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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.45 no.spe São Paulo Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342011000700005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Perfil de egressos da Pós-Graduação stricto sensu na área de Gerenciamento em Enfermagem da EEUSP

 

Perfil de los egresados del postgrado sticto sensu en el área de gerenciamiento en enfermería

 

 

Vanda Elisa Andres FelliI; Paulina KurcgantII; Maria Helena Trench CiamponeIII; Genival Fernandes de FreitasIV; Taka OguissoV; Marta Maria MelleiroVI; Daisy Maria Rizatto TronchinVII; Raquel Rapone GaidzinskiVIII

IEnfermeira. Professora Livre do Departamento de Orientação Profissional. Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. vandaeli@usp.br
IIEnfermeira. Professora Titular do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. pkurcg@usp.br
IIIEnfermeira. Professora Titular do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. mhciamp@usp.br
IVEnfermeiro. Professor Doutor do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. genivalf@usp.br
VEnfermeira. Professora Titular do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento de Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. takaoguisso@usp.br
VIEnfermeira. Professora Livre Docente do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento de Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. melleiro@usp.br
VIIEnfermeira. Professora Livre Docente do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento de Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. daisyrt@usp.br
VIIIEnfermeira. Professora Titular do Departamento de Orientação Profissional e do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. raqui@usp.br

Endereço para correspondência:

 

 


RESUMO

O presente estudo teve como objetivos identificar e discutir o perfil dos egressos da pós-graduação stricto sensu na área de concentração de Administração/Gerenciamento em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, no período de outubro de 2008 até junho de 2011, no tocante às áreas de conhecimento a que esses egressos estavam vinculados no mestrado e no doutorado. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, retrospectivo, pautado em análise documental. A população foi constituída por 250 egressos, sendo 169 mestres e 81 doutores. O perfil dos egressos permitiu apreender e discutir o percentual de continuidade para o programa de doutorado; o tipo de instituição que absorve o egresso de mestrado e de doutorado; e as áreas de atuação dos mesmos.

Descritores: Educação de Pós-Graduação em Enfermagem; Pesquisa em administração de enfermagem; Gestão em saúde


RESUMEN

El presente estudio tuvo como objetivos identificar y discutir el perfil de egresados de posgraduación stricto sensu en el área de concentración de Administración/Gerenciamiento en Enfermería, de la Escuela de Enfermería de la Universidad de San Pablo, en el período entre octubre 2008 a junio 2011, en lo relativo a las áreas de conocimiento a las que los egresados estaban vinculados en la maestría y en el doctorado. Se trata de un estudio exploratorio, descriptivo, retrospectivo, pautado en análisis documental. La población se constituyó con 250 egresados, de los que 169 eran maestros y 81 doctores. El perfil de los egresados permitió aprender y discutir el porcentual de continuidad hacia el programa de doctorado; el tipo de institución que contrata al egresado de maestría y de doctorado y las áreas de actuación de los mismos.

Descriptores: Educación de Postgrado en Enfermería; Investigación en gestión de enfermería; Gestión en salud


 

 

INTRODUÇÃO

No contexto brasileiro, a atuação profissional do enfermeiro é exercida segundo quatro processos de trabalho: assistencial, gerencial, educativo e de pesquisa. Nas instituições de saúde, o enfermeiro realiza, prioritariamente, os dois primeiros processos de forma articulada sendo o processo gerencial, preponderante sobre os demais uma vez que neste, o enfermeiro organiza o trabalho e gerencia os recursos humanos(1).

Há algumas décadas, no Brasil, o gerenciamento em enfermagem era percebido como uma disfunção, ou seja, um desvirtuamento da função que os enfermeiros deveriam, de fato, exercer nas instituições de saúde - o cuidado de enfermagem. Fazer gerenciamento era sinônimo de realizar atividades burocráticas, entendidas como tendo, como foco principal, a papelada(2).

Embora historicamente descritas como constitutivas do trabalho de enfermagem desde os primórdios no período pré-profissional, as atividades gerenciais passaram a ser, legalmente, atribuídas ao enfermeiro pela Lei do Exercício Profissional, regulamentado pelo Conselho Federal de Enfermagem(3), ao estabelecer que cabe privativamente ao enfermeiro, direção e chefia; planejamento, organização, coordenação e avaliação dos serviços de enfermagem(4). A Resolução COFEN 194 oficializa o trabalho gerencial do enfermeiro, informando:

O enfermeiro pode ocupar em qualquer esfera, cargo de direção geral nas instituições de saúde, públicas e privadas, cabendo-lhe, ainda, privativamente, a direção dos serviços de enfermagem.

Estudos demonstram que o trabalho de enfermagem sofreu influências da gerência clássico-científica incorporando os princípios de controle, hierarquia e disciplina, entre outros, apregoados pela teoria geral da administração. Estas influências predispuseram à conservação de técnicas, normas e regulamentos que não acompanham a dinamicidade e as transformações atuais que buscam qualidade e eficiência, assim como não promovem a autonomia dos trabalhadores da equipe de enfermagem(5-7).

Atualmente, o gerenciamento é percebido como atividade essencial e predominante no trabalho dos enfermeiros, independentemente de cargos ou funções por eles assumidas, nas instituições de saúde.

O reconhecimento do gerenciamento como um trabalho exercido pelos enfermeiros passou a ter mais concretude a partir dos estudos que buscaram evidenciar o trabalho da enfermagem a partir da concepção de processo de trabalho na perspectiva histórica(8-9).

Neste contexto, a ação gerencial, não prescinde do homem em suas relações com outros homens e da subjetividade presente neste processo, bem como suas determinações(10). Segundo as autoras, a gerência que emerge com o surgimento do capitalismo e do trabalhado coletivo, responde à (...) necessidade de uma instância ou função que se responsabiliza pela integração das atividades, na busca da unidade do processo de trabalho(10).

Nesta perspectiva, a gerência em saúde é uma atividade meio, cuja ação central está posta na articulação e na integração, que, ao mesmo tempo, possibilita a transformação do processo de trabalho e implica na sua transformação mediante as determinações presentes no cotidiano das organizações(10).

Configura-se, desta forma, como ferramenta do processo assistir/cuidar e pode ser apreendida como um processo de trabalho específico e decomposta em seus elementos constituintes(2).

O processo de trabalho gerencial vem sendo discutido mais enfaticamente desde a década de 80, quando pesquisadores(11) evidenciaram que este processo é orientado por uma finalidade imediata que é a de organizar o trabalho e, mediata, que é a de desenvolver condições para a realização do processo de cuidar individual e coletivo. Nesta análise, os autores referem como objeto de trabalho, a organização da assistência e a educação continuada dos trabalhadores, e como meios e instrumentos, a força de trabalho, os materiais, os modelos e métodos administrativos.

Entretanto, pesquisas demonstram que, ainda, existe uma lacuna importante no que se refere às competências gerenciais dos profissionais que assumem, na prática, a gestão e a gerência de serviços ou unidades de saúde no SUS(12).

Assim, o gerenciar constitui-se em foco de interesse para aprofundamento e discussão em função da finalidade de conhecer o perfil dos profissionais egressos de um Programa de Pós-Graduação com especificidade nessa área de conhecimento, com a finalidade de se avaliar se a formação está condizente com as necessidades da prática nos serviços de saúde e nas Instituições de Ensino Superior (IES).

Pós-Graduação na Área de Gerenciamento em Enfermagem na EEUSP

A criação e evolução da área de concentração Administração de Serviços de Enfermagem, bem como a produção do conhecimento nessa área do Programa de Pós-Graduação da EEUSP foi descrita em estudo que constatou ser, a mesma, uma das precursoras do processo de formação de enfermeiros em âmbito nacional, iniciada um ano após a implantação do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - PPGE, na EEUSP, coincidindo com a criação, oficial, do Departamento de Orientação Profissional, no ano de 1974(13).

Nos primeiros anos desta área de ensino foi dada prioridade para a titulação de professores, uma vez que a missão do mestrado era a capacitação para o exercício da docência. Apenas em 1989, teve início o curso de doutorado no mesmo programa(13).

Desde o início dos cursos de mestrado e doutorado, com ênfase na área de concentração em Administração/Gerenciamento em Enfermagem, muitas mudanças ocorreram culminando com a criação do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem, em novembro de 2009, passando a vigorar em fevereiro de 2010.

O Programa responde à necessidade de formação de pesquisadores, ampliação e aprofundamento de investigações na área de gerenciamento em enfermagem e de produção de conhecimento específico. Responde também, diante da crescente incorporação tecnológica aliada à complexidade da organização dos serviços de saúde, à formação de enfermeiros pesquisadores e inovadores na área.

Neste contexto, contempla a formação de pesquisadores considerando três eixos teórico-conceituais: técnico-científico, sócio-educativo e ético-político.

O eixo técnico-científico pressupõe que as investigações fundamentem-se em diferentes correntes teóricas dos campos da Administração/Gerenciamento em Saúde, no diálogo com as Ciências Sociais, que geram conhecimento especializado em gestão e planejamento em saúde baseado em evidências. O eixo sócio-educativo pressupõe pilares norteadores do Programa que integram fundamentos teóricos das Ciências Sociais, em particular da Sociologia, Antropologia e Educação. Estes pilares subsidiam a formação de enfermeiros pesquisadores, assim como outros profissionais da saúde, em cursos de mestrado e doutorado. As investigações que contemplam a dimensão sócio-educativa do Programa têm como finalidade a geração de conhecimentos e o oferecimento de produtos que inovem e instrumentalizem os processos de trabalho gerencial e educacional na enfermagem e na saúde, otimizando o uso das redes virtuais. O eixo ético-político encontra sustentação nos pressupostos teóricos da história, ética profissional e bioética, bem como das políticas públicas de saúde e educação. Esta esfera de conhecimento subsidia as pesquisas que avançam no conhecimento dos elementos políticos, sociais e econômicos, presentes nas relações de trabalho, interprofissionais e interdisciplinares, e nas relações de poder indivíduo-organização, usuário e sociedade, cujo diálogo representa um dos pilares da gestão do sistema de saúde no país(14).

Estas abordagens permitem investigações de caráter instrumental para o desenvolvimento de matrizes, modelos gerenciais inovadores e ferramentas que traçam diretrizes para o monitoramento do processo gerencial em saúde.

Os eixos teórico-conceituais do Programa pressupõem e articulam os núcleos temáticos de Gerenciamento, Ética e Bioética, Educação, História e Legislação que tem como objetivos: formar pesquisadores e líderes qualificados na área de Gerenciamento em Enfermagem e em Saúde e nas suas interfaces com outras disciplinas, para produzir conhecimento inovador e transformador das práticas de saúde; formar pesquisadores para atuar em diferentes cenários, que demandem ampliação e verticalização do conhecimento especializado em gerenciamento de enfermagem e de saúde, que resultem em matrizes e modelos de intervenção com impacto social; e, intercambiar conhecimentos resultantes das investigações com pesquisadores de centros de excelência congêneres, em âmbito nacional e internacional(14).

Nesse contexto, o Programa espera formar mestres e doutores com os seguintes perfis:

Mestres - com potencialidades para: produzir conhecimento inovador, na área de temática de investigação, utilizando instrumentos metodológicos apropriados; desenvolver capacidade de crítica-reflexiva, na análise de realidades e estudos, habilidade de busca e interpretação de estudos/textos, habilidade para redação científica; propor e implementar intervenções nos diferentes contextos de prática, avaliando resultados.

Doutores - com potencialidades para: agregar as potencialidades esperadas para os mestres, com maior aprofundamento/verticalização; ter domínio avançado da temática de investigação e/ou de suas interfaces, no contexto nacional e internacional, desenvolvendo/criando conhecimento inovador, capaz de dar sustentabilidade e visibilidade à ciência da Enfermagem e das outras áreas da Saúde; dialogar com pares nacionais e internacionais, na disciplina e na interdisciplinaridade; argumentar e sustentar idéias, em diferentes contextos da ciência; dominar referenciais teórico-metodológicos de pesquisa e capacidade para criar novos métodos/técnicas/tecnologias, assim como habilidade para divulgação do conhecimento em periódicos qualificados e para captar recursos para o desenvolvimento de projetos; dar continuidade à carreira científica e promover a Pós-Graduação em Enfermagem e em Saúde.

A produção do conhecimento na área de Pós-Graduação de Gerenciamento em Enfermagem foi objeto de estudos que possibilitaram apreender a distribuição desta produção segundo a região geográfica do país, temática, linha de pesquisa, década, método e corrente de pensamento bem como, permitiram, também, traçar considerações a respeito da trajetória, necessidades e perspectivas das pesquisas em Gerenciamento em Enfermagem(15).

Em função do exposto e tendo em vista a necessidade de constituir outros processos avaliativos a partir dos egressos deste Programa, os objetivos traçados para a presente investigação consistem em: identificar e discutir o perfil dos egressos da pós-graduação stricto sensu na área de Gerenciamento em Enfermagem, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, no período de setembro de 2008 a junho de 2011, no tocante às áreas de conhecimento inerentes ao mestrado e ao doutorado.

 

MÉTODO

Trata-se de estudo descritivo, exploratório, documental com coleta retrospectiva de dados, a partir do JANUS - Sistema Administrativo da Pós-Graduação da Universidade de São Paulo. Esse sistema é um programa interno que auxilia no gerenciamento de dados dos cursos de pós-graduação da USP.

Os dados possibilitaram a construção de banco de dados tabulados em uma planilha Excel com as seguintes variáveis: número USP e nome de cada egresso, curso realizado (mestrado ou doutorado), nome do orientador, ano da defesa, instituição em que o egresso está vinculado atualmente, Além do sistema JANUS, os dados foram obtidos através da consulta à plataforma Lattes de cada egresso e do contato com os respectivos orientadores do Programa de Pós-Graduação.

 

RESULTADOS

A denominação Área de Gerenciamento em Enfermagem - AGE refere-se à área temática de gerenciamento na qual foram formados, mestres e doutores desde 1978. Esta área temática teve início, na EEUSP, como área de concentração do curso de Mestrado denominada Administração dos Serviços de Enfermagem - ASE, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem desde 1974 e foi encerrada em 12 de fevereiro de 2010 por ocasião do início da vigência do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento em Enfermagem - PPGEn. Portanto, para este estudo, estão sendo considerados os egressos da AGE e apresentados os dados a eles relacionados.

 

FIGURA 1

 

FIGURA 2

 

Na área de concentração ASE, desde a primeira titulação em 1978 até março de 2010, foram titulados 158 mestres e 73 doutores. A partir de março de 2010 até junho de 2011, sob a égide do PPGEn, foram titulados 25 mestres e oito doutores. Assim, na área de gerenciamento de 1978 a junho de 2011 foram formados de 183 mestres e 81 doutores, totalizando 264 pós-graduados.

O perfil dos egressos na área de gerenciamento foi considerado quanto ao sexo e idade.

Em relação ao sexo verifica-se, na figura 3 que, a grande maioria dos pós-graduados é composta por mulheres, tanto mestres (59,8%) como doutores (29,9%), sendo que a maior participação masculina se encontra entre os egressos mestres (7,5%).

 

 

Na Figura 4, verifica-se que a faixa etária predominante dos egressos está entre 31 a 40 anos para os mestres e 41 a 50 para os doutores, existindo, ainda, a formação de mestres e doutores mais jovens (22% e 1%, respectivamente) e doutores mais velho, com mais de 61 anos (1%).

 

 

As Figuras 5 e 6 mostram que, aproximadamente, 30% dos egressos de mestrado estão vinculados às Universidades e Faculdades Privadas; 15% em Universidades Públicas; 20% em Serviços de Saúde Privados; 25% em Serviços de Saúde Públicos.

 

 

 

 

Quando se analisa a área de atuação do enfermeiro egresso de um curso de pós-graduação verifica-se que é o ensino a área de atuação que mais absorve os mestres (42%) e os doutores (80%) provenientes da área de gerenciamento em enfermagem, conforme mostram as figuras 7 e 8.

 

 

 

 

As Figuras 7 e 8 permitem, ainda, visualizar que os mestres são absorvidos para o ensino (42%), gerência (25%) e assistência (23%) e os doutores a execução do processo assistencial e gerencial nos serviços de saúde, enquanto os doutores concentram-se na gerência dos serviços e pouco na assistência.

 

DISCUSSÃO

Ao se conhecer o perfil dos egressos do Programa é possível inferir qual a sua inserção no mercado de trabalho, seja ele acadêmico ou não, enquanto possibilidade de geração de conhecimento, de produtos, de tecnologias que, em última instância, alavancam o desenvolvimento do país(16). A análise do perfil dos egressos que passamos a discutir busca subsidiar essa reflexão.

Assim, ao resgatar o perfil dos egressos neste estudo, buscamos subsidiar a análise de como a formação na pós-graduação está permitindo inserção destes nos mercados de trabalho e respondendo às necessidades de desenvolvimento do país. Por isso, abordamos inicialmente o quantitativo de egressos por ano e por curso; posteriormente, dados relativos ao sexo e faixa etária; e, finalmente, dados relativos à inserção no mercado de trabalho.

Desde a primeira titulação na área de concentração de em 1978 até março de 2010, foram titulados 158 mestres e 73 doutores na área de concentração ASE. A partir de março de 2010 até junho de 2011, sob a égide do PPGEn, foram titulados 25 mestres e oito doutores. Assim, na área de gerenciamento foram formados de 183 mestres e 81 doutores, totalizando 264 pós-graduados.

A análise do quantitativo de egressos mostra o potencial de formação do PPGEn que, em cerca de um ano, formou cerca de mais 45% do que já havia sido formado em 22 anos. Esse dado, também, representa um incremento de mestres e doutores para o mercado de trabalho acadêmico e de serviços de saúde. No entanto, diferentemente de outros Programas de Pós-Graduação contemporâneos e de outras áreas, esse número ainda é pequeno(17). Nesse sentido, cabe salientar que os primeiros formandos na área foram os docentes das Escolas de Enfermagem, que futuramente seriam os orientadores. Contudo, quando considerado o período de 1999-2002, com outro curso de pós-graduação na área de enfermagem(17) a área formou significativamente mais mestres (+ de 57%) e doutores (+ de 50%).

Os dados também mostram um incremento de titulações de mestres e doutores a partir do ano 2000, quando também passa a existir um número maior de orientadores, considerando que no ano de 2011 os dados foram coletados somente até o mês de junho. O mesmo incremento no período, também, é observado em outros cursos, dadas as exigências da Lei e Diretrizes da Educação, que passou a exigir a pós-graduação stricto sensu de seus professores(18). Outro fato, aliado ao primeiro, é o mercado em expansão dos cursos de enfermagem em universidades privadas.

A análise dos egressos em relação ao sexo e idade permite supor que, embora a força de trabalho em enfermagem seja composta na grande maioria por mulheres estas, também, estão investindo mais na carreira do que os homens. Este fato ocorre apesar da mulher exercer outras atividades, como educação dos filhos e atividades domésticas, além do trabalho remunerado. Nesse aspecto há um recorte de gênero importante que tem determinantes da inserção social das mulheres no trabalho.

Estudos(19) também demonstram que a grande maioria de egressos do programa de pós-graduação em enfermagem é composta por mulheres (96.5%).

Outros cursos de pós-graduação(20) apresentam o mesmo recorte de gênero, entendendo-se que a saúde e a educação são áreas de trabalho onde há predominância de mulheres.

A inserção das mulheres na docência significou uma transformação, pois o magistério era uma profissão com mais prestígio no século XIX, antes da sua feminilização a partir do século XX(17).

Em relação à idade, a Figura 4 mostra que o enfermeiro inicia o mestrado logo após a formação na graduação e o doutorado após os trinta anos de idade. Observa-se que entre os enfermeiros a formação dos doutores é mais expressiva nas idades entre 40 e 50 anos. Este dado pode estar relacionado à maioria feminina, uma vez que possivelmente as mulheres ingressem na pós-graduação mais tardiamente, após o cumprimento dos compromissos familiares e domésticos.

No Brasil, o Ministério de Educação exige um percentual de mestres e doutores no dimensionamento do corpo docente das faculdades e universidades como parâmetro de qualificação no processo de avaliação das IES. Por outro lado, os Programas de Pós-Graduação têm como um dos objetivos formar mestres e doutores para a qualificação do ensino superior, o que vai ao encontro da demanda do Ministério de Educação(17). Assim, é importante analisar como os pós-graduados do estudo, estão se inserindo nas universidades e, também, nos serviços para a qualificação da prática de enfermagem.

Esses dados permitem verificar que mais de um terço dos mestres formados na área de gerenciamento está inserido no ensino universitário, o que é esperado com a titulação. Verifica-se, ainda, maior absorção dos egressos de mestrado nas universidades privadas. Verifica-se, também, que 45% dos egressos foram absorvidos pelos serviços públicos e privados, o que permite inferir que deve estar ocorrendo maior qualificação dos processos assistencial e gerencial, nestas instituições, por contarem com enfermeiros mais capacitados para o desenvolvimento e uso de resultados de pesquisa.

Por outro lado, os egressos de doutorado estão inseridos, na maioria, em universidades públicas (62%) sendo estas são as que mais desenvolvem pesquisas e onde se concentra a grande maioria dos cursos de pós-graduação stricto-sensu.

Os resultados permitem ainda considerar que, além da atuação no ensino e na pesquisa os mestres e doutores também contribuem com melhor capacitação para o exercício dos processos assistencial e gerencial nos serviços aos quais estão vinculados.

 

CONCLUSÃO

O resgate da trajetória de um Programa de Pós-Graduação na área de Administração/Gerenciamento em Enfermagem, com foco na atuação dos egressos, contribui com informações importantes para a avaliação deste processo de capacitação profissional.

Assim quando são explicitados os números de egressos desta área, 183 mestres e 81 doutores, no período 1978-2011, fica explicitada, também, uma parte do cumprimento da missão de uma Escola de Enfermagem de uma Universidade Pública.

A predominância do sexo feminino nos achados é referendada pela própria trajetória da enfermagem, chamando atenção a inserção dos enfermeiros em cursos de mestrado logo após o término da graduação, mas com ingresso mais tardio no doutorado.

Embora, sem comprovação, a atual inserção dos doutorandos, neste programa, sugere que os mestres estão se inserindo mais precocemente nos cursos de doutorado abreviando o tempo desta capacitação e assim retornando, mais rapidamente, sua contribuição para com a sociedade.

A absorção dos mestres pelas universidades privadas (30%) dos egressos, e de (62%) de doutores pelas universidades públicas mostra que ainda são estas que asseguram maior qualificação do corpo docente com conseqüente melhores condições de ensino e de produção em pesquisa. A presença de mestres e doutores, nas instituições assistenciais privadas e públicas na área assistencial ainda é incipiente e acontece mais por iniciativa individual dos enfermeiros do que por proposição de políticas de recursos humanos que contemplem está capacitação.

Frente a esta realidade, a participação dos enfermeiros na proposição de políticas públicas e institucionais que regem e influenciam o ensino, a assistência e a gerência em saúde deve ser temática considerada nos programas de pós-graduação.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Vanda Elisa Andres Felli
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 - Cerqueira Cesar
CEP 05403-000 - São Paulo, SP, Brasil

Recebido: 07/11/2011
Aprovado: 11/11/2011