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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.96 no.4 São Paulo Apr. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2011000400013 

CARTA AO EDITOR

 

Teste cardiorrespiratório em crianças saudáveis e cardiopatas

 

 

Guilherme Veiga Guimarães; Vitor Oliveira Carvalho

Instituto do Coração - InCor/HCFMUSP, Laboratório de Atividade Física e Saúde - LAtiS/CEPEUSP, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


Palavras-chave: Testes de função respiratória, teste de esforço, criança.


 

 

O teste de esforço máximo cardiorrespiratório em esteira ou em cicloergômetro é utilizado para avaliar o desempenho cardíaco, vascular, respiratório e metabólico na saúde e na doença, além de determinar as causas fisiopatológicas que o limitam1. Os protocolos são selecionados de acordo com os objetivos e as experiências dos laboratórios que o realizam, podendo ser escalonado em rampa independente do ergômetro.

Sendo assim, Prado e cols.2 estudaram as respostas cardiorrespiratórias e metabólicas durante o teste de esforço progressivo em crianças, comparando com os adultos. Os resultados de tal estudo demonstraram que as crianças possuem menor eficiência cardiovascular e respiratória, bem como maior eficiência metabólica durante o teste, porém, ainda quando comparadas aos adultos, apresentam níveis semelhantes de capacidade de esforço.

A utilização do teste de esforço cardiorrespiratório em crianças não é recente, Guimarães e cols.3 estudaram suas respostas durante o esforço em crianças saudáveis e com insuficiência cardíaca secundária à cardiomiopatia idiopática dilatada. Esse estudo demonstrou que as alterações metabólicas, respiratórias e cardiovasculares observadas nas crianças com insuficiência cardíaca, durante o repouso, no limiar e no exercício máximo, são semelhantes às observadas em adultos com insuficiência cardíaca. Assim como a função cardíaca de repouso não se correlacionou com o VO2 pico, o teste também mostrou diferenciar crianças cardiopatas de saudáveis, no limiar e no exercício máximo.

Outro estudo publicado pelo mesmo autor avaliou o prognóstico do teste cardiorrespiratório em crianças com insuficiência cardíaca4. O resultado demonstrou que o VO2 pico e o Slope VE/VCO2, padrões considerados ouro no prognóstico em adultos com insuficiência cardíaca5, não apresentaram a mesma relação em crianças com a mesma cardiopatia. Por outro lado, ficou demonstrado que a fração de ejeção do ventrículo esquerdo e a tolerância ao exercício tiveram relação positiva com o prognóstico nessas crianças.

A utilização do teste de esforço cardiorrespiratório em crianças saudáveis e cardiopatas, como demonstrado por esses estudos, é segura e avalia as respostas metabólicas, respiratórias e circulatórias a que se propõem. Assim, deverá ser mais indicado para diagnosticar causas de dispneia e/ou fadiga ao esforço e avaliar a limitação ao desempenho físico nesse grupo. A disponibilidade dessas informações poderá ajudar na escolha terapêutica, clínica ou cirúrgica mais adequada.

Estudos clínicos com maior número de crianças deverão ser realizados para determinar a importância de tal técnica nessa faixa etária.

 

Carta-resposta

Nós apreciamos o interesse expresso pelo autor da presente carta por nosso artigo, onde descreve a importância da aplicação do teste de esforço cardiopulmonar na estratificação de anormalidades no sistema de transporte de oxigênio na população pediátrica.

De fato, a aplicação do teste de esforço cardiopulmonar permite investigar a relação entre a respiração interna (metabolismo muscular) e externa (sistema cardiorrespiratório) durante o esforço físico, de modo não invasivo, o que reforça a aplicação do exame em crianças.

Dentro de um contexto fisiopatológico, estudos anteriores vêm demonstrando a aplicação do teste de esforço cardiopulmonar na população pediátrica com o objetivo de identificar anormalidades no sistema cardiorrespiratório frente ao esforço físico. Por exemplo, Guimarães e cols.1 observaram alterações metabólicas, ventilatórias e cardiovasculares em crianças com insuficiência cardíaca tanto no limiar anaeróbico ventilatório quanto no exercício máximo. Além disso, em estudo prévio do nosso grupo2, observamos que o excesso de adiposidade na criança obesa, em comparação a crianças saudáveis, produz alterações deletérias na eficiência ventilatória, refletida por valores significantemente elevados do equivalente ventilatório de dióxido de carbono (VE/VCO2) no limiar anaeróbico ventilatório. Este resultado sugere que a obesidade na infância produz, durante a realização do esforço físico, um prejuízo na troca gasosa pulmonar.

Um outro ponto a ser enfatizado é a utilização da metodologia na avaliação longitudinal de terapias medicamentosas e não medicamentosas. Por exemplo, no mesmo estudo citado anteriormente2, demonstramos que a perda de peso associada à melhora da capacidade física aeróbica promove um aumento significativo na eficiência ventilatória em crianças obesas, observada por valores significantemente menores para o VE/VCO2 no limiar anaeróbico ventilatório, após intervenções por dieta hipocalórica e treinamento físico aeróbico.

Portanto, a utilização do teste de esforço cardiopulmonar pode ser um instrumento para o diagnóstico de dispneia ou intolerância ao esforço físico pela caracterização das respostas, tanto cardiorrespiratórias como metabólicas, na população pediátrica frente ao exercício progressivo máximo1,3.

 

Referências

1. Guimaraes GV, d'Avila VM, Silva MS, Ferreira SA, Ciolac EG, Carvalho VO, et al. A cutoff point for peak oxygen consumption in the prognosis of heart failure patients with beta-blocker therapy. Int J Cardiol. 2009 May 22. [Epub ahead of print]         [ Links ].

2. Prado DM, Braga AM, Rondon MU, Azevedo LF, Matos LD,Negrão CE, et al. Cardiorespiratory responses during progressive maximal exercise test in healthy children. Arq Bras Cardiol.2010;94(4):493-9.         [ Links ]

3. Guimarães GV, Bellotti G, Mocelin AO, Camargo PR, Bocchi EA. Cardiopulmonary exercise testing in children with heart failure secondary to idiopathic dilated cardiomyopathy. Chest. 2001; 120 (3): 816-24.         [ Links ]

4. Guimarães GV, D'Avila VM, Camargo PR, Moreira LF, Lanz JR, Bocchi EA. Prognostic value of cardiopulmonary exercise testing in children with heart failure secondary to idiopathic dilated cardiomyopathy in a non-beta-blocker therapy setting. Eur J Heart Fail. 2008; 10 (6): 560-5.         [ Links ]

5. Guimarães GV, Silva MS, D'Avila VM, Ferreira SM, Silva CP, Bocchi EA. Peak VO2 and VE/VCO2 slope in betablockers era in patients with heart failure: a Brazilian experience. Arq Bras Cardiol. 2008; 91 (1): 39-48.         [ Links ]

 

Referências (Resposta)

1. Guimarães GV, Bellotti G, Mocelin AO, Camargo PR, Bocchi EA. Cardiopulmonary exercise testing in children with heart failure secondary to idiopathic dilated cardiomyopathy. Chest.2001;120(3):816-24.         [ Links ]

2. Prado DM, Silva AG, Trombetta IC, Ribeiro MM, Nicolau CM, Guazzelli IC, et al. Weight loss associated with exercise training restores ventilatory efficiency in obese children. Int J Sports Med. 2009 30(11):821-6.         [ Links ]

3. Prado DM, Braga AM, Rondon MU, Azevedo LF, Matos LD, Negrão CE, et al. Cardiorespiratory responses during progressive maximal exercise test in healthy children. Arq Bras Cardiol.2010;94(4):493-9.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Guilherme Veiga Guimarães
Rua Dr. Baeta Neves, 98 - Pinheiros
05444-050 - São Paulo, SP - Brasil
E-mail: gvguima@usp.br

Artigo recebido em 29/03/10; revisado recebido em 08/04/10; aceito em 26/04/10.