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Iheringia. Série Zoologia

Print version ISSN 0073-4721On-line version ISSN 1678-4766

Iheringia, Sér. Zool. vol.107  supl.0 Porto Alegre  2017  Epub May 02, 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1678-4766e2017138 

Articles

Checklist de Fanniidae (Insecta, Diptera) do Estado de Mato Grosso do Sul

Checklist of Fanniidae (Insecta, Diptera) of the State of Mato Grosso do Sul

Diana Grisales1 

Claudio J. B. de Carvalho1 

1Laboratório de Biodiversidade e Biogeografia de Diptera, Departamento de Zoologia, UFPR, Caixa Postal 19020, Curitiba, PR, Brasil, 81531-980. (cjbcarva@ufpr.br)

RESUMO

Nesse artigo é fornecida uma lista de espécies de Fanniidae do estado de Mato Grosso do Sul. Até o momento são registradas 11 espécies, o que representa 21% das espécies de Fanniidae conhecidas para o Brasil.

PALAVRAS-CHAVE biodiversidade; catálogo; mosca doméstica pequena; taxonomia; Programa Biota-MS

ABSTRACT

A checklist of the Fanniidae species in the state of Mato Grosso do Sul, Brazil, is provided. There are 11 species recorded, which represent 21% of all Fanniidae species known in Brazil.

KEYWORDS biodiversity; catalogue; little house fly; lesser house fly; Biota-MS Program

Fanniidae é uma pequena família de Diptera com apenas cinco gêneros conhecidos no mundo. No Brasil ocorrem espécies de Euryomma Stein e Fannia Robineau-Desvoidy, algumas bem comuns. São moscas de tamanho pequeno a médio, com o comprimento do corpo variando de 3-8 mm, geralmente de coloração escura ou acinzentada e com asa hialina ou maculada. Os adultos das espécies podem ser reconhecidos pelas calípteras desenvolvidas e ausência de cerdas no mero. Esses caracteres estão presentes nas espécies das famílias próximas, como Muscidae e Anthomyiidae. Entretanto, as espécies de Fanniidae segregam-se das de grupos próximos por características peculiares da venação da asa, como a subcostal não sinuosa e o formato sigmoide da veia A2 ( Carvalho et al., 2002a). Os Fanniidae são frequentemente denominados de mosca doméstica pequena, pelo menor comprimento de Fannia canicularis (Linnaeus, 1761) em relação à Musca domestica Linnaeus, 1758, a mosca doméstica comum. Aparentemente, a cosmopolita F. canicularis seguiu o homem no mundo, da mesma maneira do que a M. domestica ( Chillcott, 1961).

A biologia das espécies é pouco conhecida. Os adultos normalmente frequentam matéria orgânica em decomposição, possuindo, no entanto, várias espécies de hábito diverso, incluindo coprófago, como F. scalaris (Fabricius), a mosca das latrinas ( Carvalho et al., 2003). Esta espécie pode causar diversos tipos de miíases intestinais no homem e seus animais domésticos ( Chillcott, 1961). A morfologia externa das larvas da Fanniidae se assemelha a larvas de Platypezidae e Phoridae ( Couri, 1992). Representantes dessas famílias são conhecidos por se desenvolverem em fungos, o habitat mais comum das larvas de Fanniidae ( Chillcott, 1961).

MATERIAL E MÉTODOS

Para a elaboração dessa lista de espécies, foram consultadas publicações com registros de espécies de Fanniidae para o estado de Mato Grosso do Sul: Albuquerque et al., 1981; Campos & Barros, 1995; Carvalho et al., 2002a; Gomes et al., 2002; Wendt & Carvalho, 2009, assim como o mais recente Catálogo de Fanniidae da Região Neotropical ( Carvalho et al., 2003). Para completar a lista, foi consultada a Coleção Entomológica Padre Jesus Santiago Moure do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (DZUP).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Lista de espécies de Fanniidae do Estado de Mato Grosso do Sul. Das 52 espécies registradas para o Brasil, 11 espécies de Fannia (21%) ocorrem no estado de Mato Grosso do Sul ( Carvalho et al., 2003) ( Tab. I).

Tab. I Espécies de Fanniidae registradas para o estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Dados baseados em material examinado e referências bibliográficas: 1, Albuquerque et al., 1981; 2, Gomes et al., 2002; 3, Campos & Barros, 1995; 4, Carvalho et al., 2002a; 5, Carvalho et al., 2003; 6, Wendt & Carvalho, 2009; 7, Coleção Entomológica Padre Jesus Santiago Moure (DZUP). 

Espécie Referências Localidades
Fannia bahiensis Albuquerque, 1957 1, 2, 5 Campo Grande, Maracaju
Fannia bella Albuquerque, 1954 1, 5 Dourados
Fannia flavicincta (Stein, 1904) 1, 5 Bodoquena
Fannia heydenii (Wiedemann, 1830) 1, 2, 5, 6, 7 Bodoquena, Campo Grande, Maracaju
Fannia hirtifemur (Stein, 1904) 1 Maracaju
Fannia inermipennis Albuquerque, 1954 1 Bodoquena, Salobra (localidade-tipo)
Fannia longipila Albuquerque, 1954 2, 5, 7 Campo Grande
Fannia obscurinervis (Stein, 1900) 6 desconhecida
Fannia petrocchiae Shannon & Del Ponte, 1926 1, 5 Maracaju
Fannia pusio (Wiedemann, 1830) 1, 2, 4, 5, 6, 7 Campo Grande, Corumbá, Salobra
Fannia tumidifemur Stein, 1911 1, 5, 6 Bodoquena, Maracaju, Salobra

A maioria do material registrado para o Mato Grosso do Sul vem de projetos específicos de coleta realizados pelo Serviço Nacional de Febre Amarela e o Instituto Oswaldo Cruz na década de 1930 e 1940 ( Albuquerque et al., 1981). Da mesma forma, estudos para o conhecimento das espécies sinantrópicas e de importância econômica na região (veiculadoras de ovos da mosca do berne), contribuíram com parte da informação da biodiversidade de Fanniidae (ver Gomes et al., 2002; Carvalho et al., 2002a). A maioria das espécies registradas para a área é considerada sinantrópica e foi coletada principalmente em áreas urbanas e rurais ou com forte influência antrópica. Embora a economia do Mato Grosso do Sul esteja baseada na agricultura e na criação de gado e seja importante o conhecimento das espécies de Fanniidae que possam afetar estas atividades, o estado possui grandes áreas de floresta ( e.g. Pantanal) que precisam ser amostradas, com o objetivo de conhecer melhor a biodiversidade, incluindo a de Fanniidae. Nas regiões oeste e centro do estado estão concentrados os maiores esforços de amostragem, demonstrando que ainda existe uma grande extensão do território por ser explorada.

Os principais grupos de pesquisa e coleções de Fanniidae no Brasil. Os principais grupos se encontram no Laboratório de Diptera do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ) e no Laboratório de Biodiversidade e Biogeografia de Diptera do Departamento de Zoologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os acervos com maior número de espécies depositadas são a coleção Entomológica do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ), a Coleção Entomológica do Museu Padre Jesus Santiago Moure do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (DZUP), a Coleção Entomológica do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e a Coleção Entomológica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) ( Carvalho et al., 2002b).

Principais lacunas do conhecimento. As principais lacunas do conhecimento estão relacionadas à diversidade de espécies em regiões com pouca ou nenhuma amostragem, como as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. No caso de Mato Grosso do Sul são necessárias coletas exaustivas com o objetivo de aumentar o conhecimento da biodiversidade de Fanniidae, tanto em áreas rurais quanto em áreas naturais. Além de conhecer a diversidade taxonômica que ocorre na região, também são necessárias coletas para a realização de estudos de ciclos de vida, descrições de imaturos e análises moleculares que permitirão a associação de sexos. Fêmeas de diferentes espécies de Fannia são muito semelhantes entre si, dificultando a identificação precisa.

Perspectivas de pesquisa para os próximos 10 anos. As perspectivas de pesquisa em Fanniidae passam por projetos de levantamentos faunísticos, com o do projeto Sisbiota para o Cerrado e Pantanal, áreas pouco amostradas.

Agradecimentos.

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e a Superintendência de Ciências e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Sucitec/MS) pelo convite de participação neste fascículo especial da Iheringia, Série Zoologia e o suporte financeiro para sua publicação. A Kistern Lica F. Haseyama pela leitura, críticas e sugestões. D. G. é bolsista de Pós-doutorado júnior CNPq (PDJ)) e CJBC é bolsista do CNPq (processo número 3047/2011-2).

Referências Bibliográficas

Albuquerque, D. de O.; Pamplona, D. & Carvalho, C. J. B. de. 1981. Contribuição ao conhecimento dos Fannia R. D., 1830 da Região Neotropical (Diptera, Fanniidae). Arquivos do Museu Nacional 56:9-34. [ Links ]

Campos, C. F. M. & Barros, A. T. M. 1995. Dípteros muscóides da área urbana de Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biologia 55:351-354. [ Links ]

Carvalho, C. J. B. de; Moura, M. O. & Ribeiro, P. B. 2002a. Chave para adultos de dípteros (Muscidae, Fanniidae, Anthomyiidae) associados ao ambiente humano no Brasil. Revista Brasileira de Entomologia 46(2):107-114. [ Links ]

Carvalho, C. J. B. de; Couri, M. S.; Toma, R.; Rafael, J. A.; Harada, A. Y.; Bonatto, S. R.; Henriques, A. L. & Gastal, H. A. de O. 2002b. Principais coleções brasileiras de Diptera: histórico e situação atual. In: Costa, C.; Vanin, S. A.; Lobo, J. M. & Melic, A. eds. Proyecto de Red Iberoamericana de Biogeografia y Entomologia Sistemática (PrIBES). Zaragoza, Monografías Tercer Milenio, SEA, vol. 2. p. 37-52. [ Links ]

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Received: November 23, 2016; Accepted: February 06, 2017

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