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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.94 no.2 São Paulo Feb. 2010  Epub Jan 15, 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2010005000002 

ARTIGO ORIGINAL
CORONARIOPATIA CRÔNICA

 

Prevalência de estenose carotídea em pacientes com indicação de cirurgia de revascularização miocárdica

 

 

Marcelo Pereira da Rosa; Vera Lúcia Portal

Instituto de Cardiologia do RS/ FUC, Porto Alegre, RS - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: Embora a aterosclerose carotídea seja a principal causa de acidente vascular cerebral, a prevalência de estenose clinicamente significativa (>50%) permanece desconhecida em nosso meio, principalmente em indivíduos com indicação de cirurgia eletiva de revascularização do miocárdio.
OBJETIVO: Identificar a prevalência e o grau de estenose carotídea em indivíduos com indicação de cirurgia de revascularização miocárdica em um centro de referência em cardiologia no Brasil.
MÉTODOS: Estudo transversal no qual 457 pacientes consecutivos e de ambos os gêneros foram avaliados, entre maio de 2007 e abril de 2008, através de ultrassonografia com Doppler em cores de artérias carótidas, no pré-operatório de cirurgia de revascularização miocárdica eletiva. Para a análise estatística foi usado o programa SPSS 10.1. Um valor-p<0,05 foi considerado significativo. Houve perda de 7 pacientes no decorrer do estudo.
RESULTADOS: A média de idade (±desvio padrão) foi de 62,2 ± 9,4 anos sendo que 65,6% eram do gênero masculino. A prevalência de estenose carotídea significativa foi de 18,7%. Quanto à estratificação do grau de estenose carotídea: ausência de estenose ocorreu em 3,6%, estenose inferior a 50%, em 77,8%, estenose entre 50% e 69% em 11,6%, estenose entre 70% e 99% em 6,9% e oclusão da artéria em 0,2%. A sensibilidade e especificidade em relação ao sopro carotídeo foram, respectivamente, 34,5% e 88,8%.
CONCLUSÃO: A prevalência de estenose carotídea significativa foi alta na amostra estudada, sugerindo tratar-se de população de alto risco para acidente vascular cerebral.

Palavras-chave: Estenose das carótidas, doenças das artérias carótidas/diagnóstico, ponte de artéria coronária


 

 

Introdução

A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica, sistêmica, complexa e multifatorial, que pode se manifestar simultaneamente em mais de um sítio do leito arterial. Dependendo dos locais onde a placa aterosclerótica se desenvolver, o prognóstico do indivíduo poderá ser diferente.

O avanço técnico, cirúrgico e anestésico da cirurgia cardíaca é indiscutível, mas a complicação neurológica, principalmente o acidente vascular cerebral (AVC), secundária à estenose carotídea significativa (ECS), segue preocupando as equipes assistenciais e todas as estratégias devem ser usadas para reduzi-la no perioperatorio1-3.

O AVC constitui a segunda maior causa de morte entre as doenças vasculares, sendo superado somente pelas síndromes isquêmicas coronarianas. No Brasil, é a terceira causa, após o câncer e as doenças cardíacas, estimando-se que ocorram cerca de 250 mil por ano4. É uma doença muitas vezes incapacitante, de considerável impacto socioeconômico, familiar e, por conseguinte, na qualidade de vida5. Das vítimas, um terço evolui de forma satisfatória, um terço morre e o restante sobrevive com sequelas.

Apesar da magnitude do problema, é desconhecida, em nosso meio, a prevalência de estenose carotídea significativa e permanece a controvérsia sobre a necessidade de investigação de rotina da mesma no pré-operatório de cirurgia de revascularização miocárdica (CRM), tendo em vista o alto custo e as condições socioeconômicas desfavoráveis do nosso país.

Sendo assim, pretendemos avaliar, prospectivamente, a prevalência e o grau de estenose carotídea em pacientes com doença coronariana grave com indicação de CRM em um centro de referência em cardiologia no Brasil.

 

Metodologia

Estudo transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa local e realizado numa unidade de internação do Sistema Único de Saúde (SUS). A coleta dos dados iniciou em maio de 2007 e terminou em abril de 2008.

Os pacientes internados ou referidos, que tinham indicação de CRM6,7, foram convidados a participar da triagem de EC no pré-operatório.

Após a assinatura do termo de Consentimento Informado Livre e Esclarecido, responderam a um questionário para identificação detalhada da história médica atual e pregressa, história familiar de doença aterosclerótica, história pessoal de hipertensão arterial sistêmica (pressão sanguínea >140/90 mmHg ou uso de anti-hipertensivo), dislipidemia (colesterol total >200mg/dL, HDL-C <40mg/dL e/ou triglicerídeos >150mg/dL e/ou uso de hipolipemiante), diabetes mellitus (controlado por dieta; uso de hipoglicemiante oral, insulina; nível de glicose em jejum >126mg/dl), obesidade (índice de massa corporal >30Kg/m²), tabagismo (nunca, parou um mês antes da hospitalização ou atual) e uso de medicações, com base na Diretriz de Avaliação Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia8, aplicado pelo pesquisador principal.

Foram examinados no pré-operatório, com ênfase para a palpação de frêmito e ausculta de sopro cervical (buscando excluir sopro cardíaco irradiado). Os dados antropométricos foram anotados, além de informações sobre a anestesia e o procedimento cirúrgico.

Após a avaliação clínico-laboratorial de rotina, os pacientes realizaram ultrassonografia com Doppler em cores de artérias carótidas, executados por três médicos com área de atuação em ultrassonografia vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular / Colégio Brasileiro de Radiologia, cegos para qualquer dado de história clínica ou de exame físico do paciente e que adotaram critérios iguais para o diagnóstico de EC.

O exame foi realizado em aparelho de ultrassom (GE Logiq 500; General Electric Medical Systems, Milwaukee, WI) com transdutor linear de alta frequência de 7,5 MHz e convexo de 3,75 MHz, apropriado para casos de bifurcação carotídea alta, tortuosidades arteriais ou pescoço curto.

Foi realizada a ultrassonografia modo B (escala de cinza), inicialmente, para avaliação anatômica. A seguir, a análise espectral com modo Doppler colorido e power Doppler foi avaliada para medir a potência (amplitude) do sinal recebido e exame da dinâmica do fluxo, além da detecção da forma da onda da velocidade sanguínea (análise espectral). Ao final, para averiguar o grau de estenose das artérias carótidas, foram usados ambos os critérios supracitados (imagem e velocidade), conforme o último consenso para estenose de artéria carótida interna por ultrassonografia de Doppler 9.

O principal indicador utilizado para a pesquisa de estenose foi a medida da velocidade de fluxo associada à identificação de placas ateroscleróticas no bulbo e na emergência da artéria carótida interna (ACI). Os critérios para doença carotídea foram os seguintes: ausente (velocidade de pico sistólico -VPS- da ACI <125 cm/s e ausência de placa ou de estenose visíveis); leve, entre 0% e 49% de estenose (frequência de pico <4 MHz =125 cm/s e placa ou estenose visíveis); moderado, entre 50% e 69% (frequência de pico >4 MHz e placa visível); severo, entre 70% e 99% (VPS da ACI >230 cm/s e placa ou estenose visíveis) e oclusão, 100% (ausência de sinal ao Doppler colorido, espectral, power Doppler ou imagem em escala de cinza)10.

Foram usados dois parâmetros adicionais para aferição da estenose, quando: a- a VPS da ACI não fosse representativa em relação à extensão da doença por fatores técnicos ou clínicos; b- estenose de alto grau no lado oposto; c- discrepância entre o aspecto visual e a velocidade diastólica final (VDF) da ACI; d- velocidade de fluxo da artéria carótida comum (ACC) aumentada; e- estado cardíaco hiperdinâmico; f- baixo débito11.

Esses parâmetros foram (Tabela 1):

1) a relação da VPS da ACI pela VPS da ACC,

2) a VDF da ACI.

Análise estatística

Para a análise estatística, houve conferência de todos os dados digitados e utilizado o programa SPSS 10.1 (SPSS Inc, Cary, NC).

As variáveis contínuas foram expressas em média ± desvio padrão (DP), comparadas por teste t de Student bicaudado.

Os testes de qui-quadrado ou exato de Fisher foram usados para comparar as variáveis categóricas: pacientes com ausência de EC hemodinamicamente significativa e doença arterial coronariana (DAC) versus pacientes com coexistente EC e DAC.

Um valor p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo.

Para o cálculo do tamanho da amostra (n), considerando-se um erro beta de 20% e uma frequência esperada de 7,9%, eram necessários, no mínimo, 372 indivíduos para se obter diferença estatística (valor p<0,05) em relação aos preditores independentes de AVC.

Este trabalho foi realizado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul.

 

Resultados

Embora tenham sido observadas diferenças entre muitas variáveis na prevalência de EC, não se mostrando estatisticamente significativas, ao contrário dos achados de exame físico de circunferência abdominal (p=0,007) e sopro carotídeo (p<0,001).

O sopro carotídeo esteve relacionado à estenose hemodinamicamente significativa em 29 (34,5%) doentes com EC significativa e em 41 (11,2%) naqueles com EC inferior a 50%.

Em relação à presença de sopro carotídeo, a sensibilidade foi de 34,5%, especificidade de 88,8%, valor preditivo positivo de 41,4% e negativo de 85,5%, razão de verossimilhança positiva de 3,1% e negativa de 0,73% para estenose hemodinamicamente significativa. A razão de chances para doentes com sopro carotídeo foi 4,24 vezes maior para estenose hemodinamicamente significativa.

A prevalência foi de 18,7% de EC >50%, no total de pacientes estudados.

De acordo com o grau de estenose (Tabela 3), 77,8% (350) dos pacientes apresentaram estenose <50%, 11,6% (52), estenose entre 50-69%, 6,9% (31), estenose entre 70-99% e 0,2% (01) dos pacientes com oclusão de artéria carótida. O exame foi normal em 3,6% (16) dos pacientes.

 

Tabela 2

 

 

 

Discussão

No nosso estudo, a prevalência de EC foi elevada (18,7%) mesmo se comparada a outros estudos com pacientes com doença coronariana, onde se encontrou de 4 a 17% de estenose hemodinamicamente significativa11-15. Este fato pode expressar a melhora no método diagnóstico, ou ainda estar relacionado à maior gravidade dos doentes com acesso a esta instituição.

Se o paciente com doença arterial coronariana apresenta um sopro carotídeo, apesar de ser um achado com baixa sensibilidade, há entre 30 e 50% de possibilidade de que a estenose seja superior a 50% ao exame de ultrassom16. Neste estudo, pacientes com sopro carotídeo apresentaram risco 4,24 vezes maior para estenose hemodinamicamente significativa, o que reforça a importância do exame físico.

Não houve diferença estatisticamente significativa com relação aos fatores de risco para doença carotídea em coronariopatas graves, quanto ao gênero, idade, antecedentes de tabagismo, dislipidemia, hipertensão arterial, antecedentes familiares de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Embora a diferença de incidência de EC entre homens e mulheres seja aparentemente grande, esta não se apresentou estatisticamente significativa, provavelmente devido à casuística reduzida. O mesmo pode ser verdade em relação a fatores de risco clássicos como o tabagismo, doença arterial obstrutiva periférica, dislipidemia e idade.

A ultrassonografia é o método (escolhido para este estudo) complementar, de primeira escolha, não invasivo empregado no diagnóstico da doença aterosclerótica carotídea, com sensibilidade de 90% a 98% e especificidade próxima a 95%, semelhantes à angiografia por ressonância magnética17, notadamente nas estenoses >70%18. Apresenta o menor custo e provém as informações essenciais para delinear a anatomia intraluminal, além de ter boa reprodutibilidade, não exigir preparação, poder ser realizada à beira do leito, embora seja profissional-dependente19. Além disso, potencialmente, estende o procedimento diagnóstico para uma população muito maior com doença assintomática20.

Mas, neste contexto, sabemos que a maioria dos pacientes no nosso meio não tem acesso ao diagnóstico da EC previamente à CRM, notadamente aqueles oriundos do SUS.

O manejo da doença cerebrovascular demonstrou claramente que a cirurgia, associada à melhor terapêutica clínica, comparada somente com a última, reduz significativamente o risco de infarto cerebral em pacientes sintomáticos com placas de ateromas na bifurcação carotídea, que provocam estenose entre 70% e 99%21.

Por exemplo, pacientes com grau de EC entre 70% e 99%, evidenciada por arteriografia, sintomáticos, com sinais neurológicos hemisféricos ou oculares não incapacitantes, iniciados nos últimos 120 dias, comprovados e com duração superior a 24 horas, submetidos à endarterectomia, indicada somente pelo percentual de estenose, tiveram redução de risco absoluto para desfechos combinados de morte ou AVC, acima de 15% em cinco anos, mesmo com um risco perioperatório de AVC e morte de 6%, produzindo um número necessário para tratar (NNT) de 6,3 (Intervalo de Confiança de 95%; 5-9)22-24. Esta conclusão tem nível de evidência A25.

Por outro lado, os pacientes sem sinais neurológicos como AVC ou isquemia transitória, com estenose de 60% a 99% submetidos ao tratamento cirúrgico obtiveram uma redução de risco absoluto próximo de 5,5% em cinco anos e com um NNT de 20, considerando um risco combinado perioperatório de 2% a 3%. Aparentemente, as mulheres teriam um benefício menor, e por isso uma análise em dez anos é necessária26,27.

A CRM, em pacientes com estenose severa de artéria carótida interna (ACI), é associada com AVC em 2% a 3%12, aumentando para 7% na CRM combinada às cirurgias das valvopatias1. Isto pode ser evitado em 40% a 50% dos casos, sendo uma das mais temíveis complicações perioperatórias, com uma mortalidade de até 38%2.

Os cuidados maiores, na CRM, devem ser direcionados para os pacientes com estenoses de alto grau em artéria carótida que, quando colocados em circulação extracorpórea, podem sofrer uma queda de pressão ou de fluxo distais tão acentuados a ponto de gerar um evento isquêmico, por resposta vasodilatadora devido à baixa perfusão.

Em vários locais, a prevalência de EC é variável em candidatos à CRM. No Brasil, há relato de um único estudo com amostra de 50 pacientes, sendo que a taxa foi de 48% e 32% em pacientes com EC >50 e >70%, respectivamente28.

A triagem para EC, sobretudo em assintomáticos29, combinada com revascularização cerebral profilática ou não30 reduz a taxa de AVC tanto no intra quanto no pós-operatório.

O screening também pode ajudar no diagnóstico e seguimento dos casos em que há indicação de tratamento conservador, porque a EC é um marcador de risco per se que persiste independente de seu tratamento31 e uma oportunidade para observar a saúde vascular em geral32. Para prevenção do AVC, a identificação e a quantificação da EC são de primeira importância33.

A presença de significante EC pode mudar a conduta cirúrgica com riscos e custos aceitáveis, sendo estes semelhantes tanto nas cirurgias concomitantes34 quanto na revascularização carotídea com CRM subsequente35.

Alguns autores recomendam o estudo da doença carotídea em todos os pacientes candidatos à CRM14. Outros, somente em casos de alto risco: idade superior a 65 anos36, sopro cervical ao exame físico, AVC ou ataque isquêmico transitório prévios, doença arterial obstrutiva periférica, hipertensão arterial sistêmica, estenose do tronco da artéria coronária esquerda, história de tabagismo, diabete mellitus e aterosclerose do arco aórtico37.

Implicações clínicas

A angiografia é o método tradicional e padrão-ouro para avaliação cérebro-vascular em pessoas com sintomas, mas devido ao custo elevado38, risco de AVC e outras complicações39, o uso exclusivo de exames não invasivos tem sido defendido19.

A doença cerebrovascular permanece sob monitorização bastante intensa e novas técnicas, como o manejo endovascular e o tratamento farmacológico da aterosclerose, estão em pleno desenvolvimento. A busca por reduções na morbimortalidade e nos custos deve incluir a parcela que diz respeito à investigação. Dessa forma, o esforço pela utilização criteriosa dos métodos diagnósticos e a consequente diminuição dos gastos e das complicações decorrentes, contribuem para um tratamento mais satisfatório.

 

Conclusão

A prevalência de estenose carotídea foi elevada neste estudo, sugerindo tratar-se de população de alto risco e que pode se beneficiar do diagnóstico prévio da doença.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de dissertação de Mestrado de Marcelo Pereira da Rosa pelo programa de Pós-graduação do Instituto de Cardiologia do RS/Fundação Universitária de Cardiologia.

 

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Correspondência:
Marcelo Pereira da Rosa
Av. Princesa Isabel, 370 - Santana
90620-001 - Porto Alegre, RS - Brasil
E-mail: verap.pesquisa@cardiologia.org.br , editoracao-c@cardiologia.org.br

Artigo recebido em 15/01/09; revisado recebido em 07/05/09; aceito em 07/07/09.

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