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Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721versão On-line ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. v.94 n.3 Porto Alegre set. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212004000300004 

Novos Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae) da Região Neotropical

 

New Neotropical Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae)

 

 

Maria Helena M. GalileoI, III; Ubirajara R. MartinsII, III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo, SP, Brasil
IIIBolsista do CNPq

 

 


ABSTRACT

A key to the species of Murupeaca Martins & Galileo, 1992 is presented and M. tavakiliani, from French Guyana, is described. Hemiloapis gen. nov. and its type-species, H. yandaira sp. nov. are described from Bolivia.Two new species are described in the genus Mariliana Lane, 1970, M. amazonica sp. nov. from French Guiana and M. cicadellida sp. nov. from Bolivia. A key to the species of Mariliana is added. Two other new species of the genus Erana Bates, 1866 are described: E. septuosa sp. nov. and E. rosea sp. nov., both from Panama.

Keywords: Erana, Hemiloapis, Mariliana, Murupeaca, new taxa.


 

 

INTRODUÇÃO

A tribo Hemilophini pode ser divida em dois grandes agrupamentos, (1) gêneros com carena umeral nos élitros e (2) gêneros sem essa carena e com o dorso dos élitros regularmente arredondado.

Objetiva-se tratar de algumas espécies dos dois grupos. Dentre aquelas sem carena umeral, apresenta-se uma chave para distinguir as espécies de Murupeaca Martins & Galileo, 1992, gênero com antenas 12-articuladas e que passa a conter três espécies com a descrição de M. tavakiliani. Para o gênero Mariliana Lane, 1970, que reúne atualmente seis espécies, propõe-se chave para identificá-las e descreve-se duas: M. amazonica da Guiana Francesa e M. cicadellida da Bolívia. No gênero Erana Bates, 1866, que conta com 25 espécies, acrescentam-se E. septuosa e E. rosea, procedentes do Panamá. Para o grupo de gêneros com carena umeral, descreve-se Hemiloapis, um gênero novo para conter H. yandaira cuja cabeça, listrada de amarelo, lembra a de abelhas.

A coleção do American Coleoptera Museum, Bulverde, Texas (ACMB), foi cedida para estudo por J. E. Wappes e, por determinação do curador, os holótipos serão depositados no Museo de Historia Natural, Noel Kempff Mercado, Santa Cruz (MNKM). Outras siglas de instituições mencionadas no texto: Coleção F. T. Hovore, Santa Clarita, California (CFHC); Florida State Collection of Arthropods, Gainesville, Florida (FSCA); Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (MCNZ); Muséum National d' Histoire Naturelle, Paris (MNHN); Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZSP); Coleção R. H. Turnbow, Fort Rucker, Alabama (RHTC) e Coleção R. Morris, Lakeland, Florida (RMLF).

Murupeaca Martins & Galileo, 1992

Murupeaca MARTINS & GALILEO, 1992: 576; MONNÉ, 1995: 33 (cat.).

Espécie-tipo, Murupeaca pinimatinga Martins & Galileo, 1992, monotipia.

Na descrição original do gênero, MARTINS & GALILEO (1992) afirmaram que, nos machos de Murupeaca, a fronte não tem projeções. Esse equívoco deu-se pela interpretação errônea do sexo do holótipo de M. pinimatinga, que é uma fêmea e não um macho (G. Tavakilian (MNHN), informação pessoal).

M. mocoia Martins & Galileo,1993 foi fundamentada em um exemplar considerado macho pelo aspecto do último urosternito, não-intumescido e com borda apical emarginada. É possível que esse holótipo seja também uma fêmea, mas não foi dissecado por tratar-se do holótipo.

Em M. tavakiliani sp. nov., descrita a seguir, os machos têm tubérculos anteníferos projetados e acuminados, o que amplia a descrição do gênero.

Chave para as espécies de Murupeaca

1.     Vértice com manchas de pubescência branca; escutelo recoberto por            pubescência branca; mancha de pubescência branca mais basal dos élitros            não atinge a base; extremidades dos élitros ocupadas por mancha de            pubescência branca. Brasil (Espírito Santo)................................................
....................................................................M. mocoia
Martins & Galileo, 1993
        Vértice e extremidades dos élitros sem manchas brancas; escutelo glabro;             mancha de pubescência branca na base dos élitros................................2
2(1).  Protórax sem manchas de pubescência branca; comprimento, 8,7-9,8 mm             (fig.1). Guiana Francesa ........................................M. tavakiliani sp. nov.
         Pronoto com quatro manchas de pubescência branca: duas maiores, junto à             borda anterior e duas menores, junto à borda posterior; comprimento, 13,8             mm. Brasil (Mato Grosso)................... M. pinimatinga Martins & Galileo, 1992

Murupeaca tavakiliani sp. nov.

(Fig. 1)

Etimologia. Epíteto em homenagem ao cerambicidólogo Gérard L. Tavakilian do Muséum National d' Histoire Naturelle, Paris.

Tegumento vermelho-alaranjado, menos as pontas dos fêmures, pretas. Cabeça com tegumento brilhante e fina pubescência amarelada. Fronte densamente pontuada. Nos machos, metade superior da fronte com duas projeções curtas, agudas e distantes, cada uma à frente do tubérculo antenífero. Protórax levemente abaulado no terço posterior. Pronoto brilhante, pontuado. Pubescência pronotal amarelada e muito esparsa. Partes laterais do protórax pontuadas. Cada élitro (fig. 1) com três manchas dorsais de pubescência branco-amarelada, compacta: uma arredondada na base, quase atinge o úmero e o escutelo; outra, no meio, próxima à sutura; a terceira, imediatamente posterior, mais para o lado da margem e uma mancha lateral sob o úmero. Lados do metasterno e centro do metepisterno com mancha de pubescência branca, compacta. Parte escura dos fêmures gradualmente mais extensa, dos fêmures anteriores para os posteriores.

Dimensões em mm, respectivamente . Comprimento total, 8,9-11,0/9,1-12,0; comprimento do protórax, 1,7-2,4/2,2-2,5; maior largura do protórax, 1,7-2,3/2,0-2,8; comprimento do élitro, 6,2-8,0/6,5-8,4; largura umeral, 2,2-2,9/2,5-3,2.

Material-tipo. Holótipo , GUIANA FRANCESA, RN 2 (km 44), 15.VIII.1991, A. Docquin & L. Sénécaux col., armadilha luminosa (MNHN). Parátipos: GUIANA FRANCESA, RN 2 (km 44), , 15.VIII.1991, A. Docquin & L. Sénécaux col., armadilha luminosa (MNHN); Piste de Kaw, 19.VIII.1984, G. Tavakilian col., (MNHN), 2 , 28.VII.1984, S. Boucher col., armadilha luminosa (MNHN); , 28.VII.1984, G. Tavakilian col., armadilha luminosa (MNHN); , 17.IX.1985, P. Bluzen col., armadilha luminosa (MNHN); , 1.VIII.1986, F. & J.-P. Serais col., armadilha luminosa (MZSP); , 7.VIII.1986, G. Tavakilian col., armadilha luminosa (MNHN); , 5.VII.1997, D. Carlot col., armadilha luminosa (MNHN); (km 32), , 24.VIII.1995, J. E. Wappes col. (ACMB); (km 34), , 22.VII.1984, R. Martin col., armadilha luminosa (MZSP); Piste de la Montagne de Fer (km 18), , 17.VIII.1988, R. Garroute col., armadilha luminosa (MZSP); , 17.VIII.1988, R. Garroute col., armadilha luminosa (MNHN); Haute Courcibo, , 22.VII.1990, J.-M. Baloup col., armadilha luminosa (MNHN); Piste Maman Lézard (km 4), , 10.VIII.1991, A. Docquin & L. Sénécaux col., armadilha luminosa (MNHN).

Mariliana Lane, 1970

Mariliana LANE, 1970: 411; MARTINS, 1984: 326; MARTINS & GALILEO, 1996: 21; MONNÉ, 1995: 56 (cat.).

Espécie-tipo, Saperda ocularis Hope, 1846.

Chave para as espécies de Mariliana

1.      Maior parte da superfície elitral coberta por pubescência amarelo-alaranjada, às             vezes a extremidade ocupada por pequena mancha branca ....................2
        Élitros com, no mínimo, seis manchas de pubescência branca.......................3
2(1).  Lados do pronoto, na base, com dois traços curtos de pubescência branca;             escutelo coberto por pubescência amarelo-alaranjada. Brasil (Rio de Janeiro)..
        ...........................................................................M. rupicola Lane, 1970
        Lados do pronoto, na base, com duas manchas arredondadas circundadas por             preto; escutelo recoberto por pubescência branca. Brasil (Minas Gerais)........
        ...........................................................................M. sumpta Lane, 1970
3(1). Ápice dos élitros sem mancha de pubescência branca; lados do pronoto com             faixa longitudinal larga de pubescência branca que se estende da base ao             quarto anterior (fig. 2). Guiana Francesa ................M. amazonica sp. nov.
       Ápice dos élitros ocupado por mancha de pubescência branca bordejada por friso            preto; lados do pronoto com duas manchas (anterior e posterior) ou com            apenas a mancha basal de pubescência branca......................................4
4(3). Élitros com quatro manchas de pubescência branca, não-circundadas por            tegumento escuro, todas situadas junto à sutura. Brasil (São Paulo)............
        .......................................................................M. niveopicta
Lane, 1970
       Élitros com manchas de pubescência branca circundadas por tegumento escuro,            individualizadas ou não........................................................................5
5(4). Base dos élitros não-ocupada por mancha de pubescência branca; cada élitro            com quatro manchas de pubescência branca. Brasil (Rio de Janeiro a Santa            Catarina), Argentina (Salta).................................M. ocularis (Hope, 1846)
        Base dos élitros com mancha de pubescência branca entre o escutelo e o            úmero; cada élitro com cinco manchas de pubescência branca (fig. 6). Bolívia.
         ........................................................................... M. cicadellida sp. nov.

Mariliana cicadellida sp. nov.

(Fig. 6)

Etimologia. Alusivo à semelhança com homópteros da família Cicadellidae.

Tegumento preto. Cabeça revestida por pubescência alaranjada, menos na metade inferior da fronte e em manchas no occipício, atrás dos olhos (também podem estar ausentes). Genas e borda anterior dos lobos oculares inferiores com pubescência branca. Antenas com revestimento cinéreo, esparso. Metade anterior do pronoto revestido por pubescência alaranjada; a cada lado da base, mancha de pubescência branca circundada, em larga extensão, por tegumento preto. Metade basal das partes laterais do protórax ocupada por grande mancha de pubescência branca separada da parte alaranjada por estreita faixa castanho-avermelhada ou preta e pontuada. Élitros (fig. 6) revestidos por pubescência alaranjada, cada um com cinco manchas de pubescência branca circundadas por preto: uma na base entre o úmero e o escutelo; outra junto da sutura no quarto anterior; a terceira, antes do meio, não toca a margem ou a sutura; a quarta no terço apical, semelhante à terceira; a quinta ocupa os ápices. Mesepimero, dois terços posteriores do metepisterno, lados do metasterno, manchas nos lados dos urosternitos I a IV, com pubescência branca. Em alguns exemplares, a pubescência branca ocupa todo o lado dos esternos torácicos. Pro- e mesofêmures com tegumento alaranjado. Metafêmures com tegumento preto nas faces dorsal e ventral. Tíbias e tarsos pretos.

Dimensões em mm, respectivamente . Comprimento total, 7,6-9,2/8,0-9,1; comprimento do protórax, 1,5-1,8/1,4-1,7; maior largura do protórax, 1,5-1,8/1,7-2,0 comprimento do élitro, 5,4-6,5/5,7-6,6; largura umeral, 2,1-2,3/2,1-2,6.

Material-tipo. Holótipo , BOLÍVIA, Santa Cruz: Buenavista (4-6 km SSE, Hotel Flora & Fauna), 17-19.X.2000, Wappes & Morris col. (MNKM). Mesma procedência do holótipo, sexo não determinado: 26 parátipos, 17-19.X.2000, Wappes & Morris col. (14 ACMB; 10 MZSP; 2 MCNZ); 2 parátipos, 23-26.X.2000, Wappes & Morris col. (ACMB); 1 parátipo, 27-29.X.2000, Wappes & Morris col. (ACMB), 10 parátipos, 22-31.X.2002, Wappes & Morris col. (ACMB); (3,7 km SSE, Hotel Flora & Fauna, 17°29,949' S 63°33,152' W, 405 m), 1 parátipo, 5-15.XI.2001, M. C. Thomas & B. K. Dozier col. "tropical transiction forest" (ACMB); 13 parátipos, 14-19.X.2000, M. C. Thomas & B. K. Dozier col. "tropical transition forest" (3 ACMB; 7 FSCA, 3 MCNZ); 1 parátipo, 14-19.X.2000, R. Turnbow col. (RHTC); (proximidades do Hotel Flora & Fauna), 29 parátipos, 17-20.X.2000, R. Morris col. (25 RMLF, 4 MCNZ); 2 parátipos, R. Turnbow col. (RHTC); 2 parátipos, 23-25-X.2000, R. Morris col. (RMLF).

Discussão. Mariliana cicadellida sp. nov. distingue-se de todas as outras espécies pela presença de cinco manchas de pubescência branca nos élitros, todas circundadas por tegumento preto.

Mariliana amazonica sp. nov.

(Fig. 2)

Etimologia. Alusivo ao habitat.

Tegumento alaranjado revestido por pubescência amarelo-alaranjada. Cabeça com mancha transversal em toda a extensão do vértice até as genas, indistintamente interrompida atrás dos olhos. Pronoto com uma faixa larga de pubescência branca, a cada lado, que vai da base ao quarto anterior, circundada por castanho. Partes laterais do protórax com a metade inferior branca. Cada élitro (fig. 2) com três manchas de pubescência branca circundadas por castanho: uma no quarto basal, mais próxima da sutura; uma atrás do meio, dorsal; uma mais elíptica, no quarto apical. Face ventral com pubescência branca no mesepimero, metepimero e lados do metasterno. Pernas amareladas.

Dimensões em mm, respectivamente . Comprimento total, 8,0-10,5/11,9; comprimento do protórax, 1,7-2,0/2,1; maior largura do protórax, 1,9-2,4/2,5; comprimento do élitro, 5,5-7,2/8,1; largura umeral, 2,2-3,0/3,5.

Material-tipo. Holótipo , GUIANA FRANCESA, Rodovia de Kaw (km 40), 21.VII.1984, G. Tavakilian col., armadilha luminosa (MNHN). Parátipos: GUIANA FRANCESA, Rodovia de Kaw (km 40), , 21.VII.1984, G. Tavakilian col., armadilha luminosa (MNHN); , 1.VIII.1986, G. Tavakilian col., armadilha luminosa (MNHN); 2 , 1.VIII.1986, F. & J.-P. Serais col., armadilha luminosa (MZSP, MNHN); , 6.VIII.1986, G. Tavakilian col., armadilha luminosa (MZSP); , 29.VIII.1986, F. & J.-P. Serais col., armadilha luminosa (MNHN); (km 41), , 19.XI.1995, J. E. Wappes col. (ACMB); Piste du plateau de Nancibo (km 5), , 19.VIII.1991, M.-A. Ghouti, armadilha luminosa (MNHN); Montagne des Singes, , 13.IX.1993, G. Moraguès col, armadilha luminosa (MNHN); DZ 5 Regina Saint-Georges, , 6.VIII,1991, G. Tavakilian, armadilha luminosa (MNHN); , 7.VIII,1991, G. Tavakilian, armadilha luminosa (MNHN).

Discussão. Mariliana amazonica sp. nov. caracteriza-se pela ausência de mancha branca no ápice dos élitros.

Erana septuosa sp. nov.

(Fig. 3)

Etimologia. Latim, septuosa = obscura, alusivo à coloração geral.

Cabeça amarela com as regiões atrás dos lobos oculares superiores, área central do vértice ao occipício e mancha atrás dos lobos oculares inferiores recobertas por pubescência branca. Fronte mais abaulada nas fêmeas. Escapo, pedicelo, antenômero III (menos anel basal e apical), antenômeros V-XI, pretos; antenômero IV com tegumento branco. Protórax preto com faixa longitudinal, central, estreita, de tegumento amarelado; essa faixa, nas fêmeas, coberta por pubescência branca próximo à base pronotal. Lados do protórax com faixa longitudinal, larga, de pubescência branca. Escutelo com tegumento preto (macho) ou amarelado, coberto ou não por pubescência branca (fêmea). Élitros (fig. 3) castanhos; extremidades elitrais com espículo externo; nas fêmeas, friso sutural coberto por pubescência branca. Pernas amareladas exceto coxas castanhas. Mesosterno, grande parte do metasterno e centro dos urosternitos, pretos. Mesepisternos, mesepimeros, metepisternos, metepimeros, mancha pequena na parte látero-posterior do metasterno e lados dos urosternitos cobertos por pubescência branca.

Dimensões em mm, respectivamente, . Comprimento total, 6,8-7,8/7,8; comprimento do protórax, 1,3-1,4/1,5; maior largura do protórax, 1,6-1,8/1,8; comprimento do élitro, 4,6-5,5/5,4; largura umeral, 2,1-2,3/2,4.

Material-tipo. Holótipo , PANAMÁ, Chiriqui: Continental Divide Trail (3600 pés), 16-17.V.1996, Wappes, Hunther & Morris col. (MNKM). Parátipos: PANAMÁ, Chiriqui: Continental Divide Trail, , 17.V.1996, R. Turnbow col. (RHTC); , 3.VI.1997, R. Turnbow col. (RHTC); 4 , 11-15.V.1999, Morris & Wappes col. (MCNZ, 2 MZSP, RMLF); , , 12-14.V.1999, Wappes & Morris col. (ACMB).

Discussão. Erana septuosa sp. nov. assemelha-se a E. univittata Bates, 1881 e distingue-se pelas antenas com apenas o antenômero IV branco. Em E. univittata as antenas têm os antenômeros III e seguintes amarelados. Também pode ser comparada com E. suavissima Bates, 1881 da qual difere pelo antenômero IV branco; em E. suavissima os antenômeros IV-VII (VIII) têm tegumento amarelado com ápice preto. Além disso, E. septuosa separa-se de ambas as espécies por apresentar espículo no lado externo da extremidade dos élitros.

Erana rosea sp. nov.

(Fig. 4)

Etimologia. Nome específico alusivo à coloração do pronoto.

Macho. Cabeça com tegumento amarelado revestido por pubescência esbranquiçada, exceto área longitudinal que se estende entre os lobos oculares superiores até o occipício e faixa atrás dos lobos oculares inferiores onde o tegumento é acastanhado. Escapo, pedicelo, antenômero III, metade apical do VI e do VII ao XI, pretos; antenômeros IV, V e base do VI com tegumento branco. Protórax com tegumento acastanhado no pronoto e nas partes laterais. Prosterno e mesosterno com tegumento amarelado; restante da face ventral, castanho-avermelhado. Pronoto com pubescência rósea (fig. 4), densa, na metade ântero-lateral. Base do pronoto transversalmente acastanhada. Lados do protórax com pubescência rósea na metade anterior e branco-amarelada na metade posterior; faixa castanha, longitudinal, no meio e faixa de pubescência amarelada no limite com o prosterno. Escutelo com tegumento amarelado ou castanho-avermelhado. Élitros acastanhados; frisos sutural e marginal com pubescência branco-amarelada. Extremidades elitrais arredondadas em conjunto e desarmadas. Coxas, trocanteres e fêmures amarelados; protíbias e mesotíbias, pretas; metatíbias amareladas com estreita porção basal e metade apical pretas; tarsos pretos.

Fêmea. Vértice coberto inteiramente por pubescência branco-amarelada. Pubescência rósea do pronoto atinge o meio e ocupa toda metade anterior. Élitros com tegumento mais acastanhado e os frisos de pubescência branca mais largos.

Dimensões em mm, respectivamente . Comprimento total, 9,0/10,8; comprimento do protórax, 1,5/1,9; maior largura do protórax, 2,1/2,3; comprimento do élitro, 7,0/7,9; largura umeral, 2,6/3,3.

Material-tipo. Holótipo , PANAMÁ, Panamá: El Lhano (7-10 km N), 14-22.V.1993, E. Giesbert col. (CFHC). Parátipos: mesma procedência do holótipo, data e coletor do holótipo, 3 , 2 (, , CFHC; , , MZSP; , MCNZ); mesma procedência (8-10 km N), 6 , 2 , 24.V-02.VI.1992, E. Giesbert col. (6 , , CFHC; , MCNZ); mesma procedência (Carti road km 8-11, 1100 pés), , 24.V-2.VI.1992, J. Wappes col. (ACMB).

Discussão. Erana rosea sp. nov. difere das demais espécies de Erana Bates, 1866 pela grande área do pronoto coberta por pubescência rósea.

Hemiloapis gen. nov.

Espécie-tipo. Hemiloapis yandaira sp. nov.

Cabeça apenas mais larga que o tórax. Fronte sem projeções. Lobos oculares superiores separados dos inferiores por única fileira de omatídios. Lobos oculares inferiores com comprimento subigual ao das genas. Mandíbulas com dente apical bífido. Antenas com onze artículos, atingem o ápice dos élitros na extremidade do antenômero VII. Escapo levemente engrossado para o ápice, sem cicatriz. Pedicelo curto. Antenômeros III a VII com franja de pêlos densa no lado interno. Antenômero III com comprimento subigual ao do escapo e um terço mais longo do que o IV. Protórax mais largo anteriormente do que na base, sem gibosidades laterais. Élitros com carena umeral e sem expansões laterais. Extremidades elitrais arredondadas e desarmadas. Processo mesosternal com cerca de metade de uma mesocoxa. Fêmures fusiformes. Metafêmures alcançam a borda apical do urosternito II. Borda apical do último urosternito levemente emarginada.

Discussão. Hemiloapis gen. nov. difere dos outros gêneros de Hemilophini com carena umeral pela franja interna de pêlos nos antenômeros III a VII e pelos élitros não expandidos para o lado externo e sem franja de pêlos amarelos na declividade lateral. Hemiloapis poderia ser comparado com Lycaneptia Thomson, 1868, pela franja interna de pêlos nos antenômeros basais, mas difere pelo padrão dos élitros. Em Lycaneptia os élitros são gradualmente alargados a partir do quarto basal.

Hemiloapis yandaira sp. nov.

(Fig. 5)

Etimologia. Tupi, yandaíra= abelha; alusivo à semelhança com algumas abelhas.

Cabeça com tegumento preto. Fronte recoberta por pubescência branco-amarelada com mancha de pubescência castanha em forma de ferradura. Toda a região ao redor dos olhos, menos as genas, com densa pubescência amarelada. Antenas com tegumento avermelhado. Escapo castanho-avermelhado com longos pêlos no lado interno, entremeados por pubescência branca, esparsa. Protórax com tegumento preto; faixas de pubescência branco-amarelada: uma junto à borda anterior; uma de cada lado do pronoto, curvas, que no lado externo estão fundidas com uma outra faixa junto à borda posterior. Escutelo densamente revestido por pubescência densa, branco-amarelada. Élitros (fig. 5) com tegumento avermelhado no terço basal e junto à margem apical e enegrecido nos úmeros e nos dois terços apicais. Cada élitro com faixas de pubescência branco-amarelada: uma curta no lado interno dos úmeros; outra no terço anterior, triangular, iniciada atrás do escutelo, estendendo-se pela sutura e obliquamente até a margem; uma faixa estreita, levemente oblíqua em sentido descendente, da margem para a sutura, situada no terço apical; pequena faixa longitudinal, perto da sutura e próxima ao ápice. Pernas anteriores e médias com tegumento vermelho-alaranjado. Pernas posteriores com os fêmures e as tíbias mais escuros. Pubescência branca, densa, reveste mesepimeros, faixa na metade posterior do mesepisterno, centro do metepisterno que se funde com a mancha lateral no metasterno. Borda apical dos urosternitos com faixa de pubescência branca.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 6,8-7,5; comprimento do protórax, 1,3-1,5; maior largura do protórax, 1,7-2,0; comprimento do élitro, 4,9-5,4; largura umeral, 2,3-2,8.

Material-tipo. Holótipo , BOLÍVIA, Santa Cruz: Buenavista (Flora & Fauna Hotel), 22-26.X.2002, Morris & Wappes col. (MNKM). Parátipo , BOLÍVIA, Santa Cruz: Buenavista (3,7 km SSE, Hotel Flora & Fauna, 430 m), 15-22.XI.2001, B. K. Dozier col., "blacklight, transition forest" (MZSP).

Agradecimentos. A Gérard L. Tavakilian (MNHN) pelas informações sobre o material do Muséum National d' Histoire Naturelle e pela remessa de fotografias de Murupeaca tavakiliani e Mariliana amazonica; à Rejane Rosa (MCNZ) pela execução das figuras. Aos curadores J. Wappes, M. Thomas, R. H. Turnbow e R. Morris pelo envio de material para estudo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LANE, F. 1970. Cerambycoidea neotropica nova. VII. (Coleoptera). Studia Entomologica, Petrópolis, 13:369-428.        [ Links ]

MARTINS, U. R. 1984. Contribuição ao estudo da tribo Aerenicini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae). II. Gêneros com lobos oculares inferiores reduzidos. III. Gêneros com lobos oculares próximos e ápices elitrais acuminados. Papéis Avulsos de Zoologia, São Paulo, 35(26):325-330.        [ Links ]

MARTINS, U. R. & GALILEO, M. H. M. 1992. Gêneros de Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae) com antenas de doze artículos. Revista Brasileira de Entomologia, São Paulo, 36(3):575-579.        [ Links ]

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MONNÉ, M. A. 1995. Catalogue of the Cerambycidae (Coleoptera) of the Western Hemisphere. Part XX. São Paulo, Sociedade Brasileira de Entomologia. 120 p.        [ Links ]

 

 

Recebido em fevereiro de 2004. Aceito em junho de 2004.

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