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Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721versão On-line ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.107  supl.0 Porto Alegre  2017  Epub 02-Maio-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1678-4766e2017109 

Articles

Diversidade e composição da araneofauna do Mato Grosso do Sul, Brasil

Diversity and composition of the spider fauna of Mato Grosso do Sul, Brazil

Josué Raizer1 

Antonio D. Brescovit2 

Ubirajara de Oliveira3 

Adalberto J. Santos3 

1Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais, Rodovia Dourados-Itahum Km 12, Cidade Universitária, Caixa Postal 364,79804-970, Dourados, MS, Brasil. (jraizer@gmail.com)

2Instituto Butantan, Laboratório Especial de Coleções Zoológicas, Av. Vital Brasil, 1500, Butantã, 05503-900, São Paulo, SP, Brasil.

3Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Zoologia, Av. Antonio Carlos 6627, 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brasil.

RESUMO

Nós compilamos uma lista de espécies de aranhas registradas no Mato Grosso do Sul (Brasil) a partir da literatura taxonômica e de inventários não publicados. A lista inclui 228 espécies em 134 gêneros e 32 famílias. Apenas cerca de 35% da área do estado apresenta registros de ocorrência de espécies de aranhas, e não mais que 5% apresenta mais de um registro de ocorrência por quadrícula de 0,5° (≈2.916 km2). Existem grandes lacunas de amostragem no estado, particularmente na porção norte do Pantanal. A maioria das espécies tem menos de 10 registros de ocorrência, ou seja, sua distribuição geográfica é praticamente desconhecida. Extrapolando a curva de acumulação de espécies dessas aranhas, concluímos que seria necessário ampliar em 10 vezes a área amostrada para que sejam listadas 90% das espécies que ocorrem no estado. Número de espécies: no mundo, 44.906; no Brasil, 3.730; no Mato Grosso do Sul, 228. Portanto, novos inventários são essenciais para que a araneofauna do Mato Grosso do Sul seja minimamente conhecida.

PALAVRAS-CHAVE: Araneae; Programa BIOTA/MS

ABSTRACT

Here we compile a list of spider species recorded in Mato Grosso do Sul state (Brazil), based on information from the taxonomic literature and unpublished inventories. The list includes 228 species in 134 genera and 32 families. Only approximately 35% of the state area have records of spider species, and no more than 5% of the area presents more than one record per 0.5° grid cell (≈2,916 km2). There are large gaps in the knowledge of the state’s spider fauna, particularly in the northern Pantanal. Most of the species are known by less than 10 distribution records, indicating that their geographic distribution is virtually unknown. Extrapolating a species accumulation curve, we show that a ten-time increase in sampled area would be necessary to discover 90% of the species occurring in the state. Number of species: in the world, 44,906; in Brazil, 3,730; in Mato Grosso do Sul, 228. Therefore new inventories are essential for an adequate description of the spider fauna of the state of Mato Grosso do Sul.

KEYWORDS: Araneae; BIOTA/MS Program

Atualmente são conhecidas mais de 44.000 espécies de aranhas, distribuídas em 114 famílias ( Platnick, 2014), mas estima-se que existam entre 60.000 e 170.000 espécies ( Coddington & Levi, 1991; Platnick, 1999; Costello et al., 2012). Essas estimativas sugerem que o número de espécies conhecidas está entre 25% e 75% do total de espécies de aranhas. O Brasil destaca-se por possuir uma grande parcela dessa diversidade, com mais de 3.000 espécies descritas, o que representa cerca de 9% das espécies conhecidas para o mundo ( Brescovit et al., 2011). Entretanto, o conhecimento sobre a fauna de aranhas do Brasil não é distribuído de maneira uniforme pelo país. Por exemplo, Brescovit et al. (2011) mostraram que a densidade de registros de ocorrência de aranhas é muito mais alta nos estados mais ricos do país, onde estão localizados os principais centros de estudo em sistemática de aranhas.

O Mato Grosso do Sul está entre os estados menos conhecidos quanto à sua araneofauna ( Oliveira et al., dados inéditos), o que se deve em grande parte à escassez de material em coleções científicas. Entretanto, tendo em vista que o estado reúne grande diversidade de hábitats, pode-se presumir que sua fauna seja relativamente diversa. O Mato Grosso do Sul reúne três dos seis biomas brasileiros ( IBGE, 2007), dois destes considerados hotspots de biodiversidade (Cerrado e Mata Atlântica - Myers et al., 2000), além do maior ecossistema alagável do mundo, o Pantanal, considerado pela UNESCO Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. Este bioma apresenta ainda grande diversidade de hábitats, o que está relacionado tanto à sua geomorfologia quanto à marcante variação sazonal provocada pelo regime de cheias e secas ( Alho, 2008; Mercante et al., 2011). Para que a fauna de aranhas do estado seja melhor conhecida, é essencial que novas áreas sejam amostradas, com a inserção de espécimes em coleções científicas. Para que isto seja possível, entretanto, é essencial que o conhecimento atual sobre a araneofauna do estado seja compilado, o que permitiria identificar áreas potencialmente ricas em espécies, assim como aquelas mais carentes de amostragem. Neste estudo, compilamos as espécies de aranhas, mapeamos a riqueza em espécies e o esforço amostral e identificamos lacunas de coleta no estado do Mato Grosso do Sul, a partir de listas de espécies e da literatura taxonômica.

MATERIAL E MÉTODOS

A lista de espécies de aranhas do Mato Grosso do Sul, bem como seus registros de ocorrência no estado, foram compilados a partir de um banco de dados baseado na literatura taxonômica e em inventários publicados (mais detalhes em Brescovit et al., 2011). As informações do banco de dados foram complementadas com dados de inventários não publicados de duas localidades: Passo do Lontra (município de Corumbá) e Reserva Particular do Patrimônio Natural Engenheiro Eliezer Batista (Serra do Amolar), no Pantanal sul-mato-grossense. Na região do Passo do Lontra foram amostrados bancos de macrófitas aquáticas ao longo da Rodovia MS-184 entre 19°22’ a 19°33’S e 57°02’ a 57°03’W ( Raizer, 1997) e em capões de mata na Fazenda São Bento (19°30’S, 57°01’W) e às margens do Rio Vermelho (19°36’S, 56°56’W; Raizer, 2004). Na Serra do Amolar as aranhas foram registradas ao longo de três trilhas em fitofisionomias de cerradão, floresta estacional semidecidual e savana gramíneo lenhosa, entre 18°05’ e 18°06’S e 57°28’ e 57°29’W ( Raizer et al., 2013).

Para mapear a riqueza em espécies e o esforço amostral de aranhas para o estado, os números de espécies e de registros de ocorrência foram quantificados em grades de quadrículas de 0,5° (≈2.916 km2 no equador). Este tamanho de quadrículas foi considerado ideal porque mapas com quadrículas maiores em geral ocultavam lacunas de coleta. Por outro lado, quadrículas menores seriam inapropriadas tendo em vista a baixa precisão de georreferenciamento de muitos registros. Os valores de riqueza e esforço amostral observados foram classificados em cinco categorias segundo a divisão natural de intervalos, que classifica valores em intervalos que apresentem maior variação, calculada pelo programa DIVA-GIS ( Hijmans et al., 2004).

O estado de conhecimento da araneofauna do estado foi avaliada a partir de uma curva de acumulação de espécies, tendo o número de registros como medida de esforço amostral. Essa curva foi estimada a partir de 1000 simulações do número de espécies em vários tamanhos amostrais no programa EcoSim ( Gotelli & Entsminger, 2001). Esta curva foi ajustada ao modelo de Clench para a estimativa do número de espécies de aranhas no Mato Grosso do Sul (veja Jiménez-Valverde & Hortal, 2003 para obter detalhes do método utilizado).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram compilados 723 registros de 228 espécies de aranhas (134 gêneros e 32 famílias) para 43 quadrículas de 0,5º, aproximadamente 125.000 km2 (35%), no Mato Grosso do Sul ( Tab. I). Cerca de 38.000 km2 (30% da área amostrada) apresentam apenas um registro por quadrícula e cerca de 27.000 km2 (20% da área amostrada) incluem de dois a cinco registros por quadrícula ( Fig. 1).

Tab. I Lista das espécies de aranhas do Mato Grosso do Sul, Brasil. As referências bibliográficas estão listadas em Platnick (2014). Referências marcadas com asterisco, que se referem a inventários, estão listadas nas Referências. 

Família Espécie Registros Referências
Anyphaenidae
Aysha pirassununga Brescovit, 1992 1 Brescovit, 1992c
Italaman santamaria Brescovit, 1997 1 Raizer, 2004*
Jessica erythrostoma (Mello-Leitão, 1939) 18 Brescovit, 1999b; Raizer & Amaral, 2001; Raizer et al., 2013; Raizer et al., 2006; Raizer, 1997; Raizer, 2004*
Jessica fidelis (Mello-Leitão, 1922) 3 Brescovit, 1999b
Jessica osoriana (Mello-Leitão, 1922) 1 Raizer et al., 2006*
Osoriella tahela Brescovit, 1998 7 Brescovit, 1998a; Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Patrera cita (Keyserling, 1891) 1 Keyserling, 1891
Teudis comstocki (Soares & Camargo, 1948) 6 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Umuara fasciata (Blackwall, 1862) 1 Brescovit, 1997a
Araneidae
Acacesia tenella (L. Koch, 1871) 1 Raizer et al., 2006
Actinosoma pentacanthum (Walckenaer, 1842) 4 Mello-Leitão, 1939h; Raizer & Amaral, 2001; Raizer et al., 2006; Raizer, 1997*
Alpaida alto Levi, 1988 1 Cordeiro et al., 2014*
Alpaida bicornuta (Taczanowsk, 1878) 7 Raizer et al., 2011; Raizer, 2004*
Alpaida carminea (Taczanowski, 1878) 5 Levi, 1988; Raizer, 2004*
Alpaida hoffmanni Levi, 1988 1 Levi, 1988
Alpaida negro Levi, 1988 1 Cordeiro et al., 2014*
Alpaida tabula (Simon, 1895) 1 Levi, 1988
Alpaida truncata (Keyserling, 1865) 1 Raizer et al., 2006
Alpaida veniliae (Keyserling, 1865) 2 Raizer & Amaral, 2001
Araneus cuiaba Levi, 1991 1 Levi, 1991a
Araneus guttatus (Keyserling, 1865) 7 Raizer & Amaral, 2001; Raizer, 2004*
Araneus venatrix (C. L. Koch, 1838) 4 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Araneus workmani (Keyserling, 1884) 2 Raizer, 2004*
Argiope argentata (Fabricius, 1775) 8 Levi, 2004; Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Argiope trifasciata (Forsskl, 1775) 1 Levi, 2004
Cyclosa diversa (O. P.-Cambridge, 1894) 1 Raizer et al., 2006
Cyclosa fililineata Hingston, 1932 4 Raizer et al., 2013; Raizer et al., 2006
Cyclosa pantanal Levi, 1999 1 Raizer et al., 2006
Cyclosa tapetifaciens Hingston, 1932 7 Levi, 1999; Raizer, 2004*
Gasteracantha cancriformis (Linnaeus, 1758) 3 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Hypognatha lagoas Levi, 1996 6 Levi, 1996b; Raizer, 2004*
Hypognatha mozamba Levi, 1996 1 Levi, 1996b
Hypognatha scutata (Perty, 1833) 3 Levi, 1996b; Raizer et al., 2006
Kapogea sellata (Simon, 1895) 2 Raizer, et al. 2006
Mangora chacobo Levi, 2007 1 Levi, 2007
Mangora chao Levi, 2007 1 Levi, 2007
Mangora paranaiba Levi, 2007 1 Levi, 2007
Manogea porracea (C. L. Koch, 1838) 6 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Metazygia corumba Levi, 1995 3 Levi, 1995a; Raizer, 2004*
Metazygia cunha Levi, 1995 2 Raizer, 2004*
Metazygia gregalis (O. P.-Cambridge, 1889) 8 Badcock, 1932; Raizer & Amaral, 2001; Raizer et al., 2013; Raizer, 1997*; Raizer, 2004*
Metazygia ipanga Levi, 1995 5 Raizer, 2004*
Metazygia ituari Levi, 1995 1 Raizer, 2004*
Metazygia lopez Levi, 1995 4 Raizer, 2004*
Metazygia viriosa (Keyserling, 1892) 1 Mello-Leitão, 1939h
Metazygia voluptifica (Keyserling, 1892) 4 Levi, 1995a; Raizer, 2004*
Metazygia yobena Levi, 1995 6 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Metepeira compsa (Chamberlin, 1916) 2 Raizer, 2004*
Metepeira galatheae (Thorell, 1891) 1 Piel, 2001
Metepeira glomerabilis (Keyserling, 1892) 1 Piel, 2001
Micrathena bandeirante (Magalhães & Santos, 2011) 3 Magalhães & Santos, 2011
Micrathena patruelis (C. L. Koch, 1839) 1 Levi, 1985
Micrathena peregrinatorum (Holmberg, 1883) 1 Levi, 1985
Micrathena plana (C. L. Koch, 1836) 4 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Micrathena schenkeli Mello-Leitão 1939 1 Raizer, 1997*
Micrathena triangularispinosa (De Geer, 1778) 2 Raizer, 2004*
Ocrepeira covillei Levi, 1993 1 Raizer et al., 2006
Ocrepeira venustula (Keyserling, 1879) 1 Levi, 1993b
Parawixia audax (Blackwall, 1863) 7 Levi, 1992b; Raizer, et al. 2006; Raizer, 2004*
Parawixia bistriata (Rengger, 1836) 2 Levi, 1992b
Parawixia kochi (Taczanowski, 1873) 5 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Parawixia velutina (Taczanowski, 1878) 3 Levi, 1992b; Raizer, 2004*
Pronous intus Levi,1995 1 Raizer et al., 2006
Spintharidius rhomboidalis Simon, 1893 1 Raizer et al., 2013
Wagneriana transitoria (C. L. Koch, 1839) 2 Levi, 1991b; Raizer, 2004*
Wagneriana uzaga Levi, 1991 1 Levi, 1991b
Wagneriana yacuma Levi, 1991 6 Raizer, 2004*
Wixia abdominalis O. P.-Cambridge, 1882 1 Raizer et al., 2006
Corinnidae
Abapeba rioclaro Bonaldo, 2000 3 Bonaldo, 2000
Castianeira onerosa (Keyserling, 1891) 1 Keyserling, 1891
Corinna colombo Bonaldo, 2000 1 Bonaldo, 2000
Corinna travassosi Mello-Leitão, 1939 1 Mello-Leitão, 1939h
Falconina gracilis (Keyserling, 1891) 9 Bonaldo, 2000; Raizer, 2004*
Ctenidae
Ancylometes concolor (Perty, 1833) 22 Hofer & Brescovit, 2000; Raizer & Amaral, 2001; Raizer, 2004*
Ancylometes pantanal Höfer & Brescovit, 2000 1 Höfer & Brescovit, 2000
Ancylometes rufus (Walckenaer, 1837) 1 Raizer et al., 2006
Enoploctenus morbidus Mello-Leitão, 1939 1 Mello-Leitão, 1939h
Parabatinga brevipes (Keyserling, 1891) 17 Polotow & Brescovit, 2009; Raizer et al., 2006; Strand, 1936; Raizer, 2004*
Phoneutria eickstedtae Martins & Bertani, 2007 2 Martins & Bertani, 2007
Phoneutria fera Perty, 1833 1 Simó & Brescovit, 2001
Phoneutria nigriventer (Keyserling, 1891) 31 Cordeiro et al., 2014*; Martins & Bertani, 2007; Raizer et al., 2006; Simó & Brescovit, 2001
Phymatoctenus comosus Simon, 1897 2 Raizer & Amaral, 2001; Raizer, 1997*
Dipluridae
Ischnothele annulata Tullgren, 1905 4 Coyle, 1995
Eutichuridae
Cheiracanthium inclusum (Hentz, 1847) 3 Bonaldo & Brescovit, 1992
Filistatidae
Kukulcania hibernalis (Hentz, 1842) 1 Raizer et al., 2006
Misionella mendensis (Mello-Leitão, 1920) 5 Grismado & Ramirez, 2000; Raizer, 2004*
Gnaphosidae
Apodrassodes guatemalensis (F. O. P.-Cambridge, 1899) 1 Platnick & Shadab, 1983b
Apopyllus iheringi (Mello-Leitão, 1943) 2 Raizer, 2004*
Camilina cordoba Platnick & Murphy, 1987 6 Raizer, 2004*
Vectius niger (Simon, 1880) 1 Mello-Leitão, 1939h
Zelotes zonatus (Holmberg, 1876) 1 Mello-Leitão, 1939h
Hersiliidae
Iviraiva pachyura (Mello-Leitão, 1935) 2 Raizer, 2004*
Ypipuera crucifera (Vellard, 1924) 3 Raizer, 2004*
Lycosidae
Aglaoctenus lagotis (Holmberg, 1876) 8 Raizer et al., 2006; Santos & Brescovit, 2001
Allocosa paraguayensis (Roewer, 1951) 1 Raizer et al., 2006
Alopecosa moesta (Holmberg, 1876) 2 Raizer et al., 2006
Hogna gumia (Petrunkevitch, 1911) 7 Raizer et al., 2006; Raizer 2004*
Hogna nychthemera (Bertkau, 1880) 2 Raizer & Amaral, 2001; Raizer, 1997
Hogna pardalina (Bertkau, 1880) 2 Raizer et al., 2006
Hogna travassosi (Mello-Leitão, 1939) 1 Mello-Leitão, 1939h
Lycosa erythrognatha Lucas, 1836 2 Raizer et al., 2006
Lycosa inornata Blackwall, 1862 2 Raizer et al., 2006
Lycosa nordenskjoldi Tullgren, 1905 1 Raizer et al. 2006
Molitorosa molitor (Bertkau, 1880) 1 Raizer et al., 2006
Miturgidae
Odo pulcher Keyserling, 1891 1 Keyserling, 1891
Teminius insularis (Lucas, 1857) 2 Platnick & Shadab, 1989; Raizer, 2004*
Nemesiidae
Longistylus ygapema Indicatti & Lucas, 2005 1 Raizer et al., 2006
Nephilidae
Nephila clavipes (Linnaeus, 1767) 2 Raizer, 2004*
Nephilengys cruentata (Fabricius, 1775) 1 Levi & Eickstedt, 1989
Ochyroceratidae
Speocera eleonorae Baptista, 2003 3 Baptista, 2003; Cordeiro et al., 2014*;
Oonopidae
Triaeris stenaspis Simon, 1891 1 Raizer et al., 2013
Opopaea deserticola Simon, 1891 3 Raizer et al., 2013
Oxyopidae
Hamataliwa marmorata Simon, 1898 1 Raizer et al., 2006
Oxyopes incertus Mello-Leitão, 1929 1 Raizer et al., 2006
Oxyopes macroscelides Mello-Leitão, 1929 1 Raizer et al., 2006
Oxyopes rubrosignatus Keyserling, 1891 2 Raizer, 2004*
Peucetia flava Keyserling, 1877 6 Raizer et al., 2013; Raizer et al., 2006; Santos & Brescovit, 2003*
Peucetia rubrolineata Keyserling, 1877 1 Raizer, 2004*
Pholcidae
Crossopriza lyoni (Blackwall, 1867) 1 Raizer et al., 2006
Ibotyporanga naideae Mello-Leitão, 1944 5 Raizer et al., 2013; Raizer, 2004*
Pisauridae
Architis capricorna Carico, 1981 1 Santos, 2007a
Architis spinipes (Taczanowski, 1874) 7 Santos, 2007b; Raizer, 2004*
Salticidae
Aillutticus raizeri Ruiz & Brescovit, 2006 1 Ruiz & Brescovit, 2006
Aillutticus rotundus Galiano, 1987 2 Ruiz& Brescovit, 2006
Asaracus megacephalus C. L. Koch, 1846 1 Raizer et al., 2006
Beata aenea (Mello-Leitão, 1945) 6 Raizer, 2004*
Breda apicalis Simon, 1901 3 Raizer, 2004*
Breda variolosa Simon, 1901 1 Raizer, 2004*
Chinoscopus gracilis (Taczanowisk, 1872) 1 Raizer et al., 2006
Chira lucina Simon, 1902 6 Raizer, 2004*
Chira micans (Simon,1902) 1 Raizer et al., 2006
Descanso sobrius Galiano, 1986 1 Raizer, 2004*
Frigga quintensis (Tullgren, 1905) 4 Raizer, 2004*
Gastromicans albopilosa (Simon, 1903) 6 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Gypogyna forceps Simon, 1900 6 Raizer, 2004*
Helvetia cancrimana (Taczanowski, 1872) 2 Ruiz & Brescovit, 2008
Hyetussa simoni Galiano, 1976 5 Raizer, 2004*
Lyssomanes elegans F. O. P.-Cambridge, 1900 6 Galiano, 1980a; Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Lyssomanes pauper Mello-Leitão, 1945 1 Galiano, 1980a
Lyssomanes yacui Galiano, 1984 4 Raizer, 2004*
Maeota dichrura Simon, 1901 1 Raizer et al., 2006
Marma nigritarsis (Simon, 1900) 4 Cordeiro et al., 2014*; Raizer, 2004*
Menemerus bivittatus (Dufour, 1831) 1 Badcock, 1932
Metaphidippus tropicus (Peckham & Peckham, 1901) 1 Mello-Leitão, 1939h
Naubolus roeweri Soares & Camargo, 1948 1 Ruiz & Brescovit, 2008
Parafluda banksi Chickering, 1946 2 Raizer, 2004*
Phiale crocea C. L. Koch, 1846 3 Raizer, 2004*
Phiale tristis Mello-Leitão, 1945 1 Galiano, 1981d
Plexippus paykulli (Audouin, 1826) 1 Badcock, 1932
Psecas chapoda (Peckman & Peckman 1894) 11 Romero, 2006
Psecas viridipurpureus (Simon, 1901) 1 Raizer, 2004*
Saitidops clathratus Simon, 1901 1 Raizer, 2004*
Sarinda cayennensis (Taczanowski, 1871) 1 Raizer, 2004*
Sarinda nigra Peckham & Peckhma, 1892 6 Raizer, 2004*
Scopocira histrio Simon, 1900 7 Raizer et al., 2006; Raizer, 2004*
Sumampattus quinqueradiatus (Taczanowski, 1878) 6 Raizer, 2004*
Synemosyna aurantiaca (Mello-Leitão, 1917) 2 Raizer, 2004*
Thiodina germaini Simon, 1900 6 Raizer, 2004*
Thiodina vaccula Simon, 1900 2 Raizer, 2004*
Scytodidae
Scytodes eleonorae Rheims & Brescovit, 2001 2 Rheims & Brescovit, 2006
Scytodes fusca Walckenaer, 1837 1 Brescovit & Rheims, 2000
Scytodes globula Nicolet, 1849 5 Brescovit & Rheims, 2000; Cordeiro et al., 2014*; Rheims & Brescovit, 2001
Scytodes jyapara Rheims & Brescovit, 2006 2 Rheims & Brescovit, 2006
Scytodes nambiussu Rheims & Brescovit, 2006 2 Rheims & Brescovit, 2006
Scytodes strussmannae Rheims & Brescovit, 2001 1 Rheims & Brescovit, 2001
Scytodes tuyucua Brescovit et al., 2004 3 Rheims & Brescovit, 2004; Brescovit et al., 2004
Selenopidae
Selenops cocheleti Simon, 1880 5 Corronca, 1998d
Selenops hebraicus Mello-Leitão, 1945 1 Corronca, 1998d
Selenops maranhensis Mello-Leitão, 1918 4 Raizer, 2004*
Selenops occultus Mello-Leitão, 1918 1 Corronca, 1998d
Senoculidae
Senoculus gracilis (Keyserling, 1879) 1 Baptista, 1992*
Sicariidae
Loxosceles gaucho Gertsch, 1967 6 Cordeiro et al., 2014*; Gnaspini & Trajano, 1994*; Pinto-da-Rocha, 1995; Raizer et al., 2006
Loxosceles similis Moenkhaus, 1898 4 Cordeiro et al., 2014*; Gnaspini & Trajano, 1994*; Andrade et al., 2001*
Sparassidae
Macrinus jaegeri Rheims, 2007 1 Rheims, 2007
Macrinus succineus Simon, 1887 1 Rheims, 2007
Olios antiguensis (Keysernling, 1880) 3 Raizer, 2004*
Polybetes germaini Simon, 1897 5 Raizer, 2004*
Polybetes rapidus (Keyserling, 1880) 4 Raizer, 2004*
Symphytognathidae
Anapistula aquytabuera Rheims & Brescovit, 2003 2 Raizer, 2004*
Tetragnathidae
Tetragnatha nitens (Audouin, 1826) 1 Badcock, 1932
Tetragnatha parva Badcock, 1932 1 Badcock, 1932
Theraphosidae
Acanthoscurria atrox Vellard, 1924 1 Mello-Leitão, 1939h
Acanthoscurria chacoana Brèthes, 1909 11 Bertani & Carla-da-Silva, 2004
Acanthoscurria natalensis Chamberlin, 1917 1 Raizer, 2004*
Acanthoscurria rondoniae Mello-Leitão, 1923 1 Mello-Leitão, 1923a
Acanthoscurria sternalis Pocock, 1903 1 Mello-Leitão, 1939h
Cyriocosmus fernandoi Fukushima et al., 2005 2 Fukushima et al., 2005
Eupalaestrus campestratus (Simon, 1891) 14 Bertani, 2001
Nhandu carapoensis Lucas, 1983 15 Bertani, 2001
Nhandu coloratovillosus (Schmidt, 1998) 1 Bertani, 2001
Sickius longibulbi Soares & Camargo, 1948 4 Bertani & Junior, 2002
Vitalius dubius (Mello-Leitão, 1923) 1 Bertani, 2001
Vitalius sorocabae (Mello-Leitão, 1923) 2 Bertani, 2001
Vitalius vellutinus (Mello-Leitão, 1923) 2 Bertani, 2001
Theridiidae
Achaearanea trapezoidalis (Taczanowski, 1873) 2 Raizer, 2004*
Anelosimus rupununi Levi, 1956 1 Levi, 1963f
Anelosimus studiosus (Hentz, 1850) 3 Raizer, 2004*
Ariamnes attenuatus O. P.-Cambridge, 1881 6 Raizer, 2004*
Ariamnes longissimus Keyserling, 1891 1 Mello-Leitão, 1939h
Chrysso pulcherrima O. P.-Cambridge, 1882 3 Raizer, 2004*
Coleosoma floridanum Banks, 1900 2 Raizer et al., 2006
Cryptachaea bellula (Keyserling, 1891) 2 Raizer, 2004*
Cryptachaea hirta (Taczanowisk, 1873) 1 Raizer et al., 2006
Dipoena kuyuwini Levi, 1963 5 Raizer, 2004*
Dipoena woytkowskii Levi, 1963 6 Raizer, 2004*
Dipoenata morosa (Bryant, 1948) 1 Levi, 1963a
Emertonella taczanowskii (Keyserling, 1886) 6 Raizer, 2004*
Janula erythrophthalma (Simon, 1894) 6 Raizer, 2004*
Latrodectus geometricus C. L. Koch, 1841 4 Raizer et al., 2013; Raizer et al., 2006
Latrodectus mactans (Fabricius, 1775) 1 Bucherl, 1952b
Phycosoma altum (Keyserling, 1886) 4 Levi 1963a; Raizer et al., 2013
Platnickina mneon (Bösenberg & Strand, 1906) 3 Raizer et al., 2013
Theridion positivum Chamberlin, 1924 6 Raizer, 2004*
Theridion urucum Levi, 1963 1 Levi, 1963c
Thwaitesia affinis O. P.-Cambridge, 1882 3 Raizer et al., 2006
Tidarren sisyphoides (Walckenaer, 1841) 3 Raizer, 2004*
Thomisidae
Aphantochilus rogersi O. P.-Cambridge, 1870 5 Raizer, 2004*
Aphantochilus taurifrons (O. P.-Cambridge, 1881) 1 Raizer, 2004*
Misumenops pallidus (Keyserling, 1880) 1 Rinaldi, 1983
Tmarus polyandrus Mello-Leitão, 1929 1 Mello-Leitão, 1939h
Trachelidae
Trachelopachys bidentatus Tullgren, 1905 1 Mello-Leitão, 1939h
Trechaleidae
Neoctenus comosus Simon, 1897 2 Raizer, 2004*
Paradossenus corumba Brescovit & Raizer, 2000 7 Brescovit et al., 2000; Raizer & Amaral, 2001; Raizer, 1997*; Raizer 2004*
Paradossenus longipes (Taczanowski, 1874) 1 Raizer et al., 2006
Paratrechalea wygodzinskyi (Soares & Camargo, 1948) 3 Silva et al., 2006
Syntrechalea bolivensis (Carico, 1993) 6 Raizer, 2004*
Uloboridae
Philoponella fasciata (Mello-Leitão, 1917) 2 Cordeiro et al., 2014*; Pinto-da-Rocha, 1995
Philoponella republicana (Simon, 1891) 3 Raizer, 2004*

Fig. 1 Número de registros de ocorrência de espécies de aranhas em quadrículas de 0,5º no Mato Grosso do Sul, Brasil. 

As duas quadrículas com o maior número de registros (174 registros e 80 espécies) e o maior número de espécies (81 espécies e 163 registros) incluem a localidade do Passo do Lontra, município de Corumbá, no Pantanal ( Fig. 2, seta preta). O grande número de registros nessa localidade está relacionado a coletas sistemáticas realizadas entre os anos de 1994 e 1997 em macrófitas aquáticas ( Raizer, 1997; Raizer & Amaral, 2001) e entre os anos de 1998 e 1999 em capões de mata ( Raizer, 2004).

Fig. 2 Riqueza em espécies de aranhas em quadrículas de 0,5º no Mato Grosso do Sul, Brasil. 

As quadrículas com o segundo maior intervalo de riqueza (16 a 26 espécies) estão distribuídas nos três biomas que compõem o estado. O Pantanal foi o bioma mais diverso, com 124 espécies, seguido pelo Cerrado (123 espécies) e a Mata Atlântica (35 espécies). A maior área sem amostragem está no Cerrado, com cerca de 90.000 km2 (42% do Cerrado no estado) não amostrados, seguido pelo Pantanal (35.000 km2 - 39%) e a Mata Atlântica (14.000 km2 - 28%). A maior área amostrada também foi no Cerrado (≈140.000 km2), apesar de cerca de um terço dessa área ainda estar muito mal amostrada, com até três registros por quadrícula. Há uma grande lacuna de coleta na região norte do Pantanal sul-mato-grossense, que compreende principalmente o norte do município de Corumbá e região oeste dos municípios de Aquidauana, Coxim, Rio Verde do Mato Grosso e Sonora. Outras lacunas de amostragem estão no sul do estado, em áreas de transição de Mata Atlântica e Cerrado ( Figs 1, 2).

Aproximadamente 45% das espécies de aranhas registradas apresentam somente um registro no estado. Apenas seis espécies são conhecidas por mais de dez registros no Mato Grosso do Sul: Phoneutria nigriventer (Keyserling, 1891), Ancylometes concolor (Perty, 1833), Nhandu carapoensis Lucas, 1983, Eupalaestrus campestratus (Simon, 1891), Acanthoscurria chacoana Brèthes, 1909 e Psecas chapoda (Peckman & Peckman, 1894). As duas primeiras espécies apresentam ampla distribuição geográfica e estão entre as espécies de aranhas com maior número de registros para o Brasil ( Oliveira et al., dados inéditos). Apesar da alta riqueza em espécies de aranhas no Mato Grosso do Sul, há poucas informações confiáveis relativas à distribuição da maioria das espécies. Quinze espécies (cerca de 7% do total) são conhecidas apenas para o estado do Mato Grosso do Sul: Aillutticus raizeri Ruiz & Brescovit, 2006, Ancylometes pantanal Höfer & Brescovit, 2000, Cyriocosmus fernandoi Fukushima, Bertani & da Silva, 2005, Dipoenata morosa (Bryant, 1948), Mangora paranaiba Levi, 2007, Metazygia corumba Levi, 1995, Metepeira galatheae (Thorell, 1891), Odo pulcher Keyserling, 1891, Paradossenus corumba Brescovit & Raizer, 2000, Paradossenus pozo Carico & Silva, 2010, Scytodes jyapara Rheims & Brescovit, 2006, Scytodes tuyuca Brescovit, Rheims & Raizer, 2004, Speocera eleonorae Baptista, 2003, Tetragnatha parva Badcock, 1932 e Theridion urucum Levi, 1963 . Entretanto, todas essas espécies são conhecidas por no máximo três registros. Uma vez que áreas de distribuição de espécies são limitadas por barreiras geográficas e características ambientais ( Franklin & Miller, 2009), que nem sempre coincidem com limites de estados ou nações, seria esperado encontrar espécies endêmicas dos biomas que compõem o Mato Grosso do Sul, mas não do estado em si. Entretanto, o escasso conhecimento atual sobre a distribuição das espécies de aranhas torna especialmente difícil determinar se espécies como aquelas listadas acima são endêmicas de determinada área ou se são deficientemente amostradas. Infelizmente, esse problema é particularmente acentuado para o Pantanal, que está entre os biomas brasileiros menos conhecidos quanto à sua araneofauna ( Oliveira, 2011).

A curva de acumulação construída para as aranhas registradas no Mato Grosso do Sul não mostrou sinais de estabilização ( Fig. 3), o que indica que ainda existem muitas espécies a serem descobertas no estado. O ajuste da curva ao modelo de Clench (r² = 0,99) indicou que existiriam pelo menos 342 espécies de aranhas no estado, e que seria necessário um incremento de dez vezes no número atual de registros para representar 90% de sua araneofauna. Esta estimativa é uma aproximação grosseira e conservadora, baseada em um esforço amostral distribuído de forma heterogênea pelo território estadual, mas indica claramente a necessidade de ampliar e equalizar o esforço amostral a fim de conhecer a distribuição das espécies de aranhas no Mato Grosso do Sul.

Figura 3 A - Riqueza em espécies de aranhas em relação ao número de registros por quadrículas de 0,5º no Mato Grosso do Sul, Brasil. O ponto preenchido indica a quadrícula mais amostrada. B - Curva de acumulação de espécies de aranhas no Mato Grosso do Sul, em relação ao número de registros. As linhas tracejadas indicam o intervalo de confiança de 95% das curvas médias obtidas em 1000 iterações. 

Este estudo representa um passo para a ampliação do conhecimento sobre a araneofauna do Mato Grosso do Sul. Nós mostramos que a riqueza em espécies no estado é muito maior do que se poderia imaginar pela literatura taxonômica, já que as áreas mais diversas foram exatamente aquelas amostradas em inventários ( Raizer 1997, 2004; Raizer & Amaral, 2001). Isto demonstra que novos inventários são necessários para que a fauna de aranhas do estado seja mais bem conhecida, já que há uma óbvia deficiência de material proveniente do estado em coleções científicas. Esses inventários teriam como objetivo não apenas descobrir espécies ainda não descritas, mas também aumentar o conhecimento sobre a distribuição das espécies já conhecidas para o estado, o que seria essencial para planejar sua conservação. As áreas prioritárias para inventários são seguramente a porção significativa do território estadual que permanece sem qualquer registro de ocorrência de aranhas.

Principais grupos de pesquisa. Em Mato Grosso do Sul não existem grupos de pesquisa em sistemática de aranhas. Dois pesquisadores no estado participam de inventários e orientam estudantes de graduação e pós-graduação em estudos envolvendo estes aracnídeos. Atualmente, Josué Raizer é professor da Universidade Federal da Grande Dourados, atuando em ecologia de aranhas, e Douglas de Araujo é professor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e desenvolve estudos em citogenética de aranhas. Esses pesquisadores têm interagido com colegas taxonomistas e seus projetos frequentemente resultam na adição de novos espécimes principalmente à coleção do Instituto Butantan (IBSP, São Paulo, SP).

Principais acervos. A maior parte do acervo de aranhas coletadas no Mato Grosso do Sul está depositado na coleção do IBSP (São Paulo, SP), como pode ser verificado em Brescovit et al. (2011), onde é apresentado um inventário das coleções brasileiras de aranhas.

Principais lacunas de conhecimento. Este estudo evidencia que a araneofauna do estado é esparsamente conhecida, com informações pontuais na maioria das vezes resumidas a um único registro de ocorrência ( Figs 1, 2). A falta de conhecimento taxonômico básico compromete diretamente o entendimento dos padrões de distribuição e demais características ecológicas e evolutivas das aranhas que ocorrem no Cerrado, Pantanal e Floresta Atlântica do estado. Esta falta de conhecimento é consequência da ausência de especialistas taxônomos vinculados a instituições de pesquisa, inventários sistemáticos e de projetos de longo prazo, que deveriam preencher prioritariamente as grandes lacunas de coleta na região norte do Pantanal sul-mato-grossense e no sul do estado, na transição entre Floresta Atlântica e Cerrado.

Perspectivas de pesquisa para o grupo nos próximos 10 anos. No Brasil, as perspectivas de que inventários e estudos de sistemática do grupo cresçam são alentadoras ( Brescovit et al., 2011). A formação de taxonomistas em Araneae vem crescendo de maneira continuada, com estes taxonomistas se estabelecendo em instituições de pesquisa de distintas regiões do país, apesar da concentração no sudeste. No Mato Grosso do Sul o cenário é oposto, alguns poucos inventários foram realizados, geralmente em pequenas áreas, por poucos pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação, principalmente ligados à ecologia.

O Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação em Biodiversidade do Mato Grosso do Sul (Programa Biota-MS) é uma oportunidade para suprir a carência de conhecimento e de especialistas no estado, com investimentos em inventários nas diferentes regiões de Cerrado, Pantanal e Floresta Atlântica que incentivariam a formação de taxonomistas estudando material coletado no estado. Neste caminho, o fluxo de material para ser incorporado às coleções biológicas aumentaria, o que exigiria recursos financeiros para manutenção de acervos e formação e contratação de técnicos para curadoria.

Agradecimentos

Os autores agradecem à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e à Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia, Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação. Os resultados apresentados aqui foram obtidos através de projetos financiados pelo CNPq (proc. 475179/2012-9, 308072/2012-0, 301776/2004-0 e 521746/1997-3), FAPEMIG (PPM-00335-13), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitóides da Região Sudeste Brasileira (http:/www.hympar.ufscar.br/) e FAPESP (2011/50689-0). Ubirajara de Oliveira é bolsista da CAPES pela Pós-Graduação em Zoologia da UFMG

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Recebido: 21 de Novembro de 2016; Aceito: 06 de Fevereiro de 2017

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