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Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721versão On-line ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.107  supl.0 Porto Alegre  2017  Epub 02-Maio-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1678-4766e2017118 

Articles

Checklist de Plecoptera (Insecta) do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil

Checklist of Plecoptera (Insecta) from Mato Grosso do Sul State, Brazil

Lucas Silveira Lecci1 

Karina Ocampo Righi-Cavallaro2 

1Faculdades do Vale do Juruena - AJES, Juína, Mato Grosso, Brasil. (lucaslecci@gmail.com)

2Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, FAENG, Campo Grande, MS. (karina.righi@gmail.com)


Resumo

Apresentamos aqui uma lista das espécies da ordem Plecoptera encontradas no Estado do Mato Grosso do Sul baseados na literatura até março de 2015. Foram registrados uma família (Perlidae), um gênero ( Anacroneuria) e 10 espécies.

Palavras-chave Região Neotropical; Anacroneuria; Programa Biota-MS

Abstract

We present here a list of species of the Order Plecoptera found in Mato Grosso do Sul State based on the current literature up to March 2015. One family (Perlidae), one genus ( Anacroneuria) and 10 species are recorded.

Keywords Neotropical region; Anacroneuria; Biota-MS Program

A ordem Plecoptera é relativamente pequena, quando comparada com outras ordens de insetos, por possuir cerca de 3200 espécies descritas ( Stark et al., 2009) em 16 famílias, distribuídas por todos os continentes, exceto na Antártida ( Zwick, 2000). No Brasil são conhecidas 170 espécies ( Froehlich, 2011a, 2012; Bispo & Lecci, 2012; Avelino-Capistrano et al., 2013; Bispo & Neves, 2014) em duas famílias. A família Gripopterygidae com quatro gêneros pode ser encontrada desde o sul até as regiões montanhosas do Brasil central, e pelo litoral, até o sul e região central do estado da Bahia, já a família Perlidae pode ser encontrada praticamente por todo o país, também apresentando quatro gêneros ( Froehlich, 2012).

Suas ninfas são aquáticas e podem ser encontradas sob pedras em rios e também em qualquer lugar do rio onde exista oxigênio ( Giller & Malmqvist, 1998) e alimento. E os adultos, por sua vez, podem ser encontrados sob vegetação ripária ou voando próximo aos corpos d’água nos quais as ninfas são encontradas.

Os imaturos têm uma grande importância ecológica, apresentando um papel relevante na ciclagem de nutrientes e no fluxo de energia dos riachos. Além disso, a ordem Plecoptera juntamente com Ephemeroptera e Trichoptera são indicadores da qualidade da água devido a sua sensibilidade à poluição ( Rosenberg & Resh, 1993).

MATERIAL E MÉTODOS

Este checklist foi preparado com base na consulta aos trabalhos de Froehlich (2007; 2010) e Righi-Cavallaro & Lecci (2010).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Até os trabalhos de Froehlich (2007) e Righi-Cavallaro & Lecci (2010) o estado do Mato Grosso do Sul não possuía nenhuma espécie formalmente descrita ou registrada para a região.

Até o momento, para todo o estado do Mato Grosso do Sul, são encontrados apenas representantes de Perlidae, e somente o gênero Anacroneuria, este com dez espécies, sendo oito descritas pra o estado e duas como registros ( Tab. I). Anacroneuria é o gênero dominante na Região Neotropical, sendo que em alguns locais o único a ocorrer ( Froehlich, 2002).

Tab. I Lista das espécies de Plecoptera do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. 

Espécie Distribuição
Anacroneuria atrifrons Klapálek, 1922 Amazonas; Mato Grosso do Sul
Anacroneuria genualis (Navás, 1932) Mato Grosso do Sul
Anacroneuria melzeri (Navás, 1932) Mato Grosso do Sul
Anacroneuria pastaza Stark, 2001 Goiás; Mato Grosso do Sul
Anacroneuria ofaye Froehlich, 2007 Mato Grosso do Sul
Anacroneuria guaicuru Froehlich, 2007 Mato Grosso do Sul
Anacroneuria payagua Froehlich, 2007 Mato Grosso do Sul
Anacroneuria otafroehlichi Righi-Cavallaro & Lecci, 2010 Mato Grosso do Sul
Anacroneuria terere Righi-Cavallaro & Lecci, 2010 Mato Grosso do Sul
Anacroneuria singularis Righi-Cavallaro & Lecci, 2010 Mato Grosso do Sul; São Paulo

Comentários sobre a lista, riqueza do estado comparado com outras regiões. O número de espécies de Plecoptera para o estado do Mato Grosso do Sul é seguramente subestimado, visto a enorme área deste estado que ainda não foi amostrada. Um exemplo disto é que para o estado de São Paulo, com um terço da área, possui 64 espécies registradas ( Froehlich, 2011b; Lecci & Froehlich, 2011; Bispo & Lecci, 2012); isso reflete a deficiência de estudos sobre a ordem Plecoptera para o estado do Mato Grosso do Sul. Os outros estados cuja fauna de plecópteros é melhor conhecida são o Rio de Janeiro e Santa Catarina, com 33 e 23 espécies descritas respectivamente ( Froehlich, 2011b; Avelino-Capistrano et al., 2013). A plecopterofauna do estado do Mato Grosso do Sul, apesar de pouco estudada, está em melhor situação quando comparada a outros estados das Regiões Norte e Nordeste, alguns destes ainda não possuem registro.

Principais grupos de pesquisa e acervos. Em Ribeirão Preto, SP, há o Laboratório de Entomologia Aquática, do Departamento de Biologia da FFCLRP-USP, coordenado pelo Prof. Dr. Claudio Gilberto Froehlich. Em Assis-SP existe o Laboratório de Biologia Aquática, UNESP, coordenado pelo Prof. Dr. Pitágoras da Conceição Bispo. A maior coleção de exemplares do Brasil está no Museu de Zoologia da USP (MZSP), onde se encontra tipos e material determinado de todos os gêneros que ocorrem no país. O Laboratório de Entomologia Aquática, Departamento de Biologia, FFCLRP-USP e o Laboratório de Biologia Aquática, UNESP, campus de Assis, possui uma pequena coleção de referência.

Principais lacunas de conhecimento. No Mato Grosso do Sul, apenas a região de Bonito - mais precisamente a Serra da Bodoquena - foi amostrada, permanecendo assim uma enorme área do estado ainda inexplorada.

Perspectivas de pesquisa para os próximos dez anos. No Brasil há poucos especialistas atuando, porém novos pesquisadores estão sendo formados. Os estudos de cunho ecológico devem aumentar devido à crescente utilidade dos plecópteros em programas de biomonitoramento; neste contexto, estudos taxonômicos devem ser priorizados, o que auxiliará tanto no conhecimento da diversidade local quanto em pesquisas ecológicas.

Agradecimentos

À Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Biota Neotropica e o suporte financeiro para sua publicação. Os autores são gratos ao Prof. Dr. Claudio Gilberto Froehlich, pelas sugestões e revisão do manuscrito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido: 30 de Novembro de 2016; Aceito: 06 de Fevereiro de 2017

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