SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.95 issue3Skull morphometrics of adult male Antartic fur seal, Arctocephalus gazella, and South American fur seal A. australisCubozoa and Scyphozoa (Cnidaria: Medusozoa) from Brazilian coastal waters author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721On-line version ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.95 no.3 Porto Alegre Sept. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212005000300007 

Novos táxons de Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae) da Região Neotropical

 

New taxa of Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae) from the Neotropical Region

 

 

Maria Helena M. GalileoI, III; Ubirajara R. MartinsII, III

IMuseu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil
IIMuseu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 42494, 04218-970 São Paulo, SP, Brasil
IIIBolsista do CNPq

 

 


RESUMO

Novos táxons descritos da Costa Rica: Erana cretaria sp. nov., Itumbiara denudata sp. nov., Hilaroleopsis coloratus sp. nov., Alampyris flavicollis sp. nov., Cotycuara viridis sp. nov., Adesmus stellatus sp. nov., A. pilatus sp. nov. (também do Panamá); do Panamá: Eulachnesia amoena sp. nov., Cotycuara crinita sp. nov.; da Venezuela: Abanycha fasciata sp. nov.; do Equador: Mariliana hovorei sp. nov., Adesmus ocellatus sp. nov.; do Peru: Susuanycha gen. nov., espécie-tipo, S. susua sp. nov., Malacoscylus elegantulus sp. nov., Adesmus guttatus sp. nov., A. calca sp. nov.; do Brasil (Minas Gerais): Sybaguasu cornutum sp. nov. Acrescenta-se chave para as espécies de Cotycuara.

Palavras-chave: Cerambycidae, Lamiinae, novos táxons, taxonomia.


ABSTRACT

New taxa described from Costa Rica: Erana cretaria sp. nov., Itumbiara denudata sp. nov., Hilaroleopsis coloratus sp. nov., Alampyris flavicollis sp. nov., Cotycuara viridis sp. nov., Adesmus stellatus sp. nov., A. pilatus sp. nov. (also from Panama); from Panama: Eulachnesia amoena sp. nov., Cotycuara crinita sp. nov.; from Venezuela: Abanycha fasciata sp. nov.; from Ecuador: Mariliana hovorei sp. nov., Adesmus ocellatus sp. nov.; from Peru: Susuanycha gen. nov., type species, S. susua sp. nov., Malacoscylus elegantulus sp. nov., Adesmus guttatus sp. nov., A. calca sp. nov.; from Brazil (Minas Gerais): Sybaguasu cornutum sp. nov. A key to the species of Cotycuara is added.

Keywords: Cerambycidae, Lamiinae, new taxa, taxonomy.


 

 

Novos táxons são propostos com base em material cedido por F. T. Hovore, Santa Clarita (FTHC), J. E. Wappes, American Coleoptera Museum, Bulverde (ACMB) e F. Génier, Canadian Museum of Nature, Ottawa (CMNO). Hovore reuniu espécimens do Inventário Faunístico da Costa Rica, do Instituto Nacional de Biodiversidade, Santo Domingo de Heredia (INBio), Museu de Insectos, Universidad de Costa Rica (MIUC), de suas coletas no Equador e da Florida State Collection of Arthropods, Gainesville (FSCA); determinou também que os holótipos de sua coleção fossem depositados na California Academy of Sciences, San Francisco (CASC). Wappes agrupou exemplares do National Museum of Natural History, Washington (USNM) e da Coleção R. H. Turnbow, Fort Rucker, Alabama (RHTC).

Outras abreviaturas de instituições utilizadas no texto: BMNH, The Natural History Museum, Londres; MCNZ, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MNHN, Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo; ZMUC, Zoological Museum, University of Copenhagen, Copenhagen.

Erana cretaria sp. nov.

(Fig. 1)

 


 

Etimologia. Latim, cretaria = de giz; alusivo à coloração do protórax.

Cabeça com tegumento preto. Escapo, pedicelo, antenômero III (menos o ápice) e metade apical do antenômero IV, alaranjados; extremidade do antenômero III e metade basal do antenômero IV com tegumento castanho; antenômeros V e VI com tegumento branco; antenômeros VII a XI pretos. Antenômeros III e IV com pêlos longos, esparsos em toda a superfície. Pronoto alaranjado com duas faixas transversais de tegumento preto, uma no ápice e outra na base. Partes laterais do protórax com tegumento alaranjado. Pronoto e partes laterais do protórax revestidos por densa pubescência branca. Élitros (Fig. 1) com tegumento preto ou acastanhado, às vezes, os úmeros mais avermelhados; pubescência branca reveste: friso sutural; grande mancha, dorsal, do quinto anterior até depois do meio; todo o quarto apical. Mesosterno glabro. Mesepisternos, mesepimeros, metepisternos e lados dos urosternitos revestidos por pubescência branca. Metasterno inteiramente preto ou preto nos lados e alaranjado no meio; lados com pontos grandes e esparsos. Pernas alaranjadas. Urosternitos com tegumento alaranjado.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 6,3-7,1; comprimento do protórax, 1,1-1,3; maior largura do protórax, 1,4-1,7; comprimento do élitro, 4,5-5,2; largura umeral, 1,9-2,3.

Material-tipo. Holótipo , COSTA RICA, Heredia: Finca La Selva (3 km S, Puerto Viejo, 10°26'N, 84°01'W), 8.IV.1987, H. A. Hespenheide col. (CASC). Parátipos – mesma procedência do holótipo, , 20.III.1980, H. A. Hespenheide col. (MCNZ); , 26.III.1980, H. A. Hespenheide col. (MZSP); , 24.VI.1986, H. A. Hespenheide col. (MZSP). COSTA RICA, Heredia: La Selva Biological Station (3 km S de Puerto Viejo), , 21.I-3.II.1991, J. S. Noyes col., Malaise trap (FTHC); mesma procedência (50-150 m), , 15.XII.1983, sem nome do coletor, bosque secundário, INBIO CRI 002292419 (INBio); ditto, , 4.IV.1994, bosque secundário, INBIO CRI 001 261486 (INBio); ditto, , 01.VIII.1995, bosque primário, INBIO CRI 002 288695 (FTHC).

Discussão. Erana cretaria sp. nov. assemelha-se a E. curuca Galileo & Martins, 1999, descrita da Colômbia. Difere por: escapo alaranjado; antenômeros apicais pretos; pronoto com tegumento bicolor, preto e alaranjado; escutelo preto; élitros com base preta e metasterno preto ou preto nos lados. Em E. curuca o escapo é preto, os antenômeros apicais são esbranquiçados; o tegumento do pronoto, a base dos élitros, o escutelo e a face ventral do corpo são alaranjados.

Itumbiara denudata sp. nov.

(Fig. 2)

Etimologia. Latim, denudata = descoberta, desnuda; alusivo às epipleuras sem franja de pêlos.

Cabeça com tegumento alaranjado revestida por pubescência amarelada; lado ântero-interno dos tubérculos anteníferos e atrás dos lobos oculares inferiores com tegumento vermelho-acastanhado. Antenas atingem a extremidade dos élitros no ápice do antenômero VII. Escapo preto. Pedicelo, antenômeros III e IV pretos com anel basal amarelado; antenômeros V e VI brancos; VII-XI pretos com anel basal amarelado. Franja de pêlos densos, pretos nos antenômeros III e IV e brancos nos antenômeros V e VI. Protórax com tegumento alaranjado. Pronoto e metade superior das partes laterais do protórax revestidos por pubescência serícea amarelada e densa. Metade inferior das partes laterais do protórax pontuada e glabra. Escutelo alaranjado. Élitros (Fig. 2) com o terço anterior alaranjado e os dois terços apicais pretos. Carena umeral manifesta até o quinto apical. Extremidades arredondadas, sem espículo externo. Pro- e mesofêmures amarelados e enegrecidos em pequena porção apical. Metafêmures com a metade basal amarelada e a apical preta. Protíbias pretas e amareladas nos dois terços basais da face interna. Mesotíbias, metatíbias e tarsos, pretos. Mesosterno, mancha atrás das mesocoxas e meio dos urosternitos com tegumento amarelado. Metade posterior dos mesepisternos, grande parte dos mesepimeros, metepisternos, maior parte do metasterno e lados dos urosternitos, pretos.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 10,2; comprimento do protórax, 2,1; maior largura do protórax, 2,4; comprimento do élitro, 7,1; largura umeral, 3,1.

Material-tipo. Holótipo , COSTA RICA, Puntarenas: Piedras Blancas (16 km S), 28.VI.1994, F. T. Hovore col. (CASC).

Discussão. Itumbiara denudata sp. nov. separa-se de todas as espécies sul-americanas de Itumbiara pela ausência de franja de pêlos brancos nas epipleuras. Assemelha-se, pelo colorido das antenas, a I. picticornis (Bates, 1872). Difere pelos élitros com o terço anterior alaranjado e pela ausência de faixa longitudinal preta no centro do pronoto.

Mariliana hovorei sp. nov.

(Fig. 3)

Etimologia. Epíteto em homenagem a Frank T. Hovore (FTHC), coletor do holótipo e que reúne coleção apreciável de Cerambycidae.

Cabeça com tegumento preto revestido por pubescência alaranjada, brilhante e densa, menos abaixo dos lobos oculares inferiores e internamente, nas bases dos tubérculos anteníferos, que têm pubescência branca. Antenas pretas. Antenômero IV com lado interno da metade basal pubescente de branco. Metade anterior do pronoto revestida por pubescência alaranjada; uma faixa central, preta, transversal, larga, glabra, prolongada no meio até a base do pronoto; esta faixa envolve uma mancha de pubescência branca a cada lado. Metade inferior das partes laterais do protórax com pubescência branca. Escutelo revestido por pubescência alaranjada. Élitros (Fig. 3) com pubescência predominante alaranjada, cada um com as seguintes áreas pretas, glabras, que não alcançam a margem: declividade basal; quarto anterior que envolve mancha transversal de pubescência branca; faixa transversal, que não toca a sutura, no meio; faixa no terço apical que envolve mancha de pubescência branca menor que as anteriores; estreita faixa transversal anteapical. Pequena porção do ápice dos élitros coberta por pubescência branca. Pernas pretas; trocanteres amarelados. Face ventral preta com pubescência branca nos: mesepisternos, mesepimeros, faixa longitudinal no limite lateral do metasterno e lados dos urosternitos.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 7,4; comprimento do protórax, 1,5; maior largura do protórax, 1,5; comprimento do élitro, 5,3; largura umeral, 1,9.

Material-tipo. Holótipo , EQUADOR, Sucumbios: Shushufindi, 4.X.1997, F. T. Hovore col. (CASC).

Discussão. Na chave para espécies de Mariliana (GALILEO & MARTINS, 2004a), M. hovorei sp. nov. é discriminada no item quatro com M. oculatris e M. cicadellida, por apresentar: élitros com pelo menos seis manchas de pubescência branca, ápice dos élitros ocupado por pubescência branca e manchas elitrais de pubescência branca circundadas por preto. Mariliana hovorei é semelhante a M. cicadellida (GALILEO & MARTINS, 2004a, fig. 6), mas difere, principalmente, pelo padrão do colorido elitral, especialmente no número de manchas de pubescência branca. Em M. cicadellida, cada élitro tem cinco manchas e M. hovorei tem três.

 


 

Eulachnesia amoena sp. nov.

(Fig. 4)

Etimologia. Latim, amoena = encantadora.

Cabeça com tegumento preto. Fronte com pubescência esparsa, acinzentada na parte inferior e com escamas verde-metálicas entre os tubérculos anteníferos. Borda anterior dos olhos e genas com pubescência branca, densa. Vértice com duas faixas estreitas, divergentes, de escamas verde-metálicas. Mancha com o mesmo tipo de pilosidade atrás dos lobos oculares. Antenas atingem o ápice dos élitros na ponta do antenômero VIII. Escapo, pedicelo e antenômero III com tegumento preto e ligeiro reflexo esverdeado-metálico. Lado interno dos antenômeros III a VIII com franja de pêlos densa. Protórax com tegumento preto e reflexo esverdeado, metálico, visível conforme a incidência da luz. Pronoto com áreas de escamas verde-metálicas: duas faixas ântero-laterais e uma mancha, maior, bifurcada anteriormente, de cada um dos lados da base. Prosterno revestido por pubescência esbranquiçada e com faixa de pubescência densa em continuação com a das genas. Élitros (Fig. 4) com tegumento alaranjado no quinto basal e numa mancha grande atrás do meio; região entre as manchas e o terço apical com tegumento esverdeado-metálico e algumas escamas verde-metálicas, mais abundantes ao lado da sutura. Extremidades elitrais emarginadas, com espinho curto nos ângulos sutural e marginal. Carena umeral presente até o quarto apical. Pernas e face ventral do corpo com tegumento verde-metálico, revestidas por pubescência esbranquiçada, moderadamente densa. Trocanteres com tegumento alaranjado. Pubescência branca, densa, na metade inferior dos mesepimeros, mesepisternos, estreita faixa no lado ventral dos metepisternos e nos lados dos urosternitos.

Dimensões em mm, Comprimento total, 11,1; comprimento do protórax, 2,0; maior largura do protórax, 2,1; comprimento do élitro, 8,1; largura umeral, 2,7.

Material-tipo. Holótipo , PANAMÁ, Bocas del Toro: Fortunas Dam (± 25 km NE, 1000 pés), 23.V.1984, E. Giesbert col. (FSCA). Parátipos: COSTA RICA, Guanacaste: Estación Pitilla (9 km S de Santa Cecilia, 700 m), , III.1995, C. Moraga col., L_N_329950_380450 # 4357 (INBio); Alajuela: San Ramon (620 m), , 13-28.III.1994, K. Taylor col., L N 318100_381900 # 2763 (MZSP); , 13-28.III.1994, D. García col., L N 318100_381900 # 2766 (FTHC).

Discussão. Na chave para os gêneros relacionados com Eulachnesia Bates, 1872, Martins & Galileo (1996) utilizaram para separar Eulachnesia de Fredlanea MARTINS & GALILEO, 1996, além de outros caracteres, "élitros sem carenas" para Eulachnesia e "élitros com carena umeral" para Fredlanea. Também consideraram em E. humeralis (Fabricius, 1801) "carena umeral indicada" o que inviabiliza o uso deste caráter para separar os gêneros.

Eulachnesia humeralis e E. amoena sp. nov. têm carena bem indicada nos élitros, caráter que as distingue das demais espécies do gênero. Eulachnesia amoena difere de E. humeralis pela presença da mancha de tegumento alaranjado do meio dos élitros e áreas de escamas esverdeadas e metálicas no pronoto; em E. humeralis (examinada através de diapositivo do holótipo, J. S. Moure foto, ZMUC), não ocorre a mancha de tegumento alaranjado atrás do meio dos élitros e na foto do pronoto não aparecem áreas com escamas. BATES (1866) descreveu o protórax de E. sapphira (sinônima de E. humeralis) "sides each with a broad vitta of clear light blue, the black part nacked".

Hilaroleopsis coloratus sp. nov.

(Fig. 5)

Etimologia. Latim, coloratus = colorido.

Cabeça com tegumento alaranjado e manchas preto-acastanhadas no lado interno dos tubérculos anteníferos e no occipício; revestimento de pubescência amarelada e densa. Fronte mais longa do que larga. Antenas pretas. Côndilos dos antenômeros IV-IX vermelho-amarelados. Franja interna do antenômero III esparsa. Protórax apenas mais largo do que longo. Pronoto com uma faixa centro-longitudinal preta, do ápice até depois do meio. Lados do pronoto e do protórax com grande mancha de pubescência branco-alaranjada. Escutelo com tegumento alaranjado. Élitros (Fig. 5) pretos com a metade basal avermelhada; pilosidade alaranjada, longa e densa, sobre o friso sutural, prolongada até depois do meio; lateralmente, o colorido alaranjado prolonga-se posteriormente sobre a carena umeral até o meio e pelo friso marginal até o terço posterior. Nas fêmeas, praticamente todo o terço anterior dos élitros é alaranjado. Pubescência do friso sutural quase atinge o ápice elitral. Carenas umeral e epipleural separadas. Pro- e mesofêmures alaranjados com ápices escurecidos. Metafêmures alaranjados e pretos na metade apical do lado dorsal. Tíbias e tarsos pretos. Mesosterno, metade dorsal dos mesepimeros e mesepisternos e pequena mancha atrás das mesocoxas com tegumento alaranjado; restante da face ventral com tegumento preto.

Dimensões em mm, /. Comprimento total, 11,9/13,4; comprimento do protórax, 2,2/2,8; maior largura do protórax, 2,3/3,2; comprimento do élitro, 8,7/10,0; largura umeral, 3,9/4,3.

Material-tipo. Holótipo , COSTA RICA, Alajuela: San Ramón de Dos Rios (620 m), 20.II.-3.III.1995, C. Cano col., INBIO CRI 002 175718 (INBio). Parátipos: , mesmos dados do holótipo, F. A. Quesada col., INBIO CRI 002 255142 (MZSP); San Ramón (620 m), , 11-15.IV.1994, E. Araya col., L N 318100 381900 # 2831 (FTHC).

Discussão. Hilaroleopsis coloratus sp. nov. difere de todas as espécies do gênero pelo colorido. Assemelha-se vagamente a H. globicollis (Bates, 1881), descrita do México, mas difere pelo protórax com lados quase paralelos, pelas tíbias e tarsos pretos; em H. globicollis, o protórax é fortemente arredondado nos lados e as tíbias e os tarsômeros I-II são alaranjados na base.

Alampyris flavicollis sp. nov.

(Fig. 6)

Etimologia. Latim, flavus = amarelo; collis= tórax; alusivo à coloração do protórax.

Tegumento corporal preto. Parte dorsal da cabeça revestida por densa pilosidade esponjosa, amarelada. Antenas atingem o terço apical dos élitros. Base do pedicelo e dos flagelômeros com tegumento alaranjado. Franja de pêlos, moderadamente densa, na margem interna dos flagelômeros basais. Lados do pronoto com densa pubescência amarelada e esponjosa; essa pubescência não recobre uma grande área triangular, no meio do pronoto. Élitros (Fig. 6) revestidos por pubescência castanho-avermelhada; sobre a carena elitral, a pubescência é mais longa. Tegumento da carena umeral indistintamente alaranjado. Trocanteres com tegumento alaranjado.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 12,7; comprimento do protórax, 2,3; maior largura do protórax, 3,1; comprimento do élitro, 9,4; largura umeral, 3,9.

Material-tipo. Holótipo , COSTA RICA, Cartago: Birris (Finca La Cangreja), 19.IV.1992, F. Grant col. (MIUC). Parátipo , Puntarenas: Buen Amigo (San Luis, Monteverde, 1000-1350 m), III.1995, Z. Fuentes col., L N 250850 449250 # 4395 (INBio).

Discussão. Alampyris flavicollis sp. nov. assemelha-se a A. curta Bates, 1881, mas difere pelo dorso da cabeça inteiramente revestido por pubescência esponjosa amarelada e pela pubescência densa nos lados do protórax que, junto da borda anterior, aproxima-se acentuadamente do centro. Em A. curta, existe uma mancha preta no centro do vértice e a pubescência do pronoto restringe-se aos lados, deixando larga área centro-longitudinal glabra.

Cotycuara Galileo & Martins, 2004

Cotycuara GALILEO & MARTINS, 2004b:382.

Cotycuara foi estabelecido para C. albomarginata Galileo & Martins, 2004 e a descoberta de mais duas espécies neste gênero amplia os caracteres genéricos: último urosternito, tanto dos machos como das fêmeas, com entalhe central profundo; sulco do metasterno profundo em C. albomarginata e inconspícuo em C. viridis sp. nov. e C. crinita sp.nov.

Chave para as espécies de Cotycuara

1. Escapo amarelado no lado interno; antenômero III amarelado e escurecido no lado        interno da base; antenômeros IV e V amarelados; antenômero VI amarelado nos        dois terços basais; antenômero VII amarelado na metade basal; antenômeros        VIII-XI pretos; metasterno com sulco profundo na metade posterior da sutura        metasternal; faixa de pubescência branca dos élitros restrita às proximidades da        margem lateral; fêmures amarelados com extremo apical preto        .................................................... C. albomarginata Galileo & Martins, 2004
    Escapo preto; flagelômeros inteiramente pretos ou pretos com estreito anel basal        amarelado; metasterno com sulco inconspícuo no quinto apical da sutura        metasternal; faixa de pubescência branca na metade basal dos élitros atinge a        carena umeral; fêmures inteiramente pretos ou pretos com estreito anel basal        amarelado .......................................................................................... 2
2(1). Flagelômeros pretos; faixa lateral dos élitros, de pubescência esverdeada,             ultrapassa internamente a carena elitral; fêmures pretos             .............................................................................. C. viridis sp. nov.
       Flagelômeros pretos com estreito anel basal amarelado; faixa lateral dos élitros,            de pubescência esbranquiçada, não ultrapassa internamente a carena elitral;            base dos fêmures amarelados ...................................... C. crinita sp. nov.

Cotycuara viridis sp. nov.

(Fig. 7)

Etimologia. Latim, viridis = verde, alusivo à faixa esverdeada que circunda toda face dorsal.

Tegumento corporal preto, revestido por pubescência acobreada. Cabeça com tegumento preto, mais avermelhado nas genas e numa faixa transversal atrás do clípeo; pubescência esverdeada numa faixa larga entre os tubérculos anteníferos, prolongada para a fronte e para o vértice junto à borda dos olhos e fundida com uma faixa larga atrás dos lobos oculares. Antenas pretas com franja interna esparsa. Protórax com faixa lateral esverdeada de cada lado. Disco pronotal com pontuação esparsa. Élitros (Fig. 7) com carena umeral manifesta que atinge o quinto apical; faixa de pubescência esverdeada sobre a carena, invade a parte dorsal e, a partir do meio, funde-se com a margem e envolve os ápices. Trocanteres com tegumento avermelhado. Sulco metasternal nos machos restrito à parte posterior, pouco manifesto. Último urosternito com entalhe central.

Dimensões em mm, respectivamente /. Comprimento total, 9,5-12,2/10,3; comprimento do protórax, 1,5-2,0/1,7; maior largura do protórax, 2,0-2,9/2,4; comprimento do élitro, 7,4-9,5/7,9; largura umeral, 2,7-3,6/3,0.

Material-tipo. Holótipo , COSTA RICA, Heredia: Varablanca (6 km ENE, 10°11'N, 84°07'W, 1950-2050 m), 20.II.2002, M. Paniagua col. (INBIO OET-ALAS transect, INB 0003243177) (INBio). Parátipos: COSTA RICA, Cartago: Parque Nacional Barbilla, Sector Cerro Tigre (1500-1600 m), , 25.IV-20.V.2001, W. Arana col., Malaise, INBIO L N 211700 602500 # 63455, INB 0003338035 (MZSP); San Isidro (Madre Selva, Finca Los Lagos, 2000-2600 m), , 2.II.1994, M. M. Chavarría col., L_N_184450­_550050 # 2880, INB 0003430171 (MCNZ). Puntarenas: Santa Elena (ca. 1700 m, cloud forest), , 18-19.IV.2000, J. & A. Rifkind & P. Gun col. (FTHC); ditto, , 8.IV.1999, J. & A. Rifkind & P. Gun col. (FTHC).

Discussão. Cotycuara viridis sp. nov. é semelhante a C. albomarginata, igualmente descrita da Costa Rica. Difere por: pilosidade esverdeada do vértice organizada em duas faixas divergentes; fronte com pubescência esverdeada; antenas pretas; epipleuras sem pêlos brancos e longos; faixa lateral de pubescência esverdeada dos élitros percorre o dorso e o terço apical das epipleuras; pro- e mesocoxas e fêmures (exceto o extremo apical) pretos; sutura metasternal dos machos apenas aprofundada na parte posterior. Em C. albomarginata, a pubescência branca do vértice está restrita à faixa longitudinal central; a fronte tem pubescência branca; as antenas são bicolores; as epipleuras têm pêlos brancos e longos; a faixa de pubescência branca está restrita às proximidades da margem; as pro- e mesocoxas são amareladas; os fêmures têm ápice preto; a sutura metasternal dos machos é profunda no terço posterior.

Cotycuara crinita sp. nov.

(Fig. 8)

Etimologia, Latim, crinita = franjado; alusivo à franja de pêlos brancos nos élitros.

Tegumento preto. Metade inferior da fronte e genas com pubescência branca. Vértice com duas faixas divergentes de pubescência branca. Escapo preto; pedicelo e flagelômeros pretos com anel basal branco-amarelado. Lados do protórax com faixa de pubescência branca estreita, continuada pela carena elitral (fig. 8) até o quarto posterior, onde se funde com a margem e envolve os ápices. Base dos fêmures amarelada.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 9,3; comprimento do protórax, 1,5; maior largura do protórax, 2,1; comprimento do élitro, 6,8; largura umeral, 2,4.

Material-tipo. Holótipo , PANAMÁ, Chiriqui: Reserva Fortuna (Continental Divide Trail), 25.V.1993, F. Andrews & A. Gielbert col. (CASC). Parátipos: COSTA RICA, Alajuela: San Ramon de Dos Rios (620 m), , 20.II-3.III.1995, C. Cano col., L_N_318100-381900 # 4398 (INBio); Guanacaste: Estación Cacao (SW side Volcan Cacao, 1000-1400 m), , 1988-1989, GNP Biodiv. Survey col., Malaise trap, 323300, 375700 (MZSP).

Sybaguasu cornutum sp. nov.

(Fig. 9)

Etimologia. Latim, cornutus = com chifres, alusivo às projeções da fronte.

Cabeça preta; genas e vértice (menos mancha centro-posterior) alaranjados; fronte com projeção terminada à frente dos tubérculos anteníferos numa projeção evidente, espiniforme; região atrás dessa projeção aprofundada. Escapo curvo na base, com pêlos em toda a superfície. Antenômero III preto, curvo, com pêlos longos em toda a superfície. Antenômeros IV a VI amarelados, VII preto com anel basal amarelado e VIII a XI pretos. Lados do protórax sensivelmente arredondados. Pronoto com uma faixa de pubescência branca a cada lado, estreitamente bordejada, interna e externamente, por tegumento alaranjado. Disco pronotal com pontos grandes. Élitros (Fig. 9) pretos com úmeros avermelhados; carena umeral manifesta; extremidades cortadas em curva, com espículo externo. Coxas, trocanteres e metade basal dos pro- e mesofêmures alaranjados. Metafêmures, tíbias e tarsos pretos. Face ventral preta.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 7,0-7,2; comprimento do protórax, 0,8-1,2; maior largura do protórax, 1,6-1,8; comprimento do élitro, 5,1-5,2; largura umeral, 2,2-2,4. Antenômero III, 2,9; antenômero IV, 1,4; antenômero V, 0,7; antenômeros VI-XI, 2,5.

Material-tipo. Holótipo , BRASIL, Minas Gerais: Viçosa (Mata do Paraíso, 20°48'18'' S, 42°51'20'' W, 750 m), 3.II.2000, F. Génier col., mata atlântica mesófila primária semidecídua, "beating" (CMNO). Parátipo , mesmos dados do holótipo (MZSP).

Discussão. Na chave para as espécies de Sybaguasu (MARTINS & GALILEO, 2004b), S. cornutum é discriminada junto com S. thoracicum (Olivier, 1795) por apresentar antenômeros IV e V brancos e VI preto ou com a base branca, epipleura sem pubescência branca e fronte dos machos com dois pequenos tubérculos no meio. Diferencia-se de S. thoracicum pela quilha frontal terminada em projeção acuminada adiante dos tubérculos anteníferos; pelo antenômero III muito longo (vide dimensões) e pela presença de faixas estreitas e paralelas no pronoto. Além disso, S. thoracicum ocorre na Floresta Amazônica (Guiana Francesa, Pará) e S. cornutum, na Mata Atlântica (Viçosa, Minas Gerais).

Susuanycha gen. nov.

Etimologia. Tupi, susuá = inchaço; alusivo aos lados do protórax; grego, onychium = diminutivo de unha; alusivo às garras tarsais.

Espécie-tipo, Susuanycha susua sp. nov.

Fronte () convexa. Lobos oculares superiores tão afastados entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Lobos oculares inferiores com metade do comprimento das genas. Antenas atingem o ápice dos élitros na ponta do antenômero IX. Escapo cilíndrico, sem cicatriz apical. Flagelômeros lineares, com franja interna de pêlos esparsos no lado interno. Antenômero III delgado, com uma vez e meia o comprimento do IV. Protórax mais largo do que longo, lados com gibosidade desenvolvida no nível do terço basal. Pronoto com elevação centro-posterior. Élitros com duas carenas afastadas, a umeral mais demarcada; lados paralelos e extremidades ligeiramente emarginadas com espículo externo. Região posterior do metasterno abaulada. Fêmures sublineares; ápice dos metafêmures atingem o urosternito III. Garras tarsais com dente interno largo e curto, arredondado no ápice.

Discussão. MARTINS & GALILEO (1997) publicaram chave para o reconhecimento dos gêneros de Hemilophini cujas espécies têm o dente interno das garras tarsais reduzido. Susuanycha gen. nov., pela presença de duas carenas nos élitros, é discriminado com Piampatara Martins & Galileo, 1992 e Sphallonycha Bates, 1870; distingue-se de ambos pela grande gibosidade nos lados do protórax, pela presença de espículo no lado externo das extremidades elitrais e pelos lobos oculares inferiores com metade do comprimento das genas. É provável que os machos de Susuanycha gen. nov. possuam elevações na fronte.

Susuanycha susua sp. nov.

(Fig. 10)

Tegumento de maneira geral alaranjado. Tegumento preto: mancha atrás dos lobos oculares inferiores, face anterior e extremidade do escapo, antenômero III, metade basal do IV, metade apical do V e antenômeros VI-XI (menos anel basal), faixa transversal anteapical nos élitros e urosternito V. Pubescência do pronoto discretamente rósea nos lados. Base do pronoto com área transversal deprimida e esparsamente pontuada. Élitros (Fig. 10) revestidos por pubescência amarelada. Face ventral, menos o último urosternito, revestida por pubescência alaranjada.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 9,4; comprimento do protórax, 1,7; maior largura do protórax, 2,6; comprimento do élitro, 6,7; largura umeral, 3,2; comprimento do lobo ocular inferior, 0,5; comprimento da gena, 1,0; antenômero III, 2,3; antenômero IV, 1,5.

Material-tipo. Holótipo , PERU, Madre de Dios: Reserva Tambopata (30 km SW de Puerto Maldonado, 12°50'S 69°20'W, 290 m), 15-31.X.1982, J. J. Anderson col. (USNM).

Malacoscylus elegantulus sp. nov.

(Fig. 11)

 

 

Etimologia. Latim, elegantulus = muito bonito.

Cabeça, protórax, pernas, face inferior do corpo e mais da metade anterior dos élitros e faixa estreita anteapical com tegumento preto; parte apical dos élitros com tegumento e pubescência alaranjados. Fronte com pubescência esparsa, esbranquiçada, mais concentrada na margem clipeal e nas genas. Região entre os tubérculos anteníferos côncava. Antenas atingem o ápice dos élitros na ponta do antenômero IX. Escapo curvo na base. Antenômero III com pêlos longos em toda superfície. Metade basal do antenômero IV acastanhada. Lados do protórax com gibosidade moderada situada pouco atrás do meio. Disco pronotal deprimido anterior e posteriormente com uma gibosidade centro-posterior; de cada lado, faixa estreita de pubescência serícea amarelada. Élitros (Fig. 11) com espículo no ângulo marginal; carena elitral manifesta; pontuação da metade basal grossa e mais ou menos organizada em fileiras. Face ventral recoberta por pubescência acinzentada.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 11,5; comprimento do protórax, 1,5; maior largura do protórax, 2,2; comprimento do élitro, 9,2; largura umeral, 3,1.

Material-tipo. Holótipo , PERU, Cuzco: Pilcopata (35 km SW), 17.II.1979, W. E. Steiner col. (USNM).

Discussão. Malacoscylus elegantulus sp. nov. assemelha-se a M. lacordairei (Thomson, 1868), mas difere por: antenas com pilosidade longa apenas no antenômero III; antenômero IV com a metade basal castanho-avermelhada; presença de gibosidade moderada nos lados do protórax; ápices dos élitros com faixa preta anteapical e profêmures inteiramente pretos.

Malacoscylus lacordairei foi examinada através de dois diapositivos (J. S. Moure foto), um do holótipo (MNHN) que está danificado, sem cabeça e antenas, e outro de exemplar perfeito (BMNH). Neste exemplar, a base do antenômero IV também apresenta pêlos longos e o antenômero é todo preto; a gibosidade lateral do protórax é discreta; os ápices dos élitros não têm mancha preta anteapical e os profêmures têm a metade basal amarelada.

Abanycha fasciata sp. nov.

(Fig. 12)

 


 

Etimologia. Latim, fasciatus = com faixas; alusivo às bandas longitudinais de pubescência nos élitros.

Tegumento corporal alaranjado. Pubescência branco-amarelada: na parte superior da fronte, disposta em V atrás dos olhos; faixa longitudinal compacta nos lados do protórax; duas faixas longitudinais em cada élitro (Fig. 12) , mais aparentes na metade basal: uma da sutura ao terço apical e outra contígua à carena umeral do quinto basal ao quinto apical; parte superior dos mesepisternos e mesepimeros; nos metepisternos e nos lados dos urosternitos. Cabeça com o vértice abaulado. Pronoto com gibosidade discreta centro-posterior. Ápice dos élitros emarginado com dois espinhos, nos ângulos interno e externo. Fêmures amarelo-alaranjados. Ápice dos metafêmures atinge o meio do urosternito III. Tíbias e tarsos amarelo-alaranjados.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 11,1; comprimento do protórax, 2,1; maior largura do protórax, 2,5; comprimento do élitro, 7,9; largura umeral, 3,1.

Material-tipo. Holótipo , VENEZUELA, Aragua: Rancho Grande (1100 m), 27.XI.1967, G. I. Stage col. (USNM).

Discussão. Abanycha fasciata sp. nov. assemelha-se a A. sericipennis (Bates, 1885) pelo colorido corporal predominantemente alaranjado. Difere pelo escapo alaranjado, pela presença de faixas longitudinais de pubescência branco-amarelada nos lados do protórax, pela pubescência elitral organizada em faixas longitudinais, pelas extremidades elitrais concolores, pela metade apical das tíbias e tarsos concolores, alaranjados. Em A. sericipennis, o escapo é preto, os lados do protórax não têm faixas de pubescência, a pubescência elitral ocupa, no dorso, os três quartos posteriores; as extremidades elitrais, a metade apical das tíbias e os tarsos são pretos.

Adesmus pilatus sp. nov.

(Fig. 13)

Etimologia. Latim, pilatus = grosso; alusivo à forma do corpo.

Tegumento preto: cabeça; faixa dorsal longitudinal no escapo; pedicelo; 2/3 basais do antenômero III; antenômeros V-XI; tíbias; mesepimeros, metepisterno, metasterno e urosternitos I e II. Tegumento amarelado: ápice do antenômero III; antenômero IV e pronoto (exceto duas manchas pretas junto à borda anterior e duas junto à borda posterior). Élitros (Fig. 13) pretos com três manchas amareladas: uma no terço anterior, uma no nível do meio e outra perto do ápice. Cabeça revestida por pubescência amarelada nas genas, metade inferior da fronte, duas pequenas manchas entre os tubérculos anteníferos e duas faixas justapostas no occipício. Pronoto coberto por pubescência amarelada, densa, esponjosa, menos nas manchas junto às bordas. Escutelo com pubescência amarelada. Úmeros projetados, salientes, tuberculados no lado externo e precedidos de elevação à frente da carena umeral. Ápice dos élitros arredondado.

Variabilidade. O tegumento das tíbias e tarsos varia: inteiramente preto ou amarelado, com apenas a face anterior das tíbias enegrecida e tarsos amarelados. O escutelo pode estar recoberto por pubescência amarelada ou não. A mancha amarelada no meio dos élitros pode estender-se, chegando a formar uma faixa transversal.

Dimensões em mm, /. Comprimento total, 9,5-9,8/11,3; comprimento do protórax, 2,0-2,1/2,3; maior largura do protórax, 2,1-2,7/3,5; comprimento do élitro, 6,7-6,8/8,3; largura umeral, 3,7-3,8/4,8.

Material-tipo. Holótipo , PANAMÁ, Panamá: Cerro Campana (800 m), 29.VIII.1970, H. P. Stokwell col. (USNM). Parátipos: PANAMÁ, Chiriqui: Valle de Las Minas (4,7 km N), , 6.VII.1997, R. Turnbow col. (RHTC); Panamá: Cerro Jefe ("sunmit"), , 10.V.1991, F. T. Hovore col. (FTHC); COSTA RICA, Guanacaste: Estación Ptilla (9 km S Santa Cecilia), , 21.III-21.IV.1989, GNP Biot. Sur. 330200, 380200 (MZSP); Finca Loáiciga (6 km S Santa Cecilia), , II.1993, C. Moraga col., L_N_332400, 380400 (INBio); Alajuela: San Ramon de Dos Rios (1,5 km NE, Hacienda Nueva Zelandia, 620 m), , 8-15.IV.1996, D. Briceño col., L_N_318100_381900 # 7583 (MCNZ).

Discussão. O colorido de Adesmus pilatus sp. nov. assemelha-se vagamente ao de A. pirauna Martins & Galileo, 2004; difere pela cabeça preta com mancha amarelada no vértice; pela cor dos antenômeros III e IV, pelas manchas pretas no protórax amarelado e pelo tubérculo acentuado nos úmeros. Aliás, este caráter é único em Adesmus. Em A. pirauna (MARTINS & GALILEO, 2004a: 39, fig. 4), a cabeça, a base do antenômero III e o ápice do IV são pretos; o pronoto possui uma faixa larga, preta, transversal, perto do meio e os úmeros não são tuberculados.

Adesmus ocellatus sp. nov.

(Fig. 14)

Etimologia. Latim, ocellatus = marcado com manchas; alusivo às pequenas manchas contrastantes nos élitros.

Tegumento corporal avermelhado. Antenômeros III-XI e pernas mais amarelados. Cabeça revestida por pubescência esbranquiçada esparsa, bem visível conforme a incidência da luz. Margem clipeal, borda anterior dos olhos e genas com pubescência branca, compacta. Escapo robusto, cilíndrico, com longos pêlos pretos no lado interno. Pedicelo e flagelômeros basais com franja de pêlos pretos e abundantes. Protórax alaranjado ao longo do centro e com uma mancha longitudinal a cada lado de pubescência branca compacta, bordejada estreitamente por tegumento escuro que se aproxima, mas não atinge a borda anterior. Cada élitro (Fig. 14) com três manchas de pubescência branca, compacta, bordejadas por estreita área de tegumento preto: uma fundida com a sutura no terço anterior; uma arredondada, dorsal, próxima à carena atrás do meio; uma circular, pequena, distanciada da sutura, no quinto apical. Metade ventral das partes laterais do protórax, mesepisternos, mesepimeros, metepisternos, lados do metasterno e pequenas manchas nos lados dos urosternitos II-IV com pubescência esbranquiçada, densa.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 10,4-11,5; comprimento do protórax, 1,9-2,2; maior largura do protórax, 2,6-2,8; comprimento do élitro, 7,6-8,4; largura umeral, 3,7-4,0.

Material-tipo. Holótipo , EQUADOR, Napo: rodovia Napo-Galera (km 2-3), 9.IV.2000. F. T. Hovore col. (CASC). Parátipo , EQUADOR, Napo: Reserva Ethnica Waorani (1 km S, Onkone Gare Camp, Trans. Ent., 220 m, 00°39'S, 76°26'W), 4.X.1996, T. Erwin et al. col., insecticidal fogging of mostly green leaves, some with covering of lichenous or byophyc plants in terre firme forest. At Trans. 10, Sta. 3, Project Maxus Lot, 1763 (USNM).

Discussão. Adesmus ocellatus sp. nov. assemelha-se a A. vulcanicus Galileo & Martins, 1999 pelo padrão de colorido; difere pela presença de espículo no lado externo do ápice dos élitros, pelas manchas dos élitros circundadas por tegumento glabro e escuro e pelas manchas de pubescência branca mais anteriores dos élitros fundidas na sutura. Extremidades elitrais com espículo no lado externo encontram-se também em Ademus niveiceps (Aurivillius, 1900). Adesmus ocellatus difere pela cabeça sem revestimento branco e denso, pelo número de manchas de pubescência branca no dorso dos élitros (quatro em A. niveiceps e três em A. ocellatus).

Adesmus guttatus sp. nov.

(Fig. 15)

Etimologia. Latim, guttatus = manchado; alusivo às duas grandes manchas de pubescência branca nos élitros.

Tegumento preto: escapo, pedicelo, antenômeros VIII-XI e face inferior do corpo; restante do corpo e dos apêndices com tegumento alaranjado, pouco mais escuro na cabeça. Cabeça com pubescência amarelada, visível conforme a incidência da luz. Pubescência branca na borda dos olhos e em mancha longitudinal atrás dos lobos oculares inferiores; pequena mancha de pubescência branca, compacta, atrás dos lobos oculares superiores. Pronoto densamente revestido por pubescência branca, compacta, menos numa pequena área longitudinal, central, do meio à depressão basal. Partes laterais do protórax com faixa alaranjada, estreita, longitudinal. Escutelo revestido por pubescência branca densa. Parte dorsal dos élitros (Fig. 15) com manchas de pubescência branca, densa: uma estreita, transversal, na declividade basal; uma grande mancha que ocupa quase toda a metade anterior e outra ocupa quase toda a metade posterior. Epipleuras com duas manchas de pubescência branca, densa: uma sobre o úmero e outra no terço anterior. Extremidades elitrais arredondadas. Pernas amareladas. Pubescência branca, densa, na face ventral do corpo: mesepimeros, mesepisternos, metepisternos, lados do metasterno e dos urosternitos.

Dimensões em mm, . Comprimento total, 11,4; comprimento do protórax, 2,2; maior largura do protórax, 2,6; comprimento do élitro, 8,0; largura umeral, 3,7.

Material-tipo. Holótipo , PERU, Cuzco: Valle de Lares (75 km NW Calca, 2060 m), 28.II.1979, W. E. Steiner col. (USNM).

Discussão. O protórax de Adesmus guttatus sp. nov. é semelhante ao de A. juninensis descrita por GALILEO & MARTINS (1999:100, fig. 5), mas difere por: escapo, pedicelo e flagelômeros VIII-XI, pretos; cada élitro com apenas a base e duas grandes manchas de pubescência branca. Em A. juninensis, as antenas são alaranjadas e cada élitro apresenta três manchas de pubescência branca além de estreita área na base.

Adesmus calca sp. nov.

(Fig. 16)

Etimologia. Epíteto alusivo à localidade-tipo.

Tegumento de maneira geral vermelho-alaranjado; tegumento preto no prosterno, mesosterno, face anterior das mesocoxas, centro do metasterno, urosternitos I-IV e porção basal do urosternito V. Cabeça revestida por pubescência branca, densa, menos numa área entre os lobos oculares superiores que se prolonga numa faixa estreita até o occipício. Antenas, inclusive o escapo, avermelhadas. Pronoto com duas áreas largas, laterais, de pubescência branca, compacta. Partes laterais do protórax com faixa avermelhada e, no limite com o prosterno, pubescência branca, densa. Escutelo com pubescência branca. Cada élitro (Fig. 16) com manchas de pubescência branca, compacta: pequena, no meio da declividade basal; grande, na metade anterior fundida com a que lhe corresponde no outro élitro; elíptica, na metade apical também fundida à sutura. Epipleura com pequena mancha branca abaixo do úmero. Extremidades elitrais arredondadas. Pubescência branca, densa, na face ventral, recobre os mesepimeros, mesepisternos, metepisternos e partes laterais do metasterno e dos urosternitos I a IV.

Dimensões em mm, /. Comprimento total, 9,6-9,8/8,7; comprimento do protórax, 1,7-1,8/1,5; maior largura do protórax, 2,0-2,1/2,0; comprimento do élitro, 6,9-7,0/6,1; largura umeral, 3,0-3,1/2,7.

Material-tipo. Holótipo , PERU, Cuzco: Calca (80 km N), 4.III.1978, Univ. Maryland-SEL: SMS expedition (USNM). Parátipos: , , mesma localidade, 7.III.1978, mesmo coletor (MZSP, USNM).

Discussão. Adesmus calca sp. nov. é da mesma província peruana que A. guttatus. Separa-se: pela fronte revestida por pubescência branca; pelo escapo, pedicelo e antenômeros VIII-XI avermelhados; pelo pronoto, a cada lado, com uma faixa larga de pubescência branca e o centro longitudinalmente avermelhado; pelo padrão de colorido dos élitros (Fig. 16). Em A. guttatus, a fronte é avermelhada; o escapo, pedicelo e antenômeros VIII-XI são pretos; o pronoto é revestido por pubescência branca (menos em pequena mancha central) e o padrão de colorido dos élitros é diverso (Fig. 15).

O aspecto geral lembra o de A. pysasu (GALILEO & MARTINS,1999:101, fig. 8), descrita do Equador, entretanto o padrão de colorido do pronoto é diferente, não existe a mancha de pubescência branca na declividade dos élitros e a face ventral do corpo é avermelhada.

Adesmus stellatus sp. nov.

(Fig. 17)

Etimologia. Latim, stellatus = manchado; alusivo às manchas de pubescência branca nos élitros.

Cabeça com tegumento avermelhado; pubescência branca numa faixa transversal entre os tubérculos anteníferos, na borda dos olhos e nas genas. Escapo e pedicelo pretos; flagelômeros III-XI avermelhados. Pronoto com tegumento avermelhado e partes laterais do protórax com tegumento preto. Pronoto com uma faixa de pubescência branca, compacta, em forma de U invertido; uma faixa larga no limite com o prosterno. Escutelo coberto por pubescência branca. Cada élitro (Fig. 17) com manchas de pubescência branca, compacta: no terço anterior, dorsal, oblíqua em sentido descendente da margem para a sutura que se funde com a que lhe corresponde no outro élitro, formando uma letra "V"; mancha no dorso da metade posterior, longitudinal, com a parte basal, eqüidistante da carena e da sutura e a parte distal fundida à sutura. No parátipo, a mancha da metade apical está dividida em duas: uma basal, oblíqua em sentido descendente da margem para a sutura e outra anteapical fundida à sutura. Na metade anterior dos élitros o tegumento é mais escurecido entre as manchas de pubescência branca. Epipleuras com tegumento preto, sem manchas de pubescência. Extremidades elitrais obliquamente truncadas. Face ventral com tegumento avermelhado e manchas de pubescência compacta nos mesepimeros, mesepisternos, metepimeros, lados do metasterno e dos urosternitos I-IV.

Dimensões em mm, respectivamente /. Comprimento total, 8,5/9,3; comprimento do protórax, 1,7/1,9; maior largura do protórax, 1,6/2,2; comprimento do élitro, 6,1/6,6; largura umeral, 2,7/3,0.

Material-tipo. Holótipo , COSTA RICA, Guanacaste: Rancho Montezuma (3 km SE Río Naranjo), 3.II.1995, R. G. Allen col., Malaise trap, tropical dry forest, INBIO CRI 002 074423 (INBio). Parátipo , COSTA RICA, Heredia: Estación Biológica La Selva (10°26'N, 84°01'W, 50-150 m), 4.VIII.1993, bosque secundário, INBIO CRI 002 277434 (MZSP).

Discussão. O padrão de colorido dos élitros, com a mancha de pubescência branca anterior em forma de "V", lembra o de A. turrialba (GALILEO & MARTINS, 1999:102, fig. 9) também descrita da Costa Rica. Adesmus stellatus sp.nov. distingue-se pelo desenho de pubescência branca do pronoto, pelo escapo e pedicelo pretos, pelos ápices dos élitros truncados e pelas menores dimensões.

Agradecimentos. A Rejane Rosa (MCNZ) pela execução das ilustrações e a Rafael Santos de Araujo (MCNZ) pelas fotografias.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BATES, H. W. 1866. Contributions to an insect fauna of the Amazon Valley. Coleoptera: Longicornes. Annals and Magazine of Natural History (3)17:425-435.        [ Links ]

GALILEO, M. H. M. & MARTINS, U. R. 1999. O gênero Adesmus (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae, Hemilophini). Iheringia, Série Zoologia (86):77-116.        [ Links ]

__. 2004a. Novos Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae) da Região Neotropical. Iheringia, Série Zoologia 94(3):247-252.        [ Links ]

__. 2004b. Novos táxons em Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae) com única carena elitral. Iheringia, Série Zoologia 94(4):381-388.        [ Links ]

MARTINS, U. R. & GALILEO, M. H. M. 1996. Divisão de Eulachnesia Bates, 1872 e descrição de novos táxons (Coleoptera, Cerambycidae, Hemilophini). Revista Brasileira de Entomologia 40(2):189-196.        [ Links ]

__. 1997. Remoção de espécies com duas carenas elitrais do gênero Adesmus (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae, Hemilophini). Iheringia, Série Zoologia (83):45-64.        [ Links ]

__. 2004a. Contribuição aos Hemilophini (Cerambycidae, Lamiinae) da Colômbia e do Equador. Iheringia, Série Zoologia 94(1):37-44.        [ Links ]

__. 2004b. Sobre Hemilophini (Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae) da Região Neotropical: espécies novas e novos registros. Revista Brasileira de Zoologia 21(3):535-541.        [ Links ]

 

 

Recebido em fevereiro de 2005. Aceito em maio de 2005.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License