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Revista de Administração (São Paulo)

versão impressa ISSN 0080-2107versão On-line ISSN 1984-6142

Rev. Adm. (São Paulo) vol.50 no.2 São Paulo abr./un. 2015

http://dx.doi.org/10.5700/rausp1192 

FINANÇAS & CONTABILIDADE

Causas e consequências da dívida no cartão de crédito: uma análise multifatores

Causes and consequences of debt in credit card: a multifactor analysis

Causas y consecuencias de la deuda en la tarjeta de crédito: un análisis multifactorial

Franciele Inês Reis Kunkel1 

Kelmara Mendes Vieira2 

Ani Caroline Grigion Potrich3 

1Universidade Federal de Santa Maria – Santa Maria/RS, Brasil

2Universidade Federal de Santa Maria – Santa Maria/RS, Brasil

3Universidade Federal de Santa Maria – Santa Maria/RS, Brasil

RESUMO

Neste estudo, o objetivo é avaliar as causas e as consequências da dívida no cartão de crédito a partir de fatores comportamentais. Realizou-se uma pesquisa com 1.831 usuários de cartão de crédito dos estados de Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Maranhão por meio da aplicação de questionários. Inicialmente, observou-se que os respondentes mantêm baixos índices de endividamento no cartão de crédito. Nos resultados obtidos com a modelagem de equações estruturais, apontam-se como determinantes da dívida os construtos materialismo, compras compulsivas, comportamento de uso no cartão de crédito e alfabetização financeira; e como consequências, o baixo nível de bem-estar financeiro e as emoções negativas.

Palavras-chave: endividamento; cartão de crédito; fatores comportamentais

ABSTRACT

This study aims to evaluate the causes and consequences of debt in the credit card through behavioral factors. A research with 1,831 credit card clients in Rio Grande do Sul, Minas Gerais and Maranhão has been made by applying questionnaires. Initially, it has been observed that the respondents maintain a low level of indebtedness in credit cards. The results obtained by the structural equation modeling show as indebtedness determinants the constructs materialism, compulsive shopping, behavior to use credit card and financial literacy, and, as consequences, the low level of financial well-being and negative emotions.

Keywords: indebtedness; credit cards; behavioral factors

RESUMEN

El objetivo en este estudio es evaluar las causas y las consecuencias de la deuda en la tarjeta de crédito a partir de factores relacionados con el comportamiento. Se llevó a cabo una encuesta con 1.831 usuarios de tarjetas de crédito de los estados de Rio Grande do Sul, Minas Gerais y Maranhão, por medio de la aplicación de cuestionarios. Inicialmente, se observó que los encuestados mantienen bajos índices de endeudamiento en la tarjeta de crédito. Los resultados obtenidos mediante modelos de ecuaciones estructurales apuntan como determinantes de la deuda los constructos materialismo, compras compulsivas, comportamiento de uso en la tarjeta de crédito y alfabetización financiera; y como consecuencias, el bajo nivel de bienestar financiero y las emociones negativas.

Palabras clave: endeudamiento; tarjeta de crédito; factores de comportamiento

1. INTRODUÇÃO

A crescente disponibilidade e aceitabilidade do crédito nas economias mundiais tem estimulado o desenvolvimento econômico e facilitado o cotidiano dos indivíduos (Silva, 2011). No âmbito brasileiro não é diferente, visto que o crescimento e a estabilidade econômica têm levado o governo a expandir a oferta de crédito e ampliar os prazos de pagamento possibilitando, dessa forma, a participação das classes sociais menos favorecidas no mercado consumidor e provocando, consequentemente, o crescimento acelerado nos níveis de consumo (Claudino, Nunes & Silva, 2009).

Para Bertaut e Haliassos (2005), entre outros motivos, o acesso do consumidor ao crédito foi facilitado a partir da propagação e da aceitação dos cartões de crédito, que se tornaram, em pouco tempo, um dos principais instrumentos financeiros utilizados pelos indivíduos. De acordo com estudos da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços [ABECS] (2012), a quantidade de cartões de crédito em circulação no mercado brasileiro atingiu o patamar de 178,8 milhões de unidades, sendo realizadas ao longo do ano 4,5 bilhões de operações. Tais números comprovam a crescente inserção do cartão de crédito no cotidiano dos brasileiros e sua grande difusão como meio de pagamento.

A rápida popularização do cartão de crédito, segundo Kim e DeVaney (2001), está atrelada a sua multifuncionalidade ao atuar como ferramenta de pagamento e recurso de crédito. Em termos individuais, o acesso ao cartão de crédito tem exercido forte influência sobre o estilo de vida e o poder de compra (Mendes-da-Silva, Nakamura & De Moraes, 2012), provendo aos usuários facilidade, conveniência e segurança nas transações (Bertaut & Haliassos, 2005). No entanto, o uso indiscriminado e/ou o mau gerenciamento do crédito são capazes de conduzir à acumulação de dívidas que, por sua vez, podem comprometer a saúde financeira doméstica (Norvilitis, Merwin, Osberg, Roehling, Young, & Kamas, 2006; MacGee, 2012) e o bem-estar físico e mental (Lyons, 2004). O cartão de crédito promove o aumento do endividamento pessoal e familiar devido à eliminação da necessidade imediata de dinheiro e à facilidade de pagamento (Wang, Wei Lu & Malhotra, 2011).

O crescimento acelerado do número de indivíduos que utilizam cartão de crédito e, principalmente, o aumento dos níveis de endividamento e inadimplência têm feito com que o governo e a indústria financeira passem a tratar tal questão com maior atenção (Mendes-da-Silva et al., 2012). A maior preocupação está atrelada ao nível de responsabilidade financeira no uso do cartão de crédito e aos prováveis riscos de problemas financeiros e psicológicos decorrentes do mau gerenciamento (Lyons, 2004). Apesar de vários estudos sobre a dívida no cartão de crédito já terem sido desenvolvidos e já ter sido comprovado que essa questão ultrapassa o universo econômico e social, ainda persiste muita incerteza sobre quais são efetivamente suas causas e consequências. Nesse sentido, o grande desafio que se apresenta à academia e, especificamente, o foco deste estudo é buscar uma resposta para a seguinte questão: Quais são os fatores determinantes e consequentes da dívida no cartão de crédito? Para responder a esse questionamento, estabeleceram-se os seguintes objetivos: desenvolver e validar um modelo para mensuração da dívida pessoal no cartão de crédito; identificar e validar os fatores associados à dívida no cartão de crédito; construir e validar um modelo estrutural para as relações entre os fatores.

A realização deste estudo contribui para a ampliação do acervo de pesquisas empíricas acerca do uso e do endividamento no cartão de crédito gerando um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto que ainda é incipiente em âmbito brasileiro. A importância do estudo também está em seu caráter inovador, dado que, em âmbito brasileiro, não há registros de pesquisas que busquem compreender os determinantes da dívida e suas implicações. Ademais, raras são as pesquisas, tanto em contexto internacional quanto nacional, que se dedicam ao estudo dos fatores comportamentais associados à dívida em uma população heterogênea composta por indivíduos de diferentes idades, rendas e ocupações. Destaca-se ainda que o tema é extremamente atual e faz parte da pauta de discussões dos meios governamental, empresarial e acadêmico. Em suma, a realização desta pesquisa oferecerá subsídios aos organizadores das políticas de crédito e aos educadores financeiros para auxiliar os consumidores a melhor gerenciarem o uso do crédito evitando, assim, as armadilhas embutidas no uso indevido e exagerado do cartão.

Este trabalho está dividido em cinco seções, incluindo a introdução. Na segunda seção apresenta-se a base teórica e empírica. Na terceira parte contemplam-se os procedimentos metodológicos. Na sequência, são apresentados os resultados e, por fim, as considerações mais relevantes sobre a temática, as limitações e as principais sugestões para estudos futuros.

2. DÍVIDA NO CARTÃO DE CRÉDITO E SEUS FATORES DETERMINANTES E CONSEQUENTES

A dívida no cartão de crédito refere-se a um tipo de passivo a descoberto, constituído mediante um empréstimo rotativo de curto prazo (Lamcobe, 2012). Tecnicamente, todas as compras realizadas no cartão de crédito criam dívida para o usuário; no entanto, sobre tais dívidas não há incidência de juros caso o pagamento seja realizado até a data de tolerância máxima. Dessa forma, os usuários que pagam devidamente as faturas mensais não são considerados endividados. Já os usuários que mantêm um saldo devedor sobre o qual passam a incidir juros após o encerramento do prazo de tolerância são considerados detentores de dívida no cartão de crédito. Nesse sentido, dívida no cartão de crédito pode ser compreendida como o saldo devedor remanescente após o pagamento da fatura mensal. Dependendo do nível da dívida, os indivíduos podem comprometer uma parcela significativa de sua renda, tornando-se incapazes de honrar os compromissos financeiros assumidos.

Levando em conta a ascensão do número de indivíduos endividados, diversos estudos vêm sendo desenvolvidos, tanto pela academia quanto pelo governo e pelo mercado financeiro, para avaliar o nível de propensão à dívida e seus fatores determinantes e consequentes (Kim & DeVaney, 2001; Lyons, 2004; Norvilitis et al., 2006; Mendes-da-Silva et al., 2012). Segundo Davies e Lea (1995), a investigação sobre os aspectos associados ao endividamento obteve destaque a partir do estudo de Katona (1975). A importância desse trabalho está na avaliação da origem dos problemas de crédito, os quais são avaliados não apenas pelo viés econômico, mas também por meio de fatores psicológicos e comportamentais. É sobre esses aspectos comportamentais que a pesquisa se debruça.

O primeiro construto a ser investigado refere-se à alfabetização financeira, a qual pode ser entendida como uma combinação de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos necessários para a tomada de decisão e o alcance do bem-estar financeiro (OECD, 2013). Neste estudo, seguindo modelo adotado por Jorgensen e Savla (2010), a alfabetização financeira é a relação entre os conceitos de conhecimento financeiro, atitude financeira e comportamento financeiro. A dimensão do conhecimento financeiro é um tipo particular de capital humano que se adquire ao longo do ciclo de vida, por meio da aprendizagem de assuntos que afetam a capacidade para gerir receitas, despesas e poupança de forma eficaz (Delavande, Rohwedder & Willis, 2008). O comportamento financeiro é um elemento essencial da alfabetização financeira e, sem dúvida, o mais importante (OECD, 2013). Segundo Atkinson e Messy (2012), os resultados positivos de ser financeiramente alfabetizado são movidos pelo comportamento, tais como o planejamento de despesas e a construção da segurança financeira; por outro lado, certos comportamentos, tais como o uso excessivo de crédito, podem reduzir o bem-estar financeiro. Já as atitudes financeiras são estabelecidas por meio de crenças econômicas e não econômicas que um tomador de decisão tem sobre o resultado de determinado comportamento e são, portanto, um fator-chave no processo de tomada de decisão pessoal (Ajzen, 1991).

A grande oferta de produtos financeiros, segundo Amadeu (2009), exige dos indivíduos a habilidade de compreender as características de cada opção, de calcular os custos embutidos nas diferentes ofertas de crédito e de administrar a capacidade de endividamento. É dentro desse contexto que pode ser verificada a importância da alfabetização financeira, uma vez que ela auxilia os consumidores, mediante o fornecimento de informações e instruções, a melhorar seu entendimento acerca dos conceitos e produtos financeiros e a aumentar a autoconfiança, tornando-os mais conscientes dos riscos e das oportunidades financeiras (OECD, 2013). Segundo Vitt, Anderson, Kent, Lyter, Siegenthaler, & Ward (2000), a alfabetização financeira somente é capaz de auxiliar no desenvolvimento das capacidades necessárias para fazer escolhas bem informadas ao inter-relacionar conhecimentos, atitudes e comportamentos financeiros. É no esforço sistemático e contínuo de desenvolvimento desses aspectos que a alfabetização financeira desempenha papel-chave para a tomada de decisões responsáveis (Xiao, Tang, Serido, & Shim, 2011). Tendo por base tais fundamentos, elaboraram-se as hipóteses apontadas a seguir.

  • H1 — O conhecimento financeiro impacta positivamente o comportamento financeiro.

  • H2 — A atitude financeira impacta positivamente o comportamento financeiro.

  • H3 — O conhecimento financeiro impacta positivamente a atitude financeira.

Para Lyons (2004), indivíduos inexperientes ou com conhecimentos financeiros limitados e com atitudes e comportamentos irresponsáveis podem não entender conceitos financeiros básicos como, por exemplo, o efeito cumulativo da taxa de juros sobre a dívida no cartão de crédito, aumentando o risco de má gestão dos recursos e de problemas financeiros. Nesse sentido, Disney e Gathergood (2011) afirmam que o conhecimento, a atitude e o comportamento financeiro desempenham um importante papel na redução de problemas de gestão financeira no uso do cartão de crédito. Com base em tais estudos, espera-se que maiores níveis de conhecimento e melhores comportamentos propiciem comportamentos responsáveis no uso do cartão e levem a um menor risco de endividamento (Matta, 2007).

  • H4 — O conhecimento financeiro impacta positivamente o uso responsável do cartão de crédito.

  • H5 — O conhecimento financeiro impacta negativamente a dívida no cartão de crédito.

  • H6 — A atitude financeira impacta positivamente o uso responsável do cartão de crédito.

  • H7 — A atitude financeira impacta negativamente a dívida no cartão de crédito.

  • H8 — O comportamento impacta positivamente o uso responsável do cartão de crédito.

  • H9 — O comportamento financeiro impacta negativamente a dívida no cartão de crédito.

O segundo construto a ser considerado no modelo foi o materialismo, o qual é definido por Richins e Dawson (1992) como a importância atribuída pelo indivíduo à posse e à aquisição de bens materiais no alcance dos principais objetivos da vida. Indivíduos altamente materialistas acreditam que a aquisição e a posse de bens materiais representem o objetivo central da vida, são um indicador de sucesso e status social e a chave para a felicidade (Richins, 2004). Consumidores materialistas, independentemente de sua condição financeira, valorizam a posse e consideram-na um importante instrumento para nortear suas atitudes e ações (Richins & Dawson, 1992). Nesse sentido, a acessibilidade ao cartão de crédito pode ser prejudicial aos materialistas, uma vez que lhes oferece um meio para alcançar seus objetivos de consumo (Richins, 2011). Portanto, o desejo de alcançar status social por meio de bens materiais, atrelado à facilidade de obtenção de recursos, via cartão de crédito, pode facilmente levar o indivíduo a gastar mais e, provavelmente, a utilizar indevidamente o cartão de crédito incorrendo em dívidas (Pirog & Roberts, 2007).

  • H10 — O materialismo impacta negativamente o uso responsável do cartão de crédito.

  • H11 — O materialismo impacta positivamente a dívida no cartão de crédito.

O materialismo também vem sendo relacionado com o fator compras compulsivas. Para Dittmar (2004), indivíduos materialistas, por serem mais emotivos e apresentarem menor autoestima seriam mais propensos a exibir comportamentos de compra compulsiva, como forma de minimizar sentimentos negativos e melhorar o bem-estar pessoal (Dittmar, 2004). Assim, espera-se uma relação positiva entre materialismo e compras compulsivas.

  • H12 — O materialismo impacta positivamente as compras compulsivas.

Ainda no campo do consumo, investigaram-se as compras compulsivas, definidas como uma vontade crônica de comprar diferentes itens visando minimizar eventos ou sentimentos negativos (Leite, Rangé, Ribas, Filomensky, & Oliveira e Silva, 2011). Os consumidores compulsivos têm uma vontade irresistível de comprar sobre a qual não têm domínio, o que os leva à continuidade do consumo mesmo após o conhecimento das consequências adversas sobre sua vida pessoal e social e sobre sua situação financeira (Dittmar, Long, & Bond, 2007). Dentro desse escopo, Koram, Faber, Aboujaoude, Large e Serpe (2006) afirmam que, uma vez que tenham perdido sua capacidade para controlar o processo de compra, os consumidores irão comprar coisas que talvez não utilizem, em quantidade superior ao necessário e superior ao permitido por seus recursos financeiros, ocasionando consequências adversas como sofrimento e problemas financeiros. Para Veludo-de-Oliveira, Ikeda e Santos (2004), indivíduos com comportamento mais próximo à compulsividade tendem a apresentar maior quantidade de cartões, utilizá-los de forma mais intensa e menos regrada e possuir maior nível de dívidas no cartão (Roberts & Jones, 2001). Com base em tais estudos, espera-se que indivíduos com comportamentos de compra compulsiva sejam mais irresponsáveis no uso do cartão de crédito e, por consequência, mais propensos a contrair dívidas, conforme as hipóteses 13 e 14.

  • H13 — As compras compulsivas impactam negativamente o uso responsável do cartão de crédito.

  • H14 — As compras compulsivas impactam positivamente a dívida no cartão de crédito.

Afora a problematização acerca dos comportamentos materialistas e de consumo compulsivo, pesquisadores têm considerado o impacto do valor do dinheiro. Para Macedo Jr., Kolinski e De Morais (2011), nenhuma pessoa é indiferente ao dinheiro, cada qual atribui ao dinheiro um significado de acordo com o esforço e a satisfação que ele lhe proporciona. Mudanças na atitude em relação ao dinheiro são um importante catalisador por trás da propagação da cultura consumista, a qual é definida como a cultura na qual os indivíduos desejam comprar e consumir bens buscando felicidade, prazer e prestígio social (Roberts & Jones, 2001). Para os autores, a valorização do dinheiro como uma ferramenta de poder e prestígio social tem o potencial de conduzir a comportamentos materialistas e de compra compulsiva. Já a visualização do dinheiro como fonte de insegurança e preocupação torna os indivíduos menos propensos ao consumo. Tendo isso em mente, constata-se que o fator valores do dinheiro influencia o materialismo e as compras compulsivas de maneira distinta, dependendo do significado que o indivíduo atribui ao dinheiro.

  • H15 — O valor do dinheiro impacta as compras compulsivas.

  • H16 — O valor do dinheiro impacta o materialismo.

Concluindo a investigação dos fatores determinantes da dívida no cartão de crédito, tem-se o comportamento de uso do cartão de crédito, entendido como o grau de responsabilidade mantido pelo indivíduo na gestão do cartão (Roberts & Jones, 2001). Ao observarem que o uso responsável do cartão proporciona ao indivíduo um meio conveniente de pagamento, uma ferramenta útil para gestão dos recursos financeiros e um meio de estabelecer um bom histórico de crédito, Bertaut e Haliassos (2005) concluem que ele diminui a probabilidade de contração de dívidas.

  • H17 — O uso responsável do cartão de crédito impacta negativamente a dívida no cartão de crédito.

A fim de uma melhor compreensão acerca da dívida, deve-se verificar, além de seus determinantes, suas consequências econômicas, sociais e psicológicas. Neste estudo, foram investigadas a redução do bem-estar financeiro e a presença de emoções negativas. O bem-estar financeiro pode ser compreendido como a percepção do indivíduo sobre sua situação financeira atual e futura (Norvilitis, Szablicki & Wilson, 2003). Conforme destacado por Sevim, Temizel e Sayilir (2012), a tomada de decisões de empréstimo incorreta pode conduzir a um excesso de endividamento o qual pode ser, por sua vez, prejudicial à credibilidade do consumidor perante o mercado, bem como ao bem-estar financeiro tanto no curto quanto no longo prazo. A posse de um número elevado de cartões, atrelado a seu uso indiscriminado e ao não pagamento da fatura integral, reduz significativamente a sensação de bem-estar financeiro (Norvilitis & MacLean, 2010).

  • H18 — A dívida no cartão de crédito impacta negativamente o bem-estar financeiro.

Na última hipótese do modelo teórico, buscou-se mensurar a relação entre dívida no cartão de crédito e emoções. As emoções são encaradas como um elemento essencial na vida e na experiência humana, sendo consideradas fundamentais para a compreensão do comportamento e do funcionamento dos seres humanos, uma vez que preparam respostas comportamentais necessárias, harmonizam a tomada de decisões e facilitam as relações interpessoais (Dias, Cruz & Fonseca, 2010). Diversos estudos (Nelson, Lust, Story & Ehlinger, 2008; Sevim et al., 2012) têm documentado que indivíduos endividados e sobre-endividados são mais propensos a vivenciar problemas físicos, sintomas de depressão, sentimentos de incapacidade e impotência. Por exemplo, Nelson et al. (2008) constataram associação positiva entre altos níveis de dívida no cartão de crédito e excesso de peso, atividade física insuficiente, hábitos alimentares incorretos, consumo excessivo de álcool, pensamento suicida, sentimentos de desamparo, desempenho profissional insatisfatório e estresse. Com base nessa perspectiva, espera-se encontrar uma relação negativa entre dívida no cartão de crédito e emoções.

  • H19 — A dívida no cartão de crédito impacta negativamente as emoções.

Tendo em mente a teoria de base e as hipóteses, foi construído o modelo teórico ilustrado na Figura 1.

Figura 1 Diagrama do Modelo Teórico com Construtos e Hipóteses 

3. MÉTODO

Visando responder ao questionamento levantado neste estudo, realizou-se uma pesquisa descritiva de cunho quantitativo. O estudo considerou como universo de pesquisa toda a população brasileira usuária de cartão de crédito. De acordo com dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC BRASIL, 2013), o número de brasileiros que utiliza cartão de crédito corresponde a 77% da população, ou seja, corresponde a, aproximadamente, 147 milhões de pessoas.

No processo de amostragem, considerou-se um nível de confiança de 95% e um erro amostral de 2,5% obtendo-se uma amostra mínima de 1.538 indivíduos. Pela dificuldade em aplicar os questionários em todo o território nacional, definiu-se, a critério do pesquisador, que o estudo seria realizado em três estados, sendo escolhidos, por conveniência, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Maranhão. A decisão de investigar esses três estados está atrelada à diversidade econômica, cultural e social encontrada. Os questionários foram aplicados de forma aleatória, em ambiente externo, entre os meses de março e setembro de 2013, por meio de contato com moradores dispostos a participar da pesquisa. Como pré-requisito para participação no estudo, o indivíduo deveria ser usuário e utilizar de forma ativa pelo menos um cartão de crédito. Ao final da pesquisa, foram coletados 1.831 instrumentos válidos. Desse total, 945 foram coletados no estado do Rio Grande do Sul; 602, no Maranhão; e 284, no estado de Minas Gerais. Ressalta-se que o estudo foi submetido ao Sistema Nacional de Ética em Pesquisa (SISNEP), sendo aprovado sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) nº 13265013.3.0000.5346.

O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado composto por 114 questões divididas em dez seções, as quais abordaram:

Para a análise dos dados, foram utilizados dois software: SPSS 18.0® e Amos™. Em um primeiro momento, realizou-se a estatística descritiva dos dados com o objetivo de conhecer o perfil da amostra. Na sequência, realizaram-se testes de diferença de média, teste t e Anova, visando verificar se há diferença no construto dívidas no cartão de crédito se considerados fatores demográficos, culturais e características do cartão de crédito.

Para a estimação e a validação do modelo integrado, utilizou-se a modelagem de equações estruturais (MEE). A avaliação do modelo foi realizada em duas etapas, conforme sugestão de Kline (1998). Inicialmente realizou-se uma análise fatorial confirmatória (AFC) para validar os construtos. Os relacionamentos entre as variáveis observadas e seus construtos foram estimados utilizando o método da máxima verossimilhança. Na segunda etapa, o modelo híbrido foi validado por meio dos índices de ajuste do modelo global e da significância e magnitude dos coeficientes das regressões estimadas. Seguindo a recomendação de Garver e Mentzer (1999), a validade do modelo foi ponderada por meio da verificação da validade convergente, unidimensionalidade e confiabilidade dos construtos.

A validade convergente foi analisada pela observação da magnitude e significância estatística dos coeficientes padronizados e pelos índices de ajuste absolutos: estatística qui-quadrado (Χ2), Root Mean Squares Residual(RMR, < 0,05), Root Mean Square Error of Aproximation (RMSEA, < 0,08), Goodness -of-Fit Index (GFI > 0,95) e índices de ajuste comparativos: Comparative Fit Index (CFI, > 0,95), Normed Fit Index (NFI, > 0,95), Tucker-Lewis Index (TLI, > 0,95) (Garver & Mentzer, 1999). Para mensurar a confiabilidade, utilizou-se o alfa de Cronbach que, segundo Hair, Black, Babin, Anderson e Tatham (2009), deve possuir um valor superior a 0,6. A verificação da unidimensionalidade foi realizada mediante avaliação dos resíduos padronizados. Nesse procedimento, consideraram-se unidimensionais os construtos que apresentaram, para todos os pares formados por variáveis observadas, resíduos padronizados inferiores a 2,58 (Hair et al., 2009).

Para a análise do modelo integrado, que agrega o modelo de mensuração e o modelo estrutural, optou-se pela estratégia de aprimoramento, na qual, a partir de um modelo inicialmente proposto, são feitas modificações para chegar-se a um modelo ajustado. No procedimento de ajuste, os coeficientes de regressão não significativos foram retirados, sendo incorporadas covariâncias não previstas no início.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A pesquisa compreendeu os usuários de cartão de crédito dos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Maranhão, sendo a amostra final composta por 1.831 indivíduos. Quanto ao perfil, a maioria dos respondentes pertence ao gênero feminino (59,1%); tem, em média, 31 anos; é solteira (60,9%); de ascendência brasileira (68,4%); raça branca (66,1%); e não tem filhos/dependentes (71,5%). Quanto às características financeiras, 66,8% possuem renda média mensal de até três salários mínimos. Já em relação ao grau de escolaridade, verificou-se que representativa parcela apresenta um bom nível de instrução educacional, uma vez que 51% estão cursando ou já concluíram um curso técnico ou curso de graduação. No que tange à ocupação, os respondentes distribuíram-se entre empregado assalariado (32,3%), funcionário público (21,6%) e autônomo (9,8%).

Em relação ao número de cartões de crédito, significativa parcela relatou possuir somente um (46,9%) ou dois cartões de crédito (32,6%). Entre aqueles que possuem três ou mais cartões, somente 10,4% costumam utilizá-los ativamente. Segundo Kim e DeVaney (2001), a posse de maior quantidade de cartões contribui para a elevação do endividamento, tendo em vista que indivíduos detentores de maior quantidade de cartões possuem uma fonte de crédito muito superior àqueles que detêm um menor número. Quando questionados acerca da continuidade de utilização do cartão de crédito, caso a taxa de juros incidente sofresse uma elevação, 66,8% declararam que diminuiriam a frequência de uso. Apesar desse indicativo de prudência, somente 26,4% declararam conhecer o valor da taxa mensal de juros incidente sobre a dívida no cartão.

Considerando que gastar mais de 30% da renda mensal com o pagamento do cartão aumenta a propensão de o indivíduo ter dificuldades para pagar integralmente suas contas (Lyons, 2004), os participantes da pesquisa mostraram-se cautelosos e coerentes no uso do crédito, uma vez que expressiva porcentagem (67%) costuma gastar menos de 30% do salário com esse instrumento de crédito. Investigando, especificamente, a posse de dívidas no cartão de crédito, verificou-se que os indivíduos são responsáveis na hora de utilizar esse tipo de cartão, pois a maior parcela raramente ou nunca deixou de pagar o valor integral da fatura, recorreu ao saque do cartão ou ultrapassou o limite disponível considerando o período dos últimos doze meses. Importante também destacar que parcela considerável dos respondentes (70,3%) não depende do cartão para pagar despesas corriqueiras. O uso consciente e controlado do cartão de crédito fez com que 67,2% não apresentassem dívidas resultantes do não pagamento do valor integral da fatura. Dentre a parcela que apresentou dívidas, 17,8% têm dívidas entre R$ 0,01 e R$ 500,00; 6,8% entre R$ 501,00 e R$ 1.000,00; e somente 8,1% têm dívidas superiores a R$ 1.001,00. Em média, os respondentes exibem dívidas no valor de R$ 334,00. O estudo realizado por Mendes-da-Silva et al. (2012) com 769 estudantes de universidades públicas e privadas do estado de São Paulo reafirma os resultados obtidos nesta pesquisa. Para os autores, os usuários de cartão de crédito, em sua maioria, não apresentam comportamentos de risco de crédito, uma vez que não costumam utilizar o limite total disponibilizado, não costumam deixar de pagar o valor integral da fatura nem manter elevados níveis de dívida.

Verificando possíveis diferenças entre os grupos para o construto dívida no cartão de crédito, se consideradas variáveis demográficas, culturais e aspectos de uso do cartão de crédito, observaram-se diferenças de média significativas para as variáveis gênero, idade, dependentes, filhos, nível de escolaridade, renda, número de cartões de crédito, conhecimento da taxa de juros e limite do cartão, além de que indivíduos do gênero masculino, jovens, com filhos/dependentes, com menor nível de escolaridade, menor nível de renda, maior número de cartões de crédito, desconhecedores do valor da taxa de juros, alto limite de crédito são mais propensos a contrair dívidas no cartão de crédito.

Para Baek e Hong (2004), o maior endividamento masculino e de pessoas jovens está atrelado ao fato de serem eles mais imprudentes em suas decisões financeiras e de não gerenciarem adequadamente o orçamento financeiro. Quanto ao fato de indivíduos com dependentes serem mais propensos à dívida, Wang et al. (2011) apontam que a presença de um membro adicional no agregado familiar contribui para a presença de mais compromissos financeiros e, por consequência, para a maior necessidade de recursos, os quais são obtidos, em muitas ocasiões, por intermédio do cartão de crédito. Para Davies e Lea (1995), indivíduos de baixa renda costumam endividar-se mais no cartão de crédito devido à necessidade de mais recursos financeiros para saldar compromissos ou, ainda, pelo fato de o aumento de renda não ser suficiente para acompanhar o aumento das despesas, fazendo com que continuem dispostos a usar o crédito rotativo para atender às demandas. Por fim, quanto ao fato de indivíduos com maior quantidade de cartões e maior limite de crédito serem mais propensos a contrair dívidas, Kim e DeVaney (2001) ressaltam que a disponibilização de maior quantidade de recursos de crédito influencia os consumidores a emprestar/gastar mais dinheiro, elevando o valor da dívida.

Dando seguimento às análises, realizou-se a validação individual dos construtos. Para essa etapa foi realizada a AFC, os relacionamentos entre as variáveis observadas e seus construtos foram estimados pelo método da máxima verossimilhança. Depois de realizados todos os procedimentos cabíveis à etapa de validação, confirmou-se o ajuste de todos os construtos inicialmente propostos, com exceção do construto valores do dinheiro, uma vez que os coeficientes padronizados das variáveis mostraram-se significativos, a estatística qui-quadrado mostrou-se não significativa e foram confirmados os pressupostos de:

  • validade convergente, dado que os índices CFI, GFI, NFI e TLI foram superiores a 0,95 e os índices RMR e RMSEA foram inferiores a 0,05 e 0,08, respectivamente;

  • confiabilidade, tendo em vista que o alfa de Cronbach e a variância média extraída foram superiores ao valor mínimo de 0,6 e 0,5, respectivamente;

  • unidimensionalidade, dado que o valor de todos os resíduos padronizados foi inferior a 2,58 (p < 0,05).

Por não ter se mostrado ajustado, o construto valores do dinheiro foi retirado do modelo integrado.

Depois de realizado o processo de validação individual dos construtos, partiu-se para a construção e a avaliação do modelo integrado, o qual agrega tanto o modelo de mensuração quanto o modelo estrutural. Nesta etapa, teve-se por objetivo avaliar a estrutura teórica das hipóteses, isto é, as relações entre os construtos e as variáveis propostas no modelo. A avaliação da estrutura teórica foi feita a partir da análise da significância estatística dos coeficientes de regressão estimados e dos índices de ajuste do modelo.

A partir da análise do protótipo inicialmente proposto, verificou-se que algumas das relações estabelecidas mostraram-se não significativas e alguns índices de ajuste apresentaram-se insatisfatórios, exigindo alterações, as quais foram realizadas com base no relatório de modificações sugeridas pelo software Amos. Primeiramente, foram inseridas novas relações entre os construtos para, na sequência, serem incluídas correlações entre os erros das questões. A realização de todas essas modificações possibilitou a validação do modelo integrado, cujos resultados estão expostos na Figura 2 e nas Tabelas 1 e 2.

Figura 2 Resultado Final do Modelo Integrado 

Tabela 1 Índices de Ajuste Finais do Modelo Integrado 

Índice Valor Índice Valor Índice Valor
Qui-quadrado 1.043,04 GFI 0,961 TLI 0,953
Graus de liberdade 350 CFI 0,959 RMR 0,045
Significância 0,000 NFI 0,940 RMSEA 0,033

Tabela 2 Coeficientes Padronizados e Significância das Relações do Modelo Final 

Relação entre os Construtos Coeficientes Padronizados Z Sig
Comportamento financeiro < — Conhecimento financeiro 0,146 6,023 ***
Comportamento financeiro < — Atitude financeira 0,224 7,680 ***
Materialismo < — Comportamento financeiro -0,134 -4,894 ***
Compras compulsivas < — Materialismo 0,506 16,018 ***
Compras compulsivas < — Comportamento financeiro -0,210 -7,163 ***
Compras compulsivas < — Atitude financeira -0,165 -5,716 ***
Comportamento de uso do cartão de crédito < — Conhecimento financeiro 0,125 5,086 ***
Comportamento de uso do cartão de crédito < — Atitude financeira 0,180 6,288 ***
Comportamento de uso do cartão de crédito < — Compras compulsivas -0,084 -2,686 **
Comportamento de uso do cartão de crédito < — Comportamento financeiro 0,128 4,331 ***
Dívida no cartão de crédito < — Comportamento de uso do cartão de crédito -0,179 -6,967 ***
Dívida no cartão de crédito < — Atitude financeira -0,095 -3,781 ***
Dívida no cartão de crédito < — Comportamento financeiro -0,087 -3,368 ***
Dívida no cartão de crédito < — Compras compulsivas 0,267 8,596 ***
Emoções < — Dívida no cartão de crédito -0,084 -2,913 **
Emoções <& — Compras compulsivas 0,168 5,057 ***
Bem-estar financeiro < — Comportamento financeiro 0,274 7,268 ***
Bem-estar financeiro < — Dívida no cartão de crédito -0,255 -7,167 ***
Bem-estar financeiro < — Emoções -0,069 -2,084 **

Notas:

**significativo a 5%;

***significativo a 1%.

Pela avaliação da Tabela 1, percebe-se que todos os índices de ajuste ficaram dentro do limite considerado ideal e a estatística qui-quadrado, apesar de ter se mantido significativa (p=0,000), apresentou razão χ2/graus de liberdade inferior a 3 (1.043,04/350 = 2,98), valor considerado aceitável (Hair et al., 2009), confirmando o ajuste do modelo.

Das 19 hipóteses inicialmente estabelecidas, seis foram rejeitadas (atitude financeira – conhecimento financeiro; dívida no cartão de crédito – conhecimento financeiro; comportamento de uso do cartão de crédito – materialismo; dívida no cartão de crédito – materialismo; compras compulsivas – valor do dinheiro; materialismo – valor do dinheiro) por não apresentarem coeficientes estatisticamente significativos a um nível de 5%.

A aceitação das hipóteses H1 e H2 confirma a influência positiva exercida pelo conhecimento financeiro e pela atitude financeira sobre o comportamento financeiro. Em outras palavras, o conhecimento e as atitudes financeiras, positivas ou negativas, desenvolvidos em relação a determinadas práticas financeiras influem no comportamento que o sujeito terá quando exposto a situações similares (Robb & Sharpe, 2009). Segundo Xiao et al. (2011), o conhecimento financeiro influencia positivamente o comportamento de crédito, principalmente quando esse conhecimento é internalizado e incorporado por meio de atitudes financeiras positivas e desenvolvimento de um maior senso de controle. Analisando a relação dos construtos comportamento de uso do cartão de crédito – conhecimento financeiro, comportamento de uso do cartão de crédito – atitude financeira, e comportamento de uso do cartão de crédito – comportamento financeiro, constatou-se que todas se mostraram significativas e positivas, validando as hipóteses H4, H6 e H8 e confirmando a importância da alfabetização financeira para a gestão adequada do crédito. Para Xiao et al. (2011), quanto maior for o conhecimento e melhor a atitude e o comportamento ante o uso do cartão de crédito, melhores serão as escolhas e as ações de utilização do cartão.

A significância e os sinais negativos dos coeficientes das hipóteses H7 e H9 confirmaram que a presença de atitudes e comportamentos financeiros saudáveis diminui a propensão de o indivíduo incorrer em dívidas no cartão de crédito. Esses resultados estão em linha com a ideia de que a manutenção de boas atitudes e bons comportamentos proveem as ferramentas básicas para a gestão eficaz e responsável do crédito (Mendes-da-Silva et al., 2012). Apesar de a relação entre os construtos dívida no cartão de crédito e conhecimento financeiro não ter se perpetuado, levando à rejeição da hipótese H5, constatou-se uma relação indireta entre os construtos, uma vez que o conhecimento impacta o comportamento de uso do cartão de crédito e este, por sua vez, impacta o construto dívida. Nessa perspectiva, Joo, Grable e Bagwell (2003) ratificam a necessidade de os indivíduos serem educados formalmente acerca dos riscos e consequências da má gestão do cartão de crédito de modo que consigam melhorar sua habilidade na tomada de decisões financeiras conscientes.

A aceitação da hipótese H12 confirma a existência de uma relação positiva entre os construtos compras compulsivas e materialismo, o último explicando 51% da variância do primeiro. É por meio dessa influência sobre o construto compras compulsivas que o materialismo exerce um efeito indireto sobre os construtos comportamento de uso do cartão de crédito e dívida. Para Garðarsdóttir e Dittmar (2012), há um consenso quanto às implicações do materialismo sobre a força e o crescimento da economia em um contexto macroeconômico e sobre o comportamento financeiro dos indivíduos em um contexto microeconômico. Para satisfazer o forte desejo de aquisição de bens, os indivíduos materialistas assumem comportamentos de consumo compulsivos, o que os leva a comportamentos financeiros mais favoráveis ao gasto e à dívida (Xiao et al., 2011).

As próximas hipóteses, H13 e H14, que avaliaram a relação entre comportamento de uso do cartão de crédito – compras compulsivas, e dívida no cartão de crédito – compras compulsivas, foram confirmadas a um nível de significância de 5% e 1%, nessa ordem. O sinal negativo vigente na primeira relação revela que indivíduos com comportamento de consumo compulsivo tendem a ser menos responsáveis na hora de utilizar o cartão de crédito. Por outro lado, o sinal positivo da segunda relação mostra que a presença de comportamentos de compra compulsiva leva o indivíduo a incorrer mais fortemente na dívida. Segundo Roberts (1998), não é de estranhar que os compradores compulsivos sejam mais propensos a gastar mais e a apresentar algum tipo de dívida, uma vez que buscam lidar com a baixa autoestima e o humor negativo por meio da realização de compras. A associação significativa e negativa encontrada entre os construtos comportamento de uso do cartão de crédito e dívida no cartão de crédito (β= - 0,179 p=0,000) valida a hipótese H17 e confirma a tese defendida pela literatura especializada de que bons comportamentos de gestão do crédito diminuem a probabilidade de o indivíduo tornar-se endividado. Para Robb e Pinto (2010), indivíduos detentores de bons comportamentos de crédito são mais propensos a gerenciar adequadamente o uso do cartão, não utilizando, por exemplo, o crédito rotativo. Por fim, a confirmação das hipóteses H18 e H19 revela a presença de relações negativas entre os construtos bem-estar financeiro – dívida no cartão de crédito, e emoções – dívida no cartão de crédito. Circunstâncias financeiras, como a má gestão do cartão de crédito e/ou a acumulação de dívidas no cartão, conforme Norvilitis et al. (2006), têm um efeito negativo sobre o bem-estar e a satisfação dos indivíduos.

Estendendo a análise para as relações inseridas no modelo, verificou-se a existência de relações positivas entre os construtos emoções – compras compulsivas, e bem-estar financeiro – comportamento financeiro. Quanto à primeira, Roberts (1998) acredita que a realização de compras em caráter compulsivo conduza o indivíduo a graves problemas financeiros, os quais contribuem para o estresse e a presença de emoções negativas. Em relação à segunda, Norvilitis e MacLean (2010) afirmam que indivíduos com fortes intenções para realizar comportamentos financeiros positivos tendem a apresentar maiores níveis de satisfação financeira e menor probabilidade de incorrer em dívidas. Também foram incluídas e validadas as relações negativas entre os construtos compras compulsivas – comportamento financeiro, materialismo – comportamento financeiro, e compras compulsivas – atitude financeira, confirmando a tese de que a presença de atitudes e comportamentos financeiros saudáveis diminui a probabilidade de o indivíduo adotar comportamentos materialistas. A adoção de práticas de gerenciamento financeiro é recomendada por especialistas como um caminho para evitar os gastos excessivos (Roberts, 1998). A última associação confirmada foi a relação negativa entre os construtos bem-estar financeiro – emoções. Como no estudo avaliou-se a presença de emoções negativas, justifica-se a existência de ligação negativa entre os construtos, uma vez que, quanto mais emoções negativas o indivíduo vivenciar em virtude de dificuldades financeiras, menor será seu nível de bem-estar financeiro.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No trabalho, o propósito central foi desenvolver e validar um modelo para mensuração da dívida pessoal no cartão de crédito. Com base na literatura consultada e na técnica de modelagem de equações estruturais, mensurou-se a relação da dívida no cartão de crédito com os fatores comportamentais investigados sendo levantadas 19 hipóteses, das quais oito envolveram diretamente o construto dívida. Em termos de resultados, confirmou-se a robustez do modelo integral, na medida em que todos os índices de ajuste atingiram os níveis recomendados pela literatura e os coeficientes padronizados mostraram-se significativos, validando as relações estabelecidas. Tendo em mente as relações causais, verificou-se a validação de 13 das 19 hipóteses inicialmente propostas. Do total de hipóteses confirmadas, seis relacionam diretamente o construto dívida aos fatores comportamentais.

Nessa perspectiva, notou-se que a dívida no cartão de crédito pode ser influenciada por fatores comportamentais como o comportamento financeiro, a atitude financeira, o comportamento de uso do cartão de crédito, as compras compulsivas, o materialismo e o conhecimento financeiro, estes dois últimos de forma indireta. As pessoas detentoras de atitudes e comportamentos de gestão orçamentária, creditícia e de gestão do investimento satisfatórios, ou seja, pessoas financeiramente alfabetizadas tendem a melhor controlar e gerenciar suas finanças, evitando incorrer em dívidas. Tal conclusão traz sérias implicações, pois ratifica a necessidade de desenvolvimento de programas de educação financeira que consigam, por meio de um esforço sistemático, melhorar o conhecimento financeiro dos indivíduos e, principalmente, suas habilidades financeiras de modo que possam tomar decisões informadas e usar os serviços financeiros de forma responsável.

Num cenário de níveis exorbitantes de consumo e de estímulo ao uso do crédito, destacam-se o comportamento mantido na hora de utilizar o cartão de crédito e o comportamento de consumo compulsivo. Aqueles indivíduos que sabem aproveitar os benefícios do cartão de crédito e sabem, igualmente, utilizá-lo de forma responsável e equilibrada, não extrapolando os limites do orçamento, são menos predispostos a se endividarem. De forma similar, aqueles com bons comportamentos de compra, isto é, aqueles que não consideram central para sua vida a aquisição e a posse de bens materiais, tendem a apresentar menores níveis de dívida no cartão de crédito. Considerando-se as consequências da dívida, no estudo comprovou-se sua influência sobre o bem-estar financeiro e sobre as emoções. Dessa forma, pessoas endividadas sentem-se menos satisfeitas com sua situação financeira presente e menos confiantes em uma situação financeira futura confortável. Além disso, a presença de dívidas acarreta sensações de tristeza, ansiedade, nervosismo, podendo, inclusive, afetar as relações sociais, profissionais e familiares dos endividados.

Antes de discutir as contribuições e implicações do estudo, algumas limitações devem ser mencionadas. Em termos metodológicos, alerta-se sobre a não generalização da amostra, a qual, apesar de heterogênea e representativa de diferentes culturas, precisa ser ampliada, a fim de fornecer resultados mais completos e densos. Quanto à técnica de coleta de dados, a pesquisa survey baseada em um questionário estruturado, apesar das vantagens, como possibilitar a investigação de grande número de pessoas, abre brecha para a omissão de dados e o preenchimento de informações inverídicas, que ocasionam desvios no resultado e diminuem a credibilidade da pesquisa.

Apesar dos problemas ressaltados, os resultados obtidos confirmam as conjecturas defendidas pela teoria das finanças comportamentais. Um dos trabalhos seminais nesse campo de estudo foi desenvolvido por Kahneman e Tversky (1979), que identificaram diversas situações nas quais os agentes são afetados por vícios emocionais e fatores cognitivos e tendem a utilizar atalhos mentais para simplificar o processo decisório. Tais situações acabam por colocar em xeque alguns dos principais axiomas que sustentam a teoria da racionalidade plena do decisor. Assim, no presente trabalho, também se demonstrou que o processo de tomada de decisões financeiras não é plenamente racional, sendo influenciado por questões comportamentais.

Como uma das principais contribuições, destaca-se o desenvolvimento de um modelo de mensuração das causas e consequências da dívida no cartão de crédito. O reconhecimento das variáveis associadas à dívida pode ajudar na construção de modelos de concessão de crédito mais robustos e, por consequência, contribuir para a prevenção e redução dos níveis de endividamento.

Para trabalhos futuros, sugere-se que o assunto seja explorado em pesquisas de caráter longitudinal, necessárias para acompanhar mais de perto o nível de utilização e endividamento no cartão de crédito. Temáticas que liguem o estudo a partir de um corte longitudinal e incorporem novas perspectivas devem ser objeto de estudos acadêmicos em face de suas implicações gerenciais. Novos estudos com vistas a compreender a(s) melhor(es) maneira(s) de evitar a sobrecarga de dívidas no cartão de crédito e examinar o efeito de grandes saldos devedores no cartão sobre o consumo e o bem-estar das famílias com dados longitudinais são possibilidades interessantes de pesquisa.

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Recebido: 06 de Setembro de 2014; Aceito: 14 de Janeiro de 2015

Franciele Inês Reis Kunkel, Mestre em Administração no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Maria (CEP 97015-372 – Santa Maria/RS, Brasil). E-mail: francikunkel@hotmail.com Endereço: Universidade Federal de Santa Maria Avenida Roraima, nº. 1000, Prédio 74 C, Sala 4212 Cidade Universitária – CCSH – UFSM 97105-900 – Santa Maria – RS

Kelmara Mendes Vieira, Doutora em Administração pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é Professora Adjunta do Departamento de Ciências Administrativas da Universidade Federal de Santa Maria (CEP 97015-372 – Santa Maria/RS, Brasil). E-mail: kelmara@terra.com.br

Ani Caroline Grigion Potrich, Doutoranda em Administração no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Maria (CEP 97015-372 – Santa Maria/RS, Brasil). E-mail: anipotrich@gmail.com

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