SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.45 número especialPerfil dos egressos de gerenciamento de enfermagem dos programas da área de enfermagem da região SulPerfil de egressos da Pós-Graduação stricto sensu na área de Gerenciamento em Enfermagem da EEUSP índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

  • texto em Inglês
  • Inglês (pdf) | Português (pdf)
  • Artigo em XML
  • Como citar este artigo
  • SciELO Analytics
  • Curriculum ScienTI
  • Tradução automática

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Revista da Escola de Enfermagem da USP

versão impressa ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.45 no.spe São Paulo dez. 2011

https://doi.org/10.1590/S0080-62342011000700004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Perfil profissional de egressas da Área de Gerenciamento do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFBA

 

Perfil professional de egresadas del área de gerenciamiento del programa de posgraduacíon en enfermería de la UFBA

 

 

Mirian Santos PaivaI; Edméia de Almeida Cardoso CoelhoII; Enilda Rosendo do NascimentoIII; Cristina Maria Meira de MeloIV; Josicelia Dumêt FernandesV; Ninalva de Andrade SantosVI

IDoutora. Professora Associada da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil. mirian@ufba.br
IIDoutora. Professora Associada da Escola de Enfermagem e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil. edmeiacoelho@gmail.com
IIIDoutora. Professora Associada da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil. enilda@ufba.br
IVDoutora. Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil. cmmelo@uol.com.br
VDoutora. Professora Titular da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil. dumet@ufba.br
VIDoutoranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Professora Assistente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Salvador, BA, Brasil. ninalvasantos@yahoo.com.br

Endereço para correspondência:

 

 


RESUMO

O estudo objetivou analisar o perfil profissional das egressas do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia na área de gerenciamento em enfermagem. Trata-se de estudo descritivo e exploratório, desenvolvido através de pesquisa documental. Foram utilizados dados dos Currículos Lattes ede documentos do Programa coletados através de formulário. A população foi constituída por egressas na Linha de Pesquisa Organização e Avaliação dos Sistemas de Cuidado à Saúde, que desenvolveram dissertações/teses relacionadas ao Gerenciamento em Enfermagem/Saúde. Os dados foram armazenados no software Microsoft Excel e, em seguida, transferidos para o programa estatístico STATA 9.0. Os resultados indicaram que a maioria das egressassão mulheres, originárias do estado da Bahia, concluintes do curso entre 2000 e 2011; docentes de instituições públicas que continuaram na atividade acadêmica após a conclusão do curso. Esses resultados apontam o Programa como um espaço acadêmico comprometido com a preparação de pesquisadoras.

Descritores: Educação de Pós-Graduação em Enfermagem; Pesquisa em administração de enfermagem; Gestão em saúde


RESUMEN

Se objetivó analizar el perfil profesional de graduadas del Programa de Posgraduación en Enfermería de la Universidad Federal de Bahía en área de gerenciamiento en enfermería. Estudio descriptivo, exploratorio, desarrollado mediante investigación documental. Se utilizaron datos de los Currículos Lattes y de documentos del Programa, recogidos a través de formulario. La población se constituyó con egresadas en la Línea Investigativa Organización y Evaluación de Sistemas de Cuidado de la Salud, que desarrollaron disertaciones/tesis relacionadas al Gerenciamiento en Enfermería/Salud. Los datos se almacenaron en software Microsoft Excel y se transfirieron al programa estadístico STATA 9,0. Los resultados indicaron que la mayoría de las egresadas son mujeres, oriundas del estado de Bahía, acabando su curso entre 2010 y 2011; docentes de instituciones públicas que continúan en la actividad académica luego de la conclusión del curso. Estos resultados determinan que el Programa es un espacio académico comprometido con la preparación de las investigadoras.

Descriptores: Educación de Postgrado en Enfermería; Investigación en administración de enfermería; Gestión en salud


 

 

INTRODUÇÃO

Atualmente o mundo vive a chamada era da informação, na qual as barreiras do conhecimento deixam praticamente de existir, pelo menos para os inseridos na era digital, sendo que a exigência de qualificação e atualização permanente torna-se cada vez maior. Por outro lado, a dinâmica do mercado de trabalho e sua constante transformação passam a exigir das instituições formadoras uma preocupação permanente sobre as suas demandas e de algum modo perdem a capacidade de produzir conhecimentos que possam repercutir sobre os problemas complexos da sociedade atual. Hoje, qualquer que seja a formação do(a) trabalhador(a), o mercado exige que se produza uma constante busca de atualização e titulação que, necessariamente, não garante a inserção no mundo do trabalho. Isso requer que o(a) trabalhador(a) reveja permanentemente as suas competências, caso queira competir no estrito mercado de trabalho. Em outras palavras, exige do(a) trabalhador(a) uma especialização flexível(1).

A rapidez de acumulação do conhecimento no mundo contemporâneo exige, destarte, novos parâmetros de aprendizagem, pautados na assimilação de metodologias ativas onde a aluna, como sujeito do seu processo de aprendizagem, busca alcançar um perfil para aprender com rapidez, lidar com imprevistos e ser flexível, alcançando uma sólida formação geral que lhe possibilite lidar com necessidades específicas(2-3). A formação exclusivamente especializada encontra-se condenada pela velocidade tecnológica que vem exigindo dos profissionais flexibilidades de várias ordens, como ser capazes de trabalhar em equipe, num processo interdisciplinar; que estejam habilitados para o desempenho de funções técnicas específicas, assim como para a tomada de decisões de alta complexidade, como se exige para quem gerencia serviços e ações de saúde.

No âmbito do gerenciamento de sistemas, programas e serviços de saúde, as enfermeiras assumem posição destacada, ainda que não valorada economicamente pelas organizações de saúde. São elas que assumem no cotidiano o gerenciamento do processo de trabalho em enfermagem e também da equipe multidisciplinar, mesmo quando esta não é uma função instituída nas organizações onde trabalham.

Essas exigências estão a requerer um sistema de retroalimentação que possibilite uma discussão sistemática do processo formativo, perpassando uma formação potencializadora da capacidade de gerenciamento da futura egressa e do perfil da profissional enfermeira em sintonia com as transformações do mundo contemporâneo a fim de que, neste processo, se experimente a produção e inovação do conhecimento, o que implica na necessidade de atualização continuada de novos conhecimentos que permitam ao profissional assegurar sua integração social e o seu desenvolvimento pessoal e profissional(2).

Frente a esses desafios, os programas de pós-graduação das instituições de ensino superior se constituem em espaços inovadores e fundamentais para a produção de conhecimentos e para o desenvolvimento científico e tecnológico da sociedade.

A pós-graduação se constitui num espaço em que é possível, pois, corrigir as insuficiências qualitativas decorrentes da grande expansão dos cursos de graduação das mais diversas áreas do saber. Busca, igualmente, qualificar a(o)s docentes para as instituições de ensino superior, atendendo à demanda do mercado educacional, além de procurar viabilizar o desenvolvimento da pesquisa cientifica e técnica nas universidades, uma vez que as docentes passariam a buscar a construção de novos conhecimentos e o desenvolvimento dos já existentes(4).

A realidade se configura num triplo desafio. Primeiro, manter a formação profissional num padrão de qualidade compatível com as exigências do mundo contemporâneo e com o desenvolvimento científico e tecnológico inovador da área, incorporando os avanços pedagógicos. Segundo, propiciar às egressas dos cursos de pós-graduação a capacidade de aprender a aprender, de trabalhar em equipe, de comunicar-se, de ter agilidade frente às situações adversas e de ter capacidade propositiva para atender às demandas do mercado de trabalho. Terceiro, desenvolver atividades com características interdisciplinares, capazes de contribuir para a solução de problemas nacionais e para a formação de indivíduos criativos, críticos, empreendedores e, sobretudo, cidadãos comprometidos com a ética da vida(4-5).

Frente a esses desafios, a pós-graduação, envolvida pelas reformulações do mundo contemporâneo, deverá capacitar suas alunas para saber se posicionar frente aos imprevistos, aprender com rapidez, ser flexível, devendo ter uma sólida formação geral, além de saber lidar com necessidades específicas oriundas do cotidiano. A velocidade tecnológica exige, pois, a formação de profissionais capazes de trabalhar em equipe, de comunicar-se eficientemente com pessoas de formações diversas e que tenham competência para reflexão, para retroalimentação e para solução de problemas, com habilidades para tomada de decisões e para atuar no propósito de atender aos objetivos e às metas da instituição(2).

Estes desafios implicam na necessidade de estabelecer critérios adequados de avaliação da qualidade do ensino e da eficiência institucional, a exemplo do monitoramento de egressas, que deverá subsidiar a comparação do perfil de formação da pós-graduação e sua articulação com o mundo do trabalho.

A avaliação do perfil das egressas contribui para a identificação dos acertos e das ineficiências, das potencialidades e das fragilidades dos cursos, favorecendo a tomada de decisão com a finalidade de aperfeiçoar o funcionamento do curso e seus resultados, além de contribuir no planejamento das atividades da instituição de ensino. Assim, a instituição é levada a refletir sobre si própria e a se conhecer melhor, buscando o aperfeiçoamento do desempenho acadêmico, a melhoria da qualidade das ações desenvolvidas pelos sujeitos dos processos de ensino, pesquisa, extensão e gestão.

Desta forma, torna-se relevante realizar estudos que possibilitem a obtenção de informações detalhadas acerca do perfil das egressas de cursos de pós-graduação, bem como em que condições essas profissionais atuam no mercado de trabalho.

A partir de tais reflexões, emergiu a necessidade de um levantamento inicial do perfil profissional das egressas da área de gerenciamento do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (PPGEENF/UFBA), oferecendo subsídios à instituição para analisar a relação entre a formação acadêmica na pós-graduação e o mundo do trabalho nessa área de atuação profissional, assim como para se posicionar e/ou redirecionar suas ações pedagógicas com vistas à constante atualização curricular dos seus cursos.

O estudo se justifica, portanto, pelo fato de vir a conhecer quem são as egressas da linha de pesquisa Organização e avaliação dos sistemas de cuidados à saúde do PPGEENF/UFBA, onde e como estão atuando e os setores em que estão trabalhando, buscando verificar a coerência entre as funções educacionais a que a instituição se propõe e as funções que lhe são atribuídas no mundo do trabalho.

 

OBJETIVO

Diante do exposto, se propôs como objetivo geral: analisar o perfil profissional das egressas do PPGENF/UFBA na área de gerenciamento em enfermagem e como objetivos específicos: 1) Caracterizar as egressas segundo variáveis demográficas, de formação e atuação profissional e 2) descrever o impacto da formação no desempenho da docência, gerência e em outras atividades na enfermagem e na saúde.

O alcance desses objetivos deverá contribuir para futuras articulações entre as diferentes modalidades de ensino na área de gerenciamento de cuidados de enfermagem, bem como na apropriação de parâmetros relevantes que possam contribuir na melhoria do perfil profissional das egressas.

 

MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, desenvolvido através de pesquisa documental para conhecer o perfil das egressas do PPGENF/UFBA, na área de gerenciamento, verificando a adequação da sua inserção no mercado de trabalho com a área de formação acadêmica na pós-graduação.

Para essa opção, nos fundamentamos na convicção de que o documento se constitui numa fonte preciosa para todo pesquisador, sendo insubstituível em qualquer reconstituição referente não só a um passado relativamente distante como a um passado recente(6).

O PPGENF/UFBA possui uma única área de concentração Gênero, Cuidado e Administração em Saúde e três linhas de pesquisa. Dentre essas três linhas, optou-se por iniciar com o estudo das egressas da linha Organização e Avaliação dos Sistemas de Cuidados à Saúde, inicialmente atendendo à demanda do I Encontro Internacional de Pós-Graduação de Gerenciamento em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, em que partilhamos a experiência nesse campo de formação com os demais programas de pós-graduação em Enfermagem participantes do evento.

Assim, o estudo foi estruturado na forma de pesquisa documental ou de fonte primária utilizando-se dados dos Currículos Lattes das egressas do PPGENF/UFBA, disponíveis na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq(7), e consulta a documentos do referido programa(8).

O instrumento utilizado na coleta dos dados foi um formulário composto de dados de identificação, de formação acadêmica e de área de atuação profissional. Para validar o formulário, antes de sua utilização definitiva na pesquisa, foi desenvolvido um teste piloto com dados de duas egressas, sendo uma do curso de mestrado e uma do curso de doutorado. O instrumento foi ajustado após o teste piloto.

A população estudada foi constituída por 100% das egressas do PPGENF/UFBA na linha de pesquisa Organização e Avaliação dos Sistemas de Cuidado à Saúde que desenvolveram trabalhos de conclusão do curso relativos ao tema gerenciamento em enfermagem/saúde.

Foram definidas as seguintes variáveis: a) demográficas, sexo e procedência; b) de formação: ano da graduação, de ingresso nos cursos e da titulação; c) de atuação profissional: atuação na docência, tipo da instituição de atuação e do vínculo anterior à formação, atividades exercida antes e após a formação.

Para a coleta dos dados, foram utilizados os registros de todas as egressas do PPGENF/UFBA, desde a sua criação no ano de 1979. A coleta de dados deu origem a um banco de dados que foi armazenado no software Microsoft Excel, sendo, em seguida, transferidos para o programa estatístico STATA 9.0 (STATA CORP) para cálculos de frequência absoluta e relativa e apresentados em tabelas e gráfico.

Esse estudo não representa qualquer tipo de risco à saúde ou à integridade físico-moral dos sujeitos, nem, tampouco, implica em qualquer forma de intervenção direta sobre os mesmos, não tendo sido submetido ao crivo do Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos.

 

A PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM NA BAHIA

A partir da primeira metade da década de 1970, a expansão na oferta de vagas e na criação de novos cursos de graduação em Enfermagem para o país exigiu melhor formação do corpo docente, visando a capacitação da enfermeira para o exercício da docência, assistência e pesquisa. Iniciou-se, naquele período, a oferta de cursos de pós-graduação sensu strito, que era estimulada desde 1968, com a Lei 5.540(4).

A Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EEUFBA), consciente do seu papel histórico, manifestou, mediante diversas ações, seu compromisso com o desenvolvimento da Região Nordeste como unidade de ensino comprometida com a melhoria da qualidade de vida, como declarado na sua missão institucional de formar profissionais cidadãs, para atuar de forma ética, crítica, autônoma e criativa, capazes de integrar-se à realidade sócio-histórica, aptos a atender às demandas sociais relativas às necessidades de saúde e desenvolvimento integral do ser humano, buscando consolidar-se como centro de referência regional e nacional através das ações de ensino, pesquisa e prestação e serviços de saúde.

A EEUFBA passou a ofertar cursos lato sensu, ainda em 1973, a partir do Curso de Especialização em Enfermagem Médico Cirúrgica sob a Forma de Residência, seguido do curso de mestrado em Enfermagem, criado em 1979, e do curso de doutorado, iniciado em 2006(8).

O primeiro curso de pós-graduação sensu strito (mestrado) em Enfermagem, no Brasil, foi criado em 1972, na Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro, seguido pelas Escolas de Enfermagem da Universidade de São Paulo, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto e do Rio Grande do Sul, evidenciando a disparidade entre as regiões no que diz respeito à oferta desse tipo de curso(9).

Tal fato demandou a criação de um curso de pós-graduação na Região Nordeste, para que se pudesse, gradativamente, atender as características regionais e o desenvolvimento do ensino de Enfermagem no país.

Na tentativa de suprir essa necessidade, o Ministério da Educação, através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e do então Departamento de Assuntos Universitário (DAU), promoveu encontros com o objetivo de assessorar grupos de trabalhos das diversas escolas de Enfermagem da Região Nordeste, a fim de identificar aquela que apresentasse melhores condições em termos de tradição de pesquisa, preparo do corpo docente e experiências anteriores de cursos de pós-graduação para assumir um curso de mestrado. Através da análise de cada escola das universidades federais, evidenciou-se a existência de um potencial significativo de docentes com título de mestre e livre docente, sendo que 53% do total pertenciam à EEUFBA, acrescido, ainda, da tradição de ensino, pesquisa e experiência no âmbito da pós-graduação dessa escola(3,10).

Nessa perspectiva e no bojo da oferta de cursos de pós-graduação para atender à demanda da área tecnológica e do setor produtivo, foi criado o primeiro curso de mestrado da Região Nordeste, na Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, cujas atividades foram iniciadas em 1979. Esse curso teve sua origem integrada ao curso de especialização já existente desde 1973, visando melhor utilização de recursos materiais e humanos, onde as disciplinas comuns aos dois cursos deveriam ser ministradas conjuntamente. Essa modalidade didática de oferta de disciplinas atendeu, na ocasião, às exigências político-administrativas que, de certa forma, condicionavam a aprovação do curso de mestrado à utilização de tal estratégia de ensino(8).

Tendo em vista suas características e sua finalidade, o curso obteve uma demanda significativa de alunas, principalmente oriundas da Região Nordeste, com 84% demanda no seu primeiro ano de funcionamento. 13,3% das alunas vieram de outras regiões do país e 2,7% de outros países.

O PPGENF/UFBA definiu como área de concentração a Enfermagem Médico-Cirúrgica. Considerou-se a opção por Enfermagem Médico Cirúrgica não só pela demanda do setor saúde, na época, mas sobretudo pela experiência já adquirida por essa Escola no Curso de Especialização sob a forma de Residência, nessa área do conhecimento(8).

Em 1991, o PPGENF/UFBA, procurando atender às enfermeiras da Região Nordeste, criou mais uma área de concentração em Enfermagem na Atenção à Saúde da Mulher e da Criança que, posteriormente, foi desmembrada em duas áreas: Enfermagem na Atenção à Saúde da Mulher e Enfermagem na Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente. Em 1995, considerando a demanda, foi criada outra área de concentração, isto é, a área de Administração de Serviços de Enfermagem(8).

A implementação da área de concentração Administração de Serviços de Enfermagem, em 1995, tinha por objetivo atender a uma demanda específica do mercado de trabalho, que requeria profissionais com conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao domínio de funções gerenciais para o cuidado em enfermagem. O atendimento a essa demanda se fez necessário, sobretudo pelo avanço progressivo e rápido dos novos conhecimentos na área, bem como pelo aparato tecnológico presente na área da saúde.

A partir de 1995, o PPGENF/UFBA passou a ter quatro áreas de concentração: Enfermagem Médico-Cirúrgica (desativada em 1999), Enfermagem na Atenção à Saúde da Mulher, Enfermagem na Atenção à Saúde da Criança e Adolescente e Administração de Serviços de Enfermagem. Era disponibilizado um total de 20 vagas(8).

Estas e outras mudanças foram efetivadas a partir da proposta de reestruturação do PPGENF/UFBA, aprovada pela CAPES. Elas foram acompanhadas por um conjunto de outras medidas, onde se destaca a oferta de cursos de especialização destinados a capacitar tecnicamente enfermeiras para atuação em serviços de saúde, nas áreas da Saúde do Idoso, Saúde da Criança, Saúde da Mulher, Administração Hospitalar, Enfermagem Intensivista e Centro Cirúrgico, em parceria com outras instituições de saúde. Sob a forma de Residência, são oferecidas as áreas de Saúde do Adulto, Enfermagem Intensivista e Centro Cirúrgico(8).

A expansão do PPGENF/UFBA foi o resultado da consolidação e expansão do conhecimento em Enfermagem, ressaltando o papel social relevante que a enfermeira desempenha no sistema de saúde brasileiro.

Nos últimos anos, com a consolidação gradativa das linhas de pesquisa em Enfermagem, o PPGENF/UFBA, atendendo às recomendações da CAPES, se reestruturou tanto no âmbito acadêmico como administrativo, passando a contar com apenas uma área de concentração, denominada de Gênero, Cuidado e Administração em Saúde. Essa área de concentração está configurada por três linhas de pesquisa, a saber: Mulher, Gênero e Saúde, Organização e Avaliação dos Sistemas de Cuidados à Saúde e O Cuidar em Enfermagem no Processo de Desenvolvimento Humano.

O PPGENF/UFBA tem como eixo o processo do cuidar e do administrar em saúde e enfermagem, com foco nos aspectos de gênero. Nesse sentido, o processo do cuidar e do administrar em saúde/enfermagem e as questões de gênero são percebidos na relação entre indivíduos, famílias, grupos e comunidades, voltados ao atendimento das suas necessidades universais e específicas, fundamentados na ciência, tecnologia e na ética.

O projeto pedagógico do programa compreende a enfermagem como um campo interdisciplinar, com profunda interface com a fundamentação teórica do campo das ciências da saúde e das ciências sociais, o que está explícito nos próprios objetos de investigação e abordagens metodológicas das pesquisas desenvolvidas no programa e grupos de pesquisa da EEUFBA. O processo de cuidar e de administrar em saúde e enfermagem está, pois, direcionado teoricamente para atender às necessidades de saúde da população e à consolidação do Sistema Único de Saúde.

Nesse contexto, o PPGENF/UFBA tem a missão de qualificar profissionais para a pesquisa, o ensino e a prestação de serviços aos indivíduos e populações, articulando conhecimentos da ciência da Enfermagem aos de outras áreas do conhecimento.

Para o alcance dessa missão, o PGENF/UFBA tem como objetivos:

1. Formar enfermeiras mestras e doutoras para responder às necessidades de saúde da sociedade brasileira, particularmente da Região Nordeste.

2. Capacitar enfermeiras para a implementação de práticas transformadoras de pesquisa e ensino, através do desenvolvimento de estudos e pesquisas em enfermagem.

3. Qualificar pesquisadoras para o desenvolvimento de investigações sobre temas relacionados à administração e ao cuidado em enfermagem, utilizando a perspectiva de gênero e de outras categorias analíticas como raça, geração e classe social.

O perfil desejado para a egressa do PPGENF/UFBA é da profissional capaz de produzir um conhecimento inovador, utilizando metodologias apropriadas e com rigor metodológico, demonstrando habilidades na análise da literatura, na sistematização dos achados e no respeito aos princípios éticos que envolvem a pesquisa, além de articular a identificação de fenômenos, a implementação de intervenções e avaliação dos resultados nas ações de saúde e de enfermagem, no contexto onde essas ações se desenvolvem.

Para o alcance desse perfil, a pós-graduanda é estimulada a uma análise crítica do processo de cuidar/administrar em saúde e enfermagem a partir de perspectivas de gênero, reforçando seu potencial para contribuir na melhoria das condições de saúde da população, em âmbito regional e nacional.

 

RESULTADOS

Foram identificadas 93 egressas. Deste total, cinco foram excluídas do estudo em virtude da ausência dos respectivos currículos na base de dados utilizada. Desse modo, a população estudada foi composta por 88 egressas, com predomínio (89,8%) de mulheres. Há uma concentração (86,4%) de enfermeiras do próprio estado da Bahia, as quais concluíram o curso de graduação, predominantemente, entre 1980 e 1999 (72,7%). Na década de 2000 a 2011, concentra-se (81,8%) a conclusão da titulação, dado em crescimento constante a partir da década de 1980. As enfermeiras são, majoritariamente, egressas do curso de mestrado (83%). Esses dados estão ilustrados na Tabela 1.

 

 

Quanto à formação anterior ao ingresso nos cursos de mestrado ou doutorado, verificou-se que 78,4% das egressas tinham concluído algum curso de especialização.

Na Tabela 2, verifica-se que, do total de egressas, a maioria exercia atividades de docência tanto ao ingressar no Programa, quanto no momento atual, segundo os dados coletados, com predomínio da instituição pública como vínculo exclusivo. Observa-se que antes de ingressar no mestrado, 47,7% das enfermeiras já exerciam a docência como atividade profissional exclusiva, enquanto que somente 9,1% exerciam a função de gerência sem outras atividades concomitantes. Quanto ao tipo de vínculo, cerca da metade das enfermeiras era servidora pública antes do ingresso no curso de mestrado. Após o mestrado, ocorrem mudanças nas funções exercidas, com pequena ampliação da atividade docente, como atividade exclusiva e manutenção do percentual da atividade de gerência como atividade exclusiva. Chama a atenção o surgimento de outras atividades relativas à aposentadoria, continuidade na formação com o doutoramento e o trabalho voluntário. Antes do curso de mestrado, a docência em IES pública ou privada ou em ambas era exercida pela maioria das enfermeiras egressas. Este dado se amplia, posteriormente, de modo exclusivo ou em associação com atividades gerenciais e/ou de assistência.

 

 

Na Figura 1, a atuação profissional das enfermeiras egressas do PPGENF/UFBA é apresentada em complementaridade à Tabela 1, dando-se visibilidade às funções de docência, gerência e assistência quando exercidas de modo exclusivo ou em simultaneidade, antes e após a conclusão do curso.

 

 

DISCUSSÃO

Ao analisar os dados encontrados, deparamo-nos com conteúdos que proporcionaram uma discussão dialógica do perfil das egressas do PPGENF/UFBA que desenvolveram estudos na área de gerenciamento. O fato da maioria das pesquisadas serem mulheres constitui um resultado esperado, tendo em vista a composição da categoria de enfermagem por sexo na Bahia. O fato das enfermeiras serem, em sua maioria, egressas do curso de mestrado se deve principalmente à diferença no tempo de existência dos cursos, o de mestrado com 32 anos e o doutorado com seis anos.

Quanto à maioria de egressas do sexo feminino, esta não é apenas uma característica de cursos no campo da enfermagem e sim dos cursos das áreas de humanas e da saúde, a exemplo da área de educação, encontrando-se uma maioria do sexo masculino, excetuando-se somente em áreas como a física e a matemática(11). Ainda que não se tenha investigado os motivos que levaram a este grupo se inscrever em um curso de mestrado acadêmico, pode-se inferir que estes motivos devem ser similares aos expressados por outros grupos, como ingressar na carreira docente ou por exigência do mercado de trabalho, que no campo da enfermagem é um fator expressivo de interesse por parte de quem procura os cursos de pós-graduação, dado ao aumento dos cursos de graduação em Enfermagem com ampliação significativa do mercado de trabalho docente(11) .

O fato de 52,2% das egressas terem desenvolvidos cursos de especialização na área de gerência em saúde/enfermagem evidencia algum grau de coerência na escolha, por estas alunas, da linha de pesquisa quando da escolha dos cursos de mestrado ou doutorado. Em relação aos achados na tabela 2, pode-se afirmar que o objetivo dos cursos de pós-graduação é também a formação de docentes(11). Deste modo, podemos afirmar que o programa mantém a coerência com o propugnado nas diretrizes políticas sobre o ensino de pós-graduação em nosso país.

O aumento da inserção na docência após a conclusão do curso de pós-graduação permite concluir que o PPGEN está contribuindo, coerentemente, com o propugnado na sua finalidade, principalmente em relação à formação de mestres, o que é reafirmado a partir do decréscimo observado na inserção das egressas apenas nas atividades assistenciais após a conclusão do curso. Dados semelhantes são encontrados por um estudo realizado no Ceará ao analisar o perfil dos egressos de um programa de pós-graduação de Enfermagem stricto sensu(12).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados aqui apresentados indicam que as egressas dos cursos de mestrado e/ou doutorado do PPGENF/UFBA são, na sua maioria, mulheres; originárias do próprio estado da Bahia; concluíram o curso na década de 2000 a 2011; na maioria docente de instituições públicas e que continuaram na atividade acadêmica após a conclusão do curso.

Como resultado preliminar, o tipo de levantamento não permite aprofundar outros aspectos do perfil das egressas; nem relacioná-los com a qualidade dessa formação. No entanto, em relação à inserção no mundo do trabalho, o fato dos resultados indicarem a predominância da docência, somada à inserção concomitante na docência e na gerência, nos leva à afirmação de que o PPGENF/UFBA tem conseguido formar docentes para atender à expansão do ensino superior e, assim, contribuir para a elevação da qualidade da prestação do ensino, principalmente nas instituições públicas. Também, há indícios de que o programa contribui para estimular o desenvolvimento da pesquisa científica por meio da preparação de pesquisadoras, mesmo com o curto tempo de existência do curso de doutorado, bem como capacitar enfermeiras para fazer face às necessidades do desenvolvimento nacional no campo da gerência.

No entanto, o fato da maioria das egressas terem como período de graduação os anos entre 1980-1989 indica que o PPGENF/UFBA, ainda, não atende o preconizado pela CAPES e CNPq quanto ao estímulo do ingresso na pós-graduação stricto sensu de jovens graduandas oriundas do programa de iniciação científica.

O aumento expressivo no quantitativo de egressas revela que as mudanças no programa, a partir da inclusão do curso de doutorado, em 2006, bem como a opção por uma única área de concentração e definição de três linhas de pesquisa, abrindo espaço para a área de gerência, foram decisões acertadas. Tais medidas refletem as modificações nacionais no ensino superior, principalmente a valorização do investimento em programas de pós-graduação que o PPGENF/UFBA se inclui.

Em síntese, pode-se dizer que os resultados aqui apresentados fornecem subsídios para a análise geral do PPGENF/UFBA, particularmente no que se refere ao papel relevante que cumpre para a formação de mestres e doutores.

No entanto, a partir deste estudo preliminar fica o desafio de buscar as respostas para as questões relevantes, como as apresentadas(13).

• Qual a qualidade do mestrado/doutorado do PPGENF/UFBA?

• Esta formação enfatiza um compromisso com a produção teórica sobre a problemática da saúde e da enfermagem brasileira?

• A formação no mestrado contribui para a transformação das práticas pedagógicas das egressas docentes?

• O PPGENF/UFBA cumpre os papéis essenciais de produção de conhecimento e formação do(a) pesquisador(a)?

• Esta formação contribui para a maior inserção das egressas no mercado de trabalho?

• A formação para a docência integra a prática da pesquisa?

• Qual a contribuição do programa para a pesquisa e para a elaboração de conhecimento que contribua para a consolidação no campo da enfermagem?

Estes são os desafios que devemos perseguir na compreensão do papel e dos resultados do PPGENF/UFBA.

 

REFERÊNCIAS

1. Antunes R. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. 13ª ed. São Paulo: Cortez; 2008.         [ Links ]

2. Fernandes JD, Rosa DS, Vieira TT, Sadigursky D. Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de formação do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP. 2008;42(2):396-403.         [ Links ]

3. Fernandes JD, Silva RMO, Calhau LC. Educação em enfermagem no Brasil e na Bahia: o ontem, o hoje e o amanhã. Enferm Foco. 2011;2(1):63-7.         [ Links ]

4. Erdmann AL, Fernandes JD, Teixeira GA. Panorama da educação em enfermagem no Brasil: graduação e pós-graduação. Enferm Foco. 2011;2 Supl:89-93.         [ Links ]

5. Amâncio Filho A. Dilemas e desafios da formação profissional em saúde. Interface Comum Saúde Educ. 2001;8(15):375-80.         [ Links ]

6. Cellard A. A análise documental. In: Poupart J, Deslauriers JP, Groulx LH, Lapemère A, Mayer R, Pires AP, organizadores. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes; 2008. p. 295.         [ Links ]

7. Brasil. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Plataforma Lattes [Internet]. Brasília; 2011 [citado 2011 out. 21]. Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do?metodo=apresentar        [ Links ]

8. Bahia. Universidade Federal da Bahia; Escola de Enfermagem. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Proposta do Curso de Doutorado em Enfermagem. Salvador; 2005. p. 8-11.         [ Links ]

9. Tyrrell MAR, Santos TCF. Setenta anos de vida universitária da Escola de Enfermagem Anna Nery: uma breve reflexão. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2007;11(1):138-42.         [ Links ]

10. Fernandes JD, Ferreira SL,Vieira TT. A construção do conhecimento no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. In: Pagliuca LMF, Garcia TR, organizadoras. A construção do conhecimento em enfermagem: coletânea de trabalhos. Fortaleza: Pós-Graduação/DENF/UFC; 1998. v. 1. p. 117-38.         [ Links ]

11. Mendes RF, Vensceslau EOO, Aires AS, Prado Júnior RR. Percepção sobre o curso e perfil dos egressos do Programa de Mestrado em Ciência e Saúde da UFPI. Rev Bras Pós-Graduação. 2010;7(12):82-101.         [ Links ]

12. Rolim KMC, Bezerra MGA, Moreira VT, Cardoso MVLML. O perfil dos egressos de um Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2004;8(3):455-63.         [ Links ]

13. Zaidan S, Caldeira MAS, Oliveira BJ, Silva PGC. Pós-Graduação, saberes e formação docente: uma análise das repercussões dos cursos de mestrado e doutorado na prática pedagógica de egressos do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG (1977-2006). Educ Rev [Internet]. 2011 [citado 2011 out. 21];27(1):129-60. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo/pdf/educ.rev/v27n1pdf DOI10.1590/S0102-46982011000100007        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Mirian Santos Paiva
Rua Amazonas, 829 - Apto 201 - Pirituba
CEP 41830-380 - Salvador, BA, Brasil

Recebido: 07/11/2011
Aprovado: 11/11/2011

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons