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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782XOn-line version ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.112 no.6 São Paulo June 2019  Epub July 15, 2019

http://dx.doi.org/10.5935/abc.20190111 

Artigo Especial

Sociedade Brasileira de Cardiologia - Carta das Mulheres

Glaucia Maria Moraes de Oliveira1 
http://orcid.org/ 0000-0002-0737-6188

Fátima Elizabeth Fonseca de Oliveira Negri2 

Nadine Oliveira Clausell3 

Maria da Consolação V. Moreira4 

Olga Ferreira de Souza5 

Ariane Vieira Scarlatelli Macedo4 

Barbara Campos Abreu Marino6 

Carisi Anne Polanczyk3 

Carla Janice Baister Lantieri7 

Celi Marques-Santos8 

Cláudia Maria Vilas Freire4 

Deborah Christina Nercolini9 

Fatima Cristina Monteiro Pedroti10 

Imara Correia de Queiroz Barbosa11 

Magaly Arrais dos Santos12 
http://orcid.org/0000-0001-7417-5426

Maria Christiane Valéria Braga Braile13 

Maria Sanali Moura de Oliveira Paiva14 

Marianna Deway Andrade Dracoulakis15 

Narriane Chaves Holanda16 

Patricia Toscano Rocha Rolim17 

Roberta Tavares Barreto Teixeira2 

Sandra Mattos18 

Sheyla Cristina Tonheiro Ferro da Silva8 

Simone Cristina Soares Brandão19 

Viviana de Mello Guzzo Lemke20 
http://orcid.org/0000-0002-0732-9920

Marcelo Antônio Cartaxo Queiroga Lopes21 

1Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ - Brazil

2Hospital Universitário Lauro Wanderley - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB - Brazil

3Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS - Brazil

4Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG - Brazil

5Rede D’OR São Luiz, Rio de Janeiro, RJ - Brazil

6Hospital Madre Teresa, Belo Horizonte, MG - Brazil

7Faculdade de Medicina do ABC, Santo André, SP - Brazil

8Hospital São Lucas, Aracaju, SE - Brazil

9Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR - Brazil

10Universidade Federal do Espirito Santo, Vitória, ES - Brazil

11Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, PB - Brazil

12Hospital do Coração para Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, São Paulo, SP - Brasil

13Instituto Domingo Braile, São José do Rio Preto, SP - Brazil

14Hospital Universitário Onofre Lopes, Natal, RN - Brazil

15Instituição Ensino de Pesquisa do Hospital da Bahia, Salvador, BA - Brazil

16Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB - Brazil

17CENTROCOR, João Pessoa, PB - Brazil

18Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco, Recife, PE - Brazil

19Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE - Brazil

20Cardiocare Clínica Cardiológica, Curitiba, PR - Brazil

21Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, João Pessoa, PB - Brazil

Palavras-chave Mulheres; Medicina/tendências; Demografia; Doenças Cardiovasculares/prevenção e controle; Sociedades Médicas; Participação nas Decisões; Fatores de Risco; Prevalência; Educação Médica

Objetivo

O objetivo primordial desse documento é estimular a melhoria das condições de saúde das mulheres brasileiras, com foco na doença cardiovascular (DCV). A DCV é responsável por 17,5 milhões de mortes prematuras/ano no mundo, com previsão de aumento para 23 milhões em 2030. As DCV são responsáveis por um terço de todas as mortes no Brasil, com semelhança entre homens e mulheres após a menopausa. Esses dados revestem-se de maior importância quando consideramos que 80% das mortes prematuras poderiam ser evitadas com o controle de quatro fatores de risco: tabagismo, dieta inadequada, inatividade física e uso nocivo de álcool.1

Pretende-se ainda criar um grupo de discussões permanente que exerça um papel de liderança nas políticas brasileiras para a saúde, fornecendo aos gestores uma visão geral da relevância das doenças cardiovasculares nas mulheres, para que possam traçar ações estratégicas para reduzir a prevalência de fatores de risco, melhorar o diagnóstico e a abordagem terapêutica, reduzindo assim sua mortalidade e morbidade.

Preâmbulo

Considerando-se que a carga das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), das quais as doenças cardiovasculares são o principal componente, continuará a crescer significativamente no Brasil e no mundo, e referendando a meta global de redução de 25% na mortalidade precoce por doenças não transmissíveis até 2025,2 estabelecida na Assembleia Mundial de Saúde (WHA), e em consonância com a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Prevenção e Controle das DCNT, endossa-se as medidas propostas por essa Assembleia, que foram reunidas pelas sociedades de cardiologia na Carta do Rio de Janeiro,3 ressaltando a importância de que os objetivos também sejam alcançados no sexo feminino, que representa atualmente 48% dos 7,7 bilhões de habitantes do mundo, e 47% dos 202.768.562 de brasileiros, em abril de 2019.4

Reconhecendo que a proporção de mulheres médicas aumentou nos últimos anos, saltando de 22% em 1910 para 45,6% em 2018, com predominância das mais jovens, e considerando-se que o crescimento das mulheres cardiologistas tem velocidade menor, representando hoje cerca de 30% do total,5 ressalta-se a importância de fomentar atividades voltadas para a consolidação da especialidade entre as mulheres brasileiras, a fim de multiplicar as oportunidades do cuidado na perspectiva feminina, permitindo a integração e troca de experiências que amplifiquem a melhoria da prática clinica diária.

Enfatizando-se que a presença das mulheres na ciência representa hoje 28% dos pesquisadores em todo o mundo, segundo a UNESCO, e 49% no Brasil,6e constatando-se que menos de um quarto dos palestrantes dos eventos científicos são do sexo feminino, além da pequena representatividade das mulheres nos ensaios clínicos que determinarão a utilização de terapêuticas, propõem-se a realização de fóruns que possam discutir medidas custo-efetivas para diminuir essas desigualdades no curto e longo prazo, e políticas afirmativas que acelerem a representatividade feminina na ciência e nos estudos clínicos.

Por fim, sabendo-se da relevância do papel das sociedades médicas e suas associações como agentes críticos para mudança de paradigmas e agregação de múltiplos parceiros, propõem-se o protagonismo dessas entidades na elaboração de documentos que atuem como ferramentas aceleradoras de resultados.

Deliberações

  1. Trabalhar coletivamente em defesa das metas globais para prevenção e controle de DCNT, especialmente das doenças cardiovasculares, nas mulheres brasileiras.

  2. Estabelecer campanhas de prevenção cardiovascular, promovendo esforços consistentes para obter a meta de redução de 25% da taxa de mortalidade até 2025.

  3. Realizar análises críticas de estatísticas de saúde, implementar registros que possam avaliar e mensurar os agravos da saúde cardiovascular, para que haja melhoria no planejamento das ações estratégicas de saúde.

  4. Elaborar e sugerir políticas governamentais para promover ambientes adequados para a redução da exposição ao risco, facilitando a adoção de hábitos saudáveis por parte da população, em ambientes escolares, de trabalho e de lazer, voltadas ao combate às DCV na Mulher.

  5. Atuar junto aos governos para o desenvolvimento e aplicação de programa de prevenção cardiovascular, além da incorporação de tecnologias custo-efetivas para a redução da morbimortalidade por doenças cardiovasculares.

  6. Envolver os portadores de doenças cardiovasculares, e os diversos seguimentos da sociedade civil, na formulação, implementação, revisão de politicas, legislação e discussão de estratégias que possam desencadear melhorias no sistema de saúde das mulheres.

  7. Desenvolver projetos colaborativos por meio das sociedades científicas que possam agregar diferentes saberes para redução das desigualdades entre os gêneros.

  8. Fornecer o mais alto nível de educação médica continuada, promover o intercâmbio técnico científico, cultural e social entre as cardiologistas do Brasil e do mundo, e fomentar o conhecimento científico necessário para aumentar a participação das mulheres nas ciências e nos eventos científicos das áreas de saúde e ciências afins.

  9. Mobilizar os meios de comunicação para levar informações contínuas sobre a importância das doenças cardiovasculares nas mulheres, seus principais fatores de risco e formas de prevenção, ampliando a divulgação para a população sobre a importância do diagnóstico precoce.

  10. Criar um fórum internacional de discussão permanente para monitorar as ações voltadas para prevenção, diagnóstico e tratamento dos fatores de risco cardiovascular.

  11. Estimular ativamente a maior participação das cardiologistas nas Diretorias Executivas das Entidades Representativas, para que se possa obter os mesmos direitos e remuneração, nos diversos aspectos da carreira médica.

*Apoio: European Society of Cardiology (ESC)

Errata

No artigo especial “Sociedade Brasileira de Cardiologia – Carta das Mulheres”, considerar como correta a grafia Maria Christiane Valéria Braga Braile para o nome da autora Maria Cristiane Valeria Braga Braile.

REFERÊNCIAS

1 GBD 2017 Disease and Injury Incidence and Prevalence Collaborators. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 354 diseases and injuries for 195 countries and territories, 1990-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018;392(10159):1789-858. [ Links ]

2 World Health Organization.(WHO). 65(th) World Health Assembly document A65/54: Second report of Committee A, Netherlands 2012 May 25. [Cited in 2019 April 29]. Available from: http://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA65/A65_54-en.pdfLinks ]

3 Andrade JP, Arnett DK, Pinto FJ, Piñeiro D, Smith Jr SC, Mattos LAP, et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia - Carta do Rio de Janeiro - III Brasil Prevent / I América Latina Prevent. Arq Bras Cardiol. 2013;100(1):3-5. [ Links ]

4 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.(IBGE). Projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação [Internet [Acesso em 2019 abr 29]. Disponivel em: https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/Links ]

5 Scheffer M, Cassenote A, Guilloux AGA, Miotto BA, Mainardi GM, Demografia Médica no Brasil 2018. São Paulo, SP: FMUSP, CFM, Cremesp; 2018. [Acesso em 2019 abr 29]. Disponivel em: http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/DemografiaMedica2018%20(3).pdfLinks ]

6 Engin K, Tran M, Connor R, Uhlenbrook S. The United Nations world water development report 2018: nature-based solutions for water; facts and figures. UNESCO; 2018. [Cited in 2019 April 29]. Available from: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000261579Links ]

Recebido: 03 de Maio de 2019; Revisado: 15 de Maio de 2019; Aceito: 15 de Maio de 2019

Correspondência: Gláucia Maria Moraes de Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro - R. Prof. Rodolpho P. Rocco, 255 - 8°. Andar - Sala 6, UFRJ. CEP 21941-913, Cidade Universitária, RJ - Brasil. E-mail: glauciam@cardiol.br, glauciamoraesoliveira@gmail.com

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