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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.96 no.3 São Paulo Mar. 2011  Epub Feb 04, 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2011005000015 

Investigação de variantes gênicas de canais iônicos em pacientes com síndrome do QT longo

 

 

Ernesto CurtyI; Fernando Eugênio dos Santos CruzII; Fabiane Santos LimaI; Jorge Luiz Albuquerque CoutinhoII; Rosane SilvaIII; Turán Peter ÜrményiIII; Antônio Carlos Campos CarvalhoII,III; Edson RondinelliI,III

IFaculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ - Brasil
IIInstituto Nacional de Cardiologia, Rio de Janeiro, RJ - Brasil
IIIInstituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ, Rio de Janeiro, RJ - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: A síndrome do QT longo (SQTL) é uma síndrome arrítmica herdada com aumento do intervalo QT e risco de morte súbita. Mutações nos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A respondem por 90% dos casos com genótipo determinado, e a genotipagem é informativa para aconselhamento genético e melhor manejo da doença.
OBJETIVO: Investigação molecular e análise computacional de variantes gênicas de KCNQ1, KCNH2 e SCN5A associadas à SQTL em famílias portadoras da doença.
MÉTODOS: As regiões codificantes dos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A de pacientes com SQTL e familiares foram sequenciadas e analisadas utilizando o software Geneious ProTM.
RESULTADOS: Foram investigadas duas famílias com critérios clínicos para SQTL. A probanda da Família A apresentava QTC = 562 ms, Escore de Schwartz = 5,5. A genotipagem identificou a mutação G1714A no gene KCNH2. Foi observado QTC = 521 ± 42 ms nos familiares portadores da mutação contra QTC = 391 ± 21 ms de não portadores. A probanda da Família B apresentava QTc = 551 ms, Escore de Schwartz = 5. A genotipagem identificou a mutação G1600T, no mesmo gene. A análise dos familiares revelou QTC = 497 ± 42 ms nos portadores da mutação, contra QTC = 404 ± 29 ms nos não portadores.
CONCLUSÃO: Foram encontradas duas variantes gênicas previamente associadas à SQTL em duas famílias com diagnóstico clínico de SQTL. Em todos os familiares portadores das mutações foi observado o prolongamento do intervalo QT. Foi desenvolvida uma estratégia para identificação de variantes dos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A, possibilitando o treinamento de pessoal técnico para futura aplicação na rotina diagnóstica. (Arq Bras Cardiol. 2011; [online].ahead print, PP.0-0)

Palavras-chave: Síndrome do QT longo, canais iônicos, mutação, morte súbita cardíaca.


 

 

Introdução

A síndrome do QT longo (SQTL)1,2 é uma doença genética com prevalência de 1:20003 que cursa com risco de morte súbita por arritmias ventriculares em um coração estruturalmente normal4. O diagnóstico é feito através do escore de Schwartz5, que combina critérios eletrocardiográficos e da história clínica, classificando a probabilidade de SQTL em "baixa" (< 1) "intermediária" (2-3) e "alta" (> 4). Um escore de Schwartz > 4 tem especificidade > 99% para o diagnóstico da SQTL6.

Diferentes tipos de SQTL são provocados por variantes em genes de canais iônicos7,8 e no gene da ankirina9. Atualmente são descritos 12 tipos10, porém os tipos 1, 2 e 3 respondem por 90% dos casos com genótipo identificado11. Embora mais de 700 variantes tenham sido descritas12, em 29% dos casos a base genética não foi identificada13. Os vários tipos de SQTL diferem quanto ao risco de morte súbita14, aos gatilhos para os episódios de arritmia15,16 e a resposta ao tratamento farmacológico17,18. Além disso, a gravidade depende da região afetada do canal19, o que torna a identificação da mutação importante para o manejo da doença.

Apesar do grande número de variantes envolvidas, a pesquisa de variantes gênicas associadas à SQTL (genotipagem) está sendo cada vez mais utilizada na prática clínica. Que seja de nosso conhecimento, nenhuma unidade do Sistema Único de Saúde realiza atualmente a genotipagem da SQTL. Por esta razão, foram investigadas variantes gênicas associadas à SQTL em duas famílias com diagnóstico clínico da doença. As condições de genotipagem dos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A foram estabelecidas, e foi utilizada análise computacional para a identificação facilitada de mutações já descritas e de novos variantes gênicas na população brasileira.

 

Métodos

Pacientes

Pacientes encaminhados ao Instituto Nacional de Cardiologia com suspeita clínica de SQTL foram submetidos a anamnese e exame físico por um cardiologista com experiência em SQTL (FESCFº). Os eletrocardiogramas foram analisados independentemente por dois pesquisadores (EC e FESCFº), e a medida do intervalo QT realizada pelo método da tangente20. Nenhum dos probandos apresentava sinais eletrocardiográficos de hipertrofia cardíaca, distúrbios da condução ou isquemia miocárdica. Probandos com escore de Schwartz > 4 e familiares em primeiro grau foram submetidos à análise molecular, num total de 29 indivíduos de duas famílias.

Extração de DNA e reação em cadeia da polimerase (PCR)

O DNA genômico era extraído de sangue periférico21. Os exons correspondentes às regiões codificantes dos 3 genes investigados eram amplificados por PCR utilizando os iniciadores previamente descritos22,23. Os exons dos genes KCNQ1 e KCNH2 eram amplificados utilizando, respectivamente, os programas "B" e "C" previamente publicados por Syrris e cols.24. Para amplificação dos exons 1A de KCNQ1 e 4 de KCNH2 era adicionado à reação o reagente PCRx Enhancer (Invitrogen), conforme as instruções do fabricante. Os exons do gene SCN5A eram amplificados utilizando condições por nós estabelecidas: 0,2 mM dXTP, 3 mM MgCl2, 0,5 µM de iniciadores (senso+antissenso), 0,625 UI de Taq DNA polimerase recombinante (Invitrogen), 200 ng de DNA molde, em um volume final de 50 µl. O programa consistia em 94ºC/10min; 30 ciclos de 94ºC/1 min, 58ºC/1 min., 72ºC/2 min.; extensão final a 72ºC/10 min.

Sequenciamento automático de DNA

O sequenciamento de produtos de PCR purificados em filtros Millipore PCR Cleanup era realizado utilizando iniciadores senso ou antissenso, em um equipamento MegaBACE 1000 (Amersham Biosciences) com reagentes DYEnamic ET Dye Terminator Kit (GE Healthcare Life Systems) conforme as instruções do fabricante.

Análise das sequências obtidas para identificação das mutações

Foi utilizado o software Geneious ProTM25 para análise das sequências obtidas e geração de mapas de mutações já descritas para os genes estudados. Resumidamente, as sequências das regiões codificante e genômicas dos genes KCNQ1 (nº de acesso NM_000218 e NG_008935.1), KCNH2 (nº de acesso NM_000238 e NG_008916) e SCN5A (nº de acesso NM_000335 e NG_008934.1) foram importadas do GenBank e as mutações conhecidas (Inherited Arrhythmias Database12) adicionadas a estas no software com as respectivas referências bibliográficas. Em seguida foram assinalados os sítios de anelamento dos iniciadores, intrônicos em sua maioria, utilizados nas reações de amplificação e as porções centrais dos introns foram removidas para facilitar a análise. A comparação direta dos mapas de mutações com as sequências obtidas de pacientes permite visualizar simultaneamente a qualidade do sequenciamento e as mutações previamente descritas.

Considerações éticas

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia (processo nº 0187/4.01.08). Os pacientes e familiares foram informados dos objetivos e riscos do estudo e concordaram em participar do mesmo através de assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

 

Resultados

Foi realizada pesquisa de variantes gênicos de KCNQ1, KCNH2 e SCN5A em duas famílias com diagnóstico clínico de SQTL, incluindo na análise dois probandos e seus respectivos familiares, perfazendo 11 indivíduos na Família A e 17 na Família B. A análise dos variantes foi otimizada mediante criação de mapas de mutação com o software Geneious ProTM (dados não mostrados).

A probanda da Família A (Figura 1A, paciente A2.21), de 36 anos, começou a sentir palpitações aos 15 anos; aos 24 anos passou a apresentar episódios de palpitações seguidas de síncope desencadeados por estresse emocional, ruídos súbitos e no despertar, sendo feito o diagnóstico de SQTL. A probanda da Família B (Figura 1B, paciente B2.1) apresentava 42 anos e episódios de pré-síncope durante esforços físicos. A mesma buscou atendimento médico e recebeu o diagnóstico de SQTL após sua prima (#B2.9) apresentar um episódio de morte súbita abortada (MSA) em ambiente hospitalar. Os ECGs com medidas do intervalo QT das probandas estão mostrados na Figura 2. A paciente A2.21 apresentava QTC = 560 ms (Figura 2A) e a paciente B2.1 QTC = 551 ms (Figura 2B). Na história familiar da probanda A2.21 era possível identificar 10 casos de morte súbita em idades precoces, compatíveis com SQTL. (Figura 1A, destacado em verde). Na Família B havia somente um caso de MSA (#B2.9).

Os dados clínicos e eletrocardiográficos dos indivíduos de ambas famílias estão apresentados na Tabela 1. A Família A totalizava 9 mulheres e 2 homens, com idade entre 14 e 80 anos. A Família B continha 17 indivíduos (7 do sexo masculino), com idades entre 5 meses e 69 anos. Podem ser identificados 8 indivíduos com Escore de Schwartz>4, quatro na Família A (A2.21, A2.23, A3.2, A3.3) e 4 na Família B (B1.1, B2.1, B2.9, B3.1). Dois desses indivíduos (A2.21 e B2.9) apresentaram episódios de morte súbita abortada (MSA) e foram tratados com CDI + betabloqueador. Os demais (A1.10, A2.23, A3.2, A3.3, B1.1) eram assintomáticos e foram tratados com betabloqueadores isoladamente. Um dos casos de MSA (B2.9) apresentava intervalo QTC=448ms, entretanto, este ECG foi registrado na vigência do tratamento com betabloqueador, que pode reduzir o intervalo QT. Apenas um indivíduo (A1.10) apresentava probabilidade intermediária de SQTL (Escore de Schwartz = 2.5) e QTC limítrofe (450 ms). A análise do heredograma sugeriu que esse indivíduo deveria ser portador de mutação causadora de SQTL, o que foi confirmado pela análise molecular. Apenas um indivíduo (A2.21) apresentava registro de Torsades de Pointes.

A análise molecular foi capaz de detectar variações previamente descritas do gene KCNH2 nas probandas de ambas famílias. Na probanda da Família A foram identificadas as variantes gênicas A1692G e G1714A, ambas no exon 8. Na probanda da Família B foram identificadas as variantes gênicas C1467T, C1600T, A1692G e T1956C. Todas as variantes encontradas são polimorfismos de único nucleotídeo (SNPs) e as pacientes são heterozigotas em todos os loci. Entretanto, as variantes gênicas G1714A (Família A) e C1600T (Família B), ambas no exon 8 do gene KCNH2, são SNPs do tipo não sinônimo (missence) e foram previamente descritas como associadas à SQTL. A identificação dessas variantes gênicas é destacada na Figura 3. As outras variantes encontradas são polimorfismos comuns e sem relevância clínica demonstrada12.

As variantes missence G1714A e C1600T foram pesquisadas nos familiares dos probandos A2.21 e B2.1, respectivamente. Os resultados dessa genotipagem estão apresentados nas Figuras 1A e 1B. Na Família A o QTC médio nos portadores da variante gênica era de 521 ± 42 ms, comparado a um QTC médio de 391 ± 21 ms nos não portadores. Na Família B a média do intervalo QTC nos portadores da variante era de 497 ± 42 ms, comparado com um QTC médio de 404 ± 29 ms nos não portadores. Observa-se, portanto, que todos os portadores dos alelos G1714A e C1600T apresentam prolongamento do intervalo QTC, confirmando a relevância clínica das variantes encontradas.

 

Discussão

Neste trabalho realizamos o sequenciamento completo das regiões codificantes dos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A visando identificar as variantes gênicas associadas à SQTL em duas famílias contendo membros diagnosticados com a doença. A triagem de variantes gênicas na SQTL frequentemente é feita utilizando a técnica de SSCP (single strand conformation polymorphism), que requer maior trabalho manual e apresenta sensibilidade inferior à de sequenciamento.

As dificuldades de implementação em rotina de um método diagnóstico molecular de alta complexidade como a do SQTL nos levaram a desenvolver, utilizando o software Geneious ProTM, uma sequência de passos para identificar com precisão mutações novas e já descritas. Os recursos de manipulação e anotação de sequências desse software foram explorados para a construção de mapas de mutação indicando os locais com mutações descritas, permitindo o alinhamento das sequências dos diferentes genes obtidas dos pacientes com os mapas dos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A construídos, facilitando a identificação de diferenças entre ambas sequências. O alinhamento realizado nesse programa permite, ainda, eliminar artefatos de sequenciamento. Caso uma variante gênica encontrada tenha sido previamente descrita como associada à SQTL, a referência bibliográfica da mesma estará prontamente disponível nas marcações do mapa. Além disso, o programa organiza os arquivos internamente em um sistema de pastas, de modo que os diversos arquivos de sequência originais ficam centralizados e indexados, o que é crucial quando se leva em conta o enorme volume de informação gerada para cada paciente. Dessa forma, a metodologia desenvolvida permite a análise das sequências de maneira eficiente e de fácil manuseio, reduzindo a chance de erros de interpretação e possibilitando o treinamento técnico de pessoal para a futura implementação de rotina dessa metodologia para a rede SUS.

A metodologia de análise molecular por nós estabelecida foi capaz de identificar variantes gênicas previamente associadas à doença em duas famílias selecionadas pelos critérios clínicos já definidos. Ambas as famílias investigadas apresentaram variantes associadas à SQTL no gene KCNH2, o que permitiu classificar ambas as pacientes como portadoras de SQTL tipo 2. Esse gene codifica a sub-unidade alfa do canal de potássio KV11.1, responsável pela corrente IKr no potencial de ação cardíaco26. A variante G1714A encontrada na Família A já foi previamente descrita27 como associada à SQTL, e provoca a substituição do aminoácido glicina por serina na posição 572 da proteína, correspondente ao poro. Entretanto, as consequências eletrofisiológicas da mutação na atividade do canal iônico ainda não foram investigadas. A presença da variante gênica G1714A na família aqui descrita reforça a evidência em favor da patogenicidade dessa alteração. A variante gênica C1600T, encontrada na Família B, provoca a troca do aminoácido arginina por cisteína na posição 534 do polipeptídeo, correspondente ao sensor de voltagem do mesmo canal iônico28. Além disso, em contraste à variante anterior, os efeitos dessa alteração foram investigados eletrofisiologicamente por Nakajima e cols.29, que demonstraram redução do limiar de ativação do canal, aceleração da ativação e inativação, e redução da inativação do canal em repouso.

Curiosamente, o genótipo identificado foi o do subtipo 2 - o segundo mais frequente, respondendo por cerca de 30% dos casos. Por outro lado, embora essas famílias fossem portadoras do mesmo subtipo, e das variantes gênicas estarem bastante próximas (no mesmo exon, inclusive), a apresentação clínica da doença diferia entre as mesmas, talvez devido a alterações em diferentes regiões do canal iônico. A associação entre a região alterada na estrutura da proteína, e a gravidade da doença foi investigada por Moss e cols.19. Os autores demonstraram que as mutações na região do poro do canal codificado pelo gene KCNH2 estão associadas a um risco muito aumentado - cerca de 3 vezes maior - de eventos arritmogênicos. Um estudo de Shimizu e cols.30 obteve resultados similares. Em conformidade com esses trabalhos, observamos uma gravidade muito maior da doença na Família A (mutação na região S5-Poro) que na Família B (mutação no segmento transmembrana S4 - sensor de voltagem). Entretanto, outro fator descrito que resulta em maior gravidade na apresentação clínica é a presença de mais de uma mutação causadora de SQTL (compound mutations), que ocorre em cerca de 2% dos casos31. Como não foram pesquisadas as variantes gênicas nos genes menos frequentemente associados à SQTL (SQTL tipos 4-12), não podemos excluir a possibilidade da Família A ser um caso desse tipo.

Foram encontrados portadores assintomáticos, mas não portadores silenciosos com ECG normal. Portadores silenciosos são descritos na SQTL4,5,32, sendo mais comuns na SQTL114. O indivíduo A1.10 é ilustrativo da complexidade da doença: embora seja portador da variante associada à doença, seu eletrocardiograma mostra um prolongamento apenas limítrofe do intervalo QTC (450 ms) e seu Escore de Schwartz é igual a 2,5. Diversos fatores podem influenciar o intervalo QT - algumas doenças, as concentrações séricas de íons cálcio e potássio e diversos medicamentos - e dessa forma podem influenciar na apresentação da SQTL. Além disso, alguns trabalhos recentes demonstraram que polimorfismos comuns em genes de receptores adrenérgicos cardíacos são capazes de modular a duração do intervalo QT e a gravidade da apresentação clínica entre portadores da mesma mutação no gene KCNQ133. Portanto, a pesquisa de variantes gênicas na SQTL pode auxiliar na identificação de portadores assintomáticos com o intervalo QT limítrofe, e pode ser útil ao aconselhamento genético.

 

Conclusão

Foi realizada a investigação molecular de duas famílias com diagnóstico clínico de SQTL, tendo sido encontradas duas variantes gênicas distintas previamente associadas à doença. Foi implementada metodologia de amplificação e sequenciamento da região codificante completa dos genes KCNQ1, KCNH2 e SCN5A, e desenvolvido método computacional simplificado de análise das sequências para a pesquisa das variantes gênicas utilizando recursos do software Geneious ProTM, que facilita o treinamento de pessoal técnico para a futura aplicação dessa metodologia na rotina diagnóstica.

Potencial conflito de interesses

Declaro não haver conflito de interesses.

Fontes de financiamento

O presente estudo foi financiado pelo CNPq e parcialmente financiado pela FAPERJ.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de dissertação de Mestrado de Ernesto Curty pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

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Correspondência:
Ernesto Curty
Rua Evaristo da Veiga, 83/509 - Centro
20031-040 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil
E-mail: ernestocurty@biof.ufrj.br, ernestocurty@gmail.com

Artigo recebido em 23/08/10; revisado recebido em 23/08/10; aceito em 24/09/10.

 

 

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