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Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721On-line version ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.107  supl.0 Porto Alegre  2017  Epub May 02, 2017

https://doi.org/10.1590/1678-4766e2017135 

Articles

Lista das espécies de Dolichopodidae (Insecta, Diptera) do Estado do Mato Grosso do Sul

Checklist of species of Dolichopodidae (Insecta, Diptera) from Mato Grosso do Sul State

Renato Soares Capellari1 

1.Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Departamento de Biologia, Av. Bandeirantes 3900, 14040-901, Ribeirão Preto, SP, Brasil. (rscapellari@gmail.com)


RESUMO

Uma lista das espécies de Dolichopodidae conhecidas do estado do Mato Grosso do Sul (Brasil) é apresentada. A lista inclui cinco espécies (baseado apenas em registros da literatura): Chrysotus brasiliensis Van Duzee (Diaphorinae), Condylostylus flagellatus Becker (Sciapodinae), Pelastoneurus brasiliensis Van Duzee, P. ochreifacies Van Duzee (Dolichopodinae) e Thrypticus romus Bickel & Hernández (Medeterinae).

PALAVRAS-CHAVE: Diaphorinae; Sciapodinae; Dolichopodinae; Medeterinae; Programa Biota-MS

ABSTRACT

A checklist of the known species of Dolichopodidae from Mato Grosso do Sul state (Brazil) is provided. The list includes five species (records from literature only): Chrysotus brasiliensis Van Duzee (Diaphorinae), Condylostylus flagellatus Becker (Sciapodinae), Pelastoneurus brasiliensis Van Duzee, P. ochreifacies Van Duzee (Dolichopodinae), and Thrypticus romus Bickel & Hernández (Medeterinae).

KEYWORDS: Diaphorinae; Sciapodinae; Dolichopodinae; Medeterinae; Biota-MS Program

Dolichopodidae é a quarta família mais numerosa de Diptera (ficando abaixo apenas de Limoniidae, Tachinidae e Asilidae), contando com mais de 7.600 espécies viventes descritas em 255 gêneros (Grichanov, 2003-2012; Pollet & Brooks, 2008). Em torno de 1.200 espécies e 75 gêneros ocorrem na Região Neotropical (Grichanov, 2003-2012; Yang et al., 2006), totalizando menos de 20% da fauna total conhecida, um número bastante aquém do esperado para essa região. Dolicopodídeos habitam todas as regiões zoogeográficas, preferindo ambientes úmidos como florestas, charcos e margens de cursos d’água (Robinson, 1970b). São moscas de tamanho pequeno a médio (0,8-9,0 mm), tórax de coloração usualmente metálica, habitus esguio, pernas longas e venação alar reduzida. Machos frequentemente apresentam caracteres sexuais secundários, relacionados à corte (Robinson & Vockeroth, 1981), como esculturas nas pernas, alargamento dos palpos, manchas nas asas e ornamentações nas antenas.

O arranjo sistemático de Dolichopodidae em subfamílias variou bastante no último século, principalmente pelo fato de os limites desses táxons serem baseados em gêneros estabelecidos para a fauna paleártica (especialmente europeia). O acréscimo de conhecimento das faunas tropicais e temperadas do hemisfério sul levou à necessidade de reinterpretação desses limites e estabelecimento de novas subfamílias (Bickel, 2009). Becker (1917-1918; 1922) lançou as bases da classificação do grupo, as quais foram revisadas por Robinson (1970a,b) para as faunas neártica e neotropical. Ulrich (1981) tentou adequar o sistema de Robinson à fauna mundial, reconhecendo dez subfamílias. Na classificação de Empidoidea proposta por Sinclair & Cumming (2006), 15 subfamílias são reconhecidas, embora o problema da delimitação desses táxons não tenha sido abordado detalhadamente. A despeito das diferenças entre sistemas de classificação, algumas subfamílias têm limites estáveis em escala mundial e alguns estudos de revisão contribuíram para o estabelecimento dessa robustez: Bickel (1985; 1987) para Medeterinae, Bickel (1994) para Sciapodinae, Naglis (2001; 2002a,b,c; 2003) para Neurigoninae e Brooks (2005) para Dolichopodinae. Papavero (2002) traduziu a chave de identificação para subfamílias de Robinson (1970a) e Bickel (2009) apresentou uma chave para os gêneros do Novo Mundo, sendo esta última a mais completa e adequada à fauna neotropical até o momento.

MATERIAL E MÉTODOS

Os registros apresentados para as espécies abaixo foram retirados de informações dos catálogos da Região Neotropical (Robinson, 1970b) e mundial (Yang et al., 2006), além de dados sobre distribuição encontrados em artigos. A localização dos tipos de cada espécie também foi fornecida e as seguintes abreviações para as instituições depositárias foram utilizadas: AMNH (American Museum of Natural History, Nova Iorque), SMTD (Senckenberg Naturhistorische Sammlungen, Museum für Tierkunde, Dresden) e USNM (Smithsonian National Museum of Natural History, Washington).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Apenas cinco espécies de Dolichopodidae são registradas para o Estado do Mato Grosso do Sul, contabilizando quatro gêneros de subfamílias distintas. Esse número é obviamente uma subestimativa da diversidade esperada para essa região, tendo em vista o reduzido número de estudos taxonômicos com o grupo na área. Entretanto é possível supor a presença de espécies descritas para o estado do Mato Grosso (Chapada dos Guimarães): Condylostylus bisinuatus Van Duzee, C. gracilis (Aldrich) (ambos Sciapodinae), Tachytrechus albopilosus (Van Duzee) e T. fuscipennis (Van Duzee) (ambos Dolichopodinae). Espécies com distribuição entre áreas que compreendem o Mato Grosso do Sul certamente também ocorrem nesse estado, mas não foram listadas abaixo, como por exemplo Chrysotus spectabilis (Loew) e Plagioneurus univittatus Loew, as quais se estendem desde os Estados Unidos até Argentina e Uruguai. Além disso, o registro de várias espécies é comprometido pelo fato de suas descrições indicarem apenas “Brasil” como localidade-tipo. Referências geográficas desse tipo foram comuns nas descrições dos séculos XVIII e XIX de Francis Walker, Christian R. W. Wiedemann e Justin P. M. Macquart, embora também sejam vistas eventualmente em trabalhos mais recentes como os de Theodor Becker e Millard C. Van Duzee (e.g., Becker, 1922; Van Duzee, 1931). O exame das etiquetas originais dos espécimes-tipo pode se mostrar útil no reconhecimento mais preciso das localidades para as quais espécies foram descritas.

Registro de dolicopodídeos para o Estado do Mato Grosso do Sul.

DIAPHORINAE

Chrysotus brasiliensis Van Duzee, 1933. Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, Corumbá. Distribuição: Brasil. Holótipo macho no AMNH.

DOLICHOPODINAE

Pelastoneurus brasiliensisVan Duzee, 1931. Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, Corumbá. Distribuição: Brasil e Paraguai. Holótipo macho, alótipo e parátipos no AMNH.

Pelastoneurus ochreifaciesVan Duzee, 1931. Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, Corumbá. Distribuição: Brasil. Holótipo macho e alótipo no AMNH.

MEDETERINAE

Thrypticus romus Bickel & Hernández, 2004. Localidade-tipo: Brasil, Mato Grosso do Sul, Corumbá. Distribuição: Argentina e Brasil. Holótipo macho e parátipos no USNM.

SCIAPODINAE

Condylostylus flagellatusBecker, 1922. Localidade-tipo: Peru, Mischagua. Distribuição: Peru e Brasil (registro para Maracajú, Mato Grosso do Sul: Milward-de-Azevedo, 1980). Holótipo macho no SMTD.

Agradecimentos.

À Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e à Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia, Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação. Juliana M. Feres sugeriu alterações úteis ao manuscrito. Este estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP 2008/58224-3)

Referências Bibliográficas

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Recebido: 08 de Dezembro de 2016; Aceito: 06 de Fevereiro de 2017

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