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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.44 no.2 São Paulo June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342010000200029 

ARTIGO ORIGINAL

 

Efeito da música no trabalho de parto e no recém-nascido

 

Efecto de la musica en el trabajo de parto y en el recién nacido

 

 

Camila Sotilo TabarroI; Luciane Botinhon de CamposII; Natália Oliveira GalliIII; Neil Ferreira NovoIV; Valdina Marins PereiraV

IEnfermeira do Setor de Educação Continuada do Hospital Sanatorinhos de Itu. Itu, SP, Brasil. casotilo@yahoo.com.br
IIEnfermeira da Unidade Pré-Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde de Sorocaba. Sorocaba, SP, Brasil. luciane.enferm@yahoo.com.br
IIIEnfermeira Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. nataliagalli@bol.com.br
IVProfessor Titular do Departamento de Morfologia e Patologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. nfnovo@pucsp.br
VProfessora Associada do Departamento de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. vmarins@pucsp.br

Correspondência

 

 


RESUMO

A música tem sido aplicada para o equilíbrio de energias alteradas pelo stress do mundo moderno. Este estudo objetivou verificar o efeito da música no trabalho de parto e no recém-nascido, quando submetido às mesmas melodias ouvidas por suas mães na gestação. Gestantes, usuárias de Unidades Básicas de Saúde, foram submetidas a sessões de sensibilização musical a partir do quinto mês de gestação. Durante o trabalho de parto, a parturiente foi submetida às melodias selecionadas por ela, com interrupções de 30 minutos a cada duas horas. Os dados foram coletados em três entrevistas realizadas após o parto, em diferentes momentos, e o discurso obtido foi analisado qualitativamente. Constatou-se, pelo conteúdo das falas, que a música minimizou os desconfortos do trabalho de parto e facilitou a adaptação do bebê nos primeiros meses de vida.

Descritores: Musicoterapia. Parto. Parto humanizado. Recém-nascido.


RESUMEN

La música ha sido aplicada para el equilibrio de las energías alteradas por el estrés del mundo moderno. Este estudio tuvo por objetivo verificar el efecto de la música en el trabajo de parto y en el recién nacido cuando es expuesto a las mismas melodías oídas por sus madres durante el embarazo. Mujeres embarazadas atendidas en Unidades Básicas de Salud fueron expuestas a períodos de sensibilización musical a partir del quinto mes de embarazo. Durante el trabajo de parto, la parturienta escuchó las melodías elegidas por ella misma, con interrupciones de 30 minutos cada dos horas. Los datos fueron recolectados en tres entrevistas realizadas en diferentes momentos; las respuestas obtenidas fueron analizadas cualitativamente. Los autores constataron en las respuestas a las entrevistas que la música minimizó las incomodidades del trabajo de parto y facilitó la adaptación del bebé en sus primeros meses de vida.

Descriptores: Musicoterapia. Parto. Parto humanizado. Recién nacido.


 

 

INTRODUÇÃO

O interesse inicial de explorar a música na assistência à gestante e parturiente como também seus possíveis efeitos no recém-nascido vem de observações contínuas, embora não sistemáticas, do cotidiano de nossa profissão de enfermeira. Em diversas circunstâncias temos notado que o uso de medicamentos tem trazido, não raro, mais prejuízos do que benefícios às pessoas. E isto acontece, particularmente, na situação de trabalho de parto, uma vez que sabemos ser este um fenômeno fisiológico, podendo, em aproximadamente 90% dos casos, ter um desfecho natural.

Tendo trabalhado, durante vários anos, com preparo de gestantes para o parto, utilizamos a música para as sessões de relaxamento, prática esta, realizada sempre no início dos encontros. A muitas dessas gestantes foi oferecida uma cópia, em fita cassete, das melodias utilizadas no relaxamento, sugerindo-se que colocassem para seus bebês ouvirem. Ainda que de forma não sistemática, obtivemos relatos interessantes dessas mães quanto às reações de seus recém-nascidos quando submetidos às melodias que haviam sido utilizadas nas sessões de relaxamento: paravam de chorar, ficavam mais calmos, adormeciam com facilidade, entre outras reações. O relato dessas mães nos impulsionou a explorar mais este assunto, ampliando leituras pertinentes.

A hipótese era de que, o uso da música, um procedimento de aplicação simples e de baixo custo, pudesse colaborar para a harmonização da dinâmica do trabalho de parto, individualizando e humanizando a assistência e, quem sabe, propiciando maior número de partos eutócicos.

A música está presente, tradicionalmente, em vários rituais importantes na vida do homem em sociedade. Há melodias apropriadas para casamento, aniversário, músicas de ninar, músicas para festas cívicas, para rituais religiosos, para funerais, etc. Assim, a música é encontrada em todas as culturas do mundo, mesmo nas mais primitivas e desprovidas de conhecimentos tecnológicos.

Música, segundo o dicionário específico(1), é a arte de combinar os sons de modo a agradar ao ouvido para, pondo em ação a inteligência, falar aos sentimentos e comover a alma. Como ciência, a música é a disposição dos sons de forma a contemplar três elementos: a melodia, o ritmo e a harmonia.

Algumas ciências como a Física, a Acústica e a Matemática contribuíram para explicar as formas de produção do som porém não dão conta de desvendar os efeitos produzidos pela música nos seres humanos. O texto a seguir(2) resume, magistralmente, essa reflexão:

Um físico lhe dirá que as agitações das moléculas de ar são bem parecidas para quaisquer ouvidos, sejam os de um sapo, de uma vaca ou de um ser humano. Mas um psicólogo advertirá que as sensações derivadas dessas vibrações variam imensamente de uma espécie para outra.

A Musicoterapia, ciência organizada como tal no século XX, estuda os efeitos terapêuticos da música nos seres humanos. Já a Biomúsica é aplicável a pessoas sadias, auxiliando no re-equilíbrio de comportamentos alterados pelas pressões da vida moderna. Um dos pioneiros nesta área(3) relaciona uma série longa de benefícios auferidos pela Biomúsica, dos quais destacamos alguns de interesse para este trabalho:

• Torna mais lenta e profunda a respiração;

• Aumenta a resistência às excitações sensoriais;

• Combate o estresse;

• Permite o domínio das forças afetivas e

• Auxilia no bom funcionamento da fisiologia.

 

OBJETIVOS

• Verificar e descrever os efeitos da música, individualmente selecionada, no trabalho de parto de mulheres assistidas em cinco maternidades;

• Verificar o comportamento e reações do bebê, quando submetido às melodias ouvidas por suas mães durante a gestação e o trabalho de parto, através dos discursos das mães, obtidos nos três primeiros meses após o parto.

 

MÉTODO

As gestantes foram contatadas em quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Sorocaba; posteriormente foi incluída uma Unidade de Porto Feliz/SP, cidade localizada a cerca de 40 Km de Sorocaba. Esta inclusão para ampliação da casuística foi facilitada porque uma das pesquisadoras reside nessa cidade. As gestantes foram convidadas a participar de reuniões semanais, para sensibilização musical, a partir da 20ª semana de gestação.

Para ser incluída na casuística deste trabalho, a gestante teria que:

• Estar matriculada nas UBSs escolhidas para a realização deste trabalho;

• Ser classificada como gestante de baixo risco;

• Não apresentar deficiências de audição;

• Participar de, pelo menos, cinco sessões de sensibilização musical;

• Comprometer-se a dar à luz em uma das maternidades indicadas;

• Ter o seu trabalho de parto e parto entre a 37ª e 42ª semana de gestação;

• Aceitar as condições desta pesquisa, assinando o Termo de Consentimento (conforme Res. 196/96, do Conselho Nacional de Saúde)

Na primeira reunião foi preenchida uma folha com dados de identificação e informações sobre as experiências anteriores com relação à música. Em uma sala preservada de ruídos tanto quanto possível, foram disponibilizados colchonetes e almofadas e, acomodadas em posição confortável, as gestantes foram submetidas à sensibilização musical.

Sensibilização musical - através de um toca-fitas portátil, foi disponibilizada uma série de 8 a 10 melodias, selecionadas especialmente para o estudo, em intensidade compatível com a aceitação do grupo. O período destinado a essa experiência variou de 35 a 45 minutos. No fim da sessão, as gestantes respondiam, individualmente, a algumas questões sobre como se sentiram durante a audição das músicas, quais delas haviam lhe agradado mais e se alguma havia provocado sensações/lembranças desagradáveis; estas observações foram anotadas em uma folha apropriada e anexada à ficha de inscrição da gestante.

Em cada sessão, uma série diferente de melodias foi ouvida pelo mesmo grupo. Os grupos variaram de duas a nove mulheres.

As informações registradas nas folhas de cada gestante foram utilizadas para a gravação de um CD individualizado que foi, então, entregue a cada futura mãe com a recomendação de levá-lo à maternidade por ocasião do parto.

O acompanhamento das parturientes foi feito nas Maternidades dos Hospitais Santa Lucinda, Dr. Linneu de Matos Silveira e Santa Casa de Misericórdia, em Sorocaba/SP; no Hospital Santo Antônio, em Votorantim/SP e na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Feliz/SP.

Durante o tempo de observação do trabalho de parto, conforme foi convencionado para esta pesquisa, a cada duas horas, a música foi suprimida por um período de 30 minutos. Ao findar cada um desses períodos (com a música e sem a música) os elementos de controle da evolução do trabalho de parto (freqüência, intensidade e duração das contrações, freqüência dos batimentos cárdio-fetais, freqüência cardíaca e respiratória da mãe) foram registrados em uma folha de observação.

Quando foi indicada a cesárea no decorrer do trabalho de parto, a mulher foi excluída da casuística; porém, sempre que demonstrou desejo, a música ambiente foi mantida. Esta mãe foi incluída para a visita domiciliar pós-parto, para avaliação qualitativa dos efeitos da música no seu bebê.

Para serem incluídos no estudo, os recém-nascidos deveriam:

• Ter APGAR acima de 7 (sete) na avaliação aos 5 minutos;

• Ter aceitação da mãe para a visita domiciliar após a alta.

As melodias utilizadas nas sessões de sensibilização, selecionadas de acordo com a literatura consultada(1-2), incluíram o gênero erudito das épocas barroca (Bach, Vivaldi) clássica (Mozart), e romântica (Chopin, Listz, Schubert), composições contemporâneas de Steven Halpern, Geórgia Kelly, Alexandre Guerra, Ênia e algumas melodias do folclore japonês.

Dois métodos foram utilizados para coleta dos dados: o registro dos parâmetros de evolução do trabalho de parto e a entrevista semiestruturada, que foi realizada em três momentos:

1º - nas primeiras 24 horas após o parto (PP 1);

2º - entre 2 e 4 meses após o parto (PP 2) e

3º - até o terceiro mês após o parto, para registro da percepção da mãe sobre o efeito da música no bebê (RN).

Os discursos obtidos nas entrevistas foram registrados em fita cassete, transcritos na íntegra e analisados à luz da proposta de autores(4), determinando-se as Unidades de Significado dos relatos e, posteriormente, categorizando-as. As várias categorias foram, então, analisadas frente aos objetivos do trabalho.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências Médicas e Biológicas de Sorocaba - PUCSP, em 10/05/2004 sob nº 390, de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Embora tenham sido inscritas no estudo 87 gestantes, apenas 27 (31%) cumpriram os critérios previstos para inclusão, ou seja, participaram de cinco ou mais sessões de sensibilização. Esta condição constituiu-se na primeira dificuldade para a obtenção de uma casuística satisfatória. Das 27, nove tiveram partos cesáreos, cinco não comunicaram às pesquisadoras quando foram à maternidade e uma apresentou hipertensão no final da gestação; estas 15 foram excluídas para a análise do trabalho de parto.

Assim, apenas 12 parturientes tiveram seu trabalho de parto acompanhados com as melodias de sua escolha e estas foram entrevistadas no pós-parto. Quanto ao efeito da música nos recém-nascidos, foram entrevistadas 20 mães (11 bebês nascidos de partos normais e 9 nascidos por cesárea); uma das doze acompanhadas no trabalho de parto não estava com seu aparelho de som durante o puerpério, não podendo realizar a observação com seu bebê.

Comparando-se as características das 87 mulheres inscritas com o grupo das 12 que completaram os quesitos exigidos, observou-se grande semelhança na paridade e na faixa etária. Apenas em três aspectos os dois grupos se diferenciaram: o peso dos bebês - que foi ligeiramente maior no grupo das 12 mães; o Apgar, que foi entre 9 e 10 aos cinco minutos para 100% dos bebês de partos acompanhados com música (ocorrendo em 90% dos 87) e as vivências anteriores relacionadas à música, que foi expressivamente maior entre as 12 gestantes, isto é, 91% destas ouvia os pais cantarem na sua infância (apenas 54% entre as 87 da amostra). Estas experiências anteriores podem ter contribuído para a maior adesão da gestante ao projeto.

Quanto às escolhas e rejeições em relação às melodias utilizadas, após uma apreciação, foram constatadas grandes diferenças de reação às mesmas melodias. Corrobora esta observação uma pesquisa sobre os efeitos da música na dor crônica(5), que alerta sobre a importância de se levar em conta as preferências individuais, em um elenco pré-determinado de melodias indicadas para cada situação.

No final do estudo, as melodias mais rejeitadas foram substituídas por outras, também adequadas, resultando em cinco séries melódicas, gravadas em cinco CDs.

As melodias mais escolhidas pelas gestantes, em ordem decrescente, foram:

20 escolhas:

• Melodia do folclore japonês denominada Aka Tombo, de Kôsaku Yamada (extraída do Cd denominado Japonese Melodies da gravadora Denon Records).

17 a 15 escolhas:

• Ave Maria de Bach-Gounod, extraída do CD Silence volume 2 (denominada de Rainbow), gravado pela Paulus;

• Danúbio Azul de R. Strauss, executado pela Vienna State Opera Orchestra regida por Albert Lizzio (excerto), do CD Strauss, gravado pela Apollo Classics;

• Aurora do Coração de Alexandre Guerra (compositor brasileiro contemporâneo), extraída do CD Gestação - Música suave para gestantes, gravado pela Azul Music;

• Aus dem Flötenkonzert e-moll - Andante - de Buffardin, com solo de flauta de Eckart Haupt acomp. de Dresdner Barocksolisten, extraída do CD Die Flöte, gravação Laserlight;

• Ária em ré maior da suíte n. 2 (Ária na 4ª corda) de J.S. Bach, extraída do CD Silence - volume 2, (não menciona os executantes), gravado pela Paulus;

Greensleaves para flauta e harpa, de compositor anônimo (1600), com Jean-Pierre Rampal à flauta e Lily Laskine na harpa, extraída do CD The best of Jean-Pierre Rampal, acomp. Orchestre de Chambre de Jean-François Paillard, gravação da Erato Disques S.A.;

Midnight in Maksimir, de Geórgia Kelly , CD Gardens of the Sun, solo de harpa da própria Geórgia Kelly, gravação Global Pacific Records.

É importante lembrar que a casuística foi extremamente diversificada quanto às condições sócio-culturais e de escolaridade uma vez que se trabalhou com clientela de UBSs de diferentes localizações geográficas. Em uma destas Unidades, as sessões foram realizadas em um contêiner de aproximadamente 9 m2, mostrando que as condições físicas não são impeditivas para ações de humanização na assistência.

Apesar de terem sido registrados os parâmetros fisiológicos da evolução do trabalho de parto na tentativa de uma apreciação objetiva do efeito da música, não foi possível uma análise válida dessas variáveis pelo uso rotineiro de ocitócicos e rutura artificial da bolsa amniótica nas maternidades envolvidas, procedimentos estes que influenciam na evolução do processo.

A parte central deste estudo foi a análise dos discursos das mães, sobre sua experiência de ter o parto com música. O parâmetro de comparação foram os períodos de 30 minutos sem música, previstos na metodologia. Para a análise dos discursos, foi utilizada a proposta de Szymanski e col.(4), determinando-se as Unidades de Significado dos relatos e, posteriormente, categorizando-as. As várias categorias foram, então, analisadas frente aos objetivos do trabalho.

Todos os discursos, obtidos por gravação das entrevistas, foram transcritos literalmente e analisados a partir das Unidades de Significado que emergiram das várias falas. Estas foram analisadas no todo, não se restringindo às questões norteadoras, porque, nem sempre, a entrevistada seguiu a ordenação prevista. Priorizou-se, no momento da entrevista, os sentimentos da mulher e o que ela queria expressar com relação à vivência do parto com música. Assim, considerou-se o conteúdo das falas, que algumas vezes não eram exatamente as respostas aos itens do roteiro, porém eram significativas para a puérpera naquele momento.

O fato de a mulher no período do pós-parto imediato estar, em geral, alterada pela emoção e pelos hormônios liberados no processo parturitivo, motivou as pesquisadoras a incluir uma segunda oportunidade de ouvir o relato da mulher sobre seu parto, após dois meses deste. O roteiro para ambas as entrevistas foi o mesmo. Isenta (ou menos sujeita) à influência das fortes emoções que acompanham o nascimento de um filho, esperou-se um discurso mais consciente e verdadeiro sobre a experiência de parir com música. Desta forma, 10 das 12 mães que haviam dado à luz com música, foram entrevistadas após dois e antes dos seis meses do parto, na maioria, em seus domicílios.

Os conteúdos analisados a seguir são, portanto, provenientes de três situações:

• Entrevistas no pós-parto imediato, na maternidade, realizada nas primeiras 24 horas após o parto. Participaram 12 mulheres (PP 1);

• Entrevistas realizadas no período de 2 a 6 meses após o parto, com 10 mães. Duas mães mudaram de domicílio e não puderam ser contatadas (PP 2);

• Entrevistas sobre os efeitos da música no comportamento do bebê, realizada nos primeiros três meses após o nascimento, com 20 mães (RN).

Análise das entrevistas realizadas no pós-parto imediato (PP 1)

Algumas das categorias que concentram as unidades de significado dos discursos transcritos abaixo permitem inferir que a música pode trazer benefícios à mulher em trabalho de parto, não mensuráveis, porém relevantes. Ressalte-se que estão incluídas neste estudo mulheres de variados níveis sócio-econômicos, culturais e de escolaridade.

CATEGORIA: Sensações agradáveis

Tranqüilidade, paz

Sensação assim de tranquilidade, né, que o bebê bem tava ali...tava vindo, de tranqüilidade, aquela paz que a música... (2).

Foi o único momento de tranquilidade que eu tive foi a música... Foi o que me tranqüilizou... (12).

Alívio da dor

...sente aquela dor, de repente, acalma, e a música parece que nossa, que alivia... tira aquela tensão da dor... (4).

A sensação diferente que eu percebi é que com a música, parece que alivia até a dor (10).

Segurança, calma

Olha, olha, eu me sentia segura... (13)

Lembrava de casa e fazia de conta que estava... a música me deixava sossegada. A... 3 foi a que trouxe mais calma (14).

CATEGORIA: Situações positivas

Ambientalização

...por ter ouvido já a música em casa, acho que a música acalmou bem mais... (21)

...na hora que entrei na sala de parto e você colocou a música, eu me senti ambientalizada... (41).

Vínculo parturiente/profissional, apoio, estímulo

Bom, mas a ajuda conta mais (36).

...criou um certo vínculo, que nem, com a sua equipe... É um momento que você está mais precisando de confiança... (37)

...na hora de sentir a dor e fazer força é uma coisa que a gente nunca aprende, ninguém ensina pra gente ... no caso de você estar me estimulando, assim é muito melhor do que você ficar fazendo lá sozinha (39).

CATEGORIA: Efeito favorável da música

Percebendo a diferença nos períodos com e sem música

Você percebe a diferença nesses intervalos de meia hora e que você fica sem a música, parece que você continua ouvindo... Realmente fez falta... ali naquele momento, naquele intervalinho, aí que você sente assim que com a música realmente fica mais tranqüilo, começa a relaxar mesmo... (41).

Eu pude notar a diferença que tem quando a gente ouve música e as mães que não ouvem, por que chegaram duas que nossa..., tavam para morrer, parecia (42).

Nos momentos sem música sentia falta. Dava angústia. Ficava mais concentrada na dor. A música relaxa... sem, ficava vazio! (44).

...eu lembro que durante as contrações, eu ficava nervosa e quando não tava tocando música, eu realmente não conseguia me controlar... e quando estava tocando música mesmo nas contrações mais difíceis, eu fiquei traquila... Eu não gostava quando diminuía a música ou tiravam de uma vez, eu não gostava nem um pouquinho. Ajuda bastante a relaxar... tanto que eu ficava mto macha qdo vcs paravam a música (45).

As interrupções da música a cada duas horas, permitiu que as parturientes estabelecessem comparações com o período em que a música esteve presente.

Um estudo semelhante, que aplicou a música em trabalho de parto em períodos intermitentes, registrou também modificações do estado de relaxamento e da resposta à dor de cada parturiente. Segundo a autora as mulheres se alteraram dramaticamente quando a música era suprimida e as falas dessas mulheres foram bastante semelhantes às obtidas neste estudo tais como eu não poderia ter feito o que fiz sem a música(6).

Os termos tranqüilidade e calma foram citados inúmeras vezes nos discursos deste estudo assim como alívio da dor e estes sentimentos foram atribuídos pelas puérperas à música, tornando o momento da contração mais suportável, segundo seus relatos. Este não é um fenômeno puramente psicológico, uma vez que a música, quando agradável ao ouvinte, provoca liberação de endorfinas no sangue, um neuropeptídeo produzido naturalmente pela hipófise, eficaz na redução da dor. Estudos científicos(7) demonstraram que composições do estilo barroco, em especial os movimentos lentos, apresentam um ritmo previsível entre 55 e 70 batidas por minuto, proporcionando um estado cerebral alerta mas relaxado, estimulando a liberação de endorfinas e reduzindo os hormônios do estresse.

Análise das entrevistas realizadas no pós-parto tardio (PP 2)

CATEGORIA: Sensações agradáveis

Tranqüilidade / Relaxamento

Uma tranqüilidade, uma lembrança tão gostosa... dá até saudade... benefício da criança e da tranqüilidade da mãe (3).

Quando tava forte lá, aquela hora lá no quarto, aí que era gostoso... porque relaxava, sabe...aquela coisa, sensação gostosa, daí quando voltava... (5)

CATEGORIA: Efeito favorável da música

Segurança

...eu tive a oportunidade de ter a música, o médico, meu marido,... (risos) tudo na mesma sala, no mesmo quarto. Então ... eu me senti super segura (11).

Eu tava sozinha aqui, as vezes não tinha uma... com quem conversar... então eu sempre quando vinha pra cá (sessões de sensibilização), eu saia daqui... mais tranqüila. Eu sentia assim aliviada, eu saia daqui tranqüila, sossegada, sem medo de enfrentar a gravidez, meu filho... (12).

Alívio da dor, comparação positiva, com música e sem música

...não, eu fiquei tranquila e não senti tanta dor assim como todo mundo fala que eu achei que fosse sentir (6).

...doía menos, parece que doía bem mais quando tava sem a música... (7).

Eu ficava brava quando interrompia a música! ... (17).

Eu entrava no banheiro pra tomar banho, e deixava a porta aberta pra escutar a música... (risos) (18).

...eu tava, né... com aquela dor que não passava... e aquela música, as vezes eu deitava assim, ficava escutando nossa, que gostoso! (21).

Não sei como é ter filho sem música, acho que com a música eu me senti relaxada....doía menos, parece que doía bem mais quando tava sem a música... (36).

...com a música, relaxou bem mais... sabia, sabia que no intervalo... aí parece que a dor aumentava... (37)

...por incrível que pareça, no momento que parava, aquele intervalo da música eu... sentia falta... parece que tava faltando... algo... que supria alguma coisa... (38).

Ambientalização

...ouvi muito bem, foi a primeira música do CD que tocou no momento que ela tava nascendo a hora que a música surgiu de novo, aí V. ligou na sala de parto, nossa, parece que voltou ao normal... o que tava acontecendo assim... muito bom... (13).

Religiosidade

Eu... é um momento único né (risos)... A música fez muita diferença principalmente assim, eu sou católica, então na minha seleção tinha a Ave Maria, toda vez que passava a tocar, a hora da AM, aí, sabe, lógico que no momento eu tava rezando bastante, nesse momento da Ave Maria, parecia que me fortalecia... (34).

CATEGORIA: Experiência positiva

Lembrança agradável do parto, saudade

Uma tranqüilidade, uma lembrança tão gostosa... dá até saudade... (3).

...na novela ...eu me lembro que eu ouvi a música, eu falei: nossa, essa música é a que estava tocando quando Ana Laura nasceu.... e já olhei. Realmente, traz uma sensação de plena felicidade (20).

Eu falo pro Gabriel: Gabriel, essa aqui é a nossa musiquinha... Eu sofri,claro, senti dores... mas foi uma coisa tão... que hoje eu não lembro, sinto saudade até, sabe... eu não lembro aquela dor, como uma dor sofrimento... (40).

...E a música. A música re-evoca a saudade, a vontade de novo de passar... uma sensação agradável! (42).

Analisando as Unidades de Significado da segunda entrevista pós-parto, constata-se que os discursos confirmaram os sentimentos de tranqüilidade e calma, a ajuda no relaxamento e no alívio da dor relacionados à música no trabalho de parto. Observa-se que a diferença entre os períodos com e sem música foi bem marcante para a mulher e isto foi reforçado nas expressões detectadas na 2ª entrevista.

Vale comentar a ambientalização que a música proporcionou às parturientes no centro obstétrico, uma vez que elas já conheciam as melodias utilizadas no trabalho de parto. Esse sentimento foi manifestado em algumas falas acima transcritas.

Outro aspecto, não menos importante, foi o apoio proporcionado pela presença das pesquisadoras no trabalho de parto e este fato foi valorizado em duas entrevistas pós-parto. A literatura confirma que a música possibilita um diálogo não verbal, conecta os olhares, favorece a cumplicidade entre sujeitos... fenômenos estes que só ocorrem na relação Eu-Tu(8), imprescindível na tão almejada humanização da assistência. Vale mencionar que nas maternidades onde foi realizado o estudo, não era ainda permitida - de rotina - a presença de acompanhantes no trabalho de parto, regulamentada na Lei Estadual nº 10.241 (SP) de 17-03-99(9) e, mais recentemente, na Lei Federal nº 11.108, de 7-04-2005(10).

Emergiu, ainda, nos discursos, mais fortemente na 2ª entrevista, a ligação da música à religiosidade latente na mulher, despertada em duas das entrevistadas pela Ave Maria de Bach-Gounod, e que passou a ser referência na lembrança do parto dessas mulheres. Um dos fundadores do Centro de Pesquisas em Saúde Primal(11), aponta essa conexão entre o nascimento e a oração: rezar reduz, efetivamente a atividade do supercomputador neo-cortical e pode ajudar algumas pessoas a atingir uma outra realidade, fora do tempo e do espaço.

As categorias encontradas, em ambos os momentos em que a mãe foi entrevistada, foram semelhantes e confluem para sensações agradáveis, situações positivas e valorização da experiência/vivência do trabalho de parto com música. Constata-se que este estudo permitiu aos sujeitos pesquisados auferirem os benefícios descritos na literatura pertinente. O conhecimento popular concebe a dor do parto como uma dor que, passado algum tempo, é esquecida. Os relatos dos sujeitos, neste trabalho, demonstram que nem sempre é assim. A música permitiu a estas mulheres lembrarem-se do seu parto com sentimentos agradáveis e até com saudade.

Análise das entrevistas realizadas com a mãe sobre o efeito da música no recém- nascido - RN

CATEGORIA: Situações positivas

Reconhecimento da música pelo bebê

...reconhece e pára p/ ficar ouvindo (1).

Primeiro que eu acho que ele reconhece as músicas, porque as músicas que eu ouvia na gestação, normalmente eu ficava murmurando... e ele dormia (2).

Ela fica calma, né? Quando ela sai, quando ta chorando... quando está com dor de barriga... ela acalma... com a música ela fica mesmo mais calma, tranquiliza bem mais. É diferente! (4).

Então o CD, as músicas, principalmente do CD, vc vê que chama muito a atenção dela. É bem surpreendente assim! (5).

É impressionante, sabe? E ele fica olhando p/ o rádio procurando a música... (6).

Ela reconhece a música e fica procurando de onde vem... (7).

...Ah, ela dá aquele ar de riso... (8).

Ela para e fica prestando atenção na música... (14).

Na hora que tá mamando... ele fica assim... mamando e prestando atenção... no barulhinho da música... mama quietinho... ele fica assim quieto, ouvindo... mesmo como se tivesse outra coisa ali... prestando atenção mesmo... na musiquinha... eu percebo que ele presta atenção na música... fica ouvindo... (19)

No primeiro dia que eu coloquei já percebi, ela ficava assim... parece que conhece, né, a música. Daí eu conversava com ela, falava: já escutou na barriga, né ? ...ela presta atenção... na música... já percebe o som... ela gosta de música, com certeza vai gostar quando crescer... (20).

... Ele fica calmo, às vezes ele acorda e fica observando as músicas (21).

V. percebe que ele fica observando, atento... (22).

Achei gozado, sabe, ela parou de chorar na hora, sabe, ...ela prestou atenção... foi no começo né... (40).

CATEGORIA: Resultados favoráveis da música

Calma, tranquilidade

Quando ela fica nervosa, daí ela fica calminha, procura a música e para de mamar (3).

Coloquei... assim quando to dando banho nela, né... eu coloco a musiquinha p/ ela e ela fica calminha (9).

Eu coloco toda manhã, quando ela ta agitada, ela fica quietinha (12).

...Agora eu tou colocando diariamente... Eu sinto que ele ta mais calmo... quando ele tá nervoso eu sinto que ele vai se acalmando com a musiquinha! (17).

Já aconteceu quando ela está chorando mto, qdo ela ta querendo mamar e eu não to aqui, né? ...minha mãe coloca (a música) porque ela acalma... (31).

Ele gosta, fica calmo e chega até a dormir (32).

Ele fica quietinho... (33)

...Também fica calma ao ouvir, para de choramingar e começa a prestar atenção (34).

...Eu ponho ela aqui no sofá, ela fica ouvindo e até dorme. Fica até mais calma (35).

Alívio das cólicas

E no primeiro mês, principalmente durante o período que ele teve cólica... ajudava ele pegar no sono... e conseguia fazer com que ele dormisse (38).

Ela tava sentindo muita dor de barriga no começo,...ela tava chorando muito... então eu coloquei um dia pra ela... eu percebi que ficou mais calminha, sabe... eu coloquei o som perto, né... já escutou na barriga, né? (40).

Ela tava com muita coliquinha... agora já melhorou mais (42).

Ambientalização

Como a gente mudou de apartamento, eu aproveitei p/ colocar pra ajudar ele a se familiarizar c/... realmente ele não estranhou o local. Ele dormiu super bem desde a primeira noite aqui no apartamento novo... Ficou um resquício do que ele já conhece... (10).

...Ele começou estranhar, né... a casa... ele começou a chorar, ele chorava e... daí eu lembrei da música. Comecei tocar a musiquinha, nesse tempo eu comecei pegar ele... colocava ele pertinho de mim, junto com a música, dançando com ele, aí ele se acalmava... (18).

Por restrição de espaço, foram aqui apresentados apenas os discursos mais significativos; por esse motivo a numeração apresenta-se descontínua.

O reconhecimento da música pelo bebê, ficou bastante destacado nos discursos das mães; este fato foi mencionado muitas vezes. A música auxiliou também na ambientalização do bebê quando foi necessária a mudança de domicílio ou mesmo ao chegar no domicílio, após a alta da maternidade.

Quanto ao alivio das cólicas comuns do recém-nascido, a utilização da música também trouxe benefícios, segundo os relatos. Igualmente, foi significante o número de referências para a unidade de significado: indutor de calma e tranquilidade para o bebê. Embora seja esta uma avaliação subjetiva da mãe, sabemos, por estudos anteriores, que a influência da música sobre os seres é um efeito da Física: as vibrações sonoras externas se reproduzem no interior do corpo humano, resultando alterações que não estão ainda bem esclarecidas até este momento. Vale lembrar que o feto tem percepções auditivas em torno do 4º ou 5º mês, e que além de captar as vibrações sonoras pelo aparelho auditivo, também as recebe através das vibrações do corpo materno(11). Daí a importância e a universalidade das canções de ninar - que deveriam ser entoadas pelas mães desde a gestação.

A observação se limitou ao terceiro mês de vida do bebê, porém a literatura nos mostra que outros efeitos favoráveis podem advir no desenvolvimento da criança submetida à música adequada, tais como, melhor discriminação espaço-temporal, facilidade no desenvolvimento da linguagem e na socialização(7).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo objetivou verificar os efeitos da música no trabalho de parto de mulheres sensibilizadas na gestação por melodias especialmente selecionadas. A análise dos discursos dessas mulheres evidenciou efeitos surpreendentemente favoráveis com relação a aspectos importantes da vivência do trabalho de parto. Um fato marcante na pesquisa foi o de que nenhuma parturiente solicitou a interrupção da música; pelo contrário, todas manifestaram claramente o desejo de que a música fosse mantida até o final do parto.

Foram relatados efeitos como alívio da dor durante as contrações, auxilio na diminuição da tensão e do medo, ambientalização da parturiente no hospital, estímulo à oração e à espiritualidade. Essas condições possibilitaram que a parturiente experimentasse um estado de relaxamento mais eficaz nos intervalos das contrações, levando a uma evolução mais amena e eutócica do trabalho de parto, elevando na mulher o limite de tolerância à dor e ao desconforto.

Quanto aos recém-nascidos, que precocemente foram submetidos à música nos períodos de sensibilização musical da mãe, nos relatos obtidos dessas mães, apresentaram reações positivas ao reconhecerem o sons, quer acalmando-se e dormindo, quer mostrando-se atentos às melodias, às vezes até de forma seletiva. Algumas mulheres referiram a melhora das cólicas e do choro decorrente, fenômeno bastante comum nos primeiros meses e que chega a perturbar o ambiente familiar. A observação se limitou ao terceiro mês de vida do bebê, porém estes, como suas mães, puderam se beneficiar dos efeitos da música, já comprovados na literatura.

A nossa meta era encontrar formas não prejudiciais de minimizar os desconfortos do parto, favorecendo o vínculo afetivo mãe-bebê, enfim, permitindo à mulher - que se transforma em mãe - viver uma experiência digna de ser lembrada. As mães que participaram deste estudo nos convenceram de que estamos no caminho...

 

Agradecimentos

Os pesquisadores expressam seus agradecimentos ao CNPq, pelas bolsas PIBIC fornecidas às três alunas de Enfermagem, co-autoras do estudo, ao Fundo de Apoio à Pesquisa (FAP), pela bolsa-pesquisa-doutor, utilizada pela orientadora. Sem estes auxílios, não seria viável a realização do estudo. Agradecem ainda a assessoria de Ari Dias de Campos Junior, na gravação dos CDs fornecidos às gestantes, a Fábio Luis Pereira, pela equalização e seriação final dos CDs e a Carlos Magno Antunes Pereira, pela seleção das melodias para o fim a que se destinavam neste estudo.

 

REFERÊNCIAS

1. Borba T, Graça FL. Dicionário de música. Lisboa: Edições Cosmos; 1963. v. 2.         [ Links ]

2. Jourdain R. Música, cérebro e êxtase. Trad. de Sônia Coutinho. Rio de Janeiro: Objetiva; 1998.         [ Links ]

3. Bañol F.S. Biomúsica. São Paulo: Ícone; 1993.         [ Links ]

4. Szymanski H, Almeida LR, Prandini RCAR. A entrevista na pesquisa em educação: a prática reflexiva. Brasília; 2002.         [ Links ]

5. Leão ER, Silva MJP. Música e dor crônica músculoesquelética: o potencial evocativo de imagens mentais. Rev Lat Am Enferm. 2004;12(2):235-41.         [ Links ]

6. Hanser SB, Larson SC, O'Connell AS. The effect of music on relaxation of expectant mothers during labor. J Music Therapy. 1983;20(2):50-8.         [ Links ]

7. Verny TR, Weintraub P. Bebês do amanhã: arte e ciência de ser pais. Trad. de Cristiane Almeron. Porto Alegre: Millennium; 2004.         [ Links ]

8. Leão ER, Flusser V. Música para idosos institucionalizados: percepção dos músicos atuantes. Rev Esc Enferm USP. 2008;42 (1):73-80.         [ Links ]

9. São Paulo (Estado). Lei n. 10.241, de 17 de março de 1999. Dispõe sobre os direitos dos usuários dos serviços e das ações de saúde no Estado e dá outras providências. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, 18 mar. 1999. Seção 1, p.1.         [ Links ]

10. Brasil. Lei n.11.108, de 7 de abril de 2005. Altera a Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS. Diário Oficial da União, Brasília, 8 abr. 2005.         [ Links ]

11. Odent M. O renascimento do parto. Trad. de Roland B. Calheiros. Florianópolis: Saint Germain; 2002.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Camila Sotilo Tabarro
Rua Coronel José Pedro de Oliveira, 412 - Jardim Faculdade
CEP 18030-220 - Sorocaba, SP, Brasil

Recebido: 27/04/2009
Aprovado: 16/06/2009

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