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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234On-line version ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.32 no.1 São Paulo Apr. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62341998000100007 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

O ensino da administração em enfermagem: percepção diante da vivência profissional*

 

Teaching nursing administration: the nurse's comprehension

 

 

Raquel Rapone Gaidzinski; Maria Madalena Januário Leite; Regina Toshie Takahashi

Enfermeira-Professor Doutor do Departamento de Orientação Profissional da EEUSP

 

 


RESUMO

Este estudo teve por objetivo desvelar a compreensão de um grupo de enfermeiras egressas da Escola de Enfermagem da USP, quanto disciplina Administração aplicada à Enfermagem ministrada no Curso de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Para tanto buscou-se como trajetória metodológica a fenomenologia, tendo MARTINS;BICUDO como autores básicos e eixo principal da pesquisa. Guiadas por este referencial, realizou-se o estudo junto a oito enfermeiras, fazendo a descrição e a compreensão dos seus discursos e buscando trazer o significado que foi percebido do fenômeno estudado. Da análise fenomenológica dos relatos das enfermeiras emergiram possibilidades e limites do ensino da referida disciplina.

Unitermos: Administração em enfermagem. Ensino em enfermagem. Ensino em administração em enfermagem.


ABSTRACT

The purpose of this study was to disclose the nurses comprehension about the Nursing Administration discipline taught in the Nursing graduation course of the Nursing School of São Paulo University. We have followed the phenomenology as the methodological way, and MARTINS; BICUDO were taken as the basic authors and main axis of the research. Being guided by this referencial, we have done this study together with eight nurses and we could do a description and comprehension speeches trying to bring out the meaning of what was understood about their phenomenon studied. From the phenomenological analysis of the nurses'reports appeared the possibilities an limits of the teaching of this discipline.

Uniterms: Nursing administation. Teaching nursing. Teaching nursing administration.


 

 

INTRODUÇÃO

O presente trabalho é continuidade do estudo realizado em 1991que objetivou, em um primeiro momento, conhecer a percepção de um grupo de graduandas, em relação à disciplina Administração aplicada à Enfermagem, antes e após o ensino teórico, quando esta disciplina era ministrada no 8º semestre do Curso de Graduação em Enfermagem e Obstetrícia da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (KURCGANT et al, 1994a,b).

O confronto dos discursos emitidos por esse grupo de alunas, nesse primeiro momento, evidenciou que ao chegarem para cursar a disciplina percebiam a administração dentro das abordagens clássica e científica de Taylor e Fayol, enfocando o polo "organização" e não enfocando o polo "trabalhador". As falas revelaram que as estudantes, consideraram a administração aplicada à enfermagem como o exercício da burocracia, associado à ineficiência administrativa.

Nesse primeiro momento, ainda, as alunas entendiam que a função administrativa da enfermeira consistia em conciliar a assistência de enfermagem com a burocracia.

Após a abordagem do bloco teórico, as alunas passaram a compreender a administração, como um instrumento de trabalho que possibilita a prestação da assistência de enfermagem de forma mais aderente à realidade social. Consideraram, também, que essa disciplina lhes forneceu subsídios para compreender as relações de trabalho existentes entre os membros da equipe de enfermagem e não apenas, subsídios para organizar e executar as tarefas.

 Ao término do bloco teórico, modificaram essa percepção, quando relataram que, no exercício da função administrativa a enfermeira assume a responsabilidade pelas propostas de desenvolvimento de pessoal e pela melhoria da qualidade de assistência de enfermagem prestada.

Algumas alunas, entretanto, referiram-se à enfermeira como um elemento de controle e de comando frente à equipe de enfermagem

LEITE (1994) considera que as dúvidas das alunas em relação ao significado da função administrativa, ativem da dificuldade em relacioná-la com a função assistencial. Esta é enfatizada durante a formação no Curso de Graduação, onde o cuidado individualizado é valorizado. É no último  ano, no decorrer do estágio da disciplina de Administração, que as discentes têm a oportunidade de perceber que as atividades desenvolvidas pelas enfermeiras estão voltadas para a administração e não só para a assistência do paciente.

Essa dicotomia, também, é abordada por ALMEIDA; ROCHA (1989) quando referem que as "teorias de enfermagem assumem como objeto de trabalho o cuidado de enfermagem e isso fragmenta o conhecimento e promove um viés da compreensão do mesmo, uma vez que o cuidado direto é o próprio trabalho, isto é, a ação planejada e executada sobre o objeto-clientela. Portanto o cuidado não pode ser objeto mas, a finalidade de trabalho".

Assim, o discurso das alunas, expresso naquela ocasião, reitera a fala de TREVIZAN (1988), quando  considera que "o exercício da função administrativa pela enfermeira em nosso país é uma questão mesclada por dúvidas, desentendimentos e incompreensões, gerando polêmicas. E estas polêmicas são reforçadas, devido à dicotomia entre o que se espera da enfermeira, na visão dos teóricos de enfermagem, e o que se verifica ser a atuação cotidiana nas instituições de saúde".

Como bem ressaltam ROSA et al ( 1989) “já não há como se fugir ao fato de que a enfermagem lida com pelo menos dois objetos distintos: os corpos dos indivíduos e a organização da assistência”. Dessa forma,-o corpo dos indivíduos é o objeto de trabalho que não pertence exclusivamente à enfermeira pois, ele já se revela um objeto de trabalho de outros profissionais como o médico, bioquímico, nutricionista, assistente social, fisioterapeuta e outros. O que difere na relação desses profissionais com os pacientes são os instrumentos utilizados.

Por outro lado, esses autores relatam que, o mesmo não ocorre quanto ao objeto organização da assistência, que é transformado, exclusivamente pela enfermeira no processo de trabalho. O que ocorre é que a organização do trabalho da equipe de enfermagem continua a ser centrada na tarefa, distribuída de forma acrítica e doméstica, baseada no bom senso para resolução dos problemas e com o objetivo de atender às necessidades do grupo médico, relegando ao plano secundário a concretização da especificidade do seu próprio objeto de trabalho.

Segundo LEITE (1994), esse modelo de “ser enfermeira”, que desenvolve predominantemente a função administrativa no referencial funcionalista burocrático, pode explicar porque as alunas ao término da disciplina, revelam-se insatisfeitas e confusas quanto a forma como tem sido desenvolvida  função administrativa, tendo dificuldade em visualizar essa função integrada à assistência direta ou mesmo como atividade complementar no trabalho da enfermeira.

Assim, embora os conteúdos ministrados tenham buscado inserir a compreensão da função administrativa como instrumento de mudança da  prática da enfermagem, as falas das alunas mostraram, ao contrário, que elas acabam aceitando passivamente que a enfermeira desenvolva suas atividades em uma visão funcionalista; centrada na tarefa, no controle, na disciplina, na ordem e na hierarquia como premissas básicas na gerência de enfermagem. O que se concluiu da análise do discurso das alunas no final da disciplina é que elas, mesmo questionando, aceitam esse modo de ser enfermeira.

Diante desses resultados optamos por realizar um segundo momento de pesquisa com o objetivo de conhecer como as egressas, da Escola de Enfermagem da USP (EEUSP) , percebem a influência da disciplina Administração aplicada à enfermagem; como compreendem a função administrativa e o objeto de trabalho da enfermeira no cotidiano da prática profissional.

 

TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

O referencial teórico-metodológico de compreensão e análise

Tendo em vista que o fenômeno, objeto da pesquisa, está inserido no contexto das vivências individuais das enfermeiras que praticam a enfermagem, este pode ser apreendido a partir da descrição da experiência dessas enfermeiras.

Assim, optou-se por um método de pesquisa qualitativa, na modalidade de estrutura do fenômeno situado ou análise fenomenológica, segundo o referencial de MARTINS; BICUDO (1989), uma vez que o estudo, assim encaminhado, possibilita o desvelamento dos atributos ocultos quando da interrogação do fenômeno investigado.

Nessa perspectiva, a fenomenologia procura abordar o fenômeno, como aquilo que se manifesta por si mesmo, de modo que não parcializa ou o explica a partir de conceitos prévios, de crenças ou de afirmações sobre o mesmo, enfim de um referencial teórico. Aborda-o diretamente, interrogando-o, tentando descrevê-lo e procurando captar sua essência. Ela se apresenta como uma postura mantida por aquele que indaga, pois o rigor da pesquisa fenomenológica não está em uma teoria, no aceitá-la ou rejeitá-la segundo as leis da probabilidade, mas sim em chegar a um pensar. O rigor que se busca é o rigor epistemiológico. Este rigor se dá ao poder penetrar no discurso dos sujeitos de maneira que este se torne esclarecedor.

A região de inquérito e o fenômeno situado

Conduzir uma pesquisa dentro desta modalidade significa definir um região de inquérito e nessa região interrogar o fenômeno. É necessário situar o fenômeno na região de inquérito onde o sujeito está vivenciando esse fenômeno.

Dessa forma, a região ontológica onde o fenômeno foi inquirido diretamente, constituiu-se por enfermeiras formadas na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, no ano de 1991 e que experienciavam a situação de trabalho em enfermagem, desde formadas, em instituições hospitalares públicas e particulares, escolhidas, intencionalmente, na busca de um universo que possibilitasse a captação do fenômeno em diferentes realidades.

O número de enfermeiras,independentemente, do cargo ou função exercida, bem como o número de instituições hospitalares não foram definidas a priori, pois segundo a metodologia adotada, a análise das descrições foi sendo processada até que ocorresse a invariância do fenômeno estudado. Assim, considerou-se que, a partir do momento que houvesse a repetitividade nos discursos, as descrições seriam suficientes para levar ao desocultamento do fenômeno.

A obtenção das descrições

MARTINS; BICUDO (1989) consideram que sempre que se desejar desocultar a visão que uma pessoa tem sobre determinada situação, é preciso que se lance mão do recurso que a entrevista fornece, e apontam esta técnica como a melhor possibilidade de obter dados relevantes sobre o mundo-vida do sujeito.

Assim, seguindo essa orientação, inicialmente, foi explicado às enfermeiras, sujeitos do estudo, a finalidade da pesquisa, obtendo o consentimento e garantindo-lhes o anonimato sobre sua participação.

As entrevistas foram realizadas pelas pesquisadoras com o auxíllio do gravador e transcritas integralmente.

Procurou-se desenvolver um questionamento não preconceituoso, livre de juízo de valor, apresentando tópicos relevantes e significativos à captação do fenômeno, de forma não restritiva, ou seja, com perguntas abertas que orientassem o pensamento e a descrição pelas enfermeiras, deixando-as falar livremente, não sendo estabelecido tempo de duração.

Dessa forma, foram coletados oito discursos segundo as seguintes perguntas orientadoras:

"Como você percebe a disciplina Administração aplicada à enfermagem, ministrada no curso de graduação, no cotidiano da sua prática?"

"Como você compreende a função administrativa da enfermeira?"

"Para você qual o objeto de trabalho da enfermeira?"

O momento da análise

Para análise do conteúdo das entrevistas seguiu-se momentos metodológicos definidos por MARTINS;BICUDO (1989): o sentido do todo, a discriminação das unidades de significado, as transformações das expressões do sujeito em uma linguagem psicológica e a síntese das unidades de significado transformadas em proposição.

Inicialmente, as entre vistas foram enumeradas de I a VIII, lidas por inteiro, atenta e criteriosamente, com a finalidade de apreender o sentido global, mas ainda sem interpretar ou identificar os atributos nelas contidos.

Em leituras posteriores buscou-se, nas descrições de cada discurso, a presença evidente, da essencialidade. Dessa forma, as unidades de significados foram identificadas, postas em destaque em negrito e uma a uma numeradas.

Em seguida, buscou-se identificar e agrupar as unidades de significado de cada discurso que apresentavam um tema comum. Desse agrupamento evidenciaram-se três temas ou categorias, que pelo seu conteúdo, foram assim denominadas: percepção da disciplina na prática profissional, compreensão da função administrativa e objeto de trabalho da enfermeira.

Seguindo-se a trajetória fenomenológica, o último passo constituiu-se em uma síntese que integrou as idéias gerais desveladas através de uma descrição consistente da estrutura situada do fenômeno.

A construção dos resultados

Inicialmente, procedeu-se à análise individual de cada discurso, através da análise ideográfica e a passagem do individual para o geral, através da análise nomotética, para assim desvelar-se a estrutura geral do fenômeno.

Para exemplificar, colocou-se, em anexo, a descrição de uma das entrevistas e sua respectiva análise ideográfica.

Cada entrevista foi integralmente descrita, as unidades de significado foram ressaltadas em negrito nas descrições e numeradas seqüencialmente (ANEXO I).

Procedida a análise ideográfica dos oito discursos (ANEXO II), realizou-se a análise nomotética, aqui entendida como a análise da totalidade dos discursos. Os dados relacionados entre si formaram um campo específico de pontos revelados nas convergências e divergências das unidades de significado interpretadas, obtidas pelas análises ideográficas dos oito discursos. O procedimento da análise nomotética deu-se pelo agrupamento das unidades de significado interpretadas dentro de seu respectivo tema; pela análise das convergências e divergências das unidades de significado interpretadas por tema; pela elaboração do quadro nomotético(ANEXO III); e pela síntese dos resultados.

 

SÍNTESE

A análise dos discursos, desse grupo de enfermeiras egressas da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), buscou compreender como elas percebem a administração em enfermagem na vivência profissional.

Assim, partindo-se dos relatos desse grupo de enfermeiras em relação a percepção da disciplina Administração aplicada à Enfermagem na prática profissional, fica evidenciado o reconhecimento da importância, da dimensão e profundidade desse ensino. Em decorrência disso, consideram que o preparo e a segurança e permite o desenvolvimento de uma atitude reflexiva para enfrentar situações de trabalho, o que as faz sentirem-se diferenciadas em relação às colegas formadas por outras instituições.

O estágio da disciplina, embora considerado como uma aproximação da realidade da atuação profissional, também foi percebido como idealizado porque, fundamentando-se na administração da assistência de enfermagem só encontra maior aderência à realidade do Hospital Universitário da USP como campo de prática.

Também, foi revelado que a atitude de refletir sobre as situações vivenciadas no cotidiano da prática, muitas vezes, tem sido interpretadas, pelos superiores, como prepotência da enfermeira.

Os conteúdos abordados pela disciplina relativos às questões de relacionamento e de desenvolvimento de pessoal no trabalho, ora são referidos como suficientes, ora como necessitando de uma maior abordagem, por ser essa habilidade mais difícil de ser desenvolvida na prática da enfermagem.

A localização da disciplina na grade curricular foi apontada como inadequada, ela deveria estar desde o início, instrumentalizando as demais disciplinas do curso para a formação da identidade profissional pois, possibilitaria que as discentes tivessem a oportunidade de perceber que as atividades desenvolvidas pelas enfermeiras estão voltadas para administração e não só para assistência ao paciente.

No que se refere a compreensão da função administrativa ficou evidenciado que é fundamental, porque assegura a organização do serviço e a coordenação da equipe para que a assistência à clientela se efetive de forma adequada. Evidenciaram, também, que essa função é exercida pela enfermeira independentemente do cargo ocupado.

Para administrar a assistência de enfermagem foi considerado ser necessário que a enfermeira participe e saiba prestar o cuidado. Entretanto, a instituição hospitalar compreende que a função administrativa da enfermeira significa ser repressora, responsável pela ordem e pelo controle do pessoal e dos materiais da unidade.

A função administrativa é também, referida como tendo dois significados: um relacionado à burocracia que tem por objetivo o controle e a manutenção da ordem dos recursos da unidade e, outro relacionado à administração do cuidado de enfermagem. Este último significado foi considerado como único que a enfermeira gostaria de exercer.

A experiência profissional e habilidade pessoal são reveladas como necessárias para que a enfermeira possa exercer a função administrativa pois, significa lidar com pessoas que são intrinsicamente muito diferentes.

A função administrativa foi referida como desgastante e não sendo devidamente reconhecida.

Dessa forma, as falas das enfermeiras apontaram que, enquanto elas enfatizam a administração da assistência, os hospitais exigem que elas cumpram e façam cumprir ordens, as normas e rotinas hospitalares, gerando assim, uma crise na identidade profissional.

Finalmente, em relação ao objeto de trabalho da enfermeira ficou evidenciado que, ainda, continua polêmica a questão entre o administrar" e o "cuidar".

Contudo, as enfermeiras egressas da EEUSP compreendem a função administrativa como um dos objetos de trabalho da enfermeira, entendendo o porquê do afastamento do cuidado direto, o caráter submisso e tarefeiro do seu fazer, o apego à burocracia e a falta de visão crítica em relação ao contexto sócio-político-ecconômico onde sua prática ocorre.

Ouvir essas enfermeiras sobre o próprio vivencial em relação a administração em enfermagem, possibilitou a compreensão de várias facetas do ensino da disciplina Administração aplicada à Enfermagem, como também, a reflexão sobre o modo de ser docente, abrindo um mundo de indagações, inquietações e respostas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, M.C.P. de ; ROCHA, J.C.Y. O saber da enfermagem e sua dimensão prática. 2.ed. São Paulo, Cortez, 1989.         [ Links ]

GAIDZINSILI, R.R. O objeto de trabalho do enfermeiro: expectativas do graduando antes e após cursar o ensino teórico da disciplina administrando aplicada à enfemagem. São Paulo. 1995. 34p. (Relatório final de Pesquisa) - Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo.         [ Links ]

KURCGANT, P. et al. O significado da administração aplicada à enfermagem segundo a opinião de graduandas: parte I. Rev.Esc.Enf.USP, v.28, n.1, p.15-26, 1994a.         [ Links ]

KURCGANT, P. et al. O significado da administração aplicada à enfermagem segundo a opinião de graduandas: parte II. Rev.Esc.Enf.USP., v.28, n.2, p.147-55, 1994b.         [ Links ]

LEITE, M.M.J. O ensino da disciplina administração aplicada à enfermagem: compreensão das graduandas. São Paulo. 1994. 164p. Tese (Doutorado) - Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo        [ Links ]

MARTINS, J.; BICUDO, M.A.V. A pesquisa qualitativa em psicologia: fundamentos e recursos básicos. São Paulo, Moraes/EDUC, 1989.         [ Links ]

ROSA, M.T.L. et al. O desenvolvimento técnico-científico da enfermagem: uma aproximando com instrumentos de trabalho. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM, 41., Florianópolis, 1989. Anais. Florianópolis, Associação Brasileira de Enfermagem, 1989.p.97-127.         [ Links ]

TREVIZAN, M.A. Enfermagem hospitalar: administrando e burocracia. Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1988.         [ Links ]

 

 

* Trabalho apresentado na Sessão Poster no 48º Congresso Brasileiro de Enfermagem, outubro/1996.

 

 

ANEXO I

ENTREVISTA I

Como você percebe a disciplina Administração aplicada à Enfermagem, ministrada no curso de graduação, no cotidiano de sua prática?

Nossa, eu achei ótimo Raquel. Aliás, eu não sei se é porque é a última ou porque, ela dura mais tempo do que as outras disciplinas mas, acho que a gente percebe durante a disciplina mesmo, como você vai se desenvolvendo e como chega no fim do curso, que a gente está super insegura quase acabando o curso, e você sai mais preparada assim para trabalhar.1

E hoje trabalhando, eu lembro, das coisas que a gente fazia e como era.E quando está entrando o pessoal novo no hospital dá vontade de treinar do mesmo jeito que a gente fez na administração, vai passando por todas as pessoas que trabalham para ver qual é a atividade de cada uma. E eu achei ótimo!2

Como você compreende a função administrativa da enfermeira?

Nossa, eu acho que é fundamental! Assim, eu acho por exemplo, eu estou trabalhando em Osasco também, que é um hospital terrível, eu considero milhões de vezes pior que o ..., e não tem enfermeira, e você vê como as coisas degringolam. Se não tem uma enfermeira ali para administrar mesmo o serviço, para administrar o funcionário, administrar tudo, a coisa não anda. Todo mundo faz tudo de qualquer jeito, não é porque o funcionário não sabe, porque tem gente que trabalha ali e trabalha em hospital particular, a conduta deles é completamente diferente de um lugar para o outro sabe! É falta de enfermeira mesmo.3 Uma coisa impressionante!

Para você qual é o objeto de tabalho da enfermeira?

É o paciente. Para melhor atender o paciente a gente tem que ter um monte de outros objetos de atenção. Tudo que a gente faz é para atender melhor o paciente. É o administrar a assistência com certeza. Você fica vendo funcionário, vendo material, fazendo tudo mas, não direto com o paciente.4 As vezes, por exemplo, nunca mais na minha vida eu limpei uni paciente, coloquei comadre, sabe! Isso aí é coisa do tipo, que de vez em quando eu faço. De vez em quando dá vontade! Tem que puncionar a veia eu quero ir, só para treinar um pouquinho.

Não tenho mais aquele contato com o paciente, aquele contato direto. É bem mais administrativo mesmo! Fica lá de suporte, porque toda vez, pode ser a melhor auxiliar que houver, sempre vai ter uma dúvida. É uma coisa impressionante! A administração é voltada para o paciente mesmo.5 Diretamente, fica ali na unidade o tempo inteiro vendo os pacientes e tudo. Não faço outra coisa diferente.

 

ANEXO II

ANÁLISE IDEOGRÁFICA DA ENTREVISTA I

UNIDADES DE SIGNIFICADO

Percepção da disciplina na prática

eu achei ótimo (...) eu não sei se é porque é a última ou porque, ela dura mais tempo do que as outras disciplinas mas, acho que a gente percebe durante a disciplina mesmo, como você vai se desenvolvendo e como chega no fim do curso, que a gente está super insegura quase acabando o curso, e você sai mais preparada para trabalhar.1

E hoje trabalhando, eu lembro, das coisas que a gente fazia e de como era. E quando está entrando o pessoal novo no hospital dá vontade de treinar do mesmo jeito que a gente fez em administração, vai passando por todas as pessoas que trabalham para ver qual é a atividade de cada uma.. E eu achei ótimo!2

Compreensão da função administrativa

eu acho que é fundamental! (...) eu estou trabalhando em Osasco também, que é um hospital público terrível, (...) e não tem enfermeira, e você vê como as coisas degringolam.. Se não tem uma enfermeira ali para administrar mesmo o serviço, para administrar o funcionário, administrar tudo, a coisa não anda. (...). É falta de enfermeira mesmo.3

INTERPRETAÇÃO

Percepção da disciplina na prática

Considera que a disciplina dá preparo e segurança para enfrentar o trabalho. Treina os funcionários novos, utilizando a mesma estratégia da disciplina para inserção do aluno no campo de estágio.(I-1,2)

Compreensão da função administrativa

Percebe como sendo o papel fundamental da enfermeira que assegura a organização do serviço e a coordenação da equipe.(I-3)

Objeto de trabalho da enfermeira

É o paciente. Para melhor atender o paciente a gente tem que ter um monte de outros objetos de atenção. (...)É o administrar a assistência com certeza. Você fica vendo funcionário, vendo material, fazendo de tudo mas, não direto com o paciente.4

Objeto de trabalho da enfermeira

O objeto de trabalho da enfermeira é a administração da assistência de enfermagem.(I-4)

 

ANEXO III

QUADRO NOMOTÉTICO

A elaboração do quadro nomotético facilita a visualização dos resultados encontrados. Nessa perspectiva elaborou-se um quadro nomotético constituído por nove colunas, sendo que a primeira coluna à esquerda contém as idéias gerais desveladas das unidades de significado interpretadas dos oito discursos analisados, agrupadas em seus respectivos temas e as demais colunas contém indicadores da convergência ou da divergência entre as unidades de significado interpretadas dos discursos I a VIII, representados, de maneira simbólica, pelas letras C e D.

 


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