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Memórias do Instituto Oswaldo Cruz

Print version ISSN 0074-0276On-line version ISSN 1678-8060

Mem. Inst. Oswaldo Cruz vol.77 no.2 Rio de Janeiro 1982Apr./June. 1982

http://dx.doi.org/10.1590/S0074-02761982000200003 

Histopatologia da infecção por Yersinia pestis em roedores de focos de peste do Nordeste brasileiro

Eridan M. Coutinho1 

Alzira M. P. de Almeida1 

Célio R. de Almeida1 

FIOCRUZ, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Recife, Brasil


RESUMO

O presente trabalho mostra a histopatologia da infecção pela Yersinia pestis, entre as diferentes espécies de roedores silvestres e comensais (cricetídeos, equimídeos, murídeos e cavídeos) que ocorrem na zona endêmica de peste do Nordeste do Brasil. Estes roedores foram encontrados naturalmente infectados nos campos ou inoculados experimentalmente no laboratório (vias percutânea, subcutânea ou picada de pulgas) com cepas locais e/ou estrangeiras de Yersiniapestis. Quase todos os animais, exceto alguns dos cavídeos, desenvolveram a forma bubosepticêmica da peste. Entre as lesões encontradas, a necrose coagulativa multifocal do fígado, a pneumonite intersticial aguda difusa e a atrofia linfoide do baço, podem, por sua constância, ser consideradas como os principais indicadores histológicos da infecção pestosa, embora estas lesões não sejam exclusivas da peste. A diversidade e a intensidade das lesões entre os Zygodontomys lasiurus pixuna, podem explicar a mortalidade elevada desta espécie e a disseminação da peste nos focos naturais do Nordeste brasileiro. Cricetídeos e murídeos mostraram alterações histopatológicas qualitativamente semelhantes. A resistência dos cavídeos à infecção pestosa foi evidenciada pela sobrevida desses roedores à fase aguda da infecção e pelo desenvolvimento de uma reação histiocitária interna, delimitando as áreas abscedadas. è possível que estas lesões crônicas abriguem bacilos virulentos, que permitirão a reinfecção periódica das pulgas e conseqüente reativação do processo epizoótico.

ABSTRACT

In this paper, the histopathological aspects of plague infection in different species of wild and domestic rodents (cricetidae, echymidae, muridae and cavidae) are described. All of them had been trapped in endemic plague areas and harboured natural infection, while others were laboratory infected by different routes (percutaneous, subcutaneous rout, fleas bite). Several national and foreign strains of Yersinia pestis have been studied. All the rodents, except the group of cavidae, had a bubosepticemic plague. From all the lesions described, liver multifocal coagulative necrosis, diffuse acute interstitial pneumonia and lymphoid atrophy of the spleen were the most frequent and so can be considered, for practical purposes, as histological indicators of plague infection, although they are not exclusively found in plague. The variety and intensiveness of lesions found in Zigodontomys L. pixuna, may explain the high mortality of this species of rodents, making easier the dissemination of plague in the natural foci of northeast Brazil. Similar histological lesions were detected in cricetidae and muridae. The resistance of cavidae to plague infection has become evident, since they survived to the acute phase of infection and developped an intensive histiocytic granulomatous reaction surrounding necrotic areas (abscesses). It is suggested thad these chronic lesions may harbour virulent bacilli and so explain periodic plague infection in local fleas, leading to reactivation of epizootics.

 

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