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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.99 no.1 São Paulo July 2012 Epub June 07, 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2012005000053 

Relação entre a Escala de Adesão Terapêutica de oito itens de Morisky (MMAS-8) e o controle da pressão arterial

 

 

Alfredo Dias Oliveira-Filho; José Augusto Barreto-Filho; Sabrina Joany Felizardo Neves; Divaldo Pereira de Lyra Junior

Laboratório de Ensino e Pesquisa em Farmácia Social (LEPFS), Curso de Farmácia, Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Farmácia e Nutrição, Universidade Federal de Alagoas, Departamento de Medicina, Universidade Federal de Sergipe, SE - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: A não adesão terapêutica é um importante e frequentemente não reconhecido fator de risco que contribui para o reduzido controle da Pressão Arterial (PA).
OBJETIVO: Determinar a relação entre a adesão terapêutica mensurada a partir de uma versão validada em português da MMAS-8 e o controle da PA em pacientes ambulatoriais hipertensos.
MÉTODOS: Foi realizado um estudo transversal com pacientes hipertensos maiores de 18 anos atendidos em seis unidades da Estratégia de Saúde da Família, em Maceió (AL), por meio de entrevistas e mensuração da pressão arterial em domicílio, entre janeiro e abril de 2011. A adesão foi determinada por meio de versão da MMAS-8 traduzida para realização deste estudo. Foram considerados aderentes aqueles pacientes com pontuação igual a 8 na MMAS-8.
RESULTADOS: A prevalência da adesão terapêutica entre os 223 pacientes investigados foi de 19,7%, enquanto 34% apresentaram PA controlada (> 140/90 mmHg). O valor médio de adesão segundo a MMAS-8 foi 5,8 (±1,8). Os pacientes aderentes se revelaram mais propensos (OR = 6,1; IC [95%] = 3,0 a 12,0) a ter a pressão arterial sob controle do que aqueles que atingiram valores médios (6 a <8) ou baixos (<6) no score de adesão. A versão em português da MMAS-8 apresentou associação significativa com o controle da PA (p = 0,000).
CONCLUSÃO: O diagnóstico do comportamento não aderente por meio da aplicação da MMAS-8 em pacientes sob uso de medicamentos anti-hipertensivos foi fator preditivo de valores elevados de PA sistólica e diastólica.

Palavras-chave: adesão à medicação; pressão arterial; pacientes ambulatoriais; sistema de saúde.


 

 

Introdução

Em pacientes com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), a não adesão terapêutica é um importante e frequentemente não reconhecido fator de risco que contribui para o reduzido controle da Pressão Arterial (PA), levando ao desenvolvimento de outras doenças cardiovasculares, tais como insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, insuficiência renal e acidente vascular cerebral1.

Estudos abrangendo cinco décadas estimam que 20% a 50% dos pacientes não tomam seus medicamentos de acordo com a prescrição2. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em países desenvolvidos, a não adesão em pacientes com doenças crônicas oscila em torno de 50%, sendo provavelmente maior nos países em desenvolvimento3.

Embora a prevalência e as implicações da não adesão sobre os desfechos clínicos venham se tornando cada vez mais reconhecidas, o verdadeiro impacto de medidas reconhecidamente efetivas no controle da PA, como o acesso gratuito à farmacoterapia provido em nível ambulatorial pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em especial por meio da Estratégia de Saúde da Família, ainda é ignorado4. Desse modo, a sistematização do diagnóstico de não adesão é fundamental para a investigação do seu impacto nos desfechos clínicos.

Nesse contexto, um dos métodos de determinação da adesão mais usados é a Escala de Adesão Terapêutica de Morisky de quatro Itens (MMAS-4)5. Recentemente, uma nova escala de oito itens (MMAS-8) e com maior confiabilidade (a = 0,83 vs a = 0,61)6, criada com o objetivo de determinar a adesão a tratamentos anti-hipertensivos, foi desenvolvida a partir da MMAS-4 e complementada com itens adicionais delineados para abordar vários aspectos do comportamento aderente. No Brasil, estudos avaliando a não adesão com a nova escala ainda são recentes e escassos7.

O presente estudo teve como objetivo determinar a relação entre a adesão terapêutica mensurada a partir de uma versão validada em português da MMAS-8 e o controle da PA em pacientes ambulatoriais hipertensos atendidos pela Estratégia de Saúde da Família.

 

Métodos

Delineamento, locais e período do estudo

Foi realizado um estudo transversal por meio da aplicação de entrevista estruturada a pacientes com hipertensão atendidos pela Estratégia de Saúde da Família. As entrevistas ocorreram em seis Unidades de Saúde da Família (USF) de Maceió vinculadas à segunda edição do Programa de Educação Tutorial em Saúde (PET-Saúde II), entre janeiro e abril de 2011.

População do estudo

Foram selecionados pacientes com diagnóstico confirmado de hipertensão arterial sistêmica cadastrados nas referidas USF, com dezoito anos ou mais e em uso de medicamentos anti-hipertensivos. Foram excluídos pacientes com hipertensão secundária confirmada em prontuário ou que compraram pelo menos um medicamento anti-hipertensivo nos trinta dias anteriores à entrevista. Esse critério de exclusão teve como finalidade eliminar a interferência do custo dos medicamentos, considerado um dos principais fatores preditivos da não adesão8.

Entrevistas e variáveis avaliadas

As entrevistas foram realizadas no domicílio do paciente, por acadêmicos de Farmácia previamente treinados, integrantes do PET-Saúde, acompanhados durante a visita domiciliar por um agente de saúde da USF. Foram investigadas as seguintes variáveis independentes: gênero, idade, escolaridade, prática de atividade física regular, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, medicamentos, quantidade de medicamentos, tempo de uso dos anti-hipertensivos, Pressão Arterial Sistólica (PAS), Pressão Arterial Diastólica (PAD) e controle da pressão arterial, caracterizada por valores de PA < 140/90 mmHg, respectivamente.

Os pacientes com pressão arterial não controlada foram classificados como pacientes com hipertensão resistente ou com hipertensão pseudorresistente, de acordo com a literatura9-11. Os valores de Pressão Arterial Sistólica (PAS) e Diastólica (PAD) foram obtidos por meio da média de duas medidas da pressão arterial, realizadas pela equipe de pesquisa durante a visita, de acordo com as orientações estabelecidas nas VI Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Hipertensão Arterial9, utilizando-se esfigmomanômetros de coluna de mercúrio calibrados, com intervalo mínimo de 5 minutos entre cada medida. Para reduzir a interferência do efeito do jaleco branco - definido como uma pressão arterial persistentemente aumentada no consultório médico em comparação com medidas domiciliares ou após 24 horas de monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) - sobre a leitura dos valores de PA, as medidas ocorreram nos domicílios dos pacientes12,13.

A adesão terapêutica foi determinada por meio da Escala de Adesão Terapêutica de Morisky de oito itens, versão em português (quadro 1) da Morisky Medication Adherence Scale (MMAS-8)6, traduzida e validada para realização do presente estudo. Para obtenção da equivalência conceitual, a MMAS-8 foi traduzida de acordo com as recomendações para tradução e adaptação transcultural de Beaton e cols.14 Wild e cols.15, que requerem a tradução e a retrotradução por tradutores bilíngues, alguns dos quais independentes. Após avaliação e aprovação do autor da escala, a versão traduzida foi testada em um grupo de vinte pacientes com hipertensão para verificar o entendimento das questões de acordo com o seu significado original. As questões foram entendidas identicamente por todos, e alterações subsequentes não foram consideradas necessárias.

 

 

A MMAS-8, atualização com maior sensibilidade da escala de quatro itens publicada em 1986 e considerada o método de autorrelato para determinação da adesão terapêutica mais utilizado, contem oito perguntas com respostas fechadas de caráter dicotômico sim/não, formuladas para evitar o viés de respostas positivas dos pacientes a perguntas feitas por profissionais de saúde, por meio da inversão das respostas relacionadas ao comportamento aderente do entrevistado6,16. Desse modo, cada item mensurou um comportamento aderente específico, com sete perguntas que devem ser respondidas negativamente e apenas uma, positivamente, sendo a última questão respondida segundo uma escala de cinco opções: nunca, quase nunca, às vezes, frequentemente, sempre.

O grau de adesão terapêutica foi determinado de acordo com a pontuação resultante da soma de todas as respostas corretas: alta adesão (oito pontos), média adesão (6 a < 8 pontos) e baixa adesão (< 6 pontos)17. No presente estudo, foram considerados aderentes aqueles pacientes com pontuação igual a oito na MMAS-8.

Para avaliar a consistência interna do instrumento, utilizou-se a correlação item-total e o alfa de Cronbach.

Tamanho da amostra

Considerando o estudo original de Morisky e cols., no qual 16% dos pacientes obtiveram pontuação igual a 8 na MMAS-8, além de precisão absoluta igual a 5% e intervalo de confiança de 95%, foi determinada uma amostra de 207 indivíduos. Com o propósito de corrigir eventuais perdas e permitir uma melhor desagregação das variáveis independentes, o tamanho amostral foi corrigido por um fator proporcional de 1,25. Desse modo, o tamanho da amostra para este estudo foi fixado em 230 pacientes. O número de pacientes necessários para avaliar a consistência interna do instrumento foi consideravelmente menor, sendo obtido por meio da Abordagem Não Paramétrica para Cálculo do Tamanho da Amostra com Base em Questionários ou Escalas de Avaliação na Área de Saúde, desenvolvido por Couto Jr.18, o qual estima o tamanho amostral por meio do número de itens e de categorias do instrumento de coleta.

Análise estatística

A análise dos dados foi realizada por meio do programa SPSS versão 12. As análises estatísticas envolveram: análises descritivas; teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar o padrão de normalidade das variáveis contínuas; qui-quadrado e Kruskal-Wallis para testar as relações entre a adesão terapêutica e outras variáveis independentes; e regressão logística binária. Todas as variáveis com valor de p < 0,25 na análise bivariada foram incluídas no modelo inicial da análise multivariada. Em seguida, foram retiradas, uma a uma, as variáveis que apresentaram maior valor de p, até que restassem apenas variáveis com significância estatística em pelo menos uma das categorias de adesão terapêutica. Estabeleceu-se como nível de significância alfa menor que 5%.

Aspectos éticos

O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas em 6/11/2009, sob o número 010186/2009-01. Os dados foram coletados somente após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido por todos os pacientes.

 

Resultados

Foram selecionados 231 pacientes, oito dos quais declinaram a participação no estudo (taxa de recusa = 3,5%). A idade média dos pacientes foi de 57,18 anos (±12,7), com idade mínima de 27 e máxima de 85 anos, sendo a maioria (70,9%) do gênero feminino. Apenas 46 (20,6%) pacientes praticavam alguma atividade física regular. O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas foram relatados por 10,3% e 18,8% dos pacientes, respectivamente. Nenhuma das variáveis investigadas apresentou associação com a adesão terapêutica ou com o controle da pressão arterial (tabela 1 e 2).

Adesão terapêutica e controle da pressão arterial

Apenas 34,1% dos pacientes apresentaram valores de pressão arterial sob controle. A taxa de adesão terapêutica (MMAS-8 = 8, alta adesão) foi de 19,7%. O valor médio de adesão segundo a MMAS-8 foi 5,8 (±1,8). Entre os pacientes considerados não aderentes, 33,2% apresentaram adesão média, e 47,1%, baixa adesão terapêutica. De acordo com a análise de regressão logística, os pacientes que atingiram valores máximos na MMAS-8 se revelaram mais propensos (OR = 6,1; IC [95%] = 3,0 a 12,0) a ter a pressão arterial sob controle do que aqueles que atingiram valores médios (6 a < 8) ou baixos (< 6). A associação do controle da PA (p = 0,000) e das médias de PAS e PAD (p = 0,002510 e p = 0,000135, respectivamente) com o grau de adesão terapêutica pode ser observada na tabela 3.

Em adição, essas associações podem ser empregadas para investigar a suspeita de uma adesão terapêutica aquém do ideal naqueles pacientes com PA não controlada: 75,6% dos pacientes com PA não controlada não aderiram ao tratamento anti-hipertensivo, enquanto 33,3% dos pacientes com PA sob controle eram não aderentes.

Uso de medicamentos

A média de medicamentos prescritos por paciente foi de 3,15 (±1,63; 3,11 entre os aderentes, e 3,16 entre os não aderentes) e a média de anti-hipertensivos foi de 1,61 por paciente (±0,65; 1,51 entre os aderentes e 1,67 entre os não aderentes). Os medicamentos mais prescritos foram: hidroclorotiazida (para 53,3% dos pacientes), captopril (49,9%), propranolol (14,3%), enalapril (12,1%), anlodipino (11,2%), atenolol (8,5%) e losartan (4,9%). A maioria dos pacientes (52,5%) fazia uso da mesma farmacoterapia anti-hipertensiva há cinco anos ou mais; 20,2% usavam o mesmo tratamento há três ou quatro anos; 12,6% usavam de um a dois anos; 8,5%, de seis meses a um ano; e 6,3%, há menos de seis meses.

A monoterapia anti-hipertensiva foi prescrita para 47,1% dos pacientes, 45,3% estavam em uso de dois fármacos anti-hipertensivos e 7,1% estavam usando três ou mais fármacos, um dos quais diurético. Enquanto 36,2% dos pacientes sob monoterapia e 36,6% dos pacientes em uso de dois medicamentos estavam com a pressão arterial controlada (tab. 2), apenas 5,9% dos pacientes em uso de três ou mais anti-hipertensivos apresentaram o mesmo desfecho (p = 0,038).

Entre os pacientes com pressão arterial não controlada, 2,7% (1,8% do total de pacientes) eram ao mesmo tempo aderentes e usuários de tríplice terapia anti-hipertensiva contendo um diurético, caracterizando a hipertensão resistente. Os outros pacientes que apresentaram valores de PA elevados se dividiram da seguinte maneira: 8,2% não aderiram à terapia tríplice com um diurético; 8,8% eram aderentes, mas faziam uso de um ou dois anti-hipertensivos; e 80,3% não eram aderentes e fazia uso de um ou dois anti-hipertensivos (tab. 4).

Confiabilidade da escala

A correlação item-total corrigida resultou em um valor inferior a 0,20 para o item 3, considerado baixo, embora significantemente diferente de zero. Porém, os valores do alfa de Cronbach resultante da exclusão de cada item foram inferiores, sem exceção, ao coeficiente resultante (α = 0,69), indicando que a inclusão do item 3 não prejudica a confiabilidade do instrumento (tab. 5).

 

Discussão

As Doenças Cardiovasculares (DCV), cujo principal fator de risco é a hipertensão19,20, são a maior causa da mortalidade em todo o mundo e no Brasil, onde foram responsáveis por 32% dos óbitos de indivíduos acima de trinta anos em 200521. Diversas medidas de controle da PA vêm sendo testadas22,23; contudo, nem mesmo as fortes evidências de que vários tratamentos medicamentosos anti-hipertensivos são efetivos na redução da morbidade e da mortalidade cardiovascular significam percentuais de controle de Pressão Arterial (PA) adequados, em virtude da baixa adesão ao tratamento9,24. Estudos com a população brasileira indicam um controle de PA de 20% a 60%20,25-27, margem dentro da qual se encontra a taxa de controle da PA observada em nosso estudo.

De acordo com a literatura, a baixa adesão prejudica a evolução clínica do paciente e sua qualidade de vida, causando desfechos adversos, tais como o aumento da morbimortalidade e dos gastos em saúde28. No tratamento da hipertensão, sua primeira consequência é a falha no controle da PA; vários estudos ressaltam essa relação, encontrada também em nossa investigação, na qual valores significativamente menores de pressão arterial sistólica e diastólica foram observados entre os pacientes com alto grau de adesão6,29,30.

A categorização dicotômica da adesão terapêutica em pacientes aderentes vs pacientes não aderentes foi baseada, a exemplo do estudo original, na relação da escala com o controle da pressão arterial. No entanto, no presente estudo, foram considerados aderentes apenas aqueles pacientes com alto grau de adesão (pontuação igual a 8), uma vez que esse grupo apresentou relação com o controle da pressão arterial (tab. 3). Já no estudo de Morisky e cols.6 foram considerados aderentes os pacientes com alta e média adesão.

Embora os protocolos de aplicação sejam idênticos, os resultados sugerem que a interpretação da pontuação seja diferente, tornando alvo de cuidados centrados na melhoria do comportamento aderente não apenas os pacientes com baixo grau de adesão, mas também aqueles com grau médio. Em nosso estudo, 65,1% dos pacientes com alta adesão e 37,0% dos pacientes com grau médio de adesão tinham a PA sob controle, enquanto no estudo original a diferença entre ambos grupos foi menor (56,7% e 44,8%, respectivamente). Em contrapartida, os dois estudos observaram uma baixa taxa de pacientes com alto grau de adesão, inferior a 20%.

Inicialmente, o uso da primeira escala de adesão terapêutica de Morisky (MMAS-4) permitia não apenas determinar aqueles pacientes não aderentes em risco de não atingir o controle da PA, como também conhecer algumas causas da adesão insatisfatória. À medida que novos métodos de autorrelato foram desenvolvidos, a utilidade como instrumento de triagem na prática clínica se tornou uma característica cada vez mais desejável. No atendimento de pacientes com hipertensão não controlada, por exemplo, a investigação das causas prováveis deve considerar sempre que possível a não adesão. Em nosso estudo, a versão traduzida da MMAS-8 identificou uma grande proporção de não aderentes entre os pacientes com pressão arterial não controlada, mais que o dobro da proporção de não aderentes entre os pacientes com PA sob controle.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 51% dos pacientes com hipertensão arterial nos Estados Unidos aderem ao tratamento, enquanto na China a taxa de adesão terapêutica entre esses pacientes é de 43%3. Hyre e cols.29, em estudo com a MMAS-8 aplicada a pacientes portadores de hipertensão, observaram que 35,6% dos pacientes aderiram integralmente à prescrição. Contudo, em tais estudos, o custo dos medicamentos era um fator que dificultava a adesão dos pacientes, enquanto os pacientes incluídos no presente estudo tinham acesso gratuito aos tratamentos anti-hipertensivos. O custo dos medicamentos é o fator preditivo da não adesão mais amplamente estudado8,31, e sua importância no cumprimento dos tratamentos anti-hipertensivos tem sido demonstrada em estudos envolvendo grande número de pacientes32,33. Apesar disso, a taxa de aderentes observada na atual investigação foi menor que nos estudos acima, indicando que o acesso gratuito aos tratamentos anti-hipertensivos per se não implicou níveis satisfatórios de adesão.

De acordo com dois dos principais estudos de revisão sobre a adesão terapêutica, um dos quais abrangendo cinquenta anos de pesquisa sobre o tema, a adesão não tem relação aparente com características demográficas - como gênero, idade, nível socioeconômico e grupo étnico - e gravidade da doença2,31. Alguns preditores, no entanto, têm sido consistentemente associados com a baixa adesão, dentre os quais se destacam a complexidade do esquema terapêutico, o tratamento de doenças assintomáticas, a presença de problemas psicológicos como a depressão e os efeitos colaterais dos medicamentos34. À exceção dos problemas psicológicos, que não foram considerados em nosso estudo, os demais fatores tiveram pouca ou nenhuma influência sobre o comportamento aderente dos pacientes estudados. A complexidade do esquema terapêutico tem no número de medicamentos prescritos o seu componente mais relevante34. Contudo, não foi observada associação entre o número de medicamentos utilizados, assim como sua posologia, e a adesão terapêutica.

Quanto aos preditores do controle da PA, recentemente, o estudo ALLHAT35 - um ensaio clínico randomizado envolvendo um grande número de pacientes destinado a examinar o controle da hipertensão e os efeitos dos anti-hipertensivos sobre desfechos clínicos - identificou níveis basais elevados de PA, etnia negra e idade como os maiores preditores da falta de controle da PA. Entre as causas adicionais, destacam-se gênero feminino, diagnóstico de diabetes, obesidade, terapia anti-hipertensiva prévia e hipertrofia ventricular esquerda35. Dentre todos esses fatores, apenas idade, gênero, uso de hipoglicemiantes orais e tempo de tratamento anti-hipertensivo foram considerados na presente investigação. Ainda assim, a única variável associada à falta de controle da pressão arterial, além da não adesão, foi a utilização de três ou mais anti-hipertensivos.

Uma hipótese para esse achado é que, mesmo entre pacientes considerados aderentes pela MMAS-8, pode haver uma utilização incorreta dos medicamentos. A escala de adesão traduzida e validada para este estudo, embora contenha várias questões relacionadas a comportamentos não aderentes específicos, não aborda questões como horário e modo de usar, o que pode explicar a ausência de associação entre o uso de três ou mais anti-hipertensivos com uma adesão inadequada, mas a existência de associação entre o número desses medicamentos e o não controle da PA. Outra hipótese é o maior grau de severidade da condição clínica desses pacientes, implicando uma maior dificuldade de controlar a PA. Ademais, fatores importantes como a qualidade da farmacoterapia praticada no âmbito do Sistema Único de Saúde devem ser investigados para a precisa identificação de causas relevantes da hipertensão não controlada.

Na prática clínica, pacientes aderentes ao tratamento e não responsivos à tríplice terapia anti-hipertensiva otimizada que inclua um diurético caracterizam a situação de hipertensão resistente9-11. De acordo com esse conceito, 1,8% dos pacientes entrevistados apresentou hipertensão resistente. A prevalência da hipertensão resistente, que em geral é desconhecida, foi recentemente estimada nos Estados Unidos da América, correspondendo a aproximadamente 8,9% dos pacientes hipertensos36. Nessa situação é necessário avaliar a presença de fatores que dificultam o controle da pressão arterial, tais como ingestão excessiva de sódio, álcool, obesidade, uso de fármacos com potencial de elevar a pressão arterial, síndrome de apneia obstrutiva do sono e formas secundárias de hipertensão arterial, procedendo-se a correção desses fatores9.

Por sua vez, o termo "hipertensão pseudorresistente" se refere à falta de controle da PA em um paciente com tratamento apropriado exposto a outros fatores que contribuem para elevar a leitura da PA, tais como técnica de medida inapropriada, efeito do jaleco branco e baixa adesão10,11. A escolha do(s) fármaco(s) ou da(s) dose(s), a primeira das causas da hipertensão pseudorresistente, não foi analisada individualmente em nosso estudo, e sim considerada de acordo com os anti-hipertensivos e faixas de dosagem contidos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename)37. Portanto, nenhuma escolha terapêutica foi considerada inapropriada. Desse modo, todos os pacientes com PA não controlada que não tinham hipertensão resistente foram classificados como portadores de hipertensão do tipo pseudorresistente: 64,1% dos pacientes apresentaram esse tipo de hipertensão. A hipertensão pseudorresistente causada por baixa adesão correspondeu a 58,3% do total de pacientes incluídos no estudo. É relevante considerar que esse valor poderia ser ainda maior, uma vez que os métodos de autorrelato têm como limitação principal a subestimação do número de não aderentes.

Por sua vez, os métodos de autorrelato para determinação da adesão terapêutica, em contraste com técnicas como a quantificação de fármacos e seus metabólitos em fluidos orgânicos, o monitoramento eletrônico da medicação (Medication Event Monitoring System - MEMS) ou a contagem de comprimidos não utilizados pelo paciente, são simples, rápidos, não invasivos e econômicos, e podem proporcionar um parecer em tempo real a respeito do comportamento aderente do paciente e as razões potenciais para a não adesão38. Embora tais métodos estejam sujeitos a vieses, como a superestimação da adesão, o constante aprimoramento desses instrumentos e estudos sobre suas validações em diferentes populações têm aumentado sua adoção na prática clínica6.

A consistência interna do instrumento, medida pelo alfa de Cronbach (0,69), foi inferior àquela obtida por Morisky e cols.6 em pacientes com hipertensão (0,83); porém, um pouco superior aos valores de consistência interna observados nos estudos de tradução da escala para outros idiomas publicados até o momento39. De acordo com Añez e cols.40, um valor de alfa maior do que 0,5 tem sido considerado aceitável em estudos de validação de questionários, valor que foi adotado por Al-Qazaz em estudo de adaptação transcultural da MMAS-8 para o idioma malaio39. Embora algumas questões tenham apresentado menor correlação item-total, como é o caso das questões 3, 4 e 7, observou-se que a eliminação de tais questões não aumentaria o alfa do instrumento, o que tornaria injustificável sua exclusão, uma vez que isso descaracterizaria o instrumento.

No presente estudo, o MMAS-8 apresentou um potencial satisfatório como instrumento de triagem na prática clínica para a identificação de pacientes não aderentes e em risco de descontrole da PA, considerando-se a confiabilidade da versão traduzida, sua relação de significância com o controle da PA e com os valores de PAS e PAD, sua simplicidade e validação em outros estudos com pacientes hipertensos. No âmbito do SUS, essa escala pode ser uma ferramenta importante no controle da hipertensão. Outra investigação mais ampla para determinação da adesão terapêutica em pacientes sob uso de anti-hipertensivos de acesso gratuito vem sendo conduzida.

 

Limitações

Neste estudo alguns preditores da não adesão - tais como depressão - e do não controle da pressão arterial - tais como etnia e níveis basais elevados de pressão arterial sistólica e diastólica - não foram investigados como variáveis de interesse ou mesmo considerados no processo de inclusão dos pacientes. A classificação dos pacientes com hipertensão não controlada segundo o tipo hipertensão pseudorresistente também está sujeita a viés de interpretação, uma vez que apesar da atenta observação de outros fatores causais da hipertensão pseudorresistente, e dos esforços para redução ou controle de alguns deles, tais como o efeito do jaleco branco e inadequada medida da pressão arterial, a única causa que pode ser determinada com precisão foi a adesão terapêutica.

 

Considerações finais

O diagnóstico do comportamento não aderente por meio da aplicação da nova Escala de Adesão Terapêutica de Morisky de oito itens em pacientes sob uso de medicamentos anti-hipertensivos foi um fator preditivo de valores elevados de pressão arterial sistólica e diastólica. Considerando-se que a não adesão é uma das principais causas da pressão arterial não controlada, o uso de escalas de autorrelato relacionadas com a PA é uma medida simples e de baixo custo para auxiliar o atendimento clínico de pacientes com hipertensão.

 

Agradecimentos

Agradecemos o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió; das equipes multidisciplinares das Unidades de Saúde da Família; a Equipe do Programa de Educação Tutorial em Saúde (PET-Saúde) da UFAL; Dr. Donald E. Morisky, da University of California, Los Angeles (Ucla). Além do cuidadoso trabalho de coleta de dados sob a responsabilidade dos farmacêuticos Cláudia C. Nóbrega de Farias Ayres, Fernanda Bertazolli Albieri, Hugo A. Leite Mota Vasconcelos, Mirela Quirino de Almeida, Morgana R. Maciel Cabral Davino, Natyelle M. Santos Macedo e todos os pacientes que participaram deste estudo.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo foi financiado parcialmente por Fundação de Apoio à Pessoa do Estado de Alagoas (FAPEAL)

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte da tese de doutorado de Alfredo Dias de Oliveira Filho (Núcleo de Pós-graduação em Medicina - UFS) pela Universidade Federal de Sergipe e Universidade Federal de Alagoas.

 

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Correspondência:
Divaldo Pereira de Lyra Junior
Cidade Universitária Prof. "José Aloísio de Campos"
Av. Marechal Rondon, s/n Jardim Rosa Elza
CEP 49100-000, São Cristovão, SE - Brasil
E-mail: lepfs.ufs@gmail.com, lyra_jr@hotmail.com

Artigo recebido em 28/07/11, revisado em 11/08/11; aceito em 17/01/12.