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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.100 no.1 São Paulo Jan. 2013  Epub Dec 11, 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2012005000116 

Velocidade da onda de pulso, pressão arterial e adipocitocinas em adultos jovens: estudo do Rio de Janeiro

 

 

Oswaldo Luiz Pizzi; Andréa Araujo Brandão; Roberto Pozzan; Maria Eliane Campos Magalhães; Erika Maria Gonçalves Campana; Flavia Lopes Fonseca; Elizabete Viana de Freitas; Ayrton Pires Brandão

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

FUNDAMENTO: Dados sobre a avaliação não invasiva vascular e suas relações com variáveis de risco cardiovascular são escassos em jovens.
OBJETIVO: Avaliar a relação entre a velocidade de onda de pulso e a pressão arterial,variáveis antropométricas e metabólicas, incluindo as adipocitocinas, em indivíduos adultos jovens.
MÉTODOS: Foram avaliados 96 indivíduos (51 homens) do estudo do Rio de Janeiro, de 26 a 35 anos (média 30,09 ± 1,92). Foram obtidos a velocidade de onda de pulso (método Complior), pressão arterial, índice de massa corporal, glicose, perfil lipídico, leptina, insulina, adiponectina e o índice de resistência à insulina HOMA-IR. Os indivíduos foram estratificados em três grupos segundo o tercil da VOP para cada sexo.
RESULTADOS: O grupo com maior tercil de VOP mostrou maiores médias de pressão arterial sistólica, pressão arterial diastólica, pressão arterial média, índice de massa corporal, insulina, HOMA-IR e menores médias de adiponectina, além de maiores prevalências de diabetes mellitus/intolerância à glicose e hiperinsulinemia. Houve correlação significativa e positiva da velocidade da onda de pulso com pressão arterial sistólica, pressão arterial diastólica, pressão de pulso e pressão arterial média, índice de massa corporal, e LDL-colesterol e negativa com HDL-colesterol e adiponectina. Em modelo de regressão múltipla, após ajuste do HDL-colesterol, LDL-colesterol e adiponectina para sexo, idade, índice de massa corporal e pressão arterial média, apenas o sexo masculino e a pressão arterial média mantiveram correlação significativa com a velocidade de onda de pulso.
CONCLUSÃO: A velocidade de onda de pulso em adultos jovens mostrou relação significativa com variáveis de risco cardiovascular, destacando-se o sexo masculino e a pressão arterial média como importantes variáveis no seu determinismo. Os achados sugerem que a medida da VOP pode ser útil para a identificação do acometimento vascular nessa faixa etária. (Arq Bras Cardiol. 2012; [online].ahead print, PP.0-0)

Palavras-chave: Pressão arterial, fatores de risco, pulso arterial, doenças vasculares / prevenção & controle, adiponectina.


 

 

Introdução

Nos dias atuais, admite-se que a doença aterosclerótica tem sua origem na infância1-3. A busca por marcadores pré-clínicos de aterosclerose/arteriosclerose é direcionada para a avaliação não invasiva do comprometimento vascular e alguns estudos têm permitido demonstrar a associação de fatores de risco (FR) em idades jovens com comprometimento da elasticidade arterial na vida adulta4.

Entre os marcadores de doença arterial, a rigidez arterial tem mostrado ser um parâmetro importante para a avaliação do risco cardiovascular. Dos diversos métodos de avaliação da rigidez arterial a medida da velocidade da onda de pulso (VOP) carótida-femoral é considerado o método padrão-ouro em virtude de sua relativa facilidade de realização, ao amplo corpo de evidências demonstrando sua associação com doença cardiovascular, independentemente dos fatores de risco tradicionais e em várias populações5,6.

Estudos prévios a respeito da relação entre os FR convencionais e VOP no indivíduo jovem são limitados e os resultados são parcialmente controversos4. No estudo de Bogalusa7, a pressão arterial sistólica (PAS), o índice de massa corporal (IMC) e o HDL-colesterol (HDL-c) (correlação inversa) da infância se correlacionaram com a VOP na idade adulta. Em outro estudo8, a pressão arterial média (PAM), o IMC, o sexo e os níveis de homocisteína estiveram associados à VOP de forma independente. No estudo Arya9 nenhuma associação entre pressão arterial (PA) na adolescência e VOP na idade adulta foi observada.

Portanto, alguns autores vêm sugerindo que em indivíduos adultos jovens normotensos, a VOP é determinada muito provavelmente por outros fatores além daqueles dos indivíduos idosos hipertensos10. Eles podem estar associados com anormalidades primárias na estrutura ou a alterações funcionais da parede vascular4,11.

Estudos a esse respeito vêm surgindo em populações jovens, buscando avaliar os fatores de risco e alterações vasculares precoces. Tais informações poderiam ajudar na melhor identificação e estratificação de risco entre indivíduos adultos jovens12.

O presente estudo faz parte do estudo do Rio de Janeiro (ERJ)13-15, uma linha de pesquisa de caráter longitudinal, sobre pressão arterial (PA) e outros FR cardiovascular em crianças e adolescentes e suas famílias, que vem sendo desenvolvida desde 1983, e teve como objetivo avaliar a relação entre a VOP e a PA, índices antropométricos e variáveis metabólicas, incluindo as adipocitocinas, em indivíduos na fase adulta jovem.

 

Métodos

Foram avaliados 96 indivíduos (51 homens), pertencentes à coorte do ERJ, com idades variando de 26 a 35 anos (média 30,09 ± 1,92 anos). Todos foram submetidos ao protocolo de avaliação com medida da pressão arterial, circunferência abdominal (CA), peso, altura e calculado o IMC e dosagens de glicemia, colesterol total, HDL colesterol e triglicerídeos (TG) após jejum de 12 horas. Foram ainda dosados leptina, insulina, adiponectina, calculado o índice de resistência à insulina HOMA-IR e obtida a VOP.

Os indivíduos foram estratificados segundo o sexo de acordo com os tercis de VOP em três grupos: 1º tercil (grupo 1) constituído por indivíduos masculinos com VOP menor que 8,69 m/s e femininos com VOP menor que 7,66 m/s; 2º tercil (grupo 2) constituído por indivíduos masculinos com VOP igual ou maior que 8,69 m/s e femininos com VOP igual ou maior que 7,66 m/s; 3º tercil (grupo 3) constituído por indivíduos masculinos com VOP igual ou maior que 9,65 m/s e femininos com VOP igual ou maior que 8,31 m/s (Tabela 1).

 

 

A CA foi obtida de acordo com o procedimento descrito por Callaway e cols.16 e definida como aumentada quando maior que 102 cm para homens e maior que 88 cm pra mulheres, de acordo com as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão17.

A pressão arterial foi medida sobre a artéria braquial sendo utilizado esfigmomanômetro de coluna de mercúrio, manguitos de tamanho e largura apropriados, de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira e Cardiologia (SBC)17. Foram obtidas duas medidas da PA com intervalo de cinco minutos entre elas e a última medida foi a utilizada para a análise. Os indivíduos eram considerados hipertensos quando os valores da pressão arterial fossem iguais ou maiores que 140 x 90 mmHg, segundo as recomendações das VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão17.

A glicose plasmática, colesterol total, HDL-colesterol e triglicerídeos foram determinados pelo Konelab kit (BI 3000 WINER). Os níveis de colesterol foram determinados com base nos limites estabelecidos pelas IV Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias e Diretriz de Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia18. Os valores de glicose foram interpretados segundo as recomendações da American Diabetes Association19.

As análises quantitativas da insulina, leptina e adiponectina séricas foram realizadas por fluoroimunoensaio (Luminex xMAP; Luminex Corporation, 12212 Technology Blvd. Austin, TX 78727 US) com os kits CAT#HGT-68K-02 para insulina e leptina e CAT#HCVD1-67AK-03 para adiponectina. Para a determinação de hiperinsulinemia foi utilizado o ponto de corte de 20 (µU/ml) segundo a recomendação do método utilizado.

O índice de resistência à insulina HOMA-IR foi calculado de acordo com a equação proposta por Mathews em 1995: HOMA-IR = Insulina em jejum (µU/ml) X glicose em jejum (mmol/l)/22,520.

Para a medida da VOP, foi utilizado o sistema automático computadorizado Complior (Complior, Colson, Garger les Genosse, France - Createch Industrie) de acordo com a metodologia descrita por Asmar e cols.21 Foi considerada a média de 10 medidas para cada indivíduo. Todas as medidas foram obtidas pelo mesmo examinador.

Para a comparação das médias das variáveis contínuas foi utilizado Anova complementado por análise pareada. Para a comparação das distribuições das frequências das variáveis categóricas de amostras independentes foi utilizado o teste do qui-quadrado. Para a correlação das variáveis contínuas foi utilizada a regressão linear complementada com a análise de variância. Em todas as análises, foi adotado o nível de significância de 5% admitindo-se uma probabilidade "p" para rejeitar a hipótese nula igual ou menor que 0,05.

O protocolo de estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da instituição, e todos os indivíduos assinaram termo de consentimento livre e esclarecido para participação no estudo.

 

Resultados

As Tabelas 2 e 3 apresentam as características da população estudada, estratificada pelo tercil da VOP, em relação às variáveis pressóricas, antropométricas e metabólicas.

O grupo com maior tercil de VOP apresentou maiores médias de PAS, PAD, pressão de pulso (PP) e PAM do que o grupo com menor tercil de VOP (Tabela 2); entretanto, a prevalência de hipertensão arterial foi semelhante nos três grupos (Tabela 3).

O grupo com maior tercil de VOP exibiu maior média de IMC. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos para os outros parâmetros antropométricos (peso, altura e circunferência abdominal - Tabela 2). Também não foi observada diferença entre os grupos em relação à prevalência de circunferência abdominal elevada e à prevalência de sobrepeso/obesidade (Tabela 3).

A análise das variáveis metabólicas demonstrou que o grupo de maior tercil de VOP apresentou maiores médias de insulina, HOMA-IR e menores médias de adiponectina (Tabela 2), quando comparado aos demais grupos. O grupo do 3o tercil mostrou também maior prevalência de diabetes mellitus/intolerância à glicose (DM/IG) e de hiperinsulinemia (Tabela 3).

Na Tabela 4 estão descritas as correlações univariadas da VOP com as variáveis estudadas. Pode-se observar que houve correlação positiva e significativa com a PAS, PAD, PAM, IMC, circunferência abdominal, LDL-colesterol e negativa com o HDL-colesterol e adiponectina. Em análise de regressão multivariada, a inclusão das variáveis idade, sexo, IMC e PAM no modelo com o HDL-colesterol, LDL-colesterol e adiponectina, fez com que a VOP mostrasse associação significativa apenas com o sexo masculino e a PAM (Tabela 5).

 

 

 

 

Discussão

O presente estudo permitiu demonstrar a associação da VOP com um pior perfil cardiovascular, sobretudo metabólico, traduzido por maior PA, maior IMC, maior taxa de insulina e menor taxa de adiponectina plasmáticas, maior índice HOMA-IR e maiores prevalências de diabetes mellitus/intolerância à glicose (DM/IG) e de hiperinsulinemia em indivíduos adultos jovens com maior tercil de VOP.

A idade e a pressão arterial são considerados os maiores determinantes da VOP. Acredita-se que o enrijecimento vascular relacionado à idade seja acelerado pelas elevações crônicas da pressão arterial causadas pelas alterações estruturais e funcionais nas paredes das artérias elásticas centrais. Por sua vez, o enrijecimento arterial promove, em parte, as alterações sobre a pressão arterial sistólica e diastólica relacionadas à idade, particularmente em indivíduos mais idosos5,21,22. Abaixo dos 40 anos, quando os efeitos da idade sobre a estrutura da parede arterial e o padrão de enrijecimento vascular consequente ainda não se desenvolveram plenamente, a clássica associação entre a idade e a hipertensão arterial torna-se menos evidente23, sugerindo que o aumento da rigidez arterial avaliada pela VOP, no adulto jovem, deve sofrer influência de outros fatores como o aumento da atividade do sistema nervoso simpático e a elevação da resistência vascular periférica10.

No presente estudo, a VOP mostrou forte relação com a pressão arterial, traduzida por maiores médias da PAS, PAD e PAM no grupo com maior tercil de VOP, além de correlações significativas da PAM com a VOP, mesmo após ajuste para idade, sexo e IMC.

Quanto à idade, a faixa etária da população estudada foi muito estreita e não representou fator importante no determinismo da VOP da população estudada, nem mostrou influência sobre os demais achados do estudo.

Em relação aos índices antropométricos, este estudo mostrou forte associação da VOP com IMC e circunferência abdominal. Esses achados também encontram paralelo em estudos prévios. Zebekakis e cols.24 demonstraram forte correlação da VOP com IMC elevado e com a relação cintura-quadril, independentemente de idade, sexo, raça e pressão sistólica. Dois outros estudos, controlando a interferência causada pela idade, demonstraram associações positivas entre VOP e vários índices de obesidade, tanto numa população com ampla faixa etária (20-77 anos)25 como numa população mais jovem (36 anos)26.

No presente estudo não houve diferença entre os grupos nem em relação às médias nem em relação às prevalências das possíveis alterações das variáveis lipídicas, entretanto, a VOP apresentou correlação significativa com o LDL-colesterol e HDL-colesterol.

As evidências da correlação entre rigidez arterial e lipídios são controversas. Wang e cols.27 demonstraram relação positiva da VOP com colesterol total e LDL-colesterol e correlação inversa com HDL-colesterol, não havendo correlação da VOP com triglicerídeos (TG)27. Por outro lado, Ferreira e cols.28 não puderam demonstrar a relação entre dislipidemia (TG elevados e HDL-colesterol baixo) com a VOP numa população de mulheres adultos jovens e, em um importante estudo populacional6 também não se identificou influência da dislipidemia sobre a VOP.

Como essa relação parece ser complexa, é possível que os diversos mecanismos existentes para a associação entre lipídios plasmáticos e rigidez arterial envolvam situações e fatores de risco concomitantes, como o desenvolvimento de placas ateroscleróticas, estresse oxidativo, inflamação local e sistêmica, disfunção endotelial, baixa biodisponibilidade de óxido nítrico e ação de endotelinas29.

O grupo com maior tercil de VOP apresentou maior prevalência de indivíduos com DM/IG, apesar de não haver diferença significativa na comparação das médias de glicose entre os grupos. Há que se ressaltar que o grupo com o maior tercil da VOP apresentou, ainda, maiores taxas séricas de insulina, maior prevalência de hiperinsulinemia e maior índice HOMA-IR.

Diferentes autores têm relatado que a VOP é maior em indivíduos diabéticos30 e intolerantes à glicose31, independente do nível da pressão arterial e da idade do paciente32; entretanto, não está demonstrada nenhuma associação entre o enrijecimento arterial com níveis normais de glicemia de jejum33.

A elasticidade arterial reduzida pode ser consequência da ação direta da hiperglicemia e ou hiperinsulinemia ou pode ser consequência da ação dos produtos finais da glicação avançada sobre as proteínas da matriz vascular com consequente aumento da produção de fibras de colágeno30.

O papel da resistência à insulina na patogênese da esclerose vascular prematura pode ser uma característica precoce importante da doença subclínica34. O aumento da rigidez arterial é proporcional ao grau da resistência à insulina, independentemente de idade, grau da obesidade, níveis séricos dos lipídios e pressão arterial; e pode ser um dos mecanismos envolvidos nessa relação35, envolvendo alterações tais como a disfunção endotelial, a inflamação e a ativação simpática28.

De forma importante, o presente estudo demonstrou a relação entre menores níveis de adiponectina e a rigidez arterial avaliada pela VOP, com forte correlação inversa entre os níveis de adiponectina e a VOP. Esses dados são consistentes com os resultados de Mahmud36, que mostraram uma significativa relação inversa entre níveis plasmáticos de adiponectina e VOP em indivíduos hipertensos além de uma relação negativa entre adiponectina e glicose plasmática sugerindo que a resistência à insulina, que reconhecidamente eleva a VOP, possa ser um dos mecanismos36.

A descoberta e o estudo das adipocinas, como a leptina e a adiponectina, vêm contribuindo para a compreensão do papel do tecido adiposo na homeostase metabólica. Essas moléculas podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento da resistência à insulina e suas consequências. As concentrações séricas de leptina têm se associado com fatores de risco cardiovascular, hipertensão e dislipidemia. A adiponectina é uma importante adipocina moduladora da resistência à insulina com propriedades anti-inflamatórias e antiaterogênicas37. Baixas concentrações de adiponectina estão associadas com a presença de fatores de risco cardiovascular38.

Windham e cols.39 demonstraram que a leptina esteve envolvida na relação entre obesidade abdominal e rigidez arterial, e que havia correlação independentemente da leptina, adiponectina e resistina com a VOP. Gauthier e cols.38 observaram uma relação positiva entre VOP e a relação leptina/adiponectina ajustada para sexo e idade.

Neste estudo, embora a pressão arterial tenha apresentado uma grande contribuição para a maior VOP, variáveis metabólicas como HDL colesterol, LDL-colesterol, insulina, HOMA-IR, intolerância à glicose e hiperinsulinemia também se relacionaram com a VOP. Essas variáveis estão fisiopatologicamente relacionadas, frequentemente coexistem em adultos jovens10 e estão associadas com o comprometimento da estrutura e função arterial40.

A natureza transversal do presente estudo limita a nossa capacidade de inferir uma relação causal entre as diferentes variáveis analisadas e a medida de rigidez arterial fornecida pela VOP em adultos jovens. Por ser um estudo exploratório e ter utilizado diversos modelos multivariados para ajuste das hipóteses formuladas, estima-se que alguns vieses possam ter sido produzidos. Dessa forma, acredita-se que mais estudos são necessários para determinar de que forma as variáveis de risco cardiovascular analisadas em si contribuem para o determinismo da rigidez arterial e, em última análise, para o desenvolvimento da arteriosclerose.

Em conclusão, os resultados deste estudo demonstraram que o comprometimento vascular avaliado pela VOP em indivíduos jovens mostrou associação significativa com pressão arterial, lípides séricos, insulina e HOMA-IR, e adiponectina. Destaca-se que o sexo masculino e a pressão arterial média mostraram importante papel no determinismo de maior VOP em adultos jovens. Esses achados sugerem que a análise não invasiva da estrutura e função vascular pela medida da VOP pode ser útil para a identificação do acometimento vascular precoce em indivíduos jovens. Assim, os dados aqui apresentados se somam aos de estudos prévios, que propõem que a integridade estrutural e a rigidez da parede arterial em jovens sejam determinadas por vários mecanismos patogênicos relacionados aos diferentes fatores de risco cardiovascular, criando, dessa forma, um cenário de elevado potencial preventivo nessa faixa etária.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflito de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

Este artigo é parte de tese de Doutorado de Oswaldo Luiz Pizzi pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

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Correspondência:
Oswaldo Luiz Pizzi •
Rua Francisco Framback, 17. Cascatinha - 25716-120 - Petrópolis, RJ, Brasil
E-mail: olpizzi@cardiol.br, olpizzi@yahoo.com.br

Recebido em 10/05/12; revisado recebido em 11/07/12; aceito em 30/07/12.

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