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Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721

Iheringia, Sér. Zool. v.97 n.4 Porto Alegre dez. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212007000400013 

Fauna de Hymenoptera em Ficus spp. (Moraceae) na Amazônia Central, Brasil

 

Fauna of Hymenoptera in Ficus spp. (Moraceae) in the Central Amazon, Brazil

 

 

Alison G. NazarenoI; Ranyse B. Querino da SilvaII; Rodrigo A. S. PereiraIII

IDepartamento de Ciências Florestais, Universidade Federal de Lavras, Caixa Postal 3037, 37200-000 Lavras, MG. (alison_nazareno@yahoo.com.br)
IIDepartamento de Ciências Agrárias, Unimontes, Campus Janaúba, Caixa Postal 91, Rua Reinaldo Viana, 2630, 39440-000 Janaúba, MG. (ranyse.querino@unimontes.br)
IIIDepartamento de Biologia, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Av. Bandeirantes, 3900, 14040-901 Ribeirão Preto, SP. (raspereira@yahoo.com.br)

 

 


RESUMO

A interação Ficus (Moraceae) - vespas de figo é considerada um dos exemplos mais extremos de mutualismo entre planta e inseto. Neste trabalho, descreve-se a fauna de vespas de figo associada a cinco espécies de Ficus na Amazônia Central, considerando alguns aspectos do modo de polinização nas espécies Ficus (Urostigma) cremersii, Ficus (Urostigma) greiffiana, Ficus (Urostigma) mathewsii, Ficus (Urostigma) pertusa e Ficus (Pharmacosycea) maxima. O estudo foi desenvolvido durante o período de abril a julho de 2004 em Manaus e Presidente Figueiredo, Estado do Amazonas. O número de espécies de vespas de figo por hospedeiro variou de uma a 13. Vespas do gênero Pegoscapus Cameron, 1906, polinizadoras de Ficus (Urostigma) spp., apresentam pentes coxais e bolsos torácicos adaptados à coleta e ao transporte de pólen, indicando modo ativo de polinização. No subgênero Pharmacosycea, a polinizadora do gênero Tetrapus Mayr, 1885, não apresenta estrutura morfológica adaptada ao transporte de pólen, condizente com o modo passivo de polinização. Além das vespas de figo, F. (Pharmacosyceae) maxima e F. (Urostigma) pertusa apresentaram associação com ácaros, formigas (Solenopsis sp., Formicidae), besouros (Staphylinidae) e larvas de Diptera e Lepidoptera.

Palavras-chave: Co-evolução, dimorfismo sexual, diversidade, interação planta-inseto, mutualismo.


ABSTRACT

The interaction between Ficus (Moraceae) and fig wasps is considered one of the most extreme examples of plant-insect mutualism. In the present study, we reported the fig wasp fauna associated with five Ficus species in the Central Amazon, Brazil, and considered some aspects of the pollination mode found in Ficus (Urostigma) cremersii, Ficus (Urostigma) greiffiana, Ficus (Urostigma) mathewsii, Ficus (Urostigma) pertusa e Ficus (Pharmacosycea) maxima. The study was carried out from April to July 2004, in the cities of Manaus and Presidente Figueiredo (state of Amazonas, Brazil). The number of fig wasp species per host tree varied from one to 13. Wasps of the genus Pegoscapus Cameron, 1906, pollinators of Ficus (Urostigma) spp., showed an active pollination mode. Indeed, these species have coxal combs and pollen pockets to collect and transport pollen. Tetrapus Mayr, 1885 species, pollinators of Ficus (Pharmacosycea) spp., demonstrated a passive pollination mode and they do not show morphological traits adapted to collect and transfer pollen grains. Besides fig wasps, F. (Pharmacosycea) maxima and F. (Urostigma) pertusa are associated with mites, ants (Solenopsis sp., Formicidae), beetles (Staphylinidae) and larvae of Diptera and Lepidoptera.

Keywords: Coevolution, sexual dimorphism, diversity, plant-insect interaction, mutualism.


 

 

A interação Ficus (Moraceae) - vespas de figo é considerada um dos exemplos mais extremos de mutualismo entre planta e inseto, com evidências suficientes para ser enquadrada no conceito de co-evolução (JOUSSELIN et al., 2003; WEIBLEN, 2004). No mundo, existem mais de 750 espécies de Ficus, das quais 130 ocorrem na região neotropical, nos subgêneros Urostigma Miquel, 1847 e Pharmacosycea Miquel, 1847 (BERG, 1989). Em geral, a cada espécie de Ficus está associada uma única espécie de vespa polinizadora da subfamília Agaoninae (Hymenoptera: Agaonidae; RAMIREZ, 1970). Estudos mais aprofundados, porém, mostram que exceções a essa especificidade parecem mais comuns do que se supunha (COMPTON, 1990; WARE & COMPTON, 1992; MOLBO et al., 2003).

O gênero Ficus é caracterizado pela sua inflorescência - sicônio ou figo (COOK & RASPLUS, 2003). O sicônio, em forma de urna, contém flores em seu interior e é fechado, apicalmente, por numerosas brácteas que formam o ostíolo (VERKERKE, 1989). O desenvolvimento e a maturação dos sicônios, em cada planta, são normalmente sincronizados; porém, diferentes plantas na população iniciam a floração assincronizadamente ao longo do ano (BRONSTEIN, 1992; PEREIRA et al., 2007). Quando os sicônios são jovens e as flores femininas estão receptivas, vespas fêmeas acasaladas e carregadas de pólen (fundadoras) são atraídas por substâncias voláteis emanadas do interior do sicônio (VAN NOORT et al., 1989; WARE & COMPTON, 1994; GIBERNAU et al., 1997). As fundadoras penetram no sicônio através do ostíolo, polinizam as flores femininas e depositam ovos nos ovários de algumas delas. Na seqüência, com algumas exceções (WARE & COMPTON, 1992; GIBERNAU et al., 1996; CHEN et al., 2001; MOORE et al., 2003), as fêmeas morrem no interior do sicônio e seus corpos permanecem no lúmen. Durante as semanas seguintes, frutos (aquênios) se desenvolvem nas flores polinizadas e larvas de vespas polinizadoras crescem em flores nas quais ovos foram depositados, formando uma galha. Pouco antes do amadurecimento do sicônio, os machos emergem de suas galhas e vasculham o interior do sicônio em busca de galhas contendo fêmeas. Os machos perfuram as galhas com suas mandíbulas e acasalam com as fêmeas antes delas emergirem. Logo após o acasalamento, as fêmeas emergem das galhas, coletam (espécies com comportamento de polinização ativa) ou simplesmente recobrem seus corpos (espécies com polinização passiva; JOUSSELIN et al., 2003) com o pólen das flores masculinas recém-amadurecidas e abandonam o sicônio, recomeçando o ciclo em outra planta (WEIBLEN, 2002).

GALIL & EISIKOWITCH (1968) dividiram o ciclo de desenvolvimento do sicônio e das vespas de figo em cinco fases: (1) pré-feminina, antes do amadurecimento das flores femininas; (2) feminina, quando as flores femininas estão receptivas à polinização e atrativas às vespas polinizadoras; (3) interfloral, quando os frutos e as larvas das vespas estão em desenvolvimento; (4) masculina, quando as anteras estão maduras e a prole adulta das vespas emerge de suas galhas e (5) pós-floral, dispersão das fêmeas acasaladas e carregadas de pólen e o amadurecimento dos sicônios que se tornam atrativos a animais frugívoros.

Além das vespas polinizadoras, os sicônios suportam uma fauna de vespas não-polinizadoras pertencentes a outras famílias de Hymenoptera. No Neotrópico, ocorrem, além de Agaonidae, Pteromalidae, Torymidae e Eurytomidae (BOUèEK, 1993; WEIBLEN, 2002), cujos integrantes não realizam polinização em benefício à planta hospedeira (BRONSTEIN, 1992; PEREIRA et al., 2000). O grupo das não-polinizadoras apresenta maior riqueza de espécies, sendo que várias espécies de vespas são associadas a uma espécie de Ficus (BOUèEK, 1988, 1993). Assim como as espécies polinizadoras, as não-polinizadoras apresentam certa especificidade ou preferência pela planta hospedeira (GORDH, 1975; RAMIREZ, 1988; BRONSTEIN, 1991, 1992; COMPTON et al., 1991).

As vespas de figo podem ser divididas em três grupos ecológicos: (1) vespas polinizadoras, que são mutualistas; (2) vespas não-polinizadoras, incluindo galhadoras primárias e inquilinas (espécies fitófagas que ovipositam em galhas induzidas previamente por outra espécie fitófaga) e (3) vespas não-polinizadoras que são parasitóides de outras vespas de figo (COOK et al., 1997).

No Brasil, poucos estudos da interação Ficus - vespas de figo e da fauna destas vespas foram realizados. Considerando os mais recentes, podem-se citar FIGUEIREDO & SAZIMA (1997), PEREIRA et al. (2000), PEREIRA & CARAUTA (2003), SCHIFFLER (2002) e PEREIRA & PRADO (2005a, b). Neste trabalho, descreve-se a fauna de vespas de figo associada a cinco espécies de Ficus que ocorrem na Amazônia Central, considerando alguns aspectos do modo de polinização em espécies dos subgêneros Urostigma e Pharmacosycea.

 

MATERIAL E MÉTODOS

As áreas de coletas compreenderam dois municípios da Amazônia Central: Manaus (03º06'S, 60º01'W) e Presidente Figueiredo (02º02'S, 60º01'W). O estudo foi desenvolvido durante o período de abril a julho de 2004, em cinco áreas de floresta tropical pluvial: duas áreas de preservação permanente (Reserva Adolpho Ducke, em Manaus e Cachoeira do Santuário, em Presidente Figueiredo), um fragmento florestal de 10 ha (Reserva Colosso - Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, em Manaus) e duas áreas urbanizadas (Campus do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia - INPA e Campus da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, em Manaus).

Foram amostradas cinco espécies nativas de Ficus pertencentes aos subgêneros Pharmacosycea, seção Pharmacosycea (F. maxima) e Urostigma, seção Americana (F. cremersii; F. greiffiana; F. mathewsii e F. pertusa). Exsicatas das espécies amostradas foram depositadas no Herbário do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (HERB/INPA).

Foram coletados de 50 a 150 sicônios por espécie (Tab. I), na fase que antecede a emergência das vespas (fase masculina). Em laboratório, os sicônios foram cortados ao meio e individualizados em recipientes plásticos até a emergência de todas as vespas (aproximadamente 24 horas). Após a emergência, as vespas foram mortas por congelamento, contadas, sexadas e identificadas no nível de gênero e separadas em morfo-espécies. A identificação foi baseada em BOUèEK (1993) e HANSON & RAMIREZ (1995). Espécimes de vespas foram depositados na coleção de invertebrados do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia.

 

 

O modo de polinização foi avaliado indiretamente pela presença ou ausência de pentes coxais e bolsos de pólen nas vespas polinizadoras - estruturas utilizadas para coletar e transportar pólen, respectivamente (KJELLBERG et al., 2001).

 

RESULTADOS

O número de espécies de vespas observadas por espécie de Ficus variou de 1 a 13 (Tab. I). Ficus pertusa apresentou o maior número de espécies, seguida por F. maxima e F. greiffiana. Ficus cremersii e F. mathewsii apresentaram uma única espécie de vespa de figo.

Em F. maxima, foram encontrados, também, ácaros, formigas do gênero Solenopsis (Formicidae), besouros da família Staphylinidae e larvas de Diptera e Lepidoptera. Formigas e hemípteros foram encontrados associados aos sicônios de F. pertusa.

As vespas do gênero Pegoscapus Cameron, 1906, polinizadoras de Ficus (Urostigma) spp., apresentam bolsos torácicos com grãos de pólen e pentes coxais (Figs. 1-3), indicando mecanismo ativo de polinização. Em Ficus (Pharmacosycea) maxima, espécimes de Tetrapus Mayr, 1885 não apresentam estruturas morfológicas adaptadas ao transporte de pólen (Figs. 4-6), indicando mecanismo passivo de polinização (Tab. II).

 



 

 

 

Ficus maxima, com polinização passiva, apresentou maior número de flores masculinas, com grande quantidade de grãos de pólen, que as espécies polinizadas ativamente Ficus (Urostigma) spp.

Os machos de Idarnes Walker, 1843, Pegoscapus e Tetrapus coletados eram ápteros, tendo seus ciclos de vida restritos à cavidade do sicônio. Em espécimes de Aepocerus Mayr, 1885, Critogaster Mayr, 1885 e Heterandrium Mayr, 1885, foram encontrados machos ápteros e alados. Apenas machos alados foram observados nas famílias Eurytomidae e Torymidae (Tab. I).

 

DISCUSSÃO

Este trabalho relata, pela primeira vez, a fauna das vespas de figo e alguns aspectos do mecanismo de polinização nas espécies de Ficus ocorrendo na Amazônia Central. As espécies de Ficus estudadas apresentaram uma diversidade de interações com vários grupos de organismos, como relatado em outros estudos com espécies neotropicais (BRONSTEIN, 1992; NADEL et al., 1992; WEST et al., 1996; PEREIRA et al., 2000; SCHIFFLER, 2002).

A fauna neotropical de vespas das figueiras é pouco estudada. Considerando somente as vespas polinizadoras, o gênero Tetrapus, associado a Ficus (Pharmacosycea), foi registrado em cinco das 21 espécies hospedeiras de Ficus conhecidas (restritas ao México, Antilhas e sul do Brasil, Bouèek, 1993). Em Ficus (Urostigma), aproximadamente metade das 110 espécies de vespas polinizadoras (Pegoscapus spp.) foram descritas (WIEBES, 1995). No Brasil, a história natural das vespas polinizadoras foi estudada em poucas espécies de figueiras, podendo-se citar: F. citrifolia (=F. eximia; PEREIRA et al., 2000); F. luschnathiana, F. enormis e F. glabra (FIGUEIREDO & SAZIMA, 1997), F. mexiae (SCHIFLLER, 2002) e F. tomentella (PEREIRA & CARAUTA, 2003).

Os resultados reforçam que o sistema Ficus - vespas de figo é adequado para os estudos de relações mutualísticas entre plantas e animais (COMPTON et al., 1996). Muitos insetos são polinizadores passivos, mas alguns grupos de vespas de figo adquiriram um mecanismo sofisticado de polinização ativa (COOK & RASPLUS, 2003). Algumas espécies de Agaonidae são polinizadoras passivas, dispersando o pólen que fica aderido ao corpo (sem nenhum comportamento especializado, GALIL & MEIRI, 1981; WEIBLEN, 2002). Estudos filogenéticos indicam que o mecanismo passivo de polinização é ancestral nas vespas de figo, mas em vários casos houve perdas secundárias do mecanismo ativo de polinização (KJELLBERG et al., 2001; MACHADO et al., 2001).

As espécies de Tetrapus associadas a Ficus (Pharmacosycea) spp. não apresentam estruturas adaptativas para o transporte de grãos de pólen, sendo caracterizadas como polinizadoras passivas (GALIL & MEIRI, 1981; WEIBLEN, 2002). Nossos resultados apóiam a constatação de KJELLBERG et al. (2001) de que o modo de polinização pode ser predito pelas características do sicônio. Os sicônios de F. maxima apresentaram grande quantidade de grãos de pólen quando comparados aos sicônios das espécies de figueiras do subgênero Urostigma, polinizadas por vespas que apresentam adaptações (bolso de pólen) e comportamento ativo de polinização (Pegoscapus). Muitas das espécies de vespas que polinizam as figueiras do subgênero Urostigma possuem, em adição ao bolso de pólen, pentes coxais nas pernas anteriores (GALIL et al., 1973).

COOK et al. (2004) enfatizaram que a polinização ativa é uma síndrome em que alguns aspectos comportamentais devem ser identificados. As vespas devem (1) coletar grãos de pólen, (2) colocá-los dentro dos bolsos de pólen e (3) depositá-los sobre as flores femininas receptivas utilizando, para isto, os pentes coxais. A perda de qualquer um dos comportamentos descaracteriza a polinização ativa.

Considerando a carência de estudos taxonômicos e na especificidade existente entre as espécies de Ficus e as vespas polinizadoras (WIEBES, 1979; WEIBLEN, 2002), as morfo-espécies de Pegoscapus (exceto de F. pertusa) estudadas podem constituir espécies novas.

O mutualismo estudado nas espécies de Ficus da Amazônia Central é explorado por várias espécies de vespas que se desenvolvem dentro do sicônio, mas não realizam polinização, uma vez que depositam seus ovos pelo lado externo dessa estrutura. Parasitas de mutualismos são bem relatados em Ficus (Cook & Rasplus, 2003) e em outros casos de interações mutualísticas (YU, 2001). Pouco é conhecido, porém, da história natural, evolução e de como estas vespas afetam o mutualismo Ficus – vespas de figo (COOK & RASPLUS, 2003; WEIBLEN, 2002).

Dentre as espécies de Ficus estudadas na Amazônia Central, aquela com maior número de vespas não-polinizadoras, F. pertusa, apresentou número de espécies intermediário quando comparada às espécies do Velho Mundo, entre as quais foram relatadas até 30 espécies de vespas não-polinizadoras (COMPTON & HAWKINS, 1992; COMPTON & VAN-NOORT, 1992). Gêneros das vespas não-polinizadoras observados em Ficus (Urostigma) spp. na Amazônia Central foram os mesmos observados em F. citrifolia (=eximia) no sul e sudeste do Brasil (PEREIRA et al., 2000). Estes resultados apóiam constatações prévias da relação estreita, em nível genérico, da fauna de vespas não-polinizadoras e os subgêneros de Ficus (BOUèEK, 1993; MACHADO et al., 1996).

Em F. maxima, foram encontradas apenas espécies não-polinizadoras do gênero Critogaster (Hymenoptera, Pteromalidae). Espécies deste gênero foram coletadas em 1986 por Fritz Müller, no sul do Brasil, porém a espécie hospedeira não foi identificada (BOUèEK, 1993). Essas vespas são provavelmente inquilinas das vespas polinizadoras (WEIBLEN, 2002).

Em F. pertusa e F. greiffiana, foram encontradas espécies de vespas de Idarnes, considerado o mais diverso entre os gêneros de vespas não-polinizadoras neotropicais (GORDH, 1975). As vespas de Aepocerus e Heterandrium são, provavelmente, galhadoras (BRONSTEIN, 1991; PEREIRA et al., 2000) e a de Physothorax Mayr, 1885 é considerada parasitóide das larvas de Heterandrium e Aepocerus (WEIBLEN, 2002). Das figueiras amazônicas estudadas, observamos espécies de Heterandrium apenas em F. pertusa. Espécies deste gênero também foram encontradas por PEREIRA et al. (2000) em F. citrifolia e por SCHIFFLER (2002) em F. clusiifolia Schott, 1827.

A fauna dos machos de vespas de figo da Amazônia Central apresentou dimorfismo sexual extremo em algumas espécies, servindo como fonte para a constatação e predição de modelos de seleção sexual em estudos futuros.

Poucas informações taxonômicas e ecológicas são conhecidas a respeito dos demais gêneros neotropicais observados no presente trabalho (BOUèEK, 1993). Nosso estudo aponta, ainda, a diversidade de interações ecológicas que ocorrem no sistema Ficus - vespas, ressaltando a gama de possibilidades para a realização de trabalhos posteriores.

Agradecimentos. A Fernando S. dos Santos, pela revisão do Abstract; Neusa Hamada e Beatriz R. Teles, do INPA/CPEN, pelo apoio técnico e a Eduardo Alves, Eloísa Lopes e Vanessa de Carvalho, da UFLA/DFP, pela assistência na microscopia eletrônica de varredura. Essa publicação é a de número 495 da série técnica PDBFF-INPA/STRI. O primeiro autor recebeu apoio financeiro e logístico do INPA/STRI.

 

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Recebido em novembro de 2005. Aceito em de 2007.