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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234On-line version ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.42 no.2 São Paulo June 2008

https://doi.org/10.1590/S0080-62342008000200025 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Uso do brinquedo no hospital: o que os enfermeiros brasileirosestão estudando?

 

Use of toys in hospitals: what are brazilian nurses studying?

 

Uso del juguete en el hospital: ¿qué están estudiando los enfermeros brasileños?

 

 

Tânia Maria Coelho LeiteI; Antonieta Keiko Kakuda ShimoII

IMestre em enfermagem, enfermeira-docente do Depto. de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil. tania@fcm.unicamp.br
IIProfessora Doutora do Depto. de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil. akkshimo@fcm.unicamp.br.

Correspondência

 

 


RESUMO

O cuidado às necessidades emocionais de crianças hospitalizadas vem merecendo atenção dos profissionais de enfermagem em nosso país, embora ainda não de modo generalizado. A possibilidade de brincar sabidamente atenua o sofrimento, especialmente na infância, justificando-se a importância deste tema. Assim, este trabalho teve como objetivo analisar a produção acadêmica dos enfermeiros brasileiros sobre o uso do brinquedo na atenção à criança em cuidado hospitalar, nos programas de pós-graduação stricto sensu. O levantamento foi feito no Portal CAPES, CEPEn, IBICT e consulta às referências dos trabalhos. Das quinze teses/dissertações encontradas na literatura pode-se encontrar catorze, que foram analisadas e constituem o corpus do presente estudo. O brinquedo foi mais utilizado no pré e pós-operatório, por enfermeiros docentes, com crianças pré-escolares e escolares, pais e enfermeiros. Os trabalhos analisados reforçam os resultados positivos desta prática. Recomendamos que as enfermeiras pediatras utilizem o brinquedo em todas as instituições onde a criança necessite de cuidado.

Descritores: Jogos e brinquedos. Enfermagem pediátrica. Criança hospitalizada. Recreação.


ABSTRACT

Care for the emotional needs of hospitalized children has had the attention of nursing professionals in Brazil, although not as a general rule. The chance to play is known as a relief from suffering, especially in childhood, which justifies the importance of this theme. This study had the objective of analyzing Brazilian nurses#&39; academic production on the use of toys during the attention to children in hospitals in strictu sensu Graduate programs. Data were taken from Portal CAPES, CEPEn, IBICT and papers#&39; references. Of the 15 theses/dissertations found in the literature only 14 are available; they were analyzed and comprise the corpus of this study. It was found that toys have been used mostly in pre and post-surgery, by Nursing professors, with preschool and school age children, parents and nurses. All of the works reinforce the positive results of toys#&39; use. We recommend to pediatric nurses the use of toys in all institutions where children need care.

Key words: Play and playthings. Pediatric nursing. Child, hospitalized. Recreation.


RESUMEN

El cuidado de las necesidades emocionales de niños hospitalizados viene mereciendo atención de los profesionales de enfermería en nuestro país, aunque todavía no de modo generalizado. La posibilidad de jugar con conocimiento atenúa el sufrimiento, especialmente en la infancia, justificándose la importancia de este tema. Así, en este trabajo se tuvo como objetivo analizar la producción académica de los enfermeros brasileños sobre el uso del jugue-te en la atención del niño en cuidado hospitalario, en los programas de post-grado stricto sensu. La recolección de los datos fue realizado en el Portal CAPES, CEPEn, IBICT y a través de consulta a las referencias de los trabajos. De las quince tesis de Maestría/tesis de Doctorado encontradas en la literatura, se puede encontrar catorce que fueron analizadas y constituyen el corpus del presente estudio. El juguete fue más utilizado en el pre y post-operatorio, por enfermeros docentes, con niños pre-escolares y escolares, padres y enfermeros. Los trabajos analizados refuerzan los resultados positivos de esta práctica. Recomendamos que las enfermeras pediátricas utilicen el juguete en todas las instituciones donde el niño necesite cuidado.

Descriptores: Juego e implementos de juego. Enfermería pediátrica. Niño hospitalizado. Recreación.


 

 

INTRODUÇÃO

O profissional da enfermagem freqüentemente tem centrado seu foco de ação na recuperação física do cliente, não valorizando adequadamente sinais como apatia, irritabilidade, lamentos, gestos e choro demonstrados pelas crianças os quais, no contexto da hospitalização, são indicativos da necessidade de acolhimento e segurança. Entretanto, a literatura científica tem mostrado que os enfermeiros estão se preocupando mais com fatores emocionais das crianças diante da hospitalização(1-2), podendo-se observar o enfermeiro preocupado em desenvolver atividades de orientação, promoção e recuperação da saúde com crianças internadas, através do lúdico.

O surgimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990, bem como as mudanças curriculares ocorridas nos cursos de graduação em enfermagem na última década e, recentemente, uma resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEn), apontam para uma valorização desses aspectos pelos enfermeiros pediatras(3-4).

Nota-se que estes profissionais estão preocupados em minimizar os efeitos nocivos que a hospitalização produz na criança. Uma dissertação de mestrado, classifica a hospitalização como uma doença a mais à qual ela é submetida(5). Nesse contexto, os enfermeiros tentam encontrar formas de amenizar o sofrimento das crianças e, uma das maneiras encontradas, é o uso do brinquedo no hospital. O brinquedo beneficia não apenas a criança, ajudando-a no entendimento do que está acontecendo, liberando temores, tensões e ansiedade, como também ao enfermeiro e ao hospital.Para o enfermeiro, facilita a comunicação e a realização de procedimentos e, para o hospital, colabora na humanização do atendimento, resgatando a dimensão saudável da criança(6).

Em trabalho anterior(7) observamos uma grande quantidade de estudos científicos nos quais os autores utilizaram o brinquedo como forma de amenizar o sofrimento das crianças nos diferentes contextos da hospitalização. A partir dessa constatação, surgiu a motivação de conhecer as pesquisas acadêmicas de enfermeiros brasileiros sobre a utilização do brinquedo no cuidado às crianças hospitalizadas. Assim, este estudo teve por objetivo, verificar o que os enfermeiros brasileiros estão estudando sobre a utilização do brinquedo na atenção à criança em cuidado hospitalar, nos programas de pós-graduação scritu sensu.

 

MÉTODO

Trata-se de uma revisão bibliográfica sobre o uso do brinquedo como recurso de cuidado à criança hospitalizada. Foram incluídas na amostra teses ou dissertações scritu sensu, produzidas no Brasil, por enfermeiros, independente do programa de pós-graduação onde foram realizadas, nos quais o brinquedo tenha sido usado como recurso de cuidado em crianças, no hospital.

Para a coleta dos dados, utilizamos as bases de dados do Portal CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino de Nível Superior), as Publicações do CEPEn (Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem) e a Base de dados IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), além disso, foram consultadas as referências bibliográficas das teses/dissertações que iam sendo adquiridas.

As palavras-chave utilizadas para a busca foram: Brinquedo terapêutico, Criança hospitalizada, Cuidado, Enfermagem pediátrica, Brinquedo, Procedimentos terapêuticos, Jogos e brinquedos, Lúdico.

Utilizamos os descritores para encontrar os trabalhos pelos seus títulos e, em seguida, realizamos a leitura dos resumos quando disponíveis. Para adquirir os mesmos, utilizamos o programa de comutação bibliográfica (COMUT) e buscas pessoais nas bibliotecas de origem, bem como o contato pessoal e via e-mail com os autores.

A pesquisa foi realizada no período que compreende o início da pós-graduação em enfermagem, no Brasil (1972) e o ano em que o estudo foi realizado (2004), já que nossa intenção era conhecer toda a produção acadêmica dos enfermeiros sobre o assunto.

Foi elaborado um instrumento para o registro e tabulação destes dados. Os trabalhos foram analisados quantitativamente, comparando-os entre si o que nos permitiu conhecer o panorama geral da produção acadêmica realizada pelos enfermeiros sobre este assunto. Utilizamos, para isso, estatística descritiva.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram quinze os trabalhos selecionados para a análise, sendo 10 dissertações de mestrado, quatro teses de doutorado e uma tese de livre docência (Quadro 1). Dessas, pode-se encontrar quatorze, que foram as analisadas e constituem o corpus do presente estudo.

Analisando o período em que as teses/dissertações foram defendidas e publicadas, nota-se que está relacionado ao aparecimento dos cursos de pós-graduação no Brasil, que teve seu primeiro curso de mestrado em 1972, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Ana Nery (UFRJ) e o primeiro de doutorado em 1981, na Universidade de São Paulo, num programa Interunidades das Escolas de Enfermagem de São Paulo (EEUSP) e de Ribeirão Preto (EERP)(8).

Podemos notar também que, na década de 1970 aparecem apenas dois trabalhos isolados. Na década de 1980 também foram defendidas apenas duas dissertações de mestrado. Esta temática aparece com maior relevância na década de 1990, com quatro trabalhos e, principalmente nos últimos cinco anos, nota-se que este assunto tem sido foco de atenção dos enfermeiros, com quatro dissertações de mestrado e três teses de doutorado defendidas neste período.

Em relação às teses de doutorado, com exceção de uma, defendida em 1999, as demais só foram apresentadas em 2003, o que demonstra que este assunto é relativamente novo na pesquisa acadêmica, no Brasil.

Outra característica demonstrada por estes dados é que a totalidade dos trabalhos está vinculada a universidades públicas e sua maioria foi realizada na região Sudeste, local onde se concentram as universidades com cursos de pós-graduação scritu sensu, reconhecidos pela CAPES.

O tipo de pesquisa realizada, conforme referenciado pelos autores, mostra que, das quinze teses/dissertações, três (20%) fizeram estudo quantitativo, oito (53%) utilizaram abordagem qualitativa e três (20%), embora não referenciem o tipo de pesquisa realizada, evidenciam a abordagem qualitativa. Uma das teses (7%) (a mais antiga) não foi localizada. Este fato vem ao encontro do pensamento acadêmico da época em que foram desenvolvidas já que, a partir de meados da década de 1980, houve uma valorização de trabalhos com abordagem qualitativa no meio acadêmico.

 

 

Quanto à fonte de dados onde foram encontradas, observamos que nove dos trabalhos foram encontrados nas publicações do CEPEn, cinco na base de dados do IBICT e seis foram encontrados no Banco de Teses da CAPES. É importante salientar que, nesta última base de dados, só estão contemplados trabalhos no período de 1987 até 2002; assim, como existem quatro teses/dissertações produzidas anteriormente a 1987 e três teses em 2003, elas não constam desta base de dados. O trabalho de Borba (2003) embora seja atual, não apareceu nas bases de dados consultadas; tivemos acesso a ele por contato pessoal com a autora que participa do Grupo de Estudos sobre Brinquedo (GEBrinq), na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). O trabalho de Melo (2003) que também não apareceu nas buscas foi encontrado por intermédio de uma docente que, conhecendo nossa proposta de estudo, indicou a referência, vindo o mesmo ser adquirido posteriormente, através do COMUT; além daqueles encontrados apenas nas referências dos trabalhos de Pires (1974) e Barreto (1979).

Em relação à ocupação dos autores, percebemos uma prevalência maior de trabalhos realizados por enfermeiros que desenvolvem atividades docentes (8;53%) em relação àqueles que desenvolvem atividades assistenciais (4; 27%); o trabalho de Pires (1974) não foi localizado (7%), inviabilizando sua análise. Dois trabalhos (13%) não fazem referência à ocupação dos autores e, apenas em um dos trabalhos, a autora refere exercer as duas ocupações (docente e assistencial). Consideramos, neste caso, a atividade docente como a principal, já que se trata de trabalho acadêmico.

Percebemos uma valorização do uso do brinquedo em situações pré e pós-cirúrgicas (7; 47%), sendo que cinco (33%) autores o utilizaram no pré-operatório (Abrantes,1986; Almeida, 2003; Cibreiros, 2000; Martins, 2001; Silva, 1995) e quatro (26%), no pós-operatório (Abrantes, 1986; Almeida, 1996; Almeida, 2003, Castro, 2001). Destes, dois fizeram abordagem nas duas situações (Abrantes, 1986 e Almeida, 2003). O brinquedo também foi utilizado pelas autoras durante a internação (Ribeiro, 1986; Ribeiro, 1999; Souza, 1999) e no ambulatório (Borba, 2003 e Melo, 2003).

Dois dos trabalhos (Barreto, 1979 e Biz, 2001) não utilizaram o brinquedo com as crianças. O primeiro entrevistou profissionais da saúde sobre a importância das atividades lúdicas na enfermaria de pediatria e o segundo entrevistou enfermeiros sobre a importância do brinquedo para esses profissionais. Consideramos importante incluí-los em nossa amostra, pois revelam o sentimento e a valorização que o enfermeiro atribui a esse recurso enquanto parte de seus cuidados à criança hospitalizada.

Outro dado que nos pareceu relevante foi a discriminação dos sujeitos das teses/dissertações, já que não eram crianças em sua totalidade. Também foi importante revelar a faixa etária das crianças, para conhecermos o quanto e quando o uso do brinquedo tem sido valorizado e utilizado pelos enfermeiros. Para esse item, elaboramos o Quadro 3, que mostra os sujeitos, a faixa etária das crianças e a freqüência com que foram utilizados, bem como a participação dos pais na coleta de informações a respeito das crianças em estudo.

 

 

Neste Quadro é possível observar que o brinquedo foi utilizado com maior freqüência com as crianças em idade pré-escolar e escolar, sendo os pais freqüentemente incluídos neste contexto, embora em alguns trabalhos eles tenham servido apenas como fonte de informação de dados sobre as crianças. Nota-se também que os enfermeiros, assim como outros profissionais da área de saúde, foram incluídos em três dos trabalhos, demonstrando uma preocupação dos autores a respeito do interesse e utilização do brinquedo por esses profissionais. Esse fato vem ao encontro de outros trabalhos já publicados, nos quais se nota a utilização deste recurso com crianças em idade pré-escolar e escolar(9-11).

Observamos ainda, que várias teses/dissertações eram referidas por outras autoras, sendo que a dissertação de Ribeiro (1986) serviu como referencial teórico para outros dois trabalhos (Almeida, 1996 e Martins, 2001) por ter desenvolvido uma categorização para avaliar o comportamento das crianças. Dessa forma, pareceu-nos oportuno mostrar o fluxo dessas referências, onde a direção das setas indica quais teses/dissertações foram referenciadas pelo autor do estudo (Figura 1).

 

 

Percebemos, na Figura 1, que as teses/dissertações mais citadas por outros autores, são trabalhos realizados em Universidades Paulistas (USP e UNIFESP) e que a maior parte desses pesquisadores faz parte do GEBrinq, sendo os trabalhos e os autores conhecidos pelos participantes deste grupo. Esta situação reforça a idéia de que grupos de estudo são necessários para fortalecer a pesquisa numa determinada temática, demonstrando a contribuição do mesmo, principalmente nos trabalhos acadêmicos e futura mudança na prática de cuidado à criança.

Participando deste grupo, temos conhecimento que o mesmo foi criado em 1994, com o objetivo de desenvolver estudos, eventos, assessoria e prática assistencial, relacionados ao Brinquedo Terapêutico, visando à qualidade da assistência à criança e sua família. É coordenado por uma das pesquisadoras referidas neste estudo, e sua dissertação(5) mostra-se como a disparadora de outros trabalhos nesta mesma temática, sendo referenciada sete vezes em outras teses/dissertações que a seguiram. Além disso, outros trabalhos acadêmicos sobre a temática brinquedo estão em andamento e, só não fizeram parte da amostra, por não estarem concluídos quando este estudo foi finalizado. Dessa forma, percebemos que esta temática está cada vez mais inserida nas pesquisas dos enfermeiros.

Outro fato evidenciado nesta figura são três trabalhos isolados que, embora façam parte da mesma temática, não fazem menção a outros trabalhos que os antecederam. Questiona-se o motivo pelo qual os autores desses trabalhos não referiram nenhum outro estudo acadêmico na temática. Será que tiveram dificuldade de acesso, obtenção e ou aquisição dos mesmos?

Também observamos que as primeiras teses/dissertações sobre esta temática pertencem, senão à mesma escola, à mesma cidade de origem, o Rio de Janeiro; porém, também aparecem como trabalhos isolados, já que no período histórico em que foram feitas, esta temática não era ainda muito difundida em nosso país e, por essa razão, tornam-se tão especiais nesta nossa análise.

Infelizmente, a dificuldade de acesso às fontes de dados prejudicou nossa análise, por não ter sido possível localizar o trabalho mais antigo (Pires, 1974), já que a biblioteca da escola onde foi realizado esteve em greve de funcionários, ficando inacessível por um longo período. Ao retornar seu funcionamento, descobrimos que o trabalho não consta em seu acervo. Também não o localizamos em outra biblioteca e não foi possível contato com a autora.

Assim, este estudo mostrou que as pesquisas acadêmicas de enfermeiros sobre o uso do brinquedo no contexto hospitalar reforçam os resultados positivos desta prática, o que é evidenciado também em outros trabalhos científicos. O número crescente de estudos sobre a temática denota uma progressiva valorização do ser humano, não só em termos nacionais, mas, também, internacionais. Na prática, há evidências que o brinquedo vem sendo considerado, pois, quando se mostra importante, imprescindível e interessante, torna-se também foco de pesquisas, além de se fazer cumprir as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Embora tenhamos constatado que o número de trabalhos nesta temática vem aumentando a cada ano, muito ainda está por ser pesquisado, e novas pesquisas com outros enfoques necessitam ser realizadas, no sentido de desvelar o uso, ainda restrito, do brinquedo pelos enfermeiros que lidam com as crianças em seu dia-a-dia.

Acreditamos que isso se deva à preocupação desses profissionais em proporcionar à criança e seus familiares, uma assistência mais humanizada, permeada de embasamento técnico-científico, na qual o que importa é o bem estar da criança e sua família, buscando para isso, novos referenciais teóricos que sustentem essa necessidade. Nesse sentido, a abordagem qualitativa mostra-se um recurso pertinente para a enfermagem.

Gostaríamos de salientar e recomendar o uso do brinquedo pelas enfermeiras pediatras não só no contexto hospitalar, mas em todas as instituições onde a criança necessite de cuidado, quer seja no domicílio, em creches, escolas e unidades básicas de saúde.

 

REFERÊNCIAS

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4. Brasil. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução n. 295/2004, de 24 de outubro de 2004. Dispõe sobre a utilização de técnica do brinquedo/brinquedo terapêutico pelo enfermeiro na assistência à criança hospitalizada [legislação na Internet]. [citado 2006 abr. 27]. Disponível em: http://corensp.org.br/072005/legislacoes/legislacoesbusca.php?legid=10107&texto         [ Links ]

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6. Furtado MCC, Lima RAG. Brincar no hospital: subsídios para o cuidado de enfermagem. Rev Esc Enferm USP. 1999;33(4):364-9.         [ Links ]

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8. Vieira TT. A pós-graduação de enfermagem no Brasil. In: Anais do Simpósio 15 Anos de Pós-graduação na EEUSP; Reflexões e Perspectivas; 1988 out. 24-25; São Paulo, BR. São Paulo: EEUSP; 1990. p. 41-51.         [ Links ]

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O brinquedo beneficia não apenas a criança, ajudando-a no entendimento do que está acontecendo, liberando temores, tensões e ansiedade, como também ao enfermeiro e ao hospital.

 

 

Correspondência:
Tânia Maria Coelho Leite
Rua Pedro Vieira da Silva, 415 - Bl. I - Ap. 21 - Jd. Sta. Genebra
CEP 13080-570 - Campinas, SP, Brasil

Recebido: 30/05/2006
Aprovado: 02/08/2007

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