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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.99 no.4 São Paulo Oct. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2012001300014 

CARTA AO EDITOR

 

Centenário do professor Luiz V. Décourt

 

 

Lurildo Cleano Ribeiro Saraiva

Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE - Brasil

Correspondência

 

 


Palavras-chave: Homenagem - Centenário Luiz Décourt.


 

 

Prezado Editor,

Em dezembro de 2011, o Professor Luiz Décourt completaria 100 anos de idade. Filho de professor de História Natural, após o Curso Médico alcançaria a Cátedra de Clínica Médica da Universidade de São Paulo, em 1949, e criaria a "Escola de Cardiologia", que alcançaria toda a América Latina, ministrando aulas em várias Universidades estrangeiras. Dando rédeas à vocação, foi professor das Escolas de Nutrição e Enfermagem da USP, antes de ensinar na Faculdade de Medicina da mesma Universidade. Com produção intelectual expressiva, culminou sua carreira acadêmica com a criação do "Instituto do Coração".

Era consultor em músicas clássicas, com predileção por Mozart e Beethoven, podendo lhe ofertar a "Sinfonia dos Salmos", de Stravinsky, e as "Quatro Estações", de Vivaldi, que quis regidas pelo maestro Biondi. "À elevação do estado espiritual", propunha o andante do "Concerto para Piano e Orquestra Número 21", de Mozart.

Fui seu aluno quando me encantei com a sua didática - passarão anos entre nós antes que alguém neste mister o tangencie - e fui orientado por ele no Mestrado e Doutorado: na primeira tese, deslumbrou-se verificando que o coração das crianças com grave desnutrição era "aumentado" em relação à superfície corporal, e na segunda, evoluiria a sua visão social da "Doença Reumática" - se disse em 1972, "A maior presença entre as classes pobres explica-se apenas por causas circunstanciais de ambiente e de contágio perante infecção bacteriana", diria em 1996, "Parece que na moléstia reumática o fator social é a face modeladora de resposta orgânica à agressão mórbida"

Quando inseguro, disse-me: "A sua defesa deve ser honesta, mas não subserviente. Aceite as críticas com imparcialidade, particularmente as de caráter informal. Faça, entretanto, valer a significação de suas observações, pois estas - obtidas com cuidado, imparcialidade e visão ampla - trazem dados de real alcance médico-social. A insegurança é habitual nos pesquisadores honestos e conscientes."

O nosso país lhe deve o pleno reconhecimento da sua obra. Há de conceber-se "O Ano Luiz Décourt da Sociedade Brasileira de Cardiologia".

Ao morrer na cidade de São Paulo, não ficou rico, um grave "pecado" na sociedade neocapitalista, mas, por tal, foi especial, como verdadeiro cristão.

 

 

Correspondência:
Lurildo Cleano Ribeiro Saraiva
Estrada do Arraial, 2405/704, Tamarineira
CEP 52051-380, Recife, PE - Brasil
E-mail: lurildo@cardiol.br, lurildocleano@hotmail.com

Artigo recebido em 05/05/12; revisado em 05/05/12; aceito em 15/05/12.