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Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721On-line version ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.92 no.2 Porto Alegre June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212002000200004 

NOTAS E DESCRIÇÕES EM PARANDRINI (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE, PARANDRINAE)

 

Antonio Santos-Silva1

 

 

ABSTRACT

NOTES AND DESCRIPTIONS ON PARANDRINI (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE, PARANDRINAE). The genus Parandra is reviewed and four genera are recognized: Parandra Latreille, 1804, Neandra Lameere, 1912, stat. nov., Archandra Lameere, 1912, stat. nov. and Acutandra gen. nov. The genus Parandra is subdivided in two subgenera: Parandra (Parandra) s. str. and Parandra (Birandra) subgen. nov. The geographical distribution of P. (P.) laevis Latreille, 1804 is commented and the probable synonymy between P. cubaecola Chevrolat, 1862 and P. (P.) cribrata Thomson, 1861 is discussed. New species described: P. (P.) tavakiliani from Puerto Rico and P. (Birandra) mariahelenae from Jamaica. New combinations: Neandra brunnea (Fabricius, 1798), Neandra marginicollis (Schaeffer, 1929), Archandra caspia (Ménétriès, 1832), Acutandra punctatissima (Thomson, 1861), A. degeeri (Thomson, 1867), A. murrayi (Lameere, 1912), A. araucana (Bosq, 1951), A. ubitiara (Santos-Silva & Martins, 2000), all from Parandra. Keys to genera of Parandrini, subgenera of Parandra and American species of Parandra and Acutandra are added.

KEYWORDS. Acutandra, Archandra, Neandra, Parandra, Taxonomy.

 

 

INTRODUÇÃO

Lameere (1912) dividiu o gênero Parandra Latreille, 1804 em quatro subgêneros: Archandra, Neandra, Parandra s. str. e Stenandra. Quentin & Villiers (1972) elevaram Stenandra a status genérico. Arigony (1977) dividiu o subgênero Archandra em dois subgêneros: Hesperandra, com espécies exclusivamente americanas e Archandra, da Região Paleártica. Villiers (1980), ao estudar os Cerambycidae das Antilhas Francesas, elevou Hesperandra a gênero. Assim, o gênero Parandra ficou composto por três subgêneros: Neandra (Neártico), Archandra (Paleártico) e Parandra s. str. (predominante no Hemisfério Sul).

Propõe-se que os dois primeiros sejam elevados a status genérico por reunirem caracteres que os permitem distinguir do gênero Parandra. Lameere (1912) caracterizou Parandra s. str., por ter cavidades coxais anteriores abertas e paroníquio tarsal com uma seta. As espécies americanas de Parandra s. str. pertencem a dois gêneros distintos: Parandra, constituído pelas espécies cujos machos possuem as mandíbulas grandes e falciformes, e Acutandra gen. nov., onde as mandíbulas dos machos não são falciformes e assemelham-se às das fêmeas. O gênero Parandra é dividido em dois subgêneros: Parandra (Parandra), reunindo as espécies com a área sensorial do antenômero XI dividida por carena, ainda que incompleta, e P. (Birandra) subgen. nov., com espécies que não possuem carena na área sensorial do antenômero XI.

Esta idéia também foi expressa por Gérard L. Tavakilian (com. pess.) que, contudo, acredita que os dois subgêneros de Parandra constituam gêneros. Baseado na semelhança da morfologia externa, considera-se que, evolutivamente, as espécies de Parandra ainda são muito próximas para justificar a criação de um novo gênero.

As citações bibliográficas das espécies, onde ocorreu nova combinação, são restritas à descrição original e a um catálogo (Monné, 1994). Quando pertinente, outras citações são acrescidas.

As siglas mencionadas correspondem às seguintes instituições: BMNH, The Natural History Museum, London; FSCA, Florida State Collection of Arthropods, Gainesville; IAHC, Instituto de Investigaciones de Recursos Biológicos "Alexander von Humboldt", Villa de Leyva; MCNZ, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MNHN, Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris; MNRJ, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo; UNCB, Museo de Historia Natural, Universidad Nacional de Colombia, Bogotá.

Chave para os gêneros de Parandrini

1. Cavidades coxais anteriores fechadas atrás..................................2

Cavidades coxais anteriores abertas atrás........................................5

2(1). Paroníquio reduzido (não-exposto) e sem setas.......................3

Paroníquio normal (exposto) e com duas ou mais setas.....................4

3(2). Corpo largo e curto; mandíbulas dos machos falciformes. Região Neártica..........................................................................................Neandra Lameere, 1912, stat. nov.

Corpo estreito e alongado; mandíbulas dos machos alongadas e triangulares. Região Etiópica...............................................................................Stenandra Lameere, 1912

4(2). Gálea pouco pilosa, atinge apenas o ápice do primeiro artículo do palpo maxilar; mandíbulas das fêmeas com forte reentrância circular lateral; paroníquio com duas setas. Região Paleártica...................................................Archandra Lameere, 1912, stat. nov.

Gálea pilosa, ultrapassa o ápice do primeiro artículo do palpo maxilar; mandíbulas das fêmeas sem forte reentrância circular lateral; paroníquio com duas ou mais setas. Regiões Neártica e Neotropical..............................................Hesperandra Arigony, 1977

5(1). Margem anterior do protórax fracamente sinuosa ou não-sinuosa (figs. 20, 21) nos dois sexos; mandíbulas dos machos major (figs. 14-18) bem desenvolvidas, falciformes; ápice do labro nos machos truncado (fig. 1). Largamente distribuído......................................................................Parandra Latreille, 1804

 

 

 

 

 

Margem anterior do pronoto fortemente sinuosa nos dois sexos (figs. 46, 50-54); mandíbulas dos machos major (figs. 46, 50, 54, 56) pouco desenvolvidas, não-falciformes, semelhantes às das fêmeas (fig. 19); ápice do labro aguçado nos dois sexos (fig. 2). Região Neotropical......................................................Acutandra gen. nov.

 

 

 

 

 

 

 

 

Neandra Lameere, 1912, stat. nov.

Parandra (Neandra) Lameere, 1912:114; Monné, 1994:3 (cat.); Chemsak, 1996:7.

Espécie-tipo. Tenebrio brunneus Fabricius, 1798, monotipia.

Colorido geral do tegumento castanho-claro. Corpo curto. Cabeça mais larga nos machos do que nas fêmeas. Ápice do labro aguçado nos dois sexos. Olhos emarginados anteriormente. Mandíbulas longas e falciformes nos machos major, curtas e triangulares nas fêmeas e machos minor; ápice com três dentes (dente apical externo invisível em vista dorsal). Área sensorial dos antenômeros III-XI dividida por carena; área sensorial dorsal do antenômero XI bem delimitada. Olhos emarginados anteriormente. Protórax transversal. Élitros pontuados. Cavidades coxais anteriores fechadas atrás. Paroníquio reduzido e sem setas.

Espécies incluídas: N. brunnea (Fabricius, 1798), comb. nov.; N. marginicollis (Schaeffer, 1929) comb. nov.

 

Neandra brunnea (Fabricius, 1798), comb. nov.

Tenebrio brunneus Fabricius, 1798:49.
Parandra (Neandra) brunnea brunnea; Monné, 1994:3 (cat.).
Parandra (Neandra) brunnea coloradensis; Monné, 1994:4 (cat.).
Parandra (Neandra) brunnea quebecensis; Monné, 1994:4 (cat.).
Parandra (Neandra) brunnea; Chemsak, 1996:8, est. I, figs. 3, 4.

Distribuição. Canadá e Estados Unidos.

Material examinado (MZSP). ESTADOS UNIDOS, Illinois: Chicago, 22 , 14 , sem data, R. L. Araujo col.; Kansas: McPherson, , 5.VIII.1926, Knaus col.; Pensilvânia: Filadélfia, , 7.III.1934, A. E. Michelbacher col.

 

Neandra marginicollis (Schaeffer, 1929), comb. nov.

Parandra marginicollis Schaeffer, 1929:40.
Parandra (Neandra) marginicollis marginicollis; Monné, 1994:4 (cat.).
Parandra (Neandra) marginicollis punctillata; Monné, 1994:5 (cat.).
Parandra (Neandra) marginicollis; Chemsak, 1996:10, est I, figs. 5, 6.

Nenhum exemplar da espécie foi estudado. A alocação foi baseada na descrição original e redescrições.

Distribuição. Estados Unidos.

 

Archandra Lameere, 1912, stat. nov.

Parandra (Archandra) Lameere, 1912:114 (parte); 1913:4 (parte); 1919:15 (parte); Arigony, 1977:163; 1978:119; 1983:39; 1984:89.

Espécie-tipo. Parandra caspia Ménétriès, 1832, designação original.

Tegumento castanho-escuro brilhante. Cabeça larga, principalmente nos machos. Mandíbulas alongadas e falciformes nos machos; nas fêmeas são mais curtas e não-falciformes, com forte reentrância na lateral. Gálea pouco pilosa, curta (mal atinge o ápice do primeiro artículo do palpo maxilar). Área sensorial dos antenômeros III-XI dividida por carena. Protórax transversal; margem anterior fracamente côncava ou reta. Élitros com pontuação microscópica. Cavidades coxais anteriores fechadas atrás. Paroníquio com duas setas. Archandra caspia (Ménétriès, 1832) é a única espécie incluída.

 

Archandra caspia (Ménétriès, 1832), comb. nov.

Parandra caspia Ménétriès, 1832:225; Lameere, 1902:67; Iljin, 1916:285.
Parandra caspica; Falderman, 1837:261; Thomson, 1861:83; 1867:107.
Parandra (Archandra) caspia; Lameere, 1912:114; 1913:4 (cat.); 1919:15; Arigony, 1977:159, figs. 1-8; 1984:89.

Nenhum exemplar da espécie foi examinado. Arigony (1977) redescreveu a espécie e apresentou figuras.

Distribuição. Ásia (Azerbaijão, Irã, Turcomenistão).

 

Parandra Latreille, 1804

Parandra Latreille, 1804:262; Monné, 1994:2 (cat.); Napp, 1994:269, figs. 1-3, 31, 35, 47, 65, 66, 82, 115, 116, 141, 160, 161, 193, 206, 223, 251, 252; Chemsak, 1996:7.

Espécie-tipo: Parandra laevis Latreille, 1804, monotipia.

Colorido geral do tegumento castanho. Corpo curto, pouco convexo. Cabeça larga (figs. 26-39). Ápice do labro truncado nos machos (figs. 1, 20) e aguçado nas fêmeas (fig. 33). Mandíbulas alongadas e falciformes nos machos major (fig. 38), curtas e não-falciformes nos machos minor e nas fêmeas (figs. 48, 49); ápice com três dentes (dente apical externo invisível em vista dorsal). Olhos fracamente emarginados na borda anterior.

Área sensorial do antenômero XI dividida ou não por carena (figs. 12, 13); área sensorial dorsal do antenômero XI bem delimitada. Protórax transversal; margem anterior côncava, reta ou fracamente sinuosa (figs. 20, 26, 36). Élitros pontuados (pontuação fraca ou forte). Cavidades coxais anteriores abertas atrás. Paroníquio tarsal com uma seta.

A alocação genérica das espécies não-americanas do gênero Parandra, relacionadas a seguir, dependerá do exame de material: P. austrocaledonica Montrouzier, 1902, Nova Caledônia; P. capicola Thomson, 1860, África do Sul; P. formosana Miwa & Mitono, 1939, Taiwan, Japão (Ilhas Ryukyu); P. frenchi Blackburn, 1895, Austrália; P. gabonica Thomson, 1857, Guiné, São Tomé e Príncipe, Nigéria, Camarões, Tchad, Sudão, República Centro Africana, Uganda, Congo, Zaire, Tanzânia, Ilhas Comores e Madagascar; P. heterostyla Lameere, 1902, Indonésia [Ilhas Celebes (?)]; P. janus Bates, 1875, Taiwan, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné e Nova Caledônia; P. lanyuana Hayashi, 1981, Taiwan; P. passandroides Thomson, 1867, Nova Caledônia; P. puncticeps Sharp, 1900, Estados Unidos (Havaí); P. shibatai Hayashi, 1963, Japão (Ilhas Ryukyu); P. solomonensis Arigony, 1983, Ilhas Salomão; P. striatifrons Fairmaire, 1879, Ilhas Fidji.

Chave para os subgêneros de Parandra

1.     Área sensorial do antenômero XI dividida por carena da base até o ápice (figs. 11, 12) ou carena parcial (fig. 24)............................................Parandra (Parandra) Latreille, 1804

Área sensorial do antenômero XI sem carena (figs. 13, 42)............................................Parandra (Birandra) subgen. nov.

 

Parandra (Parandra) Latreille, 1804

Parandra Latreille, 1804:262.

Caracterizado por apresentar a área sensorial ventral do antenômero XI com carena completa ou incompleta; área sensorial dos antenômeros III-X dividida ou não por carena.

Distribuição. México ao Panamá e Antilhas.

Chave para as espécies de Parandra (Parandra), exceto P. cubaecola Chevrolat, 1862

1. Área sensorial ventral do antenômero XI dividida por carena incompleta (fig. 24). Porto Rico............................................Parandra (P.) tavakiliani sp. nov.

Área sensorial ventral do antenômero XI dividida por carena da base até o ápice (figs. 11, 12)............................................2

2(1). Pontos elitrais pequenos e rasos (figs. 26-29)............................................3

Pontos elitrais grandes e profundos (figs. 30-33, 38, 39)............................................4

3(2). Protórax notavelmente transversal (largura maior que 1,5 vezes o comprimento) e com marginação lateral larga nos dois sexos (figs. 26, 27); ângulos anteriores do protórax sub-retos e pouco projetados; ápice da mandíbula dos machos, em vista dorsal, (fig. 15) trífido (dente da margem interna localizado junto aos apicais). México............................................Parandra (P.) lata Bates, 1884

Protórax mais estreito (largura menor que 1,5 vezes o comprimento) e com marginação lateral menos saliente nos dois sexos (figs. 28, 29); ângulos anteriores do protórax em geral mais salientes; ápice da mandíbula dos machos, em vista dorsal, bífido (fig. 16). Cuba, Hispaniola e Jamaica............................................Parandra (P.) laevis Latreille, 1804

4(2). Área sensorial dos antenômeros III-X (fig. 11) notavelmente estreita e alongada (pelo menos em alguns antenômeros); colorido geral do tegumento castanho-escuro (figs. 30, 31). Cuba............................................Parandra (P.) cribrata Thomson, 1861

Área sensorial dos antenômeros III-X (fig. 12) larga; colorido geral do tegumento castanho............................................5

5(4). Pontos do pronoto e élitros bem marcados (figs. 32, 33). Martinica............................................Parandra (P.) pinchoni Villiers, 1979

Pontos do pronoto e élitros mais rasos (figs. 34, 35). México ao Panamá............................................Parandra (P.) angulicollis Bates, 1879

 

Parandra (Parandra) tavakiliani sp. nov.
(Figs. 20-25)

Parandra (P.) cribrata; Lameere, 1902:89 (non Thomson, 1861).

Etimologia. Homenagem a Gérard L. Tavakilian, entomologista do MNHN, pelas inúmeras gentilezas.

(fig. 20). Colorido geral do tegumento castanho-escuro. Cabeça com sulco raso longitudinal. Vértice com pontos grossos concentrados. Fronte e laterais das carenas oculares com pontos menores do que os do vértice. Região posterior dos olhos com pontos pequenos e cerrados, esparsados gradualmente em direção à região ventral. Sutura epistomal inconspícua. Clípeo-labro inclinado para baixo, com pontos pequenos, mais concentrados em região do labro, da maioria dos quais nasce um pêlo nítido dirigido para frente; ápice do labro largo, com a borda anterior côncava. Carena ocular baixa, com pontuação cerrada. Borda ocular anterior com reentrância junto ao escapo; borda posterior fortemente saliente. Região lateral das genas com pontuação forte e alguns pêlos curtos próximos ao ápice; depressão centro-lateral mal-delimitada e longitudinal; área ventral larga, não-carenada, nitidamente separadas do submento, pontuadas e com pilosidade curta; ápice nulo. Submento (fig. 25) enegrecido, com pontos grandes, da maioria dos quais nasce um pêlo, e com duas depressões antero-laterais (rasas); margem anterior fracamente elevada. Mento com pontos grandes anastomosados e alguns pêlos longos. Gula lisa e glabra. Lígula pontuada e com pubescência abundante. Mandíbulas (fig. 22) falciformes; carena dorsal alta e estreita; margem dorsal interna com franja de pêlos da base até próximo ao ápice e um dente grande, rombo, localizado pouco depois do meio em direção ao ápice; área entre a carena dorsal e a margem interna com pontos pequenos abundantes; lateral interna com sulco profundo e estreito abaixo da margem interna, transversalmente estriado, seguido de área mate; região ventral profundamente escavada e com pêlos próximos ao ápice; dente apical externo fortemente aguçado, apical médio grande e apical interno sub-arredondado. Antenas atingem apenas o terço posterior do protórax. Antenômeros III-X com área sensorial ventral oval, não-dividida por carena, e pêlos longos relativamente abundantes. Antenômero XI com áreas sensoriais elípticas, ventral dividida por carena baixa na metade apical (fig. 24), a dorsal bem delimitada; pilosidade nos lados, dorso e junto à carena da área sensorial.

Protórax (fig. 20) transverso, alargado em direção à cabeça; margem anterior côncava, enegrecida e elevada nas laterais, próximo aos ângulos anteriores; margens laterais elevadas, escurecidas, quase uniformemente oblíquas; borda posterior elevada, enegrecida e suavemente sinuosa; ângulos anteriores projetados e arredondados; ângulos posteriores salientes e obtusos. Escultura pronotal formada por pontos, mais concentrados nas laterais e bordas anterior e posterior. Prosterno com pontos grandes, dispersos; margem anterior enegrecida e saliente no centro. Processo prosternal afilado, com bordas enegrecidas e elevadas, e área centro-apical com carena larga. Mesonoto com pontos abundantes e confluentes, e carena longitudinal central. Lados externos dos mesepimeros com pontos iguais aos do mesonoto. Mesepisternos com pontos grandes. Metasterno pontuado (pontos maiores e mais concentrados nas laterais e região anterior). Metepisternos com pontos iguais aos das regiões laterais do metasterno. Escutelo com pontos pequenos, dispersos e bordas enegrecidas. Élitros (fig. 20) com pontuação cerrada e forte; sutura elitral enegrecida.

Urosternitos I-IV com pontos e pêlos microscópicos esparsos. Último urosternito com franja de pêlos longos nas bordas e região central; ápice truncado. Tíbias sulcadas longitudinalmente nas laterais e com pêlos mais longos no ápice ventral. Paroníquio tarsal com uma seta.

(fig. 21). Difere do macho: labro com ápice estreito e afilado; mandíbulas (fig. 23) não-falciformes, iguais às dos machos minor; protórax com margem anterior côncava, suavemente sinuosa e margens laterais arredondadas; ângulos anteriores e posteriores agudos; urosternitos I-IV com pontuação fina e cerrada nas laterais.

Variabilidade. : sulco da lateral interna das mandíbulas inconspícuo; margem interna das mandíbulas irregular nos 2/3 basais; margens laterais do protórax mais angulosas; urosternitos com pontos pequenos e esparsos; machos minor com mandíbulas não-falciformes, alargadas na base e mais planas do que nos espécimes normais, margem interna das mandíbulas com dois dentes no meio, juntamente protraídos. : submento quase glabro; fêmeas minor com ápice do labro menos projetado.

Dimensões em mm (/). Comprimento total (exclusive mandíbulas), 11,8-18,6 / 11,4-19,4; maior largura do protórax, 3,4-5,6 / 3,5-5,7; comprimento do pronoto (centro), 2,5-3,9 / 2,4-4,0; largura umeral, 3,5-5,4 / 3,5-5,8; comprimento elitral, 7,7-10,9 / 7,7-12,1.

Material-tipo. Holótipo , Porto Rico, Luquillo, 7-11.IV.1993, R. E. Woodruff col. (FSCA). Parátipos: 2 , 3 , mesmos dados do holótipo (FSCA); , mesmos dados do holótipo (MZSP); , 25.V.1994, M. C. Thomas col. (FSCA); , 26.V.1994, M. C. Thomas col. (FSCA); , 27.V.1994, M. C. Thomas col. (FSCA); , 27.V.1994, M. C. Thomas col.(MZSP); 3 , 29.V.1994, M. C. Thomas col. (FSCA). Todos coletados com blacklight trap.

Discussão. Lameere (1902) escreveu: "J'ai sous les yeux sept exemplaires, trois mâles et quatre femelles, de cette espèce, qui répond entièrement à la description de P. cribrata Thomson, de Cuba". O exame de diapositivo e fotografia do holótipo de P. cribrata, além das observações de Gérard L. Tavakilian (com. pess.) do MNHN, mostram diferenças entre essa espécie e P. (P.) tavakiliani sp. nov. Em P. (P.) cribrata, a área sensorial dos antenômeros III-XI apresenta-se dividida por carena; protórax notavelmente transversal e curto; margem anterior do protórax dos machos, saliente e sinuosa; ângulos anteriores do protórax dos machos não salientes. P. (P.) tavakiliani possui apenas a metade apical da área sensorial do antenômero XI dividida por carena; protórax menos transversal; margem anterior do protórax dos machos côncava; ângulos anteriores do protórax dos machos salientes.

 

Parandra (Parandra) cribrata Thomson, 1861
(Figs. 11, 30, 31)

Parandra cribrata Thomson, 1861:87; Lameere, 1912:115 (nota).
Parandra (Parandra) cribrata; Lameere, 1919:17; Monné, 1994:2 (cat.).

A redescrição do macho baseia-se no estudo de diapositivo e foto do holótipo e em informações de Gérard L. Tavakilian (com. pess.).

Redescrição. Holótipo (fig. 30). Colorido geral castanho-escuro. Ápice do labro moderadamente largo, projetado e fracamente côncavo. Mandíbulas com um dente grande no terço apical. Protórax transverso, alargado em direção à cabeça; margem anterior saliente e sinuosa; margens laterais arredondadas; ângulos anteriores arredondados e não-projetados e ângulos posteriores sub-retos. Pronoto com pontuação forte e cerrada, mais concentrada nas laterais. Antenas atingem apenas o terço posterior do protórax; área sensorial do antenômero III quase redonda, não-nitidamente dividida, mas com uma linha desnuda e brilhante no fundo; área sensorial do antenômero IV oval e mais alongada do que no antenômero III, levemente dividida por carena desnuda e brilhante; área sensorial dos antenômeros V-XI bem alongadas, com carena bem marcada, situada no mesmo nível que as bordas das fossetas. Élitros grossa e cerradamente pontuados. Último urosternito pouco abaulado, com pontuação confluente e alguns pêlos dourados na parte apical; os demais urosternitos parecem completamente glabros. Último segmento abdominal dorsal micro-esculturado, com aspecto de couro (pontos rasos, mas bem marcados) e alguns pêlos dourados.

(fig. 31). Cabeça com sulco longitudinal fraco. Vértice com pontos pequenos, esparsos. Fronte com pontos diminutos, dispersos. Região posterior dos olhos com pontos cerrados, iguais aos do vértice. Sutura epistomal indistinta. Clípeo-labro enegrecido, com pontos iguais aos da fronte e raros pêlos microscópicos; ápice do labro afilado e projetado. Carena ocular distinta e com pontos pequenos. Olhos pequenos; borda posterior pouco saliente. Região lateral das genas pontuada; depressão centro-lateral lisa e oval; ápice pouco projetado e arredondado; região ventral não-carenada. Submento com pêlos curtos, pontuação grossa e esparsa, não-deprimido; margem anterior elevada e com pontos pequenos. Gula lisa e glabra. Mento com sulco transversal profundo no meio, pontuado e com pêlos nas laterais. Lígula com pilosidade longa, não-abundante. Mandíbulas não falciformes; carena dorsal larga e curta; região entre a carena e a margem interna com pontos e pêlos curtos, mais concentrados junto à margem; laterais com pontos pequenos e pêlos diminutos; margem interna com três dentes juntamente protraídos; dentes apicais interno e externo curtos; região ventral profundamente escavada. Antenas atingem apenas o terço posterior do protórax. Antenômeros com pêlos curtos pouco numerosos. Áreas sensoriais ventrais dos antenômeros III-XI (fig. 11) notavelmente alongadas, estreitas e profundas, divididas por carena muito fina e baixa. Área sensorial dorsal do antenômero XI estreita e bem delimitada.

Protórax transverso, suavemente alargado em direção à cabeça; margem anterior sinuosa, enegrecida e elevada junto aos ângulos anteriores; margens laterais arredondadas, elevadas e escurecidas; ângulos anteriores sub-retos; ângulos posteriores pouco projetados e obtusos. Pronoto com pontos pequenos e concentrados nas laterais; disco pronotal com diminutos pontos esparsos. Prosterno com pontos grandes e esparsos nas laterais, pequenos e mais cerrados no centro. Processo prosternal afilado, com bordas elevadas e escurecidas. Mesosterno, mesepimeros, mesepisternos e metepisternos enegrecidos, com pontuação forte (anastomosada no centro do mesosterno). Metasterno escurecido, com pontos abundantes nas laterais e região anterior junto às mesocoxas; disco metasternal com pontos pequenos e esparsos. Escutelo quase liso. Élitros com pontos fortes e cerrados; sutura elitral enegrecida.

Urosternitos I-IV com pontos pequenos dispersos. Região centro-média do último urosternito com asperezas numerosas e pêlos curtos; bordas com franja rala de pêlos curtos. Tíbias com ápice enegrecido. Paroníquios com uma seta.

Variabilidade. Comparando as informações sobre as antenas do holótipo macho e as das duas fêmeas examinadas, verifica-se que a área sensorial ventral apresenta notável variação. A fêmea menor possui apenas os cinco primeiros antenômeros da antena direita e só o escapo na antena esquerda. Nesse espécime a área sensorial dos antenômeros III-V é arredondada, dividida por carena grossa e no mesmo nível das bordas. A pontuação geral da cabeça e pronoto desse exemplar é mais forte e cerrada (particularmente na cabeça), o ápice do labro é truncado, os ângulos anteriores do protórax são mais salientes, os metepisternos com pontos confluentes e abundantes, os urosternitos I-IV com abundantes pontos pequenos e o último urosternito com asperezas em toda extensão (mais fortes na região centro-apical). No macho minor figurado por Zayas (1957), as mandíbulas possuem dois dentes juntamente protraídos na margem interna.

Dimensões em mm (). Comprimento total (exclusive mandíbulas), 15,1-22,8; maior largura do protórax, 4,4-7,5; comprimento do pronoto (centro), 3,0-4,9; largura umeral, 4,2-7,4; comprimento elitral, 9,0-15,5.

Material examinado (além do diapositivo e fotografias do holótipo). CUBA,Camaguey, , VIII.1924, J. Acuña col. (MNRJ); , localidade e coletor ilegíveis, 3.VI.1934 (MZSP).

Discussão. Zayas (1957, 1975) apresentou chave para as duas espécies de Parandrini ocorrentes em Cuba, ambas do subgênero Parandra: P. (P.) cribrata e P. cubaecola Chevrolat, 1862. Ao referir-se a P. cubaecola, disse: "forma poco convexa, superficie fina y esparcidamente punzada". Chevrolat (1862) afirmou: "Convexa, brunnea nitida, crebre punctata". Lameere (1902) colocou P. (P.) cubaecola na sinonímia de P. (P.) cribrata, posteriormente (1912), baseado no estudo do holótipo, revalidou P. (P.) cubaecola. O estudo do diapositivo do holótipo de P. (P.) cubaecola (fig. 49) (BMNH), aliado às informações da descrição original e da redescrição de Lameere (1912), permite concluir que o exemplar é um macho minor, muito provavelmente de P. (P.) cribrata. Em ambos a pontuação pronotal e elitral são iguais e as proporções entre o protórax e os élitros e a forma do protórax são subiguais. Nenhum exemplar disponível proveniente de Cuba foi identificado como a espécie de Chevrolat, não sendo possível esclarecer a validade das espécies em questão.

A descrição, fotografia e desenho apresentados por Zayas (1957, 1975), correspondem, muito provavelmente, a P. (P.) laevis. É provável que as distribuições de P. cubaecola apresentadas por Gundlach (1894) e Leng & Mutchler (1914), correspondam, na verdade, às de P. (P.) laevis ou P. (P.) tavakiliani sp. nov. (em parte). Gahan (1895) parece que distinguiu bem P. (P.) laevis de P. (P.) cubaecola, pois afirmou que a segunda é mais grossa e distintamente pontuada do que a primeira, apesar de ter citado P. (P.) laevis apenas para o Haiti.

Latreille (1804) citou a distribuição de P. (P.) laevis para a América Meridional. Thomson (1861, 1867), Gemminger & Harold (1872) e Bates (1879) citaram esta espécie para Cuba. Gahan (1895), Lameere (1913, 1919) e Leng & Mutchler (1914), consideraram a distribuição da espécie restrita ao Haiti. Blackwelder (1946) citou a espécie para a Jamaica e Hispaniola. Monné & Giesbert (1994) e Monné (1994) citaram Cuba, Jamaica, Haiti e República Dominicana.

Um exemplar fêmea identificado (erroneamente) por F. Zayas como P. cubaecola, proveniente de Sierra del Cristal (Cuba, Oriente), depositado no MNRJ, parece ser na verdade P. (P.) laevis, apesar de apresentar diferenças na forma do protórax e possuir pontuação geral do corpo mais fina do que os exemplares típicos dessa espécie.

O estudo de material mais abundante, proveniente de Cuba, poderá ou não confirmar a sinonímia entre P. cubaecola e P. (P.) cribrata. Da mesma forma, poderá ser constatada a ocorrência de P. (P.) laevis em Cuba ou a existência de uma terceira espécie, de pontuação geral mais fina, confundida com P. cubaecola por Zayas (1957, 1975).

 

Parandra (Birandra) subgen. nov.

Etimologia. O subgênero é dedicado ao Dr. Ubirajara R. Martins, do MZSP, por suas inúmeras contribuições para o conhecimento dos Cerambycidae.

Espécie-tipo. Parandra punctata White, 1853.

Caracteriza-se por apresentar a área sensorial dos antenômeros III ¾ XI não-dividida por carena.

Distribuição. Com exceção de P. (B.) mariahelenae, todas as espécies ocorrem na América do Sul.

Chave para as espécies de Parandra (Birandra)

1. Élitros finamente pontuados nos dois sexos (figs. 36, 37); ângulos anteriores do protórax arredondados; margem anterior do protórax reta ou sub-reta. Colômbia, Venezuela............................................Parandra (Birandra) lucanoides Thomson, 1861

Élitros grossamente pontuados nos dois sexos (figs. 38, 39, 44, 45, 47, 48); ângulos anteriores do protórax salientes e aguçados; margem anterior do protórax dos machos côncava............................................2

2(1). Pontos elitrais profundos nos dois sexos (figs. 38, 39); maior dente da margem interna da mandíbula dos machos major localizado no terço apical. Jamaica.............................................Parandra (Birandra) mariahelenae sp. nov.

Pontos elitrais rasos nos dois sexos (figs. 44, 45, 47, 48); maior dente da margem interna da mandíbula dos machos major localizado nos 2/3 basais............................................3

3(2). Protórax fortemente transversal nos dois sexos (figs. 44, 45); margem interna da mandíbula dos machos com um dente grande atrás do meio. Colômbia, Trinidad e Tobago, Guiana Francesa, Brasil (Amapá), Peru e Bolívia............................................Parandra (Birandra) silvaini Tavakilian, 2000

Protórax mais estreito nos dois sexos (figs. 47, 48); margem interna da mandíbula dos machos com um dente diminuto aproximadamente no meio. Colômbia, Venezuela, Equador, Peru............................................Parandra (Birandra) punctata White, 1853

 

Parandra (Birandra) mariahelenae sp. nov.
(Figs. 38-43)

Etimologia. Homenagem à Dra. Maria Helena M. Galileo (MCNZ), pelo constante empréstimo de material para estudo e inúmeras contribuições para o conhecimento dos Cerambycidae.

(fig. 38). Colorido geral do tegumento castanho-claro brilhante; pilosidade flava.

Cabeça deprimida longitudinalmente no centro. Vértice com pontos dispersos. Fronte com pontos menores e mais concentrados do que no vértice. Região posterior dos olhos e área em torno da carena ocular, com pontos cerrados e maiores do que no vértice. Sutura epistomal indistinta. Clípeo-labro fortemente inclinado para baixo, com pontuação dispersa (de alguns pontos emerge um pêlo microscópico), margem anterior e laterais da região da sutura clípeo-labral com faixa larga enegrecida. Ápice do labro largo, truncado em linha sub-reta. Carena ocular baixa, com pontos dispersos. Olhos pequenos; borda anterior com reentrância acentuada; borda ocular posterior destacada; lobos oculares superiores mais largos do que os inferiores. Área lateral das genas com pontuação concentrada (anastomosada próximo à fóvea antenal), raros pêlos microscópicos e depressão central profunda; área ventral larga e não-carenada, pouco destacada do submento; ápice arredondado e ligeiramente projetado. Submento (fig. 43) sub-deprimido, com pontos grandes cerrados; margem anterior elevada, estreita, lisa e enegrecida. Mento com pontos grandes, e pêlos longos (os pêlos sempre nascem de pontos); margens laterais e anterior enegrecidas. Gula lisa e glabra. Fossas tentoriais enegrecidas. Lígula com pilosidade longa e abundante. Mandíbulas (fig. 40) longas, falciformes; carena dorsal alta, estreita, enegrecida na base; margem interna enegrecida, com densa escova de pêlos longos, que se estende até quase o ápice; margem interna com quatro dentes pequenos: um na base (no holótipo, presente apenas na mandíbula esquerda), um pouco antes do meio, outro pouco depois do meio e um no terço apical (na mandíbula esquerda este dente é fundido ao seguinte), e um dente grande junto ao dente apical interno; área dorsal com pontos pequenos; ápice liso, glabro e enegrecido, com os dentes apicais interno e externo pequenos; lateral interna fortemente deprimida, com a margem inferior mate e enegrecida; lateral externa com pontos pequenos cerrados e enegrecida na borda inferior; região ventral profundamente escavada, onde se alojam os palpos. Antenas atingem apenas a base do protórax; escapo e pedicelo com pilosidade inconspícua; antenômeros III-XI com pêlos nas regiões dorsal e laterais; área sensorial dos antenômeros III-X (fig. 42) oval, aprofundada e sem carena; área sensorial ventral do antenômero XI elíptica e sem carena, e área sensorial dorsal bem delimitada.

Protórax (fig. 38) transverso, alargado em direção à cabeça, e com as margens enegrecidas; margem anterior côncava, elevada junto aos ângulos anteriores; margens laterais elevadas, 3/5 anteriores suavemente convergentes em direção à base, e 2/5 basais fortemente oblíquos; todos os ângulos projetados e agudos. Pronoto com pontuação nítida, mais cerrada junto às margens laterais. Prosterno com pontos grandes, margem anterior e das coxas, escurecidas. Processo prosternal afilado, com as bordas enegrecidas e elevadas. Mesosterno, mesepimeros e mesepisternos com pontos grandes concentrados. Metasterno glabro com pontos pequenos nas laterais e pontuação microscópica no centro do disco. Metepisternos pontuados, glabros e com margens enegrecidas. Escutelo com bordas enegrecidas e pontos diminutos. Escultura elitral (fig. 38) formada por pontos fortes cerrados; sutura elitral e rebordo epipleural escurecidos. Úmeros salientes. Urosternitos com pontos pequenos dispersos e bordas escurecidas; último urosternito com pubescência longa nas margens laterais, ápice e região centro-apical; ápice truncado. Fêmures com raros pêlos microscópicos na região ventral. Tíbias com diminutos pêlos em toda extensão, exceto nos ápices onde a pilosidade é mais longa e concentrada; ápices enegrecidos. Paroníquios com uma cerda.

(fig. 39). Difere do macho: ápice do labro aguçado; mandíbulas (fig. 41) não-falciformes; margem interna com um dente próximo ao meio e dois dentes juntamente protraídos na metade basal; pilosidade da margem interna das mandíbulas menos conspícua; 3/5 anteriores das margens do protórax convergentes em direção à cabeça.

Dimensões em mm, /. Comprimento total (exclusive mandíbulas), 14,3 / 13,6- 16,2; maior largura do protórax, 4,3 / 3,8-4,7; comprimento do pronoto (centro), 2,8 / 2,6-3,3; largura umeral, 4,4 / 4,0-5,0; comprimento elitral, 9,3 / 8,7-10,7.

Material-tipo. Holótipo , JAMAICA: Saint Andrew (Hardwar Gap, 4.000 ft., Hollywell Park), 16.II.1970, R. E. Woodruff col. (FSCA). Parátipos: , mesmos dados do holótipo (FSCA); , mesma localidade do holótipo, 16.VI.1975, R. E. Woodruff col. (MNRJ).

Discussão. A nova espécie é a única do subgênero P. (Birandra) que ocorre nas Antilhas. Assemelha-se a P. (P.) pinchoni, diferindo pelos caracteres subgenéricos.

 

Acutandra gen. nov.

Etimologia. Relativo ao ápice agudo do labro.

Espécie-tipo. Parandra punctatissima Thomson, 1861.

Colorido geral do tegumento castanho ou castanho-escuro. Corpo curto, pouco convexo. Cabeça larga (figs. 50-56). Ápice do labro dos machos e fêmeas estreito e aguçado (figs. 1, 50-52). Mandíbulas dos machos não-falciformes, semelhantes às das fêmeas (figs. 53, 54); ápice das mandíbulas com três dentes (dente apical externo não-visível dorsalmente). Olhos grandes (fig. 4) ou pequenos (fig. 6); borda posterior dos olhos saliente (fig. 3) ou não-saliente (fig. 5). Área sensorial dorsal do antenômero XI bem delimitada (fig. 9) ou mal-delimitada (fig. 10). Área sensorial ventral dos antenômeros III-XI inteira ou dividida por carena. Protórax transversal; borda anterior em geral fortemente sinuosa. Élitros pontuados (pontuação fraca ou forte). Cavidades coxais anteriores abertas atrás. Paroníquio com uma ou duas setas (variável pelo menos em A. ubitiara).

Distribuição. América do Sul.

Chave para as espécies de Acutandra

1. Ângulos anteriores do pronoto com escultura formada por círculos irregulares em relevo com depressão central puntiforme (Santos-Silva & Martins, 2000:168, fig. 6) (fig. 46). Fêmea desconhecida. Colômbia............................................Acutandra ubitiara (Santos-Silva & Martins, 2000), comb. nov.

Ângulos anteriores do pronoto apenas pontuados nos dois sexos............................................2

2(1). Área sensorial das antenas sem carena (figs. 50, 51). Brasil............................................Acutandra degeeri (Thomson, 1867), comb. nov.

Área sensorial das antenas dividida por carena............................................3

3(2). Olhos grandes e salientes (figs. 3, 4, 52). Guiana Francesa, Colômbia............................................Acutandra punctatissima (Thomson, 1861), comb. nov.

Olhos pequenos e não-salientes (figs. 5, 6)............................................4

4(3). Antenômeros III e IV (fig. 7) subiguais em comprimento; fosseta dorsal do antenômero XI (fig. 9), bem-delimitada e funda (figs. 53, 54). Brasil (Amazonas ?, Mato Grosso ?, Minas Gerais ao Rio Grande do Sul)............................................Acutandra murrayi (Lameere, 1912), comb. nov.

Antenômero III (fig. 8) mais longo do que o IV; fosseta dorsal do antenômero XI (fig. 10), mal-delimitada e rasa (figs. 55, 56). Chile e Argentina............................................Acutandra araucana (Bosq, 1951), comb. nov.

 

Acutandra ubitiara (Santos-Silva & Martins, 2000), comb. nov.
(fig. 46)

Parandra (Parandra) ubitiara Santos-Silva & Martins, 2000:168.

Material examinado (além do material-tipo). COLÔMBIA, Valle del Cauca: , 17.XI.1990, M. Baena col. (UNCB).

 

Acutandra degeeri (Thomson, 1867), comb. nov.
(Figs. 50, 51)

Parandra De Geerii Thomson, 1867:111; 1878:4 (tipo).
Parandra Degeerii; Lacordaire, 1869:23 (dist.).
Parandra (Parandra) degeeri; Santos-Silva, 2001:215.

Somente os síntipos (1 e 1) são conhecidos. Esta espécie esteve confundida com Hesperandra ubirajarai Santos-Silva, 2001, desde a redescrição de Lameere (1902).

 

Acutandra punctatissima (Thomson, 1861), comb. nov.
(fig. 52)

Parandra punctatissima Thomson, 1861:84; Tavakilian et al., 1997:308 (planta); Tavakilian, 2000:154.
Parandra (Parandra) punctatissima; Monné, 1994:3 (cat.).

Material examinado. COLÔMBIA, Valle del Cauca: Bajo Calima, , sem data, L. C. Pardo Locardo col. (MZSP).

 

Acutandra murrayi (Lameere, 1912), comb. nov.
(Figs. 53, 54)

Parandra Murrayi Lameere, 1912:115.
Parandra (Parandra) murrayi; Monné, 1994:3.

Material examinado. BRASIL, Minas Gerais: Passa Quatro (Fazenda dos Campos), , 1.III.1918, J. F. Zikán col. (MZSP); Rio de Janeiro: Itatiaia, , III.1959, Dirings (MZSP); , II.1962, Dirings (MZSP); , II.1966, Dirings (MZSP); (1100 m), 2 , II.1969, Dirings (MZSP); São Paulo: Campos do Jordão (1600 m), , III.1945, Wygodzinsky col. (MZSP); Cubatão (Estação Raiz da Serra), , sem data e coletor (MZSP); Paranapiacaba, , 22.II.1925, R. Spitz col. (MZSP); , 18.II.1922, col. ilegível (MZSP); , 12.II.1928, R. Spitz col.(MZSP); , I.1963, R. Spitz col. (MZSP); Pindamonhangaba (Engenheiro Lefévre), , 24.I.1963, Expedição do Departamento de Zoologia col. (MZSP); Santa Catarina: Mafra, , XII.1931, A. Maller col. (MZSP); Timbó, , XII.1961, Dirings (MZSP); São Bento do Sul (Rio Vermelho); Rio Grande do Sul: São Francisco de Paula, , Lichfang-Roland Mecke col. (MCNZ).

 

Acutandra araucana (Bosq, 1951), comb. nov.
(Figs. 55, 56)

Parandra (Parandra) araucana Bosq, 1951:191; Monné, 1994:2.

Material examinado. ARGENTINA, Neuquén: (Lago Moquehue), parátipo , 21.I.1949, F. Monrós col. (MZSP); La Pampa: Lonquimay, 1 , 5 , I.1991, L. E. Peña G. col. (MZSP).

Agradecimentos. Ao Dr. Ubirajara R. Martins (MZSP), pelo constante apoio e incentivo; ao Dr. Miguel A. Monné (MNRJ); à Dra. Maria Helena M. Galileo (MCNZ); à Dra. Claudia Martínez e ao Dr. Fernando Fernandez (IAHC); ao Dr. Michael C. Thomas (FSCA), pelo empréstimo e doação de material; ao Dr. Gérard L. Tavakilian (MNHN), pelo empréstimo e doação de espécimes, exame e envio de fotos dos tipos.

 

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Recebido em 18.10.2001; 15.04.2002.

 

 

1. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42594, 04299-970 São Paulo, SP, Brasil.

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