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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.45 no.5 São Paulo Oct. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000500033 

ARTIGO DE REFLEXÃO

 

Revisão sistemática: noções gerais

 

Revisión sistemática: nociones generales

 

 

Mônica Cecilia De-la-Torre-Ugarte-GuaniloI; Renata Ferreira TakahashiII; Maria Rita BertolozziIII

IObstetriz. Mestre em Enfermagem em Saúde Coletiva. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. mdguanilo@usp.br
IIEnfermeira. Mestre em Ciências. Doutora em Enfermagem. Professora Livre-Docente do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. rftakaha@usp.br
IIIEnfermeira e Obstetriz. Mestre e Doutora em Saúde Pública. Professora Livre-Docente do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. mrbertol@usp.br

Correspondência:

 

 


RESUMO

A revisão sistemática é uma metodologia útil em saúde, dado que possibilita identificar as melhores evidências e sintetizá-las, para fundamentar propostas de mudanças nas áreas de prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. Este artigo tem como objetivo oferecer subsídios para o planejamento da revisão sistemática respondendo às seguintes perguntas: O que é Prática Baseada em Evidências? O que é revisão sistemática? A revisão sistemática deve estar ancorada em pesquisas qualitativas ou quantitativas? Quais são as fontes de informação pertinentes para identificar as evidências? O que é evidência? Quais os procedimentos para validar a revisão sistemática? Como avaliar a qualidade das evidências? Qual metodologia é empregada para a síntese das evidências? Como planejar a revisão sistemática?

DESCRITORES: Medicina baseada em evidências; Enfermagem baseada em evidências; Metanálise; Pesquisa em enfermagem; Pesquisa qualitativa.


RESUMEN

La revisión sistemática es una metodología útil en salud, dado que posibilita identificar las mejores evidencias y sintetizarlas para fundamentar propuestas de cambio en las áreas de prevención, diagnóstico, tratamiento y rehabilitación. Este artículo tiene como objetivo ofrecer ayuda para la planificación de la revisión sistemática, respondiendo a las siguientes preguntas: ¿Qué es la Práctica Basada en Evidencias? ¿Qué es la revisión sistemática? ¿La revisión sistemática debe estar respaldada por investigaciones cualitativas o cuantitativas? ¿Cuáles son las fuentes de información pertinentes para identificar las evidencias? ¿Qué es evidencia? ¿Cuáles son los procedimientos para validar la revisión sistemática? ¿Cómo evaluar la calidad de las evidencias? ¿Qué metodología es utilizada para la síntesis de las evidencias? ¿Cómo planificar la revisión sistemática?

DESCRIPTORES: Medicina basada en evidencia; Enfermería basada en la evidencia; Metanálisis; Investigación en enfermería; Investigación cualitativa.


 

 

INTRODUÇÃO

A necessidade de melhorar a qualidade das ações de saúde e do ensino refletiu na forma como é realizada a seleção e apreensão dos estudos. Anteriormente, a proposta de melhora embasava-se em estudos primários. Na atualidade, o copioso número de produções científicas sobre uma mesma temática requer a realização de Revisões Sistemáticas (RS), no intuito de captar, reconhecer e sintetizar as Evidências Científicas (EC) para fundamentar as propostas de práticas qualificadas em saúde e implementar a Prática Baseada em Evidências (PBE).

A PBE, por meio da RS, inicialmente limitada ao âmbito clínico, expandiu-se para diferentes áreas da saúde, abraçando temáticas relativas à prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, formulação de políticas de saúde, gestão de serviços de saúde, dentre outras.

O planejamento da RS deve ser cuidadoso para assegurar a validade de seus resultados, uma vez que fornece subsídios para fundamentar as mudanças propostas. Assim, este artigo tem como objetivo orientar o pesquisador no planejamento de uma RS respondendo às perguntas: o que é PBE? O que é RS? A RS deve estar ancorada em pesquisas qualitativas ou quantitativas? Quais são as fontes de informação pertinentes para identificar as EC em uma RS? O que é EC? Quais os procedimentos para validar a RS? Como avaliar a qualidade das EC? Qual metodologia é empregada para a síntese das EC? Como planejar a RS?

O que é Prática Baseada em Evidência?

É um movimento que surgiu da necessidade de aprimorar a prática clínica e a qualidade do ensino. Emerge da necessidade de sintetizar a grande quantidade de informação científica e tem a finalidade de obter subsídios para fundamentar propostas de aprimoramento, de implementação e de avaliação dos resultados obtidos para o incremento da assistência e do ensino(1).

A PBE iniciou-se no Canadá, na década de 1980, inicialmente limitada ao contexto da clínica médica, nomeando-se Medicina Baseada em Evidências - MBE. Posteriormente, foi abraçada por outras áreas do conhecimento como enfermagem, saúde mental, fisioterapia, terapia ocupacional, educação e psicoterapia, entre outras, abordando temas relativos à prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. Essa prática também é utilizada pelos formuladores de políticas de saúde e gestores de serviços de saúde(1-3).

Dada sua importância, a PBE foi implantada em diferentes países: Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos (EUA), China, África do Sul, Taiwan, Chile, Bélgica, Espanha, Inglaterra, Brasil, entre outros. A PBE é promovida por instituições internacionais, como a Colaboração Cochrane, Colaboração Campell e o Instituto Joanna Briggs (The Joanna Briggs Institute - JBI), que possuem 15.000 centros colaboradores em mais de 100 países(3-5). Outras iniciativas nacionais, como nos EUA, também promovem a PBE, em que os National Institutes of Health desenvolvem diretrizes clínicas a partir da metanálise das melhores evidências disponíveis. O Reino Unido possui diferentes Centros de PBE, que norteiam as práticas do Sistema Nacional de Saúde do país, tais como o Centro de Medicina Baseada em Evidências (Oxford), o Centro de Saúde Infantil Baseada em Evidências (Londres), Centro de Práticas Cirúrgicas Baseado em Evidências (Manchester), centro de Patologia Baseado em Evidências (Nottingham), dentre outras. A Inglaterra conta com o Instituto Nacional de Excelência Clínica (NICE) Baseada em Evidências(5).

O que é Revisão Sistemática?

A RS constitui o meio para obter os subsídios para a PBE. É uma metodologia rigorosa proposta para: identificar os estudos sobre um tema em questão, aplicando métodos explícitos e sistematizados de busca; avaliar a qualidade e validade desses estudos, assim como sua aplicabilidade no contexto onde as mudanças serão implementadas, para selecionar os estudos que fornecerão as EC e, disponibilizar a sua síntese, com vistas a facilitar sua implementação na PBE(3-4). Cada um desses momentos é planejado no protocolo da RS considerando critérios que os validam, para minimizar o viés e outorgar qualidade à metodologia. Devem-se registrar os procedimentos desenvolvidos em cada momento, para possibilitar que a RS seja reproduzida e conferida por outros pesquisadores, tornando-a uma metodologia consistente para embasar a PBE(4,6).

Desta maneira, a RS difere da revisão tradicional, também conhecida como revisão narrativa da literatura, pois responde a uma pergunta mais pontual. Para superar possíveis vieses em cada etapa exige-se o planejamento de um protocolo rigoroso sobre busca e seleção das EC, avaliação da validade e aplicabilidade das EC e síntese e interpretação dos dados oriundos das EC(7).

A Revisão Sistemática deve estar ancorada em pesquisas qualitativas ou quantitativas?

Em uma pesquisa, a abordagem qualitativa ou quantitativa depende do objetivo e pergunta de pesquisa. Por exemplo, a abordagem qualitativa é adequada para compreender os significados do transplante cardíaco para pacientes portadores da doença de Chagas(8). Já a abordagem quantitativa é indicada quando se quer avaliar os efeitos tardios de um programa interdisciplinar para pacientes com síndrome de fibromialgia e comparar os efeitos com o tratamento tradicional(9).

De igual maneira, na RS a abordagem também depende do objetivo e pergunta proposta(3). Segundo JBI(3), geralmente a abordagem quantitativa na RS tem como objetivo ou busca responder perguntas relacionadas à avaliação das intervenções em saúde (sobre terapia, prognóstico, profilaxia, eficácia, custo, custo-eficácia, custo-minimização, custo-benefício ou custo-utilidade) e das políticas e práticas sociais e educacionais, de serviços de saúde, de formuladores de políticas, de educadores e de seus estudantes e pesquisadores. As abordagens qualitativas das RS permitem ao pesquisador entender ou interpretar questões sociais, emocionais, culturais, comportamentos, interações ou vivências que acontecem no âmbito do cuidado em saúde ou na sociedade, a partir da ocorrência de um fenômeno, além de subsidiar a proposição de novas teorias. Isso evidencia a importância das duas abordagens para o desenvolvimento de RS, com vistas a responder ao amplo escopo dos problemas de saúde pública e sustentar intervenções políticas, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde(10). O objetivo das RS é disponibilizar EC aos governantes e aos profissionais, em todos os níveis do sistema de cuidado em saúde.

Quais são as fontes de informação pertinentes para identificar as Evidências Científicas sem uma Revisão Sistemática?

A EC pode ser obtida a partir da experiência, inferência ou dedução de profissionais experientes na área, assim como de resultados de rigorosas pesquisas, quantitativas ou qualitativas. Outorga-se maior credibilidade às EC oriundas de pesquisas desenvolvidas com rigor teórico-metodológico. No entanto, a opinião de expertos pode representar a melhor EC, quando essas inexistem(11).

A escolha das bases de dados para identificar as EC depende dos critérios estabelecidos para a RS. Desta maneira, deve-se procurar selecionar bases que possam fornecer as melhores EC. Entre os critérios que autores(12) consideram para selecionar as bases de dados, podem ser citados: a) Tipo de estudo que indexa a base de dados: qualitativo ou quantitativo; b) Áreas do conhecimento: multi ou uni- disciplinar; c) Temática abordada: específica do tema em questão ou não; d) Acesso do revisor às bases; c) Tempo e orçamento disponíveis para a obtenção dos estudos, isto é, on line, ou por empréstimo inter-bibliotecas, etc.

A escolha das bases de dados, que respondam às necessidades da RS pode ser dificultado quando se conhecem apenas as mais usadas no âmbito da saúde: LILACS e MEDLINE. No Quadro 1 destacam-se algumas bases fornecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES e o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo - SIBiNet.

Mais informações sobre bases de dados segundo país de pesquisa, bases de dados específicas para biologia, promoção da saúde, farmacologia, enfermagem, saúde coletiva e social, assim como bases de teses e dissertações podem ser consultadas em outros estudos(3,13).

Uma vez escolhidas as bases de dados, o revisor pode se deparar com a dificuldade de encontrar os estudos na íntegra. A seguir, apresentam-se algumas páginas eletrônicas que fornecem livre acesso a estudos na íntegra:

• Portal de Periódicos de Livre Acesso-LivRe: http://livre.cnen.gov.br/Inicial.asp

• Portal da Pesquisa: http://www.portaldapesquisa.com.br/databases/sites

• SciELO: http://www.scielo.br

• Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina el Caribe, España y Portugal (México)-Latindex: http://www.latindex.org

• Información Bibliotecológica Latinoamericana. Portal do Centro Universitario de Investigaciones Bibliotecológicas (CUIB) de la Universidad Nacional Autónoma de México-INFOBILA: http://infocuib.laborales.unam.mx/~ibt/infoweb.html

• Directory of Open Access Journal. Portal da Lund University Library (Suécia): http://www.doaj.org/

• Open J. Gate. Portal de INFORMATICS (Índia) LIMITED:
http://www.openj-gate.com/Search/QuickSearch.aspx

• Rede Bibliodata. Portal da Fundação Gertulho Vargas (Brasil): http://www8.fgv.br/bibliodata/

• Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo: www.teses.usp.br

Nas RS quantitativas se recomenda ampliar ao máximo as fontes de busca, podendo-se incluir publicações governamentais, resumos em anais de congressos, teses ou estudos não indexados por editores comerciais, além das bases de dados eletrônicas(3,14). Porém, nas RS qualitativas se aconselha selecionar as fontes imprescindíveis ou mais relacionadas à temática de estudo, além de ajustar e dimensionar a capacidade de análise do investigador à quantidade de artigos disponíveis sobre essa temática. Isso, por que o número elevado de artigos dificulta o aprofundamento da análise e pode constituir-se em ameaça na validação da RS(2). No entanto, há autores que propõem selecionar a mais ampla gama de bases de dados consideradas apropriadas para o foco da análise(3).

O que é Evidência Científica?

As EC são os resultados de pesquisas objetivas e científicas, obtidas por meio de procedimentos que incorporaram critérios de validade, minimizando-se o grau de viés. Para se considerar os resultados de estudos como ECs, esses devem obedecer aos critérios de viabilidade, adequação, significância e eficácia (FAME: Feasibility, Appropriateness, Meaningfulness, Effectiveness). A viabilidade ocorre quando o resultado pode ser aplicado em um determinado contexto, considerando-se as condições físicas, culturais e financeiras. A adequação ocorre quando uma intervenção é apropriada para uma determinada situação. A significância ocorre quando uma intervenção é experimentada positivamente pelo paciente ou população alvo, em termos de experiência pessoal, opiniões, valores, pensamentos, crenças e interpretações. A eficácia refere-se à extensão em que uma intervenção alcança o efeito pretendido(11). O JBI apresenta o software SUMARI, que auxilia na avaliação dos critérios FAME(3).

Quais os procedimentos para validar a Revisão Sistemática?

Os procedimentos de validade de uma RS geram resultados úteis para a prática. Na RS qualitativa, os procedimentos devem assegurar a validade descritiva, interpretativa, teórica e pragmática(2). A validade descritiva refere-se à identificação de estudos relevantes por meio de todos os meios acessíveis de busca. A validade interpretativa compreende o reconhecimento da correspondência entre os dados registrados pelo revisor e sua interpretação com o conteúdo do estudo. A validade teórica diz respeito à credibilidade dos métodos desenvolvidos para atingir a síntese das EC que o revisor forneceu. A validade pragmática refere-se à utilidade, aplicabilidade e transferência do conhecimento gerado para a prática(2).

Na RS quantitativa, embora não com as mesmas denominações, também se sugerem procedimentos para otimizar a validade da síntese. Os procedimentos para validar a RS qualitativa(2-3) e, a RS quantitativa(4,13,15-16), estão apresentados no Quadro 2.

Como avaliar a qualidade das Evidências Científicas?

Com respeito às RS quantitativas, é imprescindível que os revisores possuam conhecimento aprofundado dos diferentes métodos, análise estatística, medidas ou instrumentos de mensuração, para determinar a qualidade de cada estudo. Para tanto, têm-se desenvolvido diferentes escalas que auxiliam na avaliação dos estudos: Delphi, Pedro, OTSeeker, Critérios de Maastricht e Escala de Jadad(1). O Critical Appraisal Skills Programme - CASP, também desenvolveu um instrumento que auxilia a avaliação(17).

Tendo em vista que ainda não há um consenso sobre critérios que validam a qualidade de estudos qualitativos, há pesquisadores da PBE que recomendam a avaliação sistematizada da metodologia por meio do uso de instrumentos padronizados, como o CASP para pesquisas qualitativas(18).

Qual metodologia é empregada para a síntese das Evidências Científicas?

Na RS quantitativa, a síntese das EC pode ser descritiva ou por metanálise. A metanálise é uma análise estatística, resultante da combinação dos resultados dos artigos originais, para produzir uma única medida do efeito da intervenção terapêutica, da acurácia do teste diagnóstico ou do fator de risco em estudo. Combinando-se as EC pode-se aumentar o tamanho da população analisada, reduzir o intervalo de confiança, reduzir a probabilidade de que o resultado se deva ao acaso, estimar com mais precisão o resultado final, ajustar a magnitude do seu valor e aumentar a força da EC(6).

Essa análise é possível se houver semelhança entre as populações consideradas nas EC ou no caso da mesma intervenção, se houver homogeneidade entre os resultados das EC, tanto na forma como foram medidos, como na direção dos efeitos a favor de um dos grupos comparados(6).

Quando não é possível a metanálise, a RS é descritiva. Nesse caso, a síntese é um resumo textual das características e da informação relevante das EC. Tal modalidade possui menor valor científico, quando comparada à metanálise(3).

Quanto à RS qualitativa, observa-se diversidade de metodologias que possibilitam sintetizar os resultados das EC. A despeito de cada metodologia ter suas peculiaridades, elas podem ser complementares, com características que se justapõem. Há metodologias que priorizam a construção ou explicação de teorias e aquelas voltadas a descrever um fenômeno determinado(19), entre essas o Metaestudo(20) e a Metassíntese(2). O JBI destaca outras metodologias, como: Meta-etnografia, Síntese Narrativa, Síntese Temática e Meta-agregação(3).

Há metodologia, como a Revisão Integrativa, que permite a inclusão de pesquisas experimentais, não experimentais, empíricas e teóricas, incorporando a contribuição de diferentes perspectivas de um mesmo fenômeno e possibilitando um entendimento mais completo(21-22).

 

FIGURA 1

 

Como planejar a Revisão Sistemática?

Primeiro é importante identificar se já existe RS sobre a temática na Cochrane Library, PubMed ou na biblioteca do JBI. Se identificada alguma RS sobre a temática, considerar: a atualização ocorreu há mais de três anos? Os métodos refletem os critérios específicos de interesse para a temática em estudo? Há uma lacuna de conhecimento específico, em termos de população ou de intervenção?(3). Se as respostas a tais perguntas forem positivas fica evidente a necessidade de conduzir uma nova RS.

O planejamento corresponde à construção do protocolo, em que se detalham as etapas metodológicas a serem percorridas na RS para reduzir o risco de viés, promover a transparência dos métodos e processos e permitir a revisão pelos pares dos métodos previstos. No intuito de responder às exigências internacionais sobre RS existem padrões de protocolos para RS quantitativas e qualitativas(3,15). Apesar das especificidades desses protocolos, algumas de suas características são comuns, como: justificativa da RS, objetivos, critérios de inclusão, tipo de estudo para inclusão, estratégia de busca, critérios para avaliar a validade dos estudos, formas de extração e síntese das EC, formas de apresentação dos resultados e declaração de conflito de interesses.

O protocolo deve ser submetido ao Cochrane Review Group ou Evidence Synthesis Groups (JBI), que pode solicitar modificações para aprimorar a metodologia. Quando aceito, o protocolo será publicado em suas respectivas bases de dados(3-4,15).

A Colaboração Cochrane desenvolveu o software Review Manager (RevMan) para auxiliar na elaboração do protocolo e desenvolvimento da RS, facilitando a adequação às suas normas e diretrizes, o aprimoramento dos métodos analíticos e a identificação de erros(23). O JBI também desenvolveu os softwares JBI-QARI, JBI-MAStARI, JBI-ACTUARI e JBI-NOTARI, para gerenciar, avaliar, extrair e sintetizar as EC, voltados para RS de pesquisas qualitativas, quantitativas, assim como de estudos econômicos e textos de opinião de expertos e informes, respectivamente(3).

 

CONCLUSÃO

A produção científica nas diferentes áreas da saúde, apresenta adensamento progressivo, o que coloca em relevância a Revisão Sistemática para melhorar a saúde, uma vez que contribui substantivamente para identificar as melhores Evidências Científicas e incorporá-las à prática dos profissionais nos serviços, no ensino, na gestão e na formulação de políticas de saúde, no entanto, o desenvolvimento da Revisão Sistemática exige ampla disponibilidade de tempo e envolve esforço intelectual importante, requerendo um planejamento cuidadoso para otimizar tempo e esforço.

O presente artigo apresenta alguns aspectos fundamentais para o desenvolvimento de uma Revisão Sistemática - elementos cognitivos, recursos humanos e técnicos necessários - que devem ser conhecidos previamente pelo pesquisador.

A enfermeira, dado o seu trabalho essencial no cuidado em saúde, deve estar comprometida com a promoção, proteção, prevenção e recuperação da saúde, seja nos processos de assistência, gerenciamento, ensino e investigação. Nisso reside a importância de incorporar, progressivamente, Revisões Sistemáticas quantitativa e qualitativa na tomada de decisões, com vistas a viabilizar a incorporação das Evidências Científicas na prática.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Mônica Cecília De-la-Torre-Ugarte-Granilo
Rua da Consolação, 2125, Apto. 72 - Consolação
CEP 01301-100 - São Paulo, SP, Brasil

Recebido: 18/11/2009
Aprovado: 02/12/2010