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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.39 no.3 São Paulo Sept. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342005000300001 

EDITORIAL

 

O cuidado com a vida

 

 

Ao refletir sobre o tema que abordaria neste Editorial, duas leituras aparentemente sem relação – Qual o tempo do cuidado? Humanizando os cuidados de Enfermagem(1) e Ser pesquisador, ser editor, ser autor(2) – fizeram com que me reportasse ao nosso dia-a-dia de docentes e pesquisadores em enfermagem. Pensei no quanto corremos para darmos conta de apresentar nossos projetos de pesquisa nos prazos estipulados pelas agências de fomento, para que nossos orientandos concluam suas dissertações e teses no tempo aprazado, para produzirmos o número e a qualidade de artigos com competitividade para serem publicados em periódicos de circulação internacional. Assim, poderia enumerar uma série de outras atividades que têm, no "tempo das batidas do relógio", seu principal gestor. Perguntei-me, também, o que nos levaria a viver o nosso tempo acadêmico pautado por essa lógica de viver o tempo. Estaríamos respondendo a demandas institucionais ou pessoais de competitividade e produtividade? Ou será que a corrida contra o relógio incorporou-se de tal forma ao nosso modo de viver, fazendo-nos perder a capacidade de perceber que, pouco a pouco, fomos desaprendendo a viver aquele tempo o qual, de forma espontânea, no convívio diário, nos aproximava, nos humanizava, dando sentido aos nossos atos, sejam eles de ensinar, pesquisar, cuidar, ou, simplesmente, viver?

O cuidado com a vida está a exigir de nós uma reflexão sobre a condução que temos dado ao tempo que dispomos e sobre as prioridades que temos estabelecido entre as várias coisas que precisamos e desejamos fazer. Urge que aprendamos a conjugar as duas maneiras de viver o tempo – "o que é medido pelas batidas do relógio e o que é medido pelas batidas do coração" - para que, sem descuidar de nossas funções acadêmicas, cuidemos um pouco mais de nós mesmos e de nossas relações com as pessoas que nos cercam. Dessa forma, estaremos humanizando nossas relações e sendo por elas humanizados.

 

Maria Gaby Rivero de Gutiérrez
Prof.ª Adjunto do Departamento de Enfermagem da UNIFESP

 

 

REFERÊNCIAS

(1) Silva MJP (organizador) Qual o tempo do cuidado? Humanizando os cuidados de enfermagem. São Paulo: Centro Universitário São Camilo, Loyola; 2004.        [ Links ]

(2) Piotr T. Ser pesquisador, ser editor, ser autor. [Editorial]. Rev Esc Enferm USP 2005;39(1):7.        [ Links ]