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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.39 no.3 São Paulo Sept. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342005000300015 

RESENHA

 

Sondas nasogástricas e nasoentéricas: como diminuir o desconforto na instalação?

 

Nasogastric and nasoenteric feeding tubes: how may the discomfort during placement be reduced?

 

Sondas nasogástricas y nasoentéricas: cómo disminuir el disconfort en la instalación?

 

 

Adriano Menis Ferreira

Enfermeiro, Mestre em Enfermagem da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Doutorando pelo Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP). a.amr@ig.com.br

Correspondência

 

 

Estima-se que aproximadamente 1 milhão de sondas nasogástricas (NG) e nasoenterais (NE) são instaladas anualmente em adultos e crianças nos Estados Unidos(1). No Brasil não se dispõe de tais dados, mas acredita-se que este procedimento seja comum na maior parte das instituições prestadoras de serviços de assistência à saúde.

No ano de 1999, o Ministério da Saúde (MS), através da Portaria 337 e da Resolução 63 de 2000, normatizou a Terapia Nutricional Enteral e oficializou as atribuições de cada profissional dentro da equipe multiprofissional especializada(2). Em relação as ações de enfermagem, a Resolução 162 do Conselho Federal de Enfermagem publicada em 1993, dispõe sobre a administração da nutrição parenteral e enteral sendo que nesta última cabe ao enfermeiro, dentre outras atribuições, introduzir a sonda, bem como determina a Portaria do MS.

Vários são os procedimentos para instalação de sondas NG e NE. No entanto em um destes passos, ou seja, a introdução da sonda, percebe-se um desconforto por parte dos pacientes, que resulta as vezes em vômitos e até recusa do procedimento. Este fato é confirmado por estudos(3) onde constataram que a inserção de sonda nasogástrica foi o procedimento mais doloroso identificado por pacientes e médicos. A dor referida, na população estudada, foi pior do que a sentida em drenagem de abscesso, redução de fratura e cateterização uretral.

Comumente utiliza-se anestésico em forma de gel para facilitar a introdução de sondas, no entanto quando se trata de sondas NG e NE o único objetivo é facilitar o deslizamento da sonda pela narina, uma vez que o anestésico é passado ao redor da sonda no momento da introdução e não previamente na narina, sendo assim, insuficiente o tempo de contato para que haja anestesia local. Desta forma fica evidente que o desconforto ocorrerá.

Para diminuir o desconforto e trauma na inserção de sondas NG e NE outras alternativas são propostas e implementadas. A inalação de lidocaína por meio de nebulização, spray e respiração intermitente com pressão positiva através de nebulização pela boca, tem demonstrado redução significativa da dor associada a instalação de sonda nasogástrica(4).

Em 2004l(4) randomizou-se 50 pacientes adultos em dois grupos iguais que necessitavam de sondas NG em duas unidade de emergência. O grupo experimental (N=29) recebeu 4 ml de lidocaína 10% (400mg de lidocaína) introduzido pelo nariz e faringe por meio de uma máscara de nebulização com fluxo de oxigênio de 6L/min. Os pacientes foram orientados a respirarem pela boca e nariz durante a nebulização. O grupo placebo (N=21) recebeu nebulização de solução salina. Vasoconstritores não foram usados. As enfermeiras da unidade instalaram sondas nasogástricas número 18F (5,94mm) usando gel lubrificante a base de água. O desconforto dos pacientes foi mensurado através de uma escala visual analógica de 100mm onde em uma extremidade havia a marca de nenhum desconforto e na outra extremidade desconforto máximo que os mesmos sentiram durante o procedimento, sendo a dificuldade de inserção da sonda avaliada pelas enfermeiras usando escala tipo Likert de 5 pontos, caracterizando a dificuldade em mínima, leve (menos difícil do que o usual), moderada (dificuldade habitual), substancial (maior dificuldade do que o habitual) e extrema. Houve uma diferença clínica e estatisticamente significante no desconforto dos pacientes associado com a passagem da sonda nasogástrica entre o grupo experimental e placebo (média do escore da escala 37.7 x 59.3 mm, respectivamente; 95% de intervalo de confiança). Não houve diferença na dificuldade da instalação da sonda entre os dois grupos. No entanto, epistaxe ocorreu mais freqüentemente no grupo experimental (17% versus 0%, 95 CI).

Este estudo mostrou, dentre outros citados pelos autores, que a lidocaína nebulizada para o nariz e faringe por meio de nebulização diminuí o desconforto decorrente da inserção de sonda nasogástrica e deve ser considerado antes de implementar o procedimento(4). Se a incidência de epistaxe no grupo experimental é causada pela lesão na mucosa anestesiada, e nesse caso, se isso pode ser reduzido com vasoconstrictores, permanece sem resposta e requer pesquisas afim de obte-las.

 

REFERÊNCIAS

(1) Ellett MLC. What is known about methods of correctly placing gastric tubes in adults and children. Gastroenterol Nurs 2004; 27(6):253-9.

(2) Unamuno MRDL, Marchini JS. Sonda nasogástrica/nasoentérica: cuidados na instalação, na administração da dieta e prevenção de complicações. Medicina (Ribeirão Preto) 2002; 35(1):95-101.

(3) Singer AJ, Richman PB, Kowalska A, Thode HC Jr. Comparison of patient and practitioner assessments of pain from commonly perfomed emergency department procedures. Ann Emerg Med 1999; 33(6):652-8.

(4) Cullen L, Taylor D, Taylor S, Chu K. Nebulized lidocaine decreases the discomfort of nasogastric tube insertion: a randomized, double-blind trial. Ann Emerg Med 2004; 44(2):131-7.

 

 

Correspondência:
Adriano Menis Ferreira
Rua Prof. Enjolrras Vampre, 240 - Ap. 22
São Manoel
CEP -15091-290 - ??

Recebido: 30/05/2005