia de hospitalização462.

Em muitos casos, a frequência ventricular não é muito rápida, a arritmia é bem tolerada, pode ser autolimitada e não há necessidade de tratamento específico. No entanto, quando há repercussão hemodinâmica acentuada por frequência ventricular alta ou perda da contração atrial, o tratamento deve ser imediato463.

A cardioversão elétrica deve ser realizada imediatamente em todos os pacientes com instabilidade hemodinâmica ou manifestações de isquemia miocárdica intratável. Deve ser iniciada com 100-200 J, se necessário, até 360 J. No flutter atrial, pode-se iniciar com 25-50 J. Digital ou amiodarona são fármacos recomendados para reduzir a frequência ventricular alta em pacientes que apresentam disfunção ventricular esquerda. Betabloqueadores são administrados por via endovenosa nas doses já referidas anteriormente, com o objetivo de reduzir a frequência ventricular em pacientes que não apresentam disfunção do ventrículo esquerdo, doença pulmonar broncoespástica ou bloqueios atrioventriculares. O paciente com fibrilação atrial e IAM deve ser anticoagulado com heparina, a não ser que haja contraindicação para esta terapêutica.

 

 

 

 

Deve ser introduzida anticoagulação, independentemente do método de cardioversão, elétrico ou farmacológico; anticoagulação oral por quatro semanas, com INR entre 2-3, pré-cardioversão de fibrilação atrial com duração superior a 48 horas ou desconhecida. Anticoagulação oral prévia pode ser dispensada em casos de cardioversão elétrica por fibrilação atrial de início recente, associada a IAM e angina ou com instabilidade hemodinâmica (choque ou edema agudo de pulmão), com introdução imediata de heparina endovenosa em bolo, seguida da infusão contínua com ajuste de dose até atingir valor de duas vezes o TTPa basal. Heparina de baixo peso molecular tem valor incerto. Maiores detalhes sobre a anticoagulação encontram-se descritos nas Diretrizes de Fibrilação Atrial da Sociedade Brasileira de Cardiologia463,464.

6.8 - Taquicardia ventricular

As arritmias ventriculares, eventos de ocorrência comum, são muitas vezes ameaças à vida no transcorrer de uma síndrome isquêmica aguda ou na fase tardia do infarto do miocárdio. O diagnóstico precoce e a identificação dos pacientes de alto risco para eventos arrítmicos graves têm grande importância, pois podem mudar o prognóstico quando da apresentação de um quadro de isquemia miocárdica aguda. Por essa razão, a monitorização eletrocardiográfica contínua na unidade de terapia intensiva - ou, na ausência desta, a realização de eletrocardiogramas seriados para identificação de arritmias potencialmente letais - deve ser sempre considerada. Os pacientes de maior risco e com pior prognóstico são aqueles que se apresentam com disfunção ventricular, insuficiência cardíaca (classe funcional III ou maior da NYHA) e que chegam na unidade de emergência com taquicardia ventricular sustentada. Dessa maneira, fica claro que a estratificação de risco e o tratamento correspondente já podem ser iniciados baseados em informações clínicas e eletrocardiográficas. A correta identificação e o adequado manejo dos eventos relacionados aos distúrbios do ritmo cardíaco têm importância vital e são responsáveis por grande parte dos benefícios obtidos com o tratamento intensivo dos pacientes portadores de isquemia miocárdica aguda465.

As arritmias ventriculares são comuns na fase aguda do infarto do miocárdio e os mecanismos envolvidos, baseados em informações de estudos experimentais, são o automatismo anormal (diminuição do potencial de repouso transmembrana provocada pela isquemia), a atividade deflagrada por pós-potenciais (entre as 12-24 horas de evolução clínica) e a reentrada após as primeiras 12 horas466. Diversas alterações sistêmicas, metabólicas e hidroeletrolíticas podem contribuir de forma significativa para a ocorrência de arritmias ventriculares malignas, como aumento do tônus adrenérgico, hipopotassemia, acidose, hipomagnesemia, hipercalcemia intracelular, entre outros466.

Deve ser salientado que muitas arritmias ocorrem na fase aguda do quadro isquêmico antes mesmo do paciente chegar à sala de emergência. As arritmias ventriculares podem se manifestar como ectopias isoladas de maior complexidade ou não (bi ou trigeminismos, formas acopladas, monomórficas ou polimórficas), ritmo idioventricular acelerado, taquicardia ventricular não sustentada ou sustentada e a fibrilação ventricular primária. A ocorrência de extrassístoles ventriculares na vigência de IAM foi proposta por alguns autores como premonitória de eventos arrítmicos mais graves, porém várias tentativas de utilizar-se um critério objetivo de estratificação baseado nestes eventos ou até mesmo na sua forma de apresentação eletrocardiográfica (como, por exemplo, o fenômeno R sobre T) falharam, sendo o tratamento indiscriminado destas arritmias, atualmente, contraindicado467. A razão para isso é a probabilidade de efeito pró-arrítmico maior do que o real benefício terapêutico causado pelos antiarrítmicos atualmente disponíveis. O tratamento, portanto, é conservador, apenas repondo eletrólitos ou tratando distúrbios metabólicos, se presentes. Pode-se optar pela administração de betabloqeuador em vigência de taquicardia sinusal acompanhada de extrassístoles ventriculares frequentes, o que denota a presença de hiperatividade simpática, principalmente no início do quadro isquêmico agudo.

 

 

O ritmo idioventricular acelerado não está associado a qualquer risco maior à vida do paciente internado na unidade coronariana. Pode surgir em decorrência de hiperautomatismo de fibras de Purkinje logo após a obstrução arterial coronariana, ou ser manifestação de distúrbios metabólicos ou eletrolíticos locais. Após o advento dos fibrinolíticos e da angioplastia, observou-se uma maior incidência desse tipo de arritmia quando associada ao fenômeno de reperfusão pós-desobstrução arterial456. O ritmo idioventricular acelerado é mais comum em pacientes que estão evoluindo com bradicardias (bradicardia sinusal ou bloqueios atrioventriculares). O tratamento, quando necessário (hipotensão arterial, insuficiência cardíaca etc.), deve ser realizado com fármacos que aumentam a frequência cardíaca (atropina, por exemplo) ou marca-passo atrial temporário. Fármacos antiarrítmicos estão indicados para a estabilização clínica nos casos em que o ritmo idioventricular acelerado deflagra taquicardias ventriculares rápidas ou fibrilação ventricular.

Ao contrário do que se acreditava anteriormente, a taquicardia ventricular não sustentada (taquicardia com mais de três batimentos e duração menor que 30 segundos) tem valor prognóstico diferente, na dependência da fase em que se apresenta em pacientes com síndrome coronariana aguda. Um estudo prospectivo demonstrou que a taquicardia ventricular que se manifesta até as primeiras 12 horas de evolução do quadro isquêmico agudo geralmente não está associada ao pior prognóstico após a alta. Entretanto, os pacientes que evoluem com essa arritmia após as 12 horas têm maior risco de morte súbita, principalmente quando a arritmia se manifesta após as 24 horas de evolução468. O tratamento dependerá da manifestação clínica do paciente.

Raramente uma taquicardia ventricular não sustentada causa algum distúrbio hemodinâmico, estando a importância do seu aparecimento muito mais relacionada ao prognóstico, ou seja, ao seu significado a longo prazo do que a suas consequências imediatas. Episódios mais prolongados podem causar hipotensão arterial e descompensação cardíaca e eventualmente podem degenerar para fibrilação ventricular40. Quando o paciente evolui com sintomas de baixo débito durante taquicardias muito rápidas, o tratamento farmacológico é similar ao preconizado para a taquicardia ventricular sustentada (ver quadro abaixo). Os betabloqueadores são a primeira linha de tratamento, caso não haja contraindicações para seu uso. A amiodarona também pode ser usada, embora este fármaco, em geral, seja utilizado para taquiarritmias sustentadas40. Quando a taquicardia ventricular não sustentada se manifesta tardiamente (> 48 horas), a conduta terapêutica deverá ser baseada no estado da função ventricular, com auxílio do estudo eletrofisiológico (estimulação ventricular programada) para estratificação de risco. A decisão terapêutica após a alta deverá ser baseada nas recomendações para implante de cardioversor-desfibrilador automático na prevenção primária de morte súbita cardíaca em pacientes com cardiopatia estrutural da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) e do Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (DECA) descritas a seguir469.

6.8.1 - Taquicardia ventricular monomórfica sustentada

A taquicardia ventricular monomórfica sustentada (taquicardia com duração maior que 30 segundos ou de duração menor, se causar colapso hemodinâmico e necessitar cardioversão elétrica), quando ocorre nas primeiras 48 horas do infarto agudo do miocárdio, em geral denota a presença de um substrato arritmogênico prévio (por exemplo, cicatriz de IAM antigo ou associação com miocardiopatia prévia)232. Na vigência de taquicardia ventricular sustentada com colapso hemodinâmico, é imperativa a utilização da cardioversão elétrica (choques sincronizados de 100 J) para se restabelecer as condições hemodinâmicas normais. Taquicardias hemodinamicamente toleradas podem ser tratadas com amiodarona por via venosa. A administração desse fármaco apresenta resultados favoráveis, reduzindo a mortalidade arrítmica. A ocorrência de taquicardia ventricular monomórfica sustentada está geralmente associada a pior prognóstico, particularmente quando ocorre após as 48 horas do início do quadro clínico, necessitando de avaliação criteriosa e tratamento com fármacos antiarrítmicos e/ou com implante de cardioversor-desfibrilador. A taquicardia ventricular polimórfica, quando sustentada, deverá ser tratada como a fibrilação ventricular232.

O cardioversor-desfibrilador implantável é a terapêutica mais efetiva para a prevenção de morte súbita em pacientes com taquicardia ventricular na fase crônica do infarto do miocárdio470. Várias séries clínicas e diversos ensaios prospectivos randomizados demonstraram, de forma convincente, que em casos selecionados o cardioversor-desfibrilador implantável é superior aos fármacos antiarrítmicos na redução da morte súbita cardíaca e na melhora da sobrevida471-476.

6.8.2 - Fibrilação ventricular

A fibrilação ventricular é uma complicação grave do quadro isquêmico agudo. Sua incidência, entretanto, vem diminuindo nas últimas décadas após o advento da era fibrinolítica, da utilização mais frequente de betabloqueadores e da correção de distúrbios metabólicos e eletrolíticos. A mortalidade intra-hospitalar é elevada, mas após a alta a incidência de óbito não difere, em comparação com aqueles que tiveram fibrilação ventricular. A forma primária de fibrilação ventricular não necessariamente é precedida de alterações eletrocardiográficas, como extrassístoles ventriculares ou taquicardia ventricular não sustentada. Por essa razão, o tratamento profilático dessas arritmias raramente está indicado na atualidade. Os mecanismos eletrofisiológicos envolvidos são a isquemia, com os distúrbios metabólicos próprios desta condição, além de desequilíbrio eletrolítico (potássio e magnésio, principalmente) e tônus adrenérgico elevado. Nem sempre um substrato arritmogênico está formado nesses casos, estando apenas os fatores deflagradores presentes sobre um miocárdio eletricamente instável, justificando desta maneira sua maior incidência nas 4 primeiras horas do quadro isquêmico agudo. A fibrilação ventricular que ocorre após as 24-48 horas de evolução geralmente é causada por um substrato composto pela fibrose e isquemia, frequentemente precedida de taquicardia ventricular rápida. Nessa condição, o prognóstico do paciente é mais grave porque tal arritmia está associada, na maioria das vezes, à disfunção ventricular importante. Essa forma de apresentação é conhecida como fibrilação ventricular secundária.

 


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O tratamento da fibrilação ventricular em vigência de infarto agudo do miocárdico está descrito a seguir.

A prevenção secundária ou a profilaxia da recorrência da taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular com cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) após a alta hospitalar deve ser implementada analisando-se cada caso com muito critério, considerando-se também as reais condições econômicas do país. A análise da relação custo-benefício de tais condutas é fundamental em pacientes no período pós-infarto do miocárdio. Além disso, embora as indicações da forma de tratar sejam baseadas nos resultados de estudos internacionais, elas não necessariamente se aplicam à população brasileira. As evidências clínicas para algumas decisões são baseadas em estudos não direcionados, especificamente para dar suporte àquela decisão, ou então não há consenso de que as informações atuais reforçam tal decisão. Para maiores indicações, reportar-se às Diretrizes Brasileiras de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis (DCEI)469.

6.9 - Bradiarritmias, bloqueio atrioventricular total e indicações para marca-passos provisório e permanente

A bradicardia sinusal ocorre em 30%-40% dos pacientes com infarto agudo do miocárdio, principalmente dentro da primeira hora do infarto de parede inferior, da isquemia do nó atrioventricular ou do aumento da atividade parassimpática (tônus vagal), devido à reperfusão da artéria coronária direita (reflexo de Bezold-Jarish).

Por outro lado, o bloqueio atrioventricular total ocorre em 6%-14% dos pacientes com infarto agudo do miocárdio e é preditor de maior risco de óbito intra-hospitalar; entretanto, não é um bom preditor de mortalidade a longo prazo nos pacientes sobreviventes à fase hospitalar. Em publicações anteriores à era fibrinolítica, distúrbios na condução intraventricular foram relatados em 10%-20% dos pacientes com infarto agudo do miocárdio. Já em pacientes submetidos a tratamento fibrinolítico, os bloqueios de ramo estiveram presentes em apenas 4%, mas foram preditores de aumento importante da mortalidade intra-hospitalar.

O aumento da mortalidade, associado a distúrbio na condução intraventricular e com bloqueio atrioventricular total, está relacionado mais ao extenso dano provocado ao miocárdio do que ao bloqueio de condução propriamente dito. Por isso, o marca-passo não tem mostrado clara redução da mortalidade associada a bloqueio atrioventricular total ou distúrbios da condução intraventricular. A dificuldade em demonstrar o benefício na influência sobre a mortalidade é o reflexo do extenso dano miocárdico que esses pacientes apresentam, ofuscando o benefício desse recurso em uma fração desses indivíduos. Portanto, o uso do marca-passo para proteger contra hipotensão, isquemia e precipitação de arritmias causadas pelo bloqueio atrioventricular é ainda recomendado em pacientes selecionados, de alto risco.

O prognóstico no bloqueio atrioventricular está relacionado com a localização do infarto (anterior versus inferior), o local do bloqueio (intranodal [proximal], acima do feixe de Hiss versus infranodal [distal], abaixo do feixe de Hiss), a natureza do ritmo de escape e as consequências hemodinâmicas.

O risco de desenvolver bloqueio atrioventricular total nos pacientes com IAM é maior quando uma ou mais das seguintes situações estão presentes: bloqueio atrioventricular de primeiro grau; bloqueio atrioventricular tipo Mobitz I; bloqueio atrioventricular tipo Mobitz II; bloqueio divisional ântero-superior; bloqueio divisional póstero-inferior; bloqueio do ramo direito e bloqueio do ramo esquerdo.

A atropina atua na frequência cardíaca, na resistência vascular sistêmica e na pressão arterial mediada por atividade parassimpática (colinérgica). É útil para o tratamento da bradicardia sinusal sintomática e pode ser benéfica na presença de bloqueio atrioventricular no nó atrioventricular ou na assistolia ventricular. A atropina é mais eficaz para a bradicardia sinusal, que ocorre nas primeiras 6 horas do início dos sintomas do infarto agudo do miocárdio. A bradicardia sinusal nesse período pode ser relacionada à isquemia, reperfusão (reflexo de Bezold-Jarish), dor torácica de características isquêmicas ou tratamento com nitroglicerina ou morfina. A atropina é também eficaz para bradicardia sinusal acentuada, associada com hipotensão durante a terapia fibrinolítica (especialmente de artéria coronária direita). A atropina deve ser utilizada com cautela no manuseio do paciente infartado, por causa do efeito protetor do tônus parassimpático contra fibrilação ventricular e extensão da área de necrose.

6.9.1 - Marca-passo

O marca-passo transcutâneo é um sistema que pode ser utilizado para suporte, especialmente nos pacientes que não necessitam de marca-passo de urgência e estão em risco moderado de progressão para bloqueio atrioventricular total, e naqueles que apresentam risco aumentado e possibilidade de complicação com o marca-passo transvenoso. A técnica transcutânea é também bem tolerada em pacientes que estão sob terapia fibrinolítica, reduzindo a necessidade de intervenções vasculares.

A seguir, estão apresentadas as recomendações para instalação de placas transcutâneas e estimulação (demanda) transcutânea.

O sistema transcutâneo é composto por um par de placas de tamanho adequado, com eletrodos multifuncionais conectados a um cardioversor que, além de monitorar o eletrocardiograma, faz estimulação transcutânea e, se necessário, desfibrilação.

Esse sistema pode ser utilizado em modo de espera em pacientes potencialmente instáveis. Por ser desconfortável, especialmente quando prolongada, a estimulação transcutânea tende a ser profilática e temporária. O marca-passo transvenoso deve ser colocado nos pacientes que necessitarão de estímulo prolongado ou naqueles cuja probabilidade de precisar de marca-passo é muito elevada. O sistema de marca-passo transcutâneo, portanto, tem sido utilizado tanto como suporte em modo de espera como para aguardar a passagem do marca-passo transvenoso.

A seguir, estão descritas as recomendações para a utilização de marca-passo transvenoso temporário e de marca-passo definitivo após infarto agudo do miocárdio.

As recomendações de marca-passo definitivo para distúrbios de condução persistentes (> 14 dias) relacionados a IAM com supradesnível de ST estão descritas nas Diretrizes Brasileiras de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis (DCEI)469.

6.9.2 - Prognóstico

O prognóstico desfavorável, a longo prazo, dos pacientes com IAM que desenvolvem distúrbios de condução, é primariamente relacionado à extensão da lesão miocárdica. Consequentemente, esses pacientes têm maior risco de óbito decorrente de insuficiência cardíaca e de taquiarritmias ventriculares do que por bloqueios progressivos.

6.10 - Parada cardiorrespiratória

Metade dos óbitos resultantes de IAM ocorre precocemente, antes da chegada ao hospital, e 25% de mortes adicionais ocorrem nas 48 horas seguintes. Na maior parte desses óbitos, o ritmo que se apresenta é o de fibrilação/taquicardia ventricular. O maior risco de fibrilação ventricular ocorre durante as primeiras 4 horas após o início dos sintomas465,477. O manejo da parada cardíaca súbita (PCS) com FV necessita ressuscitação cardiopulmonar (RCP) precoce e aplicação de choque com um desfibrilador. Uma RCP de alta qualidade, realizada por um circunstante, pode dobrar ou triplicar as taxas de sobrevivência. Infelizmente, menos de um terço das vítimas de PCS são submetidas à reanimação, e menos ainda recebem RCP de alta qualidade. A maioria dos relatos de PCS nos Estados Unidos e no Canadá demonstra que a sobrevivência de parada cardíaca fora do hospital é, em média, de 6,4% ou menos457. Alguns programas para socorristas leigos da comunidade relataram altas taxas de sobrevivência após PCS, posto que tais programas promovem a RCP e a desfibrilação rápidas, com desfibriladores externos automáticos (DEAs) que podem ser operados por socorristas leigos treinados. O estudo North American Public Access Defibrillation demonstrou que o desenvolvimento de programas com DEA e RCP por socorristas leigos da comunidade melhora a sobrevivência à alta hospitalar de vítimas de PCS com fibrilação ventricular (FV) testemunhada. Além disso, programas de DEA e RCP para socorristas leigos e primeiros socorristas em aeroportos e cassinos e para policiais relataram taxas de sobrevivência de 49%-74%, decorrentes de PCS com FV testemunhada. As principais recomedações seguem a diretriz da AHA457.

 

 

 

 

 

 

6.10.1 - Modalidades

A parada cardíaca pode se apresentar sob a forma de fibrilação ventricular, taquicardia ventricular sem pulso, assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP).

6.10.2 - Métodos de ressuscitação cardiopulmonar

Fundamentalmente, as técnicas de ressuscitação são constituídas pelo socorro básico e pelo socorro especializado. O socorro básico pode ser aplicado também por pessoal paramédico e até por leigos treinados, enquanto o especializado é uma conduta essencialmente médica478.

Socorro básico - O socorro básico consiste no reconhecimento da obstrução das vias aéreas, da parada respiratória e da parada cardíaca, bem como de seu tratamento por meio de abertura das vias aéreas, manobras de ventilação e circulação artificiais (compressão torácica externa).

Socorro especializado - Consiste nas seguintes providências: socorro básico associado às medidas que se seguem; emprego de equipamentos, acessórios e técnicas especiais, como intubação endotraqueal e massagem cardíaca direta; monitorização pela eletrocardiografia e reconhecimento das arritmias; colocação de marca-passo temporário; cardioversão e desfibrilação elétricas; estabelecimento e manutenção de uma via para infusão de medicamentos; administração de medicamentos específicos; medidas acessórias após estabilização do paciente; transporte do paciente em condições adequadas para um centro de terapia especializada.

6.11 - Socorro básico

6.11.1 - Primeiro a compressão ou o choque, para o manejo da parada cardíaca súbita com FV?

Quando um socorrista testemunha uma parada cardíaca em um adultoe um desfibrilador externo automático (DEA) está imediatamente disponível no local, o socorrista deve usá-lo o quanto antes. Essa recomendação aplica-se a socorristas leigos e também a profissionais de saúde que estejam trabalhando em hospitais ou em outros locais que tenham um DEA à disposição. Quando mais de um socorrista estiver disponível, um deles deve aplicar a RCP até a chegada do DEA. O ideal é que, enquanto um dos socorristas estiver aplicando a RCP, o outro acione o DEA e posicione suas pás sobre o corpo da vítima, para que o dispositivo esteja pronto para a análise do ritmo cardíaco. Quando a equipe de resgate do serviço médico de emergência (SME) chega ao local de uma parada cardíaca não testemunhada fora do hospital, os socorristas devem aplicar 5 ciclos de RCP (cerca de dois minutos) antes de verificar o ritmo ECG, e tentar a desfibrilação (Classe IIb) entre 1,5-3 minutos de RCP aplicada pela equipe de resgate do SME antes de tentar a desfibrilação melhoraram a sobrevivência para vítimas de PCS com FV, se a equipe de resgate do SME chegasse ao local 4-5 minutos ou mais depois do acionamento do SME. Não houve diferença na taxa de sobrevivência (RCP primeiro ou choque primeiro) das vítimas, quando a equipe de resgate do SME chegasse ao local em que está a vítima em menos de 4-5 minutos após a chamada telefônica.

Para tratar a parada cardíaca associada com FV ou com TV sem pulso, aplicam-se choques únicos, seguidos imediatamente de um ciclo de RCP, começando com compressões torácicas (Classe IIa). Os socorristas não devem interromper as compressões torácicas para verificar a presença de circulação sanguínea (ou seja, avaliar o ritmo cardíaco ou a pulsação), até cerca de 5 ciclos ou aproximadamente dois minutos de RCP terem sido aplicados após o choque. Os desfibriladores bifásicos têm um índice alto de sucesso no primeiro choque (85%-94%), quando comparados com os desfibriladores monofásicos.

A dose recomendada, em adultos, para o choque inicial e os subsequentes, utilizando DEA com ondas monofásicas para o tratamento de FV/TV sem pulso, é de 360 J. A dose do choque inicial, selecionada para adultos, é de 150-200 J para uma onda bifásica exponencial truncada ou de 120 J para uma onda bifásica retilínea. A segunda dose deve ser a mesma ou maior. Os choques de ondas bifásicas de energia escalar ou não escalar podem ser utilizados com segurança e eficácia para reverter uma FV de longa ou curta duração. Caso o socorrista não esteja familiarizado com a dose específica para cada dispositivo, a recomendação de consenso é utilizar uma dose padrão de 200 J.

6.11.2 - Programas de DEA por socorrista leigo da comunidade

As recomendações sobre RCP aplicada por socorristas leigos são as seguintes457,479,480:

1. Não tente abrir as vias aéreas usando elevação da mandíbula em vítimas com traumatismos: utilize a manobra de inclinação da cabeça/elevação do queixo em todos os atendimentos.

2. Demore 5-10 segundos - não mais que isto - para verificar a presença de respiração normalem um adulto inconsciente.

3. Respire normalmente (não profundamente) antes de aplicar uma respiração de resgate em uma vítima.

4. Aplique cada respiração durante um segundo. Cada respiração deve provocar a elevação do tórax.

5. Se não houver elevação do tórax da vítima quando da aplicação da primeira respiração de resgate, realize a manobra de inclinação da cabeça/elevação do queixo novamente, antes de aplicar uma segunda respiração.

6. Não verifique a presença de sinais de circulação. Após aplicar duas respirações de resgate, inicie imediatamente as compressões torácicas (e os ciclos de compressões e respirações de resgate).

7. Não orientar o socorrista a aplicar respirações de resgate sem compressões torácicas.

8. Use a mesma relação 30:2 compressões-ventilações para todas as vítimas.

9. Quando usar um DEA, aplique um choque, seguido de RCP imediata, iniciando as compressões torácicas. A verificação do ritmo cardíaco deve ser realizada a cada dois minutos.

10. As ações para alívio do engasgo (obstrução grave das vias aéreas) foram simplificadas.

6.11.3 - Suporte básico de vida realizado por profissionais de saúde

As principais modificações incluem:

• Os profissionais de saúde que atuam sozinhos devem planejar a sequência de ação para a causa mais provável de parada cardíaca em vítimas de todas as idades.

• "Telefonar primeiro", localizar um desfibrilador externo automático e retornar para iniciar a ressuscitação cardiopulmonar, utilizando o DEA para todos os adultos e quaisquer crianças com colapso súbito fora do hospital.

• "RCP primeiro" (aplicando cerca de 5 ciclos ou dois minutos de ressuscitação cardiopulmonar antes de telefonar para o número do atendimento de emergência).

• Para todas as vítimas de parada cardíaca provavelmente por hipóxia (asfixia), tais como afogamento, traumatismo, overdose de drogas: a abertura das vias aéreas ainda é uma prioridade para uma vítima de traumatismo que esteja sem responsividade e com suspeita de lesão na coluna cervical. Caso a elevação da mandíbula sem a extensão do pescoço não abra a via aérea, os provedores e profissionais de cuidados de saúde devem utilizar a manobra de inclinação da cabeça/elevação do queixo.

• Os provedores e profissionais de procedimentos de cuidados básicos de saúde verificam a respiração "adequada" em adultos antes de aplicar as respirações de resgate.

• Os provedores e profissionais de procedimentos de cuidados avançados devem procurar detectar "respiração adequada" nas vítimas de todas as idades e estar preparados para realizar manobras de oxigenação e ventilação.

• A ventilação excessiva (um número excessivo de respirações de resgate por minuto ou de respirações muito longas ou forçadas) pode ser prejudicial e não deve ser realizada.

• Os socorristas devem aplicar compressões de frequência e profundidade adequadas e devem permitir um recuo torácico ideal, com interrupções mínimas nas compressões torácicas.

• Utilizar uma relação compressões-ventilações de 30:2 para RCP por um socorrista em vítimas de todas as idades e em RCP por dois socorristas em adultos. Os provedores e profissionais de cuidados de saúde devem utilizar uma relação compressões-ventilações de 15:2 na RCP por dois socorristas, em lactentes e crianças.

• Durante a RCP realizada por dois socorristas com um via aérea artificial em posição, os socorristas não devem mais aplicar ciclos de compressão com pausas para ventilação. Um socorrista realiza compressões ininterruptamente (sendo denominado "compressor") e o outro socorrista aplica respirações de resgate, em uma frequência de 8-10 respirações por minuto (uma respiração a cada 6-8 segundos).

• Quando dois ou mais provedores ou profissionais de cuidados de saúde estão presentes durante a RCP, os socorristas devem revezar-se no papel de compressor a cada dois minutos.

6.12 - Socorro especializado (ACLS)

A aplicação de socorro especializado começa com um BLS (Basic Life Support) ou de alta qualidade, principalmente com a realização de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade. As modificações no tratamento de parada cardíaca com ACLS (Advanced Cardiac Life Suport) foram idealizadas a fim de minimizar as interrupções das compressões torácicas para verificação do ritmo, do pulso e terapia com ACLS. Para minimizar as interrupções das compressões torácicas, o chefe da equipe de ressuscitação deve planejar as intervenções, tais como a verificação do ritmo, o estabelecimento de uma via aérea e até mesmo a administração de medicamentos em determinados momentos da RCP ininterrupta.

6.12.1 - Uso de vias aéreas artificiais

O socorrista deve ponderar sobre a necessidade de compressões contra a necessidade de estabelecer uma via aérea artificial. A introdução de uma via aérea pode ser postergada por vários minutos na tentativa de ressuscitação.

6.12.2 - Via de infusão de medicamentos

A administração vascular (intravenosa = IV ou intraóssea = IO) é preferível à administração de medicamentos por via endotraqueal. Embora muitos medicamentos (incluindo a lidocaína, a epinefrina, a atropina, a naloxona e a vasopressina) possam ser absorvidos pela traqueia, as vias IV ou IO de administração são preferíveis, pois promovem uma liberação de medicamentos mais previsível e um melhor efeito farmacológico. Por essa razão, as doses endotraqueais não mais devem ser enfatizadas, embora possam ser utilizadas caso não haja disponibilidade de um acesso IV ou IO. A dose endotraqueal ideal da maioria dos medicamentos é desconhecida, mas tipicamente gira em torno de duas, duas vezes e meia a dose IV recomendada. Os socorristas devem diluir a dose recomendada em 5,0-10 ml de água ou de solução salina normal e injetar o medicamento diretamente no tubo endotraqueal. Estudos com epinefrina e lidocaína sugerem que a diluição em água, em vez de em solução salina normal, pode produzir uma melhor absorção do medicamento, mas não existem evidências suficientes para recomendar tal conduta em detrimento da diluição em salina normal.

6.12.3 - Administração do medicamento durante a parada cardíaca sem pulso

Quando é indicada a administração de medicamentos, tal procedimento deve ocorrer durante a RCP logo após a verificação do ritmo cardíaco. Um medicamento pode ser administrado durante a RCP que é realizada. As doses dos medicamentos devem ser preparadas antes da verificação do ritmo cardíaco. Os medicamentos devem ser administrados durante a realização de RCP e imediatamente após a verificação do ritmo cardíaco, sempre que possível. O ideal é que a RCP (principalmente as compressões torácicas) seja interrompida somente para a verificação do ritmo e a aplicação de choque. Se possível, os socorristas devem realizar compressões torácicas, enquanto o desfibrilador está sendo carregado. Os socorristas devem reiniciar as compressões torácicas imediatamente após a aplicação de um choque. A recomendação de aplicar RCP imediata, por 5 ciclos ou dois minutos após uma tentativa de desfibrilação, exigiu uma modificação relativa ao momento de administração dos medicamentos. A recomendação de consenso é administrar o medicamento o quanto antes, após a verificação do ritmo cardíaco. O momento de administração do medicamento é menos importante que a necessidade de minimizar as interrupções das compressões torácicas. Como alternativa, os médicos podem prescrever a administração de medicamentos durante os intervalos de RCP, mas o ritmo cardíaco do paciente no momento da administração do medicamento será desconhecido. Os benefícios da administração de medicamentos imediatamente após a verificação do ritmo cardíaco estão relacionados ao fato do medicamento ser usado para tratar o ritmo detectado nesta verificação. Por exemplo, se houver presença de FV na primeira verificação de ritmo após a administração de epinefrina, um antiarrítmico provavelmente será o medicamento administrado.

6.12.4 - Vasopressores durante a parada cardíaca

Os vasopressores são administrados quando uma via de acesso intravenosa/intraóssea (IV/IO) foi estabelecida, tipicamente após o primeiro ou segundo choque. A epinefrina pode ser administrada a cada 3-5 minutos. Uma dose de vasopressina pode ser administrada em vez da primeira ou segunda dose de epinefrina. Embora a vasopressina tenha demonstrado resultados promissores, não melhorou as taxas de sobrevivência sem sequelas após a alta hospitalar. Como resultado disso, uma dose única de vasopressina pode ser utilizada, como alternativa à primeira ou segunda dose de epinefrina.

6.12.5 - Antiarrítmicos durante a parada cardíaca com FV/TV

Quando FV ou TV sem pulso persistir após 2-3 choques, associados à RCP e à administração de um vasopressor, deve-se considerar a possibilidade de administrar um antiarrítmico, como a amiodarona. Caso a amiodarona não esteja disponível, pode-se considerar a possibilidade de administrar lidocaína.

6.12.6 - Tratamento da assistolia e da atividade elétrica sem pulso

Embora a epinefrina (1,0 mg, IV/IO) ainda seja recomendada e possa ser administrada a cada 3-5 minutos para o tratamento da assistolia ou da atividade elétrica sem pulso (AESP), uma dose de vasopressina (40 U IV/IO) pode substituir a primeira ou segunda dose de epinefrina. A atropina 1,0 mg IV/IO pode ainda ser considerada uma opção para o tratamento da assistolia ou da AESP lenta por até três doses. Nenhum estudo controlado por placebo demonstrou que os vasopressores melhorem a sobrevivência após uma parada cardíaca. Como os vasopressores podem melhorar a pressão arterial aórtica e a pressão de perfusão das artérias coronárias, ainda são recomendados. Em geral, já foi demonstrado que a vasopressina melhora a sobrevivência pós-parada cardíaca. A vasopressina (em comparação com a epinefrina) melhorou a sobrevivência para um subgrupo de pacientes com assistolia, mas os pacientes sobreviventes apresentaram sequelas neurológicas. Como não foi demonstrado que os efeitos da vasopressina fossem substancialmente diferentes daqueles da epinefrina, com relação ao tratamento da parada cardíaca, ambas foram incluídas no algoritmo. Apenas uma dose de vasopressina é administrada em substituição à primeira ou segunda dose de epinefrina.

6.12.7 - Tratamento da bradicardia sintomática

Preparar para a colocação de marca-passo transcutâneo (MPTC), sem demora, em casos de bloqueio de alto grau. Considerar a possibilidade de administrar atropina (0,5 mg IV), enquanto se aguarda a colocação de um marca-passo. A dose de atropina pode ser repetida, até uma dose total de 3,0 mg. Caso a atropina não seja eficaz, iniciar a colocação do marca-passo. Considerar a possibilidade de administrar uma infusão de epinefrina, 2,0-10 µg/min, ou dopamina em infusão, 2,0-10 µg/kg por minuto, enquanto se aguarda a colocação do marca-passo ou diante da ineficácia deste procedimento. Preparar o paciente para a colocação de marca-passo transvenoso. Tratar as causas contribuintes. A dose eficaz de atropina para o manejo da bradicardia sintomática é de 0,5 mg IV (repetida, se necessário, até uma dose total de 3,0 mg). O isoproterenol foi eliminado do algoritmo, pois nenhuma das evidências revistas comprovou sua eficácia.

6.12.8 - Os cuidados pós-ressuscitação

Incluem a proteção da função miocárdica com a previsão de que o embotamento miocárdico (stunning) possa estar presente, requerendo medidas de suporte vasoativo. É razoável para os profissionais que mantenham um controle rigoroso da glicose, mas estudos adicionais são necessários para determinar precisamente as concentrações sanguíneas de glicose que requerem insulinoterapia e a faixa-alvo das concentrações de glicemia.

Os sinais clínicos que estão fortemente correlacionados com o óbito ou com uma evolução neurológica insatisfatória são os seguintes:

Ausência bilateral de resposta cortical para os potenciais evocados somato-sensitivos do nervo mediano, mensurados 72 horas (nos pacientes normotérmicos) após uma agressão hipóxica-isquêmica (asfixia). E fator preditivo de má evolução, com 100% de especificidade quando avaliada em pacientes normotérmicos que estavam comatosos por pelo menos 72 horas após uma agressão hipóxica-isquêmica (asfixia). Uma metanálise recente de 11 estudos, incluindo um total de 1.914 pacientes, documentou os 5 sinais clínicos que são fatores preditivos mais indicativos de óbito ou de evolução neurológica insatisfatória:

Ausência de reflexo corneano, após 24 horas;

Ausência de resposta pupilar, após 24 horas;

Ausência de afastamento em resposta ao estímulo doloroso, após 24 horas;

Falta de resposta motora, após 24 horas;

Falta de resposta motora, após 72 horas.

6.12.8.1 - Hipotermia

Os pacientes adultos sem responsividade, com retorno à circulação espontânea (RCE) após uma parada cardíaca fora do hospital, devem ser resfriados para 32º-34º C, por 12-24 horas, quando o ritmo inicial é de FV (Classe IIa). Uma terapia similar pode ser benéfica para pacientes com parada cardíaca sem FV fora do hospital, ou parada cardíaca intra-hospitalar (Classe IIb). A hipotermia induzida (resfriamento nos primeiros minutos até horas mais tarde após o RCE) melhorou a sobrevivência e a evolução neurológica em adultos que permaneceram comatosos após a ressuscitação inicial de uma parada cardíaca com FV fora do hospital. Os pacientes do estudo foram resfriados a 33º C ou a uma faixa de 32º-34º C, por 12-24 horas. Um outro estudo, o Hypothermia After Cardiac Arrest (HACA)481, incluiu um pequeno subgrupo de pacientes com parada cardíaca intra-hospitalar.

6.13 - Terapia trombolítica na parada cardiorrespiratória

- A administração de trombolíticos em pacientes com infarto que sofreram parada cardiorrespiratória tem sido alvo de discussões. O estudo TROICA (Thrombolysis in Cardiac Arrest)482, interrompido por problemas de segurança, está contraindicando seu uso na ressuscitação cardiopulmonar. Porém, alguns relatos de administração de trombolíticos na parada cardiorrespiratória após infarto do miocárdio ou embolia pulmonar maciça têm evidenciado resultados animadores, mesmo quando esta terapêutica é utilizada como recurso extremo após falha nas medidas habituais e com ressuscitação prolongada483,484. A possível explicação para os efeitos benéficos é que, ao lado de sua ação no processo causal, dissolução do trombo coronariano e/ou de êmbolo arterial pulmonar, haveria incremento da reperfusão na microcirculação, principalmente em território cerebral485, como demonstram estudos experimentais486, o que permitiria a recuperação com menor dano cerebral. Entretanto, existem relatos de complicações hemorrágicas com essa conduta (embora os pacientes tenham sobrevivido)487. No único estudo prospectivo randomizado, utilizando tPA versus placebo em 233 pacientes com parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso fora do hospital, não houve diferença estatisticamente significativa na sobrevivência para alta hospitalar488. Deve-se recordar que, na maior parte das vezes, inclusive nesse estudo randomizado, foi utilizado tPA em bolo ou em tempo bem mais curto que o utilizado normalmente (nesse estudo randomizado, foram administrados 100 mg em 15 min). Esse fato, associado à modalidade de parada cardiorrespiratória de atividade elétrica sem pulso, com prognóstico acentuadamente desfavorável, pode ter influenciado os resultados. O advento de novos trombolíticos, eficientes e habitualmente administrados em bolo pode dar novo impulso a essa forma de tratamento. Entretanto, novos estudos randomizados e de magnitude adequada são necessários, para que se possa recomendar essa modalidade terapêutica na parada cardíaca em consequência de infarto agudo do miocárdio.

6.14 - Medidas acessórias após a estabilização do paciente

É preciso revisar cuidadosamente os dados clínicos do paciente para identificação da doença de base, fazer um registro eletrocardiográfico, fazer gasometria tanto arterial como venosa e dosar os eletrólitos, corrigindo seus desvios. Eventualmente, pode ser necessária canulação de uma artéria periférica para monitorização da pressão arterial. O controle do volume urinário por meio de sondagem vesical é importante.

 

 

7. Prevenção secundária

7.1 - Tabagismo

O consumo de tabaco é o maior fator de risco cardiovascular isolado na população mundial e constitui um fator de risco independente para o infarto agudo do miocárdio. Consequentemente, seu abandono também tem o maior potencial de benefícios na prevenção da doença cardíaca489. O abandono do fumo reduz a mortalidade e a morbidade secundárias a causas cardiovasculares em mais de 35% em todas as populações490.

Indivíduos fumantes apresentam alterações em marcadores inflamatórios e hematológicos e nos componentes da coagulação. A atividade fibrinolítica endógena diminui em decorrência da inibição da liberação de fatores derivados do endotélio, como o tPA, precipitando disfunção endotelial e predispondo a formação de trombos que ocluem áreas quase sempre já parcialmente obstruídas por placas ateromatosas. Dessa forma, o risco de desenvolver infarto do miocárdio é três vezes maior em pacientes que continuam a fumar após um evento coronariano, comparativamente a pacientes que abandonam o fumo491.

O IAM ocorre com mais de 10 anos de antecedência nos fumantes492 em relação aos não fumantes, o que proporciona menor acúmulo de outros fatores de risco e maior tendência à obstrução coronária trombogênica e menos aterosclerótica. Após o infarto, os fumantes inicialmente apresentam um prognóstico melhor, fenômeno chamado de "paradoxo do fumo". Em análises multivariadas, as variáveis choque cardiogênico, idade, sexo e hipertensão foram as mais relacionadas ao fator prognóstico e o fumo não desempenhou efeito protetor. Em pacientes internados com infarto agudo do miocárdio, incidências semelhantes de reperfusão foram obtidas entre fumantes e não fumantes. A mortalidade hospitalar, porém, foi maior no grupo não fumante, em decorrência das características clínicas mais graves na internação492.

 

 

 

 

O aconselhamento antitabagismo, realizado durante a internação por infarto agudo do miocárdio, apresenta melhores resultados dentro de um ano, comparado ao aconselhamento ambulatorial492. Pacientes que recebem aconselhamento de seus médicos têm maiores chances de abandonar o hábito. Todas as diretrizes recomendam aconselhar o abandono do tabagismo durante a internação por infarto agudo do miocárdio. Entretanto, em populações idosas, o hábito raramente é abandonado. Os não fumantes vivem, em média, 7 anos a mais que os fumantes. Com a abstinência, a taxa de reinfarto e morte diminui cerca de um terço em um ano.

O fumo reduz o efeito de vários medicamentos cardioprotetores usados após o infarto, principalmente os que reduzem a frequência, como os betabloqueadores.

O tratamento de reposição de nicotina visa a minimizar os sintomas associados à retirada do cigarro. Existem no mercado várias apresentações, que incluem goma de mascar, adesivos transdérmicos, spray nasal, inaladores e tabletes. Os melhores resultados são obtidos com o spray nasal, inaladores e tabletes. Em fumantes altamente dependentes, as gomas de mascar com maior dosagem apresentam benefício maior. Novas evidências sugerem o maior benefício da ação combinada das várias formas493.

Outra alternativa a ser usada junto à reposição de nicotina é o emprego da bupropiona. Estudos clínicos têm apontado efeitos aditivos com essa associação com elevação da taxa de abandono.

7.2 - Hipertensão arterial

A prevalência de hipertensão arterial em pacientes infartados, estimada por história prévia de hipertensão arterial ou pela constatação de cifras pressóricas elevadas durante a internação, é reconhecidamente expressiva (em torno de 40%-50%)494,495.

Essa estimativa no pós-infarto é sujeita a algumas dificuldades de aferição, tendo em vista que algumas medicações utilizadas em prevenção secundária exercem efeito anti-hipertensivo, afora mudanças ocasionais de estilo de vida, que cumprem o mesmo papel - além da possível "normalização" das cifras pressóricas decorrentes da disfunção de ventrículo esquerdo em consequência do infarto agudo do miocárdio. Ainda assim continua sendo muito frequente.

A hipertensão arterial desempenha importante papel na progressão da doença no paciente pós-infarto. Contribui para remodelação ventricular, insuficiência cardíaca congestiva e aceleração da aterosclerose, sendo seu rigoroso controle, consequentemente, alvo de interesse.

A meta de controle estabelecida é de cifras < 140/90 mmHg, reservando-se as metas < 130/80 mmHg quando da coexistência de diabetes melito, insuficiência renal496 ou insuficiência cardíaca.

As preocupações levantadas no passado quanto ao risco de fenômeno da curva J quando do tratamento anti-hipertensivo desses pacientes não parecem ter maior fundamento, devendo-se atingir as cifras adequadas desde que toleradas pelo paciente497,498. Impõe-se a cautela de fazê-lo evitando-se indução de hipotensões basais ou posturais499.

Estudos em prevenção secundária mais recentemente concluídos, em geral com a participação de pacientes infartados, salientam a importância do emprego de atenuadores do sistema renina-angiotensina, como documentado, para inibidores da enzima conversora da angiotensina ou antagonistas da angiotensina II na prevenção de eventos em pacientes sem insuficiência cardíaca e mesmo sem hipertensão arterial sistêmica255,269,500.

Embora não existam estudos que procurem investigar qual o melhor agente anti-hipertensivo, as evidências acumuladas entre os pacientes hipertensos incluídos nos estudos de pós-infarto, geralmente portadores de disfunção de ventrículo esquerdo, são consistentes em demonstrar claro benefício com os betabloqueadores229,230,501,502, com os inibidores da enzima conversora da angiotensina503 e, mais recentemente, como já mencionado, os antagonistas da angiotensina II e o antagonista específico da aldosterona, a eplerenona413.

Dois estudos com antagonistas da angiotensina II foram testados no contexto de disfunção ventricular pós-infarto. No estudo OPTIMAAL (Optimal Trial in Myocardial Infarction with the Angiotensin II Antagonist Losartan), o resultado do emprego pós-infarto do losartan, um antagonista de angiotensina II, foi semelhante ao obtido com o captopril, um inibidor da enzima conversora da angiotensina, para os desfechos primários, sendo ligeiramente inferior em relação a alguns desfechos secundários264. Outro estudo semelhante foi realizado com valsartan e demonstrou resultados com este fármaco, exatamente superponíveis aos obtidos com o inibidor da enzima conversora da angiotensina, no caso, o captopril265.

 

 

Convém registrar o atual entendimento de que a meta de controle anti-hipertensivo deva ser alcançada com o empenho devido, frequentemente necessitando-se, para tanto, do emprego da combinação de fármacos anti-hipertensivos, sendo aqui considerado o uso de diuréticos e antagonistas de cálcio.

7.3 - Diabetes melito

O diabetes melito é definido como achado de glicemia > 126 mg% em jejum em duas medidas à parte, ou > 200 mg% duas horas após ingestão de 75 g de glicose.

Em todo o mundo, a prevalência de diabetes melito tipo 2, nas últimas duas décadas, tem aumentado consideravelmente504,505. Fatores ambientais e comportamentais, como redução da atividade física, aumento da prevalência de obesidade e mudança do hábito alimentar, estão implicados nesse cenário506.

Pacientes com diabetes melito tipo 2 têm maior morbidade e mortalidade por doença microvascular (retinopatia, nefropatia e neuropatia) e por doença macrovascular (acidente vascular encefálico, doença arterial periférica e doença cardiovascular), particularmente a doença arterial coronária. Estudos epidemiológicos têm demonstrado que indivíduos portadores de diabetes melito tipo 2 têm risco de mortalidade cardiovascular 2-3 vezes maior em homens e 3-4 vezes maior em mulheres, quando comparados com indivíduos não diabéticos507,508. Vale ressaltar que a doença cardiovascular é responsável por 70% dessa mortalidade. Além disso, a presença de diabetes melito influencia desfavoravelmente o curso evolutivo de portadores de doença arterial coronária, em todos os seus aspectos. Por exemplo, a mortalidade é maior no diabético em relação ao IAM e a procedimentos cirúrgicos de revascularização.

Também a evolução pós-intervenção coronária percutânea tem desfecho maior de reestenose entre os diabéticos509.

O diabetes melito tipo 2 faz parte ainda de uma desordem metabólica complexa, em que diversas condições de risco se agregam, propiciando o desenvolvimento da doença aterosclerótica e suas principais complicações. Nesse cenário, a resistência à insulina parece desempenhar papel central, assim como na síndrome metabólica505,508.

O perfil lipídico do portador de diabetes melito tipo 2 revela, geralmente, distribuição de colesterol total, semelhante à encontrada na população em geral, e maior detecção de elevação de triglicérides e redução de lipoproteínas de alta densidade (HDL). Estudos têm apontado para os níveis de LDL do diabético, por ter maior participação de LDLs pequenas e densas em sua constituição.

Além do mais, pacientes diabéticos apresentam doença coronária mais difusa e menor formação de colaterais; portanto, sofrem mais intensamente as repercussões da isquemia, evoluindo com maior facilidade para o desenvolvimento de cardiopatia isquêmica.

Em conclusão, sabe-se que a presença de diabetes melito tipo 2 aumenta consideravelmente o risco individual para doença arterial coronária, equivalente à ocorrência de infarto do miocárdio prévio, e que a associação deste com o diabetes aumenta a chance de um novo infarto para 45% em 7 anos. O controle rigoroso da pressão arterial e do peso corporal, além dos níveis séricos de lipídeos e glicemia, é capaz de diminuir significativamente os eventos cardiovasculares. Entretanto, atingir as metas propostas para que esses benefícios sejam alcançados ainda é um dos maiores desafios no manuseio desse grupo de pacientes.

Em relação aos recursos terapêuticos para o tratamento do diabetes melito no sobrevivente de infarto, recomendam-se medidas higieno-dietéticas e medicamentosas, com metas preestabelecidas.

A restrição do consumo de carboidratos, para todos, e de calorias, para aqueles que necessitam reduzir o peso, e estímulo à prática regular de exercícios são integrantes das medidas higieno-dietéticas.

As medicações orais, geralmente usadas para tratamento do diabetes melito tipo 2, oferecem mecanismos de ação distintos e eficácias parecidas, conforme pode ser observado na Tabela 7.3.1.

 

 

A escolha preferencial do fármaco para controle inicial do diabetes melito tipo 2 segue a orientação expressa na Tabela 7.3.2, levando em conta índice de massa corpórea e idade. Pode-se observar que no paciente idoso há tendência à utilização mais precoce de insulina. Restrições são feitas em relação ao uso de metformina e glitazonas nos pacientes mais idosos ou com insuficiência cardíaca.

 

 

Essas medidas devem ser empregadas tendo por meta a obtenção de taxa glicêmica ou de hemoglobina glicosilada como demonstrado na Tabela 7.3.3.

 

 

7.4 - Dislipidemias

O estudo 4S (The Scandinavian Simvastatin Survival Study)510 demonstrou claramente os benefícios da terapia com redutores do colesterol em uma população de 4.444 pacientes com angina ou pós-infarto agudo do miocárdio. A análise dos resultados demonstra redução da mortalidade em cerca de 30%, representando 33 vidas salvas por mil pacientes tratados. Houve também redução significativa de morte relacionada a eventos coronarianos e necessidade de cirurgia de revascularização. No estudo CARE (Cholesterol and Recurrent Events)511, 4.159 pacientes pós-infarto agudo do miocárdio, com níveis de colesterol pouco alterados (colesterol total médio de 209 mg/dl), foram recrutados para receber 40 mg de pravastatina ou placebo. O grupo tratado com pravastatina teve redução do risco relativo para evento coronariano fatal e reinfarto na ordem de 24%512. O estudo LIPID (Long-term Intervention with Pravastatin in Ischemic Disease)513 randomizou 9.014 pacientes pós-IAM ou com angina instável com níveis de colesterol discretamente elevados (42% < 213 mg/dl, 44% entre 213-250 mg/dl e 13% > 251 mg/dl) para receber 40 mg/dia de pravastatina ou placebo. Os resultados demonstraram redução de 24% das mortes por evento coronariano e redução de 29% do risco de reinfarto.

Um estudo utilizando genfibrozil514 em pacientes com HDL-colesterol < 40 mg/dl, mas LDL-colesterol < 140 mg/dl e triglicérides < 300 mg/dl, mostrou benefício para os pacientes com antecedente de IAM tratados com o genfibrozil, com redução de 24% da mortalidade. Outro estudo com fibratos, o BIP (Bezafibrate Infarction Prevention) recrutou 3.090 pacientes com antecedente de IAM ou angina instável com HDL baixo (< 45 mg/dl), demonstrando redução não significativa dos eventos cardíacos fatais e não fatais. O maior benefício foi visto nos pacientes com triglicérides elevados515.

Os agentes redutores do colesterol devem ser prescritos para os pacientes que se enquadram nos recrutados nos estudos citados. Esses pacientes devem receber terapia redutora do colesterol com uma estatina, caso apresentem colesterol total > 200 mg/dl ou LDL-colesterol > 100 mg/dl, apesar da dieta adequada. Recentemente, os estudos HPS (Heart Protection Study)516 e PROVE-IT517 forneceram dados que sugerem benefício com extensão do tratamento à base de estatina para pacientes com níveis de colesterol mais baixos e idosos. Nos pacientes com HDL-colesterol baixo e triglicérides altos, os fibratos devem ser considerados.

7.5 - Obesidade

Atualmente, a obesidade situa-se entre os maiores fatores de risco de doença arterial coronária, ao lado de dislipidemia, hipertensão, tabagismo e diabetes, com prevalência e incidência crescentes518-520. Em 2005, entre a população americana de 20 anos ou mais, a prevalência de obesidade (IMC > 30 Kg/m2) foi de 41,8% nas mulheres e 36,5% nos homens. No Brasil, a prevalência foi de 18,3% e 8,7%, respectivamente521 - no ano de 2001, a prevalência de sobrepeso no país foi de 31,5% nos homens e 26,6% nas mulheres522.

 

 

 

 

7.5.1 - Obesidade como fator maior de risco cardiovascular

Existem evidências epidemiológicas, provenientes de estudos de coorte, prospectivos, observacionais - como o estudo de Framingham523, Nurse's Health Study524, Health Professionals Follow-up Study525, Buffallo Health Study526, Cancer Prevention Study II527 e PROCAM (The Munster Heart Study)528 -, de que sobrepeso/obesidade constitui importante fator de risco cardiovascular. Todos esses estudos identificaram uma relação quase linear entre índice de massa corpórea e risco de doença arterial coronária, a partir de um valor do índice de massa corpórea > 25. Esse risco, porém, não parece se distribuir de modo homogêneo em relação à idade e gênero, podendo declinar com a idade e ser maior nas mulheres. Esse fato ficou evidente nos estudos de Framingham e no Buffalo Heart Study. No primeiro, o risco de doença cardiovascular e de doença arterial coronária foi mais elevado, em ambos os sexos, nos indivíduos com idade inferior a 50 anos; no segundo, no entanto, a mortalidade por doença cardiovascular e doença arterial coronária foi maior nos homens abaixo dos 65 anos, enquanto nas mulheres independeu da idade.

As evidências indicam que a relação do sobrepeso/obesidade com o risco cardiovascular depende do acúmulo de gordura intra-abdominal (obesidade central), a qual mostra alta correlação com a circuferência abdominal (0,79)529. Porém, os mecanismos relacionados entre esse tipo de obesidade e a doença cardiometabólica ainda não são bem conhecidos. O fato, contudo, é a correlação entre o grau do excesso dessa gordura e o aparecimento de resistência à insulina, medida pelo HOMA-RI, a elevação da pressão arterial, a diminuição da concentração do HDL-C e a elevação das triglicérides (TG)530. Além disso, a obesidade central se associa a um estado pró-inflamatório e pró-trombótico. Do ponto de vista epidemiológico, observa-se a mesma correlação da obesidade central com a agregação de fatores de risco causais, tais como hipertensão, dislipidemia aterogênica e intolerância à glicose ou diabetes tipo 2524,531. O estudo de Framingham mostra que a obesidade, além de fator de risco predisponente, é também fator de risco independente. Essa ação independente se faria por intermédio da produção, pelo tecido adiposo intra-abdominal, de adipocitocinas, angiotensinogênio e cortisol529.

7.5.2 - Diagnóstico

O diagnóstico de sobrepeso corresponde a um índice de massa corpórea (IMC) > 25 e < 30 e o de obesidade, IMC > 30. A obesidade é ainda subclassificada em obesidade grave (IMC > 30 e < 35), muito grave (IMC > 35 e < 40) e mórbida (IMC > 40), como ilustrado na tabela a seguir532.

Mais recentemente, a medição da cintura abdominal (CA) tem sido recomendada como avaliação complementar ao cálculo do IMC e mesmo recomendada como sua substituta dentre os critérios diagnósticos da SM533. O aumento da CA é um preditor mais forte para diabetes do que o IMC e, também, é um forte e consistente preditor independente em relação aos riscos da diabetes, desenvolvimento de doença arterial coronária (DAC) e de mortalidade por todas as causas e de letalidade cardiovascular529,533. Comparada com o IMC, para cada categoria o seu aumento prediz um maior risco de evento cardiovascular, conforme ilustrado na tabela534. A medição da CA deve ter como ponto de referência a metade da distância entre a borda da última costela e a borda da crista ilíaca superior direita, segundo a recomendação da AHA/NHLBI533, embora os resultados não difiram dos obtidos com a medição, tomando como ponto de referência a borda da crista ilíaca direita529. O paciente deve estar ereto e a medição deve ser feita com fita métrica inelástica e em expiração normal. Valores de maior risco são os acima de 102 cm para os homens e de 88 cm para as mulheres534,535. Porém, alterações metabólicas de risco podem ocorrer em homens com circunferência abdominal entre 94-102 cm, nos quais parece existir forte contribuição genética para o aparecimento de resistência à insulina535. A evidência nesse sentido é dada por estudo recente, mostrando, em 185 homens sadios, não fumantes, que mais de 80% daqueles indivíduos com CA > 90 cm e com TG > 177 mg/dl apresentavam a tríade metabólica aterogênica: hiperinsulinemia, concentrações elevadas de apoproteína B e partículas de LDL pequenas e densas (tipo B)536. Nesses, a probabilidade de lesão coronária com obstrução > 50% foi 3,6 vezes (OR) maior que nos demais( ). Com base nesses e outros dados semelhantes, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) propôs, em 2005, menores pontos de corte ajustáveis à maior propensão aterogênica de outras etnias, principalmente asiáticos (> 90 cm para homens e > 80 cm para mulheres), o que foi aceito como recomendação pela American Heart Association (AHA) e pelo Instituto Nacional de Saúde (NHLBI) para asiáticos americanos (Tabela 7.5.1)533.

 

 

7.5.3 - Avaliação do risco do obeso no pós-infarto agudo do miocárdio

Quanto mais elevado o IMC e quanto mais aumentada a CA maior o risco de evento cardiovascular agudo, principalmente IAM fatal e não fatal. A mesma afirmativa diz respeito às comorbidadades correlatas presentes, componentes da SM: pré-hipertensão, hipertensão, resistência à insulina, intolerância à glicose, diabetes tipo 2 e dislipidemia. Quanto maior o número delas, maior o risco530,534,535.

7.5.4 - Tratamento

O tratamento da obesidade é um desafio, em virtude da complexidade de sua etiopatogenia ainda não totalmente esclarecida, que envolve aspectos genéticos, ambientais e comportamentais519,520. As bases do tratamento e da prevenção incluem dieta e exercício519,534,535.

- Dieta: A dieta recomendada para a prevenção pós-IAM é a da American Heart Association535,537, com restrição calórica variável, de acordo com o índice de massa corpórea, ajustada para uma perda de 7%-10% do peso, de 6-12 meses533706. Para índice de massa corpórea entre 25-27, a redução de 500-1.000 calorias por dia pode levar a uma perda de peso semanal de 454-908,4 g; para índice de massa corpórea mais elevado, uma redução de 1.000-1.500 calorias por dia pode acarretar perda de 908,4-1.806,8 g por semana. Geralmente, após seis meses, o peso tende a se estabilizar, com tendência a se elevar caso não sejam tomadas medidas para manter o equilíbrio calórico. É nessa fase que o exercício regular e diário torna-se ainda mais importante. Perda de peso adicional implica maior diminuição do valor energético total da dieta, aumento do exercício físico e maior motivação.

Para pacientes com síndrome metabólica, o controle da dislipidemia aterogênica requer redução dos carboidratos para 50% do valor energético total e aumento do consumo de gorduras até 35%535. O aumento da cota de gordura deve ser feito à base de gordura monoinsaturada, devendo o consumo de gordura saturada ser mantido < 7% do valor energético total535.

- Medicamentos: Em pacientes mais resistentes à perda de peso, pode ser tentado o uso de orlistat519,520. Esse medicamento inibe a ação da lipase no intestino, dificultando a absorção das gorduras. Deve ser usado simultaneamente com dieta para otimizar seus efeitos e diminuir a possibilidade de diarreia ou perda de gordura intestinal sem controle esfincteriano. Outros medicamentos de ação central, como a fentermina e a sibutramina, estão, em princípio, contraindicados em coronarianos, pelo seu potencial para o desenvolvimento de arritmias e elevação da frequência do pulso e da pressão arterial694. Os efeitos médios do orlistat e da sibutramina são modestos, embora não desprovidos totalmente de benefícios. A perda média de peso com o orlistat é de 2,51 Kg em 6 meses e de 2,75 Kg em 12 meses; com a sibutramina, os valores são de 3,43 Kg e 4,45 Kg, respectivamente538.

A indicação de terapia farmacológica na obesidade inclui IMC > 30 ou > 27 se associado a dois ou mais fatores de risco, como diabetes e dislipidemia

- Terapêutica invasiva: Procedimentos cirúrgicos (cirurgia bariátrica) geralmente têm sido utilizados em pacientes com obesidade mórbida (índice de massa corpórea > 40), ou com obesidade grave (IMC > 35), associada à comorbidades e quando se esgotarem as tentativas de tratamento não invasivo534. Em estudos bem controlados, a mortalidade perioperatória tem sido de 0,2%-1,3% e as complicações oscilam entre 13%-36%519,534 - a maioria delas de grau leve e controláveis538.

A perda de peso média é de 20 Kg, mantendo-se por 8-10 anos e associando-se à prevenção e controle favorável da diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia538.

 

 

7.6 - Sedentarismo

Fator de risco significativo para evento coronariano ou para novos eventos pós-infarto agudo do miocárdio, é responsável direto pelo baixo condicionamento físico, pela redução do consumo de oxigênio e pela diminuição do tônus muscular, pelo aumento do peso corporal, pela elevação dos níveis de triglicérides e pela redução do HDL-colesterol, além de comprometer a autoestima539.

A maioria dos fatores de risco é favoravelmente modificada pelo exercício físico. A hipertrigliceridemia e a hiperglicemia são reduzidas e se a ingestão calórica for mantida haverá redução de peso nos obesos. A resistência arterial periférica diminui com a consequente redução da pressão nos hipertensos. Há diminuição do tônus simpático e da tensão emocional, a atividade fibrinolítica aumenta e a agregação plaquetária diminui, com melhoras na função endotelial. A atividade física aumenta a sensibilidade à insulina e reduz o risco de desenvolver diabetes melito não dependente de insulina. A prática de exercícios promove ainda a elevação do HDL-colesterol540.

O combate ao sedentarismo deve contemplar programas individuais ou coletivos de incentivo à atividade física no cotidiano das pessoas, como caminhar para o trabalho, subir ou descer escadas, utilizar bicicleta como transporte para a escola ou o trabalho, saltar da condução dois pontos antes de casa, fazer trabalhos manuais, jardinagem, pinturas, consertos etc. Sessões de exercícios regulares de, no mínimo, 40 minutos, 5-6 vezes por semana, são recomendadas em academias ou substituídas por caminhadas no plano, procurando alcançar a marca de 100 metros por minuto, sempre sob recomendação médica. A prescrição de exercícios mais vigorosos, como natação, ginástica aeróbica ou prática de esportes individuais ou coletivos, prevê sempre a realização de um teste ergométrico prévio541.

7.6.1 - Evidências

A prática regular de exercícios físicos vigorosos em pacientes após infarto do miocárdio demonstrou redução significativa do risco de morte cardiovascular e da mortalidade global35. Metanálise de 10 estudos clínicos randomizados em pacientes pós-IAM em programas de reabilitação demonstrou redução de 24% na mortalidade global e de 25% na cardiovascular. A recorrência de IAM não fatal não foi afetada.

O treinamento físico produz melhora modesta do perfil lipídico. Uma metanálise de 95 estudos, em sua maioria não randomizados, concluiu que o exercício levou à redução de 6,3% do colesterol total, de 10,1% do LDL e de 13,3% da relação colesterol total/HDL. O HDL aumentou em 5%. Registra-se, no entanto, redução da prevalência de fenótipo B de LDL pequenas e densas, talvez resultando daí seu maior benefício no que tange ao perfil lipídico.

 

 

7.7 - Fatores de risco indefinidos

A procura por novos fatores de risco para aterosclerose se baseava na afirmativa não comprovada de que cerca de 50% dos indivíduos com IAM não apresentavam fatores de risco clássicos para aterosclerose. Entretanto, um recente estudo caso-controle envolvendo 30.000 indivíduos (15.000 com infarto agudo do miocárdio) concluiu que 9 fatores de risco facilmente mensuráveis estão associados com mais de 90% do risco para IAM542. Consequentemente, não mais que 10% do risco para IAM seria explicado por fatores de risco ainda desconhecidos ou não mensurados naquele estudo.

7.7.1 - LDL-oxidado

Os antioxidantes, como intervenção na prevenção secundária da doença coronária, se baseavam em dados de laboratório que indicavam que o LDL-oxidado penetrava com mais facilidade na parede arterial543. Sendo assim, terapias antioxidantes teriam um efeito benéfico sobre a progressão da aterosclerose. Entretanto, ensaios clínicos randomizados mostraram que o efeito dos antioxidantes é neutro quando comparado ao placebo544-547. Portanto, baseado em evidências científicas sólidas, o uso de antioxidantes (vitaminas C, E e betacaroteno) para prevenção de primária ou secundária de doenças cardiovasculares está contraindicado.

7.7.2 - Homocisteína

Estudos observacionais associam a elevação sérica moderada do aminoácido sulfidrilado homocisteína com risco de infarto do miocárdio, infarto cerebral, trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar. Dados populacionais indicam que esse aumento ocorreria por baixa ingestão de ácido fólico. Assim, estudos randomizados de redução de homocisteína foram conduzidos, mas não mostraram qualquer benefício na redução de eventos vasculares comparados ao placebo545,548,549.

 

 

7.7.3 - Marcadores inflamatórios

A aterosclerose é uma doença inflamatória. Pesquisas recentes têm mostrado que marcadores inflamatórios, como a proteína-C reativa (PCR), o amiloide A, o fibrinogênio, a interleucina-6 e a molécula de adesão intercelular tipo 1 (ICAM-1), estão elevados nas síndromes isquêmicas agudas. Dos marcadores mencionados, apenas a PCR tem se destacado como útil e confiável na prática clínica. A PCR é um reagente de fase aguda produzido no fígado em resposta a um estímulo inflamatório. Embora pouco específico, esse marcador é altamente sensível na detecção de estados inflamatórios. Além disso, sua mensuração é simples e reprodutível. Dados consistentes de estudos prospectivos mostram que a PCR é um marcador de risco independente para eventos vasculares, além de acrescentar valor preditivo à relação colesterol total/HDL550. Estudos randomizados em pacientes com IAM tratados com doses altas de estatinas mostraram um gradiente na incidência de eventos vasculares de acordo com níveis de LDL-C e de PCR alcançados 30 dias após o início da terapia, ou seja, naqueles onde houve redução do LDL-C para níveis inferiores a 70 mg/dL e da PCR para níveis inferiores a 2,0 mg/dL, a incidência de óbito ou IAM recorrente foi inferior àqueles com pelo menos um dos dois parâmetros acima do ponto de corte mencionado551,552. A dosagem da PCR pode ser solicitada a critério médico para ajudar na estimativa do risco cardiovascular global. Sua utilidade maior seria nos casos de risco intermediário (5%-20% de chance de eventos vasculares nos próximos 10 anos pelos critérios de Framingham), onde a elevação da PCR acima de 3,0 mg/dL indicaria um risco aumentado e a necessidade de medidas farmacológicas como as estatinas553.

7.8 - Prescrição pós-hospitalar

A utilização de fármacos específicos em pacientes sobreviventes de IAM com elevação persistente do segmento ST está baseada em evidências científicas relacionadas a aspectos fundamentais, incluindo a própria ocorrência do evento trombótico agudo e a prevenção de novos eventos cardiovasculares maiores, extensão da necrose miocárdica (tamanho da área de infarto), remodelamento e função ventriculares (diâmetros e fração de ejeção do ventriculo esquerdo) e utilização de angioplastia coronária com implante de endopróteses coronárias (stents convencionais ou farmacológicos). Essa farmacoterapia pós-hospitalar281 representa um item extremamente relevante das estratégias de prevenção secundária554, abordadas anteriormente nesta Diretriz. De fato, a implementação adequada de tais estratégias de tratamento e prevenção secundária tem sido responsável por cerca de 50% da redução na taxa de mortalidade por doença arterial coronária nas últimas décadas555.

7.8.1 - Antiagregantes plaquetários

Ácido acetilsalicílico (AAS) - Uma grande metanálise, incluindo 287 estudos clínicos com cerca de 135.000 pacientes de alto risco (após evento cardiovascular agudo ou com história prévia), demonstrou que o uso de terapia antiplaquetária foi associado a uma redução relativa de 15% na mortalidade vascular, assim como na mortalidade total556.

A dose diária recomendada é de 81-325 mg, com evidências que sugerem melhor relação eficácia/risco de sangramento com doses mais baixas (81-162mg)557. Está contraindicado em pacientes com hipersensibilidade (reações alérgicas) a salicilatos, hemorragia digestiva e diátese hemorrágica, e relativamente contraindicado em pacientes com gastrite ou úlcera gastroduodenal prévia, com recomendação de vigilância quanto a eventos adversos, particularmente hemorragias maiores e potencialmente fatais, além da utilização concomitante de medidas de proteção da mucosa gastroduodenal, especificamente com bloqueadores de bomba de prótons.

Outros antiplaquetários - Além do AAS, os principais antiagregantes plaquetários utilizados são os derivados tienopiridínicos (ticlopidina e clopidogrel), com mecanismo de ação baseado na inibição do receptor P2Y12 da membrana da plaqueta. Até a publicação da III Diretriz Brasileira sobre Tratamento do IAM em 2004, sua indicação clínica era considerada somente uma alternativa, estando reservada à impossibilidade absoluta da utilização do AAS, já que não existia nenhum estudo clínico randomizado na fase pós-IAM com elevação persistente do segmento ST com avaliação da eficácia e segurança da utilização de tienopiridínicos. Após o COMMIT-CCS 2301,a recomendação atual é a de adicionar 75 mg/dia de clopidogrel às doses habituais de ácido acetilsalicílico, independente da utilização de terapia fibrinolítica, por no mínimo duas semanas. O uso prolongado pós-hospitalar por um ano, por exemplo, apresenta grau de recomendação IIa, extrapolando-se da experiência e resultados positivos em pacientes com SCA sem elevação persistente do segmento ST e também naqueles que recebem intervenção coronária percutânea com implante de stents, visto não haver estudos clínicos com terapia antiplaquetária dupla prolongada no cenário de IAM com elevação persistente do segmento ST.

Outra importante indicação do uso de tienopiridínicos, obviamente, constitui-se na recomendação do uso do clopidogrel ou ticlopidina, associado ao ácido acetilsalicílico, nos pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea com implante de stents, seja primária, de resgate ou eletiva pós-IAM, por um período mínimo de 30 dias, e com recomendação atual de se prolongar o uso no mínimo por um ano, principalmente com stent farmacológico, para prevenção da trombose intra-stent.

7.8.2 - Anticoagulantes orais

Estudos iniciais não demonstraram, de forma global, que o uso de derivados cumarínicos associados ao ácido acetilsalicílico fosse superior ao AAS isolado em relação à redução de eventos cardiovasculares pós-IAM215. Mais recentemente, no entanto, essa associação demonstrou eficácia em reduzir o desfecho composto de morte, reinfarto e acidente vascular encefálico558,559, às custas, entretanto, de aumentos significativos das taxas de complicações hemorrágicas não fatais.

Desse modo, não existe nenhuma recomendação sobre o uso rotineiro de anticoagulantes orais no contexto pós-IAM. A utilização desses fármacos está reservada para os casos de alto risco de tromboembolismo sistêmico, em que a anticoagulação pós-hospitalar prolongada é recomendada: extensos infartos, principalmente de parede anterior, disfunção ventricular esquerda grave com insuficiência cardíaca significante, trombo intracardíaco visível ao ecocardiograma transtorácico, fibrilação atrial e história de evento tromboembólico. Nesses casos, sugere-se o uso combinado de antagonista da vitamina K oral e dose baixa de ácido acetilsalicílico. Recomendamos o nível terapêutico a ser alcançado e mantido baseado no valor de International Normalized Ratio (INR) entre 2-3.

7.8.3 - Betabloqueadores

Vários estudos clínicos e metanálises realizadas em mais de trinta mil pacientes demonstraram, de forma inequívoca, a ação dos bloqueadores beta-adrenérgicos na redução dos eventos isquêmicos cardiovasculares, como a morte e o reinfarto. Esses estudos envolveram tanto fármacos tradicionais, como propranolol, timolol e metoprolol560-562, como outros mais recentes, como carvedilol e bisoprolol230,563, com efeito predominante sobre os pacientes de médio e alto risco em termos de isquemia residual e disfunção ventricular esquerda, com ou sem terapêuticas de reperfusão miocárdica.

Os betabloqueadores devem ser usados de forma indefinida em todos os pacientes com IAM, exceto na presença de contraindicações absolutas ou relativas (na dependência de uma análise individual), tais como: frequência cardíaca < 60 bpm, intervalo PR > 0,24 s, pressão sistólica < 100 mmHg, insuficiência cardíaca descompensada grave, bloqueio atrioventricular de 2º ou 3º graus, doença pulmonar obstrutiva crônica e doença arterial periférica com sintomatologia grave.

7.8.4 - Inibidores da enzima conversora da angiotensina e bloqueadores dos receptores AT1

Existem evidências, adequadamente baseadas em estudos clínicos controlados de larga escala, de que os inibidores da enzima conversora da angiotensina são benéficos nos pacientes que sofreram IAM, desde que tenham apresentado disfunção ventricular esquerda documentada por quadro clínico compatível com insuficiência cardíaca ou somente por fração de ejeção ventricular esquerda < 40%248-250, ou infartos extensos, especialmente de parede anterior253. Esses fatos baseiam-se em seus efeitos de atenuação do remodelamento ventricular e as consequentes reduções da dilatação cardíaca, prevenção da progressão para insuficiência cardíaca, melhora da capacidade funcional pela New York Heart Association e redução importante da mortalidade global.

Há argumentos também para seu uso em todos os pacientes após IAM, em função de sua atuação anti-isquêmica, anti-aterosclerótica e da consequente diminuição da recorrência de eventos isquêmicos, já evidenciadas em varios estudos248,564-566.

Tem recomendação formal o uso rotineiro e por tempo indeterminado nos pacientes de maior risco, como portadores de IAM com disfunção do ventrículo esquerdo (fração de ejeção < 40%) ou localização na parede anterior, nos hipertensos, na população diabética e nos portadores de nefropatia crônica estável. Entre pacientes de mais baixo risco, ou seja, aqueles com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) normal, nos quais os fatores de risco cardiovascular estejam bem controlados e algum procedimento de revascularização tenha sido realizado, o uso de inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) pode trazer benefícios, sendo razoável sua utilização566.

Em relação aos bloqueadores dos receptores AT1 da angiotensina II (BRA), o estudo VALIANT demonstrou claramente que o grupo tratado com valsartan apresentou curva de mortalidade equivalente ao grupo tratado com captopril, portanto, reproduzindo o perfil de efeitos benefícios alcançados com captopril em pacientes com disfunção ventricular pós-IAM265. Desse modo, os BRA representam terapêutica alternativa à utilização de IECA quando este não puder ser utilizado.

7.8.5 - Tratamento de dislipidemia

Estudos clínicos iniciados a partir de 3-20 meses após IAM em pacientes portadores de hipercolesterolemia evidenciaram, de forma inequívoca, reduções de eventos isquêmicos, como morte e reinfarto não fatal com uso da pravastatina513,567. Mais recentemente, um registro sueco utilizando estatinas logo após o IAM confirmou esses dados, sugerindo que o tratamento agressivo e precoce com agentes hipolipemiantes seria seguro e potencialmente benéfico nesses pacientes285.

Estudos clínicos com menor número de pacientes demonstram que a utilização de estatinas pode corrigir, em poucas semanas, a disfunção endotelial568, e que a retirada destes fármacos logo após um evento isquêmico agudo pode ser deletéria569.

A interpretação conjunta desses dados sugere mudança recente de paradigma, que aponta na direção do uso rotineiro e prolongado das estatinas, iniciando-se ainda na fase hospitalar, em pacientes portadores de infarto agudo do miocárdio, baseando-se nas diretrizes de utilização desses fármacos nas síndromes coronarianas isquêmicas agudas, ou seja, sempre quando o LDL-colesterol for maior que 130 mg/dl ou a critério do médico, quando o LDL-colesterol estiver entre 100-130 mg/dl. O estudo PROVE-IT517 demonstrou que, nos pacientes que sofreram síndrome coronária aguda recente (incluindo infarto agudo do miocárdio), a terapia intensiva de redução lipídica com estatinas (LDL < 100 mg) promoveu maior proteção contra morte ou eventos cardiovasculares maiores que o regime padrão.

Para que esses valores sejam analisados de forma correta, recomenda-se a verificação do perfil lipídico nas primeiras 24 horas da internação.

As evidências relacionadas com a redução dos níveis de triglicérides e do aumento dos valores de HDL-colesterol com fibratos são menos numerosas e expressivas. No entanto, dados recentes com a utilização do genfibrosil em pacientes portadores de hipertrigliceridemia no pós-IAM demonstraram redução da taxa de mortalidade de 24%514. O estudo BIP, que incluiu pacientes com níveis baixos de HDL-colesterol com ou sem aumentos de triglicérides, revelou redução das taxas de morte e IAM não fatal de 7,3%, com o benefício predominando na população com níveis elevados de triglicérides.

Recentemente, nos Estados Unidos, o III Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol passou a dar mais ênfase aos aspectos relacionados a triglicérides, HDL-colesterol, diabetes melito e síndrome metabólica, fenômenos frequentemente interligados, ressaltando indiretamente o efeito dos fibratos na correção das dislipidemias não relacionadas com elevações de LDL-colesterol. Portanto, acrescenta-se a valorização das possibilidades de utilização de fibratos em situações especiais de dislipidemias nos pós-IAM, ou seja, quando os níveis de LDL-colesterol não estiverem acima de 130 mg/dl e os triglicérides estiverem acima de 150 mg/dl nos diabéticos, após dieta adequada. No caso, valores abaixo desses níveis deverão ser mantidos durante todo o tratamento.

7.8.6 - Nitratos

Não existe evidência científica de que os nitratos interfiram no prognóstico dos pacientes após a fase aguda do infarto do miocárdio, apesar de atuarem favoravelmente no trabalho cardíaco e na relação oferta/consumo de oxigênio, mediante suas ações na pré-carga, na pós-carga e no aumento do fluxo coronário, principalmente nas áreas isquêmicas.

As principais indicações para sua utilização seriam a presença de angina ou isquemia miocárdica persistentes e a insuficiência cardíaca.

7.8.7 - Antagonistas dos canais de cálcio

A evidência em relação a um possível benefício dos antagonistas de cálcio é muito menos consistente do que a dos betabloqueadores. Estudos mais antigos com verapamil e diltiazem570,571 demonstraram que, além de promover vasodilatação coronária e periférica, atuam diminuindo o consumo de oxigênio miocárdico, sugerindo que estes fármacos poderiam reduzir as taxas de morte, angina recorrente e reinfarto, respectivamente, em pacientes com IAM com elevação persistente e sem elevação do segmento ST, desde que usados em indivíduos na ausência de insuficiência ventricular esquerda.

Em relação aos diidropiridínicos, também não existem estudos que comprovem claro benefício para os pacientes pós-IAM.

Assim, os antagonistas do cálcio não devem ser usados rotineiramente após IAM, sendo sugeridos como terapêutica em algumas situações, como alternativa aos betabloqueadores quando os pacientes não puderem utilizá-los em decorrência de doença pulmonar obstrutiva crônica, broncoespasmo ou doença arterial periférica, com significantes manifestações clínicas. Nesses casos, verapamil e diltiazem são os preferidos, até por terem ações parcialmente similares aos betabloqueadores.

Outras indicações seriam hipertensão arterial e angina não controladas com outros fármacos, podendo ser utilizados em associação com outros medicamentos anti-isquêmicos.

7.8.8 - Tratamento antiarrítmico

O benefício do uso rotineiro dos fármacos antiarrítmicos no pós-IAM não foi demonstrado em estudos clínicos. O único fármaco com efeito promissor, e em determinadas situações, é a amiodarona572,573. Por exemplo, em pacientes com disfunção ventricular esquerda associada a arritmias ventriculares frequentes e repetitivas, o fármaco pode promover a redução do risco de morte súbita elétrica574,575.

A amiodarona, portanto, pode ser usada com boa relação custo-benefício em pacientes com arritmias ventriculares complexas, como extrassistolias frequentes (> 10/hora), polimórficas, pareadas ou taquicardia ventricular sustentada e não sustentada, especialmente quando associadas à disfunção ventricular. Deve-se ressaltar, no entanto, o cuidado na monitorização das doses e dos paraefeitos da medicação. O sotalol seria uma alternativa menos eficaz ao uso da amiodarona.

Os pacientes de alto risco (fração de ejeção < 40%, taquicardia ventricular sustentada ou não sustentada) deverão ser encaminhados ao estudo eletrofisiológico, já que estudos recentes comparando fármacos, incluindo a amiodarona, com cardioversor-desfibrilador implantável, são favoráveis à utilização destes dispositivos576.

7.9 - Retorno às atividades profissionais e sexuais

A atividade sexual é um importante componente da qualidade de vida, tornando-se assunto extremamente relevante na discussão entre o paciente e o especialista. Pacientes cardiopatas tornam-se temerosos de, durante o ato sexual, desencadear evento isquêmico agudo, e, como consequência, praticam sexo com menor frequência. Outro componente desse problema refere-se ao fato de que pacientes que procuram atendimento especializado em decorrência de disfunção erétil apresentam, habitualmente, fatores que levam à disfunção endotelial, tais como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia, doença aterosclerótica arterial e tabagismo, todos fatores de risco para a cardiopatia isquêmica577.

Estudos realizados com voluntários sadios, que tiveram atividade sexual monitorizada em laboratório, encontraram as seguintes alterações hemodinâmicas578:

- frequência cardíaca máxima entre 140-180 bpm;

- aumento médio da pressão arterial de 80-50 mmHg;

- aumento significativo da frequência respiratória e do volume corrente, aproximando-se de valores compatíveis com exercício físico de grau moderado a intenso.

A percepção de um trabalho cardíaco aumentado e o risco associado à relação sexual foram reafirmados pela observação de pacientes com angina estável, que, não raramente, se queixavam de dor anginosa durante ou imediatamente após o ato sexual. Entretanto, estudos realizados com casais monitorizados em suas próprias residências durante o ato sexual apresentaram resultados diferentes, com frequências cardíacas médias durante o orgasmo inferiores às das atividades diárias habituais579,580.

A medida clínica do exercício físico é o MET (equivalente metabólico do consumo de oxigênio). A atividade sexual equivale a 2-3 METs durante a fase pré-orgásmica e a 3-4 METs durante o orgasmo, ou seja, corresponde a caminhar no plano a uma velocidade de 3,0-6,0 km/h581.

 

 

O estudo Determinants of Myocardial Infarction Onset Study entrevistou 1.774 pacientes no período de uma semana após infarto agudo do miocárdio, dos quais 858 eram sexualmente ativos582. Os seguintes achados foram observados:

- O risco relativo de IAM duas horas após a relação sexual foi de 2,5. Não houve aumento do risco após esse intervalo. O risco foi reduzido em pacientes que faziam atividade física regular.

- O risco relativo de IAM após relação sexual foi similar em pacientes com história prévia de angina ou IAM e naqueles sem antecedentes cardiovasculares.

- Somente 9% dos pacientes fizeram sexo nas 24 horas prévias ao IAM e apenas 3% no período de duas horas anteriores ao evento. Como resultado, o aumento absoluto do risco foi pequeno, com a atividade sexual contribuindo para o surgimento do IAM em apenas 0,9% dos casos582.

Estudo com desenho similar ao anterior e com menor casuística (699 pacientes) replicou os resultados acima, com risco relativo de infarto de 2,1 uma hora após a relação sexual e 4,4 nos pacientes sedentários 583.

Após infarto agudo do miocárdio, aproximadamente 25% dos pacientes interrompem sua atividade sexual e outros 50% reduzem a frequência da mesma584. O nível de satisfação após o ato sexual é diminuído, independentemente do paciente ser homem ou mulher585. Um estudo nacional, com 43 pacientes, atribuiu à idade e aos distúrbios psicológicos a redução da frequência de relações sexuais e a elevada incidência de disfunção sexual no período pós-infarto586. Tais problemas poderiam ser parcialmente solucionados se as orientações que os pacientes recebessem na alta hospitalar, após o evento coronariano, fossem objetivas e dirigidas especificamente ao assunto em questão587 .

Um estudo conduzido em Israel por Drory e cols., com 88 pacientes, avaliou a ocorrência de isquemia, durante a relação sexual, em homens após infarto agudo do miocárdio. Todos os pacientes com isquemia durante o ato sexual (30% deles, sob a forma de isquemia silenciosa) apresentaram isquemia ao teste ergométrico convencional. Pacientes sem isquemia ao teste ergométrico também não a apresentaram durante o coito588.

A literatura apresenta dados limitados e as recomendações são conflitantes no que tange ao reinício das atividades sexuais após IAM recente. Em 2000, o Princeton Consensus Panel sobre atividade sexual e risco cardíaco publicou recomendações sobre o retorno às atividades sexuais e o manejo da disfunção sexual em pacientes portadores de doença cardiovascular. Pacientes que apresentaram IAM não complicado foram considerados de baixo risco. Tais pacientes devem ser encorajados a reassumir ou iniciar suas atividades sexuais em curto espaço de tempo. IAM recente (inferior a 6 semanas) é classificado como de risco intermediário e necessita de avaliação cardiológica suplementar, com teste ergométrico e ecocardiografia para melhor definição do risco. Ainda nesse mesmo painel, foi definido alto risco para os pacientes com menos de duas semanas de IAM. Inicialmente, esses pacientes devem ser estabilizados com terapêutica apropriada antes da reavaliação adequada de seu risco real589. O segundo consenso de Princeton (Second Princeton Consensus Conference) referendou as observações anteriores, tendo assinalado que no grupo considerado de alto risco, atenção especial deve ser dedicada aos pacientes previamente sedentários que vão reiniciar atividade sexual após o evento agudo590.

Em pacientes estáveis, sem complicações, a atividade sexual com o(a) parceiro(a) habitual pode ser reiniciada em aproximadamente 7-10 dias232.

Um aspecto de suma importância refere-se ao tratamento da disfunção sexual usando inibidores da fosfodiesterase-5, como sildenafil e seus derivados. Esse medicamento possui duas importantes ações sobre o sistema cardiovascular: diminuir a pressão arterial e interagir com nitratos591. O sildenafil é uma droga vasodilatadora que, portanto, reduz a resistência vascular sistêmica. Pode diminuir a pressão arterial sistólica ao redor de 8,0 mmHg592, efeito que não é potencializado pelo uso de anti-hipertensivos com propriedades vasodilatadoras, como a amlodipina593. O sildenafil dilata as artérias coronárias epicárdicas e, em pacientes portadores de doença coronária, melhora a disfunção endotelial e inibe a ativação plaquetária594. Entre pacientes com isquemia induzida pelo exercício, sildenafil tem efeito benéfico intermediário entre o efeito do nitrato e o do placebo. Vardenafil e tadalafil são inibidores da fosfodiesterase mais seletivos e mais potentes que o sildenafil. Tais drogas parecem ser tão efetivas quanto o sildenafil no tratamento da disfunção erétil, bem como potenciam a resposta hipotensora aos nitratos. O uso concomitante de vardenafil ou tadalafil com agentes alfabloqueadores pode induzir hipotensão sintomática, não sendo recomendada esta associação595. Homens tratados com sildenafil e nitrato assumem risco significativo de hipotensão acentuada e síncope. É absolutamente contraindicado o uso de nitrato, sob qualquer forma de apresentação, num período de 24 horas antes ou após o uso de sildenafil, mesmo que o paciente apresente dor precordial596. Esse intervalo pode ser ainda maior nos portadores de insuficiência hepática ou renal ou nos usuários de nitratos de longa duração.

 

 

Pacientes que estejam assintomáticos após IAM não complicado podem, com razoável dose de certeza, retornar a suas atividades ao final da segunda semana pós-evento, embora os dados sejam limitados para guiar tal orientação232. O teste ergométrico deve ser sempre utilizado, desde que o paciente tenha condições para realizá-lo, com o objetivo de oferecer segurança ao paciente e ao cardiologista para a execução de atividades que requeiram algum esforço físico. Os impossibilitados de exercer esforço físico podem utilizar o estresse farmacológico associado a método com imagem (cintilografia ou ecocardiografia). Na pesquisa de isquemia silenciosa e distúrbios do ritmo cardíaco, a monitorização do ritmo pelo sistema Holter pode complementar as informações obtidas com o teste ergométrico.

 

8. Reabilitação pós-hospitalar

8.1 - Prescrição de exercícios

Até os anos 1960-1970, recomendava-se repouso de três semanas aos pacientes que se recuperavam de IAM, baseando-se no pressuposto de que o repouso facilitaria a cicatrização do miocárdio. Entretanto, observou-se que o repouso prolongado no leito resultava em alguns efeitos deletérios, sendo que os principais estão apresentados na Tabela 8.1.1.

 

 

O exercício físico pode aumentar a capacidade da função cardiovascular e diminuir a demanda de oxigênio miocárdico para um determinado nível de atividade física.

A reabilitação na fase aguda do infarto objetiva reduzir os efeitos deletérios do repouso prolongado no leito, controlar as alterações psicológicas e reduzir a permanência hospitalar597.

Além disso, a longo prazo, o exercício pode ajudar a controlar o hábito de fumar, a hipertensão arterial, a dislipidemia, o diabetes melito, a obesidade e a tensão emocional. Há evidências de que o exercício regular, realizado por longos períodos, associado a uma abordagem multidisciplinar envolvendo intervenções psicológicas, dietéticas e farmacológicas, pode influenciar a prevenção da aterosclerose e a redução de eventos coronários598 a partir da melhora da função ventricular599.

Dessa forma, a prescrição da atividade física deve ser individualizada, de acordo com o acometimento e características físicas de cada paciente. Em caso de arritmias diagnosticadas e angina presente, deve-se estabilizar o quadro antes do início das atividades físicas.

Uma avaliação médica adequada, educação e orientação reduzem o risco potencial da atividade física mais intensa.

8.2 - Objetivos

O principal objetivo do programa de reabilitação cardíaca é permitir aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível.

Outros objetivos: a) restaurar, em pacientes com doença cardiovascular, sua melhor condição fisiológica, social e laborativa; b) prevenir a progressão ou reverter o processo aterosclerótico; c) reduzir a morbidade e a mortalidade cardiovasculares; d) melhorar os sintomas de angina; e e) melhorar a classe funcional em pacientes com ICC600.

8.3 - Fisiopatologia do exercício na cardiopatia isquêmica

As respostas e adaptações fisiológicas ao exercício físico estão contempladas no Consenso de Reabilitação Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia601. Após um IAM, a capacidade funcional pode ser limitada por angina ou disfunção ventricular esquerda.

Nesses pacientes, programas de condicionamento físico resultam em melhora da capacidade funcional, além de redução da frequência cardíaca, pressão arterial sistólica e concentração plasmática de catecolaminas; melhora do perfil lipídico (HDL e triglicérides) e glicêmico, melhora da atuação do sistema fibrinolítico, redução da agregação plaquetária, além de vasodilatação central e periférica em intensidades submáximas de exercício602.

A reabilitação proporciona adaptações periféricas importantes para pacientes cardiopatas a partir das alterações de pós-carga, tais como: aumento dos capilares, da capacidade oxidativa, massa das fibras musculares, e vasodilatação da musculatura esquelética, proporcionando uma adaptação cardiovascular benéfica599.

Após programas de treinamento, o consumo de oxigênio do miocárdio é menor a uma mesma intensidade de exercício e os pacientes podem tolerar intensidades maiores de esforço, sem apresentar evidências de isquemia miocárdica.

Apesar de não haver evidência de formação de circulação colateral, programas de longa duração, com treinamento em intensidade elevada e intervenção dietética, podem melhorar o fluxo sanguíneo coronário, efeito que pode estar associado à regressão da aterosclerose ou à melhora da função endotelial824.

8.4 - Indicações e contraindicações, riscos e benefícios da reabilitação cardiovascular

O nível de limitação dos pacientes após IAM depende das complicações da fase aguda. A reabilitação cardíaca é indicada em todas as situações clínicas com evolução estável. As contraindicações para a reabilitação cardíaca estão apresentadas na Tabela 8.4.1.

 

 

Os benefícios da reabilitação nos grupos pós-IAM são: melhora da angina, atenuação de isquemia induzida pelo esforço, melhora da capacidade funcional e do controle dos fatores de risco e redução da mortalidade por todas as causas em 20%601.

Atualmente, as fases da reabilitação pós-IAM são divididas em: hospitalar e ambulatorial603.

8.5 - Teste ergométrico precoce pós-IAM

O teste ergométrico precoce, atenuado, está indicado como avaliação funcional antes da hospitalar no pós-IAM entre o quarto e o décimo dia do evento agudo em pacientes sem complicações graves. Suas principais finalidades estão descritas na Tabela 8.5.1604.

 

 

A seguir, na Tabela 8.5.2, estão descritas as principais contraindicações ao teste ergométrico precoce.

 

 

Os protocolos mais utilizados para esteira rolante são os de Naughton e Bruce modificado ou Sheffield, de baixas cargas iniciais, podendo progredir até cargas elevadas, sempre limitados pelos sintomas. O protocolo de rampa tem sido aplicado em nosso país em muitos centros e adapta-se muito bem ao objetivo da avaliação601. Utilizando-se o cicloergômetro, devem-se observar os mesmos princípios e cuidados referidos para o exame em tapete rolante. O teste cardiopulmonar também pode ser realizado na fase precoce pós-IAM, proporcionando dados diretos de consumo de oxigênio, classificando a capacidade funcional com maior fidelidade e possibilitando, assim, a prescrição de exercícios com mais eficiência605.

Com base na evolução clínica da fase aguda, no ecocardiograma, nos exames laboratoriais e nos resultados do teste ergométrico precoce, pode-se estratificar o risco desses pacientes para reabilitação cardíaca. A seguir, a Tabela 8.5.3 apresenta a estratificação do risco para a reabilitação cardíaca.

 

 

8.6 - Reabilitação ambulatorial

As atividades e os exercícios preconizados são determinados com base no consumo de oxigênio ou seu equivalente em METs, atingido antes de surgirem sintomas, alterações hemodinâmicas e/ou alterações eletrocardiográficas no teste ergométrico.

Para pacientes de moderado ou alto risco, recomenda-se que essa fase seja realizada dentro de um programa formal de reabilitação cardíaca supervisionada. Para pacientes de baixo risco, recomenda-se a caminhada com velocidade compatível com a capacidade funcional e com duração gradativamente crescente, começando com 10-15 minutos e podendo chegar a uma hora, de forma que a intensidade do esforço não exceda 70%-80% da capacidade funcional determinada pelo teste ergométrico.

8.7 - Prescrição do exercício ambulatorial

A prescrição de exercício deve ser individualizada, com base nos princípios gerais já descritos.

Pacientes de baixo risco podem ser adaptados a níveis mais elevados de intensidade de atividade física em menor período de tempo.

Algum tipo de monitorização eletrocardiográfica pode ser necessário para pacientes que apresentem arritmias desencadeadas ou agravadas pelo esforço e limiar baixo de isquemia silenciosa. Na presença de isquemia, recomenda-se monitorização por 6-12 sessões, até que se estabeleça o nível de tolerância ao exercício. A prescrição de exercícios deve levar em consideração critérios rígidos para pacientes coronariopatas, tais como: modo, frequência, duração, intensidade e progressão do esforço. Os exercícios devem ser isotônicos devido à sobrecarga cardiovascular imposta pelo esforço isométrico. No entanto, a associação de exercícios em aparelhos com o intuito de melhorar o tônus muscular pode ser útil, desde que respeitados os critérios para sua realização.

As atividades devem ser realizadas entre 3-5 vezes por semana, podendo ser intercaladas, mas sempre privilegiando as atividades aeróbicas. O início deve ser com 10-15 minutos de aquecimento (treinos de alongamento e flexibilidade), seguidos dos exercícios com duração de 20-60 minutos e por fim o resfriamento de 10-15 minutos.

A realização do exercício deve ser supervisionada com intensidade moderada, mantendo-se sempre entre 50%-80% da FC máxima adquirida no teste ergométrico antes da alta hospitalar e limitada a alterações sintomáticas, eletrocardiografias e hemodinâmicas. Já as atividades de tônus muscular devem respeitar os limites de 30%-40% da força voluntária máxima, sendo também limitadas por sintomas ou alterações eletrocardiográficas e hemodinâmicas.

Os pacientes devem ser reavaliados a cada 6-8 semanas e suas atividades readaptadas às novas condições cardiovasculares600-602.

8.8 - Intensidade da reabilitação na fase ambulatorial

A segurança de um programa de exercícios para pacientes pós-IAM depende, em grande parte, da intensidade prescrita. A prescrição do exercício em detalhes encontra-se disponível no I Consenso Nacional de Reabilitação Cardiovascular (Fase Crônica)601.

8.9 - Situações especiais

Alguns subgrupos de coronariopatas (revascularizados e pós-angioplastia) vêm sendo incorporados aos programas de reabilitação cardíaca, apresentando os mesmos benefícios fisiológicos e bases para prescrição do exercício físico discutidos anteriormente. No entanto, existem algumas particularidades. Nos pacientes revascularizados, deve-se adequar os exercícios, em uma fase inicial, às condições da cicatrização cirúrgica do tórax e dos membros inferiores. Modificações significativas do comportamento tanto fisiológico como clínico ao exercício físico sinalizam possível oclusão de ponte e devem ser prontamente reavaliados606.

angioplastia a possibilidade de ser frequentemente avaliado por um médico e de ter respostas fisiológicas e clínicas monitorizadas durante o exercício físico podem permitir rápida e objetiva identificação da presença de reestenose. Esses dois subgrupos de pacientes, quando bem-sucedidos em seus procedimentos e com teste ergométrico sem evidências de isquemia, habitualmente demandam menor necessidade de programa de exercício supervisionado sob monitorização eletrocardiográfica.

Aceita-se que os pacientes com infarto de parede anterior não são mais sujeitos a efeitos deletérios do exercício do que os pacientes com infarto em outras áreas do miocárdio607. Existem evidências de que pacientes com infarto prévio com disfunção ventricular esquerda não somente podem ingressar em programas de reabilitação cardíaca, como são os que mais auferem benefícios, notadamente da musculatura esquelética608.

A prescrição do exercício físico para esses pacientes é basicamente semelhante àquela feita para os pacientes com boa função ventricular609, sendo que, idealmente, ela pode ser mais bem quantificada a partir da determinação do limiar anaeróbio obtido por meio da ergoespirometria.

Em condições habituais, a observação clínica da presença de dispneia induzida pelo esforço é útil para ajustes na prescrição de exercício físico nesses pacientes.

8.10 - Reabilitação em populações especiais

Pacientes idosos - Embora a reabilitação cardíaca tenha seu valor comprovado no pós-IAM, os idosos frequentemente não têm sido incentivados a participar dos programas. Em um estudo randomizado sueco do Hospital Karolinska610, que incluiu pacientes recuperados de IAM entre 65-84 anos de idade, ficou demonstrado o aumento da tolerância ao esforço após um período de 3-12 meses de exercícios, bem como melhora da qualidade de vida, forma física, autoestima, e sensação de bem-estar no grupo reabilitado em relação ao grupo controle. Pacientes idosos também devem ser submetidos a exercícios de força, além dos habituais aeróbios, que fortalecerão a musculatura e o tônus, com consequente melhora do equilíbrio e do risco de quedas.

Diabetes melito- O treinamento regular tem sido indicado para pacientes diabéticos como método não farmacológico para diminuição da glicemia e melhora da tolerância à glicose. Como resultado, torna-se evidente a menor resistência à insulina, além da maior capacidade funcional611.

A prescrição do exercício usualmente não difere daquela de pacientes não diabéticos, a não ser que sejam classificados como grupos de risco, requerendo, então, programas supervisionados.

Deve-se ter cuidados especiais em portadores de retinopatia progressiva (hemorragias e descolamento de retina), neuropatia periférica (traumatismo de extremidades insensíveis) e neuropatia autonômica (maior risco de arritmias), evitando-se a prescrição de exercícios de alta intensidade e recomendando-se o uso de calçados e proteções especiais. Levar em consideração também o uso de fármacos hipoglicemiantes orais e insulina em relação ao tempo de início (evitar exercícios no pico de ação da insulina) do exercício e ao local de aplicação dos medicamentos (distante dos membros em exercício). Os valores de glicemia capilar devem ser aferidos antes do início da atividade e no caso de glicemia <100 mg/dl é importante fornecer um aporte de carboidrato e retardar o início da atividade. Já em valores de glicemia > 300 mg/dl, deve-se orientar hidratação vigorosa durante a atividade física612.

Insuficiência cardíaca - Pacientes com insuficiência cardíaca por disfunção sistólica podem apresentar acentuada redução da capacidade funcional. Alterações hemodinâmicas acompanham essa redução da capacidade funcional, com incompetência tanto cronotrópica como inotrópica, assim como a redução do fluxo sanguíneo para os músculos. As respostas ventilatórias também estão alteradas, resultando em aumento custo-energético para a ventilação.

A prescrição de exercícios deve ser baseada em testes preferencialmente cardiorrespiratórios, com medida direta do consumo de oxigênio. O teste ergométrico clássico, com baixas cargas, pode ser utilizado onde não se dispõe de ergoespirometria.

Alterações da musculatura esquelética incluem acúmulo de lactato em cargas baixas, redução do tamanho mitocondrial e capacidade oxidativa, atrofia de fibras tipo I, apoptose e respostas metabólicas inapropriadas613. Nesses pacientes, o treinamento físico aumenta a capacidade funcional máxima e submáxima, e a magnitude deste aumento é similar e adicional àquela obtida com terapia farmacológica. O condicionamento físico também induz reversão parcial, alterações autonômicas e musculares esqueléticas. Finalmente, dados recentes indicam que programas de reabilitação de pacientes com miocardiopatia isquêmica resultam em importante aumento da sobrevida (ref).

8.11 - Tipos de exercício

O exercício físico pode ser classificado quanto à mecânica muscular em dinâmico e estático. Exercícios dinâmicos envolvem contrações musculares repetidas contra baixa resistência (ex.: caminhar, correr, pedalar, nadar). Os exercícios estáticos envolvem contrações musculares, com poucas repetições contra resistência elevada (ex.: levantamento de peso). Na prática, a maioria dos exercícios inclui componentes estáticos e dinâmicos, habitualmente havendo predomínio de um sobre o outro.

As respostas hemodinâmicas são diferentes em exercícios que utilizam predominantemente os membros superiores ou os membros inferiores614. A Tabela 8.11.1 resume os valores de atividades físicas mais frequentes e suas equivalências de gasto energético em METs.

 

 

Outra forma de classificação de exercício físico envolve o tipo de metabolismo energético predominantemente utilizado: aeróbio ou anaeróbio. Exercícios aeróbios envolvem atividades de baixa intensidade e longa duração, enquanto exercícios anaeróbios envolvem atividades de alta intensidade e curta duração. Grande parte da literatura que dá suporte ao exercício físico na reabilitação de pacientes pós-IAM está baseada em estudos que se valeram de exercícios dinâmicos, aeróbios, os quais utilizavam predominantemente os membros inferiores. Entretanto, a experiência atual indica que exercícios de componente estático com os membros superiores também devem ser incorporados aos programas de reabilitação, desde que se utilize intensidade baixa e número elevado de repetições.

8.12 - Atividade esportiva após o infarto

A decisão sobre a liberação para a atividade desportiva após IAM é baseada na avaliação clínica e nos resultados dos exames complementares: teste ergométrico, ecocardiograma, eletrocardiograma, radiografia de tórax e exames laboratoriais. É importante a avaliação do anseio do paciente e qual atividade e principalmente qual desempenho ele espera atingir. Assim, podemos realizar uma estratificação de risco de acordo com a atividade física do paciente600.

Os pacientes classificados como sendo de baixo risco são liberados para atividades de alto rendimento. Os pacientes considerados de moderado e alto risco devem evitar os esportes competitivos. Esportes coletivos, como voleibol modificado, são recomendados apenas como recreação. Futebol e basquete não são recomendados. Esportes individuais, como tênis e squash, não são recomendados inicialmente615.

A prática de natação e hidroginástica merece alguns cuidados. Apesar de ideal para os obesos, pode gerar alguns problemas para o coronariano, como bradicardia reflexa vagal e arritmias complexas. O choque térmico pode causar espasmos arteriais. A zona-alvo da frequência cardíaca de treinamento deve ser reduzida em 10 batimentos, em decorrência de reflexo vagal de imersão da face. Pacientes infartados que não possuam prévio domínio da técnica natatória devem ser desaconselhados à prática da natação, sendo-lhes permitida hidroginástica.

Deve-se prestar atenção às mínimas modificações nos sintomas e sinais ou alterações nos exames de reavaliação indicativas da progressão da doença aterosclerótica coronária. Deve-se orientar o paciente, esclarecendo que eventuais sintomas podem ser relacionados à equivalente isquêmico e, portanto, relatados assim que ocorrerem.

As medicações utilizadas pelos pacientes que desejam realizar atividades antiagregantes plaquetários é frequente e apresenta riscos de sangramento para esportes de contato. O uso de betabloqueadores e diuréticos podem alterar a performance em pacientes com atividades de alto rendimento, em decorrência de bradicardia e desidratação, respectivamente. Portanto, devemos avaliar o esporte que será realizado, adaptá-lo à nova condição do indivíduo ou, em último caso, contraindicar a atividade600.

Os pacientes, mesmo de baixo risco, devem ser desaconselhados a praticar atividades competitivas notadamente até 6 meses após o evento. Após esse período, não há evidências que apoiem a contraindicação.

8.13 - Adesão aos programas de reabilitação

O sucesso de qualquer intervenção de prevenção secundária está diretamente relacionado à aderência ao tratamento. Os índices de aderência aos programas de reabilitação cardíaca após IAM excedem a 80% nos três primeiros meses, caindo para 60%-71% no sexto mês, para 60% aos 12 meses e para 30%-40% entre o segundo e o quarto ano. A insistência do médico assistente e a integração da equipe multidisciplinar ao atendimento aos pacientes, por meio de esclarecimento e controle dos fatores de risco, têm demonstrado aumento na adesão ao tratamento.

No programa de reabilitação do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, foi aplicado um questionário a todos os pacientes que estavam no programa há mais de 10 anos, que revelou que 90% iniciaram o programa por indicação médica e apenas 10% por iniciativa própria. Após esse período, evidenciou-se que 90% deles mantinham-se no programa devido à sensação de bem-estar e apenas 10% por indicação médica599. Portanto é essencial a abordagem multiprofissional dos pacientes encaminhados à reabilitação, assim como a participação do cardiologista do paciente em todo o processo599.

8.14 - Conclusões

Aumento da capacidade funcional, redução de sintomas, benefício psicológico, auxílio no controle de fatores de risco, retorno mais precoce ao trabalho e aumento da sobrevivência justificam o emprego sistemático da reabilitação no tratamento do IAM, em todas as fases, considerando sua excelente relação custo/efetividade.

A orientação fundamental a ser dada pelo cardiologista é a de que a reabilitação após o infarto não se limita a programas formais e sofisticados, mas à mudança do estilo de vida, abrangente em relação aos fatores de risco controláveis, e à marcada convivência com movimentos de qualquer espécie em relação às atividades cotidianas.

 

 

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