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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.44 no.1 São Paulo Mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342010000100029 

ARTIGO ORIGINAL

 

Compreensão sobre sexualidade e sexo nas escolas segundo professores do ensino fundamental*

 

Comprensión del sexo y la sexualidad en las escuelas, de acuerdo a la visión de profesores de enseñanza primaria

 

 

Julieta Seixas MoizésI; Sonia Maria Villela BuenoII

IPsicóloga. Mestre em Enfermagem pelo Programa de Pós Graduação de Enfermagem do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, SP, Brasil. julismz@yahoo.com.br
IIProfessora Livre Docente da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, SP, Brasil. smvbueno@eerp.usp.br

Correspondência

 

 


RESUMO

Com o objetivo de identificarmos a forma pela qual professores de Ensino Fundamental compreendem a sexualidade/sexo na escola, procuramos levantar dados relativos a estas questões no cotidiano escolar, verificando a posição da escola e como lidam com isto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, humanista, por meio de pesquisa-ação. A coleta dos dados foi realizada por meio da observação participante e entrevista individual, usando um questionário com questões norteadoras. Os dados levantados foram organizados em categorias. A análise possibilitou apreender que a maioria dos professores valoriza o diálogo como meio de orientação aos alunos. Destacam a necessidade de obterem apoio de profissionais qualificados sobre a temática, e dão relevância à participação da família no processo de orientação. Neste processo, a Escola pode ser o recurso para ajudar familiares, professores e escolares a compreenderem melhor os pressupostos da educação sexual e profissionais da saúde são grandes aliados, no sentido de conscientizá-los e orientá-los. Baseando-se nos achados, desenvolveram-se ações/intervenções educativas junto aos professores, visando prepará-los para atuarem como agentes multiplicadores no cotidiano escolar. Os professores sugerem a busca de parcerias e a elaboração de estratégias de orientação sexual.

Descritores: Sexualidade; Ensino fundamental e médio; Educação sexual; Pessoal de saúde.


RESUMEN

Con el objetivo de identificar el modo por el cual los profesores de Educación Primaria comprenden la sexualidad y el sexo en la escuela, buscamos recolectar datos relativos a estas cuestiones en el devenir escolar cotidiano., verificando la posición de la escuela y la manera en que se trabaja la temática. Esta investigación se trata de una encuesta cualitativa y humanista, en la que se utilizó el método de pesquisa-acción. La recolección de datos fue realizada a través de la observación con participación y la entrevista individual, utilizándose un cuestionario con preguntas orientadoras. Los datos recogidos fueron organizados en categorías. El análisis posibilitó entender que la mayoría de los profesores valoriza el diálogo como elemento de orientación a los alumnos. Ellos mismos destacan la necesidad de obtener respaldo de profesionales calificados en la materia, y dan relevancia a la participación de la familia en el proceso de orientación. En este punto, la escuela puede ser la institución idónea para ayudar a familiares, profesores y alumnos a comprender mejor los supuestos de la educación sexual, y los profesionales de la salud se constituyen en grandes aliados, en el sentido de concientizar y orientar. De acuerdo con las conclusiones, se desarrollaron acciones e intervenciones educativas junto a los profesores, proponiéndose prepararlos para que actúen como agentes multiplicadores en el ámbito del cotidiano escolar. Los propios profesores sugieren la búsqueda de asociaciones con órganos competentes y la elaboración de estrategias de orientación sexual.

Descriptores: Sexualidad; Educación primaria y secundaria; Educación sexual; Personal de salud.


 

 

INTRODUÇÃO

A sexualidade faz parte da vida de todas as pessoas, é universal e, ao mesmo tempo, singular para cada indivíduo, envolve, aspectos individuais, sociais, psíquicos e culturais que carregam historicidade, práticas, atitudes e simbolizações(1). A propagação cada vez mais constante na mídia do sexo e erotismo, propicia a precocidade da iniciação sexual, bem como sua banalização. Essa problemática demanda uma abordagem sobre a sexualidade com crianças e adolescentes, para suscitar uma Educação Sexual mais efetiva, criando barreiras para diminuir os agravos existentes. Para isso, é necessário falar adequadamente sobre temas como sexualidade e sexo para a população, tendo-se em vista a necessidade da promoção da saúde sexual(2-3).

Por este assunto ter sido velado, ao longo dos tempos, resultando em concepções da sexualidade relacionados à obscenidade, a algo sujo, pecaminoso e proibido, negou-se aos jovens a educação sexual, dificultando as orientações necessárias à promoção da saúde sexual das pessoas. Os mitos sexuais são concepções errôneas ou inadequadas, que geram rumores e crendices populares. Os tabus sexuais sobre homossexualidade, masturbação e etc., são decorrentes de concepções que geram discriminação na sociedade. Ainda hoje, quando se fala sobre sexo e sexualidade, muitos remetem a valores e crenças revestidas de preconceitos, tabus, mitos e estereótipos. É preciso compreender que a sexualidade é parte integrante e indissociável da pessoa, não implicando necessariamente em seu aspecto reprodutivo, e que valores sexuais e estilos de vida podem ser vivenciados de modo diferenciado de uma pessoa para outra. Numa sociedade, a diversidade de valores e crenças é fato natural(2-5).

Para entendermos as concepções sexuais, é necessário discutir a respeito sem imprescindir do conhecimento histórico e político relativo ao desenvolvimento das instituições sociais como Igreja, Estado, Leis, Escola, Mídia e Família. Atualmente, a sociedade dá maior visibilidade à sexualidade, mas o apelo sexual visa atender interesses de grupos sociais. A geração dos últimos 30 anos nasceu sob o impacto do aparecimento da aids, um fenômeno que obrigou mudança de comportamento, ou seja, do amor livre para o sexo seguro. Por esta razão, crianças e adolescentes de hoje vivem desde cedo, o reflexo da contra-censura, mas sem uma ética educativa para a promoção da saúde(2-3).

Consideramos que é responsabilidade do sistema escolar, promover a educação integral da criança e do adolescente e, portanto, discutir a sexualidade com vista a promoção da Educação Sexual. Há muito tempo, essa iniciativa deveria estar sendo feita. O apelo sexual na mídia não tem sido suficiente para que os adolescentes adotem o comportamento do sexo seguro. A falta de Educação Sexual, que transcende a forma tradicional, restrita a visão biológica e médica, é um dos principais motivos para a falta de adesão dos adolescentes ao sexo seguro(2-5).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNS (5), propõem que os temas sobre sexualidade sejam apresentados por meio da transversalidade dos conteúdos (isto é, presentes em todas as áreas do conhecimento)(6). Uma vez discutidos, os assuntos devem voltar, com conteúdo mais aprofundado, todas as vezes que houver interesse, por parte dos alunos. Pensar sobre transversalidade e formação do orientador sexual, implica pensar em quem realizará efetivamente o trabalho de orientação sexual. Este é o maior problema, pois ao se colocar o professor como agente de execução dos objetivos propostos pelos PCNS, adotando em sua disciplina a temática sexual, há que se pensar na sua real condição de trabalho e na qualidade de sua formação profissional. A transversalidade implica a necessidade do professor não apenas dominar o conteúdo programático da matéria que é responsável, como exige conhecimento específico das disciplinas curriculares e habilidade para inserir temas transversais que fogem da especificidade que está habituado a lidar. O grande desafio é capacitá-lo para desenvolver um trabalho eficaz e esclarecedor sobre a sexualidade na escola. Faz-se necessária o preparo dos professores, tornando-os bem informados e conscientes da importância de sua atuação na área(7).

Qualquer trabalho, seja ele com crianças ou adolescentes, deve ser feito de modo contínuo e permanente ou, pelo menos, por um tempo efetivo, para que possam ser discutidas, além de informações, atitudes das pessoas frente à sexualidade coletiva e a sexualidade individual. Além disso, o trabalho deve ter a característica de partir das dúvidas das crianças e jovens dos temas por eles emergentes. Cada grupo de jovens tem suas particularidades e interesses. Assim sendo, entendemos que a Educação Sexual deve ser conduzida e preparada por alguém que seja do agrado e da confiança do contingente infanto-juvenil. Trata-se de um processo lento de conquista(1).

O diálogo é a ferramenta básica no processo de educar para a sexualidade. Há crianças e adolescentes que perguntam muito, outras nada interrogam e outras, ainda, precisam de um ambiente encorajador para levantar questões. Todos devem ser considerados, são "seres sexuais", portanto devem ter acesso a material informativo sobre a sexualidade e dispor de bibliografia adequada à idade em que se encontram. O diálogo é o exercício natural para o desenvolvimento da relação adulta, para o encontro entre as pessoas. A Escola precisa reassumir o trabalho de educação sexual, mas não para repreendê-la e sim para mudar visões distorcidas ou negadas da sexualidade, sem, contudo, substituir a família, porque a criança não chega à escola sem idéias, mas já com diversas inscrições acerca do sexo.

A interação família-escola torna-se fundamental, para que a sexualidade não se torne alvo da duplicidade de discursos e de atitudes. Deve-se ter em mente que a tarefa da educação sexual pode ser emocionalmente custosa aos professores, uma vez que são pertencentes a uma cultura carregada de equívocos e tabus, e nem sempre, se sentem disponíveis, tranqüilos e maduros frente à própria sexualidade. Mesmo assim, a Escola é o espaço privilegiado para que crianças e adolescentes possam fazer seus questionamentos. Nos debates de sexualidade, os jovens muitas vezes fazem perguntas que os pais e mesmo os professores não se atrevem a fazer.

São gerações diferentes, sinalizando relações de fechamento-abertura frente ao discurso do sexo. A educação sexual estimula a troca de idéias e possibilita mudanças nas relações sociais, superando, assim, o machismo, os preconceitos e engodos(8).

O professor não precisa ser um especialista em Educação Sexual, mas apenas um profissional devidamente informado sobre a sexualidade humana que reflita sobre ela, sendo capaz de criar contextos pedagógicos adequados e selecionar estratégias de informação, de reflexão e de debate de idéias, reciclar-se e atualizar seus conhecimentos de forma a ensinar a pensar, tornando-se mediador do conhecimento(9-10). A escola é lugar eleito para inserir, no processo educacional uma educação preventiva. Quando se fala em sexualidade, pressupõe-se falar de intimidade e de relações afetivas.

A enfermagem e a psicologia se aproximam da temática, na medida em que ambas lidam com a produção de cuidados, relacionado a serviços para a comunidade, preparo para as ações educativas junto à população em relação ao comportamento, enfim, ao indivíduo como um todo, tratando-se de corpo e da mente. A Enfermagem e a psicologia, associadas à Educação se fortalecem ao desenvolver ações com terminalidade e resolutividade no âmbito da promoção, prevenção, proteção da saúde, no nível individual e coletivo, que por meio de crítica e reflexão, são capazes de compreender a realidade sócio-econômica, política e educacional do país e de instrumentalizarem para a participação ativa no âmbito do planejamento, da produção e da oferta das ações de saúde, além de buscar e produzir conhecimento para o desenvolvimento de sua prática profissional, podendo-se engajar na pedagogia, sendo esse um dos principais veículos de ensino – aprendizagem em todos os níveis educacionais(11).

A saúde está, pois, diretamente ligada a educação, no sentido de que estes são dois pilares da sobrevivência humana, que se encontram em uma constante construção. Desta forma, os enfermeiros, ao desenvolverem suas funções, entre elas a educação preventiva, têm um grande papel na escola, principalmente no ensino fundamental, através da instrumentalização científica dos professores e entendimento das necessidades dos alunos. A falta de debate e reflexão crítica, aumenta a vulnerabilidade com relação às Doenças Sexualmente Transmissíveis/ aids, além do risco de uma gravidez precoce. Atualmente, apesar de se acreditar que temas relacionados a sexualidade, estão sendo mais falados, muitos jovens ainda não se sentem à vontade para expor dúvidas ou sentimentos. É importante trabalhar sexualidade de forma mais ampla na escola utilizando a multi, a inter e a transdisciplinaridade, considerando as dimensões biológica, psicológica, social, contribuindo para o fortalecimento da auto-estima e da identidade pessoal(2-11).

A sexualidade para ser compreendida, não pode ser separada do indivíduo holístico, posto que é moldada nas relações que o sujeito estabelece, desde a mais tenra idade, consigo mesmo e com os outros. O trabalho de educação preventiva, ligado à sexualidade, envolve definição de diretrizes que contemplem a formação integral do adolescente e a participação efetiva de todos integrantes do universo escolar. Na realização da educação sexual, são fundamentais posturas seguras e assertivas, e ainda, o corpo docente deve passar por capacitação profissional, com relação ao conteúdo, tanto técnico-científico como metodológico e vivencial(12). Os alunos se comportam e se relacionam entre si, tentando buscar reconhecer-se e serem reconhecidos a partir de uma posição sexuada. Nesse caso, é importante discutir e entender como adquirem e constroem posição relativa à sexualidade e gênero. Nas falas dos adolescentes, de inúmeras formas, a sexualidade aparece como questão primordial, necessitando discussões efetivas sobre o tema(13).

Os PCNS pretendem ser um referencial fomentador de reflexão sobre os currículos escolares, como uma proposta aberta e flexível, que pode ou não ser utilizada pelas escolas na elaboração de suas propostas curriculares. O tema transversal deve impregnar toda a área educativa do ensino fundamental e ser tratado por diversas áreas do conhecimento. Os conteúdos tratados na escola devem destacar a importância da saúde sexual e reprodutiva e cuidados necessários para promovê-la. A escola também deve, integrar serviços públicos de saúde, conscientizar para a importância de ações prioritariamente preventivas e remediativas se for o caso(13-14).

De fato, os professores não recebem orientações suficientes em sua formação para educação sexual. Por isso, conversar sobre sexo na escola é tarefa difícil(15).

 

OBJETIVOS

Dado o exposto, o objetivo desse estudo é identificar dificuldades que professores do ensino fundamental de escolas municipais enfrentam no cotidiano profissional, em relação à sexualidade, verificando como os professores e a escola lidam com o tema; buscando uma forma de desenvolver uma educação conscientizadora.

Assim, sentimos a necessidade de: 1. conhecer como a Escola e seus educadores lidam com o tema da sexualidade no cotidiano escolar, tendo em vista as estratégias de ensino- aprendizagem utilizadas; e 2.desenvolver, conjuntamente, um programa educativo sobre temas sexuais, possibilitando-lhes conhecimentos a respeito com o fim de prepará-los para abordar a sexualidade/sexo no dia a dia da escola, favorecendo o exercício de uma prática conscientizadora e aberta.

 

MÉTODO

Neste estudo, adotamos uma abordagem humanista. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, mediada pelo método da Pesquisa-Ação(16). Esse referencial metodológico possibilita suscitar problemas e, junto aos participantes, intervir com ações educativas que visem a resolução dos problemas apreendidos.

As técnicas de coleta de dados adotadas foram a observação participante e a entrevista individual. A inclusão da observação participante foi uma estratégia para ajudar o pesquisador a interagir com os sujeitos da pesquisa, no próprio ambiente deles. As entrevistas foram conduzidas com um questionário contendo questões norteadoras, para possibilitar a compreensão e a interpretação das falas.

População e local: A amostra foi constituída por 13 professores efetivos/regulares de ensino fundamental de uma Escola Estadual, localizada na cidade de Ribeirão Preto do estado de São Paulo. O critério de inclusão foi ser professor do ensino fundamental e aceitar participar voluntariamente da pesquisa.

Aspectos éticos: O estudo atendeu o rigor científico e seguiu preceitos éticos na realização de Pesquisa com Seres Humanos, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa EERP -USP número do protocolo 0729/2006 de acordo com a Resolução 96/196. Foram garantidos: privacidade, participação voluntária dos professores e utilização científica dos resultados.

Etapas da coleta de dados: Na primeira etapa realizamos a observação participante e entrevistas. Na segunda etapa, houve a seleção por categorização com a organização do material da coleta de dados, seleção de palavras e frases registradas e emitidas, síntese das palavras e frases selecionadas, possibilitando a ordem dos temas geradores(16) . Com isso, propomos o desenvolvimento educativo da Pesquisa-Ação.

Informação sócio demográfica: Esse tópico consistiu em dados sobre a Escola e em dados pessoais dos professores.

Tratamento e leitura dos dados: Depreendemos ampliar a consciência da situação vivenciada e a capacidade de se relacionar com o mundo em que se vive (no caso o cotidiano escolar e a sexualidade). A opção pela aplicabilidade desse modelo se volta para Educação libertadora ou conscientizadora e a sua trajetória pressupõe a observação participante para melhor compreensão da realidade em foco. O registro do levantamento das necessidades, além das observações participantes e das entrevistas, foram norteadas pelo instrumento utilizado da pesquisa ação. Os dados foram selecionados e codificados por categorização gerando os temas geradores. Após o levantamento das necessidades e a elaboração das respostas categorizadas, foi possível o planejamento, execução e avaliação do programa educativo, conjuntamente, pesquisador e pesquisando, para atender aos problemas emergidos(2-16).

Para a análise dos dados, utilizamos os pressupostos da análise por categorizaçãofreire1992. A primeira fase abrangeu o levantamento dos problemas mais freqüentes identificados pelos professores com os alunos, relacionados às questões gerais da sexualidade da criança e do adolescente. Após leitura cuidadosa dos resultados organizamos o material da coleta de dados em categorias, selecionamos palavras e frases emitidas e registradas, colocando em ordem, os temas geradores(2-16).

A segunda fase compreendeu o desenvolvimento das atividades educativas da Pesquisa-Ação. Elaboramos planos de ensino relativos aos temas geradores, culminando com o desenvolvimento da educação concientizadora/problematizadora. Finalizando, procedemos a avaliação do processo(2-16).

 

RESULTADO E DISCUSSÃO

Primeira Fase

A - Dados pessoais e profissionais

No que concerne aos dados pessoais, os professores em estudo se caracterizam em: 92,3 % do sexo feminino, 76,9 % acima de 40 anos, 84,6% católicos, 61,5% casados e 69,2% com um ou mais filhos, 76,9% têm mais de 12 anos de profissão. Todos dão aula para 5ª série e 50% dão aula à 6ª ou 8ª série. Destes, 61,5% dão aula nos períodos manhã e tarde, 38,5 % dão aula também em outra instituição de ensino.

B- Categorização dos questionários

1. Categorização das respostas sobre a questão: Fale um pouco de sua vida. E sua vida profissional. Gosta de ser professor? O que isso representa para si?

Significado da vida pessoal

Qualidades pessoais

• Realização: me sinto realizada.

Significado da vida profissional

Ensinar e aprender

• Dificuldades: Desgastante, difícil, complexo, fazer também papel da família, dar muita aula;

• Importância: A profissão é muito importante, pois através dela teremos, futuramente, pessoas com ampla expectativa profissional, Através dessa profissão percebe que alguém absorve conhecimento, valores, experiências, respeito;

• Realização:

Acho que estou no lugar certo, é mais do que profissão, considero missão, ideal de vida, Gosto da escola, a profissão é identidade, tenho orgulho e meus filhos se sentem orgulhosos em dizer que a mãe deles é professora;

Significado de ser professor(a)

• Realização: Adoro dar aula, é gratificante, adoro ensinar, ser Professor. Quando ensino alguém com dificuldade fico realizada e faço a diferença;

• Contato humano: é enriquecedor, Lidar com o publico é muito gostoso.

De acordo com as falas evidenciadas na categorização da questão 1, foi interessante observar que poucos referiram sobre sua vida pessoal .Todavia, destacaram de maneira significativa, a importância que dão a sua profissão, revelando-a como uma vocação. As respostas sobre o significado da vida pessoal e profissional e de ser professor demonstram que a maioria dos professores se sentem realizados. Quanto à vida profissional e ao significado de ser professor, é notório a manifestação de afetividade quando expressam a importância que dão ao trabalho e orgulho em relação à carreira docente; ainda que manifestem como desgastante as dificuldades da profissão.

2. Categorização das respostas sobre a questão: Que significado você dá para sexualidade? E sexo?

Significado de sexualidade

• Descobertas, desejo e auto-conhecimento: É despertar. mudanças, auto-conhecimento; do próprio corpo, na adolescência. descoberta do outro, respostas para atos ainda não realizados e atração por pessoas do sexo oposto; é conhecimento sentimento, desejo, acontecendo cada vez mais cedo;

• Naturalidade: É algo natural, é andar, respirar, beijar, sentir;

• Atração: É importante sentir-se bem, atraente;

• Trabalhar o assunto:

deve ser trabalhado com família, escola, psicólogo;

Significado do sexo

• Prática do ato em si: nas suas variadas formas, ato realizado por um casal, podendo haver diversos tipos de relação, meio de perpetuação da raça e um meio de prazer, Está mais relacionado com o ato sexual, uma necessidade orgânica;

Interesse pelo sexo oposto

• Fisiologia: É o órgão genital do homem e/ou da mulher;

• Mudanças de interesses conforme a idade: Acontecendo cada vez mais cedo, Depois que casamos o sexo tem rumo de vida diferente, passa a ser complemento da vida conjugal, pois temos outros objetivos e problemas. Quando somos jovens e solteiros parece que sexo é algo mais importante, mais presente nos desejos;

• Realização, Amor e companheirismo: É o complemento do amor, respeito e afinidade recíproca, é conseqüência quando se tem um bom companheiro.

O significado que deram a Sexualidade foi associado á descobertas, desejo, autoconhecimento, naturalidade, atração, interesse por outra pessoa, mostrando ainda a importância de se tratar esse assunto na escola. E o Sexo foi associado à prática do ato em si, interesse pelo sexo oposto, fisiologia e mudança de interesses conforme a idade. Relacionaram ainda, como forma de realização, amor e companheirismo.

3. Categorização das respostas sobre a questão: Quando os alunos questionam sobre temas gerais relacionados à Sexualidade e Sexo, o que você faz? Que estratégias de ensino você usa? E material didático? Como você avalia esse conhecimento?

Responsabilidade do professor de ciências

• Orientação: Orientar ajudando naquilo que acredito dominar e tenho segurança, tento tirar dúvida, preciso ouvi-los como se fossem meus filhos,orientadora;

• Naturalidade ao tratar do assunto: Falo de maneira simples dentro da realidade e de acordo com a idade deles, É um conhecimento natural do ser humano que deve ser abordado com muita naturalidade, respondo naturalmente.

• Materiais didáticos: livros, revistas especificas ou não, jogos, filmes, músicas, softwares, apostilas, como professora de ciência uso depoimento de jovens sobre o assunto, revistas, textos sobre o assunto, utilizando uma linguagem adequada para os alunos, filmes, vivência e depoimentos dos próprios alunos, material didático: papel, lápis de cor, CD, DVD, fitas de vídeo.

• Desmistificação: Esclareço certos mitos, sexo não é somente um ato prazeroso.

• Não tratar o assunto: não trato do assunto de maneira específica.

Em geral, os professores, ao serem abordados sobre os temas relacionados à Sexualidade e Sexo, referiam orientar os alunos com naturalidade e usar alguns materiais didáticos. Segundo eles, os materiais educativos devem servir para iniciar a conversa, problematizar o tema e levantar perguntas, sem dar respostas. Materiais audiovisuais como vídeos, slides, transparências ou cartazes, devem ser usados também com essa intenção. Um vídeo didático adequado apresenta o assunto, levanta perguntas e suscita questionamentos, possibilitando abrir o debate. São elementos necessários para a reflexão, como dados da realidade social, mas que não devem ser vistos como verdades a serem aceitas sem discussão, pois expressam interesses e visão idealizadas de sexo e sexualidade(17).

Os professores atribuem importância à educação sexual na escola. Sugerem que o professor trate diversos conteúdos sobre singularidades humanas, para que os alunos sejam capazes de se constituírem em sujeitos críticos, capazes de pensar e discutir diversos assuntos(18).

4. Categorização dos professores sobre a questão: O que pensa sobre a Educação na Escola? Sugestões.

• Importância da educação sexual: Importante em todas as séries;

• Orientação: Tirar dúvidas, orientação para os alunos levarem uma vida saudável, Orientadores, orientar para que vivam a sexualidade de maneira plena;

• Informação: Precisam de informações corretas e adequadas, embora falem muito sobre sexo nem sempre as informações são corretas, conhecimento muito deturpado do que é sexualidade e sexo. Assistem muitos filmes pornográficos;

• Prevenção: Orientá-los na prevenção e como se proteger, apreendam a se prevenir e ter um grande conhecimento a respeito do sexo, Deve ser tratada de forma preventiva para que possamos minimizar os problemas;

• Equívocos: Ocorrem equívocos com o que é aprendido nas ruas ou por pais mal informados, muitos não tem oportunidade nem liberdade de conversar com os próprios familiares, aprendem na rua, com colegas, muitas vezes de maneira distorcida, na maioria das vezes os pais deixam o assunto de lado e não orientam seus filhos adequadamente, são despreparados ou tímidos para tratar do assunto.

• Necessidade de profissional qualificado: Deve ser ministrada por profissionais competentes e experientes, Tratando o assunto com seriedade.

• Necessidade de integração familiar: deverá ser dada pelos pais e mesmo durante as orientações temos que trabalhar juntos, deixando os pais cientes do que estamos trabalhando, para não pensarem que incentivamos a iniciação.

• Buscar parcerias: fazer parcerias para trazer novas orientações.

• Formas de trabalhar prevenção: orientando sobre doenças, corpos e mentes não preparados para gravidez, nos ajudassem a trabalhar esse assunto com alunos, de acordo a faixa etária deles, depoimentos seriam interessantes para o grupo, disponibilizar materiais didáticos, trabalho mais amplo e efetivo;

• Palestras com profissionais da área: Profissionais para darem palestras, palestras livros, pessoas da área de saúde dar palestras, pois pessoas de fora tem mais aceitabilidade, Palestras de profissionais da área;

• Orientação por profissionais da área: Orientações sobre sexo e sexualidade, mesmo que já haja professores capacitados, pessoas diferentes, com novas metodologias sempre proporcionam resultados melhores, profissionais capacitados, ter profissional da área para orientá-los adequadamente, acompanhamento psicológico para os alunos que necessitam;

• Trabalhar o cuidado: Trabalhar a responsabilidade sobre tudo o que fazemos;

• Outros: Sem sugestões, só o diploma não transmite segurança.

A maior parte dos professores manifestou dar grande importância à educação sexual na Escola, visando a orientação, informação, prevenção, apoio de profissional qualificado e a necessidade de integração familiar. A maioria dos professores prefere que profissionais da área de saúde dêem palestras e orientações sobre o tema.

Vale destacar que a Educação Sexual deve ser conduzida e preparada por alguém que seja do agrado e/ou da confiança do contingente infanto-juvenil. O educador sexual deve ter claro que a confiança é a questão principal nesse processo, demandando resgate de valores, sobretudo, de segurança, respeito e responsabilidade associado ao diálogo aberto, claro e franco(2). Notamos, cada vez mais, que os professores pesquisados necessitam de capacitação (10-18) e projetos efetivos de parcerias. De nada adiantará investir em educar se os alunos não conseguirem ser sujeitos ativos da aprendizagem, motivados e sensibilizados. É necessário um sentimento de companheirismo entre professores para realizar essa tarefa(16-19).

5. Categorização das respostas sobre a questão: Quando você vê alunas grávidas na escola, o que você pensa disso? E já teve em sua sala? O que fez?

• Falta de orientação: da família e informação, geralmente de famílias desestruturadas, não foi orientada de maneira correta por seus responsáveis.

• Naturalidade em tratar do assunto: tratar o assunto naturalmente.

• Mostrar deveres e responsabilidades diante da gravidez: Procuro orientá-las para que continue estudando é a única forma de melhorar sua vida e do seu filho, para a própria aluna, tento orientá-la a ter responsabilidade pelo que virá pela frente, filho, etc. Tento mostrar aos outros alunos, conseqüências de um ato momentaneamente prazeroso, que acarreta conseqüências irreversíveis na vida.

• Orientações: Conselhos para evitar riscos para mãe e para a criança, Sinto que a escola poderia ter ajudado mais com a prevenção, procuro orientá-las e quase sempre chamar os responsáveis para também orientá-los, cuidados que um bebê precisa e prevenir outra gravidez, conversar sobre o assunto.

• Encaminhamento médico: pré-natal, médico para acompanhar gravidez;

• Preocupação com a situação: dificuldades, são muitos problemas que mãe, filho e família vão enfrentar na gravidez na adolescência, responsabilidade com a criança que não tem culpa de vir, adolescentes inexperientes e despreparados;

• Não ação: Não fiz nada.

Apenas duas professoras não tiveram alunas grávidas em suas salas, ou seja, quase todos os professores já deram aula para alunas grávidas na escola. Referem tratar o assunto com naturalidade. Atribuem como fator associado da gravidez precoce a falta de orientação e sugerem buscar parcerias, palestras e orientações com outros profissionais da área, bem como, trabalhar o cuidado.

Segunda Fase

Consistiu no Conteúdo Programático (Temas Geradores) que foram: Sexualidade/ Sexo; Sexualidade na adolescência; Gravidez e Educação Sexual.

Posteriormente à realização do levantamento de dados, em torno das dificuldades

relacionadas à temática, foi proposta pelo grupo a elaboração de um projeto educativo, para reflexões através de oficinas pedagógicas, tratando-se da promoção de saúde, conscientização, buscando reflexão sobre o tratamento dado ao tema no cotidiano. Foram tratados os temas: sexo, gravidez e adolescência; desenvolvendo o espírito crítico e transformador destacando a importância da Educação Sexual na escola, considerando professores agentes multiplicadores de conhecimentos e habilidades.

 

CONCLUSÃO

Verificamos que os professores que mais orientam sobre questões da educação sexual são os de ciências e que o tema não é muito bem tratado como tema transversal. A pesquisa-ação se configurou como meio apropriado para a educação sexual conscientizadora, tendo a escola como local privilegiado para o desenvolvimento desta.

O programa educativo desenvolvido através de encontros possibilitou construir conhecimentos e habilidades na área, bem como, ajudar os professores, instrumentalizando-os para abordarem e discutirem sobre o tema no cotidiano escolar.

Pudemos depreender que o ambiente criado nos encontros possibilitaram construção de conhecimentos, saberes curriculares e, consequentemente, pedagógicos.

Os participantes eram encorajados a falar na escola sobre o tema, experiências, dúvidas, conflitos e tensões. Muitas vezes, a dúvida de um era esclarecido por outro através de Círculos de Discussão(16-20). À medida que iam revelando os problemas, foi possível identificar que houve maior compreensão e interpretação das orientações oferecidas. Depois da implementação do plano de ensino, percebemos que muitas dúvidas levantadas foram sanadas e muitas informações foram compartilhadas.

A abordagem pedagógica utilizada nas ações educativas, ocorrera de forma aberta, dialógica, crítico-reflexiva, favorecendo a conscientização e proporcionando, maior reflexão e compreensão da realidade vivenciada. Possibilitaram discutir os problemas identificados. As discussões das ações intervenções/educativas e dos casos relatados provocaram reflexões, tornando-se elementos de produção de novos significados. As narrativas foram se configurando como fundamentais no processo de maior conscientização sobre a própria prática. Os professores traziam para as reuniões do grupo histórias de aulas, de formação e vivência na escola.

A pesquisa possibilitou perceber que faz-se necessária a orientação dos pais e dos professores evidenciando a importância do preparo para lidarem adequadamente com estas questões no cotidiano dos alunos e familiares. Esta maior conscientização é necessária para os educadores, pois eles passam maior tempo com os educandos, demandando instrumentalização para lidarem com o tema. Neste processo, a Escola pode ser o recurso para ajudar familiares, professores e escolares a compreenderem melhor os pressupostos da educação sexual. Sendo assim, os profissionais da saúde são grandes aliados dos professores, no sentido de conscientizá-los e capacitá-los.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Julieta Seixas Moizés
Rua Thomas Nogueira Gaia, 1976 - Jardim São Luiz
CEP 14020-290 - Ribeirão Preto, SP, Brasil

Recebido: 20/03/2008
Aprovado: 11/03/2009

 

 

* Extraído da dissertação "A sexualidade na compreensão de professores de ensino médio, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 2007.

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