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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.94 no.4 São Paulo Apr. 2010 Epub Mar 26, 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2010005000017 

ARTIGO ORIGINAL
TOMOGRAFIA/RESSONÂNCIA

 

Fibrose miocárdica em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica com alto risco para morte súbita cardíaca

 

 

Afonso Akio Shiozaki*; Tiago Senra*; Edmundo Arteaga; Cristiane Guedes Pita; Martino Martinelli Filho; Luis Francisco R. Ávila; José Rodrigues Parga Filho; Charles Mady; Carlos Eduardo Rochitte

Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: A estratificação de risco para morte súbita na cardiomiopatia hipertrófica (CMH), continua a ser um verdadeiro desafio devido à grande heterogeneidade da sua apresentação, em que a maioria dos indivíduos permanecem assintomáticos por toda sua vida e outros apresentam a morte súbita como primeiro sintoma. Recentes trabalhos vêm sugerindo que a fibrose miocárdica pode constituir-se em um importante substrato para as arritmias ventriculares malignas, responsáveis pela morte súbita nesta doença.
OBJETIVO: Avaliação da prevalência e quantificação da fibrose miocárdica (FM), em pacientes com CMH com alto risco ou recuperados de morte súbita, portadores de cardiodesfibrilador implantável (CDI).
MÉTODOS: Vinte e oito pacientes com CMH portadores de CDI foram submetidos à tomografia computadorizada com múltiplos detectores, para realização da técnica de realce tardio, e avaliação da fibrose miocárdica.
RESULTADOS: 96% dos pacientes apresentavam fibrose miocárdica (20,38 ± 15,55 gramas) correspondendo a 15,96 ± 10,20% da massa miocárdica total. A FM foi significativamente mais prevalente que os demais fatores de risco clássicos para morte súbita.
CONCLUSÃO: Concluímos que existe uma alta prevalência de fibrose miocárdica em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica de alto risco ou recuperados de morte súbita, como neste grupo - portadores de cardiodesfibrilador implantável. A maior prevalência da fibrose miocárdica comparada aos fatores de risco de pior prognóstico levantam a hipótese de que a fibrose miocárdica possa ser um importante substrato potencialmente necessário na gênese das arritmias desencadeadoras da morte súbita.

Palavras-chave: Cardiomiopatia hipertrófica, fibrose miocárdica, tomografia computadorizada com múltiplos destectores, realce tardio e cardiodesfibrilador implantável.


 

 

Introdução

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é considerada a maior responsável pela morte súbita cardíaca (MSC) em adultos jovens1-4.

Apesar dos tradicionais critérios clínicos de pior prognóstico5-12 e dos avanços genéticos na descoberta de mais de duzentas mutações responsáveis pela doença13-18, a estratificação de risco para morte súbita na CMH continua a ser um verdadeiro desafio devido à grande heterogeneidade da sua apresentação: a maioria dos indivíduos permanecem assintomáticos por toda sua vida e outros apresentam a morte súbita como primeiro sintoma.

Análise histopatológica de corações de pacientes com CMH que foram a óbito por morte súbita demonstrou considerável presença de fibrose miocárdica19 (FM). Tal fibrose pode ser diagnosticada de maneira não invasiva pela técnica de realce tardio por ressonância magnética20, podendo constituir-se em um importante substrato para as arritmias ventriculares malignas, como sugerido por estudos que correlacionaram a presença de taquicardia ventricular não sustentada e a presença de FM diagnostica pela ressonância magnética18, 21-24.

Assim, apesar da técnica de realce tardio por ressonância magnética demonstrar ser uma ferramenta importante na avaliação da FM na CMH20,25, ela apresenta algumas limitações - como, por exemplo, na avaliação de pacientes com marcapasso e cardiodesfibriladores implantáveis (CDI), visto que, nestes casos, há contra-indicação formal quanto à realização da ressonância magnética26.

Recentemente, foi demonstrada a detecção da FM na cardiomiopatia isquêmica utilizando a técnica de realce tardio por tomografia computadorizada com múltiplos detectores27,28 (TCMD). Além disso, nosso grupo foi o primeiro a demonstrar a potencial capacidade da avaliação da FM pelo realce tardio por TCMD em um paciente com CMH utilizando uma técnica semelhante à utilizada nos isquêmicos, onde as áreas de FM avaliadas pela tomografia apresentaram uma excelente correlação com a ressonância29.

Assim, neste trabalho objetivamos testar a capacidade da técnica de realce tardio pela TCMD e investigar a prevalência da fibrose miocárdica em um grupo de pacientes com CMH de alto risco para morte súbita, nos hipertróficos portadores de CDI por indicação clínica.

 

Métodos

Entre outubro de 2006 e dezembro de 2007, 30 pacientes hipertróficos portadores de CDI por indicação clínica, acompanhados na unidade de cardiomiopatias e de estimulação cardíaca artificial do Instituto do Coração (InCor-HC, FMUSP) foram consecutivamente encaminhados para avaliação da fibrose miocárdica pela TCMD. Destes, um paciente com insuficiência renal e outro que se negou a participar do estudo foram excluídos. Assim, os 28 pacientes restantes que assinaram o termo de consentimento livre esclarecido foram submetidos ao estudo após a aprovação do comitê de ética local.

Tomografia computadorizada com múltiplos detectores

A avaliação da FM pela técnica de realce tardio por TCMD foi obtida utilizando um tomógrafo com 64 colunas de detectores (Aquilion 64, Toshiba Medical Systems, Otawara, Japão). As imagens foram adquiridas 7 minutos após a infusão de 150 ml de contraste iodado (Iopamiron 370, Shering AG, Alemanha), utilizando o seguinte protocolo sincronizado retrospectivamente com eletrocardiograma: velocidade de rotação do tomógrafo ajustado pela frequência cardíaca de 350 a 500 ms, de modo a permitir uma reconstrução multi-segmentada, colimação de 64 x 0,5 mm, voltagem do tubo de120 kV, corrente do tubo de 500 mA, velocidade da mesa (helical pitch)-14,4 (ou fator de pitch de 0,225), e campo de visão de escaneamento de 220 mm.

Características clínicas

A avaliação dos fatores de risco para morte súbita cardíaca foi considerada segundo diretriz previamente descrita4. Desta forma, foram consideradas: síncope, como episódios de perda de consciência sem etiologia definida nos últimos 12 meses antes do implante do CDI30; morte súbita recuperada31; história familiar de morte súbita cardíaca em parentes de primeiro grau com menos de 40 anos de idade32,33; registro de taquicardia ventricular não sustentada (TVNS) no Holter7,8,34,35, definidas como três ou mais extrassístoles ventriculares consecutivas com frequência maior ou igual a 120 batimentos/min, durante menos de 30 segundos; hipertrofia miocárdica em diástole máxima maior que 30 mm6,36 pelo ecocardiograma. Além disso, outros critérios também foram analisados: dilatação do ventrículo esquerdo foi considerada como diâmetro diastólico maior que 50 mm; fração de ejeção do VE menor que 60%37; obstrução da via de saída do VE foi considerada como gradiente intraventricular maior que 30 mmHg e finalmente fibrilação atrial foi considerada como características clínicas que poderiam estar associadas a um pior prognóstico. Sintomas de insuficiência cardíaca foram classificados de acordo com a NYHA e a utilização de drogas antiarrítmicas, também foram registrados.

Análise das imagens

Os dados das imagens adquiridas pelo tomógrafo foram reconstruídos utilizando um algoritmo de reconstrução multisegmentar, com espessura de 1 mm durante fase diastólica (na fase 75% do intervalo R-R). As imagens axiais foram processadas utilizando reformatação multiplanar, para gerar cortes contíguos em eixo curto cobrindo toda extensão do ventrículo esquerdo da base ao ápice, com espesssura de 10 mm, utilizando uma técnica capaz de refletir uma média de todos os pixels do corte de maneira a evitar a perda de qualquer pixel que pudesse representar a fibrose miocárdica. Habitualmente, 12 cortes em eixo curto foram suficientes para cobrir todo VE. Todos os segmentos envolvidos pelos artefatos causados pelos cabos do CDI foram retirados da análise, deste modo, a parede ínfero-septal foi retirada devido aos artefatos do CDI, de todos os pacientes (Figura 1)38. As áreas de fibrose miocárdica foram definidas com o auxílio de software dedicado (Image J, NIH, USA). Utilizando a densidade dos pixels em um histograma que compreendia a representação gráfica das áreas com fibrose miocárdica e as áreas de miocárdio sem fibrose, foi aplicada de maneira semi-automática uma técnica de limiar que distinguia as densidades das áreas com ou sem fibrose miocárdica, definidas visualmente.

 

 

Análise estatística

Os dados foram demonstrados como média ± desvio padrão. Shapiro-Wilk test foi utilizado para confirmar a distribuição da normalidade. A prevalência dos fatores de risco tradicionalmente aceitos para a morte súbita e a presença de fibrose miocárdica foram expressas em percentagens e comparadas por Qui-quadrado ou teste exato de Fisher. Além disso, também foram registradas as prevalências da classe funcional de ICC pela NYHA, obstrução intraventricular e fibrilação atrial desta amostra.

 

Resultados

A média de idade foi de 38,5 ± 16,6 anos, sendo 46,4% do sexo masculino.

Dos critérios de risco clássico para morte súbita, 18% apresentavam morte súbita recuperada, 68% apresentavam história de síncope sem etiologia definida, história familiar de morte súbita encontrava-se presente em 78%, presença de TVNS em 32% e 21% dos pacientes apresentavam hipertrofia septal maior que 30 mm.

Além disso, a presença de obstrução intraventricular foi observada em 50% desta amostra, a fibrilação atrial em 32%, ICC classe funcional II em 39%, apenas um paciente em classe funiconal III e nenhum em classe IV. A fração de ejeção média do VE foi de 70,9 ± 12,4% e o diâmetro diastólico do VE foi de 4,1 ± 0,5 cm e o tamanho médio do átrio esquerdo foi de 4,3 ± 0,6 cm medidos pelo ecocardiograma.

No momento da aquisição da tomografia, 86% dos indivíduos faziam uso de betabloqueadores, 53% utilizavam antiarrítmicos, 28% antagonistas dos canais de cálcio, 39% inibidores da enzima conversora de angiotensina ou os antagonistas dos receptores de angiotensina II, 14% espironolactona e 28% ácido acetilsalicílico ou anticoagulante oral.

Interessantemente, 96,4% dos indivíduos apresentaram fibrose miocárdica pela técnica do realce tardio, analisadas pela tomografia computadorizada com múltiplos detectores. Não houve discordâncias entre a análise da presença ou a ausência de fibrose entre os dois observadores que analisaram as imagens independentes e de maneira cega.

A prevalência de fibrose miocárdica nesta população selecionada de altíssimo risco para morte súbita cardíaca, além de estar presente em todos os pacientes desta amostra exceto um, mostrou-se ser mais prevalente que os demais fatores tradicionais de risco individualmente, relacionados com pior prognóstico nesta doença (Figura 2).

 

 

O padrão do realce tardio pela TCMD foi peculiar, caracterizado pelo padrão difuso em múltiplos focos, não respeitando nenhum território coronariano, poupando o subendocárdio (Figura 1).

A massa de fibrose miocárdica média foi de 20,38 ± 15,55 gramas e a percentagem de fibrose miocárdica média foi de 15,96 ± 10,20% da massa do ventrículo esquerdo.

 

Discussão

Este é o primeiro estudo demonstrando a capacidade da análise da fibrose miocárdica pela técnica do realce tardio pela tomografia computadorizada com múltiplos detectores em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica portadores de CDI.

Este tipo de análise não invasiva da fibrose miocárdica, até então realizada exclusivamente pela ressonância magnética, não era possível de realizar-se em função da contra-indicação formal à técnica nos portadores de CDI.

Desta maneira, a tomografia pode se tornar um importante método no diagnóstico na avaliação da fibrose miocárdica em pacientes com contra-indicação à ressonância magnética.

Além disso, a presença de fibrose miocárdica em todos os pacientes exceto um, desta seleta população de hipertróficos com alto risco de morte súbita ou mesmo com morte súbita recuperada, sugere que a fibrose miocárdica possa ser um importante substrato na gênese das arritmias ventriculares complexas responsáveis pela morte súbita, como sugerido por trabalho que demonstrou haver a presença de fibrose miocárdica em corações de pacientes com cardiomiopatia hipertrófica que foram a óbito subitamente19,39,40. Adicionalmente, estudos com ressonância magnética em pacientes hipertróficos também demonstraram a maior presença de TVNS em pacientes com fibrose do que aqueles sem fibrose miocárdica21,22.

A maior prevalência da fibrose miocárdica em relação a todos os outros critérios clássicos de pior prognóstico observada neste trabalho pode sugerir também que a fibrose possa ser um fator de risco com maior sensibilidade do que os demais critérios tradicionalmente correlacionados com a morte súbita.

Aparentemente, as evidências vêm demonstrando que a fibrose miocárdica nos pacientes com CMH, consiste num importante substrato para as arritmias responsáveis pela morte súbita nesta doença21,22,25. É possível que, futuramente, a pesquisa não invasiva da fibrose miocárdica - pela ressonância ou pela tomografia - seja mais um importante critério prognóstico na complexa determinação da estratificação de risco destes pacientes, auxiliando na indicação de uma terapia mais ou menos agressiva como o implante de CDIs por exemplo; podendo, ao mesmo tempo, otimizar gastos e evitar que muitas mortes secundárias a esta doença ocorram.

Limitações

O número de pacientes incluídos no estudo é pequeno. Entretanto, neste período, recrutamos todos os pacientes com cardiomiopatia hipertrófica portadores de CDI por indicação clínica, acompanhados no nosso ambulatório.

Neste trabalho também não utilizamos grupo controle, ou seja, não realizamos a tomografia para a investigação da fibrose miocárdica em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica não submetidos a implante de CDI ou em pacientes normais, uma vez que estes, podem ser submetidos à pesquisa de fibrose miocárdica pela ressonância magnética, que já se encontra consagrada (padrão-ouro para fibrose miocárdica), além de não emitir radiação ionizante. Além disso, o método da TCMD para fibrose foi previamente validado contra a ressonância magnética (padrão-ouro para fibrose) em doença isquêmica27,28 e em publicação pelo nosso grupo29.

Assim, o grupo analisado em questão somente foi submetido a TCMD para pesquisa de fibrose miocárdica pelo fato dos CDIs constituírem-se em contra-indicação absoluta à ressonância.

Os artefatos causados pelos cabos do CDI levaram à exclusão dos segmentos ínfero-septais da maioria dos pacientes, fazendo com que a fibrose miocárdica, que é caracteristicamente frequente neste segmento, fosse subestimada.

 

Conclusão

Este é um estudo pioneiro na detecção de fibrose miocárdica em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica e cardiodesfibrilador implantável.

Concluímos que existe uma alta prevalência de fibrose miocárdica em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica de alto risco para morte súbita, como aqueles portadores de cardiodesfibrilador implantável. A maior prevalência da fibrose miocárdica comparado aos fatores de risco de pior prognóstico ou mesmo àqueles com morte súbita recuperada, levantam a hipótese de que a fibrose miocárdica possa ser um importante substrato, potencialmente necessário, na gênese das arritmias desencadeadoras da morte súbita.

Estudos futuros com uma amostra maior e um longo tempo de acompanhamento dos pacientes poderão confirmar a direta correlação entre as arritmias ventriculares malignas e a fibrose miocárdica.

 

Agradecimentos

FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) n. 07/58876-8 e a Fundação Zerbini.

Dr. Afonso Akio Shiozaki também recebeu apoio da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo foi financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de tese de Doutorado de Afonso Akio Shiozaki pelo Instituto do Coração - Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

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Correspondência:
Carlos E. Rochitte
Instituto do Coração - InCor
Setor de Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada Cardiovascular
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 44 - Cerqueira César
05403-000 - São Paulo, SP - Brasil
E-mail: rochitte@incor.usp.br

Artigo recebido em 17/11/08; revisado recebido em 14/05/09; aceito em 01/07/09.

 

 

* Ambos os autores contribuíram igualmente neste trabalho