SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 issue91Relationship between anuran amphibians and bromeliads of the sandy coastal plain of Regência, linhares, Espírito Santo, BrazilInfluence of quantities of brewer yeast on the performance of Anastrepha obliqua wild females (Diptera, Tephritidae) author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721On-line version ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool.  no.91 Porto Alegre Nov. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212001000200006 

MOREIRIA WIEDEMANNI SP. NOV. E REDESCRIÇÃO DE M. MAURA (DIPTERA, TACHINIDAE)1

 

Ronaldo Toma2
José Henrique Guimarães2

 

 

ABSTRACT

MOREIRIA WIEDEMANNI SP. NOV. AND REDESCRIPTION OF M. MAURA (DIPTERA, TACHINIDAE). The second new species of the genus Moreiria is described from Brazil (São Paulo, Santa Catarina). The male of Moreiria maura Townsend, 1932 is recognized and a new definition for the genus is presented.

KEYWORDS. Harrisiini, Lonomia, Moreiria, Tachinidae, Taxonomy.

 

 

INTRODUÇÃO

O gênero monotípico Moreiria Townsend, 1932, foi originalmente definido num exemplar fêmea. Townsend (1936) utilizou o caráter olho piloso para separar Moreiria e Echinomasicera Townsend, 1917 dos demais gêneros de Harrisiini e empregou a quetotaxia do abdome para separar esses dois gêneros. Em 1941, o mesmo autor, na redefinição de Moreiria, utilizou a presença de uma cerda mais longa no meio da fileira de cerdas da tíbia posterior.

A ausência de olho piloso na espécie nova, aqui descrita, impede o emprego deste caráter na definição do gênero e a presença de uma cerda mais longa no meio da fileira de cerdas da tíbia posterior deve ser empregado com cautela, visto que é uma característica que varia intra-especificamente. O reconhecimento do macho e a descrição de uma nova espécie permitiram que o gênero fosse redefinido.

Lista dos acrônimos. AMNH, American Museum of Natural History; MNRJ, Museu Nacional do Rio de Janeiro; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo.

 

Moreiria Townsend

Moreiria Townsend , 1932:107, espécie-tipo: Moreiria maura Townsend (designação original); 1936:189 (chave); 1941:81 (redefinição); Guimarães, 1971:186 (cat).

Diagnose. Dois pares de cerdas orbitais reclinadas. Cerdas pós-oculares margeadas por uma fileira de cerdas relativamente espessas. Quatro catepisternais. Cerdas escutelares apicais relativamente curtas e cruzadas. Fileira de cerdas da tíbia posterior com ou sem uma cerda maior mediana. Tergito 3 com um par de cerdas marginais curtas. Tergito 4 com uma fileira de cerdas marginais. Tergitos 3 e 4 com cerdosidade discal forte. Surstilo, vista lateral, robusto, triangular; porção interna com várias cerdas espessas. Edeago com distifalo mais estreito medianamente e epifalo anguloso (fig. 7).

 

 

Moreiria maura Townsend
(Figs. 1, 3, 4, 8)

Moreiria maura Townsend, 1932:107, localidade-tipo: Rio de Janeiro, Brasil; Guimarães, 1971:186 (cat).

Diagnose. Olho piloso; pêlos da parafrontália estendendo-se abaixo da metade da parafaciália.

Macho. Comprimento 9,5-10,0 mm. Cabeça (fig. 1) preta; porção inferior da parafaciália e sutura genal pardo-avermelhadas; pruinosidade cinza; fronte marrom-escura; vértice 0,25 da largura da cabeça; pró-fronte levemente projetada, acima da metade do olho; esse piloso; parafrontália cerca da mesma largura da fronte; pró-fronte cerca de uma vez e meia a largura da fronte; parafaciália pouco mais larga que o flagelômero logo abaixo das cerdas frontais e mais estreita que este na altura subapical deste artículo; antena preta; flagelômero entre uma vez e meia e o dobro do pedicelo; palpo amarelo, escurecido na base; cerdas ocelares normais; verticais externas cerca de 0,30 do comprimento das verticais internas; cerdas frontais cerca de nove, estendendo-se até pouco abaixo do terço superior da parafaciália, logo abaixo do final do pedicelo; pêlos da parafrontália estendendo-se abaixo da metade da parafaciália; faciália com uma fileira de cerdas finas, variando de 0,15 a 0,50 do tamanho da vibrissa, espaçadas, estendendo-se cerca de 0,50 da distância da vibrissa à base da antena; algumas cerdas mais curtas e fracas entre e ao lado da fileira principal de cerdas, duas ou três cerdas espessas próximas à vibrissa; gena cerca de 0,40 da altura do olho.

Tórax preto com pruinosidade cinza; calo pós-alar e escutelo castanhos com pruinosidade marrom-ferrugínea. Cerdas escutelares: um par de cerdas basais; três pares de laterais; um par de cerdas apicais curtas e cruzadas; várias cerdas curtas e finas entre o par de cerdas discais. Perna castanho-escura. Asa: calíptera com pruinosidade marrom-escura.

Abdome (fig. 8) preto ou castanho-escuro; pruinosidade marrom-ferrugínea, mais intensa nos tergitos 4 e 5. Sintergito 1+2 com um par de cerdas marginais curtas. Tergito 3 com um par de cerdas marginais médias. Tergito 4 com uma fileira de cerdas marginais médias e curtas.

Cercos e surstilos (figs. 3, 4). Vista lateral, cercos curvados para fora na base, estreitando-se gradualmente em direção ao ápice; surstilos subtriangulares e robustos. Esses cerca de 0,95 do comprimento dos cercos.

Fêmea. Difere do macho pelo vértice 0,29 da largura da cabeça; verticais externas cerca de 0,40 do comprimento das verticais internas; dois pares de cerdas orbitais proclinadas; pêlos da parafrontália até o terço inferior de parafaciália.

Distribuição geográfica. Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Comentário. Moreiria maura difere de M. wiedemanni pelo olho nitidamente piloso; pêlos da parafrontália estendendo-se abaixo da metade da parafaciália e cercos e surstilos relativamente menos robustos.

Material examinado. BRASIL, Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Holótipo , VII.1927, D. Mendes col. (MNRJ); São Paulo: São Sebastião (Ilha Bela), , Urban col., em flores de Euphorbia sp. (MZSP); Cotia (Itapevi), , 28.IV.1957, K. Lenko col. (MZSP); Santa Catarina: Rio das Antas, , I.1953, Camargo col. (MZSP).

 

Moreiria wiedemanni sp. nov.
(Figs. 2, 5, 6, 7)

Diagnose. Olho glabro; pêlos da parafrontália alcançando no máximo a metade da parafaciália.

Macho. Comprimento, 10,5-12,5 mm. Cabeça (fig. 2): olho glabro; pruinosidade cinza sobre um fundo preto; face e sulco genal pardo-alaranjados; fronte castanho-escura; vértice 0,26 da largura da cabeça; pró-fronte levemente projetada, acima da metade do olho; parafrontália cerca da mesma largura ou mais estreita que a fronte; pró-fronte cerca da mesma largura ou mais a largura da fronte; parafaciália cerca de uma vez e meia da largura do flagelômero logo abaixo das frontais e pouco mais largo que este na altura subapical deste artículo; antena preta, porção distal do pedicelo castanho-alaranjado; flagelômero cerca do dobro ou pouco mais o comprimento do pedicelo; palpos alaranjados; cerdas ocelares normais; verticais externas reduzidas; cerdas frontais cerca de 10, estendendo-se até pouco abaixo do terço superior da parafaciália; pêlos da parafrontália alcançando no máximo a metade da parafaciália; faciália com cerdas de 0,15 a 0,40 do comprimento da vibrissa, estendendo-se cerca de 0,35 da distância da vibrissa à base da antena, margeadas por cerdas menores e mais finas; gena cerca de 0,30 da altura do olho.

Tórax semelhante ao de M. maura, diferindo-se pelo escutelo pouco mais preto com pruinosidade cinza levemente amarelada. Abdome semelhante ao de M. maura, diferindo pelo formato pouco mais globoso; e pela pruinosidade menos intensa.

Cercos e surstilos (figs. 5, 6) relativamente mais robustos quando comparados com os de M. maura. Surstilos cerca de 0, 90 do comprimento dos cercos.

Fêmea. Difere do macho pelas verticais externas cerca de 0,40 do comprimento das verticais internas; pela presença de cerdas orbitais proclinadas; pela parafrontália e a pró-fronte relativamente mais largas.

Hospedeiro. Lonomia sp. (Lepidoptera, Saturniidae).

Distribuição geográfica. Brasil: São Paulo e Santa Catarina.

Material-tipo. Holótipo , BRASIL, São Paulo: Campos do Jordão, 12.I.1936, F. Lane col. (MZSP). Parátipos: idem: , 22.I.1936; , 27.I.1936 (MZSP).

Material examinado. BRASIL, São Paulo: Campos do Jordão, , 3.I.1936, F. Lane col. (AMNH); Santa Catarina, Nova Teutônia, , XI.1970, F. Plaumann col. (MZSP); São Miguel do Oeste, , 2 , R. H. Pinto col., hosp. Lonomia sp. (MZSP).

Agradecimentos. Às curadoras Caroline S. Chaboo (AMNH), Francisca C. do Val (MZSP) e Márcia S. Couri (MNRJ), pelo empréstimo de material.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Guimarães, J.H. 1971. Family Tachinidae. In: Papavero, N. ed. A catalogue of the Diptera of the Americas South of the United States. São Paulo, Universidade de São Paulo. v. 104, 333p.         [ Links ]

Townsend, C.H.T. 1932. Five new Brazilian oestromuscoid genera. Revta Ent., São Paulo, 2 (1): 105-107.         [ Links ]

___. 1936. Manual of Myiology, in twelve parts. Oestroid classification and habits (Dexiidae and Exoristidae). Pt. IV. Itaquaquecetuba, C. H. T. Townsend. 303p.         [ Links ]

___. 1941. Manual of Myiology, in twelve parts. Oestroid generic diagnosis and data (Goniini to Trypherini). Pt. XI. Itaquaquecetuba, C. H. T. Townsend. 342 p.         [ Links ]

 

 

Recebido em 30.07.2000; aceito em 20.02.2001

 

 

1. Parte da Tese de Doutorado desenvolvida no Depto. de Zoologia da UFPR (auxílio CNPq).

2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42594, CEP 04299-970, São Paulo, SP, Brasil (bolsistas da FAPESP e do CNPq, respectivamente.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License