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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versión impresa ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.97 no.3 São Paulo set. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2011001200021 

ATUALIZAÇÃO CLÍNICA

 

Angioplastia coronariana versus cirurgia de revascularização: revisão de estudos randomizados

 

 

Pedro José Negreiros de AndradeI; Marta Maria das Chagas MedeirosII; Antonio Thomaz de AndradeIII; Antonio Augusto Guimarães LimaI

IServiço de Cardiologia do Hospital Universitário Walter Cantidio da Universidade Federal do Ceará
IIDepartamento de Medicina Clinica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará
IIIFortaleza, CE; Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência

 

 


Resumo

Realizamos uma revisão com agregação de resultados dos ensaios randomizados que compararam intervenção coronariana percutânea (ICP) com cirurgia de revascularização miocárdica (CRM). Os 25 ensaios selecionados envolveram 12.305 pacientes dos quais 11.103 pertenciam a estudos em multiarteriais e 1.212 pertenciam a estudos em lesão única de descendente anterior (DA). Nos estudos em multiarteriais a ICP mostrou uma tendência a menor mortalidade precoce (1,2% versus 2%) e menor incidência de acidente vascular cerebral (AVC): 0,7% versus 1,65%. Não houve diferença na mortalidade intermediária (3,8% versus 3,8%). Houve tendência à superioridade da CRM na mortalidade tardia (10,5% versus 9,6%). A diferença deveu-se exclusivamente aos estudos da era balão, tendendo a inverter-se na era stent (9,6% versus 9,9%). Nos estudos de lesão única de DA não houve diferença significativa em nenhum desfecho. A agregação de resultados de nove estudos que avaliaram a mortalidade tardia em diabéticos mostrou diferença favorável à cirurgia (21,3% versus 15,9%). Dois estudos que avaliaram lesão de tronco não mostraram diferença significativa na mortalidade em um ano (3,9% versus 4,7%). A incidência de nova revascularização foi consistentemente maior na ICP, apesar de progressiva melhora dos resultados na era stent.

Palavras-chave: Angioplastia transluminal percutânea coronariana, ponte de artéria coronária, revascularização miocárdica, metanálise, estudo comparativo, revisão.


 

 

Introdução

Tanto a intervenção coronariana percutânea (angioplastia ou ICP) quanto a cirurgia de revascularização miocárdica (cirurgia ou CRM) são alternativas bem aceitas de tratamento da insuficiência coronariana. Grande número de ensaios clínicos randomizados foi publicado comparando os dois procedimentos1-44.

À luz desses estudos parece haver ligeira superioridade da cirurgia sobre a angioplastia na capacidade de reduzir  sintomas anginosos e significativa diferença na capacidade de evitar novos procedimentos de revascularização. Parece não haver diferenças no tocante à ocorrência de infarto do miocárdio com desenvolvimento de onda Q. Dúvidas persistem nas diferenças de resultados em termos de mortalidade a curto e a longo prazo, na diferença de mortalidade em diabéticos, bem como na diferença de risco de acidente vascular cerebral (AVC) e na capacidade dos stents farmacológicos eliminarem as diferenças no que toca à necessidade de nova revascularização.

O objetivo do presente trabalho foi efetuar uma revisão, agregando resultados de ensaios clínicos randomizados que compararam angioplastia transluminal coronariana percutânea com cirurgia de revascularização miocárdica.

 

Métodos

Seleção e características dos estudos

Foram pesquisados na base de dados MEDLINE e COCHRANE os ensaios randomizados que compararam angioplastia transluminal coronariana percutânea com cirurgia de revascularização miocárdica, publicados no período entre janeiro de 1986 a março de 2010. O mês de Janeiro de 1986 foi escolhido como data inicial devido ao fato da angioplastia ter começado a se estabelecer como método terapêutico a partir de meados dos anos 1980.

Na pesquisa nas bases de dados foram utilizados os seguintes termos: angioplasty transluminal percutaneous coronary, coronary artery bypass surgery, coronary stents e randomized controlled trial. Após o levantamento inicial, que considerou também referências bibliográficas de trabalhos de revisão sobre o assunto e de meta-análises, utilizamos o seguinte critério para incluir o estudo na revisão: ele deveria ser randomizado, comparar CRM com ICP, ter seguimento de pelo menos seis meses e ter sido publicado em revistas internacionais classificadas como Qualis A ou B pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior do Ministério da Educação do Brasil). Trabalhos resultantes de estudos observacionais (registros) não foram considerados. Identificamos um total de 26 estudos randomizados que satisfaziam as exigências: RITA1,2, ERACI3,4, EAST5-7, GABI8,9, CABRI10,11, TOULOUSE12, BARI13-16, MASSI17,18, LAUSANNE19,20, ERACI II21,22, MASS II23-25, AWESOME26,27, OCTOSTENT28, LEIPZIG29, SIMA30,31, Drenth e cols.32, SOS33,34, ARTS35,36, LEMANS37, SYNTAX38, MYOPROTECT39, Hong e cols.40, Kim e cols.41, Cisowski e cols.42, AMIST43 e CÁRDia44 .

Os ensaios foram classificados em dois tipos de estudo: estudos em lesão única proximal de descendente anterior e estudos em multiarteriais. Todos os ensaios que incluíram doentes biarteriais, triarteriais ou tronco de coronária esquerda, mesmo que tenham incluído também uniarteriais, foram classificados em multiarteriais. Anatomia complexa foi critério de exclusão em todos os estudos, exceto o SYNTAX. Tronco foi também geralmente critério de exclusão, com exceção do ERACI II, do SYNTAX e do LEMANS. Revascularização cirúrgica prévia foi critério de exclusão em todos os estudos, com exceção do AWESOME. Esse estudo diferiu dos demais por ter envolvido pacientes com elevado risco cirúrgico e ter apresentado fração de ejeção média significativamente abaixo da normal. Apesar disso não foi excluído da revisão, visto que a indicação de revascularização miocárdica para os tipos de pacientes nele incluídos constitui situação cada vez mais comum na prática cardiológica. O MYOPROTECT foi excluído da revisão por apresentar mortalidade precoce extremamente elevada (mais de três desvios padrões acima da média), tanto da ICP quanto da CRM, e por ter testado uma forma especial de intervenção percutânea, utilizando retroperfusão.

Desfechos avaliados

Os desfechos de interesse foram: mortalidade, AVC e nova revascularização. A mortalidade foi dividida em precoce, intermediária e tardia. A mortalidade precoce foi definida como o percentual de mortes ocorridas até 30 dias pós-procedimento, somados às mortes pré-procedimento2,8,33,35,38. A  mortalidade precoce foi fornecida por 23 estudos. Nos dois em que não foi fornecida35,38 ela pôde ser estimada através das curvas de sobrevida35,38 e colocada nas tabelas, mas não foi incluída no cálculo do total de eventos (por não serem números efetivamente publicados). A mortalidade intermediária foi definida como o percentual de mortes reportadas até um período máximo de 2,5 anos pós-procedimento. Em 19 estudos foi reportada a mortalidade de 1 ano, em 2 de 6 meses40,42, em 1 de 1,5 anos21 e em 2 de 2,5 anos1,19. Isso representou um acompanhamento médio de 1,1 ano. A mortalidade tardia foi definida como a mortalidade reportada como ocorrendo 2,6 anos ou mais pós-procedimento. Ela foi fornecida em 18 estudos. Em 12 foi reportada a mortalidade de 5 anos, em dois a mortalidade de 3 anos4,26, em dois, de 4 anos32,11 , em um, de 6,5 anos1, em um, de 7,5 anos28 e em um, de 10 anos31. Isso representou um acompanhamento médio de 4,9 anos. A incidência de AVC foi reportada em 20 estudos. Em 19 foram considerados os AVCs ocorridos até 30 dias pós-procedimento e em um38, os ocorridos até um ano pós-procedimento. A incidência de nova revascularização levou em conta os resultados da primeira publicação, geralmente um ano pós-procedimento, período em que é mais frequente a necessidade de novas angioplastias. Em 19 casos foram considerados os resultados de um ano e em um caso, os resultados de 6 meses40 . A partir dos dados reportados foi calculada a incidência de nova revascularização por procedimento alternativo: cirurgia em pacientes do grupo ICP e angioplastia em pacientes do grupo CRM.

Coleta dos dados e síntese dos resultados

Os resultados reportados em cada estudo foram colhidos por dois investigadores e a incidência de eventos (mortes e AVC) foi colocada em uma planilha Excel. Os dados dos estudos em multiarteriais foram agregados como se se tratasse de um único estudo. O mesmo foi feito com os dados dos estudos em uniarteriais. Isso pareceu justificável pelos seguintes motivos: a) os desfechos avaliados (mortalidade e AVC) são variáveis bem definidas; b) todos os estudos, quer em multiarteriais, quer em uniarteriais, tinham um elemento em comum: os pacientes tinham indicação de revascularização, a qual poderia ser feita por tanto por ICP quanto por CRM; c) apesar dos progressos na cardiologia intervencionista, não existem provas definitivas de que stents tenham reduzido a mortalidade ou a incidência de AVC quando comparados à ICP com balão.

Foram avaliados separadamente os resultados em diabéticos, reportados em nove estudos, assim como os de pacientes com lesão de tronco, reportados em dois estudos. Foi feita também uma avaliação dos resultados de estudos da era balão e da era stent. A comparação entre os estudos, de forma individual e na totalidade dos resultados, foi feita também através de um "índice de risco relativo", que levou em conta a sobrevida livre de eventos. Esse índice foi obtido dividindo-se o percentual de pacientes livres do evento do grupo angioplastia pelo percentual de pacientes livres do evento do grupo cirurgia. Não foi escolhida como fonte de comparação entre os estudos a razão de chances (odds ratio) nem o risco relativo convencional (de ocorrência de eventos) em função da existência de significativo número de ensaios em que o número de desfechos foi zero.

 

Resultados

Dos 25 estudos, nove pertenciam a era balão1-20, 15 a era stent21-44, e um, a um período intermediário (AWESOME), sendo esse último classificado como estudo da era stent. Nove estudos avaliaram exclusivamente doentes com lesão única proximal da descendente anterior. Nos estudos classificados como multiarteriais, 11 avaliaram doentes bi- ou triarteriais; um avaliou obstrução de tronco (LEMANS), um, doentes triarteriais ou tronco (SYNTAX); três incluíram uniarteriais, biarteriais ou triarteriais (ARTS, RITA e OCTOSTENT). Na maioria dos estudos a cirurgia utilizou circulação extracorpórea (CEC). Três estudos em multiarteriais (ARTS, SYNTAX e SOS) utilizaram também cirurgia sem CEC em pacientes selecionados, de acordo com a prática do local. No OCTOSTENT utilizou-se apenas cirurgia sem CEC. Dos nove estudos de obstrução única proximal DA, em três deles a cirurgia foi realizada com CEC e esternotomia mediana (MASS I, LAUSANNE e SIMA). Nos demais realizou-se cirurgia sem CEC e usando toracotomia lateral esquerda (Drenth e cols.32, Leipzig, Hong e cols.40, Kim e cols.41, Cisowski e cols.42 e AMIST). A lesão de tronco foi critério de exclusão em 22 estudos. Ela esteve presente no ERACI II (5% dos pacientes), no SYNTAX (39% dos pacientes), e no LEMANS (100% dos pacientes). Apenas quatro estudos (SYNTAX, LEMANS, CARDia e Hong e cols.41) empregaram stents farmacológicos. Um estudo avaliou apenas diabéticos (CÁRDia).

Os 25 estudos envolveram 12.305 pacientes, sendo que 11.103 pertenciam a estudos em multiarteiriais e 1.212 a estudos em lesão única de descendente anterior. Nos 16 estudos em multiarteirais, os biarteriais predominaram na era balão e os triarteriais e/ou lesão de tronco predominaram na era stent. No total dos estudos em multiarteirais mais de 50% dos pacientes apresentavam doença de três vasos ou tronco e mais de 50% apresentavam obstrução proximal da descendente anterior (nos estudos que reportaram esta informação). Fração de ejeção diminuída esteve quase sempre ausente nos estudos em lesão única de DA. Nos estudos em multiarteriais ela se mostrou diminuída em 18% dos pacientes (não considerando o CABRI e o AWESOME que não reportaram esta informação). A média de idade dos pacientes foi de 62 anos e 77% eram do sexo masculino. A idade média mostrou tendência a ser maior nos estudos em multiarteriais que nos em lesão única de DA e na era stent que na era balão. Diabete melito esteve presente em 20% dos pacientes. A grande maioria dos pacientes era sintomática (angina estável, instável ou infarto prévio). Angina instável esteve presente com uma frequência que variou de 0% (estudos MASS) a 92% (estudo ERACI II).

Os resultados dos estudos em multiarteriais estão representados nas tabelas 1 e nas figuras 1 a 3. A mortalidade precoce foi menor com a ICP na maioria dos estudos. A agregação dos resultados foi favorável à angioplastia. (1,2 versus 2%: p = 0,034). Mas ao incluirmos os resultados estimados do ARTS e do SYNTAX as diferenças ficaram menos significativas (1,3% versus 1,7%). Os estudos que mais contribuíram para o pior resultado da cirurgia foram o ERACI, o AWESOME e o ERACI II, que incluíram um substancial número de pacientes agudos.

No que toca à mortalidade intermediária os resultados foram idênticos (3,8 versus 3,8%). Na mortalidade tardia houve tendência a melhor resultado da cirurgia (10,5% versus 9,6%: p = 0,07). Essa diferença deveu-se exclusivamente a estudos da era balão, tendendo a inverter-se na era stent (9,6 versus 9,9%). Apenas um estudo da era stent mostrou menor mortalidade com a cirurgia (SOS), devido a uma maior mortalidade por câncer no grupo ICP. A figura 2 mostra acentuada heterogeneidade dos resultados com tendência a superioridade da cirurgia na era balão e da angioplastia na era stent.

No que toca à incidência de AVC ela foi maior com a cirurgia (0,7% versus 1,65%: p < 0,001), com praticamente todos os estudos em multiarteriais mostrando melhor resultado com a angioplastia (fig. 3).

Os dados dos estudos em lesão única de D.A. estão mostrados na tabela 2. Na agregação de resultados não houve diferença significativa em nenhum desfecho: 0,5% versus 0,9%, para mortalidade precoce; 1,1% versus 2,4%, para mortalidade intermediária; 6,7% versus 5,5% para mortalidade tardia e 0,4% versus 0,5% para AVC.

Os dados referentes à necessidade de novas revascularizações estão mostrados na tabela 3 e na figura 4. A superioridade da cirurgia sobre a angioplastia foi consistente em 23 de 24 estudos. Mas observa-se progressiva melhora dos resultados da ICP. Nos multiarteriais a incidência de nova revascularização no grupo ICP caiu de 49% no EAST e 44% no BARI para em torno de 11% no SYNTAX e no CÁRDia. Nos pacientes com lesão única de DA ela caiu de 39,9% no MASS I para menos de 10% nos estudos recentes da era stent. A figura 4 mostra que o risco relativo de nova revascularização por procedimento alternativo (cirurgia para pacientes submetidos a ICP e angioplastia para pacientes submetidos a CRM) apresentou uma clara tendência a equalização de resultados na era stent.

Nove estudos relataram mortalidade tardia no subgrupo de diabéticos. Seis mostraram tendência favorável à cirurgia (CABRI, EAST, BARI, MASS II, ARTS e SOS), um foi neutro (ERACI II) e dois mostraram tendência favorável à angioplastia (RITA e AWESOME). Agregando-se os resultados desses estudos, a mortalidade tardia foi de 21,3% no grupo intervenção e 15,9% no grupo cirurgia.

Dois estudos mencionaram os resultados de mortalidade em um ano em lesão de tronco não protegida (tabela 4). No SYNTAX a mortalidade foi 4,2% no grupo ICP versus 4,4% no grupo CRM; Observou-se tendência a menor mortalidade por angioplastia nos pacientes com escore de SYNTAX baixo ou intermediário e tendência a maior mortalidade com a CRM em pacientes com escore de SYNTAX alto. No LEMANS a mortalidade foi de 2% no grupo ICP versus 8% no grupo CRM. Na agregação dos resultados dos dois ensaios não houve diferença significativa (3,9% versus 4,7%). Ao agregarmos os resultados do LEMANS (no qual a maior parte dos pacientes não apresentava elevada complexidade angiográfica) aos dos subgrupos de pacientes com escore baixo ou intermediário do SYNTAX, notou-se uma tendência claramente favorável à angioplastia (1,1% versus 5,6%).

 

Discussão

Várias revisões45, meta-análises de estudos randomizados46-48, e um importante estudo colaborativo49, foram publicadas comparando ICP com CRM. O principal diferencial da presente revisão é o número de estudos e de pacientes avaliados. Isso decorreu do fato de termos considerado faixas de ocorrência e não instantes rigidamente fixados. Além disso, foram acrescentados estudos recentes que utilizaram stents farmacológicos39,45 e envolveram grande número de pacientes.

A tendência a maior mortalidade precoce encontrada nos pacientes cirúrgicos está em consonância com o Registro do Estado de Nova York50 que mostrou mortalidade hospitalar com a cirurgia mais de duas vezes maior que a dos pacientes submetidos à angioplastia (0,68% versus 1,75%). Cabe lembrar que o pior resultado da cirurgia deveu-se a estudos da era balão e, na era stent, aos estudos ERACI II e AWESOME, os quais envolveram substancial número de doentes agudos ou de elevado risco cirúrgico. Além disso, houve importante melhora dos resultados cirúrgicos nos ensaios clínicos mais recentes34,35,38. No tocante à mortalidade intermediária, os dados do presente estudo são extremamente consistentes e estão em consonância com tudo que foi até agora publicado: nenhuma diferença em um ano entre angioplastia e cirurgia. Também não foi encontrada diferença significativa na mortalidade tardia, particularmente na era stent, o que também foi sugerido em recente revisão sistemática48, estando porem em desacordo com uma meta-análise mais antiga46. Esta mostrou uma tendência progressivamente favorável à cirurgia à medida que a comparação ficava mais tardia. Existe uma possível explicação para essa discrepância: quando se comparou a angioplastia com a cirurgia na referida meta-análise, à medida que a avaliação se tornava mais tardia passava a incluir maior número de estudos da era balão, nos quais havia tendência a superioridade da cirurgia. Na presente revisão, em que foi incluído um número mais significativo de estudos da era stent, a superioridade tardia dos resultados cirúrgicos tendeu a diminuir.

Nota-se também a similaridade de resultados nos estudos de lesão única proximal da DA, havendo inclusive uma tendência a superioridade da angioplastia na era stent, pelo menos em termos de mortaldade precoce e intermediária. Isto torna a ICP, por ser menos invasiva, a forma preferencial de revascularização em pacientes com lesão única proximal de DA, a menos que a anatomia seja claramente inadequada. A possibilidade de que técnicas cirúrgicas menos invasivas possam melhorar os resultados cirúrgicos não é corroborada na presente revisão. A análise individualizada dos dados das tabelas 2 e 3 sugere que os melhores resultados da cirurgia foram justamente nos estudos que utilizaram técnica convencional, ou seja, esternotomia mediana e cirurgia com CEC (SIMA, LAUSANNE e MASS I), e os piores nos que utilizaram técnicas minimamente invasivas.

A tendência a maior incidência de AVC no grupo cirúrgico já havia sido sugerida anteriormente48, tendo alcançado significância estatística no SYNTAX. Por agrupar maior número de pacientes e acrescentar os resultados do SYNTAX e do CÁRDia, a superioridade da angioplastia na presente revisão é inquestionável. Curiosamente não encontramos diferença na ocorrência de AVC nos estudos em pacientes com lesão única de DA, nem no OCTOSTENT, que utilizou cirurgia sem CEC. Além de uma menor manipulação da aorta e do uso quase exclusivo de mamária poderíamos aventar como explicação para o fato um menor grau de aterosclerose nesses pacientes.

As diferenças de resultados entre os estudos randomizados, quando avaliados em meta-análises ou revisões como esta, e os dados de registros, como o de New York50, merecem ser comentadas. Registros, ao contrário das meta-análises, mostraram quase uniformemente maior mortalidade da angioplastia nos subgrupos considerados classicamente como cirúrgicos (3 vasos, 2 ou 3 vasos com obstrução da DA proximal, má função ventricular). No entanto, registros apresentam vieses de seleção que mesmo as melhores técnicas estatísticas não conseguem eliminar. A possibilidade classicamente levantada de que a ausência de diferenças na mortalidade nos estudos randomizados seja decorrente de um predomínio de biarteriais sobre os triarteriais e do pequeno número de pacientes com má função ventricular ou obstrução proximal da DA51,52 não nos parece válida atualmente, pelas seguintes razões: a) a maioria dos pacientes definidos como multiarteriais na presente revisão foi constituída de triarteriais ou obstrução de tronco, principalmente na era stent; b) houve tendência favorável à angioplastia nos estudos envolvendo pacientes com lesão única proximal da DA; c) mais de 50% dos multiarteriais apresentavam obstrução da DA proximal e cerca de 18% apresentavam má função ventricular, um número não insignificante; d) vários trabalhos sugerem que as condições de triarterial, de apresentar má função ventricular (em não diabéticos) e de apresentar obstrução de DA proximal não comprometem os resultados da ICP quando comparada com a cirurgia14,22,23,49.

Na comparação entre a era balão e a era stent chama a atenção a melhora dos resultados de mortalidade tardia da angioplastia na era stent, apesar da maior complexidade dos pacientes. As hipóteses para essa melhora seriam o progresso na técnica intervencionista, permitindo tratar de forma mais completa e segura as obstruções, assim como progressos no tratamento clínico, pelo uso mais liberal de antiadesivos plaquetários e hipolipemiantes. Os piores resultados cirúrgicos nos primeiros estudos da era stent, particularmente em relação à mortalidade precoce, podem ser atribuídos à gravidade dos pacientes, devendo-se principalmente aos estudos ERACI II e AWESOME. Ao considerarmos os resultados dos estudos mais recentes, inclusive os estimados através das curvas de sobrevida, o que surpreende é uma mortalidade operatória extremamente baixa, abaixo de 1%34,35,38. A explicação para a queda na mortalidade cirúrgica nos estudos recentes seria, à primeira vista, a melhora dos cuidados pós-operatórios e das técnicas cirúrgicas, incluindo o uso de cirurgia sem CEC em pacientes selecionados. Uma explicação alternativa seria o fato da maior parte dos pacientes com angina instável de alto risco, no passado, frequentemente tratados por cirurgia, estar sendo hoje encaminhada para angioplastia.

A superioridade da CRM sobre a ICP no que toca à incidência de novas revascularizações é amplamente reconhecida. Contudo, existe um inexorável viés de origem nessa comparação. A ICP não compromete revascularizações futuras, sejam elas uma nova angioplastia ou uma primeira cirurgia, o mesmo não acontecendo com a CRM. Essa última impossibilita frequentemente futuras angioplastias e aumenta significantemente o risco em caso de nova revascularização cirúrgica. No presente trabalho, apesar da evidente superioridade da cirurgia, pode-se observar uma progressiva melhora da angioplastia na era stent, culminando com os excelentes resultados com o uso de stents farmacológicos. Essa melhora é particularmente marcante quando consideramos apenas o risco de nova revascularização por procedimentos alternativos, no qual houve tendência à equalização de resultados na era stent.

A lesão de tronco não protegida constituía, até pouco tempo, uma indicação definitiva para cirurgia. A existência de comprovado beneficio da cirurgia na redução da mortalidade e o caráter catastrófico de uma oclusão aguda durante a intervenção percutânea, levam-na a ser classificada como indicação preferencial para cirurgia nas diretrizes, sendo a angioplastia caracterizada durante muito tempo como indicação tipo III e só recentemente como IIb53. Aos resultados do SYNTAX e do LEMANS, assim como a tendência à superioridade da angioplastia em pacientes com escore de SYNTAX inferior a 3354 apontam para a necessidade de melhor classificação da intervenção percutânea em lesão de tronco, desde que os pacientes apresentem boa anatomia para intervenção.

Pacientes multiarteriais diabéticos constituem, de maneira geral, indicação preferencial para cirurgia. As evidências contrárias à angioplastia em diabéticos têm origem na era balão, a partir dos achados ocasionais do estudo BARI. Seus investigadores avaliaram um subgrupo de 343 diabéticos e encontraram uma mortalidade tardia de 34,5% para a intervenção com balão e 19,4% para a cirurgia p = 0,03). Diabete em multiarteriais constitui, desse modo, indicação preferencial para cirurgia nas diretrizes, sendo a angioplastia nesses pacientes classificada como IIb.

No presente trabalho, que incluiu a taxa de mortalidade em 4 anos do CABRI e em 5 anos do ARTS e do SOS, o agrupamento de resultados foi favorável à cirurgia, com tendência à significância estatística. É provável que essa tendência à superioridade esteja relacionada simplesmente com o grau de complexidade das lesões, não valendo para todos os diabéticos. Em particular ela não se aplicaria a pacientes com angina instável (estudo ERACI II), a pacientes de alto risco cirúrgico (estudo AWESOME) e a pacientes em que se empreguem com maior frequência enxertos venosos (estudo RITA). Além disso, nenhum desses nove estudos utilizou stents farmacológicos. O SYNTAX e o CÁRDia, primeiros estudos a comparar stents farmacológicos com cirurgia em diabéticos, não mostraram diferença na mortalidade em um ano. Mas como são resultados iniciais, uma resposta definitiva terá de aguardar os resultados tardios desses estudos, assim como os do FREEDOM.

 

Conclusão

Os dados da presente revisão confirmam a tendência atual de considerar a complexidade das lesões e não o número ou tipo de vasos envolvidos, ou mesmo a má função ventricular, como o principal fator para escolha entre os procedimentos de revascularização miocárdica.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

 

Referências

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Correspondência:
Pedro José Negreiros de Andrade
Rua Francisco Holanda, 992/1101 - Dionísio Torres
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E-mail: pedroneg@cardiol.br, pedroneg@gmail.com

Artigo recebido em 14/05/10; revisado recebido em 23/08/10; aceito em 24/09/10.