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Anais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

versão impressa ISSN 0071-1276

An. Esc. Super. Agric. Luiz de Queiroz vol.4  Piracicaba  1947

http://dx.doi.org/10.1590/S0071-12761947000100004 

Como combater a Tillandsia Usneoides

 

 

Philipe W. C. de VasconcellosI; Heitor W. S. MontenegroII

IEscola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo
IISeção Técnica de Horticultura da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo

 

 

Insistentes pedidos feitos por fazendeiros de Capivari e outras regiões do estado, levaram-nos a estudar um combate eficaz e sobretudo econômico à Tillandsia usneoides, mais conhecida vulgarmente por "barba de velho". (Figs. 1 e 2).

 

 

 

 

Esta planta é da família Bromeliaceae, epífita, isto é, ela não parasita a planta hospedeira, tendo apenas ação puramente mecânica de agarrar-se, por intermédio de suas raízes, à mesma.

Muitos botânicos são de opinião que ela não prejudica a planta que a hospeda. Somos, porém, de parecer, que a T. usneoides, prejudica demasiadamente as plantas hospedeiras chegando a causar-lhes a morte quando em grande número. Chegámos a esta conclusão quando observamos que suas raízes, penetrando profundamente na casca, formam um verdadeiro anel em torno dos ramos, dificultando a circulação da seiva.

Sem combate, esta plantinha se propaga com vertiginosa rapidez, principalmente nas árvores de casca um tanto áspera, onde as sementes da T. usneoides, levadas pelo vento, se alojam e aí germinam.

Até então, o método aconselhado era o da retirada manual daquela bromeliácea, processo êste, muito fácil de se aconselhar, porém, pouco viável na prática, especialmente nas grandes árvores.

Em agosto de 1946 resolvemos aplicar uma calda mista cuja composição era a seguinte :

Emulsão de óleo Diesel e sabão .................. 2 quilos

Po bordalez.................................... 1 quilo

Arseniato de cálcio . ........................... 250 grs.

Nicotina ................... de 20 grs. de turno

Água ....................... ............... 100 litros

Esta experiência foi realizada em dois Ipês do parque da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Fig. 3) que nessa época se apresentavam completamente despidos de folhas.

 

 

Num período de observação de 2 meses, pudemos constatar que aquela praga sofreu superficialmente, isto é, apenas as partes mais tenras, com as extremidades de suas filamentosas folhas tinham, side queimadas. Outro inconveniente era a propriedade que possui o pó bordalez de ser preservativo da matéria orgânica, no caso da Tillandsia, de suas raízes presas às árvores. Dai tirámos a conclusão que a percentagem usada (2% de emulsão) ainda era pequena, e ao mesmo tempo resolvemos simplificar a calda, aplicando apenas a emulsão, com a seguinte fórmula:

óleo Diesel......................................8 lts.

Sabão......................................... 2 ks.

Água....................................... 4 lts.

Modo de preparar a emulsão :

Para que haja um bom emulsionamento é imprescindível proceder da seguinte maneira : - colocam-se em uma vasilha os 8 litros de óleo levando-se em seguida ao fogo; ao mesmo tempo, em outra vasilha, aquecem-se os dois quilos de sabão comum dissolvidos em 4 litros dágua. Quando os dois estiverem bem aquecidos mistura-se o óleo ao sabão, despejando-o em fio fino e agitando concomitantemente, e com força até produzir-se o emulsionamento do óleo. Pode-se também usar uma bomba aspirante-premente, na trasfega da mistura quente, de um para outro recipiente, por duas ou três vezes. Deixa-se, em seguida, esfriar A pasta resultante pode ser usada na concentração desejada.

Nesta época (Out.) as plantas se achavam completamente cobertas com sua roupagem verde o que nos impossibilitava de continuar com a experiência, pois, a emulsão usada em percentagem mais elevada poderia ser prejudicial as plantas devido a seu alto teor, determinando talvez, o crestamento das folhas.

Resolvemos mudar o rumo de nossa experiência com o fito de ganharmos tempo. Cortámos então 6 galhos de 1,m5 de comprimento, bastante infestados de T. usneoides e amarrámos cada um dêles a uma vara de bambí, prêsa a dois eucaliptos.

Como esta praga é epifita em nada alteraria que o ramo estivesse ou não com vida.

Os galhos receberam o seguinte tratamento : -

O 1.° galho - emulsão a 2%

O 2.° galho - emulsão a 4%

O 3.° galho - emulsão a 6%

O 4.° galho - emulsão a 10%

O 5.° galho - emulsão a 15%

O 6.° galho - testemunha.

Êsses tratamentos foram feitos, com um pulverizador de costas marca Dobbins, (não se deve usar pulverizador com válvula de borncha pois a emulsão a estraga), no dia 30-10-46 e 3 meses depois pudemos ver coroada de êxito nossa experiência com o seguinte resultado da susceptibilidade da Tillandsia :

No 1 ° galho - c/ emulsão a 2% - não houve alteração.

No 2.° galho - c/ emulsão a 4% - parte morreu, parte não

No 3.° galho - e/ emulsão a 6% - morreu completamente.

No 4.° galho - c/ emulsão a 10% - idem.

No 5.° galho - c/ emulsão a 15% - idem.

No 6.° galho - testemunha - não alterou - em ótimo estado.

Com estes resultados tirámos as seguintes conclusões:

a) que a partir de 6% a emulsão acima usada, combate eficazmente a praga T. usneoides.

b) que também os liquens foram fortemente afetados a essa percentagem.

c) não se conhecendo ainda a resistência das folhas às diversas percentagens de emulsão, convém fazer o tratamento, para as hibernantes, quando despidas.

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