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Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721

Iheringia, Sér. Zool. vol.104 no.3 Porto Alegre July/Sept. 2014

https://doi.org/10.1590/1678-476620141043269276 

 

Efeito do fotoperíodo sobre o ciclo de vida e a morfometria da concha de Dysopeas muibum (Mollusca, Subulinidae) em condições de laboratório

 

Effect of photoperiod on the life cycle and shell morphology of Dysopeas muibum (Mollusca, Subulinidae) under laboratory conditions

 

 

Vinícius J. PilateI,II; Lidiane C. SilvaII,III; Elisabeth C. A. BessaII,IV

IPrograma de Pós-graduação em Ciências Biológicas – Comportamento e Biologia Animal, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG, Brasil. (viniciuspilate@gmail.com)
IINúcleo de Malacologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG, Brasil
IIIPrograma de Pós-graduação em Ciências Veterinárias – Parasitologia Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, Brasil (lhybio@yahoo.com.br)
IVDepartamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG, Brasil (elisabeth.bessa@ufjf.edu.br)

 

 


RESUMO

Neste estudo teve-se como objetivo avaliar o efeito do fotoperíodo sobre o ciclo de vida e a morfometria da concha de Dysopeas muibum Marcus & Marcus, 1968 em condições de laboratório. Para tal, foram acompanhados o crescimento da concha, a liberação de filhotes e a mortalidade de 40 espécimes submetidos a condições naturais de temperatura, umidade relativa do ar e fotoperíodo, e 80 submetidos a condições controladas (40 com dias longos e 40 com dias curtos), desde o nascimento até 180 dias de vida, quando foram aferidas as medidas da concha. Verificou-se que o fotoperíodo não teve efeito sobre o padrão de crescimento indeterminado, a relação entre reprodução e crescimento, a iteroparidade e a baixa mortalidade antes e após a maturidade sexual. As condições controladas de temperatura, umidade relativa do ar e fotoperíodo favoreceram o crescimento, maiores valores conquiliomorfométricos e o rápido alcance da maturidade sexual, enquanto a diminuição do comprimento do dia favoreceu a fecundidade.

Palavras-chave: Luminosidade, reprodução, conquiliomorfometria, molusco terrestre.


ABSTRACT

This study aimed to evaluate the effect of photoperiod on the life cycle and shell morphology of Dysopeas muibum Marcus & Marcus, 1968 under laboratory conditions. To this end, we conducted monitoring growth of the shell, the release of puppies and mortality of 40 specimens undergo natural conditions of temperature, relative humidity and photoperiod, and 80 undergo controlled conditions (40 with long days, and 40 with short days), from birth to 180 days, when the measures of the shell were taken. It was found that the photoperiod had no effect on the indeterminate growth, the relationship between reproduction and growth, iteroparidade and low mortality before and after sexual maturity. The controlled conditions of temperature, relative humidity and photoperiod favored growth, conchiliomorphometrics values higher and fast reach sexual maturity, while the decrease in day length favored fecundity.

Keywords: Luminosity, reproduction, conchiliomorphometry, terrestrial mollusc.


 

 

O ciclo de vida e a morfologia dos moluscos terrestres são fortemente influenciados por alterações nos fatores abióticos, como temperatura, pluviosidade, umidade, substrato e fotoperíodo (Lüsis, 1966; Dimitrieva, 1975; Wareing & BaiLey, 1985; Gomot et al., 1989; Gomot, 1990; South, 1992; Asami, 1999; D’Ávila et al., 2004; D’Ávila & Bessa, 2005a,b,c; HausDorf, 2006; Anderson et al., 2007; Udaka et al., 2007). Mudanças sazonais em alguns destes fatores podem regular as taxas de crescimento, o desenvolvimento, a sobrevivência e o ciclo reprodutivo de gastrópodes terrestres, incluindo a gametogênese, a corte e a cópula, principalmente pelas mesmas atuarem no controle hormonal e na conversão de reservas energéticas (Wayne, 2001; Garcia & Pinheiro, 2007; Udaka et al., 2007).

Em razão do endemismo das espécies, da degradação de habitats e da introdução de espécies exóticas, muitas espécies de pulmonados terrestres podem estar sendo extintas antes mesmo de serem descritas, o que evidencia a necessidade de estudos biológicos e morfológicos, visando auxiliar o planejamento de estratégias de manejo e conservação (Backeljau et al., 2001; Teles & Fontes, 2002).

Os micromoluscos terrestres Dysopeas muibum Marcus & Marcus, 1968 integram a família Subulinidae e são nativos do continente americano, ocorrendo em locais protegidos e úmidos. No Brasil a espécie foi registrada nas cidades de São Paulo, SP e Juiz de Fora, MG (simone, 2006; Pilate et al., 2012). Até o momento, foram realizados com esta espécie estudos de comportamento (Pilate et al., 2012; 2013), de ciclo de vida e de conquiliomorfometria em condições de laboratório (Pilate et al., 2013) e de campo (Mota & Almeida, 2012), e do efeito do isolamento sobre aspectos biológicos e morfológicos (Pilate et al., 2013). Ainda não foram conduzidos trabalhos que esclareçam a influência de fatores abióticos sobre a biologia e a morfologia de D. muibum.

O objetivo do estudo foi avaliar o efeito do fotoperíodo sobre o ciclo de vida e a morfometria da concha de D. muibum em condições de laboratório.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi feito com base em 120 espécimes de D. muibum recém-nascidos, obtidos a partir de criações matrizes de laboratório formadas por espécimes coletados em uma horta do bairro Parque Independência, município de Juiz de Fora, Minas Gerais. Estes foram organizados em 12 grupos, cada um dos quais contendo 10 espécimes, mantidos desde o nascimento até 180 dias de vida, entre os meses de março a setembro de 2011.

Cada grupo foi incluído em um terrário plástico transparente de 1 L (14 cm de diâmetro e 9 cm de altura), fechado com tecido de algodão e elástico, contendo 200 g (3 cm de altura) de terra vegetal comercial esterilizada (120ºC por uma hora) como substrato, umedecida a intervalos de dois dias, com 10 mL de água de torneira.

Os espécimes foram alimentados ad libitum com ração para frangos de corte peneirada e enriquecida com carbonato de cálcio (na proporção de 3:1), oferecida em discos plásticos transparentes de 4 cm de diâmetro (um disco por terrário) (Bessa & araújo, 1995a,b).

Foram formados três grupos experimentais: (1) Controle: 40 espécimes (quatro grupos, 10 moluscos por grupo) mantidos sob condições naturais de temperatura, umidade relativa do ar e fotoperíodo, as temperaturas mínima e máxima e a umidade relativa do ar registradas diariamente com termômetro de máxima e de mínima e termo-higrômetro de bulbo seco e úmido, respectivamente, sendo a média dos registros de temperatura de 20,30 ± 2,24ºC e de umidade relativa do ar, de 78,90 ± 10,15%; (2) Dia longo: 40 espécimes (quatro grupos, 10 moluscos por grupo) mantidos em estufa para B.O.D., a 22ºC, com umidade relativa do ar de aproximadamente 80% e fotoperíodo de 14 horas diárias de luz e 10 de escuro e (3) Dia curto: 40 espécimes (quatro grupos, 10 moluscos por grupo) mantidos em estufa para B.O.D., a 22ºC, com umidade relativa do ar de aproximadamente 80% e fotoperíodo de 10 horas diárias de luz e 14 de escuro.

A intervalos de 15 dias, a partir do primeiro dia do experimento até 180 dias de vida, foi registrada a medida do comprimento da concha dos moluscos dos três grupos experimentais para estabelecer o crescimento médio (mm) e a taxa de crescimento (mm por dia) durante o ciclo de vida. Os moluscos que atingiram 180 dias foram destinados ao estudo da conquiliomorfometria. Foram obtidas as seguintes medidas dos três grupos experimentais, adaptadas da metodologia usada por Chiu et al. (2002): comprimento da concha, largura da concha, comprimento da abertura, largura da abertura, comprimento da volta corporal, comprimento da penúltima volta e comprimento da espira. Também foi determinado o número de voltas da concha. Com os valores destas variáveis lineares, foram calculadas razões, utilizadas como descritores da forma da concha: comprimento da concha/largura da concha, comprimento da volta corporal/comprimento da penúltima volta, comprimento da volta corporal/largura da concha, comprimento da abertura/largura da abertura e comprimento da espira/comprimento da volta corporal. Medições foram feitas com o uso de um paquímetro.

O aparecimento de filhotes nos terrários, verificado através de observações diárias, foi o parâmetro utilizado para a constatação do tempo para o alcance da maturidade sexual. A partir desse dia até 180 dias, foram realizadas observações diárias para a verificação do número de eventos reprodutivos realizados, do número de filhotes por evento reprodutivo e do intervalo entre eventos reprodutivos. Um evento reprodutivo foi caracterizado como um encontro de filhotes em um terrário, sendo os mesmos quantificados, retirados e transferidos para as criações matrizes. Com base nesses dados, foi calculada a fecundidade (número médio de filhotes produzidos por evento reprodutivo e número médio de filhotes produzidos por molusco parental). O número de filhotes por indivíduo foi quantificado dividindo-se o número de filhotes em cada evento reprodutivo pelo número total de moluscos do grupo, por não ser possível saber quais moluscos do grupo se reproduziram e o número de filhotes que cada um procriou.

Para avaliar a taxa de mortalidade total, antes e após a maturidade sexual dos moluscos dos três grupos experimentais, foram realizadas observações diárias e cada morte observada foi registrada. Animais mortos foram retirados do terrário.

Aplicou-se a análise de variância Kruskal-Wallis (H), seguida pelo teste Student-Newman-Keuls (t) para a comparação das frequências médias dos parâmetros de crescimento, conquiliomorfometria, reprodução e mortalidade dos moluscos dos três grupos experimentais. Para correlacionar o número médio de filhotes e o comprimento médio da concha ao longo dos 180 dias de experimento, foi utilizado o teste de Regressão Linear Simples (F). Para verificar a possível separação destes grupos, através de similaridade entre os padrões conquiliomorfométricos, foram calculados os valores da distância euclidiana e realizadas as análises de agrupamentos pelo método de agregação Ward e discriminante. Previamente, os valores das variáveis lineares das conchas foram submetidos à transformação logarítmica (log10) para minimizar os desvios da normalidade nos valores brutos. As análises foram realizadas no programa BioEstat 5.0 e foi adotado o índice de significância de 0,05.

 

RESULTADOS

O comprimento médio dos moluscos dos grupos Controle, Dia longo e Dia curto ao final do experimento foi de 7,26 ± 0,59 mm, 9,48 ± 0,90 mm e 10,03 ± 0,72 mm, respectivamente, havendo diferença significativa entre estes (H=57,99; p=0). Os moluscos dos grupos Controle e Dia longo alcançaram valores significativamente maiores no comprimento da concha com relação ao grupo Dia curto nos 15 primeiros dias experimento (H=9,97; p=0,01). O grupo Controle, no entanto, apresentou valores significativamente menores dessa medida em relação aos grupos Dia longo e Dia curto no início da atividade reprodutiva (H=34,89; p=0) e no final do experimento (H=57,99; p=0) (Fig. 1).

 

 

Foi verificada diferença significativa no comprimento da concha entre moluscos dos grupos Controle, Dia longo e Dia curto em todas as idades. Os moluscos do grupo Controle apresentaram valores significativamente menores do comprimento da concha em todas as idades, quando comparados aos moluscos do grupo Dia longo, com exceção das idades de 15 (t=8,01; p=0,30) e 45 dias (t=9,03; p=0,23) que não diferiram entre estes dois grupos e da idade de 30 dias, onde apresentaram valores significativamente maiores (t=20,30; p=0,01). Quando comparados aos moluscos do grupo Dia curto, apresentaram valores significativamente menores em todas as idades, com exceção da idade de 30 dias que não diferiu entre estes dois grupos (t=11,02; p=0,15) e da idade de 15 dias, onde apresentaram valores significativamente maiores (t=23,55; p<0,01). Os indivíduos do grupo Dia longo apresentaram valores significativamente menores do comprimento da concha nas idades de 150 dias (t=16,50; p=0,02) e 165 dias (t=15,32; p=0,02), quando comparados aos indivíduos do grupo Dia curto. Porém, apresentaram valores significativamente maiores na idade de 15 dias (t=15,54; p=0,04).

Observou-se que dos 45 dias até o alcance da maturidade sexual, os moluscos dos grupos Dia longo e Dia curto apresentaram um ritmo de crescimento mais rápido com relação ao grupo Controle. Após esse período, a taxa de crescimento nos três grupos passou a ser semelhante no decorrer do tempo. Porém, tomando todo o período analisado, a taxa de crescimento dos moluscos dos três grupos não diferiu estatisticamente (H=0,92; p=0,63), demonstrando que o fotoperíodo não interfere nesse parâmetro. Dysopeas muibum apresentou padrão de crescimento indeterminado nos três tratamentos, uma vez que depois de maduros, a taxa de crescimento diminui nos moluscos dos grupos Controle (t=4,83; p=0,02), Dia longo (t=6,00; p=0,01) e Dia curto (t=5,66; p=0,01).

Em relação à conquiliomorfometria, foi demonstrada existência de diferença significativa em todas as variáveis lineares das conchas entre moluscos dos grupos Controle, Dia curto e Dia longo. Em relação às razões entre essas variáveis, foi demonstrada existência de diferença significativa nas razões CC/LC, CVC/CPV e CE/CVC, o que não aconteceu em CVC/LC (H=1,41; p=0,49) e CA/LA (H=0,77; p=0,68) (Tab. I).

Os moluscos do grupo Controle apresentaram valores significativamente menores de todas as variáveis quando comparados aos moluscos do grupo Dia curto, e de todas as variáveis, com exceção de CPV, que não foi significativamente diferente (H=2,17; p=0,74), quando comparados aos moluscos do grupo Dia longo. Os moluscos do grupo Dia curto exibiram valores significativamente maiores nas variáveis CPV (t=24,24; p<0,01) e CE (t=14,33; p=0,03) do que os do grupo Dia longo (Tab. I).

Em relação às razões entre essas variáveis, os moluscos do grupo Controle mostraram valores significativamente mais baixos na razão CC/LC, quando comparados aos grupos Dia curto (t=34,31; p<0,01) e Dia longo (t=34,09; p<0,01), o mesmo ocorrendo na razão CE/CVC, ao ser feita a comparação com os grupos Dia curto (t=39,90; p<0,01) e Dia longo (t=29,42; p<0,01). Também apresentaram valores significativamente mais baixos na razão CVC/CPV, quando comparados ao grupo Dia longo (t=23,74; p<0,01), o mesmo ocorrendo com os moluscos do grupo Dia curto (t=14,92; p=0,02) (Tab. I).

Com base nesses resultados, de maneira geral, o grupo Dia curto possui os maiores valores das variáveis lineares da concha e das razões entre essas variáveis, o grupo Controle, os menores valores e o grupo Dia longo, valores intermediários. Tal relação foi confirmada pelas relações de distância observadas por meio das análises de distância Euclidiana, de agrupamentos e discriminante.

A análise de distância Euclidiana aplicada às variáveis lineares das conchas dos grupos Controle, Dia curto e Dia longo revelou maior distância entre os grupos Controle e Dia curto (6,28) e menor distância entre os grupos Dia curto e Dia longo (2,57). Na análise de agrupamentos, os moluscos dos grupos Dia curto e Dia longo foram agrupados com 40% de distância, enquanto os do grupo Controle formaram um grupo externo com 100% de distância desse agrupamento (Fig. 2).

 

 

A análise discriminante aplicada às variáveis lineares dos grupos Controle, Dia curto e Dia longo demonstrou que os padrões conquiliomorfométricos, apesar de formarem grupos com componentes dispersos, mostraram variação. Os moluscos do grupo Controle ficaram pouco relacionados com os do grupo Dia curto, não havendo componentes sobrepostos no gráfico. Já os moluscos do grupo Dia longo, apesar de formarem um grupo separado, se mantiveram relacionados com os outros dois grupos, com muitos componentes sobrepondo-se no gráfico com o grupo Dia curto, mas pouca sobreposição com o grupo Controle, confirmando as relações obtidas com as análises de distância Euclidiana e de agrupamentos (Fig. 3).

 

 

Com relação à reprodução, o tempo para alcançar a maturidade sexual de moluscos do grupo Controle foi de 89 ± 6,93 dias. Esse período foi significativamente menor para os moluscos do grupo Dia longo, 75 ± 0 dias (t=6,00; p=0,02), assim como para os do grupo Dia curto, 75 ± 0 dias (t=6,00; p=0,02), o que evidencia que a alteração do fotoperíodo causou diminuição significativa do tempo para início da liberação de filhotes. No entanto, esse período não foi significativamente diferente entre os grupos Dia longo e Dia curto (t=0,00; p=1,00).

Os indivíduos do grupo Controle realizaram 16,25 ± 2,87 eventos reprodutivos, obtendo um total de 295 filhotes, enquanto os do grupo Dia longo realizaram 20,75 ± 0,96 eventos, totalizando 787 filhotes e os moluscos do grupo Dia curto, 23 ± 1,15, com 983 filhotes. Houve diferença significativa entre os três tratamentos com relação ao número de eventos reprodutivos (H=8,97; p=0,01) e o número total de filhotes produzidos (H=8,00; p=0,02). Quando os tratamentos foram comparados dois a dois, houve diferença significativa no número de eventos reprodutivos entre Controle e Dia curto (t=7,50; p<0,01), o que não ocorreu entre Controle e Dia longo (t=3,75; p=0,14) e entre Dia longo e Dia curto (t=3,75; p=0,14). Da mesma forma, com relação ao número total de filhotes produzidos, Controle e Dia curto diferiram (t=7,00; p=0,01), o que não ocorreu entre Controle e Dia longo (t=5,00; p=0,05) e entre Dia longo e Dia curto (t=2,00; p=0,43). O intervalo entre eventos reprodutivos foi significativamente diferente entre os grupos Controle (5,85 ± 3,45 dias), Dia longo (5,27 ± 3,05 dias) e Dia curto (4,77 ± 1,98 dias) (H=7,09; p=0,03). Quando comparados dois a dois, houve diferença significativa entre Controle e Dia curto (t=6,50; p=0,01), o que não se deu entre Controle e Dia longo (t=1,75; p=0,49) e entre Dia longo e Dia curto (t=4,75; p=0,06).

Os moluscos do grupo Controle obtiveram 4,60 ± 1,26 filhotes por evento reprodutivo e 7,38 ± 2,08 por molusco parental, enquanto os moluscos do grupo Dia longo obtiveram 9,51 ± 0,74 por evento e 19,68 ± 0,75 por molusco, e os moluscos do grupo Dia curto, 10,63 ± 2,06 filhotes por evento e 24,58 ± 5,69 filhotes por molusco. A fecundidade de D. muibum observada nos três tratamentos diferiu, sendo muito ampliada pela redução do comprimento do dia, tanto no número de filhotes por evento reprodutivo (H=8,00; p=0,02), quanto no número de filhotes por molusco (H=8,00; p=0,02). Quando comparados dois a dois, houve diferença significativa no número de filhotes por evento reprodutivo entre Controle e Dia curto (t=7,00; p=0,01), o que não ocorreu entre Controle e Dia longo (t=5,00; p=0,05) e entre Dia longo e Dia curto (t=2,00; p=0,43), assim como no número de filhotes por molusco parental entre Controle e Dia curto (t=7,00; p=0,01), o que não aconteceu entre Controle e Dia longo (t=5,00; p=0,05) e entre Dia longo e Dia curto (t=2,00; p=0,43).

O teste de Regressão Linear Simples revelou ser significativa a relação entre o crescimento e a reprodução, representados respectivamente pelo comprimento médio da concha e pelo número médio de filhotes de moluscos dos grupos Controle (y=-20,97+0,91x; F=10,74; p=0,01; R2=0,47), Dia longo (y=-31,98+1,74x; F=14,09; p<0,01; R2=0,54) e Dia curto (y=-46,43+1,16x; F=8,29; p=0,02; R2=0,40).

No decorrer do desenvolvimento do experimento, morreram 11 moluscos do grupo Controle (taxa de mortalidade pré-maturidade sexual de 15% e pósmaturidade sexual de 13%), 14 do grupo Dia longo (taxa de mortalidade pré-maturidade sexual de 3% e pós-maturidade sexual de 33%) e 11 do grupo Dia curto (taxa de mortalidade pré-maturidade sexual de 13% e pós-maturidade sexual de 15%). Não houve diferença significativa no número total de moluscos mortos entre os três tratamentos durante todo o período estudado (H=0,47; p=0,79), antes da maturidade sexual (H=2,60; p=0,27) e depois da maturidade sexual (H=3,41; p=0,18).

 

DISCUSSÃO

O fotoperíodo e a temperatura são os principais fatores ambientais relacionados à reprodução dos moluscos terrestres (South, 1992; Hommay et al., 2001). Estes fatores podem regular a liberação de ovos ou filhotes, uma vez que os mecanismos endócrinos que influenciam a reprodução são dependentes de estímulos externos (Wayne, 2001). Pesquisas mostraram que o fotoperíodo pode provocar alterações em parâmetros reprodutivos, como o tempo gasto para o alcance da maturidade sexual, a fecundidade e a viabilidade de ovos (Hommay et al., 2001).

As pesquisas sobre influência do fotoperíodo no ciclo de vida de gastrópodes terrestres foram feitos, na maior parte, com Helix aspersa Müller, 1774 (Helicidae), provavelmente por ser essa uma espécie de interesse econômico (Bailey, 1981; Enée et al., 1982; Gomot et al., 1982; Bonnefoy-Claudet et al., 1983; Le Guhennec & Daguzan, 1983; Laurent et al., 1984; Gomot & Gomot, 1985; Griffond & Vincent, 1985; Bonnefoy-Claudet & Deray, 1987; Deray & Laurent, 1987; Gomot et al., 1989). Tais estudos também foram conduzidos com Bradybaena similaris (Férussac, 1821) (Xanthonychidae) (Garcia & Pinheiro, 2007), Achatina achatina (Linnaeus, 1758) (Achatinidae) (Hodasi, 1982), Deroceras reticulatum (Müller, 1774) (Agriolimacidae) (Henderson & Pelluet, 1960), Limax maximus Linnaeus, 1758 (Limacidae) df Cepaea nemoralis (Linnaeus, 1758) (Helicidae) (Hunter & Stone, 1986; Gomot, 1990).

Em D. muibum observamos que a diminuição do número de horas de luz no dia favoreceu o aumento do número de eventos reprodutivos e de filhotes (no total, por evento reprodutivo e por molusco parental) e a diminuição dos intervalos entre os eventos sucessivos. Além disso, indivíduos de ambos os tratamentos com fotoperíodo artificial alcançaram a maturidade mais rapidamente do que aqueles do tratamento com fotoperíodo natural. Portanto, as condições controladas na estufa para B.O.D., como temperatura e umidade relativa do ar, favoreceram o início da atividade reprodutiva e a diminuição do comprimento do dia teve um efeito benéfico ainda maior sobre os demais parâmetros reprodutivos. Esses dados contrastam com os de Hommay et al. (2001) que verificaram o contrário para a espécie Limax valentianus (Férussac, 1823) (Limacidae), observando maior produção de ovos em dias longos (16 horas de luz e 8 horas de ausência de luz), do que em dias curtos (12 horas de luz e 12 horas de ausência de luz).

Gomot et al. (1989) também verificaram um melhor padrão reprodutivo em Helix aspersa, apresentando maior fecundidade em dias longos (18 horas de luz e 6 horas de escuro) e temperatura de 20ºC. Esses autores observaram que em dias curtos (8 horas de luz e 16 horas de escuro) e temperatura de 20ºC, a ovipostura foi parcialmente inibida, e quando a temperatura era reduzida para 15ºC, a ovipostura foi inibida por completo. A temperatura pode afetar o ciclo de vida dos moluscos terrestres ao causar alterações na reprodução, no desenvolvimento embrionário, nas taxas de eclosão e desenvolvimento dos filhotes, na taxa de crescimento, no comportamento e na sobrevivência, sendo um fator decisivo na biologia desses animais (Furtado et al., 2004).

Em D. muibum houve relação direta entre o comprimento médio da concha e o número médio de filhotes nos três tratamentos, de modo que a fecundidade aumenta com o tamanho do corpo, como também verificado em Cepaea nemoralis (Wolda & Kreulen, 1973). A espécie também apresentou, em todos os tratamentos, estratégia reprodutiva iterópara, ou seja, o investimento da energia em mais de um ciclo reprodutivo, não tendo o fotoperíodo quaisquer efeitos sobre esses padrões. Segundo Gomot et al. (1989), os efeitos do fotoperíodo na reprodução devem-se principalmente à alteração da maturação dos gametas e síntese de albúmen, provavelmente devido à alteração hormonal.

Embora não tenha sido registrada na literatura sazonalidade reprodutiva nessa espécie, sabe-se que muitas vezes ela está relacionada a fatores como temperatura, pluviosidade e fotoperíodo (Udaka et al., 2007). Em Megalobulimus abbreviatus (Bequaert, 1948) (Megalobulimidae), a atividade reprodutiva ocorre principalmente na primavera, provavelmente favorecida por mudanças ambientais características dessa estação, como aumento do comprimento do dia e da temperatura (Horn et al., 2005). Vale ressaltar que no presente trabalho as condições de laboratório, como alimento e umidade do substrato constantes, podem ter favorecido a liberação de filhotes durante todo o período de estudo.

O comprimento da concha de D. muibum diferiu entre os moluscos dos três tratamentos, ao longo do período de estudo, tendo os espécimes do grupo Controle apresentado menor tamanho que os dos grupos em condições artificiais, e estes últimos diferido entre si ao final do experimento, quando os espécimes do grupo de menor comprimento do dia demonstrou maior crescimento. Apesar disso, as diferentes condições a que os indivíduos foram expostos não influenciaram a mortalidade que foi baixa antes e após a maturidade sexual, as taxas e o padrão de crescimento indeterminado. Esse padrão se deve aos moluscos investirem sua energia no crescimento antes de alcançarem a maturidade sexual e, ao alcançarem, investirem a maior parte de sua energia na reprodução, diminuindo assim o crescimento (Heller, 2001), como encontrado nos subulinídeos Subulina octona (Brugüière, 1792) (Bessa & Araújo, 1995a) e Leptinaria unilamellata (d’Orbigny, 1835) (Almeida & Bessa, 2001a; Carvalho et al., 2009), e em espécies de outras famílias de moluscos pulmonados terrestres, como Bradybaena similaris (Almeida & Bessa, 2001b; Carvalho et al., 2008) e Bulimulus tenuissimus (d’Orbigny, 1835) (Bulimulidae) (Silva et al., 2008), e Habroconus semenlini (Moricand, 1845) (Euconulidae) (Silva et al., 2009).

Os moluscos subulinídeos, como D. muibum, foram, em grande maioria, descritos com base apenas na morfologia da concha, porém nem sempre isso é possível devido às semelhanças entre espécies (Choh et al., 2006) e variações entre populações de uma mesma espécie (Caldeira et al., 2000; Minton et al., 2008). Estudos de variações nas medidas da concha podem resultar na constatação de diferentes padrões morfométricos, permitindo inferir sobre características do animal, como forma do corpo e padrão de crescimento (Chiu et al., 2002).

Ao final do experimento, o crescimento em comprimento da concha e demais medidas morfométricas obtidas permitiu verificar que D. muibum apresentou diferença em todas as variáveis lineares analisadas e em três das cinco razões entre essas variáveis, permitindo comprovar a eficiência de estudos da morfometria citada por Chiu et al. (2002). Entretanto, não foi possível distinguir conquiliomorfometrias características para os três tratamentos, com a distinção de morfotipos, pois os valores das variáveis e razões apenas aumentavam de forma paralela nos três tratamentos, não alterando, assim, a forma da concha, sempre alongada e cônica. Esse formato se deve provavelmente ao valor relativamente alto da razão entre o comprimento e a largura da concha, além das dimensões da volta corporal, expressas pela razão entre o comprimento da volta corporal e a largura da concha e pela proporção relativa entre a volta corporal e a espira. Entretanto, fatores abióticos como características do ambiente podem atuar na definição da morfologia da concha. Moluscos de habitats úmidos e protegidos, como D. muibum, tendem a ter conchas com espiras altas e aberturas maiores (embora a abertura da concha de D. muibum seja pequena), enquanto os de locais secos e sem proteção, como áreas de alteração antrópica, tendem a ter conchas com espiras baixas e aberturas estreitas (Chiba & Davison, 2007). Isso pode estar relacionado à menor retenção de umidade e temperaturas maiores nessas áreas, já que uma maior abertura da concha leva a uma maior exposição do tegumento e, consequentemente, à desidratação. Além disso, o maior comprimento expõe o animal a predadores (Santos & Monteiro, 2001).

Por outro lado, os grupos tratados com fotoperíodo artificial praticamente não diferiram entre si, demonstrando que não foi o fotoperíodo que influenciou o crescimento e a morfometria, mas o fato de tais animais encontraremse sob condições controladas, constantes e satisfatórias de temperatura e umidade relativa do ar. Para o melhor entendimento de como esses aspectos físicos influenciam os diversos fatores biológicos e morfológicos dos moluscos, é necessário o estudo da influência de diferentes temperaturas e umidades relativas do ar, assim como a influência da umidade do solo, sobre tais fatores.

As variações morfológicas observadas são provavelmente determinadas geneticamente, porém estudos de herança genética envolvendo esses animais são escassos na literatura científica (Backeljau et al., 2001; Pinceel et al., 2005; Anderson, 2007; Armbruster et al., 2007). Uma vez que os moluscos terrestres apresentam locomoção reduzida, ocorre baixo fluxo genético entre populações separadas geograficamente, fazendo com que apresentem uma constituição gênica distinta e em muitos casos sejam adaptadas às condições ambientais nas quais estão inseridas (Woodruff, 1980; Pfenninger & Posada, 2002).

Agradecimentos. Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelas bolsas concedidas.

 

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Recebido em 29 de abril de 2013.
Aceito em 4 de agosto de 2014.

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