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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.95 no.5 São Paulo Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2010001500017 

CARTA AO EDITOR

 

A segurança do teste de caminhada de seis minutos

 

 

Guilherme Veiga GuimarãesI,II; Vitor Oliveira CarvalhoI,II; Juliana Fernanda BelliI,II

ILaboratório de Insuficiência Cardíaca e Transplante do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor HC-FMUSP), São Paulo, SP - Brasil
IILaboratório de Atividade Física e Saúde (LAtiS/InCor), São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


Palavras-chave: Segurança, caminhada, exercício.


 

 

Senhor Editor,

Cipriano e cols.1 estudaram a segurança do teste de caminhada de 6 minutos (TC6) em pacientes em pré-transplante cardíaco. Baseado no comportamento clínico e eletrocardiográfico, tal estudo mostrou que o TC6 foi seguro. Dois pacientes apresentaram arritmia pré-TC6 e não pioraram ante o esforço, 4 tiveram elevação significativa nos níveis de lactato, e três interromperam o exame por dispneia. No entanto, o teste de caminhada de 6 minutos pode ser considerado de alta intensidade para alguns pacientes com insuficiência cardíaca.

A discussão acerca da natureza submáxima do TC6 não é recente, bem como sua segurança em pacientes com insuficiência cardíaca2. Guimarães e cols.2 observaram que no teste ergoespirométrico TC6, utilizando escala de Borg entre 11 e 13, versus o TC6 utilizando as recomendações usuais, a média da distância percorrida foi de 332 versus 470 m, VO2 de 60% versus 90% do VO2 pico, frequência cardíaca de 77% versus 89% da FCmax, e razão de troca respiratória de 0,90 versus 1,06.

Na comparação entre os testes, observou-se diferença estatística entre as avaliações. Dessa forma, sendo o objetivo do TC6 um possível reflexo da atividade diária neste grupo de pacientes, o uso da escala de Borg, entre relativamente fácil e ligeiramente cansativo, durante TC6 parece ser mais adequado e garante a segurança para tal finalidade3,4, além de ser reprodutível e assegurar sua natureza submáxima22,5.

 

Resposta

O artigo de Guimarães e cols.2, forneceu informações científicas importantes a respeito do teste de caminhada de 6 Minutos, especialmente quanto a comparação com o teste "controlado" e teste cardiopulmonar máximo. Acreditamos que nosso artigo1 tenha fornecido informações adicionais e cientificamente relevantes quanto à intensidade e segurança, uma vez que utilizou pioneiramente as medidas de lactato e eletrocardiografia online por telemetria, respectivamente, durante o teste de caminhada de 6 minutos. O estudo de Belardinelli3 foi citado como referência em nosso artigo (referência nº 26), no entanto, descreveu a partir de um estudo de revisão, a ocorrência de arritmias durante um programa de exercício para condicionamento físico, e não durante um teste de esforço para avaliação cardiorrespiratória, como teste de caminhado de 6 minutos. A aplicação do referido teste com o controle da intensidade (Borg) e a reprodutibilidade, não foram objetivos de nosso estudo4,5.

 

Referências

1. Cipriano Jr G, Yuri D, Bernardelli GF, Mair V, Buffolo E, Branco JNR. Avaliação da segurança do teste de caminhada dos 6 minutos em pacientes no pré-transplante cardíaco. Arq Bras Cardiol. 2009; 92 (4): 312-9.         [ Links ]

2. Guimarães GV, Bellotti G, Bacal F, Mocelin A, Bocchi EA. Can the cardiopulmonary 6-minute walk test reproduce the usual activities of patients with heart failure? Arq Bras Cardiol. 2002; 78 (6): 557-60.         [ Links ]

3. Belardinelli R. Arrhythmias during acute and chronic exercise in chronic heart failure. Int J Cardiol. 2003; 90 (2-3): 213-8.         [ Links ]

4. Carvalho VO, Bocchi EA, Guimarães GV. The Borg scale as an important tool of self-monitoring and self-regulation of exercise prescription in heart failure patients during hydrotherapy: a randomized blinded controlled trial. Circ J. 2009; 73 (10): 1871-6.         [ Links ]

5. Guimarães GV, Carvalho VO, Bocchi EA. Reproducibility of the self-controlled six-minute walking test in heart failure patients. Clinics. 2008; 63 (2): 201-6.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Guilherme Veiga Guimarães
Rua Dr. Baeta Neves, 98 - Pinheiros
05444-050 - São Paulo, SP - Brasil
E-mail: gvguima@usp.br

Artigo recebido em 27/08/09; revisado recebido em 02/09/09; aceito em 09/09/09.