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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.94 no.4 São Paulo Apr. 2010  Epub Mar 26, 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2010005000018 

ARTIGO ORIGINAL
DUPLEX-SCAN/ULTRASSONOGRAFIA VASCULAR DOPPLER

 

Índice de resistividade renal como preditor da revascularização renal para hipertensão renovascular

 

 

Simone N. SantosI; Luiz R. LeiteI; Tak Sun TseII; Rebecca BeckII; Robert A. LeeII; Roger F. J. ShepherdII

IHospital Brasília, Brasília, DF - Brasil
IIMayo Clinic and Mayo Foundation, Rochester Minnesota

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: A estenose arterial renal (EAR) é uma causa potencialmente reversível de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e nefropatia isquêmica. Apesar da revascularização bem sucedida, nem todos os pacientes (pt) apresentam melhora clínica e alguns podem piorar.
OBJETIVO: O presente estudo se destina a avaliar o valor do índice de resistividade renal (IR) como preditor dos efeitos da revascularização renal.
MÉTODOS: Entre janeiro de 1998 e fevereiro de 2001, 2.933 pacientes foram submetidos ao duplex ultrassom renal. 106 desses pacientes apresentaram EAR significativa e foram submetidos a angiografia e revascularização renal. A pressão arterial (PA) foi medida antes e depois da intervenção, em intervalos de até 2 anos e as medicações prescritas foram registradas. Antes da revascularização, o IR foi medido em 3 locais do rim, sendo obtida uma média dessas medições.
RESULTADOS: Dos 106 pacientes, 81 tiveram IR<80 e 25 RI>80. A EAR foi corrigida somente por angioplastia (PTA) em 25 pts, PTA + stent em 56 pts e cirurgicamente em 25 pts. Dos pacientes que se beneficiaram da revascularização renal; 57 dos 81 pacientes com IR <80 apresentaram melhora em comparação a 5 de 25 com IR > 80. Usando um modelo de regressão logística múltipla, o IR esteve significativamente associado à evolução da PA (p = 0,001), ajustado de acordo com os efeitos da idade, sexo, PAS, PAD, duração da hipertensão, o tipo de revascularização, número de fármacos em uso, nível de creatinina, presença de diabete melito, hipercolesterolemia, volume sistólico, doença arterial periférica e coronariana e tamanho renal (OR 99,6-95%CI para OR 6,1-1.621,2).
CONCLUSÃO: A resistividade intrarrenal arterial, medida por duplex ultrassom, desempenha um papel importante na predição dos efeitos pós revascularização renal para EAR.

Palavras-chave: Estenose da artéria renal, hipertensão renovascular, insuficiência renal, rim/cirurgia.


 

 

Introdução

A doença vascular renal por estenose arterial renal (EAR) é uma importante causa de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e nefropatia isquêmica. A EAR acomete cerca de metade dos pacientes com hipertensão arterial secundária, sendo também uma causa comum e crescente da fase final da doença renal.

A aterosclerose ocorre em 70% desses pacientes, sendo a displasia fibromuscular (DFM) a segunda maior causa de doenças oclusivas, encontrada entre 20% a 25% desses pacientes1,2. Embora a prevalência seja de apenas 1% a 6% nos pacientes hipertensos3, é uma causa possivelmente curável de HAS e insuficiência renal isquêmica.

Relatos sobre a história natural da EAR mostraram progressão da EAR em 30% a 53% dos pacientes monitorados por até 10 anos4,5. A perda de massa renal também é uma importante consequência de estenose de alto grau6. Está claro que a EAR é uma doença progressiva, e que essa progressão pode ser rápida em alguns pacientes.

Infelizmente, apesar do sucesso da revascularização renal, nem todos os pacientes apresentaram melhora no controle da pressão arterial e/ou função renal7. O duplex ultrassom foi utilizado para avaliar os resultados e acompanhar intervenções cirúrgicas e endovasculares8,9. O principal objetivo da nossa investigação foi avaliar o índice de resistividade renal (IR), através do duplex ultrassom (US), como preditor dos efeitos da revascularização em pacientes com doença renovascular, em um centro de atendimento terciário.

 

Métodos

Avaliamos 2.933 pacientes que se submeteram a duplex ultrassom (US) da artéria renal entre janeiro de 1998 e fevereiro de 2001. Para uma análise mais aprofundada por estudo retrospectivo, selecionamos 108 pacientes que se encaixassem nos critérios do nosso estudo, que incluíam: HAS, EAR superior a 60% no duplex US e pacientes que tivessem se submetido à revascularização renal por angioplastia, implante de stent ou cirurgia. Dois pacientes não consentiram a proposta da pesquisa e foram excluídos. A população do nosso estudo foi composta de 106 pacientes.

As características clínicas dos pacientes e os resultados do ultrassom foram comparados em dois grupos de pacientes: pacientes com IR inferior a 80 e IR superior ou igual a 80. As características clínicas foram: idade, sexo, índice de massa corporal, tabagistas, gravidade e duração da HAS, níveis pressóricos antes da intervenção e visitas de acompanhamento por 2 anos. Também verificamos a presença de história familiar de HAS, diabete melito (DM), hipercolesterolemia, doença arterial coronariana, doença arterial periférica, doença arterial da carótida e artéria mesentérica. Considerou-se a presença da DM se o paciente estivesse sendo tratado com insulina ou hipoglicemiantes orais, ou se glicemia em jejum superior a 7,0 mmol/l (126 mg/dl). Considerou-se a presença da dislipidemia caso o colesterol total (CT) fosse superior a 6,21 mmol/l (240 mg/dl), níveis de triglicerídeos superior a 2,26 mmol/l (200 mg/dl), ou HDL inferior a 1,03 mmol/l (40 mg/dl). As funções renais foram analisadas pelos níveis séricos creatinina antes da intervenção e em visitas de acompanhamento por até 2 anos. Foram feitos registros sobre a quantidade e o tipo de medicação antes e após a intervenção. O ultrassom renal no equipamento doppler foi feito com SequoiaTM (Siemens Medical Solutions USA Inc., Ultrasound Division, Mountain View, CA). Os resultados analisados ao ultrassom da aorta e da artéria renal com doppler foram: diâmetro aórtico; velocidade sistólica de pico na aorta abdominal; tamanho do rim; grau de estenose; velocidade sistólica de pico, velocidade diastólica final, tempo de aceleração no pólo renal superior, médio e inferior (3 pontos de cada rim e a média obtida). Com essas medições, o índice de resistividade foi calculado utilizando a seguinte equação: [1-(velocidade diastólica final ÷ velocidade sistólica de pico)] x100. Todos os resultados do ultrassom com Doppler foram considerados como uma média das 3 medições. A taxa de sucesso técnico do procedimento e suas complicações também foram avaliadas.

Análise estatística

Dados contínuos foram expressos como média ± desvio padrão. A análise estatística foi feita utilizando o pacote SPSS. Comparações univariadas dos fatores de risco e outras variáveis dicotômicas entre os grupos de estudo foram feitas como teste qui-quadrado2. Medições contínuas foram avaliadas com o teste de Wilcoxon ou teste t, conforme apropriado. A regressão logística passo a passo foi utilizada para determinar a associação das fortes covariantes ao IR.

 

Resultados

A população composta por 106 pacientes apresentava idade média de 70 anos, 66 mulheres e 40 homens. Três quartos dos pacientes apresentavam HAS de início recente (22,6%) ou recente piora dos níveis pressóricos (56,6%). Quase metade dos pacientes apresentava doença arterial renal bilateral (44,3%). A etiologia mais comum da EAR foi ASO em 85% dos pacientes e 15% deles apresentavam DFM.

O tratamento escolhido foi angioplastia arterial renal em 24% dos pacientes, cirurgia em 24% e angioplastia arterial renal/colocação de stent em 56%.

Dividimos os 106 pacientes em dois grupos com base no IR: Baixo IR (<80) - 81 pacientes; alto RI (>80) - 25 pacientes. Os resultados encontram-se na Tabela 1. Os Pacientes com baixo IR foram mais jovens do que os pacientes com alto IR (68,7 anos x 74,3 anos - p=0,009). Pacientes com IR alto foram mais propensos a ter doença arterial periférica (23,5% x 56%- p=0,005) e doença arterial coronariana (33,3% x 56%- p=0,006) do que os pacientes com baixo IR. Os Pacientes com alto IR apresentaram HAS com maior duração do que pacientes com baixo IR (38,4 meses x 56 meses - p=0,005). Os pacientes com alto IR apresentaram maior pressão de pulso que os pacientes com baixo IR (82,7 mmHg x 102 mmHg - p=0,0003).

 

 

A evolução da PA foi considerada como insignificante, melhora e cura (Figura 1). Em 81 pacientes com baixo IR, a maioria melhorou (57 pacientes) e 2 foram curados; 22 pacientes apresentaram efeitos insignificantes. Em 25 pacientes com alto IR, 20 demonstraram efeitos insignificantes e apenas 5 melhoraram. Além disso, observando a evolução da PA após a revascularização, houve uma significativa diferença na pressão sistólica, sendo maior para pacientes com alto IR (157 mmHg x 143 mmHg - p=0,04).

 

 

Após a revascularização, pacientes com baixo IR precisaram de menos medicações para o controle da PA do que pacientes com alto IR (Figura 2).

 

 

Quanto aos efeitos na creatinina, não observamos diferenças entre os grupos.

Na análise multivariada por regressão logística (Figura 3), usando todas as possíveis variáveis preditoras no modelo, concluímos que o IR foi o melhor preditor para a ausência de melhora da PA (OR 99,6 - 95%CI 6,1-1621,2).

 

 

Discussão

A doença vascular renal devido à EAR é a causa mais comum de hipertensão secundária. A ASO representa 70% desses pacientes e a DFM é a segunda maior causa de doenças oclusivas encontradas em 20% a 25% desses pacientes2. Encontramos um padrão de distribuição similar na etiologia desses pacientes.

As taxas de patência após a correção cirúrgica da EAR são provavelmente melhores do que a angioplastia10. Melhores resultados técnicos foram ainda observados em pacientes tratados com stents do que somente com a angioplastia11-13. Porém o sucesso técnico da revascularização renal não garante uma melhora no controle da pressão arterial ou da função renal. De fato, a cura da HAS após a revascularização renal não é frequente, sendo mais comum em pacientes com DFM do que em pacientes com ASO (63% x 30,6%). Após a revascularização cirúrgica ou percutânea, a função renal melhora em 40 a 55% dos pacientes piorando em 14 a 30%1. A experiência da clínica Mayo em 320 pacientes examinou os efeitos clínicos da revascularização renal onde 70% dos pacientes com aterosclerose se beneficiaram, mas apenas 8% obtiveram cura. Em pacientes com DFM, 63% apresentaram melhora, porém apenas 22% obteve cura14. No nosso estudo, dos 81 pacientes com baixo IR, a maioria apresentou melhora (57 pacientes) e 2 obtiveram cura; 22 pacientes apresentaram efeitos insignificantes. Em 25 pacientes com alto IR, 20 demonstraram efeitos insignificantes e apenas 5 melhoraram.

Uma possível razão para um efeito ruim da revascularização arterial renal pode ser uma resistividade vascular maior no parênquima renal, devido à nefrosclerose ou glomerulosclerose decorrente da hipertensão de longa data. O duplex ultrassom também foi utilizado para avaliar os resultados clínicos e acompanhar intervenções cirúrgicas e endovasculares renais5,15,16. Poucos estudos investigaram se um alto nível de resistividade ao fluxo nas artérias renais segmentais medido, pelo duplex US, poderia ser usado para selecionar pacientes apropriados para tratamento17-19. Esse estudo correlacionou um IR alto, medido pelo duplex US, com a não melhora da HAS após a revascularização arterial renal.

Nosso estudo mostrou que pacientes com IR alto tinham idade mais avançada, maior probabilidade de aterosclerose coexistente em outros leitos como as artérias periféricas e as artérias coronárias e apresentavam maior duração de HAS e pressão de pulso alta. Esses resultados podem ser úteis na identificação de um grupo de pacientes com maior probabilidade de melhora da HAS após revascularização arterial renal. Embora pacientes com alto IR sejam de maior risco clínico, a análise multivariada mostrou que o IR foi o preditor independente mais eficiente para ausência de melhora da HAS [OR 99,6 (95%CI 6,1-1621,2)]. Pacientes mais jovens [OR 0,88 (95%CI 0,78-0,99)], PS mais alta [OR 1,08 (95%CI 1,01-1,16)] e maior número de medicações antes da intervenção [OR 2,26 (95%CI 1,06-4,83)] também estavam independentemente relacionados a piores efeitos com menor relevância significativa.

 

Conclusão

Para concluir, um alto índice de resistividade do parênquima renal está associado a idades mais avançadas, doença da artéria coronária, doença arterial periférica, hipertensão de longa data, e elevada pressão de pulso alta. O índice de resistividade renal é um preditor mais eficiente dos efeitos na HAS após revascularização da artéria renal do que qualquer fator clínico. Um alto índice de resistividade renal está relacionado a um pior resultado após a revascularização da artéria renal, podendo ser um marcador útil para pacientes com menor probabilidade a se beneficiarem da intervenção arterial renal.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

 

Referências

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Correspondência:
Simone Nascimento dos Santos
SMDB CJ 16 Lote 5 Casa A - Lago Sul
71680-160 - Brasília, DF - Brasil
E-mail: simonens@cardiol.br, sns2003@uol.com.br

Artigo recebido em 24/03/09; revisado recebido em 27/07/09; aceito em 10/08/09.

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