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Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721versão On-line ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. v.98 n.2 Porto Alegre jun. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212008000200008 

Atrocolus mariahelenae, novo gênero e espécie de Anacolini (Coleoptera, Cerambycidae)

 

Atrocolus mariahelenae, new genus and species of Anacolini (Coleoptera, Cerambycidae)

 

 

Miguel A. MonnéI, II; Marcela L. MonnéI

IMuseu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Quinta da Boa Vista, São Cristovão, 20940-040 Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IIBolsista de produtividade, CNPq

 

 


RESUMO

Atrocolus mariahelenae gen. nov., sp. nov. do Brasil (Bahia) é descrito. Inclui-se chave para identificação dos gêneros Neotropicais de Anacolini.

Palavras-chave: Brasil, chave, Neotropical, Prioninae, taxonomia.


ABSTRACT

A new genus, Atrocolus, and a new species, A. mariahelenae, are described from Brazil (Bahia). A key to the Neotropical genera of the tribe Anacolini is given.

Keywords: Brazil, key, Neotropical, Prioninae, taxonomy.


 

 

A tribo Anacolini compreende 20 gêneros e 45 espécies na região Neotropical (MONNÉ, 2006). GALILEO (1987) revisou a tribo, elaborou chave para identificação de gêneros e espécies, descreveu diversos táxons e propôs a única hipótese filogenética para os gêneros da tribo. GALILEO & MARTINS (1990) descreveram vários táxons, entre eles Flabellomorphus, para F. longus do Amazonas, Brasil. GALILEO & MARTINS (1993), na revisão da tribo Solenopterini, transferiram Poekilosoma Audinet-Serville, 1832 para Anacolini. CHEMSAK (1998) descreveu Galileoana, para G. opaca de Tamaulipas, México. GALILEO & MONNÉ (2003) descreveram Hovorelus, para H. splendidus, de Junin, Peru e os machos de Myzomorphus flavipes Galileo, 1987 e Poekilosoma carinatipenne Lane, 1941.

Neste trabalho são descritos um novo gênero e espécie do Brasil (Bahia) e é fornecida uma chave para identificação dos 21 gêneros de Anacolini, modificada de GALILEO (1987), acrescentando cinco gêneros: Atrocolus gen. nov., Flabellomorphus, Galileoana, Hovorelus e Poekilosoma.

Atrocolus gen. nov.

Espécie-tipo. Atrocolus mariahelenae sp. nov.

Etimologia. Latim, Atro=preto, colus=projeção; alusivo ao pequeno espinho aos lados do protórax.

Cabeça tão larga quanto longa, deprimida entre os lobos oculares superiores. Fronte estreita e transversa. Tubérculos anteníferos pouco proeminentes e distantes entre si. Olhos finamente facetados; lobos oculares superiores distantes entre si pelo menos duas vezes a largura de um lobo; faixa de ligação entre os lobos cerca da metade da largura do lobo superior; lobos oculares inferiores desenvolvidos, ocupando quase toda região lateral da cabeça. Genas curtas, cerca de 1/3 do diâmetro do lobo ocular inferior e com ápice arredondado. Mandíbulas curtas, robustas e bidenteadas no ápice. Artículo apical dos palpos maxilares expandidos para o ápice; o dos palpos labiais com lados paralelos. Antenas filiformes, com 11 antenômeros; escapo cilíndrico, engrossado para o ápice, com cerca da metade do comprimento do III e este 1/3 mais longo que o IV; V-XI gradualmente encurtados para o ápice.

Protórax mais largo que longo; ângulos anteriores e posteriores arredondados; margens laterais não rebaixadas e com pequena projeção mediana. Disco pronotal plano. Processo prosternal intumescido com cerca de 1/3 da largura da procoxa. Mesosterno curto. Processo mesosternal intumescido com cerca da metade da largura da mesocoxa. Metasterno não se sobrepõe ao mesosterno. Metepisternos alongados, gradualmente estreitados para trás. Escutelo trapezoidal. Úmeros arredondados. Élitros pouco convexos recobrindo todo abdome; cerca de quatro vezes mais longos que o protórax; cada élitro com oito carenas longitudinais bem demarcadas, que se anastomosam próximo ao ápice; extremidades arredondadas. Asas membranosas desenvolvidas. Pernas subiguais em comprimento. Fêmures lineares e deprimidos. Tíbias delgadas e ligeiramente expandidas para o ápice. Tarsômeros I cerca de 1/3 mais longos que o II. Esternitos I-IV subiguais em comprimento; V ligeiramente mais curto que o IV.

Discussão. GALILEO (1987) propôs uma hipótese filogenética para os gêneros de Anacolini e Atrocolus compartilha a sinapomorfia de Anacolini sobre as bordas laterais do pronoto expandidas em projeções espiniformes e não crenuladas; outro caráter assinalado para a tribo são os olhos finamente facetados também presente em Atrocolus. Na tricotomia basal (GALILEO, 1987:683, fig. 1103), Atrocolus não apresenta nenhuma das sinapomorfias dos ramos mas, apesar de se conhecer apenas a fêmea, é possível que seja relacionado a Calloctenus White, 1850 e Rhachicolus Galileo, 1987 por apresentar élitros com costas grossas e salientes.

Atrocolus mariahelenae sp. nov.

(Fig. 1)

 

 

Etimologia. Homenagem à Dra. Maria Helena M. Galileo (Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul) por sua contribuição ao conhecimento dos Prioninae (Cerambycidae).

Fêmea. Tegumento castanho-escuro. Cabeça com pontos grossos, densos e bem demarcados e pilosidade curta, ereta e esbranquiçada. Antenas glabras, quase alcançam o meio dos élitros; escapo com pontos finos, rasos e moderadamente densos; III-XI com pontos finos, rasos e pouco evidentes. Pronoto com superfície irregular e pontuação grossa, densa e irregular, exceto na região mediana, deprimida e lisa. Prosterno e mesosterno com pontos finos e densos, no metasterno finos e esparsos. Élitros (Fig. 1) glabros e com pontuação grossa e densa entre as oito carenas longitudinais. Fêmures e tíbias com pontos finos, rasos e esparsos. Esternitos I-V com pilosidade curta, amarelada e decumbente e densas estrias transversais; esternito V com margem apical truncada; tergito V com margem apical arredondada e com pequena reentrância mediana.

Dimensões, em mm, . Comprimento total, 16,5;comprimento do protórax, 2,1/2,0; maior largura do protórax, 4,1; comprimento do élitro, 12,3; largura umeral, 5,2.

Material-tipo. Holótipo , BRASIL, Bahia: Encruzilhada, Estrada Rio-Bahia, Km 965, 960m, XI.1972, Seabra & Roppa col. (Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro).

Chave para os gêneros de Anacolini
1. Metasterno projetado entre as mesocoxas .......... 2 Metasterno não projetado entre as mesocoxas .... ........................................................................... 12
2(1). Saliência intercoxal anterior do metasterno em ponta acentuadamente intumescida .......................... 3 Saliência intercoxal anterior do metasterno em ponta não intumescida ou ligeiramente convexa ...... 5
3(2). Pronoto com lados expandidos; élitros com ângulos sutural e externo aguçados .............................. ................................. Otheostethus Bates, 1872 Pronoto com bordas laterais marcadas, mas não expandidas; élitros com apenas o ângulo sutural ligeiramente projetado ..................................... 4
4(3). Antenas, nos machos, não flabeladas e com 11 antenômeros ............... Biribellus Galileo, 1987 Antenas, nos machos, flabeladas e com 12 antenômeros ...................................... Nicias Thomson, 1857
5(2). Metepisternos com margens convergentes ânteroposteriormente ................................................ 6 Metepisternos com margens subparalelas .......... 8
6(5). Cabeça e protórax com pilosidade densa e compacta; flabelos (nos machos) com projeções do ápice externo do flagelo retilíneas; fêmures sem modificações ................................................... 7 Cabeça e protórax glabros; flabelos (machos) recurvos para a face ventral e projetados para o lado interno da antena; face ventral dos metafêmures (machos) com área ovalada côncava densamente pilosa ........................................... ......................... Cycloprionus Tippmann, 1953
7(6). Bordas laterais do pronoto com projeção espiniforme no ângulo posterior; fêmures com margem inferior provida de área deprimida densamente pilosa .................... Episacus Waterhouse, 1880 Bordas laterais do pronoto sem projeções espiniformes; fêmures sem áreas deprimidas ......................... ...................................... Piesacus Galileo, 1987
8(5). Élitros sem costas ................................................................. Poekilosoma Audinet-Serville, 1832Élitros com costas vestigiais ou salientes ........... 9
9(8). Costas elitrais vestigiais ...................................................................... Xanthonicias Galileo, 1987 Costas elitrais bem demarcadas e salientes ....... 10
10(9). Processo prosternal extremamente longo, estende-se até o metasterno ....... Calloctenus White, 1850 Processo prosternal curto, não se estende ao metasterno .................................................... 11
11(10). Escutelo mais longo que largo, costas elitrais sem crista basal .............................................................. Poekilosoma Audinet-Serville, 1832 Escutelo mais largo que longo, costa interna dos élitros com crista basal elevada ....................... .................................. Rachicolus Galileo, 1987
12(1). Antenas (fêmeas) com oito antenômeros ............................................... Allaiocerus Galileo, 1987 Antenas, nos dois sexos, com 11 ou 12 antenômeros ...................................................................... 13
13(12). Antenas dos machos não flabeladas; fêmeas com aspecto geral compacto e convexo ............... 14 Antenas dos machos flabeladas; aspecto geral das fêmeas ou alongado e cilíndrico ou compacto e deprimido ...................................................... 16
14(13). Processo mesosternal com tubérculo ........................................... Rhodocharis Lacordaire, 1869 Processo mesosternal sem tubérculo ................ 15
15(14). Antenas, nas fêmeas, ultrapassam o meio dos élitros; vértice externo dos flagelômeros levemente projetado; protarsos alargados e metatarsos estreitos; mandíbulas longas (antenas dos machos não biflabeladas, com carenas múltiplas longitudinais) ............. Anacolus Latreille, 1825 Antenas, nas fêmeas, no máximo atingem os úmeros; margem ventral dos flagelômeros dotada de projeções bilobadas; tarsos curtos e subiguais; mandíbulas curtas (antenas dos machos biflabeladas) ............................................................................. Chariea Audinet-Serville, 1832
16(13). Cada élitro com 8 costas bem demarcadas .................................................... Atrocolus gen. nov. Cada élitro com 2-4 costas ou sem costas ......... 17
17(16). Antenas (machos) biflabeladas ................................................... Chariea Audinet-Serville, 1832 Antenas (machos) uniflabeladas ....................... 18
18(17). Metatarsos (machos) comprimidos lateralmente, com projeções espiniformes apicais e face ventral sulcada longitudinalmente; escova tarsal destes tarsos, quando presente, restrita a faixas estreitas ao lado do sulco (fêmeas ápteras) ........................ ................... Prionapterus Guérin-Méneville, 1831 Tarsos não comprimidos nos três pares de pernas, nos dois sexos (fêmeas aladas) ..................... 19
19(18). Lados do protórax sem espinho; urosternitos I-III com depressão pilosa (élitros recobrem o abdome) .............................. Galileoana Chemsak, 1998 Lados do protórax com espinho ou projeção mediana; urosternitos sem depressão pilosa ............... 20
20 (19). Élitros recobrem inteiramente o abdome .......... 21 Élitros não recobrem totalmente o abdome..... 22
21(20). Cabeça, protórax e élitros com brilho metálico 16,5mm. flabelados ............................................................................ Hovorelus Galileo & Monné, 2003 Corpo sem brilho metálico; antenômeros IV-X flabelados ................................................................ Flabellomorphus Galileo & Martins, 1990
22(20). Escapo longo com area côncava na face dorsal; asas membranosas com célula fechada; tíbias posteriores sublineares; antenas (nos machos) com flabelos estreitos no ápice externo dos flagelômeros; processo prosternal e metasterno não modificados ....... Udeterus Thomson, 1858 Escapo curto com face dorsal convexa; asas membranosas sem célula fechada; tíbias posteriores alargadas, às vezes foliáceas; antenas (nos machos) com flabelos largos, foliáceos a partir da margem ventro-apical dos flagelômeros; processo prosternal e metasterno (machos) modificados em placa plana com pontos grossos e pilosidade densa ............................. ............................. Myzomorphus Dejean, 1835

Agradecimentos. Ao Dr. José Ricardo M. Mermudes (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) pela foto do espécime.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHEMSAK, J. A. 1998. A new genus of Mexican Prioninae. Occasional Papers of the Consortium Coleopterorum 2(1):24-26.         [ Links ]

GALILEO, M. H. M. & MARTINS, U. R. 1990. Novos táxons de Anacolini (Coleoptera, Cerambycidae, Prioninae). Papéis Avulsos de Zoologia 37(3):39-52.         [ Links ]

___. 1993. Revisão da tribo Solenopterini (Coleoptera, Cerambycidae, Prioninae). Parte I. Transferência de Poekilosoma A.-Serville, 1832 e Calocomus A.-Serville, 1832; os gêneros Prosternodes Thomson, 1860 e Derancistrodes, gen. n. Revista Brasileira de Entomologia 37(1):79–99.         [ Links ]

GALILEO, M. H. M. & MONNÉ, M. A. 2003. Novo gênero de Anacolini e descrição dos machos de Myzomorphus flavipes e Poekilosma carinatipenne (Coleoptera, Cerambycidae, Prioninae). Iheringia, Série Zoologia, 93(1):37-44.         [ Links ]

MONNÉ, M. A. 2006. Catalogue of the Cerambycidae (Coleoptera) of the Neotropical Region. Part III. Subfamilies Parandrinae, Prioninae, Anoplodermatinae, Aseminae, Spondylidinae, Lepturinae, Oxypeltinae, and addenda to the Cerambycinae and Lamiinae. Zootaxa 1212:1-244.         [ Links ]

 

 

Recebido em fevereiro de 2007. Aceito em setembro de 2007.

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