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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234On-line version ISSN 1980-220X

Rev. esc. enferm. USP vol.43 no.2 São Paulo June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342009000200007 

ARTIGO ORIGINAL

 

Perspectivas de jovens universitários da Região Norte do Rio Grande do Sul em relação à paternidade*

 

Las perspectivas de jóvenes universitarios de la región norte del estado de Rio Grande do Sul en relación a la paternidad

 

 

Cleci Terezinha PerosaI; Eva Neri Rubim PedroII

IEnfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora do Curso de Enfermagem da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus de Frederico Westphalen. Frederico Westphalen, RS, Brasil. ctperosa@yahoo.com.br
IIEnfermeira. Doutora em Educação. Professora Adjunta dos cursos de Graduação e Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil. evaneri@terra.com.br

Correspondência

 

 


RESUMO

A visão do jovem em relação à paternidade e envolvimento com futuros filhos tem sido um assunto de veiculação ainda incipiente na nossa realidade. Este estudo, descritivo, qualitativo e exploratório, teve como objetivos estudar as perspectivas de jovens universitários da Região Norte do Rio Grande do Sul quanto à paternidade, estudar sua visão em relação à sua criação e educação para a paternidade e identificar como as instituições (família, grupo de amigos, escola) influenciam no seu desenvolvimento e modo de pensar. Realizou-se na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, RS, com oito jovens universitários com idades entre 20 e 24 anos. Os dados coletados por grupo focal e entrevistas foram analisados mediante análise temática e apontaram para relevância da família, o papel do pai, estabilidade financeira, a importância da companheira, o papel do matrimônio e o jeito de ser pai na construção de suas vidas e paternidade.

Descritores: Paternidade. Estudantes. Família. Educação sexual.


RESUMEN

La visión del joven en relación a la paternidad y la relación con futuros hijos es un asunto que ha aparecido de forma reciente e incipiente en nuestra realidad. Este estudio, descriptivo, cualitativo y exploratorio, tuvo como objetivos: estudiar las perspectivas de los jóvenes universitarios de la Región Norte de Rio Grande do Sul, en lo que se refiere a la paternidad; estudiar su visión en relación a su creación y educación para la paternidad e identificar como las instituciones (familia, grupo de amigos, escuela) influyen en su desarrollo y modo de pensar. Se realizó en la Universidad Regional Integrada del Alto Uruguay y de las Misiones, en Rio Grande do Sul, con ocho jóvenes universitarios con edades entre 20 y 24 años. Los datos recolectados, por grupo focal y entrevistas, fueron analizados mediante análisis temático y apuntaron para la relevancia de la familia; el papel del padre, la estabilidad financiera, la importancia de la compañera, el papel del matrimonio y la forma de ser padre en la construcción de sus vidas e paternidad.

Descriptores: Paternidad. Estudiantes. Familia. Educación sexual.


 

 

INTRODUÇÃO

A fase da juventude identifica um período de transição entre a infância e o período de preparação para o ingresso na idade adulta, consistindo fundamentalmente na preparação dos jovens para a assunção dos papéis modernos relativos à profissão, casamento, cidadania política, entre outros, objetivando prepará-los para enfrentar uma série de escolhas e decisões(1). Nesse momento do ciclo vital, os jovens dão às suas práticas vários sentidos e interagem com um conjunto de instituições como escola, família, nas quais estabelecem contatos simbólicos constituídos pelo mundo adulto(2). Ressalta-se que, para fins desse estudo, utilizou-se como jovem o indivíduo, do sexo masculino, que está qualificando-se e buscando a inserção no mercado de trabalho. Cabe destacar que o termo juventude, na conceituação geracional já encontrava, em seu começo, polêmica sobre a demarcação temporal como forma de classificação e, com isso, o conceito de juventude sofre alterações de acordo com as dinâmicas regionais e interesse de determinados grupos. Essa polêmica, em torno de quem se fala quando se usa o termo jovem, é essencial para afirmação de uma política de juventude e serve como denominador comum dos aspectos que nos permitem apreender a idéia de juventude: ingresso no mercado de trabalho, paternidade, características biológicas e traços culturais marcantes e que a juventude, no conceito de geração, seria o grupo etário responsável por determinar, de forma mais veemente, o ritmo da história(3).

As autoras, docentes há alguns anos, têm percebido que os jovens, ao ingressarem na universidade, trazem consigo uma bagagem de conhecimentos ainda incipiente sobre valores, atitudes e educação para a vida, necessários para desempenhar os vários papéis frente à sociedade. No caso de jovens do sexo masculino, esses comportamentos poderão ter repercussões futuras tanto pessoais como profissional, ao exercer papéis como: chefe de família, de provedor de sustento, de cuidador e criador dos filhos, os quais merece serem estudados. Muitas são as inquietações, que levaram-nas a refletir, no que diz respeito aos seus papéis de mães, de profissionais da saúde, de educadoras, de cidadãs envolvidas com essa parcela da população a qual precisa de um olhar mais crítico em relação à sua formação, auto-afirmação, envolvimento e preparo para a paternidade.

Observou-se que há estudos que enfocam a participação masculina em dimensões-chave como a paternidade, em números menores em comparação com aqueles dedicados às mulheres, e isso tem a ver com a naturalização do lugar das mulheres como cuidadoras de seus filhos e quando a paternidade é abordada, faz-se em sua grande maioria, segundo a ótica feminina, contribuindo para a idéia que são as mulheres as únicas responsáveis pela gravidez e cuidado com o filho(4), reforçando que quase nunca se investiga sobre a participação, responsabilidade e desejo dos homens no processo da reprodução(5). Outra constatação é que os estudos voltados a adolescentes fazem referências aqueles que já vivenciaram a paternidade e não com jovens futuros pais, como este estudo em particular.

Sendo assim, entende-se que a construção de um lugar social para a paternidade implica em abrir canais para que as vozes e anseios das crianças, adolescentes (e jovens) encontrem oportunidade de se expressarem, dando-lhes o direito de participarem da construção do seu destino humano(6). A escola, como instituição formadora, também tem seu papel importante na educação dos jovens, acrescendo conhecimentos das crianças e jovens, adquiridos com a família, mediando discussões sobre sexualidade, a iniciação sexual, o envolvimento com a reprodução, a maternidade e paternidade. Os professores, apesar de perceberem a necessidade de adotarem uma maior abertura para o tratamento de questões relativas à sexualidade na escola, continuam sem subsídios adequados para trabalhar estas questões(7).

A escolha do jovem universitário como foco desse estudo, provém de questionamentos, tendo-se em vista, o papel das pesquisadoras, em instituições formadoras, as quais têm vivenciado que as temáticas relativas à educação para a vida, muitas vezes são pouco enfatizadas, visto que ainda há uma preocupação conteudista nos cursos de formação. A opção por estudar essa temática com jovens de cidades do interior do Rio Grande do Sul, que freqüentam a universidade e conhecer suas perspectivas em relação à paternidade teve a intenção de, quem sabe, provocar reflexões, vindo ao encontro de estratégias com as quais se possa contribuir para a instrumentalização de jovens comprometidos, com suas vidas, de seus descendentes e família. Ao mesmo tempo, a intenção com esse estudo foi fomentar um repensar sobre o papel do homem frente à família e, talvez, apontar-se alguns direcionamentos na educação dos meninos, que possam contribuir para comprometê-los e envolvê-los com os papéis frente à família. Acredita-se que, na tentativa de fornecer subsídios para os profissionais da educação e saúde, este estudo venha a colaborar para um pensar crítico e reflexivo de suas práticas de educação em saúde e atenção ao jovem, atentando para assuntos pertinentes à paternidade responsável e comprometida, com vistas a cooperar para o desenvolvimento do jovem e de sua futura família.

A revisão do novo papel do homem frente a família necessita de um repensar sobre a educação das crianças e jovens, de que maneira ela está acontecendo nas famílias e, dar tempo, para que os envolvidos possam introjetar as transformações da atualidade, aqui, em especial referindo-se aos jovens, homens e mulheres. Uma dessas transformações diz respeito ao papel do jovem como pai, o que está a lhe exigir diferentes habilidades e comprometimentos. Com as transformações sociais, cultuais e econômicas do mundo atual, o homem vem sendo solicitado a participar mais efetivamente do cotidiano familiar, principalmente no que se refere aos cuidados com os filhos. Diante disso, um novo modelo de pai tem surgido e tem recebido diversas denominações como o novo pai, paternagem, pai-mãe e outros. O certo é que um novo modelo de paternidade vem sendo construído(8) e uma atenção à educação dos meninos se faz necessária frente às novas demandas direcionadas ao público masculino(9).

 

OBJETIVOS

Estudar as perspectivas de jovens universitários da Região Norte do Rio Grande do Sul em relação à paternidade, e a visão de jovens em relação à sua criação e educação para a paternidade e também identificar como as instituições (família, grupo de amigos, escola) influenciam no seu desenvolvimento e no seu modo de pensar em relação à paternidade.

 

MÉTODO

O estudo foi realizado em uma Universidade no município de Frederico Westphalen, na Região do Médio Alto Uruguai, localizada no Extremo Norte do Rio Grande do Sul, e que foi colonizada por descendentes italianos, alemães e poloneses. A mesma região é integrada por trinta municípios, dentre eles Frederico Westphalen, que somam uma população de 183.927 habitantes(10). A investigação ocorreu no período entre setembro e outubro de 2006, tendo como participantes oito jovens universitários. Os critérios de inclusão foram, idade entre 20 a 24 anos, estar regularmente matriculado em um curso superior da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões-URI-Campus de Frederico Westphalen e residir na Região do Médio Alto Uruguai. O critério de exclusão foi residir fora da região estudada. As considerações bioéticas atenderam a Resolução 196 do Conselho Nacional em Saúde(11) que dispõe sobre pesquisas com seres humanos, sendo submetido ao Comitê de Ética em pesquisa da Instituição, aprovado e registrado sob o número 0056-06H. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A coleta de dados deu-se por meio de entrevista individual e técnica de grupo focal, que é uma forma de coletar dados diretamente das falas de um grupo, que relata suas experiências e percepções em torno de um tema. O grupo foi coordenado pelo moderador (uma das pesquisadoras), com apoio de colaboradoras. Foram realizados dois encontros e o assunto disparador das discussões, a palavra Paternidade. Também a exposição de uma série de fotos, que apresentavam crianças, jovens envolvidos com crianças, casamento, crianças e pais e pais cuidando de crianças. Utilizou-se um tópico guia, contendo os temas centrais e os problemas de pesquisa(12). A contribuição de dados obtidos por meio da entrevista individual foi pequena, pois não apareceram diferentes informações que acrescessem a temática ou novas abordagens, tendo em vista, que no grupo eles expuseram exaustivamente suas opiniões e percepções. As falas, após autorização dos jovens universitários, foram gravadas e transcritas por colaboradoras. Para a manutenção do anonimato foi utilizado as letras S para Sujeito, G para grupo, e a letra E para entrevista, bem como, números de 1 a 8 identificando a fala dos sujeitos. A análise dos dados realizou-se por meio da análise temática de conteúdo(13).

 

RESULTADOS

A caracterização dos jovens possibilitou compreender-se muito dos seus posicionamentos, talvez devido aos aspectos da própria região de onde são procedentes. Os cursos de graduação freqüentados pelos sujeitos foram em número de cinco: Farmácia, Agrozootecnia, Enfermagem, Matemática e Filosofia. Os jovens universitários residem em cidades tranqüilas, arborizadas, onde não há shoppings, teatros, cinema ou boates, o que pode levar-se a inferir que os mesmos têm diferentes modos de diversão, dos jovens de grandes cidades. O grupo de maior pertencimento e participação entre esses jovens é, em primeiro lugar, o religioso, do Curso de Liderança Juvenil (CLJ), que se caracteriza por encontros de jovens, nas quais realizam retiro espiritual para refletir e discutir assuntos ligados a religião, família, sendo que nesses encontros exercitam o valor da amizade, do respeito, da autonomia, da solidariedade. Os encontros são permeados por orações, músicas e cantos. A segunda opção desses jovens é participar de grupos tradicionalistas. Esses grupos, também conhecidos como nativistas, se reúnem para danças gauchescas, tocar instrumentos musicais, participar de eventos, entre outras atividades, estabelecendo-se entre os integrantes, vínculos de amizade, respeito e companheirismo. Cabe destacar que essas duas características são fortes na região do estudo, ou sejam, o expressivo traço religioso das famílias do interior e o cultivo das tradições gaúchas. Atualmente, a prática de lazer desses jovens, respectivamente citadas como preferenciais, é o encontro com amigos, a prática de esporte, assistir televisão e leituras. Alguns deles ainda participam de festas e bailes, nos finais de semana, em companhia dos amigos. Nas famílias dos entrevistados, o pai exerce a função de caminhoneiro, comerciante, padeiro e um número maior são agricultores. As mães exercem a função de dona de casa e duas trabalham fora, fortalecendo as características de famílias tradicionais. O modelo tradicional é entendido como um grupo composto por pai, mãe e filhos naturais dessa união, com papéis de gênero definidos, ou seja, o pai ocupa a função do provedor material e a mãe, a de responsável pelas tarefas domésticas e cuidado dos filhos(14). Caracterizam-se por serem famílias pequenas, com média de 2,5 filhos por família. A renda familiar ficou acima de dois salários mínimos. Ressalta-se que em sua grande maioria, os pais têm o primeiro grau incompleto e apenas um casal tem segundo grau completo (ensino médio).

Família e a educação dos meninos na visão dos jovens: a influência sobre a percepção da paternidade, a sexualidade e o papel da mulher

Ressalta-se que os jovens, participantes desse estudo, são provenientes de famílias nucleares tradicionais, constituídas por pai, mãe e a maioria conta com irmãos. Essa situação nos levou a inferir que existe na região uma estrutura familiar que proporciona um convívio mais próximo entre pais e filhos, devido justamente as características já apresentadas. Nas suas perspectivas em relação à paternidade, os jovens universitários, defendem e acreditam que o sucesso na criação e educação dos filhos está ancorado na constituição de famílias compostas pelo homem e a mulher e, também, defendem o casamento para concretizar a união. Todos, durante os encontros do grupo focal, referiam a vontade de casar. A relevância da família foi intensamente relatada pelos jovens, conforme os seguintes depoimentos:

A base de tudo é a família, tu vai ter aquele direcionamento. Depois tu vai ter uma visão mais ampla. Vai poder discutir isso com teus amigos. Vai poder chegar na escola e discutir isso. Acho que tem que ser um diálogo aberto (S1G1).

A família é que dá a educação, caráter, dá tudo, a educação vem de casa, do pai e da mãe, que dão uma bagagem que vem desde pequeno, é a base do caráter que vão passar para ti, ela inicia o teu aprendizado e quem vai terminar somos nós (S2E).

A família, na perspectiva desses jovens é a principal responsável pela iniciação dos filhos na cultura, nos valores, nas normas de socialização, no desenvolvimento completo do indivíduo. Apesar de todas as diferentes definições de família, ela continua sendo a referência essencial para as pessoas, com a função principal da construção da identidade dos indivíduos por meio dos vínculos que as pessoas desenvolvem com seus parentes e filhos(8). Os jovens evidenciaram e manifestaram em algum momento de suas vidas, a falta de diálogo entre o casal (seus pais) e com os filhos, registrando com certa ênfase a ausência do pai, como um fator importante na condução de sua criação.

As falas dos jovens universitários indicam que a maneira como os meninos são criados pode influenciar a sua forma de visualizar a paternidade. A quase total ausência da educação para o exercício saudável da sexualidade, nas diferentes fases da vida, precisa ser enfrentada mediante esforços articulados, visando à construção de políticas e práticas que o favoreçam(15). Assim, observa-se que se precisa voltar a atenção para os meninos, uma vez que hoje, a família nuclear (realidade encontrada nessa pesquisa), para sobreviver e viver em harmonia, homem e mulher, juntamente com os filhos, precisam dividir as tarefas de casa e, também, contribuir com o sustento da casa e família.

Antes os meninos tinham mais liberdade e continuam tendo. Vai depender de cada família [sua educação].... E meninas eu acho que amadurecem muito rápido em relação aos meninos (S1E).

Acredita-se que a criação e a educação oferecida pela família aos meninos está intimamente relacionada aos seus padrões culturais, valores com que eles foram criados, associando-se à conduta que os jovens e homens terão frente à paternidade, mulher e filhos. Consideramos que pesquisas nessa área que assumem a perspectiva teórica de gênero e trabalhem com a complexa interação entre gênero e as outras dimensões sociais (raça, etnia, grupos socioeconômicos e idade, por exemplo) podem contribuir de maneira fundamental para revelar os processos de negociação e decisão de homens e mulheres no campo da saúde sexual e reprodutiva(16).

Nos encontros do grupo focal, quando abordada a temática sobre sexualidade, não houve continuidade nas discussões. Observou-se troca de olhares entre os jovens universitários, certa dificuldade de expressar o seu entendimento, motivando risos e certo desconforto no grupo. Percebeu-se que o tema sexualidade pode estar ligado, somente ao ato sexual, e esse, por sua vez, continua sendo visto como brincadeira, motivo de gozações entre os pares. No campo da sexualidade e reprodução, os homens possuem pouco conhecimento e almejam obtê-lo, porém não encontram oportunidades favoráveis à sua aquisição, recorrendo ao grupo de amigos, que, muitas vezes não os têm ou têm de maneira inadequada(17).

Quando tu conversa com a gurizada sobre um assunto sério assim, quando tu vê, entra uma piada (S1G2).

Eu acho que a sexualidade tá muito precoce, muito prematuro, antigamente se saía aos quinze anos para ir numa festinha e hoje os pais, os pais levam seus filhos com doze, treze anos, lá na casa de festa, os pais levam para o prostíbulo (S5G1).

Por ser a sexualidade, temática de relevância social, e estar, intrinsecamente, relacionada a modos de viver e conduta das pessoas, carece de entendimento e reflexões nas suas diferentes fases da vida, uma vez que a mesma continua reforçada por algumas instituições sociais, rodeada de preconceitos e tabu, contribuindo para as dificuldades familiares na abordagem deste tema com seus filhos. Acredita-se que ela pode ser discutida e refletida não somente na família, mas em instituições de ensino fundamental, médio e superior. Considera-se importante que essas instituições oportunizem espaços para o diálogo entre as crianças, jovens e professores, acreditando que dessa forma, pode-se, com o passar do tempo e com educação, inferir que a sexualidade possa ser vista como algo bom e prazeroso para nossas vidas.

A inclusão do papel da mulher como subcategoria emergiu da relevância que os jovens apontaram à mesma no decorrer das discussões em vários momentos do grupo e na entrevista. Ficou evidente a associação do papel da mulher com o papel do homem no núcleo familiar.

Sabe-se que, a partir do movimento feminista, aos poucos, a mulher foi conquistando alguns espaços que contribuíram para determinadas decisões em sua vida, como, por exemplo, a busca por espaços de trabalho fora do ambiente familiar, o uso do anticoncepcional, entre outros. Estas conquistas geraram e geram alguns desencontros na família e no meio social. Entretanto, salienta-se o importante papel que a mulher desempenha tanto na família como no seu ambiente externo de trabalho, conforme fala do jovem, a seguir:

Se a mulher tem mais competência, nada mais justo que ela ocupar esse espaço. Não sou contra a mulher, sou bem a favor dela ser independente, mas que o pai participasse mais na criação dos filhos (S5E).

Ao mesmo tempo em que os jovens entendem a importância da mulher buscar espaços no mercado de trabalho (independência), reforçam a necessidade dela se envolver, ou melhor, ser a principal cuidadora e educadora dos filhos com a participação do pai. Percebe-se que há a necessidade de mudanças na maneira de abordar as questões de saúde e prevenção direcionadas aos homens. Além disso, incluir as mulheres nas discussões referentes a assuntos masculinos e, vice-versa pode favorecer alteração de perspectivas em relação às diferenças de gênero e cuidados com a saúde(18). Nesse sentido, o que precisa-se ainda, na visão das autoras, é possibilitar, desde a escola até a universidade, essa discussão entre os alunos. Porém cabe destacar, que os professores necessitam desenvolver estratégias e conhecimentos mais aprofundados em relação a essa temática para promover essa conversa.

Influência da escola, mídia e amigos no desenvolvimento do jovem

Sabe-se que vários contextos vivenciados pelos indivíduos constituem-se em espaços que influenciam, direta ou indiretamente, na construção da identidade dos jovens, podendo citar a escola, a mídia e os amigos como integrantes dessa constituição. A partir disso, pode-se afirmar que essas contribuições podem ser tanto positivas como negativas para os jovens, pois dependem, também, de outras interferências como educação, cultura e crenças. Portanto, defende-se a idéia de que a escola, família e mídia precisam acompanhar as transformações que a sociedade vem sofrendo, constantemente, e, à medida do possível, adaptar-se a elas, bem como vivenciá-las e traduzi-las, como práticas educativas. A mídia (falada e escrita), presente no cotidiano de todas as pessoas, pode interferir positiva ou negativamente, dependendo do enfoque que o indivíduo, a família e a escola interpretarem.

Acho que os pais têm grande parte de culpa por não distinguir o que é certo para o filho assistir desde pequeno. Se o teu filho tem uma faixa etária de dez anos, o pai pode assistir com ele alguns programas que não são bons, e explicar pra ele [filho], a conseqüência do que está sendo visto (S8G1).

A mídia traz muito pouco a respeito de exemplos bons, normalmente, são mais exemplos ruins. Mas você pode tirar proveito, desde que você tenha uma noção do que é certo e do que é errado. É importante saber o que pode fazer e o que não pode assistir (S3G2).

As falas reforçam a idéia em relação ao lado negativo e positivo da mídia, enfatizando a importância dos pais para a seleção de programas permitidos para que os filhos assistam. Sabe-se da diversidade de programas, disponíveis em distintos horários pela mídia (televisão), impossibilitando aos pais um controle mais rigoroso frente aos filhos.

No entender dos participantes do estudo, a escola está deixando a desejar, uma por não estar preparada para todas as discussões que são levantadas pelos jovens, outra, é que ela não procura aliar a família como parceira para o aprendizado dos jovens, como se pode perceber em suas falas:

A escola também fala muito pouco sobre isso [sexualidade, reprodução, paternidade] (S3E). Hoje em dia é só o conteúdo básico... Mas hoje tem muitos professores que não querem nem se envolver. Vão lá e dão o conteúdo e vão embora (S6E).

Percebe-se que escola e família precisam estreitar seus laços em favor do ser humano, buscando a melhoria nas condições do desenvolvimento educativo de todos, independente de classe social e econômica, religião, cor, considerando alguns pontos chaves, como, as diversas formas de viver a sexualidade, diferentes opções de parceiros sexuais, gravidez, paternidade, maternidade no sentido de permitir que esses sejam adultos conhecedores das diferentes realidades que poderão enfrentar durante a trajetória de suas vidas e, principalmente sejam felizes e possam viver com tranqüilidade as suas escolhas. O estudo apontou que a paternidade está nos planos futuros, mas pouco comentada e discutida entre os jovens e suas famílias.

É uma coisa diferente, é um assunto difícil de a gente comentar. É um negócio interessante. Tu sai daquele teu mundo. Tu para pra pensar no teu futuro, em relação à paternidade é um negócio que tu pensa depois. Primeiro tu pensa em se formar pra trabalhar pra daí então pensar sobre esse assunto (S1E).

Percebeu-se que os jovens dessa pesquisa não se acham preparados para essa responsabilidade, sinalizando que, muitas vezes, nem conversam sobre essa possibilidade.

A palavra-chave, Paternidade, utilizada como tema disparador dos encontros do grupo focal, gerou reflexões que até então não teriam acontecido em suas vidas, causando surpresa, a abordagem dessa temática. A reação dos jovens foi interpretada como se o assunto paternidade estivesse relacionado apenas com seus pais e essa realidade fosse algo bem distante do momento atual de suas vidas. No início de suas falas a única referência de paternidade foi a vivência com seu pai, não trazendo nada que viesse ao encontro deles como futuros pais.

Os participantes citaram os seus próprios pais como exemplo, para a construção de suas trajetórias de vida, envolvendo também a mãe, descrita como elo importante na vivência e estruturação na família. Demonstraram, por meio de palavras, muito carinho e respeito por seus pais, apesar de relatarem que anteriormente, quando menores, ocorriam desentendimentos e diferentes opiniões. Hoje, os jovens conseguem entender a postura do pai, frisando a importância da conduta na sua educação.

Quando questionados sobre os elementos que imaginam que serão diferentes entre o jeito de ser pai do seu pai e o seu jeito, as respostas foram as seguintes:

Relação ao meu pai, eu acho que vou procurar tirar maior proveito das coisas que eu acho certo e tentar corrigir alguma coisa que eu não ache certa, algum erro que possa ter para eu não repetir no futuro e procurar melhorar sempre as coisas boas (S1E).

Percebe-se o interesse e vontade desses jovens em ter uma família estruturada, ter filhos, ajudar a educar e cuidar, dividindo as tarefas com a companheira. Acreditam e defendem ser essa a melhor maneira de criar e educar o filho para a vida. A família, como observada, faz parte constante na vida dos mesmos, como registrado no relato a seguir:

O que tu tem de melhor para dar pro teu filho é o exemplo da minha família, eu acho que seria o melhor exemplo que eu poderia dar pra ele. Minha família me deu educação, me ensinou valores, me ensinou e me mostrou as dificuldades de eu conseguir alguma coisa e pra valorizar o que eles fazem por mim pelos meus irmãos (S8G2).

Frente a essas considerações, fica evidente a importância do investimento nas crianças, futuros jovens e prováveis pais, disponibilizando conhecimentos sobre as diferentes fases da vida do ser humano e, talvez, viabilizando a construção de uma família feliz.

Os sujeitos dessa pesquisa manifestaram sentimentos e expectativas frente à paternidade, mostrando-se sensíveis em relação à figura dos seus pais, bem como o seu futuro exercício da paternidade. Ficou evidente a vontade que os mesmos têm em ter filhos, mas preocupam-se, entre outros fatores, com a situação financeira, a dificuldade para criar e educar os filhos nos dias de hoje. Quando questionados sobre o que é ser pai, emitiram os seguintes depoimentos:

Em relação à família, primeiro a gente ter que ter uma mulher uma companheira, ter certeza do que quer, porque se tu ser pai antes de estar bem constituída a família com você e a mulher já não está dando bom exemplo, na minha forma de ver, pode não estar preparado financeiramente também para criar esse filho tem que primeiro garantir uma vida digna para teu filho (S3G1).

Esses jovens manifestam, de forma interessante, os seus pontos de vista em relação ao seu desejo de ser pai, uma vez que por demonstrarem certo grau de maturidade, referem aspectos como a importância do preparo profissional, da escolha da companheira, da situação financeira e mesmo do tempo certo para essa experiência.

Hoje eu não teria condições de ser pai, uma porque eu dependo dos meus pais totalmente eu não trabalho ainda e meus pais moram em outra cidade e eu moro aqui, daí eu dependo totalmente deles, se acontecer de eu ter um filho o que vai acontecer, primeira coisa eu vou ter que largar a faculdade e arrumar um emprego, então no meu caso eu não tenho condições (S1G2).

Comentaram não sentirem-se preparados para ter filhos nesse momento de suas vidas, não sabendo como conduzir a educação, a aproximação, mesmo afirmando que, no futuro, pretendem construir uma família. Percebeu-se que os sentimentos e planos dos jovens demonstram uma preocupação em construir uma carreira e uma família após um planejamento e uma organização de sua vida profissional.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desenvolver esse trabalho foi algo muito importante e propiciou-nos um novo olhar sobre essa temática. A família e a educação são caminhos que podem ser sinalizadores dessa juventude, confirmando pressupostos de que falar de assuntos, que de uma forma ou outra, abordem sexualidade, orientação sexual, saúde sexual ou reprodutiva e paternidade, ainda é uma grande dificuldade para os pais, para os jovens e para os profissionais da saúde.

Ao estudar as perspectivas desses jovens em relação à paternidade, verificou-se que esse assunto não faz parte de sua educação em nenhuma instância, ou seja, no meio familiar, no grupo de amigos, na escola. Outro dado interessante foi a maneira como se reportaram à sua criação, focalizando a figura paterna como um exemplo a ser seguido, porém com expectativas que superem a que lhes foi ofertada. Querem ser pais diferentes, indicando que querem ser melhores pais do que foram os seus.

Em relação a mídia, esses jovens apontaram com mais ênfase as contribuições negativas na construção da imagem de pai, no entanto, não se pode afirmar que ela não os influencia também de uma maneira diferente de pensar, e podendo até ser indicadoras de debates e posturas frente a esse assunto.

A escola, instituição que colabora com a construção da identidade do indivíduo, não apareceu como facilitadora ou mesmo instigadora de reflexões para a vida, na visão desses jovens. Os mesmos relataram que ela poderia contribuir muito mais para a educação e preparo para os diferentes compromissos na vida dos jovens. Nos seus relatos os jovens comentaram que a universidade tem o papel de oferecer oportunidade para essas discussões, desempenhando, dessa forma seu papel educativo e construtivo na vida dos alunos, não somente voltados para o mercado de trabalho, mas como pessoas que necessitam de suportes nas diferentes fases da vida.

Torna-se essencial, refletir os métodos utilizados quanto à educação e criação dos meninos, compreendidos pela família, escola, mídia e sociedade e os espaços que são consentidos às crianças, jovens, mulheres e homens quanto à reprodução, educação e cuidado com os filhos, visto que, a sociedade está demandando do homem, o desempenho de papéis que, anteriormente, eram, assumidos, acolhidos pela mulher e legitimados pela sociedade.

Identificou-se que esses jovens querem estar preparados e ter condições financeiras, emocionais e afetivas para o enfrentamento dessa etapa de vida. Desejam ser pais envolvidos e comprometidos com a criação. Acreditam que só dessa forma, da maneira que se vive hoje, terão filhos felizes, ou seja, viver uma paternidade responsável e comprometida. Esse é, acreditamos, o evento que fará a diferença entre os jovens e homens, isto é, ou estar apto para ser o provedor financeiro da família, ou, além da possibilidade de dividir as responsabilidades financeiras com a companheira, comprometer-se e envolver-se na criação e educação dos filhos.

Ressalta-se que esse estudo não esgotou a temática, muito pelo contrário, aponta para muitos outros questionamentos que poderão ser objetos de outras investigações. Qual o comprometimento das Políticas Públicas voltadas para a juventude em discutir a temática maternidade e paternidade sob a ótica dos jovens? Preocupações de famílias do interior são diferentes das preocupações de famílias em relação à criação de filhos em grandes metrópoles? A abordagem da temática sobre saúde sexual ou temas relacionados a essa área sofre influência do conhecimento prévio dos indivíduos? Qual a importância de outros profissionais nas discussões e planejamento de programas voltados para a saúde do homem e do adolescente masculino? Essas são algumas inquietações que emergiram e que acreditamos serem de interesse de todos os envolvidos com o compromisso sobre a qualidade de vida dos indivíduos.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Cleci Terezinha Perosa
Rua Tenete Lira, 1276 - Centro
CEP 98400-000 - Frederico Westphalen, RS, Brasil

Recebido: 11/12/2007
Aprovado: 24/09/2008

 

 

* Extraído da dissertação " Perspectiva de jovens universitários da Região Norte do Rio Grande do Sul em relação à Paternidade" , Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2007.

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